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Planta Daninha

Print version ISSN 0100-8358On-line version ISSN 1806-9681

Planta daninha vol.25 no.3 Viçosa July/Sept. 2007

https://doi.org/10.1590/S0100-83582007000300010 

ARTIGOS

 

Interação entre sistemas de manejo e de controle de plantas daninhas em pós-emergência afetando o desenvolvimento e a produtividade do milho

 

Interaction between burndown systems and post-emergence weed control affecting corn development and yield

 

 

Constantin, J.I, IV; Oliveira Jr., R.S.I, IV; Cavalieri, S.D.II, IV; Arantes, J.G.Z.II, IV; Alonso, D.G.II, IV; Roso, A.C.III, IV; Costa, J.M.V

IProfessor Associado, Núcleo de Estudos Avançados em Ciência das Plantas Daninhas (NAPD/UEM), Dep. de Agronomia, Universidade Estadual de Maringá. Av. Colombo, 5790, 87020-9000 Maringá-PR, <constantin@teracom.com.br>; <rsojunior@uem.br>
IIEngº-Agrº, Aluno do Programa de Pós-Graduação em Agronomia na área de Proteção de Plantas NAPD/UEM
IIIEngº-Agrº , Aluna do Programa de Pós-Graduação em Fitotecnia na área de Herbologia UFRGS
IVBolsista do CNPq
VEngº-Agrº , Gerente da Fazenda Experimental da COAMO, Campo Mourão-PR

 

 


RESUMO

Este trabalho teve por objetivo avaliar a interação entre sistemas de manejo e de controle de plantas daninhas em pós-emergência na cultura do milho, híbrido AG 9010, em semeadura direta, em área com expressiva cobertura vegetal. Foram avaliados 10 tratamentos, compostos por um esquema fatorial (3 x 3) + 1. Os fatores eram constituídos por três sistemas de manejo (dessecação imediatamente antes da semeadura, dessecação 10 dias antes da semeadura e dessecação antecipada, sendo esta composta por duas aplicações de manejo: a primeira 24 dias antes da semeadura e a segunda na data da semeadura), três formas de controle das plantas daninhas após a emergência da cultura (nenhum controle, capina manual das parcelas e aplicação de herbicidas em pós-emergência) e um tratamento adicional, constituído por uma testemunha absoluta (sem manejo e sem controle em pós-emergência). O manejo realizado na data da semeadura e sete dias antes reduziu significativamente a produtividade do milho. Já o manejo antecipado, além de reduzir o fluxo de emergência de plantas daninhas após emergência do milho, proporcionou ganhos de produtividade que variaram entre 696 e 1.867 kg ha-1.

Palavras-chave: dessecação, semeadura direta, Zea mays.


ABSTRACT

This work aimed to evaluate the interaction between burndown methods and systems of post-emergence weed control in corn, hybrid AG 9010, under no-tillage, in areas with expressive soil green cover. Ten treatments in a factorial scheme (3 x 3) + 1 were evaluated. Main factors were composed by three burndown systems (desiccation immediately before sowing; desiccation 7 days prior to crop sowing and anticipated desiccation, composed by two burndown herbicide applications, the first 24 days prior to sowing and the second immediately before sowing), three post-emergence weed control systems (no control, manual weeding and herbicide application) and an additional treatment constituted by an absolute check (no burndown and no post-emergence weed control). Burndown either at sowing date or 7 days prior to sowing decreased grain yield. Anticipated burndown provided not only a reduced flux of weed emergence during early crop development but also crop yield gains from 880.5 to 1555.5 kg ha-1.

Keywords: desiccation, no-till, Zea mays.


 

 

INTRODUÇÃO

Mesmo com uma produção anual em torno de 25 milhões de toneladas, a contribuição brasileira na produção mundial de milho é ainda bem inferior à dos países mais produtivos, devido principalmente à baixa produtividade. Uma série de fatores é responsável pela baixa produtividade, dentre os quais se destaca a interferência imposta pelas plantas daninhas. A cultura do milho, apesar de ser considerada de boa capacidade competitiva e ser enquadrada no grupo de culturas que mais sombreiam o solo, sofre intensa interferência das plantas daninhas, resultando em sérios prejuízos no crescimento, na produtividade e na operacionalização de colheita (Rossi et al., 1996). Dependendo de fatores relacionados à cultura, à comunidade infestante e, ainda, a fatores ambientais, as perdas na produtividade ocasionadas pela interferência das plantas daninhas na cultura do milho podem atingir 85% no sistema de plantio convencional e até 100% no sistema de plantio direto (Silva & Pires, 1990). Essa redução é ocasionada principalmente pela competição por água, luz e nutrientes (Kapusta et al., 1994) e, também, por dióxido de carbono e espaço físico (Merotto Jr. et al., 1997).

Para que as perdas sejam minimizadas ou eliminadas, é necessário que o controle de plantas daninhas seja feito da forma mais consistente possível. Uma das opções é a redução da infestação já por ocasião do manejo das áreas, antecedendo a semeadura direta. Quando realizada adequadamente, a operação de manejo possibilita a emergência da cultura no limpo, reduzindo sobremaneira a interferência das plantas daninhas no início do ciclo, além de propiciar melhores condições para a germinação e a emergência, em razão da cobertura morta que se forma na superfície do solo. No entanto, dependendo do tipo e da quantidade de cobertura vegetal presente na área no momento do manejo, é possível que ocorram também efeitos negativos sobre a cultura. Argenta et al. (1999) observaram menor acúmulo de N e produção de biomassa em plantas de milho na semeadura realizada logo após a dessecação e atribuíram tal fato ao efeito alelopático da cobertura. No entanto, os efeitos de alelopatia e de competição podem se confundir, e os efeitos observados nas plantas podem resultar, segundo Argenta et al. (2001), de uma combinação de fatores; deficiência de N causada pela atividade microbiana; interferência física da cobertura do solo na semeadura da cultura, afetando o grau de contato da semente com o solo; e efeitos da cobertura vegetal, modificando a umidade e a temperatura do solo. Dessa forma, quanto maior a cobertura, maiores serão os efeitos sobre a cultura.

As estratégias mais comuns utilizadas no manejo tanto das culturas de cobertura quanto da vegetação infestante nas áreas de plantio direto resumem-se a três: a dessecação imediatamente antes da semeadura, entre sete e dez dias antes da semeadura ou a dessecação antecipada.

A dessecação imediatamente antes da semeadura é comumente identificada por "Desseque-Plante" ou "Aplique-Plante" (AP). Consiste na aplicação de um ou mais herbicidas (normalmente de ação sistêmica) no manejo, e a escolha do produto ou dos produtos a serem usados na área normalmente é feita em função da composição florística da área e da densidade de infestação. Esse sistema de manejo é adotado por muitos agricultores, com a finalidade de ganhar tempo e maximizar a utilização do maquinário da propriedade.

Utilizando herbicidas semelhantes ao AP, é possível também que a aplicação seja feita entre sete e dez dias antes da semeadura. Esse sistema, denominado neste trabalho de manejo "10 DAS" (dias antes da semeadura), é caracterizado pelo fato de que o período de tempo deixado entre a aplicação do herbicida e a entrada dos implementos para a semeadura seja apenas aquele necessário para que a fitointoxicação causada pelo herbicida inicie o processo de perda de água da biomassa presente na área. Esse método apresenta como vantagem o tempo razoavelmente curto entre a aplicação e a semeadura, além do fato de possibilitar maior rendimento e melhores condições para o funcionamento das semeadoras de semeadura direta.

O sistema de manejo antecipado consiste na aplicação antecipada (em relação à semeadura) de um herbicida sistêmico não-seletivo. Essa antecipação em relação à data da semeadura deve ser por volta de 20 dias, mas pode variar em função das condições climáticas e de infestação da área. Normalmente, espera-se que nesse período o herbicida aplicado tenha proporcionado controle da cobertura ou das infestantes presentes e que, com a diminuição da massa vegetal sobre o solo e com a incidência das chuvas que antecedem a semeadura, seja possível que um novo fluxo do banco de sementes do solo possa emergir antes da semeadura. Para controle desse fluxo, é feita uma segunda aplicação de manejo, na véspera ou imediatamente antes da semeadura, normalmente com um produto de ação de contato, cuja função é possibilitar a semeadura no limpo e, também, controlar as possíveis rebrotas de plantas que não foram totalmente controladas na primeira aplicação de manejo.

Procópio et al. (2006) compararam o efeito de diferentes sistemas de manejo no controle de Digitaria insularis, Synedrellopsis grisebachii e Leptochloa filiformis, todas em fase reprodutiva, antecedendo a semeadura direta de soja. Esses autores verificaram que a antecipação do uso de glyphosate na aplicação de manejo resulta em menor rebrota em relação a aplicações de glyphosate mais próximas da semeadura. Os melhores resultados de controle foram obtidos com aplicações de glyphosate cinco dias antes da semeadura ou com a aplicação antecipada (10 a 20 dias antes da semeadura), com posterior aplicação de [paraquat+diuron] na data da semeadura.

Constantin et al. (2000), avaliando a interação entre diferentes sistemas de manejo antecipado e formas de controle de plantas daninhas após emergência da soja, em área infestada por Commelina benghalensis, Brachiaria plantaginea e Raphanus raphanistrum, concluíram que a antecipação do manejo possibilita a redução no uso de herbicidas em pós-emergência e também melhor controle das plantas daninhas.

Argenta et al. (2001), comparando o efeito de períodos de tempo entre a dessecação da aveia e a semeadura do milho, concluíram que o período de 15 dias, comparado ao de um dia, promoveu o aumento do acúmulo de N, da produção de massa e do rendimento de grãos de milho. Por sua vez, Kozlowski (2001a, b) comparou o manejo antecipado com sulfosate (20 dias antes da semeadura) e [paraquat + diuron] (na data da semeadura) com herbicidas sistêmicos não-seletivos aplicados 10 dias antes da semeadura e concluiu que a produtividade do feijoeiro foi proporcional ao controle da vegetação daninha presente na área, composta principalmente por Richardia brasiliensis, o que ocorreu de forma mais efetiva com os manejos realizados 10 dias antes da semeadura.

Valentini et al. (2001), trabalhando com diferentes épocas de manejo antecedendo a semeadura direta de feijão (0, 15 e 30 dias antes da semeadura), constataram que não houve efeito das épocas de manejo das coberturas (nabo, azevém, aveia-preta) sobre a população de plantas ou no rendimento do feijoeiro. Marques & Benez (2000) avaliaram diferentes sistemas de manejo sobre vegetação espontânea, em plantios direto e convencional, e também concluíram que não houve efeito na produtividade da cultura do milho.

Dessa forma, há resultados divergentes e carência de informações em relação ao efeito dos sistemas de manejo sobre a produtividade das culturas. Também, pouco se sabe sobre a relação entre o sistema de manejo e o controle de plantas daninhas em pós-emergência.

Assim, objetivou-se neste trabalho avaliar a interação entre sistemas de manejo em semeadura direta e o controle de plantas daninhas na cultura do milho, visando não só o controle destas plantas na operação de manejo e após a emergência, mas também o crescimento, o desenvolvimento e a produtividade da cultura, em áreas com expressiva cobertura vegetal.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O experimento foi conduzido na Fazenda Experimental da COAMO, localizada em Campo Mourão, PR. A área em questão havia sido cultivada na safra de inverno anterior com milho "safrinha" e na safra de verão anterior com soja. No momento do início da implantação dos sistemas de manejo, a área apresentava de 70 a 100% de cobertura vegetal; desse total, cerca de 80% era composto por Bidens pilosa. Outras espécies de ocorrência relevante na área foram Euphorbia heterophylla (10%) e Alternanthera tenella (5%), sendo 5% da infestação composta por outras espécies.

O delineamento experimental foi o de blocos casualizados, com seis repetições. As parcelas experimentais tinham dimensões de 4,0 x 5,0 m, tomando-se como área útil as três linhas centrais, exceto 1 m de cada extremidade. Foram avaliados 10 tratamentos, compostos por um esquema fatorial (3 x 3) + 1. Os fatores eram constituídos por três sistemas de manejo (AP, 10 DAS e Antecipado), três formas de controle de plantas daninhas após a emergência da cultura e um tratamento adicional, constituído por uma testemunha absoluta (sem manejo e sem controle em pós-emergência). As três formas de controle de plantas daninhas após a emergência do milho foram: sem nenhum controle, executado por meio da capina manual das parcelas e aplicação de herbicidas em pós-emergência. O critério para determinar o momento da aplicação foi quando as infestantes dicotiledôneas atingissem o estádio predominante de quatro folhas definitivas. Essa avaliação foi realizada de forma independente para cada sistema de manejo que antecedeu a semeadura, o que levou à realização da aplicação mais precocemente no sistema de manejo 10 DAS, em relação aos demais.

A semeadura direta do milho foi feita simultaneamente em todos os sistemas de manejo em 8/12/2003, utilizando-se o híbrido AG 9010, com espaçamento de 0,90 m entre linhas e seis sementes por metro, e a emergência teve início cinco dias após a semeadura. A adubação de plantio consistiu de 300 kg do formulado 08-30-20 por hectare, seguida da aplicação em cobertura de 100 kg ha-1 de uréia, quando o milho se encontrava com quatro a seis folhas. Todas as aplicações de herbicidas foram feitas com um pulverizador costal de pressão constante à base de CO2, equipado com pontas tipo leque XR-110.02, pressão de 2,0 kgf cm-1 e volume de calda de 200 L ha-1.

No manejo antecipado foram realizadas duas aplicações, sendo a primeira com 1,24 kg ha-1 de glyphosate potássico aos 24 DAS e a segunda com a mistura formulada de [diuron + paraquat] [120 + 240] g ha-1 + Agral 0,1% v/v na data da semeadura; e nos manejos 10 DAS e AP foram realizadas aplicações únicas com 1,44 kg ha-1 de glyphosate potássico, 10 dias antes e imediatamente antes da semeadura, respectivamente.

Em relação ao controle com herbicida em pós-emergência, foi aplicada a mistura em tanque de mesotrione (120 g ha-1) + [atrazine + óleo vegetal] [1.200 + 900] g ha-1 quando as plantas de milho se apresentavam com quatro folhas no manejo de 10 DAS (aos 11 dias depois da semeadura – DDS) e cinco folhas nos manejos AP e Antecipado (aos 14 DDS).

As variáveis-resposta avaliadas foram:

a) Controle de plantas daninhas no manejo: avaliações visuais (escala de 0 a 100%), realizadas no dia da semeadura, aos 5 e 11 DDS.

b) Controle de plantas daninhas em pós-emergência: avaliações visuais (escala de 0 a 100%), realizadas aos 45 dias DDS.

c) Contagens de plantas daninhas: realizadas na véspera da semeadura, aos 5 e 11 DDS e nas datas de aplicação dos herbicidas em pós-emergência para cada sistema de manejo. Em cada avaliação, foram feitas quatro amostragens por parcela, sendo cada uma realizada numa área de 0,5 x 0,5 m.

d) Na cultura do milho foram avaliados: o estande (média do número de plantas em duas amostragens de 3 m das linhas centrais da área útil das parcelas); a altura das plantas (altura do solo até a inserção da última folha completamente expandida em 10 plantas por parcela); o diâmetro de colmo (diâmetro de 10 plantas por parcela, avaliado na altura da inserção da folha +2), aos 30 DDS; a massa de mil grãos (média da massa de quatro amostras de mil grãos por parcela); e a produtividade (colheita de 4 m centrais de três linhas de cada parcela, convertendo-se posteriormente para kg ha-1, corrigida para 14% de umidade).

Os dados foram submetidos à análise de variância e as médias comparadas entre si pelo teste de agrupamento de Scott-Knott a 5% de probabilidade.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

Por ocasião da semeadura do milho, os manejos 10 DAS e Antecipado apresentavam controles semelhantes da infestação (63 e 67%, respectivamente) (Figura 1). Uma vez que a aplicação no manejo AP ocorreu apenas por ocasião da semeadura, ainda não havia índice de controle para este manejo. À medida que novas avaliações foram sendo realizadas ao longo do início do ciclo da cultura, observou-se que, por ocasião do início da emergência do milho (5 DDS), o controle proporcionado pelos manejos 10 DAS e Antecipado era muito superior ao proporcionado pelo manejo AP, em virtude do período de tempo de que o glyphosate necessita para dessecar a biomassa presente. Na terceira avaliação (11 DDS), os três manejos tenderam a se igualar em termos de eficácia (93, 98 e 99%, respectivamente para os manejos AP, 10 DAS e Antecipado) (Figura 1). No entanto, apesar do controle final semelhante, é importante frisar que, até que os níveis de controle dos manejos se igualassem, houve um período inicial durante a emergência e o crescimento inicial do milho durante o qual os diferentes manejos afetaram de forma distinta a cultura. No manejo AP, a emergência ocorreu sob grande quantidade de biomassa verde, a qual só foi descontínua no sulco de plantio, pela ação dos discos de semeadura. No manejo 10 DAS, embora houvesse certa quantidade de plantas ainda "em pé", a maior parte delas encontrava-se seca, o que facilitou a emergência. No manejo Antecipado, toda a biomassa já estava seca, completamente tombada e sobre a superfície do solo no momento da semeadura, não exercendo nenhum tipo de sombreamento durante a emergência do milho. Segundo Calegari et al. (1998), esse sombreamento pode afetar negativamente a germinação, a emergência ou o desenvolvimento inicial da cultura, gerando, entre outros efeitos, o estiolamento. Assim, a intensidade da dessecação ou do "tombamento" da cobertura vegetal pode ter implicações posteriores em termos do desenvolvimento do milho.

 

 

Além de afetar a cultura, o sistema de manejo empregado também influencia diretamente a emergência das plantas daninhas. Por ocasião da semeadura, a infestação foi significativamente superior nos sistemas AP e Antecipado (Tabela 1); no primeiro, em razão da inexistência de qualquer método de controle até esse momento; no segundo, em função do novo fluxo de plantas daninhas emergido após a aplicação do glyphosate potássico 24 dias antes da data da semeadura. Neste período, no manejo Antecipado foi realizada a aplicação de [diuron + paraquat], o que resultou na eliminação desse fluxo. Com a eliminação do fluxo inicial, observou-se significativa redução dos fluxos posteriores de emergência de plantas daninhas, o que pode ser observado pelas contagens realizadas aos 5 DDS, 11 DDS e na data da aplicação do herbicida em pós-emergência (Tabela 1). Comparando-se o manejo Antecipado com o AP, a redução na densidade de infestação variou de 71 a 86%; quando comparado ao sistema 10 DAS, a redução na densidade variou entre 53 e 80%. A dessecação mais precoce da infestação proporcionada pelo manejo antecipado acaba estimulando a emergência de novos fluxos de plantas daninhas, uma vez que após a dessecação da massa vegetal o solo volta a receber luz, o que proporciona a quebra da dormência de muitas espécies componentes do banco de sementes. Além do efeito da luz, a presença de uma massa vegetal na superfície do solo reconhecidamente exerce efeito supressor na germinação das plantas daninhas (Correia & Durigan, 2004; Trezzi & Vidal, 2004; Vidal & Trezzi, 2004).

Observou-se ainda que, levando-se em conta que o momento da aplicação dos herbicidas em pós-emergência foi determinado com base no estádio de quatro folhas definitivas das plantas daninhas, esse momento só foi atingido nos manejos Antecipado e AP três dias após as plantas terem atingido este estádio no manejo 10 DAS. Esse fato promove pequeno ganho em termos de controle, já que a aplicação dos pós-emergentes é realizada mais próxima ao fechamento da cultura.

O nível de controle proporcionado pelas aplicações de herbicida em pós-emergência foi excelente para todos os manejos. Na avaliação realizada aos 45 DDS, observou-se controle acima de 93% do total das plantas daninhas nos três sistemas (Figura 2).

 

 

Em se tratando das variáveis relacionadas ao desenvolvimento da cultura do milho, observou-se inicialmente estiolamento e clorose das plantas de milho no manejo AP. Esse fato aconteceu também no sistema 10 DAS, porém em menor intensidade. No entanto, a partir de certa fase do desenvolvimento do milho, as plantas do manejo AP passaram a apresentar menor desenvolvimento em relação aos demais manejos, provavelmente em razão do gasto energético associado ao estiolamento inicial, o que prejudicou o seu desenvolvimento posteriormente. Tal fato é expresso pela menor altura das plantas neste manejo aos 30 DDS, tanto para a ausência de controle de plantas daninhas em pós-emergência quanto para a capina manual (Tabela 2). Uma outra evidência que corrobora o menor desenvolvimento das plantas de milho no manejo AP é o fato de estas apresentarem, aos 30 DDS, também menor diâmetro (Tabela 3). Esse efeito de estiolamento da cultura, quando emergida sob um dossel em fase de dessecação, também é descrito por Callegari et al. (1998).

Considerando que nenhuma das interações entre sistemas de manejo e métodos de controle em pós-emergência promoveu a redução do estande da cultura (Tabela 4) ou de componentes importantes da produtividade, como a massa de mil grãos ou o teor de umidade (dados não mostrados), as diferenças observadas com relação à produtividade devem estar associadas às condições de crescimento inicial das plantas. Apenas para o estande de plantas houve efeito significativo nos métodos de controle em pós-emergência, havendo redução significativa da população de plantas quando não se realizou nenhum controle após a emergência do milho (Tabela 4). Independentemente do sistema de manejo utilizado, a capina manual e o controle químico das plantas daninhas em pós-emergência foram equivalentes em termos de produtividade e superiores à ausência de controle (Tabela 5). Para qualquer método de controle de plantas daninhas em pós-emergência, as maiores produtividades foram obtidas quando o sistema de manejo utilizado foi o Antecipado (Tabela 5). O milho submetido ao sistema de manejo AP foi o menos produtivo em todas as situações, refletindo o sombreamento e o menor crescimento inicial observado neste manejo.

Mesmo considerando a total ausência de controle de plantas daninhas em pós-emergência, a simples adoção de um sistema de manejo mais efetivo no controle inicial das plantas daninhas (Antecipado) proporcionou ganhos de 919 e 1.585 kg ha-1, quando comparado aos sistemas de manejo 10 DAS e AP. Em condições ótimas (controle manual das plantas daninhas emergidas), tais ganhos foram de 1.007 e 1.867 kg ha-1. Esses resultados corroboram os obtidos por Oliveira Jr. et al. (2006), os quais, trabalhando com a cultura da soja, verificaram que, independentemente do método de controle adotado em pós-emergência, o manejo antecipado foi o sistema que proporcionou as maiores produtividades, as quais foram, em média, entre 10 e 20% superiores às obtidas nos sistemas AP e 10 DAS.

Contudo, vale a pena ressaltar que esse tipo de resposta da cultura a diferentes tipos de manejo é válido somente para áreas onde a cobertura vegetal, seja ela composta por adubos verdes ou por plantas daninhas, é superior a 40-50% da superfície do solo e tem altura suficiente para provocar o sombreamento da cultura a ser implantada. Em áreas com plantas daninhas ou coberturas verdes recém-germinadas ou quando a cobertura vegetal se dá apenas em pequenas reboleiras, os efeitos dos sistemas de manejo tendem a se igualar com relação ao desenvolvimento e à produtividade da cultura.

 

LITERATURA CITADA

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Recebido para publicação em 30.1.2007 e na forma revisada em 21.8.2007.

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