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Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia

Print version ISSN 0100-7203

Rev. Bras. Ginecol. Obstet. vol.26 no.8 Rio de Janeiro Sept. 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-72032004000800013 

RESUMO DE TESE

 

Farmacocinética e análise da distribuição transplacentária da fentanila na assistência anestésica via epidural de gestantes normais

 

Pharmacokinetics and analysis of transplacental distribution of fentanyl in epidural anesthesia for normal pregnant women

 

 

Autora: Elaine Christine Dantas Moisés
Orientador: Prof. Dr. Sérgio Pereira da Cunha

Dissertação de Mestrado apresentada à Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto Universidade de São Paulo - Departamento de Ginecologia e Obstetrícia, em 23 de julho de 2004

 

 

INTRODUÇÃO: os procedimentos anestésicos em obstetrícia persistem como desafio para obstetras e anestesistas que prosseguem na investigação de métodos seguros e eficazes de analgesia e anestesia, possibilitando os melhores resultados obstétricos e perinatais, aliados a conforto e segurança. No parto por via abdominal, o bloqueio epidural representa um dos procedimentos anestésicos mais freqüentes em obstetrícia. A fentanila é um fármaco opióide largamente utilizado como coadjuvante nessa prática, fato que justifica o estudo farmacocinético do mesmo nessas condições.
OBJETIVOS: investigar a farmacocinética e a transferência placentária da fentanila em parturientes cujas gestações foram resolvidas por via abdominal, com anestesia epidural.
CASUÍSTICA E MÉTODOS: foram avaliadas 10 parturientes com gestação a termo, consideradas normais clinicamente e laboratorialmente. Todas as gestantes receberam 5 mL de cloridrato de lidocaína a 2% sem vasoconstrictor para bloqueio de pele e subcutâneo, seguido de injeção epidural de 2 mL de citrato de fentanila a 0,05 mg/mL, 15 mL de cloridrato de bupivacaína 0,5% com epinefrina 1:200000 e 10 mL de cloridrato de lidocaína a 2% sem vasoconstrictor. Na seqüência, foram coletadas amostras sangüíneas maternas nos tempos 1, 5, 15, 30, 45, 60, 120, 240, 360, 480, 600, 720 e 840 minutos e amostras de sangue do cordão umbilical para determinação das concentrações de fentanila por cromatografia. Determinadas as concentrações, foram traçadas as curvas de concentração em função do tempo e análise farmacocinética bicompartimental ou tricompartimental para a fentanila, determinando-se t½ de a, t½ de b, t½ de g, AUC0-¥, Cl/f/kg e Vd/f/kg. Com base nas concentrações maternas e fetais no momento do nascimento, foi determinada a relação feto/materna desse fármaco.
RESULTADOS: os parâmetros farmacocinéticos encontrados foram: t½ de a de 13,5 min, t½ de b de 192,5 min, t½ de g de 620 min, AUC0-¥ de 137,404 ng.min/mL, Cl/f de 464,984 mL/min, Vd/f de 299,974 L, Cl/f/kg de 6,875 mL/min/kg e Vd/f,/kg de 4,441 L/kg. O tempo de latência entre a administração da droga e o nascimento foi de 28,5 min, sendo que, no momento do parto, a concentração plasmática materna foi de 0,310 ng/mL e a fetal de 0,245 ng/mL, com relação feto/materna mediana de 0,892.
CONCLUSÕES: a fentanila apresenta rápida passagem do espaço epidural para a corrente sangüínea e curto período de tempo para equilíbrio entre esses setores. O estudo evidenciou transferência placentária da fentanila em razões de aproximadamente 90% para fentanila, alertando para a elevada transferência deste fármaco através da barreira placentária.

Palavras-chave: Anestesia obstétrica. Cesárea via epidural. Farmacocinética. Transferência placentária.