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Pesquisa Veterinária Brasileira

Print version ISSN 0100-736XOn-line version ISSN 1678-5150

Pesq. Vet. Bras. vol.35 no.3 Rio de Janeiro Mar. 2015

https://doi.org/10.1590/S0100-736X2015000300003 

Animais De Produção

Número mais provável miniaturizado e microbiologia convencional para isolamento de Salmonella spp. em abatedouros de frangos de corte

Miniaturized most probable number and conventional microbiology for isolation of Salmonella spp. in poultry slaughterhouses

Lilian Andriva dos Santos 2  

Ligiani Mion 3  

Marcieli Marotzki 4  

Luana Parizotto 5  

Laura Beatriz Rodrigues 6  

Vladimir Pinheiro do Nascimento 7  

Luciana Ruschel dos Santos 6   * 

2 Bióloga. Mestranda do Programa de Pós-Graduação em Bioexperimentação, Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAMV), Universidade de Passo Fundo (UPF), BR-285, Bairro São José, Passo Fundo, RS 99052-900, Brasil.

3 Graduanda do Curso de Medicina Veterinária, Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAMV), Universidade de Passo Fundo (UPF), BR-285, Bairro São José, Passo Fundo, RS 99052-900, Brasil.

4 Graduanda do Curso de Medicina Veterinária, Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAMV) , Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo, RS 99052-900, Brasil. Bolsista PIBIC UPF.

5 Graduanda do Curso de Medicina Veterinária, Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAMV),Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo, RS 99052-900, Brasil. Bolsista PIBIC CNPq.

6 Curso de Medicina Veterinária, Faculdade de Agronomia e Medicina Veterinária (FAMV) ,Universidade de Passo Fundo (UPF), Passo Fundo, RS 99052-900, Brasil.

7 Centro de Diagnóstico e Pesquisa em Patologia Aviária, Faculdade de Veterinária, Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), Av. Bento Gonçalves 8824, Porto Alegre, RS 91540-000, Brasil.


RESUMO

Os produtos de origem avícola podem ser importantes veículos de transmissão de Salmonella spp. para humanos e, dentre os vários parâmetros que determinam a qualidade de um alimento, destacam-se os que definem suas características microbiológicas. Objetivou-se detectar e quantificar Salmonella spp. na tecnologia de abate de frangos de corte por microbiologia convencional (MC) e número mais provável miniaturizado (mNMP). As coletas foram realizadas em duas visitas a três abatedouros sob Inspeção Federal e em seis pontos de coleta em triplicata, definidos como: recepção das aves (swabs de cloaca e esponjas de gaiolas de transporte antes e após a higienização) e carcaças (após pré resfriamento em chiller, após o gotejamento e antes da embalagem primária e congeladas a -12oC por 24 horas), totalizando 108 amostras. Identificou-se Salmonella spp. em três dos seis pontos do fluxograma de abate e em dois dos três estabelecimentos amostrados, independentemente do método utilizado, perfazendo 5,5% de positividade, onde destaca-se a contaminação nas gaiolas de transporte das aves após a higienização. Não foi possível correlacionar os resultados da microbiologia convencional e do mNMP ou mesmo quantificar a contaminação ao longo da tecnologia de abate, o que indica a necessidade de se utilizar um método qualitativo aliado ao método de quantificação quando Salmonella estiver presente em quantidades inferiores ao limite de detecção do mNMP proposto (0,13 NMP/mL). Os sorovares identificados foram Typhimurium, Panama, Lexington e Rissen, consideradas paratíficos e, portanto, potencialmente capazes de causar infecções em humanos, embora estes sorovares não tenham sido isolados em produtos finais e sim na chegada dos frangos aos abatedouros (swabs de cloaca e gaiolas de transporte). A identificação de Salmonella spp. nas gaiolas de transporte após a higienização é um indicativo da necessidade de revisão e adequação dos métodos automatizados de lavagem atualmente utilizados nos abatedouros.

Palavras-Chave: Salmonella spp.; número mais provável miniaturizado; sorovares; frangos de corte.

ABSTRACT

Poultry products can be important modes of transmission of Salmonella spp. to humans and, among several parameters used to determine food quality, microbiological characteristics play an essential role. The aim of this study was to determine and quantify Salmonella spp. at broiler slaughtering facilities. This was done by conventional microbiology and by the miniaturized most probable number (mMPN) methods. Three federally-inspected slaughterhouses were visited, where samples were collected in triplicate from six sites: reception of live birds (cloacal swabs and sponge samples from transport cages before and after sanitation) and carcass processing (after pre-chiller, after dripping, and before primary packaging and refrigeration at -12oC for 24h), totaling 108 samples. Three of the six surveyed sites and two of the three slaughterhouses were contaminated with Salmonella spp., showing an infection rate of 5.5% independently of the method used, and revealing that transport cages were contaminated after sanitation. No correlation could be established between the results of conventional microbiology and mMPN methods, and contamination along the slaughtering line could not quantified. This indicates the importance of combining qualitative and quantitative methods for the enumeration of Salmonella when detection rates are lower than the proposed mMPN limit (0.13 MPN/mL). Typhimurium, Panama, Lexington and Rissen, which are paratyphoid organisms and are potentially infectious to humans, were identified. However, these serovars were isolated at the reception of live birds (from cloacal swabs and from transport cages) rather than from the end products. Given that Salmonella spp. was detected in transport cages after sanitation, it is paramount that automated washing procedures currently used in slaughterhouses be reassessed and adjusted.

Key words: Salmonella spp.; miniaturized most probable number; serovars; poultry slaughterhouses.

Introdução

Infecções por Salmonella são associadas à criação intensiva das aves e à surtos de salmonelose clínica, visto que as contaminações podem ocorrer tanto por contato entre aves sadias e infectadas como por contaminação cruzada nos abatedouros, onde o número de bactérias é variável nas diferentes etapas da tecnologia de abate. Análises microbiológicas desde o campo até os produtos finais são fundamentais para estimar a extensão da carga microbiana e avaliar os efeitos dos métodos de controle sanitário utilizados nos frigoríficos, como as Boas Práticas de Fabricação (BPF), Procedimento Padrão de Higiene Operacional (PPHO) e Análise de Perigos e Pontos Crítico de Controle (APPCC).

A pesquisa de Salmonella spp. para avalição da contaminação em abatedouros por métodos qualitativos já é realizada, mas a quantificação da bactéria não é rotineiramente empregada, uma vez que técnicas tradicionais de enumeração como o Número Mais Provável (NMP), que utilizam séries de tubos múltiplos, demandam tempo, pessoal e recursos financeiros elevados (Cavada et al. 2010), dificultando sua aplicação em programas de monitoria. Métodos de quantificação de bactérias por Número Mais Provável miniaturizado (mNMP) são citados como uma alternativa mais rápida e menos trabalhosa para enumeração de salmonelas (Fravallo et al. 2003, Pavic et al. 2009) mas foram aplicados em amostras artificialmente contaminadas para validação destas técnicas.

Infecções por Salmonella spp. são classificadas em enfermidades típicas de aves, causadas pelos sorovares Pullorum e Gallinarum, e enfermidades paratíficas, originadas por mais de 2500 sorovares não específicos potencialmente capazes de produzir infecções alimentares em humanos. Destes, cerca de 10% são isolados em aves, uma vez que a distribuição de salmonelas oriundas de fontes avícolas é geograficamente variável e alterna-se com o passar dos anos (Gast et al. 2007).

Assim, devido à importância do controle de Salmonella spp. na produção avícola e o risco potencial em saúde pública, objetivou-se utilizar o método microbiológico convencional e Número Mais Provável miniaturizado (mNMP) para identificação e quantificação de Salmonella spp. em diferentes pontos da tecnologia de abate de frangos de corte bem como relatar os sorovares isolados nos pontos positivos para a bactéria.

Material e Métodos

Amostragem e pontos de coleta nos abatedouros

As coletas foram realizadas em três abatedouros de frangos de corte (A, B e C) sob Serviço de Inspeção Federal (SIF) no sul do Brasil, entre setembro de 2013 e janeiro de 2014, com duas visitas em cada abatedouro. Determinou-se seis pontos de coleta em função dos resultados de estudos anteriores (dados não mostrados) que apontaram estes pontos com positividade para Salmonella spp., como segue: recepção das aves (swabs de cloaca e esponjas de gaiolas de transporte antes e após a higienização) e carcaças após pré resfriamento em chiller, após o gotejamento e imediatamente antes da embalagem primária e carcaças congeladas a -12oC por 24 horas.

Cada um dos pontos foi coletado em triplicata, totalizando 108 amostras, que foram processadas no Laboratório de Bacteriologia do Hospital Veterinário da (UPF) por microbiologia convencional (MC) e número mais provável miniaturizado (nNMP), perfazendo 240 ensaios para detecção e quantificação de Salmonella spp, respectivamente, incluindo os controles negativo (E. coli ATCC 25992) e positivo (Salmonella Enteritidis ATCC 13076). Todo o material coletado foi transportado sob refrigeração e imediatamente processado quando da chegada ao laboratório. O método de microbiologia convencional para isolamento de Salmonella spp. seguiu a ISO 6579 (2002) e o método de mNMP utilizado foi descrito por Fravallo et al. (2003) e adaptado por Colla et al. (2014).

Processamento das amostras Swabs de cloaca

Para os swabs cloacais foram amostradas 300 aves em cada coleta, sendo utilizado um swab para cada duas aves, compondo um pool de 50 swabs que foram acondicionados em frascos com 50 mL de água peptonada tamponada (APT 1,0%). No laboratório, homogeneizou-se os pools e retirou-se alíquotas de 17,5 mL, sendo 7,5 mL destinados ao mNMP e 10 mL à microbiologia convencional.

Esponjas de gaiolas de transporte

As gaiolas de transporte foram identificadas com lacres oficiais para controle de retirada das mesmas após a higienização no sistema automatizado de lavagem utilizado nos abatedouros avaliados. A amostragem foi realizada com esponjas bacteriológicas com neutralizante (Sponge Stick Neutraling Buffer 3M) por toda a extensão interna da gaiola, antes e após a lavagem e sanitização. As esponjas foram acondicionadas em saquetas fornecidas pelo fabricante e no laboratório adicionados 50mL de APT 1,0%. Homogeneizou-se as amostras e retirou-se 17,5mL para as demais análises (7,5mL para mNMP e 10mL para MC).

Carcaças

As carcaças foram acondicionadas em sacos plásticos individuais e identificadas com lacres oficiais. No laboratório adicionou-se 400 mL de APT 1,0% para rinsagem das carcaças e retirou-se 17,5 mL para as análises subsequentes.

Pesquisa de Salmonella spp. por microbiologia convencional

Alíquotas de 10mL de APT 1,0% foram incubadas a 37±1°C por 16 a 20 horas e repicadas em meios seletivos, sendo 1mL em 9mL de caldo Tetrationato (incubação a 37±1°C por 24±3 horas) e 100μL em 9,9mL de caldo Rappaport-Vassiliadis (incubação a 41,5±1°C por 24±3 horas). O plaqueamento das amostras foi realizado em Agar Rambach (Merck®) e Agar Verde Brilhante Novobiocina (BGN - Brilhant Green Novobiocina) por esgotamento com alça de platina e as placas incubadas a 37±1°C por 24±3 horas. Colônias sugestivas de Salmonella spp. foram submetidas as provas de TSI (Triple Sugar Iron), LIA (Lysine Iron Agar), SIM (Sulfite- Indole-Motility), caldo ureia e sorologia com soro polivalente anti-O. A identificação final dos isolados foi realizada por microarray (Chek & Trace® Salmonella).

Quantificação de Salmonella spp. por Número Mais Provável miniaturizado (mNMP)

Para quantificação de Salmonella spp. nas amostras naturalmente contaminadas foi utilizado o método do mNMP proposto por Fravalo et al. (2003) e adaptado por Colla et al. (2014), que contém as mesmas fases da microbiologia convencional mas executadas em placas de 24 poços com capacidade para 2,5mL. Previamente ao experimento foram realizados ensaios para determinar o limite de detecção do mNMP em amostras de carne de frango artificialmente contaminadas com Salmonella Enteritidis ATCC 13076, que apontaram um limite de 0,13 NMP/mL. Na condução do experimento utilizou-se os 7,5mL oriundos do processamento das amostras e transferiu-se 2,5mL para cada um dos poços das três primeiras cavidades na primeira linha das placas, representando uma amostra. Destes, 0,5 mL de cada cavidade foram transferidos para 2 mL de água peptonada 1,0%, previamente vertidos nas linhas seguintes na mesma placa. Três diluições sucessivas foram realizadas da mesma maneira. As placas foram então incubadas para o pré-enriquecimento a 37±1°C por 16 a 20 horas.

Para enriquecimento seletivo utilizou-se Rappaport-Vassiliadis Semisolid Modified (MSRV) com novobiocina. O MSRV é uma modificação do caldo de enriquecimento Rapapport Vassiliadis, tornando-o semi-sólido, o que permite a detecção visual de motilidade bacteriana pela formação de um halo em torno do ponto de inoculação (Baggensen et al. 2001).

Após o pré-enriquecimento, as placas foram mantidas em agitação orbital por três a cinco minutos e, com pipetador multicanal, transferiu-se 20μL de cada poço para a cavidade correspondente em outra placa contendo 2mL de MSRV, incubando-as por 24 a 48 horas a 41,5±0,5°C. Após este período, a viragem da cor azul esverdeada do meio MSRV para a cor branca ou azul claro era indicativa de crescimento bacteriano, o que era confirmado pela semeadura do conteúdo destes poços em Agar Rambach®. Colônias com crescimento compatível com Salmonella spp. foram semeadas em Agar não seletivo, incubadas a 37±1°C por 18 a 24 horas e submetidas a confirmação bioquímica e sorológica como na microbiologia convencional.

Cálculo do Número Mais Provável miniaturizado

Caracterizou-se como positivos os poços que tiveram isolamento de Salmonella spp. confirmado pelos testes bioquímicos e soro polivalente anti-O. A partir destes resultados foram estabelecidos os poços positivos e negativos usados para o cálculo do número mais provável (NMP) de diluições seriadas não decimais utilizando uma fórmula simplificada (Thomas, 1942), como segue:

NMP / g ou mL = P / √NT

Sendo:

P = número de tubos positivos;

N = soma da quantidade de amostra inoculada em todos os tubos negativos;

T = soma da quantidade de amostra inoculada em todos os tubos.

No método utilizado inoculou-se 2,5 mL em três poços na linha A das placas (A1, A2, A3), determinando-se a primeira linha (A) de poços como amostra inicial (1:1), e a segunda (B) como 1:5. Seguiu-se a diluição seriada não decimal na base 5, obtendo-se, deste modo, as diluições 1:1, 1:5, 1:25, 1:125, com volumes de alíquotas respectivamente de 2 mL, 0,5 mL, 0,1 mL e 0,02 mL. Aplicando-se a fórmula de Thomas (1942) para cálculo do resultado a partir da combinação de tubos 2:0:0:0 em séries de três tubos, utilizou-se os volumes das alíquotas para cálculo do NMP, como segue:

NMP / mL = P / √NT

Sendo: P = 2 + 0 + 0 +0 = 2

N = (1 x 2) + (3 x 0,5) + (3 x 0,1) + (3 x 0,02) = 2 + 1,5 + 0,3 + 0,06 = 3,86

T = (3 x 2) + (3 x 0,5) + (3 x 0,1) + (3 x 0,02) = 6 + 1,5 + 0,3 + 0,06 = 7,86

Portanto:

NMP / mL = 2 / √(3.86) x (7,86) = 2 / √30, 3396 = 2 / 5,51

NMP / mL = 0,36

A aplicação desta formula foi comparada com os resultados obtidos pelo programa MPN Calculator (Cariale, sem data), que possibilita o cálculo dos resultados padronizados pelo volume de amostra por teste, número de tubos e mais de 3 diluições. Calculou-se o NMP por mL e os limites mínimos e máximos do intervalo de confiança a 95% de probabilidade (IC 95%). Assim, utilizou-se o MPN Calculator para finalizar os cálculos das combinações de tubos obtidas neste trabalho, com combinação de tubos positivos em séries de 3, com quantidade inoculada de amostra de 2; 0,5; 0,1 e 0,02mL.

Para a obtenção do resultado final, referente à área das gaiolas, o NMP obtido pela combinação de poços positivos precisa ser convertido para NMP/cm2, utilizando o cálculo a seguir:

Resultados e Discussão

Identificou-se Salmonella spp. em três dos seis pontos do fluxograma de abate de frangos de corte e em dois dos três estabelecimentos amostrados, independentemente do método utilizado (Quadro 1), totalizando 5,5% de positividade (6/108).

Quadro 1: Positividade para Salmonella spp. nos abatedouros de frangos de corte amostrados por microbiologiaconvencional (MC) ou mNMP 90.  

+ Isolamento positivo, - Sem isolamento.

A positividade para Salmonella spp. nos abatedouros amostrados (5,5%) foi inferior a citada por Santos et al. (2000) com 32%, ou Lillard (1990), que relatou 5% de positividade para Salmonella spp. na chegada das aves e uma contaminação de 36% após o processamento. Já Dickel et al. (2005), Ribeiro et al. (2007), Moreira et al. (2009), Duarte et al. (2009) e Simas et al. (2011) referem variações de 3% a 39% no isolamento de Salmonella spp. em origens tão diversas quanto abatedouro e varejo.

Destaca-se que no presente trabalho o isolamento inicial da bactéria em swabs cloacais e gaiolas de transporte não foi confirmado nos produtos finais (carcaças resfriadas e congeladas), o que pode ser atribuído aos procedimentos de Boas Práticas de Fabricação, PPHO e APPCC adotados nos abatedouros amostrados. Quando pontos críticos da tecnologia de abate são adequadamente manejados, com renovação de água e temperaturas inferiores a 4ºC no chiller, por exemplo, ocorre redução da contaminação inicial por Salmonella spp. como citado por Dickel et al. (2005) com redução de 70% para 20%, e Simas et al. (2011), de 15,8% para 3,3% em carcaças de frango após o chiller. Estes efeitos são corrobados por Humphrey & Jorgensen (2006) ao citar que a contaminação inicial nas aves pode ser reduzida com higiene adequada na tecnologia de abate, ou ainda Patterson (1971), para quem a condição microbiológica da carcaça é influenciada pela planta de abate, qualidade da matéria prima, fluxograma e equipamentos, bem como eficácia da higienização.

Entretanto, mesmo com a adequação dos procedimentos adotados para redução de uma contaminação pré-existente por Salmonella spp. é premente que se revise o sistema automatizado de lavagem de gaiolas e a eficácia dos sanitizantes utilizados, uma vez que as gaiolas amostradas mantiveram a contaminação pela bactéria após higienizadas. A correta higienização dos caminhões e das gaiolas de transporte é fundamental porque são fontes potenciais de contaminação cruzada. Este relato é corrobado por Corry et al. (2002), que ao analisar gaiolas de transporte quanto à presença de Salmonella spp. no descarregamento dos frangos e após a lavagem e desinfecção identificou os mesmos sorovares antes e após a higienização das gaiolas, geralmente refletindo os sorovares isolados a campo.

A técnica para pesquisa de Salmonella spp. em alimentos é um método clássico de presença/ausência, desenvolvido para garantir a detecção da bactéria em situações desfavoráveis como microbiota competidora, número reduzido de Salmonella e/ou células injuriadas por métodos de conservação como calor, congelamento e secagem. Dada a variedade de alimentos que podem conter Salmonella spp., estimar o número de células presentes em uma amostra tem sido um desafio. O número mais provável (NMP) para quantificação de Salmonella spp. é descrito por diversos autores em diferentes matrizes (Chen et al. 2013, Mazengia et al. 2014, Ta et al. 2014, Wang et al. 2014, Yang et al. 2014). Porém, os autores concluem que pesquisas adicionais são necessárias para ampliar a eficácia dos métodos de quantificação de patógenos em ambientes de produção comercial.

A avaliação e implantação de metodologias de NMP simplificadas, como o NMP miniaturizado, poderia ser uma alternativa para a quantificação rotineira de Salmonella spp. Entretanto, com o método utilizado neste trabalho, não foi possível correlacionar os resultados da microbiologia convencional e do mNMP ou mesmo quantificar a contaminação ao longo da tecnologia de abate de frangos de corte. A positividade para Salmonella spp. foi obtida pelos dois métodos apenas em duas amostras (swabs de cloaca e esponjas de gaiola de transporte antes da higienização, sendo 1,8% (2/108) pelo mNMP e 5,5% (6/108) pelo método microbiológico convencional (Quadro 1).

Estes resultados não confirmam os relatados por autores que mostraram diferentes formas de miniaturização do NMP para quantificação de Salmonella. Fravalo et al. (2003) propuseram uma metodologia de mNMP utilizando o MSRV para seleção de salmonelas móveis e posterior desenvolvimento em meios cromogênicos enquanto Pavic et al. (2009) validaram uma metodologia de mNMP baseada na ISO 6579:2002 usando MRSV e demonstraram não haver diferença significativa entre o NMP tradicional e o miniaturizado. Os autores utilizaram o meio Rapapport Vassiliadis semi sólido (MRSV) para enriquecimento em dejetos de suínos e matrizes de origem avícola, respectivamente. Já Colla et al. (2014) ao comparar os dois métodos, observaram que a técnica descrita por Fravalo et al. (2003) foi eficaz para quantificação de Salmonella spp. em matriz cárnea de origem avícola, enquanto que com a técnica descrita por Pavic et al. (2009) não foi possível quantificar o patógeno, provavelmente relacionado com problemas na aquisição de insumos semelhantes aos utilizados na técnica original.

Os resultados do presente trabalho, que utilizou a metodologia de Fravalo et al (2003) adaptada por Colla et al. (2014), podem ser inicialmente atribuídos a heterogeneidade das amostras, em concordância com Skjerve & Olsvik (1991), ao citar que a matriz afeta a sensibilidade e a especificidade de um protocolo de isolamento e representaria ambientes críticos avícolas, que variam de amostras com baixa umidade e altamente úmidas (carcaças e água do tanque da escaldagem) até ambientes altamente competitivos (cecos e fezes) (USDA-FSIS 2008). Também o limite de detecção do mNMP (0,13 NMP/mL, dados não mostrados) ou os volumes diminutos utilizados no pré-enriquecimento e enriquecimento seletivo, em comparação com a microbiologia convencional, podem ter influenciado negativamente o isolamento e quantificação das amostras. Assim, é necessário utilizar um método qualitativo aliado ao método de quantificação, uma vez que quando Salmonella spp. estiver presente em quantidades inferiores ao limite de detecção do mNMP proposto a microbiologia convencional é mais eficiente para a detecção do patógeno.

Mesmo sem correlação entre os métodos para identificação e/ou quantificação de Salmonella spp. foi possível isolar os sorovares descritos no Quadro 2. Os sorovares identificados são paratíficos e, portanto, potencialmente capazes de causar infecções em humanos. Também, segundo o CODEX Alimentarius, a presença de qualquer sorovar de Salmonella spp. em um alimento é suficiente para classificá-los como impróprio para consumo, tanto no mercado nacional como no internacional. Mesmo que no presente trabalho Salmonella spp. não tenha sido isolada em produtos finais, a positividade nos abatedouros amostrados indica que as medidas de controle devem ser reforçadas visando a não contaminação dos produtos destinados ao consumo humano.

Quadro 2: Sorovares de Salmonella isolados na tecnologia de abate de frangos de corte por microbiologia convencional (MC) ou mNMP 105.  

Dentre os sorovares isolados, S. Typhimurium é frequentemente isolada em casos clínicos em suínos e humanos, além de apresentar multirresistência à antimicrobianos e capacidade de formar biofilmes como um fator determinante na contaminação de equipamentos na indústria (Castelijn et al. 2013). Em países como a Alemanha (Methner et al. 2011), Portugal (Gomes-Neves et al. 2012), China (Yang et al. 2013) e Inglaterra (Mueller-Doblies et al. 2013) é o sorovar mais isolado em carcaças de suínos, semelhante aos estudos em abatedouros no Brasil (Castagna et al. 2001, Bessa 2006, Borowsky et al. 2006, Müller et al. 2009, Kich et al. 2011).

O sorovar Panama faz parte do sorogrupo D1 sendo regularmente isolado de alimentos, animais e água. É relacionado com gastroenterites em humanos e parece ser capaz de causar doenças mais invasivas do que outros sorovares, com relatos de bacteremia e meningite em crianças (Noel et al. 2010).

S. Rissen é pouco frequente em infecções em humanos e não tem um reservatório específico identificado, mas a importância deste sorovar está aumentando em países como a Tailândia, com ocorrência em água e alimentos, principalmente frutos do mar (Skovgaard 2005). Na Finlândia, S. Rissen tem sido frequentemente isolada em aves desde 2003 (Bangtrakulnonth et al. 2004) e, no Brasil, há relatos de isolamento em humanos entre 1950 e 1990 (Kumar et al. 2001). No entanto, o risco para a população brasileira estaria relacionado principalmente ao consumo de carne suína, uma vez que o sorovar é comumente isolado nesta espécie (Fernandes et al. 2006).

Segundo Hofer et al. (2007) a S. Lexington não é rotineiramente isolada em aves comerciais no Brasil, mas já foi relatada em carne de pato comercializada no varejo no Vietnã (Phan et al. 2005, Benajssaum et al. 2007). Berchieri et al. (2013) pesquisou Salmonella spp. em codornas e observou 75% de positividade, e S. Lexington foi recuperada do tanque de escaldagem, água de refrigeração e carcaças.

O fato de diferentes sorovares terem sido isolados em um mesmo ponto de amostragem ou por métodos microbiológicos diversos, ou ainda sem relação entre swabs de cloaca e gaiolas de transporte (Quadro 2) seria mais um indicativo da complexidade do ciclo de infecção e reinfecção por Salmonella e da dificuldade em se estabelecer programas de controle efetivos para o patógeno, em consonância com Müller et al. (2009), para quem a infecção por múltiplos sorovares é uma característica já reconhecida em suínos, mesmo em amostras colhidas de um mesmo animal.

A infecção por Salmonella pode ter origens distintas nas granjas comerciais e em abatedouros, o que justifica a variabilidade dos sorovares encontrados em cada região (Alban & Stark 2005). No Brasil, destacam-se estudos sobre sorovares isolados na região sul (Castagna et al. 2001, Bandeira et al. 2007, Spricigo et al. 2008, Michael et al. 2008, Müller et al. 2009, Kich et al. 2011) e centro-oeste (Silva et al. 2009) onde são observadas diferenças entre os sorovares isolados em cada estudo, possivelmente devido a extensão do país e a variedade da produção animal.

Conclusões

Não foi possível correlacionar os resultados da microbiologia convencional e do mNMP ou mesmo quantificar a contaminação nos pontos amostrados, indicando a necessidade de aliar métodos qualitativos e quantitativos para identificação de Salmonella spp. em pontos críticos de controle no abate de frangos de corte.

Os sorovares identificados são considerados paratíficos e portanto potencialmente capazes de causar infecções em humanos.

A identificação de Salmonella spp. nas gaiolas de transporte após a higienização é um indicativo da necessidade de revisão e adequação dos métodos automatizados de lavagem atualmente utilizados nos abatedouros.

Agradecimentos

Ao apoio financeiro do CNPq, via Edital MCT/CNPq/MAPA/DAS nº 64/2008 - Ações de Defesa Agropecuária, sob o número 578124/2008-4.

REFERÊNCIAS

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Recebido: 28 de Julho de 2014; Aceito: 30 de Dezembro de 2014

*Autor para correspondência: luruschel@upf.br

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