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Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia

versão impressa ISSN 0100-7203

Rev. Bras. Ginecol. Obstet. v.24 n.2 Rio de Janeiro mar. 2002

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-72032002000200014 

Resumos de Teses

Avaliação do Uso do Condom Feminino em Mulheres Vivendo com o HIV

 

Autor: Jarbas Magalhães
Orientadora: Profa. Dra. Eliana Amaral

 

Tese de Doutorado apresentada à Área de Tocoginecologia da Unicamp, para obtenção do Título de Doutor em Ginecologia, em 18 de setembro 2001.

 

 

Para avaliar a aceitabilidade, a adesão e a experiência com o uso de condom feminino entre mulheres contaminadas pelo HIV, do Ambulatório de Infecções Genitais-II da UNICAMP e Centro Corsini, desenvolveu-se um estudo descritivo prospectivo. As 76 mulheres que aceitaram participar responderam a uma entrevista de triagem, quando receberam um calendário para anotação das relações sexuais e uso de condom masculino. Após 30 dias, compareceram à visita de treinamento para colocação do condom feminino em modelo pélvico, trazendo o diário de relações sexuais deste ciclo, considerado controle. Foram entrevistadas através de questionário estruturado após 30, 60 e 90 dias, trazendo sempre o diário onde deveriam ser registradas as relações sexuais, com uso ou não, do condom feminino ou masculino. A análise estatística foi realizada utilizando-se os testes de Qui-Quadrado, Exato de Fisher, McNemar e Friedman para amostras emparelhadas. A população estudada foi predominantemente constituída de mulheres jovens, de baixa escolaridade e dois terços delas moravam com o parceiro. Observaram-se altas taxas de uso (87%), continuidade (78%) e aceitabilidade (68%) do condom feminino, ao longo de 90 dias de estudo. O uso de condom feminino, em torno de metade das relações sexuais em cada período de estudo, permaneceu estável nos 90 dias. Houve uma expressiva diminuição da proporção média das relações sexuais desprotegidas (de 14% para 6%), sem o uso de condons masculinos ou femininos, aos 90 dias. As dificuldades no manuseio do condom feminino, observadas no início, foram superadas com a continuidade do uso. Entre as vantagens mais citadas se destacaram: o poder de decisão de uso pertencer à mulher, a dupla proteção contra gravidez e DST/HIV e não depender do homem para usar. As desvantagens mais referidas incluíram ser caro, feio e fazer barulho, sendo que a última praticamente deixou de ser citada no final do estudo. Os casais soro-discordantes tiveram maior proporção de relações protegidas que os casais soro-concordantes, porém a diferença não foi significativa. As mulheres que relataram uso prévio de condom masculino por seus parceiros, em todas as relações sexuais, apresentaram um número significantemente maior de relações protegidas. Concluindo, a oferta do condom feminino acompanhada de aconselhamento apropriado foi capaz de reduzir as relações sexuais desprotegidas entre mulheres infectadas pelo HIV, que se mostraram motivadas e receptivas a este método, dele obtendo importante benefício.

Palavras-chave: AIDS. Doenças sexualmente transmissíveis. Contracepção. Método de barreira. Condom.