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Planta Daninha

Print version ISSN 0100-8358On-line version ISSN 1806-9681

Planta daninha vol.23 no.4 Viçosa Oct./Dec. 2005

https://doi.org/10.1590/S0100-83582005000400022 

ARTIGOS

 

Efeito de surfatantes e pontas de pulverização na deposição de calda de pulverização em plantas de grama-seda

 

Effect of surfactants and nozzle design on spray solution deposition over cynodon dactylon plants

 

 

Carbonari, C.A.I; Martins, D.II; Marchi, S.R.III; Cardoso, L.R.III

IEng.-Agr., aluno do curso de Pós-Graduação em Proteção de Plantas em nível de Mestrado, Departamento de Produção Vegetal da FCA-UNESP, Caixa postal 237, 18603-970 Botucatu-SP, <carbonari@fca.unesp.br>
IIProfessor Livre Docente, Departamento de Produção Vegetal da FCA-UNESP
IIIEng.-Agr., aluno do curso de Pós-Graduação em Agricultura em nível de Doutorado, Departamento de Produção Vegetal da FCA-UNESP

 

 


RESUMO

O objetivo deste trabalho foi avaliar os efeitos de surfatantes e pontas de pulverização na deposição da calda de pulverização em plantas de Cynodon dactylon. Os tratamentos foram dispostos em um esquema fatorial 2 x 5, sendo duas pontas de pulverização (XR 11002 e TX-VK 8) e cinco caldas de pulverização (sem surfatante e com os surfatantes Aterbane e Silwet a 0,05% e 0,1%). As caldas foram preparadas utilizando-se o corante FDC-1 a 1.500 ppm como traçador. O delineamento experimental foi o inteiramente casualizado, com 10 repetições. As aplicações foram realizadas através de um pulverizador estacionário a pressão constante e com consumo de calda de 150 L ha-1. A ponta de pulverização do tipo jato cônico vazio proporcionou maior deposição nas folhas de grama-seda, quando comparada com a ponta do tipo jato plano, independentemente do adjuvante utilizado. As maiores deposições ocorreram nas doses de 0,1%, para ambos os surfatantes, quando utilizada a ponta de jato plano e para o Silwet a 0,05% pulverizado com a ponta de jato cônico. A deposição de calda nas folhas foi menor quando da não-adição de surfatante, independentemente da ponta de pulverização utilizada.

Palavras-chave: adjuvante, gota, Cynodon dactylon, planta daninha.


ABSTRACT

The objective of this trial was to evaluate the effect of surfactants and nozzle types on spray deposition over Cynodon dactylon plants. The treatments were arranged in a 2x5 factorial design, as follows: two nozzles (XR 11002 and TX-VK 8) and five spray solution conditions (Aterbane and Silwet at 0.05% and 0.1%, and without surfactant). The spray solution was prepared using brilliant blue FDC-1 at 1,500 ppm as a tracer. The trial treatments were set up on a randomized design with 10 replications. The applications were performed with stationary spray equipment in a constant pressure so as to obtain a spray solution consumption of 150 L ha-1. Nozzle TX-VK 8 provided a higher drop deposition compared with the flat fan nozzle, regardless of solution condition. Both Aterbane and Silwet at 0.1% provided increases in drop deposition with the solution applied with the flat fan nozzle. The highest drop deposition was observed when Silwet was applied at 0.05% through the hollow cone nozzle. Drop deposition on the leaves was more reduced for both nozzles when the solution was applied without surfactant.

Key words: surfactant, drop, Cynodon dactylon, weed.


 

 

INTRODUÇÃO

Cynodon dactylon é uma planta daninha popularmente conhecida por grama-seda, com ampla distribuição nas regiões tropicais e subtropicais no mundo. No Brasil, é encontrada em todo o território como planta ruderal, como infestante ou como cultivada.

Trata-se de uma das mais importantes gramíneas invasoras, devido à grande dificuldade em erradicá-la após o seu estabelecimento. É um problema tradicional em diversas culturas, dentre as quais se destaca a cana-de-açúcar, em que uma alta infestação pode reduzir em até 80% a produção, além de diminuir o número de cortes e a vida útil do canavial (Kissmann, 1997).

Têm-se observado em campo inúmeras falhas no controle químico desta espécie, as quais podem estar relacionadas a erros na aplicação dos produtos: a calda pulverizada pode não estar atingindo as plantas de forma adequada, com uma boa deposição das gotas sobre suas folhas.

Durante a pulverização de um herbicida ou de outros defensivos agrícolas, parte da quantidade aplicada não atinge o alvo desejado. Dessa forma, o aumento no custo desses produtos, da mão-de-obra e de energia despendida e a preocupação cada vez mais crescente em relação à poluição ambiental têm realçado a necessidade de uma tecnologia mais acurada para colocação do produto químico no alvo (Matuo, 1998). Segundo Cooke & Hislop (1993), o conhecimento do destino dos produtos fitossanitários após sua aplicação é essencial no seu entendimento e estudo da eficiência em qualquer técnica de aplicação.

A qualidade da pulverização é um fator primordial para uma correta utilização de herbicidas. Assim, o uso de compostos denominados adjuvantes os quais têm por finalidade promover alterações na calda de pulverização, possibilitando minimizar os efeitos ambientais e individuais de cada espécie e que possam comprometer a eficiência de um herbicida torna-se uma prática recomendável. De acordo com Miller & Butler Ellis (2000), essas mudanças nas propriedades do líquido pulverizado podem influenciar tanto o processo de formação das gotas como o comportamento destas em contato com o alvo.

A escolha do tipo de ponta de pulverização também afeta a deposição das gotas pulverizadas sobre as plantas; para Galli & Arruda (1985) e Bauer & Raetano (2004), a uniformidade de cobertura da pulverização e o tamanho das gotas são fatores que dependem do desempenho do órgão emissor de gotas, que, no caso dos pulverizadores, é o bico pulverizador, considerado a parte mais importante do equipamento.

As avaliações dos depósitos são utilizadas nas pesquisas de tecnologia de aplicação como instrumento para desenvolver e melhorar as técnicas de aplicação de defensivos (Palladini, 2000). A avaliação de uma pulverização pode ser realizada através de um estudo da deposição de gotas sobre superfícies-alvo, que podem ser naturais ou artificiais. Há vantagens e desvantagens quanto ao tipo de alvo a ser utilizado; contudo, as superfícies naturais são mais recomendadas, por representarem melhor as condições reais de uma aplicação (Miller, 1993).

Dessa forma, o objetivo deste trabalho foi avaliar os efeitos de surfatantes e pontas de pulverização na deposição da calda de pulverização em plantas de C. dactylon.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi instalado e conduzido no Núcleo de Pesquisas Avançadas em Matologia - NUPAM, pertencente ao Departamento de Produção Vegetal da Faculdade de Ciências Agronômicas/UNESP, campus de Botucatu/SP.

As plantas de grama-seda foram cultivadas em vasos de 15 L, em casa de vegetação, e a aplicação foi feita quando as plantas estavam em pleno desenvolvimento vegetativo, cobrindo toda a área do vaso e apresentando grande massa foliar.

Como tratamentos, utilizaram-se cinco caldas de pulverização, sendo elas acrescidas dos surfatantes Aterbane e Silwet L77 nas concentrações de 0,05 e 0,1% v/v, além de uma calda sem adição de surfatante e duas pontas de pulverização, XR 11002VS e TX-VK 8, respectivamente, utilizadas em pressão de trabalho de 1,3 kgf cm-2 e 3,8 kgf cm-2. As cinco caldas de pulverização foram preparadas colocando-se 1,5 grama de corante Azul Brilhante (FDC-1) por litro de água destilada, o que equivale à concentração de 1.500 ppm. Segundo Palladini (2000), esse corante não influi nas características físicas da calda, podendo ser utilizado como traçador para simulação de uma aplicação de herbicidas.

A aplicação foi realizada através de pulverizador estacionário pressurizado a ar comprimido com pressão constante, em sala fechada, equipado com barra de pulverização posicionada a 0,5 m de altura das plantas e munida de quatro pontas de pulverização, com espaçamento de 0,5 m entre bicos. A barra de pulverização foi deslocada à velocidade de 1 m s-1, proporcionando um consumo de calda de 150 L ha-1 para todos os tratamentos. Foram colocadas quatro lâminas de vidro sobre o solo, nos vasos contendo as plantas de grama-seda, determinando-se a deposição de calda de pulverização no solo para os diferentes tratamentos. Durante a aplicação, as temperaturas máxima e mínima registradas foram de 19,9 e 19,4 ºC, respectivamente, e a umidade relativa do ar variou de 76 a 85%.

Após a aplicação foram coletadas 10 amostras de 20 folhas de grama-seda por vaso, as quais foram retiradas aleatoriamente em todas as partes das plantas. As folhas amostradas foram lavadas imediatamente após a coleta, utilizando-se 15 ml de água destilada para extração do corante retido na superfície foliar, constituindo assim as amostras para análise; o mesmo procedimento foi adotado na lavagem das lâminas, sendo cada uma lavada individualmente. A quantificação do corante presente nas amostras foi feita por meio de leitura em espectrofotômetro (GBC Cintra 40), determinando-se a absorbância no comprimento de onda de 630 nm.

Os dados de absorbância foram transformados em dados de volume (mL de calda cm-2), conforme Negrisoli et al. (2002). O delineamento estatístico foi o inteiramente casualizado, disposto em esquema fatorial 2 x 5, com 10 repetições. Os dados foram submetidos à análise de variância pelo teste F e as médias comparadas pelo teste t em nível de 5% de probabilidade.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Na Tabela 1 estão apresentados os volumes de calda depositados sobre as plantas de grama-seda em função da ponta de pulverização e dos surfatantes. Para a variável surfatante, observa-se que para a ponta do tipo jato plano (XR 11002) o maior depósito da calda de pulverização ocorreu quando esta foi acrescida dos surfatantes Aterbane e Silwet a 0,1%.

 

 

Os adjuvantes Silwet e Aterbane a 0,05% também promoveram um bom volume de calda depositado sobre as plantas de gramaseda. Ainda, para a ponta do tipo jato plano, quando a calda não foi acrescida de adjuvantes, o depósito de calda nas plantas foi bastante reduzido em relação aos tratamentos em que houve acréscimo de adjuvantes. Essa redução alcançou 75%, se comparada ao depósito máximo proporcionado pelo Silwet a 0,1%.

Para a ponta de jato cônico vazio (TX-VK 8), a adição do adjuvante Silwet a 0,05% à calda foi a que resultou no maior volume depositado sobre as folhas; no entanto, os adjuvantes Aterbane e Silwet a 0,1% também proporcionaram bom depósito de calda. O Silwet a 0,1% promoveu menor quantidade de calda sobre as folhas quando comparado à concentração de 0,05%, provavelmente em função de escorrimento causado pelo grande volume depositado e pela baixa tensão superficial da calda decorrente da atuação deste adjuvante (Mendonça, 1999). Novamente, quando a calda não foi adicionada de adjuvante, a quantidade depositada sobre as folhas foi muito reduzida. Essa redução foi da ordem de 73%, se comparada ao depósito máximo causado pelo Silwet a 0,05% para a ponta com jato cônico vazio.

Essas reduções na deposição observadas na aplicação da calda sem adjuvante indicam que a quantidade de herbicida retido nas folhas de grama-seda poderia não ser suficiente para provocar a morte das plantas; além disso, as perdas de produtos para o ambiente são grandes, aumentando a sua contaminação.

Pode-se observar, para a variável ponta de pulverização, que as pontas do tipo jato cônico vazio (TXVK 8) promoveram maior depósito da calda sobre as plantas, quando esta foi acrescida de Aterbane em ambas as doses e Silwet a 0,05%. Observa-se também maior deposição para as pontas de jato cônico nas lâminas colocadas no solo, conforme Tabela 2. Embora não tenham diferido estatisticamente, observa-se que uma maior quantidade de calda atingiu o solo para a ponta do tipo jato cônico, em relação à ponta de jato plano. Esses resultados corroboram os obtidos por Maciel et al. (2000), que também observaram deposição maior e mais uniforme em pulverizações em Brachiaria decumbens com pontas do tipo cônico (TX-VK 8), em relação ao jato plano (XR 11002). As caldas sem adjuvantes e acrescidas de Silwet a 0,1% apresentaram depósitos semelhantes nas folhas de grama-seda para as duas pontas de pulverização testadas.

 

 

Também Scudeler (2004), estudando a influência de ponta de pulverização na deposição de calda sobre a cultura da batata, concluiu que a ponta de jato cônico (JA-4) promoveu maior depósito de calda no baixeiro das plantas, em relação à ponta de jato leque (AVI11004); contudo, na parte superior das plantas as duas pontas comportaram-se de maneira semelhante. Silva (2000) também avaliou o efeito de diferentes pontas de pulverização na deposição de calda de pulverização sobre plantas de Cyperus rotundus, sendo elas do tipo jato plano (XR 11002VS e DG 11002VS), jato plano duplo (TJ 60 110.02VS) e jato cônico (TXVS-4 e FL5 VS), e concluiu que as pontas de jato plano do tipo DG e XR apresentaram maiores depósitos, sendo estes de 5,25 e 54,65%, respectivamente, o que demonstrou que a deposição está relacionada não somente à ponta de pulverização, mas também às características de cada espécie, além das demais condições de aplicação.

De maneira geral, a ponta de pulverização do tipo jato cônico vazio proporcionou maior deposição nas folhas de grama-seda; para a ponta do tipo jato plano, os adjuvantes Silwet e Aterbane nas concentrações de 0,1% promoveram a maior deposição de calda nas plantas. Para a ponta do tipo jato cônico, a maior deposição de calda foi proporcionada pelo adjuvante Silwet a 0,05%. A deposição nas folhas foi reduzida para a calda sem adição de surfatante, independentemente das pontas de pulverização.

 

LITERATURA CITADA

BAUER, F. C.; RAETANO, C. G. Distribuição volumétrica de calda produzida pelas pontas de pulverização XR, TP e TJ sob diferentes condições operacionais. Planta Daninha, v. 22, n. 2, p. 275-284, 2004.        [ Links ]

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Recebido para publicação em 29/3/2005 e na forma revisada em 25/11/2005.

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