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Pesquisa Veterinária Brasileira

Print version ISSN 0100-736XOn-line version ISSN 1678-5150

Pesq. Vet. Bras. vol.24 no.2 Rio de Janeiro Apr./June 2004

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-736X2004000200006 

Prevalência de Salmonella sp em suínos abatidos em frígoríficos do Rio Grande do Sul

 

Prevalence of Salmonella sp. carrier pigs in slaughterhouses of Rio Grande do Sul, Brazil

 

 

Marjo Cado BessaI; Marisa da CostaII; Marisa CardosoIII

IMestre em Microbiologia Agrícola e do Ambiente, UFRGS
IIDepto Microbiologia, Instituto de Ciências Básicas da Saúde, UFRGS
IIIDepto Medicina Veterinária Preventiva, Faculdade de Veterinária, UFRGS, Av. Bento Gonçalves 9090, Porto Alegre, RS 91540-000. E-mail: mcardoso@vortex.ufrgs.br

 

 


RESUMO

Este estudo foi realizado com o objetivo de determinar a prevalência de Salmonella sp em suínos abatidos em frigoríficos sob inspeção federal no Rio Grande do Sul. Amostras de fezes e linfonodos foram coletadas em três diferentes frigoríficos no Estado. A partir da análise microbiológica das amostras de 300 animais, encontrou-se uma prevalência de Salmonella sp de 55,66%, com 17,6% de isolamentos a partir dos linfonodos, 18,3% das fezes e 19,6% em ambos os materiais. Foram identificados 26 sorovares diferentes em 226 isolados de Salmonella sp. Os sorovares mais prevalentes foram: Typhimurium (24,3%), Agona (19,9%), Derby (13,2%) e Bredeney (12%). Estes resultados indicam a necessidade de implementar programas de controle com o objetivo de diminuir a prevalência de animais portadores ao abate.

Termos de indexação: Salmonella, suínos, linfonodos, fezes.


ABSTRACT

This study aimed to determine the prevalence of Salmonella positive pigs at slaughterhouses under federal inspection in Rio Grande do Sul, Brazil. Samples of feces and lymph nodes of 300 animals were collected in three different slaughterhouses, and submitted to bacteriological analysis. The prevalence of Salmonella carrier animals was 55.66%, being 17.6% of the animals Salmonella positive in lymph nodes, 18.3% in feces and 19.6% in both materials. Twenty-six different serovars were identified among 226 Salmonella isolates. The most prevalent serovars were: Typhimurium (24.3%), Agona (19.9%), Derby (13.2%) e Bredeney (12%). These results point out the need of control programs to reduce the prevalence of carrier pigs at slaughter.

Index terms: Salmonella, swine, lymph nodes, feces.


 

 

INTRODUÇÃO

A qualidade microbiológica dos alimentos ingeridos pela população é um aspecto crucial para a saúde pública. Entre os microrganismos importantes para a segurança alimentar, a Salmonella tem se destacado como causadora de toxinfecções alimentares. Os produtos de origem avícola têm sido os mais comumente relacionados a surtos desta natureza em humanos. Entretanto, a contaminação da carne suína também pode vir a oferecer risco à população, conforme já relatado anteriormente (Wegener & Bager 1997). A presença dessa bactéria em produtos de origem suína também é de importância para competir no mercado, que apresenta uma crescente exigência em relação à qualidade dos produtos.

Em decorrência disso, é necessário implementar programas de controle de Salmonella em rebanhos, bem como em pontos críticos da produção e do processamento dos alimentos de origem suína (Carlson & Blaha 1998, Letellier et al. 1999). Para isso, é importante conhecer a prevalência, a distribuição e os sorovares de Salmonella presentes em suínos levados ao abate.

O presente estudo objetivou determinar a prevalência de Salmonella sp em suínos levados ao abate em frigoríficos sob inspeção federal no Rio Grande do Sul, através da análise bacteriológica dos linfonodos mesentéricos e fezes desses animais.

 

MATERIAL E MÉTODOS

Amostras. O tamanho de amostra mínima necessária para a determinação da prevalência de animais abatidos no Estado do Rio Grande do Sul (RS) e portadores de Salmonella sp foi calculado pelo programa EPI-Info (1996). Para tanto, foram fornecidos os seguintes parâmetros: número de animais abatidos sob inspeção federal no Estado (5.500.000/ano); prevalência estimada 10% (Weiss et al. 1999); intervalo de confiança de 95%; precisão absoluta de 5%.

Materiais de 300 suínos clinicamente normais foram amostrados em três diferentes frigoríficos sob inspeção federal no RS, entre setembro de 1999 e julho de 2000. Estes frigoríficos foram escolhidos de forma aleatória e conforme a disposição dos mesmos em participar do estudo. Eles estão situados em três regiões representativas do Estado: Serra, Vale do Taquari e Noroeste. Os animais abatidos nestes frigoríficos procediam de granjas localizadas em diversos municípios no Estado do Rio Grande do Sul e constituíam-se, na sua maioria, de produtores em sistema de integração com a empresa.

Cada frigorífico foi visitado em 4 diferentes ocasiões, perfazendo 12 visitas. A amostragem era feita de forma que a primeira carcaça fosse selecionada ao acaso, e as 24 restantes escolhidas em um intervalo calculado a partir da divisão do número previsto de animais a serem abatidos, pelo número de amostras a serem colhidas. De cada animal eram retiradas as vísceras abdominais, colocadas em bandejas individuais e levadas a um local anexo à linha de abate, onde era feita a retirada de linfonodos mesentéricos e de um fragmento do intestino. Em seguida, as amostras eram colocadas em sacos plásticos individuais, identificadas e conservadas sob refrigeração para serem transportadas até o laboratório, onde eram processadas em até 24 horas.

Processamento das amostras. Foram pesados, separadamente, 25 g de conteúdo intestinal e linfonodos mesentéricos que, após acrescidos de 225 ml de água peptonada tamponada e triturados em homogeneizador (Stomacher, Interscience), foram incubados a 37ºC por 24 horas (etapa de pré-enriquecimento). Alíquotas de 1ml e 0,1 ml de cada amostra foram inoculadas, respectivamente, em 9 ml de caldo Tetrationato Müller-Kauffmann e em 9,9ml de caldo Rappaport-Vassiliadis, e incubadas em banho-maria a 42ºC por 24 horas. De cada tubo de enriquecimento seletivo, alíquotas foram semeadas em ágar Xilose Lisina Tergitol-4 (XLT4) e ágar Verde Brilhante Vermelho de Fenol Lactose Sacarose (BPLS) com Novobiocina 0,004%. Ambos os meios foram incubados por 24-48 horas a 37ºC. Colônias suspeitas nos meios seletivos foram submetidas a provas bioquímicas e sorológica, com soro Salmonella Polivalente Somático (Probac), conforme Quinn et al. (1999). Todas as amostras de Salmonella isoladas foram enviadas para sorotipificação na Fundação Instituto Oswaldo Cruz, Rio de Janeiro.

Análise estatística. A análise estatística foi realizada através do teste Qui-quadrado (SPSS 1998) com valores significantes para todas as análises de a= 0,05. O intervalo de confiança (IC) das prevalências encontradas foi calculado conforme Smith (1995).

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

No passado, os produtos de origem suína estiveram menos freqüentemente implicados como fonte de surtos de toxinfecção alimentar causados por Salmonella em humanos. Entretanto, após um surto ocorrido na Dinamarca, onde a fonte pode ser traçada até produtos suínos (Wegener & Bager 1997), a situação mundial tem se modificado. A partir da Dinamarca, iniciou-se um programa de controle que passou a ser adotado pela maioria dos países produtores e exportadores de produtos suínos.

No Brasil, a ocorrência de Salmonella em suínos sadios já havia sido relatada por Neiva (1946) e Lázaro et al. (1997). No Rio Grande do Sul, Weiss et al. (1999) e Michael (2000) isolaram Salmonella sp em granjas de terminação de suínos; entretanto, não determinaram a prevalência de animais positivos nos rebanhos.

Na literatura é possível observar que os estudos de prevalência são realizados, mais freqüentemente, com dados obtidos a partir de linfonodos mesentéricos, uma vez que esses são considerados indicadores do estado de portador do animal (Damman et al. 1999). Por outro lado, as fezes têm sido amostradas, principalmente em estudos conduzidos em granjas, e demonstram o estado de excretor dos animais (Davies et al. 1998). No frigorífico, o conteúdo intestinal pode ser fonte importante de contaminação cruzada das carcaças (Schwartz 2000). Por esta razão, optou-se no presente estudo pela coleta, tanto dos linfonodos mesentéricos, como do conteúdo intestinal para determinação da prevalência de animais positivos ao abate.

Dos 300 suínos amostrados, foi possível isolar Salmonella sp em 167, resultando numa prevalência de 55,66% (IC: 50,04-61,28) de animais positivos no momento do abate. Dentre esses animais, 53 apresentavam Salmonella apenas nos linfonodos mesentéricos, 55 apenas no conteúdo intestinal e 59 em ambos os materiais colhidos (Quadro 1). Desta forma, foi possível calcular a prevalência de animais positivos, isoladamente, em linfonodos e fezes como sendo 17,6% (IC: 13,34-21,97) e 18,3% (IC: 13,95-22,70), respectivamente. Por sua vez, a prevalência de animais que foram positivos em ambos os materiais amostrados foi 19,6% (IC: 15,16-24,15). Ainda, se considerarmos separadamente os dois materiais analisados, 37,3% (IC: 32,41-43,39) dos animais apresentavam Salmonella sp nos linfonodos mesentéricos e 37,9% (IC: 31,83-42,77) nas fezes.

 

 

Resultados próximos foram observados por Jayarao et al. (1990) em Budapeste, e Damman et al. (1999) nos Estados Unidos, que encontraram 48% e 67,6%, respectivamente. De forma geral, constata-se uma grande variação nas prevalências de Salmonella em suínos relatadas na literatura, indo desde 3,5% até 67,6%. Este fato pode estar relacionado não só com possíveis diferenças nos índices de portadores, devido ao tipo de exploração e fatores regionais, como pela influência do método de amostragem realizada nos referidos estudos.

No Brasil, Neiva (1946) pesquisou a ocorrência de Salmonella em suínos portadores, encontrando 41,5% de Salmonella no conteúdo intestinal e nos linfonodos mesentéricos. Lázaro et al. (1997) encontraram 34,8% de Salmonella nas amostras de linfonodos e tonsilas. No Rio Grande do Sul, encontrou-se, anteriormente, ocorrência em torno de 10% em conteúdo intestinal e linfonodos mesentéricos (Weiss et al. 1999).

Pela análise dos resultados obtidos (Quadro 1) verificou-se um elevado número de suínos portadores de Salmonella em cada frigorífico, havendo significativamente (p=0,008) maior número de animais positivos no frigorífico A em comparação ao frigorífico C. Analisando o número de animais de acordo com o material onde se encontrou Salmonella sp, observa-se que houve menor número de isolados (p=0,008) nos linfonodos do frigorífico B e nos linfonodos e fezes do frigorífico C. Observou-se, também, grande variabilidade (p=0,008) nos índices de isolamentos de Salmonella entre os tipos de materiais coletados.

Na Fig. 1, pode-se verificar a diferença de isolamentos em cada coleta por frigorífico, constatando-se uma variação de isolamentos entre coletas dentro do mesmo frigorífico. Percebe-se que há uma variação no número de isolamentos em cada tipo de amostra com relação às coletas (p=0,0001) nos Frigoríficos A e B. Na quarta coleta no frigorífico A ocorreu diminuição significativa (p=0,0001) do número total de isolamentos de Salmonella em relação às demais coletas. Neste dia, observou-se que alguns lotes apresentavam altos índices de condenação por pneumonia, o que leva a supor que possa ter havido algum tipo de tratamento prévio destes animais com antimicrobianos, que possivelmente prejudicaram o isolamento de Salmonella no laboratório. Fato semelhante foi observado por Michael (2000), que falhou ao tentar recuperar Salmonella sp. De fezes provenientes de animais tratados com antimicrobianos.

No frigorífico C, observou-se variação no número de isolamentos entre as coletas, mas não com diferença significativa (p=0,058). Desta forma foi possível constatar que, além de apresentar os menores índices de isolamento de Salmonella, em comparação com os outros frigoríficos, encontrou-se um perfil homogêneo nas diferentes visitas realizadas.

Supõe-se que a prevalência de Salmonella em suínos abatidos esteja associada a múltiplos fatores de risco presentes na granja, e ainda ao transporte, que poderiam aumentar a intensidade da contaminação do lote. O transporte e a espera do abate são provavelmente fatores importantes para a ocorrência de Salmonella no frigorífico (Morrow et al. 2000). Isto se deve a fatores como o estresse dos suínos portadores que ocorre durante o transporte, a superlotação e a espera antes do abate, que possibilita a excreção de bactérias eventualmente presentes no conteúdo intestinal desses animais, tornando-se fonte de contaminação para outros animais (Williams & Newell 1970). Neiva (1946), Linton (1979) e Morrow et al. (1999) descreveram os suínos portadores como fonte primária de infecção, por abrigarem Salmonella no intestino e nos linfonodos, e como ponto fundamental para o controle da contaminação na linha de abate.

 

 

No presente estudo foram identificados 26 diferentess sorovares, em 226 amostras de Salmonella sp isoladas de 167 suínos portadores. Desses, sete não foram identificados por não expressarem o antígeno flagelar (Quadro 2).

 

 

Os sorovares mais prevalentes foram Typhimurium (24,3%), seguido por Agona (19,9%), Derby (13,2%) e Bredeney (12%). É importante enfatizar que não foi encontrado o sorovar Choleraesuis, mais adaptado aos suínos e que, geralmente, causa sintomas clínicos nos animais. Esse resultado foi similar ao de outros países, onde o sorovar Typhimurium foi o mais freqüentemente encontrado em suínos sadios (Kampelmacher et al. 1963, Di Guardo et al. 1992, Käsbohrer et al. 1997, Ganter et al. 1998, Kim et al. 2000). No Brasil, Peluffo et al. (1946) e Zebral et al. (1974) encontraram o sorovar Typhimurium como o mais freqüente em seus estudos. Neiva (1946) e Lázaro et al. (1997) isolaram Derby e Muenster, respectivamente, como os sorovares mais freqüentes, porém encontraram também Salmonella Typhimurium.

A predominância dos sorovares variou de um frigorífico para outro como é demonstrado no Quadro 2. Foram isolados 18 sorovares diferentes no frigorífico A e no frigorífico B e C foram isolados 12 e 16 sorovares diferentes, respectivamente.

O sorovar Bredeney foi significativamente mais encontrado no frigorífico A (p=0,0001), enquanto no frigorífico B houve predominância significativa dos sorovares Typhimurium e Derby (p=0,0001), em relação aos demais. Não existiu diferença significativa para os sorovares Agona (p=0,1429), Anatum (p=0,6035), Newport (0,3636) e Panama (p=0,1106) entre os frigoríficos, embora exista uma tendência, não comprovada estatisticamente, do predomínio de algum deles em um determinado frigorífico.

Considerando apenas os 59 animais positivos concomitan-temente em linfonodos mesentéricos e fezes, observou-se que em 33 animais (56%) os sorovares encontrados nos dois materiais foram os mesmos, enquanto em 26 animais (44%) os sorovares foram diferentes. Entre os animais com o mesmo sorovar nas duas amostras, os sorovares Typhimurium, Agona e Derby foram os predominantes, concordando com o perfil de isolamentos do presente estudo. Entre os animais com sorovares diferentes em fezes e linfonodos não houve uma associação predominante.

Em estudos realizados por Neiva (1946) em amostras de fezes e linfonodos foi possível observar diferença de isolamentos de sorovares de Salmonella. Zebral et al. (1974) pesquisaram a presença de Salmonella em diferentes linfonodos de 59 suínos e encontraram diferentes sorovares num mesmo animal. Riley (1970) isolou, em três ocasiões, dois sorovares diferentes em amostras de fezes e linfonodos num mesmo suíno. Michael (2000) encontrou 15 sorovares diferentes em animais de uma única granja de terminação, comprovando, desta forma, que nas granjas também podem ser encontradas infecções com múltiplos sorovares de Salmonella.

Correlacionando este estudo com anteriores realizados no RS, observa-se que não houve uma similaridade do sorovar mais prevalente com o encontrado por Weiss et al. (1999), que não isolou Salmonella Typhimurium. No entanto, os sorovares Agona, Bredeney, London, Mbandaka e Panama foram encontrados em ambos os estudos. Entretanto, como afirmado por Chung & Frost (1969), os sorovares encontrados em suínos podem variar grandemente de acordo com as regiões ou a sazonalidade.

Alguns desses sorovares, como Senftenberg, Anatum, Agona, Infantis, Typhimurium, Derby, Mbandaka e Tennessee foram encontrados em rações pesquisadas no Brasil (Miranda et al. 1978, Fialho et al. 1985, Michael 2000). Isto faz supor que a Salmonella possa estar sendo introduzida no rebanho de suíno através da ração contaminada. Diversos autores já relataram que a Salmonella é transmitida ao animal principalmente através da alimentação, e que os linfonodos mesentéricos agem como uma barreira, tornando-se, mais tarde, fonte de contaminação para a carcaça e para o produto final (Kampelmacher et al. 1963, Costa et al. 1972, Wilcock & Schwartz 1992, Damman et al. 1999, Schwartz 2000).

Além da Salmonella Typhimurium, os sorovares Derby, Bredeney, Anatum, Enteritidis e Agona têm sido os mais encontrados em suínos portadores no Brasil e no mundo. Vários autores já relataram pelo menos um desses sorovares como sendo o mais freqüente em seus estudos (Neiva 1946, Kampelmacher et al. 1963, Riley 1970, Costa et al. 1972, Zebral et al. 1974, Di Guardo et al. 1992, Davies et al. 1998, Weiss et al. 1999). Já entre os sorovares mais freqüentemente isolados em episódios de infecção alimentar em humanos no Brasil encontram-se Enteritidis, Typhimurium, Bredeney e Tennessee (Landgraf et al. 1985, Cauduro et al. 1986, Esper et al. 1998, Dias et al. 1999, Jakabi et al. 1999), constatando-se que existem alguns sorovares comuns a ambos os grupos, indicando assim a possibilidade do suíno ter papel importante na transmissão de salmonelose ao humano, mais do que o anteriormente suposto.

A identificação das amostras distribuídas segundo os grupos sorológicos, conforme consta no Quadro 3, evidencia uma nítida predominância de amostras pertencentes ao grupo B, representando 68,2%. Este resultado foi semelhante a outros estudos usando amostras de linfonodos e fezes (Neiva 1946, Riley 1970, Caley 1972, Di Guardo et al. 1992, Käsboher et al. 1997, Weiss et al. 1999).

Nesse Quadro consta um número total de 193 isolamentos provenientes de 167 animais positivo, uma vez que, como referido anteriormente, em 26 ocasiões nas amostras de fezes e de linfonodos de um mesmo animal, isolaram-se sorovares diferentes de Salmonella sp.

Detectar Salmonella sp nos animais que chegam ao frigorífico significa um fator de risco, mas não pode ser interpretada como um índice de contaminação do produto final. Entretanto, maior será a dificuldade de controlar os pontos críticos na indústria, quanto maior for o índice de animais que chegarem portadores e/ou excretores de Salmonella no momento do abate. Por esta razão, o número de animais portadores que chega ao abate tem sido apontado como o primeiro ponto crítico do processamento, em relação a Salmonella.

Estudos enfatizando a epidemiologia de animais assintomáticos na granja podem levar a um melhor entendimento do ciclo da contaminação de Salmonella nos suínos. Portanto, é possível concluir que a redução do nível de carcaças contaminadas na indústria será alcançada pela identificação e controle das fontes de contaminação em todos os estágios de produção (Carlson & Blaha 1998, Letellier et al.1999).

 

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Recebido em 1 de junho de 2001.
Aceito para publicação em 20 de fevereiro de 2004.

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