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Revista do Colégio Brasileiro de Cirurgiões

versão impressa ISSN 0100-6991versão On-line ISSN 1809-4546

Rev. Col. Bras. Cir. vol.45 no.4 Rio de Janeiro  2018  Epub 17-Set-2018

http://dx.doi.org/10.1590/0100-6991e-20181858 

Artigo Original

Complicações em colonoscopia: experiência uni-institucional com 8968 pacientes.

Roger Beltrati Coser, TCBC-SP1 

Marcelo Bellini Dalio1 

Lorraine Cristina Passos Martins1 

Gustavo Fernandes de Alvarenga, AsCBC1 

Camila Aloise Cruz1 

Antonio Rocco Imperiale1 

Camila Campos Padovese1 

Gustava Andrade de Paulo2 

José Carlos Teixeira Júnior1 

1 Hospital Albert Einstein, Serviço de Emergência, São Paulo, SP, Brasil.

2 Hospital Albert Einstein, Serviço de Endoscopia, São Paulo, SP, Brasil.

RESUMO

Objetivo:

avaliar a incidência, características epidemiológicas, diagnóstico e evolução dos pacientes que retornaram às unidades de pronto atendimento (UPA) do Hospital Albert Einstein em São Paulo/SP com sinais e sintomas sugestivos de complicações até 30 dias após realização de colonoscopia.

Métodos:

estudo retrospectivo uni-institucional de pacientes submetidos à colonoscopia em 2014 e que retornaram, em até 30 dias após o procedimento, a uma UPA.

Resultados:

foram realizadas colonoscopias em 8968 pacientes, dos quais 95 (1,06%) tiveram queixa relacionada à possível complicação. A maioria dos procedimentos foi realizada eletivamente. Complicações menores (dor abdominal inespecífica/distensão) foram frequentes (0,49%) e a maioria dos pacientes recebeu alta após consulta na UPA. Complicações graves foram menos frequentes: perfuração (0,033%), hemorragia digestiva baixa (0,044%) e obstrução intestinal (0,044%). A procura à UPA em menos de 24 horas após o procedimento associou-se a maior índice de colonoscopias normais (P=0,006), mais diagnóstico de febre (P=0,0003) e síndrome dispéptica (P=0,043) e menos diagnóstico de colite/ileíte (P=0,015). A presença de febre em pacientes atendidos na UPA associou-se ao diagnóstico de pólipos na colonoscopia (P=0,030).

Conclusão:

os dados do presente estudo corroboram as evidências de segurança do exame de colonoscopia e apontam para redução nos índices de complicações mais graves deste exame.

Descritores: Colonoscopia; Febre; Dor Abdominal; Serviços Médicos de Emergência.

INTRODUÇÃO

A colonoscopia é um método diagnóstico e terapêutico que permite examinar e tratar o reto, cólon e íleo distal. É recomendada no rastreio de câncer colorretal por ser um método seguro e eficaz na redução da sua mortalidade1,2. Entretanto, mesmo quando realizado em condições ideais, é um exame sujeito à complicações, que podem se traduzir em leve dor ou desconforto, até o óbito do paciente. Os índices de mortalidade variam entre 0,006% e 0,5%1,3-5 e relacionam-se à complicações, como perfuração e hemorragia, principalmente em pacientes com graves comorbidades.

As complicações da colonoscopia abrangem amplo espectro de situações, entre as quais, as condições clínicas do paciente, uso de medicações, condições do equipamento e do ambiente do exame, capacitação do colonoscopista e tipo de procedimento realizado. Tais complicações podem ser decorrentes do preparo intestinal, de perfuração, sangramento, lesão de mesentério, lesões de órgãos extracólicos, complicações cardiovasculares e infecção.

As complicações leves são mais frequentes e, muitas vezes, levam os pacientes a procurar unidades de pronto atendimento, geralmente, com queixas de dor abdominal, flatulência, náuseas e sangramento intestinal sem repercussão hemodinâmica6. Já o risco de complicações graves é baixo, variando de 0,079% a 0,84%7-9. O sangramento intestinal é a complicação grave mais frequente, geralmente em pacientes submetidos a procedimentos como polipectomia, ressecção endoscópica e biópsias2, mas frequentemente é autolimitado, sem necessidade de intervenção médica.

O risco de infecção relaciona-se principalmente à ocorrência de bacteremia devido à translocação de micro-organismos da luz intestinal para a corrente sanguínea. Estudos prévios demonstraram que o risco de bacteremia durante a colonoscopia é baixo (2% a 4%)10 e que o risco de infecção decorrente da bacteremia é ainda mais baixo.

A perfuração do cólon durante a colonoscopia pode relacionar-se à polipectomia (lesão térmica), além de outras causas, como trauma direto contra a parede do órgão, barotrauma, biópsias, laceração lateral por pressão da alça, fratura de tumor ou pós-polipectomia11,12.

A causa mais comum de sangramento durante ou após a colonoscopia é a polipectomia, sendo observado, em média, em 1,2% dos pacientes e divide-se entre sangramento imediato e tardio5. O sangramento imediato pode ser considerado como parte da polipectomia. Sangramento intraluminal é praticamente inexistente em colonoscopias diagnósticas sem biópsias12. O sangramento tardio ocorre geralmente nos primeiros 14 dias após a polipectomia, porém existem relatos de até 29 dias após o procedimento13.

A colonoscopia apresentou grande desenvolvimento nas últimas décadas, tornando-se ferramenta de rastreamento para câncer colorretal amplamente disponível e, em muitos casos, também terapêutica. Considerando o emprego mais universal da colonoscopia nos últimos anos, assim como a crescente realização de procedimentos, tanto em número absoluto quanto em complexidade, questiona-se se isso poderia levar ao aumento dos índices de complicações, sobre os quais não há avaliação através de estudos recentes no cenário de pronto atendimento.

O objetivo deste estudo é avaliar a incidência, as características epidemiológicas, a apresentação clínica e a evolução dos pacientes que retornaram às unidades de pronto atendimento do Hospital com sinais ou sintomas que indicassem complicações da colonoscopia até 30 dias após a sua realização.

MÉTODOS

Após aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa do Hospital Albert Einstein (protocolo número 1.377.722), realizou-se estudo retrospectivo uni-institucional através do qual foram avaliados os prontuários de todos os pacientes que realizaram colonoscopia na instituição no ano de 2014. Foram selecionados os pacientes que tiveram passagem pelas unidades de primeiro atendimento até 30 dias após o procedimento com diagnóstico ou sinais/sintomas que indicassem complicações da colonoscopia, como febre, calafrios, desidratação, dor/distensão abdominal, constipação e sangramento. Pacientes que retornaram à unidade de pronto atendimento com queixas não relacionadas à colonoscopia foram excluídos do estudo.

Os registros médicos de todos os pacientes incluídos foram revisados e documentados, incluindo aqueles referentes ao atendimento na UPA, como diagnóstico, tempo para retornar à UPA e destino do paciente. Os achados da colonoscopia e os procedimentos realizados foram registrados. Também foi avaliada a qualidade do preparo intestinal. Com o objetivo de análise de associação, a população estudada foi dividida em grupos de acordo com o tempo de retorno à UPA (menos de 24 horas vs mais de 24 horas), diagnóstico de febre e destino do paciente (alta vs internação).

As variáveis categóricas foram descritas por frequências absolutas e porcentagens, e as numéricas por média e desvio padrão (DP) ou mediana e quartis (primeiro e terceiro quartis), além de valores mínimos e máximos. A associação entre variáveis categóricas foi avaliada pelo teste Qui-Quadrado de Pearson ou pelo teste exato de Fisher, quando apropriado. Na comparação entre grupos de interesse quanto às variáveis numéricas, foram utilizados o teste t-Student ou o teste não paramétrico de Mann-Whitney se a variável apresentava distribuição assimétrica observada nos histogramas. As análises foram realizadas com o auxílio programa SPSS, considerando nível de significância 5%.

RESULTADOS

Durante o ano de 2014, 8968 pacientes foram submetidos a exame de colonoscopia nesta Instituição. Destes, 578 (6,44%) retornaram a uma das UPAs do hospital até 30 dias após o procedimento com queixas não relacionadas ao procedimento e 95 pacientes (1,06%) retornaram a uma das UPAs com queixas relacionadas ao procedimento. Estes 95 pacientes foram incluídos no estudo. O fluxograma dos pacientes é apresentado na figura 1. Os dados dos laudos das colonoscopias estão descritos na tabela 1.

Figura 1 Fluxograma da população estudada. 

Tabela 1 Dados dos exames de colonoscopia. 

Características
Pacientes (n, %) 95 (100%)
Idade (anos) (média±DP) 52±17
Sexo (n, %)
Masculino 39 (41,05%)
Feminino 56 (58,95%)
Achados da colonoscopia (n, %)
Normal 32 (33,68%)
Colite/ileíte 10 (10,53%)
Colite/ileíte + pólipo 4 (4,21%)
Doença diverticular 9 (9,47%)
Doença diverticular + pólipos 14 (14,74%)
Pólipos 20 (21,05%)
Câncer de cólon 4 (4,21%)
Preparo inadequado 2 (2,11%)
Procedimento (n, %)
Nenhum 39 (41,05%)
Biópsia 15 (15,79%)
Coagulação com plasma de argônio 1 (1,05%)
Descompressão 1 (1,05%)
Polipectomia ± biópsia 39 (41,05%)
Preparo intestinal (n, %)
Adequado 93 (97,89%)
Inadequado 2 (2,11%)
Prioridade do exame (n, %)
Eletivo 87 (91,58%)
Urgente 8 (8,42%)

Houve três perfurações diagnosticadas durante ou imediatamente após o procedimento: duas relacionadas à polipectomia e uma causada por aplicação de clip em lesão de ceco. Considerando-se o número total de procedimentos, a taxa de perfuração foi 0,033%. Estes três pacientes não foram incluídos na análise subsequente. Os dados referentes aos atendimentos nas UPAs são mostrados na tabela 2. Os dois casos de apendicite aguda foram diagnosticados, respectivamente, 14 e 19 dias após a colonoscopia.

Tabela 2 Dados das consultas na Unidade de Pronto Atendimento. 

Características
Pacientes (n, %) 95 (100%)
Diagnóstico na UPA (n, %)
Apendicite 2 (2,11%)
Desidratação 6 (6,32%)
Diverticulite 5 (5,26%)
Dor/Distensão abdominal 44 (46,32%)
Dor anal 1 (1,05%)
Febre 20 (21,05%)
Colite 4 (4,21%)
Hemorragia digestiva baixa 4 (4,21%)
Síndrome dispéptica 5 (5,26%)
Obstrução intestinal 4 (4,21%)
Tempo para comparecimento a UPA após colonoscopia (n, %)
Mais de 24 horas 63 (66,32%)
Menos de 24 horas 32 (33,68%)
Febre (n, %)
Não 75 (78,95%)
Sim 20 (21,05%)
Destino dos pacientes (n, %)
Alta hospitalar 77 (81,05%)
Internação hospitalar 18 (18,95%)

Quatro pacientes tiveram diagnóstico de hemorragia digestiva baixa, o que correspondeu a 4,21% das complicações e a 0,044% das colonoscopias. A média de idade destes pacientes foi 58,33 anos (29-84 anos) e o tempo médio de retorno à UPA foi de 13,6 dias (5-27 dias). Três pacientes com hemorragia foram internados. O primeiro apresentava diagnóstico prévio de doença diverticular, úlcera retal e retite actínica após radioterapia por neoplasia de próstata: durante a colonoscopia realizou-se coagulação com plasma de argônio. Ele retornou à UPA 27 dias após a colonoscopia e o sangramento provavelmente não teve relação específica com a colonoscopia. O segundo paciente apresentava sigmoidite e pólipos de cólon: foram realizadas polipectomias e biópsias. O paciente retornou à UPA cinco dias após o procedimento. O terceiro paciente apresentava doença diverticular e não foi realizado nenhum procedimento durante a colonoscopia, tendo retornado à UPA nove dias após o exame. O quarto paciente apresentou discreto sangramento anal devido à patologia orificial e recebeu alta após consulta na UPA.

Foi realizada comparação entre os pacientes que retornaram à UPA em menos de 24 horas após a colonoscopia e os pacientes que retornaram à UPA em mais de 24 horas após a colonoscopia. O retorno em menos de 24 horas teve associação maior com colonoscopias normais (P=0,006) e menos colite/ileíte (P=0,015). Febre (P=0,0003) e síndrome dispéptica (P=0,043) também foram mais prevalentes entre os pacientes que retornaram em menos de 24 horas. As outras características estudadas não mostraram diferenças significativas entre os dois grupos.

Também foi realizada a comparação entre os pacientes com e sem febre na UPA. Este sinal associou-se a achado de pólipos na colonoscopia (P=0,03). As outras características estudadas não mostraram diferenças significativas entre os dois grupos.

Por fim, foram comparados os dados dos pacientes que foram internados com os que receberam alta. Internação hospitalar associou-se a diagnósticos na UPA de apendicite aguda (P=0,034), colite (P=0,001), hemorragia digestiva baixa (P=0,021) e obstrução intestinal (P=0,001). As altas das UPAs associaram-se a diagnóstico de dor abdominal inespecífica/distensão (P=0,001). As outras características estudadas não mostraram diferenças entre os grupos.

DISCUSSÃO

Entre os principais achados deste estudo, pode-se citar que a taxa de complicações relacionadas à colonoscopia até 30 dias após o procedimento foi 1,06%. A maioria dos procedimentos foi realizada eletivamente com preparo de cólon adequado. Estudos prévios avaliaram somente complicações específicas da colonoscopia, enquanto o presente estudo avaliou todas as possíveis complicações, desde situações de emergência até queixas leves que não resultaram em internação hospitalar. Entretanto, eventos adversos imediatos relacionados ao procedimento e ao preparo/sedação não foram diretamente mensurados, exceto a taxa de perfuração imediata.

Complicações leves, como dor abdominal inespecífica/distensão, foram frequentes (0,49% de todos os pacientes e 46,32% da população estudada), e a maior parte dos casos recebeu alta após consulta médica na UPA. Complicações graves foram menos frequentemente observadas: perfuração (0,033%), hemorragia digestiva baixa (0,044% de todos os pacientes e 4,21% da população estudada) e obstrução intestinal (0,044% de todos os pacientes e 4,21% da população estudada), sendo praticamente todos estes pacientes internados após atendimento médico na UPA.

No presente estudo, a taxa de 1,06% de pacientes com complicações relacionadas à colonoscopia foi similar ao encontrado na literatura. Coortes prospectivas relatam taxa de 1% de procura de atendimento médico devido à sintomas pós-colonoscopia1,6 e taxa de uso de serviço de saúde até 30 dias após o procedimento de 1,7%14. Assim como descrito na literatura, a procura por atendimento médico foi maior no sexo feminino (58,95%).

Complicações graves são incomuns após colonoscopia. Em estudo prospectivo, Ko et al.6 demonstraram que a incidência destas complicações diretamente relacionas à colonoscopia foi de 2,01/1000 exames (IC95%: 1,46 a 2,71). Em uma revisão sistemática, a prevalência de perfuração foi de 0,5/1000 (IC95%: 0,4 a 0,7), sangramento de 2,6/1000 (IC95%: 1,7 a 3,7) e óbito de 2,9/1000 (IC95%: 1,1 a 5,5)1. Em nosso estudo, foram diagnosticadas três perfurações durante o exame (0,033%) e não houve mortalidade relacionada ao procedimento até 30 dias após sua realização. Estes resultados apontam para redução nas taxas de complicações graves da colonoscopia, resultado de melhorias tecnológicas no instrumental da colonoscopia, além de maior experiência e treinamento dos profissionais envolvidos, atualmente com programas de especialização mais específicos e direcionados a esta área de atuação médica.

Também deve se notar que a grande maioria dos procedimentos foi realizada eletivamente (91,58%) e com preparo adequado de cólon (97,89%). Outro fator que pode ter contribuído para a baixa taxa de complicações graves foi a média de idade da população estudada (51,9 anos). A incidência de complicações tende a ser maior em grupos de idade mais avançada2,15. Por outro lado, outros estudos sugerem que a idade não é fator de risco independente para complicações e que a incidência de complicações correlaciona-se à presença de comorbidades16.

Outros relatos identificam a polipectomia como fator de risco independente para complicações graves2,15,17,18. Em nosso estudo, ao contrário, a polipectomia foi realizada com frequência (41,05%), sem afetar o risco de hemorragia ou perfuração. Os motivos da baixa incidência de sangramento após polipectomia merecem ser melhor avaliados, considerando-se os dados do procedimento, como a técnica empregada e a experiência dos profissionais envolvidos.

Assim como descrito na literatura, as complicações leves foram mais comuns, e a maioria dos sintomas apresentados pelos pacientes foram leves e autolimitados1,19,20. Até um terço dos pacientes pode relatar sintomas leves e transitórios após colonoscopia15,20. Dor abdominal inespecífica e distensão são as complicações menores mais frequentemente relatadas1,14,19. No presente estudo, estas complicações representaram 46,32% dos diagnósticos nas UPAs.

Apendicite aguda pós-colonoscopia é complicação rara, com incidência de 0,038%21. Pode ser causada por hiperinsuflação, apendicite subclínica pré-existente ou fecalito no apêndice22, geralmente observada até dez dias após a colonoscopia. No presente estudo foram observados dois casos de apendicites após dez dias da colonoscopia. Estes casos provavelmente não têm relação com o procedimento devido ao longo intervalo até sua ocorrência.

Associação temporal entre a realização da colonoscopia e a procura por unidade de pronto atendimento foi um fator importante no estudo: 33,68% dos pacientes compareceu à UPA até 24 horas após o procedimento. Os dados da literatura mostram que a maioria das complicações ocorre até sete dias após o procedimento e que a incidência de complicações menores é maior nas primeiras 48 horas. As complicações tornam-se menos frequentes após 14 dias16,19. Os dados do presente estudo estão de acordo com estes achados.

Também se observou maior incidência de febre entre os pacientes que procuraram a UPA precocemente (43,75%) em comparação aos que procuraram a UPA tardiamente (9,53%). Este fato pode ser explicado pela bacteremia transitória e liberação de mediadores inflamatórios causados pelo procedimento10,11. Este achado, entretanto, pode não ter impacto clínico relevante, uma vez que não houve diferença nas taxas de internação hospitalar. Esta se associou a diagnóstico de apendicite, hemorragia digestiva baixa, obstrução intestinal e colite, como seria esperado nestas complicações mais graves. Pacientes com diagnóstico de dor e distensão abdominal inespecíficas, em sua maioria, receberam alta após avaliação na UPA.

Este estudo também comparou pacientes com e sem febre que procuraram a UPA. Nestes dois grupos não foram observadas diferenças significativas quanto à idade, procedimentos realizados, como biópsia ou polipectomia, apesar de ter sido observada correlação entre achado de pólipo na colonoscopia e o diagnóstico de febre na UPA. Considerando-se que ocasionalmente utiliza-se diatermia para realização de polipectomia resultando em queimadura na parede do cólon, há risco de perfuração e maior translocação bacteriana, fatores que podem se associar à febre. Neste sentido, tentamos correlacionar a presença de febre à realização de polipectomia, mas esta hipótese não foi confirmada. Houve tendência dos pacientes que foram submetidos à polipectomia a apresentar mais febre (55% vs 37,33%), mas sem diferença estatística significativa. A presença ou ausência de febre também não se correlacionou à indicação de internação hospitalar ou alta, como se poderia supor. Estes achados sugerem que a presença de febre após a realização de colonoscopia (excluindo-se complicações mais evidentes, como sepse ou perfuração) não constitui fator independente para tomada de decisão quanto à conduta na UPA, assim como, quanto à sua destinação (internação vs alta)9,10.

Fonte de financiamento: nenhuma.

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Recebido: 07 de Março de 2018; Aceito: 18 de Junho de 2018

Endereço para correspondência: Roger Beltrati Coser E-mail: rogercos@hotmail.com / rogerbc@gmail.com

Conflito de interesse: nenhum.

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