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Revista Brasileira de Ginecologia e Obstetrícia

Print version ISSN 0100-7203On-line version ISSN 1806-9339

Rev. Bras. Ginecol. Obstet. vol.27 no.2 Rio de Janeiro Feb. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-72032005000200005 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Avaliação do índice de massa corpórea em mulheres atendidas em ambulatório geral de ginecologia

 

Evaluation of body mass index of women from an outpatient gynecological general clinic

 

 

Arlete Maria dos Santos FernandesI; Larissa Capochin Paes LemeII; Elza Mitiko YamadaII, III; Celina de Azevedo SolleroII, IV

IDepartamento de Tocoginecologia, Faculdade de Ciências Médicas da Universidade Estadual de Campinas
IIFaculdade de Ciências Médicas da Pontifícia Universidade Católica de Campinas, PUC-Campinas
IIIProfessora Assistente da Área de Tocoginecologia, Faculdade de Ciências Médicas, Pontifícia Universidade Católica de Campinas, PUC-Campinas
IVProfessora Titular da Área de Tocoginecologia, Faculdade de Ciências Médicas, Pontifícia Universidade Católica de Campinas, PUC-Campinas

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: verificar a freqüência de sobrepeso, obesidade e fatores associados entre mulheres de ambulatório de ginecologia geral em hospital secundário de referência.
MÉTODOS:
as variáveis estudadas foram idade, raça, escolaridade, renda familiar, trabalho com renda exercido pela mulher, tipo de trabalho da mulher, companheiro atual, característica do ciclo menstrual no momento da entrevista e índice de massa corpórea (IMC). Para análise as mulheres foram distribuídas em três grupos conforme o valor de IMC: <25 kg/m2 (adequado), 25-29 kg/m2 (sobrepeso) e >30 kg/m2 (obesidade). Para os grupos de sobrepeso e obesidade foram calculados odds ratio e respectivo intervalo de confiança a 95% (IC 95%) em cada variável, e posteriormente calculado OR ajustado.
RESULTADOS:
das 676 mulheres incluídas, 89,8% tinham até 8 anos de escolaridade, 83,0% tinham companheiro, 77,6% eram brancas, 61,4% referiram renda de até cinco salários mínimos e 36,0% estavam menopausadas. A freqüência de sobrepeso foi 35,6% e de obesidade 24,3%. O sobrepeso foi associado à faixa etária de 50-59 anos (OR: 3,22; IC 95%: 1,67-6,20) e à menopausa (OR: 1,52; IC 95%: 1,03-2,26); a obesidade foi associada à menopausa (OR: 2,57; IC 95%: 1,66-4,00) e às faixas etárias maiores de 40 anos (OR: 2,95; IC 95%: 1,37-6,37). Após análise de regressão múltipla, a obesidade manteve-se associada às faixas etárias de mais de 40 anos (OR: 2,51; IC 95%: 1,05-6,00).
CONCLUSÕES:
nesta amostra de mulheres com baixa escolaridade e nível socioeconômico, a prevalência de sobrepeso e obesidade foi alta. A obesidade foi associada a mulheres com mais de 40 anos. Esforços devem ser realizados para diminuir a freqüência de sobrepeso e obesidade entre mulheres.

Palavras-chave: Obesidade; Atenção primária; Climatério; Menopausa


ABSTRACT

PURPOSE: to determine the prevalence of overweight, obesity, and associated factors among women who visited a general gynecologic clinic in a secondary hospital of reference.
METHODS:
the following variables were studied: age, race, educational level, family income, job (paid work done by the women), type of the women's job, current partner, menstrual cycle characteristics at the time of interview, and body mass index (BMI). The patients were divided into three groups, according to their BMI values: <25 kg/m2 (normal), between 25-29 kg/m2 (overweight) and >30 kg/m2 (obesity). The odds ratio (OR) and respective 95% confidence interval (95% CI) were calculated in the overweight and obese groups. Subsequently, the OR was calculated and adjusted for other variables.
RESULTS:
among the 676 studied women, 89.8% had received up to 8 years of formal education, 83.0% had a partner, 77.6% were Caucasian, 61.4% earned less than 5 minimum wages, and 36.0% of these women were menopausal. The prevalence of overweight was 35.6% and of obesity 24.6%. Overweight was related to age ranging from 50 to 59 years (OR: 3.22; 95% CI: 1.67-6.20) and menopause (OR: 1.52; 95% CI: 1.03-2.26), and obesity was related to menopause (OR: 2.57; 95% CI: 1.66-4.00) and to age range above 40 years (OR: 2.95; 95% CI: 1.37-6.37). According to the multiple regression analysis, only obesity was associated with age range above 40 years (OR: 2,51; 95% CI: 1.05-6.00).
CONCLUSION:
the prevalence rates of overweight and obesity were high in our sample of low-income women and those with less education. Obesity was associated with women aged over 40. Attempts should be made to reduce the prevalence of overweight and obesity in women.

Keywords: Obesity; Primary care; Menopause


 

 

Introdução

A obesidade tem sido reconhecida entre os dez problemas de saúde pública global pela Organização Mundial de Saúde1. A tendência ao ganho de peso relacionada à mudança do hábito alimentar e de comportamento, e ao avanço do processo de industrialização, tem sido relatada tanto nos países desenvolvidos quanto nos em desenvolvimento, com conseqüente elevação nas taxas de sobrepeso e obesidade. No somatório desses países, mais de um bilhão de adultos têm sobrepeso e mais de 300 milhões são obesos2. Os inquéritos nacionais norte-americanos conduzidos pelo National Center of Health Statistics observaram que a prevalência de obesidade de 1976 a 2000 aumentou de 15 para 31% e o sobrepeso de 47 para 64%2,3.

Particularmente, a prevalência de obesidade tem aumentado entre mulheres. Na América Latina a taxa de obesidade observada entre mulheres é de 25% no México, 35,7% no Paraguai e 25,4% na Argentina4. No Brasil, 35% da população apresenta índice de massa corpórea (IMC) maior que 25 (kg/m2) e 12,5% são mulheres com IMC maior de 30 (kg/m2)5,6. O excesso de peso está associado a doenças crônicas como a hipertensão arterial, o diabete melito e a doença cardiovascular (DCV). Além disso, evidências sugerem que o sobrepeso e a obesidade elevam o risco para neoplasia de esôfago, cólon, reto, mama, endométrio e rim7,8. Tem sido recomendado, entre os cuidados da atenção primária, o estímulo à manutenção do peso dentro da variação do IMC entre 18,5 e 25 (kg/m2)8.

Além dos hábitos alimentares e da quantidade de atividade física, outros fatores têm sido relacionados ao ganho de peso nas mulheres, como fatores genéticos, étnicos, situação conjugal, tabagismo, experiência reprodutiva e uso de métodos anticoncepcionais hormonais1,9. Os objetivos deste estudo foram determinar a freqüência de sobrepeso e obesidade entre mulheres que consultam um serviço secundário de ginecologia e determinar a possível associação entre algumas características já conhecidas e o excesso de peso.

 

Indivíduos e Método

Foi realizado estudo de prevalência. As mulheres foram entrevistadas enquanto aguardavam atendimento em ambulatório de ginecologia geral, no período de fevereiro a outubro de 2001. Foram estudadas as características sociodemográficas, ginecológicas e obstétricas. As medidas de peso foram feitas com o uso de balança de escala mecânica graduada em 100 g e de altura por meio de escala metálica graduada em centímetros. O peso e altura foram considerados para o cálculo do IMC (kg/m2), indicador próprio para avaliação do estado nutricional de adultos10. Todas as mulheres foram pesadas sem sapatos e com roupas leves.

As variáveis estudadas foram idade e raça da mulher (branca e não branca); escolaridade (<8 anos e >8 anos de estudo formal); renda familiar <2 salários mínimos (SM), de 2 a 5 SM ou >5 SM; exercício de trabalho com renda; tipo de trabalho da mulher; se tinha ou não companheiro no momento da entrevista e o cálculo do IMC (kg/m2). Quanto à caracterização do ciclo menstrual, para mulheres no menacme foram considerados ciclos regulares (intervalo maior de 21 dias e menor ou igual a 35 dias) e irregulares (outros intervalos). Foram consideradas menopausadas se o tempo de amenorréia fosse maior de 12 meses após os 40 anos e/ou se a dosagem de FSH apresentasse valores iguais a 25 ou superiores a 40 mUI/mL.

Para análise, as mulheres foram distribuídas em três grupos conforme o valor de IMC: <25 (peso adequado), entre 25-29 (sobrepeso) e >30 (obesidade). Com finalidade de mensurar a magnitude da chance de sobrepeso e da chance de obesidade para cada variável categórica, calcularam-se o odds ratio (OR) e seu respectivo intervalo de confiança a 95% (IC 95%), considerando como controle o grupo com peso adequado. Ao final, foi realizada análise de regressão logística múltipla, com o cálculo do OR ajustado, para avaliar quais variáveis independentes (fatores de risco) poderiam estar associadas ao sobrepeso e à obesidade. Para a análise dos dados, utilizou-se o programa SAS, versão 8.211. O estudo teve aprovação do Comitê de Ética em Pesquisa da FCM/PUC-Campinas.

 

Resultados

Do total de 676 mulheres que participaram do estudo, 40,1% foram consideradas na faixa de peso adequado, 35,6% estavam com sobrepeso e 24,3% estavam obesas (Tabela 1).

Quanto à idade, pouco mais de metade das mulheres (53,4%) estavam nas faixas etárias de 30-39 e 40-49 anos, ao passo que 64,0% das mulheres obesas se concentraram nas faixas etárias entre 40-49 e 50-59 anos. Com relação às outras características sociodemográficas da amostra, 77,6% das mulheres eram brancas, 89,8% tinham até 8 anos de escolaridade e 83,0% das mulheres tinham companheiro no momento da entrevista (Tabela 1).

O cálculo do OR entre as mulheres com sobrepeso e obesidade, tomando como referência o grupo com peso adequado, mostrou que as mulheres na faixa etária de 50 a 59 anos tiveram três vezes maior chance de estar com sobrepeso e sete vezes maior chance de serem obesas que as mulheres com idade até 29 anos. A obesidade foi associada às mulheres com mais de 40 anos. As demais características estudadas não estiveram associadas à elevação do peso (Tabela 1).

A Tabela 2 mostra a distribuição das mulheres em relação às variáveis de renda familiar e trabalho. A renda familiar de 61,3% das mulheres entrevistadas foi de até cinco SM, para 34,9% foi superior a cinco SM e 3,7% referiram não saber informar a renda da família. Do total de mulheres, 30,6% exerciam trabalho remunerado fora do lar. Entre as que trabalhavam, 45,9% exerciam atividades domésticas em casas de família. O trabalho e a renda familiar não estiveram associados a ter sobrepeso ou obesidade (Tabela 2). Mais da metade das mulheres tinham antecedente de mais de três gestações e três filhos vivos ou mais. Não foi possível detectar qualquer associação entre número de gestações e filhos vivos e ter peso elevado (Tabela 3).

Quanto à característica do ciclo menstrual, 36% das mulheres estavam menopausadas e as demais estavam no menacme. Entre as últimas, a maior parte apresentava ritmo menstrual regular. A característica de ser menopausada esteve associada tanto ao sobrepeso quanto à obesidade (Tabela 3), entretanto, essas associações desapareceram na análise multivariada.

A única variável que manteve associação com a obesidade, após o cálculo do OR ajustado, foi a idade da mulher com mais de 40 anos (Tabela 4).

 

 

Discussão

Apesar de esta amostra ser constituída por mulheres em consulta no ambiente hospitalar, o atendimento ambulatorial de ginecologia geral caracteriza-se pela atenção ao pré e pós-operatório de doenças benignas, resultados de exames e para detecção precoce do câncer ginecológico naquelas mulheres que, por diferentes motivos, permaneceram no serviço recebendo atenção primária.

Apesar disso, tanto a prevalência de mulheres com sobrepeso e obesidade, respectivamente 35,6% e 24,3%, quanto a associação entre obesidade e o aumento da idade da mulher foram resultados próximos aos descritos em estudos populacionais realizados no Brasil. Em dados da região sul do país, entre 1.035 adultos pesquisados em 600 domicílios, quase 40,0% tinham sobrepeso e, entre as 580 mulheres do estudo, 25,0% eram obesas12. A obesidade foi mais freqüente entre mulheres e com o aumento da idade, especialmente após os 40 anos, quando a prevalência dobrou em relação às mulheres de menor idade12. Esses resultados levam a pensar na possibilidade de que o ganho de peso tenha aumentado de forma abrangente entre a população, devido a fatores comportamentais como o hábito da dieta alimentar hipercalórica e diminuição no exercício físico, o que leva à detecção de perfil epidemiológico similar mesmo em pequenas amostras, como esta de mulheres em ambulatório de ginecologia não especializado.

Os inquéritos nutricionais de 1975, 1989 e 1997 mostraram crescimento da prevalência de obesidade e sobrepeso no Brasil, em todos os estratos sociais, independente da classe socioeconômica. Entretanto, a partir de 1997 o aumento foi maior nas regiões mais pobres, entre as classes menos favorecidas e, principalmente, entre as mulheres5,6. Em outro estudo utilizando dados de 17.184 pessoas das regiões sudeste e nordeste, coletados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a prevalência de sobrepeso entre crianças, adolescentes e adultos foi de 10,8, 9,9% e 28,3% e de obesidade foi de 7,3, 1,8% e 9,7%, respectivamente13. Entre os adultos, essas prevalências foram maiores na população feminina, sendo que metade das mulheres com idades entre 40 e 79 anos tinham sobrepeso ou obesidade13.

Esta mudança no perfil epidemiológico da população foi conseqüência do processo denominado de transição nutricional, no qual ocorreram mudanças no padrão alimentar dos brasileiros que adquiriram poder aquisitivo para comprar mais alimentos, especialmente aqueles mais ricos em gordura e carboidratos6,14.

A urbanização acompanhada pela expansão na oferta de serviços determinou modificações também nos padrões de atividade física da população, com os indivíduos tornando-se mais sedentários. O estudo nacional sobre obesidade e renda descreveu que a prática de atividades físicas exercida pelas mulheres foi inversamente proporcional à sua renda familiar, e realizavam exercícios físicos regulares somente 2,1, 3,8 e 27,0% daquelas que pertenciam às classes sociais baixa, média e alta, respectivamente5.

Nesta amostra, dois terços das mulheres provinham de famílias com renda de até cinco SM, não exerciam trabalho fora do lar e a maioria tinha até oito anos de escolaridade. Apesar de este estudo não ter o objetivo de estudar o tipo de alimentação e a atividade física, é possível supor que as mulheres com mais de 40 anos e com as características de baixa renda e escolaridade desta amostra não tenham o exercício físico como atividade de lazer. Pode-se supor também que não tenham, em geral, hábito de exercício físico regular seja em academia ou ao ar livre, mesmo porque a região onde vivem, na periferia do serviço estudado, não possui áreas preparadas para tais atividades.

Com relação à influência do fator racial no peso corporal, apesar de estudo norte-americano ter observado tendência ao ganho de peso em mulheres negras3, nesta amostra não houve diferença entre peso elevado e raça da mulher. Também não foi possível detectar qualquer correlação entre peso elevado e renda familiar ou situação conjugal. O estudo de Gigante et al.12 verificou aumento da prevalência de sobrepeso e obesidade com o aumento de renda para homens, mas não entre mulheres.

Nesta amostra, a característica do predomínio de mulheres com até oito anos de estudo provavelmente impediu verificar associação entre peso e escolaridade da mulher. O estudo de Gigante et al.12 verificou associação inversa entre peso e escolaridade, mas não detectou diferença de peso entre mulheres que exerciam trabalho remunerado. Nesta amostra, em relação ao trabalho da mulher, não existiu diferença entre exercê-lo ou não, bem como não houve relação entre o tipo de trabalho e ganho de peso. Somente 30% das mulheres exerciam trabalho remunerado no momento da entrevista e, entre essas, 46% o faziam em atividade com exercício físico, pelo menos moderado, já que trabalhavam em atividades domésticas e/ou como diaristas. Mesmo entre essas mulheres não foi possível detectar diferença de peso, o esperado era que, entre elas, a percentagem de mulheres com peso adequado fosse maior, já que são mulheres que mantêm atividade física regular.

O ganho de peso e a história reprodutiva das mulheres têm associação ainda não muito clara. Estudos têm relatado que o ganho ponderal poderia estar diretamente associado ao número de filhos15,16. Um desses estudos, com 17.688 mulheres finlandesas, concluiu que o IMC aumentava significativamente com o aumento do número de filhos, sendo que as mulheres de elevada paridade apresentavam média de peso 2,3 kg maior que as nulíparas16. Em estudos nacionais, o ganho de peso entre mulheres durante a vida reprodutiva esteve associado diretamente ao IMC prévio a cada gestação, sem estabelecer qualquer correlação com a paridade17,18. Neste estudo, pela característica de todas as mulheres terem antecedentes gestacionais e filhos vivos, a única comparação possível foi entre os grupos de maior ou menor paridade/filhos vivos e essa não detectou qualquer diferença.

Após a análise de regressão múltipla, a variável associada à obesidade foi a idade maior de 40 anos. Na visão dos profissionais de saúde que trabalham com mulheres, estes resultados tornam-se importantes, já que são as faixas de idade que coincidem com o climatério e pós-menopausa, períodos em que as mulheres passam a ter maior risco para DCV19. Tem sido descrito que, na mulher, existe a elevação de risco para DCV com o aumento de peso e o hábito de fumar, sendo recomendadas intervenções direcionadas às mulheres, com o objetivo de que adquiram como hábito de vida a dieta saudável e parem de fumar20.

Alguns autores têm chamado atenção para a falta de diagnóstico do sobrepeso e obesidade por parte dos médicos e profissionais de saúde, especialmente aqueles que fazem o atendimento de nível primário, propondo que estes profissionais estejam atentos ao diagnóstico individual do sobrepeso21,22. Por outro lado, faltam intervenções práticas e eficazes, na atenção primária, para estimular as pessoas a perder ou manter o próprio peso22. Além disso, a falta de tratamento consistente para pessoas com necessidade de diminuir peso tem limitado o atendimento diário no setor básico. Vários estudos têm mostrado que a orientação, as dietas e os diferentes medicamentos indicados para o tratamento da obesidade em adultos levam à perda pequena ou moderada de peso, cerca de 3 a 5 kg/ano em estudos com seguimento de até dois anos, com elevado número de recidivas após o tratamento23,24.

Diante da freqüência do problema na população, é imprescindível que as mulheres recebam, durante qualquer atendimento à saúde, seja na clínica privada ou no setor público, neste último mais especialmente no nível primário, orientação para evitar o aumento de peso. Isto pode ser conseguido nas unidades básicas de saúde com as medidas de peso e altura na primeira consulta e medidas de peso nos retornos anuais, que são em geral já realizadas. O objetivo será detectar elevações iniciais, chamando atenção da mulher para o problema e orientar medidas de prevenção ao ganho progressivo.

Essa medida soma qualidade à atenção prestada e deve repercutir também em mudanças no ambiente da alimentação familiar, o que é desejado, uma vez que a obesidade é uma epidemia com potencial de agravo para a saúde da população.

 

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Endereço para correspondência
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Recebido em: 27/9/2004
Aceito com modificações em: 7/2/2005

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