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Planta Daninha

Print version ISSN 0100-8358On-line version ISSN 1806-9681

Planta daninha vol.24 no.1 Viçosa  2006

https://doi.org/10.1590/S0100-83582006000100024 

ARTIGOS

 

Efeitos de dessecantes no controle de plantas daninhas na cultura da soja

 

Effects of burndown herbicides in weed control in soybean crop

 

 

Procópio, S.O.I; Pires, F.R.I; Menezes, C.C.E.II; Barroso, A.L.L.I; Moraes, R.V.III, Silva, M.V.V.III; Queiroz, R.G.III; Carmo, M.L.IV

IProfessor da Faculdade de Agronomia da Universidade de Rio Verde FESURV., Caixa Postal 104, 75901-970 Rio Verde-GO,< procopio@fesurv.br>
IIEng.-Agr. da Cooperativa Agroindustrial dos Produtores Rurais do Sudoeste Goiano
IIIDiscente do curso de Agronomia da FESURV
IVMestrando do Programa de Pós-Graduação em Produção Vegetal da FESURV

 

 


RESUMO

Este trabalho teve como objetivo avaliar a eficiência do glyphosate e da mistura comercial paraquat + diuron, bem como o efeito do intervalo entre as aplicações desses herbicidas e a semeadura da soja, sobre o controle e a rebrota de Digitaria insularis, Synedrellopsis grisebachii e Leptochloa filiformis. O experimento foi conduzido em área de soja em sistema de plantio direto, utilizando-se o delineamento de blocos casualizados com nove tratamentos e quatro repetições. Foram avaliados os seguintes tratamentos: glyphosate no dia da semeadura e um, dois e cinco dias antes desta; paraquat + diuron 20 dias antes e no dia da semeadura; glyphosate 10 dias antes da semeadura e paraquat + diuron no dia da semeadura; glyphosate 15 dias antes da semeadura e paraquat + diuron no dia da semeadura; glyphosate 20 dias antes da semeadura e paraquat + diuron no dia da semeadura; e testemunha infestada. Verificou-se controle satisfatório e impedimento de rebrota de D. insularis e L. filiformis quando o glyphosate foi aplicado cinco dias antes da semeadura da soja ou quando foi realizada aplicação seqüencial de glyphosate e paraquat + diuron. Aplicações seqüenciais da mistura comercial de paraquat + diuron não foram eficientes no controle e no impedimento da rebrota de D. insularis e L. filiformis. S. grisebachii mostrou-se tolerante ao glyphosate.

Palavras-chave: Digitaria insularis, Synedrellopsis grisebachii, Leptochloa filiformis.


ABSTRACT

The objectives of this work were to evaluate the efficiency of glyphosate and preformulated mixture paraquat + diuron as well as the effect of the interval between herbicide applications and soybean sowing on the control and re-growth impairment of the following weeds: Digitaria insularis, Synedrellopsis grisebach and Leptochloa filiformis. The experiment was carried out in a soybean area under no-till system and was arranged in a randomized block design, with 9 treatments and four replications. The following treatments were evaluated: glyphosate applied on sowing day; one day before sowing day; two days before sowing day; five days before sowing day; paraquat + diuron 20 days before sowing day and on sowing day; glyphosate 10 days before sowing day and paraquat + diuron on sowing day; glyphosate 15 days before sowing day and paraquat + diuron on sowing day; glyphosate 20 days before sowing day and paraquat + diuron on sowing day; and control (presence of weeds). Acceptable control and re-growth impairing of D. insularis and L. filiformis were obtained when glyphosate was applied five days before soybean sowing or when sequential applications of glyphosate and paraquat + diuron were applied. Sequential applications of paraquat + diuron were not efficient in controlling or impairing re-growth of the weeds D. insularis and L. filiformis. S. grisebachii showed to be tolerant to glyphosate.

Keywords: Digitaria insularis, Synedrellopsis grisebachii, Leptochloa filiformis.


 

 

INTRODUÇÃO

A aplicação de herbicidas em pré-semeadura, também conhecida como dessecação de manejo, tornou-se prática obrigatória em cultivos realizados no sistema de plantio direto. Dentre os herbicidas utilizados nessa modalidade de aplicação, destacam-se o glyphosate e a mistura comercial paraquat + diuron. Aplicações em pré-semeadura de glyphosate têm apresentado bom controle de Digitaria sanguinalis, Digitaria horizontalis e Brachiaria decumbens (Barros, 2001; Jakelaitis et al., 2001; Vangessel et al., 2001a; Maciel & Constantin, 2002). Por sua vez, Griffin et al. (2004) verificaram que a adição de diuron junto ao paraquat melhorou a eficiência de controle de Lolium multiflorum, na ordem de 11 a 17%. Todavia, tem-se observado que o manejo químico de plantas daninhas antes da semeadura das culturas pode apresentar variações, devendo ser ajustado de acordo com as espécies de plantas daninhas presentes, o nível de infestação, as condições climáticas e edáficas e o tipo de cultura a ser semeada na área.

No intuito de elucidar a melhor seqüência de aplicação de glyphosate na cultura da soja resistente a esse herbicida, Swanton et al. (2000) observaram que, com uma primeira aplicação em pré-semeadura ou quando a soja estiver em estádio de folha unifoliolada e uma segunda aplicação quando a soja estiver com um a três trifólios, foram obtidos os melhores resultados. Vangessel et al. (2001b) constataram alta produtividade de soja resistente a glyphosate quando foi feita uma aplicação desse herbicida em pré-semeadura seguida de outra aplicação em pós-emergência, quando a cultura se encontrava entre V2 e V4. De acordo com Clayton et al. (2002), aplicações de glyphosate em estádios iniciais da cultura de canola resistente a glyphosate podem eliminar a necessidade de aplicações desse herbicida em pré-semeadura em culturas conduzidas no sistema de plantio direto. Contudo, Vangessel et al. (2001a) verificaram que a aplicação de glyphosate em pré-semeadura da soja resistente a esse herbicida não influenciou a sua eficácia quando aplicado em pós-emergência nessa cultura.

A translocação dos herbicidas é um ponto fundamental para sua eficiência em aplicações de pré-semeadura. Nessa ocasião, há predomínio de espécies perenes em estádios avançados de desenvolvimento, sendo fundamental que o herbicida atue sobre o sistema subterrâneo dessas plantas para obtenção de um controle satisfatório. Para Bromilow et al. (1990), na maioria das plantas, o glyphosate é rapidamente translocado nas folhas tratadas para os drenos metabólicos, especialmente tecidos meristemáticos e de armazenamento, sendo, por isso, excelente herbicida para o controle de plantas daninhas perenes, desde que estas estejam em plena atividade metabólica por ocasião da aplicação do herbicida. Altas intensidades luminosas nos dias subseqüentes à aplicação aumentam a velocidade de translocação do glyphosate (Schultz & Burnside, 1980).

Este trabalho teve como objetivo avaliar a eficiência do herbicida glyphosate e da mistura comercial paraquat + diuron, aplicados em diferentes intervalos de tempo antes da semeadura da soja, sobre o controle e a rebrota de três espécies de plantas daninhas (Digitaria insularis, Synedrellopsis grisebachii e Leptochloa filiformis).

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido em Rio Verde-GO, na safra 2003/2004, em área de produção de soja em sistema de plantio direto. As plantas daninhas predominantes na área experimental eram capim-amargoso (Digitaria insularis), agriãozinho (Synedrellopsis grisebachii) e capim-mimoso (Leptochloa filiformis), todas em fase reprodutiva.

O delineamento experimental utilizado foi o de blocos casualizados, sendo avaliados nove tratamentos (Tabela 1), com quatro repetições. Os herbicidas foram aplicados em pré-semeadura da cultura da soja, utilizando-se um pulverizador costal pressurizado com CO2, equipado com pontas de pulverização tipo leque XR110.02. O volume de calda utilizado foi de 150 L ha-1.

 

 

A semeadura do cultivar Conquista no espaçamento de 0,50 cm foi realizada por meio de uma semeadora pneumática, regulada para liberar 18 sementes por metro. Junto à semeadura foi também realizada adubação de base, com 400 kg ha-1 da fórmula 02-20-18. As parcelas experimentais possuíam 12 m2 (4 x 3 m), sendo a área útil de avaliação de 6 m2.

Foram realizadas as seguintes avaliações: controle de plantas daninhas aos 20 dias após a semeadura (DAS), utilizando-se escala percentual de 0 a 100%, os quais significam nenhum controle e morte das plantas, respectivamente; e rebrota das plantas daninhas aos 40 DAS, utilizando-se escala percentual de 0 a 100%, significando nenhuma rebrota e rebrota total das plantas, respectivamente.

Após a coleta e tabulação dos dados, estes foram submetidos à análise de variância, sendo as médias das variáveis significativas comparadas pelo critério de Scott-Knott a 5% de significância.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Observou-se maior eficiência no controle de Digitaria insularis quando se efetuou a aplicação do glyphosate pelo menos dois dias antes da semeadura da soja, resultado que não diferiu do controle verificado nas aplicações seqüenciais de glyphosate e paraquat + diuron (Tabela 2). O pior controle de D. insularis foi observado quando se realizou a aplicação seqüencial da mistura comercial de paraquat + diuron. A baixa translocação apresentada por essa mistura, associada ao fato de D. insularis ser planta perene e apresentar propagação vegetativa por órgãos subterrâneos, além de se encontrar em estádio avançado de desenvolvimento, são as prováveis causas da baixa eficiência constatada por esse tratamento. Quanto mais próxima a aplicação de glyphosate à semeadura da soja, pior foi o controle de D. insularis (Tabela 2). O corte das plantas promovido pelos discos da semeadora adaptada ao sistema de plantio direto, interrompendo a completa translocação do glyphosate ao sistema subterrâneo da planta, pode ser a causa da perda de eficiência dos tratamentos em que o herbicida foi aplicado apenas um dia antes da semeadura ou no mesmo dia. Li et al. (2005) relatam que mais de 65% do 14C-glyphosate absorvido por folhas de Amaranthus rudis foi translocado para as raízes dessas plantas, 74 horas após a aplicação do herbicida. Koger & Reddy (2005) observaram que, do total absorvido de glyphosate por plantas de Ipomoea lacunose, 0,4 e 25,0% tinham sido translocados da região de absorção 1 e 192 horas, respectivamente, após a aplicação. Não se detectaram diferenças na eficácia da seqüência de aplicação do glyphosate e da mistura paraquat + diuron quando seus intervalos foram de 10, 15 ou 20 dias (Tabela 2).

 

 

O melhor controle de Leptochloa filiformis foi obtido com o intervalo de cinco dias entre a aplicação de glyphosate e a semeadura da soja e com aplicações seqüenciais de glyphosate e da mistura paraquat + diuron, independentemente do intervalo da aplicação entre esses herbicidas (Tabela 2). Novamente, como observado para as plantas de D. insularis, as aplicações seqüenciais de paraquat + diuron não apresentaram controle satisfatório de L. filiformis, também uma gramínea perene que se encontrava em estágio avançado de desenvolvimento no início das aplicações. Werlang et al. (2002) reportam que a mistura paraquat + diuron não foi eficaz no controle de Commelina benghalensis e C. diffusa. A eficiência de controle de L. filiformis foi reduzindo à medida que a aplicação de glyphosate se aproximava da semeadura da soja, de forma semelhante ao observado para D. insularis. Todavia, o intervalo de espera necessário entre as duas operações, para L. filiformis, foi maior (cinco dias contra dois de D. insularis). O distanciamento da aplicação (dessecação) e da semeadura da soja proporciona fatores desfavoráveis em termos agronômicos, como maior possibilidade de emergência das plantas daninhas, junto ou mesmo anteriormente à soja; atraso na semeadura das culturas de segunda safra, como o milho, aumentando os riscos de déficit hídrico; e possibilidade de incremento de incidência de doenças da soja, como a ferrugem asiática.

Pela análise da Tabela 2, nota-se que as aplicações seqüenciais com a mistura paraquat + diuron (20 DAS e no dia da semeadura) e/ou com a seqüência de glyphosate (10 DAS) e paraquat + diuron no dia da semeadura apresentaram melhor desempenho no controle de Synedrellopsis grisebachii, espécie que se mostrou tolerante ao glyphosate. No entanto, nenhum tratamento apresentou controle dessa espécie superior a 90% (Tabela 2). Marochi (1995) verificou que glyphosate e sulfosate mostraram-se ineficientes no controle de Richardia brasiliensis, porém, quando esses tratamentos foram complementados com a aplicação seqüencial de paraquat + diuron, o nível de controle dessa planta daninha foi superior a 96%. Segundo Carvalho et al. (2002), o glyphosate é um dos herbicidas mais utilizados na operação de manejo; entretanto, sua alta eficiência em gramíneas não é observada no controle de algumas latifoliadas, necessitando, muitas vezes, do complemento de outros herbicidas.

A menor rebrota de D. insularis e L. filiformis foi observada nos tratamentos que receberam a aplicação em seqüência dos herbicidas glyphosate e paraquat + diuron, independentemente do intervalo entre estes, e no tratamento em que se efetuou apenas uma aplicação de glyphosate aos 5 DAS (Tabela 3). Esses resultados confirmam a importância de se observar um intervalo de pelo menos cinco dias entre a aplicação de glyphosate e a semeadura das culturas comerciais, quando há ocorrência na área de plantas de propagação vegetativa em estágio de desenvolvimento avançado. O maior nível de rebrota das plantas daninhas D. insularis e L. filiformis foi observado quando se utilizou a aplicação seqüencial da mistura paraquat + diuron, sendo em média de 83 e 75%, respectivamente. A reduzida translocação dos herbicidas dessa mistura inviabiliza sua utilização isolada em áreas que apresentam infestação de gramíneas perenes, fato que pode ser revertido se posicionado de forma seqüencial, após a aplicação de glyphosate. Esses dados coincidem com os encontrados por Marochi (1995), que verificou alta porcentagem de rebrota de gramíneas com a utilização de paraquat + diuron isoladamente ou em aplicação seqüencial, recomendando a utilização de herbicida sistêmico na primeira aplicação.

 

 

LITERATURA CITADA

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Recebido para publicação em 25.8.2005 e na forma revisada em 24.2.2006.

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