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Brazilian Journal of Botany

On-line version ISSN 1806-9959

Rev. bras. Bot. vol. 21 n. 2 São Paulo Aug. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-84041998000200003 

Ocorrências novas de briófitas para o Brasil

 

MARIA ISABEL M. N. DE OLIVEIRA E SILVA1 e OLGA YANO2

 

(recebido em 22/04/97; aceito em 20/01/98)

 

 

ABSTRACT - (New occurrences of bryophytes from Brazil). The floristic inventory of two municipalities located in the state of Rio de Janeiro has revealed seven new species of bryophytes for Brazil: Bryum renauldii Ren. & Card., Harpalejeunea uncinata Steph., Kymatocalyx dominicensis (Spruce) Váña, Lejeunea minutiloba Evans, Macrocoma frigidum (C. Müll.) Vitt, Pireella cymbifolia (Sull.) Card. and Tortula rhizophylla (Sak.) Iwats. & Saito and a new species from the state of Rio de Janeiro, Lejeunea caespitosa Lindenb. ex G. L. & Nees, thus once more modifying the worldwide range of species of bryophytes.

RESUMO - (Ocorrências novas de briófitas para o Brasil). Os inventários florísticos de dois municípios no estado do Rio de Janeiro evidenciaram a presença de sete novas espécies de briófitas para o Brasil: Bryum renauldii Ren. & Card., Harpalejeunea uncinata Steph., Kymatocalyx dominicensis (Spruce) Váña, Lejeunea minutiloba Evans, Macrocoma frigidum (C. Müll.) Vitt, Pireella cymbifolia (Sull.) Card. e Tortula rhizophylla (Sak.) Iwats. & Saito e uma nova espécie para o estado do Rio de Janeiro, Lejeunea caespitosa Lindenb. ex G. L. & Nees, modificando mais uma vez os padrões de distribuição geográfica mundial das espécies de briófitas.

Key words - bryophytes, liverworts, mosses, geographical distribution

 

 

Introdução

Neste trabalho são apresentados os primeiros resultados do levantamento da flora briofítica de duas áreas representativas de Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro.

A intensificação dos estudos de florística em briófitas tem demonstrado que muitos casos de disjunções existentes no momento (Pôrto & Yano 1985, Lisboa & Yano 1987, Yano et al. 1987, Gradstein et al. 1993, Lisboa 1993, 1994, Schäfer-Verwimp & Giancotti 1993, Costa & Yano 1996) e a ocorrência de espécies muitas vezes consideradas endêmicas (Oliveira e Silva & Feitosa 1997) correspondem, na verdade, à falta de coletas em diferentes ecossistemas.

Objetivando contribuir com a ampliação da distribuição geográfica mundial das briófitas, são apresentadas sete novas referências para o Brasil e uma para o estado do Rio de Janeiro, com base nos trabalhos de Yano (1981, 1984a, 1989, 1995, 1996).

 

Material e métodos

As briófitas foram coletadas no período de outubro de 1992 a maio de 1995, nas seguintes áreas de Mata Atlântica do estado do Rio de Janeiro: Reserva Ecológica de Rio das Pedras (RERP), município de Mangaratiba e Parque Estadual da Ilha Grande (PEIG), município de Angra dos Reis, num total de 45 viagens. Os exemplares foram coletados aleatoriamente e preservados, seguindo-se a metodologia de Yano (1984b).

As lâminas utilizadas para a caracterização taxonômica foram montadas em solução de Hoyer (Schofield 1985), que permite a confecção de material semi-permanente, objetivando a formação de um laminário de referência.

A identificação foi feita com auxílio de chaves e bibliografia especializada (Evans 1903, Bartram 1949, Crum & Steere 1957, Florschütz 1964, Fulford 1976, Schuster 1980, Sharp et al. 1994). Exemplares de difícil delimitação específica foram enviados para especialistas a fim de terem confirmadas suas identificações. Os sistemas de classificação adotados basearam-se em Schuster (1984) para Hepaticopsida e Vitt (1984) para Bryopsida.

O material estudado está depositado nas coleções científicas do Departamento de Biologia Animal e Vegetal do Instituto de Biologia da Universidade do Estado do Rio de Janeiro (UERJ) e no Herbário do Estado "Maria Eneyda P. Kaufmann Fidalgo", do Instituto de Botânica (SP).

 

Resultados e Discussão

Foram encontradas sete novas referências para o Brasil e uma nova para o estado do Rio de Janeiro, sendo quatro de Hepatophyta e quatro de Bryophyta, a maioria com distribuição neotropical e paleotropical.

As espécies com maior número de amostras coletadas são Lejeunea minutiloba Evans e Kymatocalyx dominicensis (Spruce) Váña, com 26 e 11 exemplares, respectivamente.

Kymatocalyx dominicensis (Spruce) Váña, Österr. Bot. Zeitschr. 118: 572. f. 15.1970.

Figuras 1-5.

Basiônimo: Jungermannia dominicensis Spruce, J. Linn. Soc. Bot. 30: 363. pl. 29, f. 1-3. 1895.

Tipo: República Dominicana, col. Elliott.

Gametófitos pequenos, verde-claros, prostrados, formando tapetes densos ou misturados entre outras briófitas. Caulídio prostrado aderido ao substrato por numerosos rizóides incolores. Filídios súcubos, inseridos obliquamente ou sub-transversalmente, distantes a sub-imbricados, ovais a elípticos, margem inteira emarginada. Células apicais 13 x 16 mm, sem trigônios. Anfigastros ausentes. Inflorescência feminina terminal, brácteas e bractéolas em três séries, sendo maiores que os filídios. Perianto longo, cilíndrico, plicado, abertura com margem crenulada.

Distribuição geográfica: Caribe (Fulford 1976).

Material estudado: Rio de Janeiro, município de Angra dos Reis, Ilha Grande, PEIG, trilha para Vila Dois Rios, sobre barranco e sobre pedra, úmido, M.I.M.N. Oliveira e Silva 1603 e 1610, 14-VI-1994 (UERJ 6029 e 4843); idem, M.I.M.N. Oliveira e Silva 2008, 16-VIII-1994 (UERJ 4844); idem, caminho para Palmas, sobre pedra, úmido, M.I.M.N. Oliveira e Silva 2054, 23-VIII-1994 (UERJ 4848); idem, caminho para Vila Dois Rios, sobre barranco, úmido, na sombra, 300 m alt., fértil, M.I.M.N. Oliveira e Silva 2369 e 2378, 23-X-1994 (UERJ 4847 e 4849); idem, sobre barranco, úmido, na sombra, 320 m alt., associada à Philonotis uncinata, M.I.M.N. Oliveira e Silva 2379 e 2380, 23-X-1994 (UERJ 4850 e 4850-A); idem, sobre barranco, na sombra, 160 m alt., associada à P. uncinata, col. M.I.M.N. Oliveira e Silva 2430, 23-X-1994 (UERJ 4845); idem, trilha para Vila Dois Rios, sobre barranco, fértil, sob luz, úmido, 210 m alt., M.I.M.N. Oliveira e Silva 3154, 23-X-1994 (UERJ 4846); idem, em barranco úmido na estrada ca. 220 m alt., O. Yano, M.I.M.N. Oliveira e Silva & M.H.P.B. Fonseca 23786, 21-III-1995 (SP 282128).

Os exemplares coletados demonstraram preferência por ambientes úmidos e sombreados, crescendo sobre barrancos, tendo sido encontrado também sobre pedra. Um exemplar com esporófito foi coletado em ambiente iluminado e muitos espécimes encontravam-se associados à Philonotis uncinata (Schwaegr.) Brid. Os exemplares só foram coletados na Ilha Grande, município de Angra dos Reis. Kymatocalyx dominicencis é muito semelhante à K. stoloniferus Herzog que caracteriza-se pela disposição longo-oblíqua dos filídios sub-rotundos e pela fusão das brácteas da inflorescência feminina (Fulford 1976).

Harpalejeunea uncinata Steph., Hedwigia 35: 97. 1896.

Figuras 6-10.

 

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Figuras 1-5. Kymatocalyx dominicensis. 1. Aspecto geral do gametófito; 2. Filídio; 3. Perigônio; 4. Células da região mediana do filídio; 5. Células do bordo do filídio. Figuras 6-10. Harpalejeunea uncinata. 6. Aspecto geral do gametófito; 7. Células da região mediana do filídio; 8. Lóbulo; 9. Anfigastros; 10. Ápice do filídio. 

 

Tipo: Luquilo Montains, col. Heller.

Gametófitos verde-claros a castanhos, formando filamentos prostrados. Caulídios rastejantes, frouxamente aderidos ao substrato, ramificados. Filídios contíguos a ligeiramente imbricados. Lobo falcado-ovalado, 300-360 x 200-250 mm, margem inteira; ápice abruptamente apiculado a cuspidado, terminando por uma fileira de 2-6 células. Lóbulo grande ovóide, inflado, 120-130 x 80-85 mm. Células retangulares a hexagonais, de parede reta, fina, 89 x 6-7 mm as marginais, 13-20 x 10-12 mm as centrais. Anfigastros pequenos, distantes uns dos outros, tão largos quanto o caulídio, 60 x 72 mm; ápice dos lóbulos arredondados e sinus em "V". Esporófito não observado.

Distribuição geográfica: Caribe (Evans 1903).

Material estudado: Rio de Janeiro, município de Mangaratiba, km 54 da rodovia Rio-Santos, RERP, associadas à Drepanolejeunea orthophylla e Aphanolejeunea diaphana, sobre folhas, M.I.M.N. Oliveira e Silva 911, 4-XI-1993 (UERJ 3949); idem, sobre árvore, sob luz, associada à Metzgeria albinea, Lejeunea glaucescens, Neckeropsis undulata e Calymperes afzelli, M.I.M.N. Oliveira e Silva 1359, 9-III-1994 (UERJ 2164); idem, município de Angra dos Reis, PEIG, trilha para Vila Dois Rios, sobre tronco, sob luz, úmido, 150 m alt., associada à Frullania brasiliensis, M.I.M.N. Oliveira e Silva 3139, 22-III-1995 (UERJ 3530).

Segundo Evans (1903), a espécie é corticícola; entretanto, nas áreas estudadas, além de dois exemplares sobre córtex associados à Lejeunea glaucescens Gott., Frullania brasiliensis Raddi, Neckeropsis undulata (Hedw.) Reichardt e Calymperes afzelli Sw., foi coletado um exemplar epífilo associado à Drepanolejeunea orthophylla (Nees & Mont.) Bischler e Aphanolejeunea diaphana (Evans) Schuster .

Lejeunea caespitosa Lindenb. ex G.L. & Nees, in G.L. & Nees, Syn. Hepat., 382. 1845.

Figuras 11-15.

Tipo: África (Promontoria Bonae Spei in South Africa).

Gametófitos pequenos, verde-claros, formando filamentos prostrados. Caulídio ramificado, formado por 7-8 células corticais e 3-4 células medulares de parede espessa em secção transversal. Filídios contíguos a imbricados, complanados, oblíquos a expandidos. Lobo ovalado, 102-123 x 73-94 mm; margem inteira; ápice obtuso. Lóbulos polimórficos, variando de reduzidos a ovalados inflados. Células hexagonais, 10,0-13,7 x 6,8-10,3 mm as marginais, 13,7-12,0 x 6,8-12,0 mm as centrais, sem trigônios, parede espessa. Anfigastros pequenos, distantes, 89 x 77 mm, com um sinus grande em forma de" U", merófito ventral com duas células de largura. Esporófito não observado.

Distribuição geográfica: África, Caribe e Estados Unidos da América - Florida (Schuster 1980); recentemente citada para São Paulo (Schäfer-Verwimp & Giancotti 1993).

Material estudado: Rio de Janeiro, município de Mangaratiba, km 54 da rodovia Rio-Santos, RERP, sobre folha, M.I.M.N. Oliveira e Silva 1295, 1-II-1994 (UERJ 6005-A); idem, município de Angra dos Reis, Ilha Grande, PEIG, trilha para o Pico do Papagaio, sobre árvore, úmido, na sombra, 280 m alt., M.I.M.N. Oliveira e Silva 1846, 12-VII-1994 (UERJ 6005); idem, sobre pedra, sob luz, úmido, 100 m alt., M.I.M.N. Oliveira e Silva 3008, 21-III-1995 (UERJ 6012); idem, sobre tronco de jaqueira, 50 m alt., O. Yano, M.I.M.N. Oliveira e Silva & M.H.P.B. Fonseca 23548, 21-III-1995 (SP 281922); idem, epífila de arbusto, O. Yano, M.I.M.N. Oliveira e Silva & M.H.P.B. Fonseca 23570, 21-III-1995 (SP 281941).

Segundo Schuster (1980), L. caespitosa é uma espécie corticícola e raramente epífila. Nos dois municípios de coleta foi possível constatar o crescimento de exemplares em ambiente úmido, sombrio, entre 50-280 m alt., e nos seguintes substratos: folhas vivas, córtex de árvores e sobre pedra. Schuster (1980) relata que L. caespitosa é uma espécie de morfologia muito variada e de difícil delimitação, sendo seu aspecto mais típico caracterizado por um anfigastro profundamente bífido com sinus largo, lobos estreitos com 2-4 células na base, 2-4 vezes mais longos que largos, um ou ambos os lados com 1 dente obtuso; lóbulos dos filídios polimórficos. Os materiais estudados apresentaram-se dentro desta delimitação.

Lejeunea minutiloba Evans, Bull. Torrey Bot. Club 44: 525. pl. 24. 1917.

Figuras 16-21.

 

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Figuras 11-15. Lejeunea caespitosa. 11. Aspecto geral do gametófito; 12. Lóbulos; 13. Filídio; 14. Secção transversal do caulídio; 15. Anfigastro. Figuras 16-21. Lejeunea minutiloba. 16. Aspecto geral do gametófito; 17. Células da região mediana do filídio; 18. Células do bordo do filídio; 19. Anfigastro; 20. Lóbulo; 21. Secção transversal do caulídio. 

 

Tipo: Crown, St. Thomas, Virgin Is., W.I. col. Britton & Marble 1365 (NY, Y).

Gametófitos pequenos, verde-claros, formando filamentos prostrados. Caulídio ramificado, formado por 7-8 células corticais e muitas células medulares de parede fina em seção transversal. Filídios contíguos a imbricados, complanados, oblíquos a expandidos. Lobo ovalado, 770 x 62 mm; margem inteira; ápice obtuso. Lóbulos muito pequenos em relação ao lobo, 66-67 x 180 mm. Células ovais a hexagonais, 29,0-39,4 x 25,0-36,0 mm as centrais, 13,7-29,0 x 13,7 mm as marginais, sem trigônios e com parede fina. Anfigastros pequenos, distantes, 150 x 171 mm; merófito ventral com duascélulas de largura. Esporófito não observado.

Distribuição geográfica: Caribe e sul dos Estados Unidos da América (Schuster 1980).

Material estudado: Rio de Janeiro, município de Mangaratiba, km 54 da rodovia Rio-Santos, RERP, sobre tronco caído, sombra, M.I.M.N. Oliveira e Silva 198, 25-III-1993 (UERJ 6081); idem, sobre casca de palmeira e caule de bananeira em decomposição, sobre frondes de pteridófitas e folhas de begônias, na sombra, úmido, M.I.M.N. Oliveira e Silva 305, 316 e 350, 15-IV-1993 (UERJ 3857, 3858 e 3824); idem, sobre folha e raiz em riacho, úmido, na sombra, M.I.M.N. Oliveira e Silva 499, 500 e 510, 27-V-1993 (UERJ 3859, 3860 e 3861); idem, sobre madeira de construção em decomposição, na sombra, úmido, M.I.M.N. Oliveira e Silva 557, 22-VII-1993 (UERJ 3862); idem, sobre tronco caído, na sombra, úmido, associada à Sematophyllum caespitosum, M.I.M.N. Oliveira e Silva 569-A, 5-VIII-1993 (UERJ 6084); idem, sobre folhas úmidas, ao sol, associada à Crossomitrium patrisiae, M.I.M.N. Oliveira e Silva 644, 5-VIII-1993 (UERJ 3863); idem, sobre cipó, úmido, na sombra, associada à S. caespitosum, M.I.M.N. Oliveira e Silva 650, 5-VIII-1993 (UERJ 3826); idem, sobre folha, úmido, associada à C. patrisiae e Metzgeria angusta, M.I.M.N. Oliveira e Silva 850, 21-X-1993 (UERJ 6091); idem, sobre árvore, na sombra, associada à S. caespitosum e Helicodontium capillare, M.I.M.N. Oliveira e Silva 1001, 18-XI-1993 (UERJ 6092); idem, sobre folha de Dorstenia sp. e sobre palmeira, M.I.M.N. Oliveira e Silva 1297, 1302, 1303 e 1337, 1-II-1994 (UERJ 6100, 3843, 3844 e 6105); idem, sobre pedra, seco, na sombra, 420 m alt., M.I.M.N. Oliveira e Silva 1512, 28-IV-1994 (UERJ 6004); idem, sobre tronco caído em decomposição, 245 m alt., M.I.M.N. Oliveira e Silva 1803, 23-VIII-1994 (UERJ 6115); município de Angra dos Reis, Ilha Grande, PEIG, caminho da praia das Palmas, sobre pedra, úmido, M.I.M.N. Oliveira e Silva 2057, 23-VIII-1994 (UERJ 6119); idem, sobre pteridófita, sombra, 180 m alt., associada à C. patrisiae, M.I.M.N. Oliveira e Silva 2026, 4-VIII-1994 (UERJ 3866); município de Mangaratiba, km 54 da rodovia Rio-Santos, RERP, sobre tronco em decomposição, úmido, 200 m alt., na sombra, M.I.M.N. Oliveira e Silva 2358, 6-X-1994 (UERJ 6138); município de Angra dos Reis, Ilha Grande, Freguesia de Santana, lado Sul, caminho para lagoa Azul, beira mar, sobre pedra, sob luz, seco, M.I.M.N. Oliveira e Silva 2705, 10-I-1995 (UERJ 6143); idem, lado Leste, sobre pedra, na sombra, 20 m alt., seco, M.I.M.N. Oliveira e Silva 2722, 10-I-1995 (UERJ 6144); idem, sobre tronco, seco, na sombra, 880 m alt., associada à Schlotheimia rugifolia, M.I.M.N. Oliveira e Silva 3120, 21-III-1995 (UERJ 6155); idem, sobre pedra, sob luz, cachoeira, 60 m alt., M.I.M.N. Oliveira e Silva 4152, 16-V-1995 (UERJ 3867).

Segundo Schuster (1980) a espécie ocorre sobre rochas, córtex, folhas e frondes de pteridófitas podendo estar associada, nesses diferentes substratos, a Lejeunea flava (Sw.) Nees, Caudalejeunea lehmanniana (Gott.) Evans, Aphanolejeunea sp., Cololejeunea sp., Rectolejeunea phyllobola (Nees & Mont.) Evans, Lopholejeunea subfusca (Nees) Schiffner e sobre troncos mortos associada à Lejeunea glaucescens Gott. podendo ser caracterizada pelos lóbulos vestigiais e anfigastros pequenos. O material estudado foi encontrado em diversos substratos tais como: troncos em decomposição, sendo esse o substrato de preferência; folhas de begônias e de Dorstenia sp.; fronde de pteridófitas; córtex vivo, estando aí associado à Sematophyllum caespitosum (Hedw.) Mitt. e Helicodontium capillare (Hedw.) Jaeg.; pedras; raízes e cipós. Exemplares coletados sobre folhas foram encontrados associados à Crossomitrium patrisiae (Brid.) C. Müll. e Metzgeria angusta Steph. A espécie cresce preferencialmente em ambientes úmidos e sombrios desde o nível do mar até 880 m alt.

Macrocoma frigidum (C. Müll.) Vitt, Revue Bryol. Lichénol. 39: 209. 1973. 

Figuras 22-30.

 

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Figuras 22-30. Macrocoma frigidum. 22. Aspecto geral do gametófito; 23. Ápice de ramo jovem seco; 24. Cápsula seca; 25. Cápsula; 26. Filídio; 27. Secção transversal do filídio; 28. Células da região apical do filídio; 29. Células das regiões mediana e marginal do filídio; 30. Células da região basal do filídio.

 

Basiônimo: Macromitrium frigidum C. Müll., Bot. Ztg 15: 579. 1859.

Tipo: Nova Granada, Prov. Rio Horcha, Sierra Nevada, col. Schlim (NY, holótipo).

Gametófitos delicados, 20 mm compr., verde-escuros, formando um tapete, as partes mais jovens verde-clara a verde-oliva. Caulídio rastejante, com ramos secundários eretos. Filídios eretos adpressos quando secos, eretos patentes quando úmidos, 1 mm compr., fortemente quilhados, oblongo-lanceolados a estreitamente ovalado-lanceolados; ápice agudo; costa percurrente, terminando logo abaixo do ápice; seção transversal do filídio com células mamilosas, arredondadas, 12,0 x 7,2 mm, tornando-se quadráticas próximo à margem; células da região basal arredondadas na margem e elípticas próximo à costa. Seta 4 mm compr.; cápsula 1,5 mm compr., oblonga a estreitamente ovóide, fortemente estriada.

Distribuição geográfica: Colômbia e México (Sharp et al. 1994).

Material estudado: Rio de Janeiro, município de Angra dos Reis, Ilha Grande, PEIG, trilha para Dois Rios, sobre árvore, seco, sombra, material fértil, M.I.M.N. Oliveira e Silva 1600, 14-VI-1994 (UERJ 1992); idem, PEIG, trilha para o Pico do Papagaio, sobre tronco de árvore, 910 m alt., M.I.M.N. Oliveira e Silva 1945, 12-VII-1994 (UERJ 2005); idem, PEIG, caminho para Lopes Mendes, sobre árvore, sombra, úmido, fértil, ao nível do mar, M.I.M.N. Oliveira e Silva 2954, 21-II-1995 (UERJ 1990).

A espécie foi coletada somente no PEIG, município de Angra dos Reis, crescendo sobre córtex de árvores vivas em ambientes seco ou úmido e sombrio, em altitudes variáveis, do nível do mar até 910 m. Caracteriza-se pelas células superiores mamilosas e cápsula fortemente estriada diferenciando-se de M. brasiliensis (C. Müll.) Vitt, que apresenta cápsula lisa a ligeiramente estriada (Sharp et al. 1994).

Bryum renauldii Ren. & Card., Bull. Soc. Roy. Bot. Belgique 38 (1): 13. 1900.

Figuras 31-36.

Tipo: Costa Rica, Sanchez prope San José (H, isótipo).

Gametófitos pequenos, verde-claros, 10 mm compr., formando tufos. Caulídio simples. Filídios dispostos espiraladamente no caulídio, distantes uns dos outros, dobrados a enrolados quando secos, sub-orbiculares; ápice obtuso a arredondado; base decurrente; margem inteira com células diferenciadas, alongadas, ligeiramente reflexa; costa percurrente; células superiores pequenas, 8,5-30,0 x 5,0-8,5 mm, rombóide-hexagonais a hexagonais de parede delgada; células basais maiores, retangulares, 25,0-54,0 x 8,5-17,0 mm. Esporófito não observado.

Distribuição geográfica: Costa Rica, Equador, Honduras e México (Sharp et al. 1994).

Material estudado: Rio de Janeiro, município de Angra dos Reis, Ilha Grande, PEIG, caminho da Parnaioca, sobre pedra, na margem de rio de água salobra, sob intensa luminosidade e umidade, ao nível do mar, M.I.M.N. Oliveira e Silva 4198, 16-V-1995 (UERJ 2383).

Material coletado sobre pedra, à beira de rio de água salobra, em ambiente ensolarado e úmido, ao nível do mar, recebendo borrifos de água salgada. A espécie apresenta um ápice obtuso muito característico, formado por um arranjo celular típico (figura 36).

Pireella cymbifolia (Sull.) Card., Revue Bryol. 40: 17. 1913.

Figuras 37-42.

 

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Figuras 31-36. Bryum renauldii. 31. Aspecto geral do gametófito; 32-33. Filídios; 34. Células das regiões mediana e marginal do filídio; 35. Células da região basal do filídio; 36. Células da região apical do filídio. Figuras 37- 42. Pireella cymbifolia. 37. Aspecto geral do gametófito; 38-39. Filídios; 40. Células da região apical do filídio; 41. Células da região mediana do filídio; 42. Células da região basal do filídio.

 

Basiônimo: Pilotrichum cymbifolium Sull. in Gray, Man. Bot.: 681. 1856.

Tipo: Estados Unidos da América (Flórida).

Gametófitos pequenos, verde-claros, formando tufos emaranhados. Caulídios prostrados, ramificados. Filídios ereto-expandidos quando secos, esquarrosos quando úmidos; côncavos, oblongo-lanceolados, 0,8-1,0 x 0,4-0,6 mm; costa espessa excurrente; ápice agudo; margem lisa; células superiores linear-sinuosas, 10,0-24,0 x 2,4-5,1 mm; células basais irregulares, quadráticas a retangulares. Esporófito não observado.

Distribuição geográfica: América do Sul, Caribe, Estados Unidos da América (Geórgia, Flórida e Luisiana) e México (Sharp et al. 1994).

Material estudado: Rio de Janeiro, município de Mangaratiba, RERP, sobre árvore, seco, sombra, M.I.M.N. Oliveira e Silva 1431, 7-IV-1994, det. W.R. Buck (UERJ 3526).

Apenas um exemplar foi coletado no município de Mangaratiba crescendo sobre córtex de árvore viva, em ambiente seco e sombrio. Difere de Pireella pohlii (Schwaegr.) Card., pois esta espécie apresenta ramificação pinado-frondosa e filídios com região alar inconspícua (Sharp et al. 1994).

Tortula rhizophylla (Sak.) Iwats. & Saito, Misc. Bryol. Lichénol. 6: 59. 1972.

Figuras 43-48.

 

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Figuras 43-48. Tortula rhizophylla. 43. Aspecto geral do gametófito; 44. Células da região apical do filídio; 45. Células da região marginal do filídio; 46. Células da região mediana do filídio; 47. Células da região basal do filídio; 48. Secção transversal do filídio.

 

Basiônimo: Physcomitrium rhizophyllum Sak., Bot. Mag. Tokyo 52: 469. 1938.

Tipo: Japão, Kumamoto Pref., Kuma-gun, Konose-mura, col. H. Takahashi, 5-X-1936 (herb. Takaki, TNS).

Gametófitos pequenos, verde-escuros, 1-4 mm compr., formando tufos frouxos. Rizóides com gemas terminais, irregulares, castanhos. Filídios enrolados quando secos, dispostos no caulídio espira-ladamente e distantes uns dos outros quando úmidos, espatulados, 1,0-2,0 x 0,4 mm; ápice agudo; margem crenulada, plana; costa verde-amarelada delgada, percurrente; células supe-riores lisas, arredondado-hexagonais, com parede pouco espessada nos ângulos, 8-20 x 12-20 mm; as marginais menores, 4-16 x 4-8 mm, em uma só fila; uma célula apical grande, 48 x 12 mm, castanha a hialina; células basais quadráticas. Esporófito não observado.

Distribuição geográfica: Austrália, Bolívia, Estados Unidos da América (Luisiana), Grã-Bretanha, Havaí, Japão e México (Sharp et al. 1994).

Material estudado: Rio de Janeiro, município de Angra dos Reis, Ilha Grande, enseada da Estrela, sobre pedra, na sombra, seco, ao nível do mar, M.I.M.N. Oliveira e Silva 2818, 10-I-1995 (UERJ 1952).

Apenas um exemplar foi coletado na Ilha Grande crescendo sobre pedra, em ambiente seco e sombrio. As caraterísticas que facilmente identificam a espécie são: em seção transversal o arranjo típico das células na região da costa (figura 48) e em vista frontal o formato arredondado das células do filídio e a célula longa e hialina que forma o ápice.

 

Agradecimentos - As autoras agradecem ao Club Méditerranée e ao Instituto Estadual de Florestas, pela permissão de coleta nas Reservas citadas; ao Dr. W. R. Buck, do New York Botanical Garden, pela identificação de Pireella cymbifolia e à desenhista Dulce Nascimento, pela cobertura a nanquim das ilustrações.

 

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1. Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rua São Francisco Xavier 524, Pavilhão Haroldo Lisboa da Cunha, 20550-013 Rio de Janeiro, RJ, Brasil.

2. Instituto de Botânica, Caixa Postal 4005, 01061-970 São Paulo, SP, Brasil.