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Planta Daninha

Print version ISSN 0100-8358

Planta daninha vol.28 no.spe Viçosa  2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-83582010000500015 

ARTIGOS

 

Atividade residual de herbicidas aplicados ao solo em relação ao controle de quatro espécies de Amaranthus

 

Residual activity of herbicides applied to the soil in relation to control of four Amaranthus Species

 

 

Raimondi, M.A.I; Oliveira JR, R.S.II; Constantin, J.II; Biffe, D.F.I; Arantes, J.G.Z.I; Franchini, L.H.I; Rios, F.A.I; Blainski, E.I; Osipe, J.B.I

IEngº-Agrº., Aluno do Programa de Pós-Graduação em Agronomia na área de Proteção de Plantas, Núcleo de Estudos Avançados em Ciência das Plantas Daninhas, Universidade Estadual de Maringá – NAPD/UEM, Av. Colombo, 5790, 87020-9000 Maringá-PR, <michelraimondi@hotmail.com>
IIProfessor Associado, Dep. de Agronomia, Núcleo de Estudos Avançados em Ciência das Plantas Daninhas, Universidade Estadual de Maringá – NAPD/UEM

 

 


RESUMO

Herbicidas aplicados em pré-emergência normalmente apresentam atividade residual no solo, controlando os primeiros fluxos germinativos das plantas daninhas e prevenindo a matocompetição inicial. O objetivo deste trabalho foi verificar o período de atividade residual proporcionado por doses de herbicidas suficientes para o controle pontual de 95% (C95) das espécies Amaranthus hybridus, A. lividus, A. spinosus e A. viridis, além de avaliar doses recomendadas desses herbicidas. O trabalho foi realizado em casa de vegetação, em solo de textura franco-argiloarenosa (20% de argila e 1,9 de matéria orgânica), e as doses dos herbicidas alachlor, diuron, oxyfluorfen, pendimethalin, prometryne, oxyfluorfen, S-metolachlor, trifluralin 450 e trifluralin 600 foram aplicadas aos 30, 20, 10 e 0 dias antes da semeadura das plantas daninhas. Avaliou-se o controle das plantas daninhas após a permanência dos herbicidas no solo por períodos de 0, 10, 20 e 30 dias depois da aplicação dos tratamentos (DAA). A atividade residual de alachlor e prometryne, na dose C95, não foi suficiente para o controle eficiente (>80%) das espécies por períodos de até 30 DAA. Quanto ao alachlor, o emprego da dose recomendada não se refletiu em aumento considerável da atividade residual, exceto em relação a A. viridis. A dose recomendada de prometryne proporcionou controle eficiente das espécies até 30 DAA, exceto de A. hybridus. A dose recomendada de oxyfluorfen controlou eficientemente A. hybridus e A. spinosus até 30 DAA, espécies estas que não haviam sido eficientemente controladas pela dose C95. Trifluralin 450 promoveu controle residual eficiente de 30 DAA somente em relação a A. hybridus. Trifluralin 600 foi eficiente no controle de A. hybridus e A. viridis até os 30 DAA e até 29 e 28 DAA para A. lividus e A. spinosus, respectivamente. Clomazone não promoveu controle eficiente das espécies até 30 DAA, exceto de A. viridis. Diuron, pendimethalin e S-metolachlor foram eficientes para todas as espécies até 30 DAA, em ambas as doses, demonstrando atividade residual consistente para o solo estudado.

Palavras-chave: algodão, caruru, planta daninha, pré-emergência.


ABSTRACT

Herbicides applied at pre-emergence normally present residual activity in the soil, controlling the first weed germinations, and preventing initial weed competition. The aim of this study was to determine the period of residual activity provided by sufficient herbicide rates for 95% (C95) control of the species Amaranthus hybridus, A. lividus, A. spinosus and A. viridis, and to assess the recommended rates of these herbicides. The study was conducted under greenhouse conditions in soils of sandy clay loam texture (20% clay and 1.9 of organic matter, with rates of alachlor, diuron, oxyfluorfen, pendimethalin, prometryne, oxyfluorfen, S-metolachlor, trifluralin 450 and trifluralin 600 being applied at 30, 20, 10 and 0 days before weed sowing. Weed control was evaluated after herbicide permanence in soil for 0, 10, 20 and 30 days after application (DAA). The residual activity of alachlor and prometryne at a rate C95 was not sufficient for the efficient control (>80%) of the species for up to 30 DAA. For alachlor, the use of the recommended rate did not provide considerable increase in residual activity, except for A. viridis. The recommended rate of prometryn promoted efficient control of the species for up to 30 DAA, except for A. hybridus. The recommended rate of oxyfluorfen provided an efficient control of A. hybridus and A. spinosus up to 30 DAA. These species had not been effectively controlled by the rate C95. Trifluralin 450 promoted efficient residual control for up to 30 DAA only compared with A. hybridus. Trifluralin 600 was effective in controlling A. hybridus and A. viridis up to 30 DAA and 29 and 28 DAA for A. lividus and A. spinosus, respectively. Clomazone did not promote efficient control of the species for 30 DAA, except for A. viridis. Diuron, pendimethalin and S-metolachlor were effective in controlling the species for up to 30 DAA, at both rates, showing consistent residual activity for the soil studied.

Keywords: cotton, pigweed, herbicide, weed, pre-emergence.


 

 

INTRODUÇÃO

O algodão é a fibra natural mais importante do mundo, sendo de relevante importância para a economia de muitos países (Silva et al., 2009). Entre os fatores que limitam a exploração da cultura, destaca-se a interferência das plantas daninhas, que, em casos extremos, pode ocasionar prejuízos superiores a 90% em termos de produtividade (Salgado et al., 2002; Freitas et al., 2006).

Amaranthus spp. vem se tornando problema nas áreas agrícolas do cerrado brasileiro, principalmente em áreas cultivadas com algodão, onde os agricultores têm encontrado dificuldades no seu controle. Caracterizam-se por serem agressivas e possuírem boa competitividade com a cultura do algodoeiro, além do poder depreciativo que proporcionam à fibra (Jha et al., 2008; Chauhan & Johnson, 2009). O gênero Amaranthus compreende aproximadamente 60 espécies, sendo entre estas encontradas comumente nas culturas A. hybridus, A. lividus, A. viridis e A. spinosus (Carvalho et al., 2006; Wise et al., 2009). A. viridis, por exemplo, é geralmente encontrada nas regiões tropicais e subtropicais, e tem sido relatada a ocorrência em 50 culturas e em mais de 80 países (Chauhan & Johnson, 2009). Em regiões dos Estados Unidos, Amaranthus spp. é considerada a terceira maior planta daninha problema, em relação a controle e interferência nas culturas, e a segunda planta daninha mais problemática em algodão (Patzoldt & Tranel, 2007; Steckel, 2007; Wise et al., 2009). Alguns estudos têm demonstrado que espécies do gênero Amaranthus respondem de forma diferencial quanto ao controle proporcionado pelos herbicidas utilizados em pré e pós-emergência (Sweat et al., 1998; Carvalho et al., 2006).

Diante da necessidade do manejo adequado, o emprego de herbicidas é uma ferramenta rentável e eficiente para controle de plantas daninhas na agricultura moderna, visto a grande área explorada e a escassez de mão de obra. No caso específico do algodão, o controle das plantas daninhas se faz importante não só durante o período crítico de interferência, estimado entre 8 e 66 dias após a emergência (Salgado et al., 2002), mas também no final do ciclo, pois algumas espécies podem dificultar a colheita e interferir na qualidade da fibra (Freitas et al., 2006; Wise et al., 2009). Portanto, para o manejo eficiente das plantas daninhas, utilizam-se herbicidas em pré e pós-emergência, visando ao período crítico de interferência, e em jato dirigido, para que a colheita seja realizada no limpo, sendo difícil obter sucesso quando desprezada essa estratégia de controle.

A aplicação de herbicidas em pré-emergência no início do ciclo do algodoeiro objetiva eliminar as plantas daninhas ainda na fase de plântula, proporcionando à cultura emergir no limpo, evitando a interferência precoce das plantas daninhas. Em especial para o gênero Amaranthus, o controle em pós-emergência pode ser dificultado em virtude do extenso período de germinação e rápido crescimento, além de as aplicações dependerem muito de condições climáticas para eficiência no controle (Horak & Loughin, 2000; Falk et al., 2006; Zanatta et al., 2008). Ademais, outro aspecto ligado a espécies desse gênero é o fato de que existem diversos relatos demonstrando que há rápida seleção e disseminação de biótipos resistentes a diversos grupos de herbicidas aplicados em pós-emergência (Falk et al., 2006; Patzoldt & tranel, 2007; Duff et al., 2009).

Em áreas do cerrado brasileiro com texturas de solo variadas, devido a alguns problemas de fitointoxicação da cultura, os cotonicultores têm utilizado doses abaixo das recomendadas. Segundo Evans et al. (2009), o mau uso e/ou redução das doses de herbicidas pré-emergentes têm alterado a eficiência no controle e afetado a sua atividade residual. No solo, a atividade residual é proporcional à dose empregada, à persistência e à capacidade do herbicida em permanecer na camada de solo onde está o banco de sementes. Muitas vezes, a dose de um herbicida – eficiente para controle pontual – pode apresentar limitada atividade residual. No caso da cultura do algodoeiro, é desejável que se obtenha a maior atividade residual possível, desde que em doses seletivas, de maneira a integrar o sistema de manejo das plantas daninhas na cultura.

É importante, portanto, que se entendam melhor os aspectos relacionados à eficácia das opções de herbicidas disponíveis para aplicação em pré-emergência na cultura do algodoeiro. Assim, o objetivo deste trabalho foi verificar o período de atividade residual proporcionado por alternativas herbicidas, aplicados em doses eficientes e em doses normalmente recomendadas para a cultura do algodoeiro.

 

MATERIAL E MÉTODOS

O trabalho foi conduzido em casa de vegetação do Departamento de Agronomia da Universidade Estadual de Maringá (UEM), entre outubro de 2008 e janeiro de 2009. Foram avaliadas as espécies Amaranthus hybridus, A. spinosus, A. lividus e A. viridis. As unidades experimentais foram constituídas de vasos preenchidos com 4 dm-3 de solo, que apresentava como características 20% de argila, 6% de silte, 24% de areia grossa, 50% de areia fina, 1,9% de matéria orgânica e pH 6,2, classificado como de textura franco-argiloarenosa.

Para avaliar a atividade residual dos herbicidas, fez-se a aplicação deles em diferentes datas, de modo que corresponderam ao número de dias antecedendo a semeadura das espécies de plantas daninhas. Foram avaliados períodos de tempo de 30, 20, 10 e 0 dias antes da semeadura das plantas daninhas. No dia 0, além de realizada a última aplicação, todos os vasos foram cuidadosamente semeados com 100 sementes de apenas uma espécie na profundidade de 1 cm, visando causar o mínimo distúrbio possível no solo. Dessa forma, pôde-se verificar o controle das plantas daninhas, após a permanência dos herbicidas no solo por períodos de 0, 10, 20 e 30 dias após a aplicação dos tratamentos (DAA). Para os tratamentos que receberam aplicação no dia 0, a semeadura foi realizada antes da aplicação.

Para cada espécie e herbicida em avaliação, foram conduzidos experimentos independentes. Os tratamentos foram constituídos pelos períodos de tempo entre a aplicação do herbicida e a semeadura da planta daninha (ou dias após a aplicação dos tratamentos – DAA). Para cada experimento, foi utilizado um delineamento em blocos casualizados, com quatro repetições.

Utilizou-se a dose recomendada de cada herbicida e a dose que promoveu controle de 95% (C95) das espécies de Amaranthus, obtidas em trabalho anteriormente realizado (Raimondi, 2009), todas representadas na Tabela 1. A dose recomendada de cada herbicida, utilizada para todas as espécies, geralmente é uma dose usual entre os cotonicultores (Tabela 1) e também embasada em trabalhos de seletividade conduzidos anteriormente (Arantes et al., 2008; Sant'ana et al., 2008). Em relação a trifluralin 450, trifluralin 600 e clomazone, foram usadas somente as doses recomendadas devido à ineficiência da faixa de doses utilizada por Raimondi (2009). Para a espécie A. viridis, não foi necessário acrescentar a dose recomendada do herbicida S-metolachlor, pois a dose C95 foi maior que a recomendada.

Nas épocas preestabelecidas para aplicação dos herbicidas, as unidades experimentais foram irrigadas com lâmina d'água de 15 mm, 24 horas antes da aplicação; portanto, a aplicação foi realizada com solo úmido. Na data de aplicação seguinte, decorrido o número de dias estabelecidos, foi realizada a irrigação dos vasos a serem pulverizados, conforme descrito anteriormente, e novamente irrigados os vasos que haviam recebido a aplicação dos tratamentos nas datas anteriores, utilizando lâmina d'água de 15 mm. Desse modo, os vasos com tratamentos referentes à aplicação dos herbicidas 30 dias antes da semeadura receberam quatro irrigações (total de 60 mm); os vasos que representavam aplicação 20 dias antes receberam três irrigações (45 mm); os vasos que foram pulverizados 10 dias antes receberam duas irrigações (30 mm); e os vasos que foram pulverizados no dia 0 receberam uma única irrigação (15 mm). Esse procedimento foi adotado para submeter as parcelas a condições pluviométricas normais de campo e não a períodos de estiagem. Ao término das aplicações e semeadas as plantas daninhas, irrigações foram feitas sempre que necessário.

Para aplicação dos tratamentos, foi utilizado um pulverizador costal pressurizado por CO2, munido de pontas XR110.02, mantido à pressão constante de trabalho de 35 lb pol-2, o que resultou em volume de calda de 200 L ha-1.

Foi realizada avaliação referente à porcentagem de controle (escala visual de 0 a 100%), em que 0% representa nenhum controle e 100% o controle total das plantas daninhas (SBCPD, 1995), aos 28 dias depois da sua semeadura. Os dados foram submetidos à análise de variância e, quando significativos a 5% de probabilidade pelo teste F, foram ajustados ao modelo de regressão linear ou pelo modelo não linear proposto por Streibig (1988):

em que: y = controle percentual; x = dias após a aplicação dos tratamentos (DAA); a, b e c = parâmetros estimados da equação, de forma que: a = amplitude entre o ponto máximo e o ponto mínimo da variável; b = período (DAA) que proporciona 50% de resposta da variável; e c = declividade da curva ao redor de b.

A escolha do modelo de regressão baseou-se no ajuste dos dados e no fenômeno biológico descrito. Quando possível, foi calculado o período de atividade residual da dose (em dias após aplicação – DAA) para controle mínimo de 80% (y > 80), por meio da equação de regressão ajustada. Foi utilizado o pacote estatístico SAEG 7.0 para a análise dos resultados.

 

RESULTADOS E DISCUSSÃO

A atividade residual dos herbicidas foi influenciada pela espécie e pela dose empregada. Na Tabela 2 está representada a duração da atividade residual dos herbicidas, para o controle mínimo de 80% das espécies (em dias após a aplicação – DAA), obtida por meio das equações de regressão ajustadas.

O herbicida alachlor, aplicado nas doses C95, teve atividade residual reduzida à medida que aumentou o período entre a aplicação e a semeadura das plantas daninhas (Figura 1). Para A. lividus, observou-se controle eficiente (>80%) somente até 8 DAA. O maior período de controle eficiente foi observado para A. viridis, até os 23 DAA. Quando utilizada a dose recomendada de alachlor, não houve aumento considerável da atividade residual para o controle das espécies, exceto em relação a A. viridis, para a qual se obteve controle efetivo (>80%) até 30 DAA. Para A. hybridus e A. lividus, o emprego da dose recomendada resultou em incremento de apenas um dia na atividade residual, não se observando qualquer ganho no controle de A. spinosus (Tabela 2). Ao comparar a dose C95 (596 g i.a. ha-1) com a dose recomendada (1.200 g i.a. ha-1) para A. spinosus, observa-se que, mesmo mediante aumento de 102% da dose, não houve aumento no período de atividade residual.

 

 

A atividade residual de um herbicida é função, principalmente, da persistência e da mobilidade no solo. Alachlor é considerado de moderada solubilidade e mobilidade, além de baixa adsorção, apresentando grande potencial de lixiviação. A sorção de herbicidas cloroacetamidas no solo, como o alachlor, depende da matéria orgânica no solo (Vasilakoglou et al., 2001; Ferri et al., 2005). Quando aplicado em solo com baixos teores de matéria orgânica e argila, pode resultar em menor atividade residual, mesmo com emprego de doses elevadas, devido à perda por lixiviação (Rodrigues & Almeida, 2005; Inoue et al., 2008).

Diferentemente do observado para alachlor, S-metolachlor promoveu controle eficiente das espécies até 30 DAA (Figura 2), tanto para a dose recomendada como para a dose C95. Steckel et al. (2002) observaram controle eficiente (95%) de A. rudis com S-metolachor a 940 g i.a. ha-1 até 28 DAA, em solo franco-argilossiltoso com 1,4% de matéria orgânica. Procópio et al. (2001) verificaram que, em solos com 22% de argila ou mais, S-metolachlor se concentrou quase que totalmente na profundidade de 0-5 cm, independentemente de a irrigação ter ocorrido antes ou depois da aplicação. Esse fato pode explicar a ótima eficiência do herbicida observada no presente trabalho (solo com 20% de argila), pois, quanto maior a sua concentração na superfície do solo, maior será a eficiência de controle das plantas daninhas. Observou-se ainda no trabalho de Procópio et al. (2001) que, em solo com teor de argila menor que 14%, o herbicida tendeu a movimentar-se para as suas camadas inferiores, em ambos os manejos de irrigação utilizados.

 

 

O diuron mostrou atividade residual consistente no solo, sendo extremamente eficiente para todas as espécies até os 30 DAA (Figura 3 e Tabela 2). Segundo Cruz & Toledo (1982), diuron a 1.000 g i.a. ha-1 garante controle eficiente (96%) das plantas daninhas até 45 DAA, em solo de textura argiloarenosa com 2,4% de matéria orgânica. Machado Neto & Moraes (1986/1991), em condições de campo, controlaram com eficiência A. viridis, até os 90 DAA, utilizando diuron a 1.600 g i.a. ha-1 em solo com 22% de argila e 2,7% de matéria orgânica. De acordo com Peñaherrera-Colina et al. (2005), diuron apresenta elevada persistência e pequena mobilidade no solo. Inoue et al. (2008) observaram que, sob precipitações de até 40 mm imediatamente após a aplicação, a movimentação do diuron (1.600 g i.a. ha-1) em solos arenosos (10% de argila) ficou restrita à camada de 0-5 cm e que lâminas d'água de 60 e 80 mm promoveram a movimentação do herbicida até no máximo à camada de 5-10 cm. Essas características de moderada adsorção e baixa mobilidade no solo proporcionam ao diuron longa atividade residual, além da elevada eficiência no controle das espécies suscetíveis, pelo fato de a maior quantidade do herbicida se concentrar na camada superficial do solo.

 

 

O prometryne, quando empregado nas doses C95, promoveu restrita atividade residual, não sendo suficiente para proporcionar controle satisfatório das espécies de Amaranthus por períodos de até 30 DAA (Figura 4). Pela equação de regressão ajustada, verifica-se que o controle se mantém igual ou superior a 80% entre períodos de 11 e 20 DAA em função das espécies, sendo A. spinosus aquela para a qual se observou menor período residual e A. hybridus aquela com maior período residual (Tabela 2). A utilização da dose recomendada prolongou a atividade residual até 29 DAA para A. hybridus e até 30 DAA para as demais espécies. Esses resultados demonstram que a atividade residual da prometryne é extremamente dependente da dose utilizada, devendo-se evitar o emprego de subdosagens.

 

 

Pendimethalin proporcionou controle excelente das espécies de Amaranthus até 30 DAA, em ambas as doses (Figura 5 e Tabela 2). Steckel et al. (2002) obtiveram controle eficiente (93%) de A. rudis até 28 DAA com pendimethalin a 930 g i.a. ha-1, em solo franco-argilossiltoso com 1,4% de matéria orgânica. De forma semelhante, Richardson et al. (2007), com pendimethalin a 690 g i.a. ha-1, obtiveram controle eficiente (96%) de A. hybridus até 56 DAA na cultura do algodoeiro, em solo franco-argilossiltoso com 1% de matéria orgânica.

 


 

A atividade residual de trifluralin 450 (1.125 g i.a. ha-1) foi suficiente para garantir controle satisfatório das plantas daninhas por períodos de até 30, 27, 23 e 17 DAA, para A. hybridus, A. viridis, A. lividus e A. spinosus, respectivamente (Figura 6 e Tabela 2). Trifluralin 600 (1.500 g i.a. ha-1) promoveu controle satisfatório (>80%) de A. lividus e A. spinosus até 29 e 28 DEAS, respectivamente. Para as demais espécies, o controle foi eficiente até 30 DAA (Figura 6 e Tabela 2). Cruz Grassi (1981), em experimentos na cultura do feijoeiro, verificaram que trifluralin a 760 g i.a. ha-1 em pré-plantio incorporado (PPI) proporcionou controle de 95% de A. viridis até 29 DAA, em solo com 22,5% de argila e 1,3% de matéria orgânica, não corroborando assim os resultados de Machado Neto & Moraes (1986/1991), em que trifluralin na dose de 960 g i.a. ha-1, aplicado em PPI, não foi eficiente no controle de A. viridis (78%), em solo com 22% de argila e 2,7% de matéria orgânica. Segundo Scott et al. (2002), trifluralin a 600 g i.a. ha-1, em PPI, não é suficiente para o controle eficiente de A. palmeri em solo franco-arenoso com 1,8% de matéria orgânica. Tavares et al. (1996) mencionaram que trifluralin é mais fortemente adsorvido pelos compostos orgânicos do que no solo, e o processo de dessorção em solos húmicos é menor, permanecendo retido e resultando em maior concentração de herbicida remanescente. Conforme Peter & Weber (1985), para controlar 80% de plantas daninhas com trifluralin, é necessário que a dose seja aumentada em 290 g i.a. ha-1 a cada 1% de aumento no teor de matéria orgânica do solo, o que pode explicar as diferenças de controle entre os trabalhos citados.

Em solos tropicais, a matéria orgânica e o teor de argila são componentes importantes da CTC dos solos, que é, em grande parte, responsável pela retenção dos herbicidas aplicados em pré-emergência. A persistência do herbicida no solo exerce influência no controle das plantas daninhas. Quando o herbicida é fortemente adsorvido nas partículas minerais e/ou matéria orgânica do solo, uma quantidade menor de ingrediente ativo fica disponível na solução solo para o controle das plantas daninhas, razão pela qual uma quantidade maior de produto é necessária. No entanto, quando está totalmente disponível na solução do solo, o controle inicial poderá ser mais efetivo, até mesmo com doses reduzidas do herbicida, apesar de ser maior o potencial de lixiviação e, consequentemente, o período residual ser mais curto. Nesse sentido, alguns estudos demonstram que o comportamento sortivo dos herbicidas apresenta correlação significativa com os teores de matéria orgânica, argila e CTC do solo (Vasilakoglou et al., 2001; Peñaherrera-Colina, 2005; Firmino et al., 2008; Jaremtchuk et al., 2009).

Apenas A. hybridus e A. spinosus não foram controladas satisfatoriamente até 30 DAA por oxyfluorfen, na dose C95 (Figura 7), porém o controle mínimo de 80% foi assegurado até 27 e 29 DAA para A. hybridus e A. spinosus, respectivamente. Quando utilizada a dose recomendada, o controle verificado para as duas espécies foi acima de 99% até 30 DAA. Quanto às demais espécies, ambas as doses apresentaram eficácia semelhante até 30 DAA (Tabela 2). Falk et al. (2006), em solo franco-siltoso e com 2,2% de matéria orgânica, verificaram controle de 93% de A. rudis com aplicação em pré-emergência de oxyfluorfen, na dose de 560 g i.a ha-1. Este herbicida tem como característica ser fortemente adsorvido, e a adsorção tende a aumentar com o incremento dos teores de matéria orgânica e argila (Rodrigues & Almeida, 2005). Nas condições de solo deste trabalho, o controle foi efetivo até 30 DAA em doses extremamente reduzidas, possivelmente devido aos baixos teores de argila e matéria orgânica.

 


 

Clomazone (1.000 g i.a. ha-1) teve seu efeito reduzido ao longo do período das aplicações (Figura 8), uma vez que a atividade residual não foi eficaz para o controle eficiente (>80%) de A. hybridus, A. lividus e A. spinosus até 30 DAA, com exceção de A. viridis. A extensão da atividade residual (controle > 80%) de clomazone foi de 12, 19, 14 e 30 DAA para A. hybridus, A. lividus, A. spinosus e A. viridis, respectivamente (Tabela 2). Biffe et al. (2007) verificaram controle de A. viridis de 93,5% até 45 DAA com 1.000 g i.a. ha-1 de clomazone, na cultura da mandioca, em solo com 10% de argila e 1% de matéria orgânica. Entretanto, Scott et al. (2002) não constataram controle algum (0%) de A. palmeri com aplicação de 600 g i.a. ha-1 de clomazone em solo franco-arenoso com 1,8% de matéria orgânica. O clomazone apresenta elevada solubilidade e moderada adsorção nos solos (Rodrigues & Almeida, 2005); portanto, a utilização de subdoses pode implicar menor atividade residual no solo.

 

 

É comum entre os cotonicultores o emprego de misturas entre herbicidas nas aplicações realizadas em pré-emergência da cultura. Um tratamento muito empregado é a mistura entre clomazone, prometryne e trifluralin, sendo as doses de acordo com a textura do solo. Trifluralin é adicionado no intuito de controlar Amaranthus spp., além de gramíneas – boa opção diante dos resultados de trifluralin 600 neste trabalho –, porém pode ser substituída por pendimethalin, mais eficiente neste trabalho e produto com semelhante espectro de controle. Sugere-se nesta aplicação a substituição de prometryne por diuron, haja vista o melhor desempenho deste último neste estudo. Como complemento ao tratamento pré-emergente, os cotonicultores têm utilizado S-metolachlor em pós-emergência precoce do algodão, conhecido pelas denominações de "over the top" ou "orelha de onça", para o controle de Commelina benghalensis, Alternanthera tenella, gramíneas e outras, mostrando ser uma boa opção também para o controle de Amaranthus spp.

Em suma, a atividade residual de alachlor e prometryne foi restrita na dose C95. O emprego da dose recomendada não se refletiu em aumento considerável da atividade residual de alachlor, exceto para A. viridis. Com exceção de A. hybridus, a dose recomendada de prometryne foi efetiva até 30 DAA. A dose C95 de oxyfluorfen não foi suficiente para garantir controle satisfatório até 30 DAA de A. hybridus e A. spinosus; no entanto, todas as espécies foram eficientemente controladas até 30 DAA pela dose recomendada. Clomazone não promoveu controle eficiente das espécies por períodos de até 30 DAA, exceto para A. viridis. Trifluralin 450 promoveu controle residual satisfatório até 30 DAA somente em relação a A. hybridus. Trifluralin 600 foi eficiente no controle de A. hybridus e A. viridis até 30 DAA e até 29 e 28 DAA para A. lividus e A. spinosus, respectivamente. Diuron, pendimethalin e S-metolachlor apresentaram atividade residual efetiva para todas as espécies até 30 DAA em ambas as doses, demonstrando atividade residual consistente em solo de textura franco-argiloarenosa (20% de argila e 1,9 de matéria orgânica

 

AGRADECIMENTOS

Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico do Brasil (CNPq-Brasil), pela concessão de bolsa de estudo.

 

LITERATURA CITADA

ARANTES, J. G. Z. et al. Seletividade de herbicidas aplicados em pré-emergência em duas variedades de algodão: II – Fitointoxicação. In: CONGRESSO BRASILEIRO DA CIÊNCIA DAS PLANTAS DANINHAS, 26., 2008, Ouro Preto. Anais... Ouro Preto: SBCPD, 2008. CD-ROM.         [ Links ]

BIFFE, D. F. et al. Avaliação do herbicida diuron em pré-emergência no controle de seis plantas daninhas na cultura de Manihot esculenta. Raízes Amidos Trop., v. 3, n. 1, 2007. Disponível em: <http://www.cerat.unesp.br/revistarat/volume3/artigos/33%20denis%20fernando%20biffe.pdf>. Acesso em: 10 out. 2008.         [ Links ]

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Recebido para publicação em 9.6.2010 e na forma revisada em 17.12.2010.

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