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Planta Daninha

Print version ISSN 0100-8358On-line version ISSN 1806-9681

Planta daninha vol.22 no.3 Viçosa July/Sept. 2004

https://doi.org/10.1590/S0100-83582004000300017 

ARTIGOS

 

Controle químico de Rottboellia exaltata em cana-de-açúcar

 

Chemical control of Rottboellia exaltata in sugarcane

 

 

Freitas, S.P.I; Oliveira, A.R.II; Freitas, S.J.III; Soares, L.M.S.III

IEng.-Agr., Doutor, Professor de Manejo de Plantas Daninhas da Universidade Estadual do Norte Fluminense Darcy Ribeiro–UENF, Av. Alberto Lamego 2000–Horto, 28013-602 Campos dos Goytacazes-RJ
IIEng.-Agr., M.S., Doutorando em Produção Vegetal–UENF
IIIEstudante de graduação–UENF, <silverio@uenf.br>

 

 


RESUMO

A Rottboellia exaltata é uma das mais importantes espécies de plantas daninhas da cultura da cana-de-açúcar da região Norte Fluminense, sendo responsável pela redução na produtividade da cultura e pelo aumento dos custos de produção. Com o objetivo de avaliar a eficiência de trifloxysulfuron-sodium+ametryn no controle de R. exaltata, foi realizado este trabalho em área com alta infestação desta espécie, utilizando o cultivar RB 72454. Utilizou–se o delineamento experimental em blocos casualizados, com quatro repetições. Os herbicidas foram aplicados em pós-emergência, utilizando-se pulverizador costal pressurizado, operando em pressão constante de 3,5 kgf cm-2, com bico XR 8003 e volume de calda de 250 L ha-1. Aplicaram-se os seguintes tratamentos: MSMA+diuron, trifloxysulfuron-sodium+ametryn, trifloxysulfuron-sodium, ametryn, diuron+paraquat, testemunha com capina e testemunha sem capina. Os tratamentos MSMA+diuron, diuron+paraquat e trifloxysulfuron-sodium+ametryne, na maior dose, proporcionaram excelente controle de R. exaltata (acima de 90%). Maiores produtividades de cana-de-açúcar foram obtidas nos tratamentos trifloxysulfuron-sodium+ametryne, MSMA+diuron e diuron+paraquat.

Palavras-chave: Trifloxysulfuron-sodium, capim-camalote, Saccharum spp., controle.


ABSTRACT

Rottboellia exaltata (itchgrass) is one of the major weeds infesting sugarcane in the Norte-Fluminense area, reducing culture yield and increasing production costs. The objective of this study was to evaluate the efficiency of trifloxysulfuron-sodium in controlling R. exaltata. The experiment was installed in an area cultivated with the sugar cane cultivar RB 72454, on a randomized complete block design, with four replications. The herbicides were applied at post-emergence with a pressurized knapsack sprayer, operating at a constant pressure of 3.5 kgf cm2, nozzle XR 8003 and 250 L ha1. The following treatments were used: MSMA + diuron, trifloxysulfuron-sodium + ametryne, trifloxysulfuron-sodium, ametryne, diuron + paraquat,control with weeding and control without weeding. The herbicides MSMA + diuron, diuron + paraquat and trifloxysulfuron-sodium + ametryne provided excellent control of R. exaltata (over 90%) at the highest rate. The treatments providing the highest sugarcane yield were trifloxysulfuron-sodium + ametryne, MSMA + diuron and diuron + paraquat.

Key words: Trifloxysulfuron-sodium, itchgrass, Saccharum spp., control.


 

 

INTRODUÇÃO

O Brasil é o maior produtor mundial de cana-de-açúcar, destacando-se os Estados de São Paulo, Paraná, Alagoas, Minas Gerais, Pernambuco e Rio de Janeiro. Na região Norte Fluminense, o plantio de cana-de-açúcar é secular e predominante no segmento industrial. A produção brasileira de cana-de-açúcar na safra de 2002/2003 atingiu 321,6 milhões de toneladas (Severo, 2003).

A flora infestante das lavouras canavieiras é bastante específica se comparada com a de outras culturas. O número de espécies é menor e constituído, geralmente, de plantas muito diferentes, ainda que separadas no espaço apenas por um carreador. Os efeitos microclimáticos, as interações de natureza química (alelopáticas) entre as plantas daninhas e a cultura e o uso contínuo de determinados insumos – como adubos, corretivos e herbicidas – são os principais responsáveis pela composição da flora infestante (Lorenzi, 1988).

O grau de interferência das plantas daninhas na cultura depende de diversos fatores relacionados à comunidade infestante, à própria cultura, à época e à duração do período de convivência (Pitelli, 1985; Constantin, 1993; Kuva et al., 2000). O período crítico da cultura da cana-de-açúcar devido à concorrência de plantas daninhas manifesta-se, em média, até 90 dias após a emergência (Kuva et al., 2003, 2001). O controle químico é mais eficiente nesse período através da utilização de herbicidas em pré-emergência, logo após o plantio e em área total, e/ou em pós-emergência, em aplicação dirigida ou em área total, conforme seletividade do herbicida (Mascarenhas et al., 1995).

O controle químico de plantas daninhas em áreas com cana-de-açúcar é uma prática bastante difundida em todo o país. Embora haja grande número de herbicidas recomendados para a cultura da cana-de-açúcar, pouco se sabe sobre a eficiência deles no controle de R. exaltata.

A espécie R. exaltata foi introduzida recentemente na região do Rio de Janeiro e infesta culturas anuais e perenes. Muito vigorosa e prolífica, uma única planta é capaz de emitir até 100 perfilhos e produzir 15.000 sementes, que ficam dormentes no solo por até quatro anos (Sharma & Zelaya, 1986; Lorenzi, 2000).

Dentre as novas alternativas para o controle químico de plantas daninhas em cana-de-açúcar, tem-se destacado o herbicida trifloxysulfuron-sodium, que inibe a formação de proteínas em plantas suscetíveis, causando amarelecimento das folhas, parada do crescimento e morte destas em uma a três semanas após a aplicação (Oliveira Jr. et al., 2001). A tolerância da cana-de-açúcar ao trifloxysulfuron-sodium é baseada em dois mecanismos: aumento da degradação biológica, comparada às plantas suscetíveis, e muito baixa translocação do herbicida nas folhas tratadas. O trifloxysulfuron-sodium absorvido é imóvel em tecidos de planta, com translocação mínima de tecidos tratados para tecidos não-tratados dentro da mesma planta (National Registration Authority for Agricultural and Veterinary Chemicals, 2002). O produto, isoladamente ou combinado, tem demonstrado excelente controle de várias espécies de folhas largas e da família Poaceae (Patterson & Faircloth, 2001; Rawls et al., 2003).

Este trabalho teve como objetivo avaliar a eficiência de herbicidas, aplicados isoladamente ou em mistura, no controle de R. exaltata.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi realizado na localidade de Carvão, município de Campos dos Goytacazes-RJ, onde a infestação de R. exaltata era superior a 95%. O experimento foi conduzido em área de produção de cana-de-açúcar, em ciclo de cana-soca de terceiro corte, com colheita feita manualmente após queima.

O clima da região, segundo a classificação de Köeppen, é do tipo Awi, com temperatura média em torno de 24 ºC e precipitação anual de 905 mm (Ometto, 1981), sendo o solo do tipo Cambissolo, cujas características físicas e químicas encontram-se na Tabela 1.

O cultivar de cana-de-açúcar utilizado foi o RB 72454, que tem como principais características: alta produtividade de colmos, elevado teor de sacarose, teor médio de fibra, maturação média a tardia, com boa brotação de cana-planta e soca, bom perfilhamento e florescimento ocasional. Apresenta tolerância intermediária ao carvão e resistência à ferrugem e ao mosaico. Possui porte ereto e arquitetura foliar do tipo intermediária (Gheller, 1993).

O delineamento experimental usado foi o de blocos casualizados, com quatro repetições e oito tratamentos, conforme Tabela 2.

As parcelas foram constituídas de cinco linhas, espaçadas de 1,5 m e com 5 m de comprimento, constituindo uma área de 37,5 m2. Os herbicidas foram aplicados em pós-emergência, quando as plantas daninhas estavam com aproximadamente 6 a 8 folhas e as plantas de cana com até 10 folhas, utilizando-se pulverizador costal pressurizado, operando em pressão constante de 3,5 kgf cm-2, com bico XR 8003 e volume de calda de 250 L ha-1. Foi adicionado surfatante (0,2%) nos tratamentos com trifloxysulfuron-sodium. As parcelas capinadas receberam uma capina manual na mesma época da aplicação dos herbicidas, aos 45 dias depois do início da brotação da cana-soca.

As avaliações de controle de R. exaltata foram feitas aos 22 e 81 dias após aplicação dos herbicidas, com quatro amostragens (quadrado de 0,25 m2) por parcela. Foi determinado o número de plantas por amostragem, sendo os dados transformados em porcentagem de controle em relação à testemunha sem capina. Considerou-se eficiente o controle igual ou superior a 80%. A avaliação da toxicidade à cana-de-açúcar foi feita aos 30 dias após a aplicação dos herbicidas.

A produção de colmo foi estimada colhendo-se as três linhas úteis de cada parcela, aos 12 meses de idade da cana-soca.

Para comparação de médias referentes ao controle de R. exaltata, às injúrias na planta e à produtividade dos colmos de cana-de-açúcar foi utilizado o teste de Tukey a 5% de significância.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Controle de R. exaltata

O controle de R. exaltata acima de 90% nas duas épocas de avaliações (22 e 88 DAA) foi obtido com os tratamentos trifloxysulfuron-sodium+ametryne (37 + 1.465 g ha-1), MSMA+ diuron (2,88+1,12 kg ha-1) e diuron+paraquat (300+600 g ha-1). Os resultados alcançados com trifloxysulfuron-sodium+ametryne (37+ 1.465 g ha-1) assemelham-se aos encontrados por Moreno (1996), que relata excelente controle de R. exaltata ao se utilizar herbicida do grupo químico das sulfoniluréias. O desempenho do trifloxysulfuron-sodium, aplicado isoladamente ou em mistura com ametryne na dose de 32,4+1.280 g ha-1, não foi satisfatório, embora tenha apresentado sintomas de clorose e redução no crescimento das plantas daninhas (Figura 1).

A capina manual aos 45 dias após a brotação proporcionou controle de 81% aos 22 DAA e de apenas 43% aos 81 DAA, observando-se reinfestação de R. exaltata.

Toxicidade à cana-de-açúcar

As plantas de cana-de-açúcar foram afetadas pelas misturas MSMA+diuron e diuron+ paraquat; esta última chegou a causar injúria superior a 20% (Figura 2). Os herbicidas dos outros tratamentos causaram fitointoxicações leves, inferior a 1%, ou não intoxicaram as plantas. O trifloxysulfuron-sodium, aplicado isoladamente ou em mistura com ametryne, não causou intoxicação nas plantas de cana-de-açúcar, corroborando os resultados de Barros & Leonel (2001), quando avaliaram as misturas trifloxysulfuron-sodium+ametryne nas doses de 32,4+1.280 g ha-1 e 37+1.465 g ha-1, respectivamente.

 

 

Produção de colmos

Maior produção de colmos (Figura 3) foi obtida com diuron+paraquat (300+ 600 g ha-1), que foi superior apenas à produção no tratamento com ametryne aplicado isoladamente e na testemunha sem capina. Trifloxysulfuron-sodium+ametryne, nas duas doses aplicadas, não diferiu da testemunha capinada e de diuron+paraquat, mostrando boa seletividade para a cana-de-açúcar. Resultados semelhantes foram obtidos por Terra (2003), segundo o qual a mistura de trifloxysulfuron-sodium + ametryne não afetou a produtividade de colmos de cana da variedade RB 72454.

 

 

A fitointoxicação causada pelas misturas de MSMA+diuron e diuron+ paraquat à cana-de-açúcar não levou à redução na produção de colmos, indicando boa recuperação das plantas até a época da colheita.

 

LITERATURA CITADA

BARROS, A. C.; LEONEL, D. M. Eficácia e seletividade da mistura trifloxysulfuron-sodium/ametryne para o controle de plantas daninhas na cultura da cana-de-açúcar. R. Brás. Herb., v. 2, n. 3, p. 93-97, 2001.        [ Links ]

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Recebido para publicação em 10.6.2002 e na forma revisada em 10.9.2004

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