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Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia

Print version ISSN 0100-7203

Rev. Bras. Ginecol. Obstet. vol.20 no.3 Rio de Janeiro Apr. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-72031998000300011 

Resumos de Teses

Avaliação Longitudinal de Aspectos Imunológicos e Virológicos Durante a Gravidez e Puerpério em Mulheres Portadoras do Vírus da Imunodeficiência Humana Tipo 1 (HIV-1)

 

Tese de Doutorado, apresentada ao Departamento de Ginecologia e Obstetrícia da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto-USP - em 09/05/97

 

Autor: Silvana Maria Quintana
Orientador: Prof. Dr. Geraldo Duarte

 

 

As controvérsias a respeito das influências da gravidez e da infecção pelo vírus da imunodeficiência humana tipo 1 (HIV-1) sobre as contagens dos principais elementos da defesa celular e a necessidade de comprovação do padrão de mutações virais presentes nesta população, foram os principais fundamentos do presente estudo.

Para efetivar estes objetivos foi realizado um estudo longitudinal avaliando 22 mulheres durante a gestação e puerpério, das quais 11 eram portadoras do HIV-1 (grupo A) e 11 soronegativas para esta infecção (grupo B).

Cada paciente foi submetida a cinco coletas sangüíneas, uma a cada trimestre e duas no puerpério (40 dias e 6 meses após o parto). Os parâmetros da função imunológica avaliados foram as contagens de linfócitos totais, linfócitos T e suas subpopulações (TCD4 e TCD8), a relação CD4/CD8, as contagens de linfócitos B e NK (CD16+/CD3-, CD56+/CD3- e CD56+/CD16+). Concomi-tantemente foram selecionadas 20 mulheres não-grávidas, caracterizadas como grupo controle (dez mulheres portadoras do HIV-1 e dez mulheres soronegativas). Em 20 pacientes foram seqüenciados fragmentos genômicos de amostras do HIV-1, utilizando métodos de biologia molecular.

Observou-se que as contagens de linfócitos totais, linfócitos T, linfócitos TCD4 (% e absoluto) e a relação CD4/CD8 foram significativamente mais baixas nas gestantes portadoras do HIV-1. As contagens de linfócitos B não foram diferentes entre as gestantes dos grupos A e B e os linfócitos TCD8 foram significativamente mais elevados no grupo A (gestantes soropositivas).

Em relação aos linfócitos NK, observou-se que os CD56+/CD16+ foram significativamente mais baixos durante a gravidez e período pós-parto de mulheres portadoras do HIV-1 quando comparadas com o grupo B.

O seqüenciamento e fragmentos do HIV-1 mostrou um elevado percentual de mutações na região da alça V3 (75%) o tetrâmero GWGR foi o mais freqüente (35%) nos grupos estudados (A e C) e uma nova variante (RWGR) foi observada.

Com base nos resultados deste trabalho, não foi possível evidenciar influência da gestação sobre a evolução das contagens de linfócitos totais, relação CD4/CD8 e NK (CD56+/CD16+). Verificou-se que as contagens de TCD4 não foram influenciadas pela gestação, mas apresentaram declínio no puerpério remoto, tanto no grupo A quanto no grupo B.