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Brazilian Journal of Botany

Print version ISSN 0100-8404On-line version ISSN 1806-9959

Revta. brasil. Bot. vol. 21 n. 3 São Paulo Dec. 1998

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-84041998000300001 

As espécies de Machaerium Pers. (Leguminosae - Papilionoideae - Dalbergieae) ocorrentes no estado de São Paulo1 

 

ÂNGELA L. BAGNATORI SARTORI2 ,3  e ANA M.G. AZEVEDO TOZZI2,4 

 

(recebido em 09/09/96; aceito em 25/02/98)

 

 

ABSTRACT - (The species of Machaerium Pers. (Leguminosae - Papilionoideae - Dalbergieae) from the state of São Paulo). The genus Machaerium is represented in the state of São Paulo by 17 species: M. acutifolium Vog., M. amplum Benth., M. brasiliense Vog., M. cantarellianum Hoehne, M. declinatum (Vell.) Stellfeld, M. dimorphandrum Hoehne, M. hirtum (Vell.) Stellfeld, M. lanceolatum (Vell.) J.F. Macbr., M. nictitans (Vell.) Benth., M. oblongifolium Vog., M. paraguariense Hassl., M. scleroxylon Tul., M. stipitatum Vog., M. triste Vog., M. uncinatum (Vell.) Benth., M. vestitum Vog. e M. villosum Vog. A key to the species, descriptions, commentaries, illustrations and data on distribution are provided.

RESUMO - (As espécies de Machaerium Pers. (Leguminosae - Papilionoideae - Dalbergieae) ocorrentes no estado de São Paulo). Machaerium Pers. está representado no estado de São Paulo por 17 espécies: M. acutifolium Vog., M. amplum Benth., M. brasiliense Vog., M. cantarellianum Hoehne, M. declinatum (Vell.) Stellfeld, M. dimorphandrum Hoehne, M. hirtum (Vell.) Stellfeld, M. lanceolatum (Vell.) F.J. Macbr., M. nictitans (Vell.) Benth., M. oblongifolium Vog., M. paraguariense Hassl., M. scleroxylon Tul., M. stipitatum Vog., M. triste Vog., M. uncinatum (Vell.) Benth., M. vestitum Vog. e M. villosum Vog. Uma chave para as espécies, descrições, comentários, ilustrações e dados de distribuição são fornecidos.

Key words - Leguminosae - Papilionoideae, Machaerium, São Paulo, Brazil

 

 

Introdução

Machaerium, descrito por Persoon (1807), está subordinado à subfamília Papilionoideae e à tribo Dalbergieae Bronn ex DC., que consiste de 19 gêneros e aproximadamente 300 espécies(Polhill 1981).

Figura como um dos maiores gêneros arbóreos tropicais de leguminosas, compreendendo atualmente cerca de 130 espécies, distribuídas do México à Argentina, com um representante ocorrendo na costa oeste africana (Rudd 1977). No Brasil foi constatado o maior número de espécies, que variam de árvores a plantas escandentes, inermes ou espinescentes. As formas escandentes predominam na hiléia amazônica, enquanto as arbóreas, no sul do Brasil (Ducke 1949).

O gênero foi revisado por Bentham (1860), que tratou 56 espécies e por Hoehne (1941), que reconheceu 121 espécies. Outros trabalhos taxonômicos restringiram-se à descrição de novas espécies ou a tratamentos parciais, englobando apenas algumas delas, como os de Vogel (1837), Loefgren (1905), Macbride (1943), Tamayo (1945), Rudd (1973, 1977, 1987), Bastos (1987) e Lewis (1987).

No estado de São Paulo, as espécies ocorrem em diversas formações vegetacionais, como mata atlântica (Silva 1982), mata mesófila semidecídua de altitude (Rodrigues et al. 1988), mata mesófila semidecídua (Assumpção et al. 1982), mata ciliar (Durigan & Nogueira 1990 e Salis et al. 1994), restinga (Garcia 1992) e cerrado (Mantovani & Martins 1993), compondo de forma significativa a fisionomia da vegetação onde ocorrem.

Com base nestes trabalhos e em outros existentes na literatura científica, constatou-se que foram citados 25 binômios de Machaerium para o estado de São Paulo. Destes, M. aculeatum Raddi, M. angustifolium Vog., M. brasiliense Vog., M. triste Vog., M. oblongifolium Vog., M. stipitatum Vog., M. paraguariense Hassl., M. vestitum Vog., M. nictitans (Vell.) Benth., M. floridum (Mart.) Ducke e M. kuhlmannii Hoehne apresentam problemas de delimitação específica, resultando freqüentemente em identificações incorretas.

Este trabalho teve por objetivos efetuar o levantamento das espécies de Machaerium ocorrentes no estado de São Paulo, elaborar as descrições, as ilustrações e a chave de identificação destas espécies, assim como atualizar informações sobre a distribuição geográfica.

 

Material e métodos

O presente estudo foi baseado na análise de exsicatas pertencentes a herbários nacionais e estrangeiros, cujas siglas estão de acordo com Holmgren et al. (1990) e nos espécimes coletados e observados em localidades distintas do estado de São Paulo.

Na identificação das plantas foram utilizadas chaves de identificação, comparação com descrições e com o material tipo ou fotografia do mesmo, quando possível. Os táxons foram tratados em categoria específica.

As espécies estão apresentadas de acordo com suas afinidades naturais e a sinonímia incluiu apenas os sinônimos posteriores àqueles listados no trabalho de Hoehne (1941). As descrições correspondem à amplitude de variação morfológica dos espécimes coletados no estado de São Paulo, complementadas pelas informações dos coletores e por observações de campo. A terminologia morfológica foi baseada nos trabalhos de Lawrence (1951) e Radford et al. (1974). Após a descrição, segue a relação do material examinado, que se restringe a espécimes selecionados para algumas espécies - a listagem completa das exsicatas analisadas pode ser obtida em Sartori (1994). As ilustrações das estruturas florais foram confeccionadas em câmara clara acoplada a estereomicrocópio Zeiss, com a utilização de material herborizado e hidratado.

Na chave de identificação predominam caracteres vegetativos e as espécies estão agrupadas de forma artificial.

Foram utilizadas as seguintes abreviações: compr. = comprimento, larg. = largura, ca. = cerca de, s.l. = sem localidade, s.d. = sem data, s.n. = sem número de coleta, fl. = florido, fr. = frutífero e st. = estéril.

 

Resultados e Discussão

Machaerium Pers., Syn. Pl. 2:276. 1807.

Tipo: M. ferrugineum (Willd.) Pers.

Planta lenhosa, arbórea ou escandente, estípula caduca. Folha imparipinada, folíolos alternos ou irregularmente opostos, sem estipela. Racemos fasciculados ou panículas, axilares ou terminais; bráctea comumente caduca, bractéola geralmente orbicular, adpressa ao cálice; flores sésseis ou pediceladas, cálice geralmente campanulado, 5 lacínios; corola branca, creme-esverdeada, lilás ou vinácea; estandarte externamente seríceo ou viloso, raro glabro, oval ou orbicular, com unguícula curta; asa oblonga, falcada, base oblíqua; pétala da quilha curta navicular ou curvada, pétalas conatas no dorso; estames 10, monadelfos, às vezes com o vexilar livre ou distribuídos em duas falanges pentâmeras; anteras oblongas ou ovais, versáteis, deiscência longitudinal; ovário estipitado, uniovulado; disco presente na base do ovário. Sâmara estipitada, núcleo seminífero basal, ala oblonga, subfalcada, membranácea e reticulada.

Dos 25 binômios citados na literatura para o estado de São Paulo, quatro foram sinonimizados: M. discolor Vog. com M. declinatum (Vell.) Stellfeld, M. lanatum Tul. com M. villosum Vog., M. angustifolium Vog. com M. hirtum (Vell.) Stellfeld e M. splendens Vog. com M. uncinatum (Vell.) Benth. Não foi confirmada a ocorrência de M. aculeatum Raddi, M. eriocarpum Benth., M. floridum (Mart. ex Benth.) Ducke, M. kuhlmannii Hoehne, M. nigrum Vog. e M. violaceum Vog., cujos limites taxonômicos muitas vezes se sobrepõem aos de espécies afins. Ressalta-se que a amplitude da variação morfológica aqui adotada resultou em uma delimitação específica consistente.

Chave de identificação das espécies de Machaerium ocorrentes no estado de São Paulo

1 Nervação dos folíolos craspedódroma (nervuras secundárias paralelas, atingindo diretamente a margem)

2 Folha com mais de 29 folíolos. Espécie arbórea ...................1. M. hirtum

2’ Folha com menos de 29 folíolos. Espécies escandentes

3 Folha com até 7 folíolos com ápice curto- acuminado...................4. M. declinatum

3’ Folha com 8 a 19 folíolos com ápice obtuso e retuso

4 Base do folíolo aguda e oblíqua; peciólulo com até 1 mm de comprimento. Espécie ocorrente em mata de restinga .....3. M. uncinatum

4’ Base do folíolo arredondada; peciólulo maior que 2 mm de comprimento. Espécie ocorrente em cerradão e mata mesófila semidecídua...................2. M. amplum

1’ Nervação dos folíolos broquidódroma (nervuras secundárias não terminam na margem e formam arcos proeminentes)

5 Ápice do folíolo obtuso ou retuso

6 Folíolos alternos, opostos ou subopostos no mesmo ramo. Folha 5-7-foliolada ...................17. M. oblongifolium

6’ Folíolos sempre alternos no mesmo ramo. Folha 7-31-foliolada

7 Folíolos seríceos na face abaxial, com largura igual ou maior que 1,4 cm. Ramos inermes .......7. M. stipitatum

7’ Folíolos tomentosos ou pubescentes na face abaxial, com largura de até 1,0 cm. Ramos aculeados

8 Raque e pecíolo tomentosos. Lobos do cálice agudos. Bractéola oboval-lanceolada...................6. M. nictitans

8’ Raque e pecíolo glabrescentes. Lobos do cálice obtusos. Bractéola orbicular...................5. M. scleroxylon

5’ Ápice do folíolo agudo ou acuminado

9 Folíolos lanceolados (comprimento maior ou igual a 3 vezes a largura), ápice agudo, mucronado

10 Face abaxial do folíolo serícea. Ramos com lenticelas esbranquiçadas, evidentes. Espécie exclusiva de cerrado...................14. M. acutifolium

10’ Face abaxial do folíolo sempre vilosa. Ramos com lenticelas obscuras. Espécies não exclusivas de cerrado

11 Ramos com cicatrizes estipulares evidentes. Folíolo oblongo, canescente-viloso na face abaxial, maior que 1,5 cm de largura. Pecíolo mais curto que 1/3 do comprimento da raque...................12. M. villosum

11’ Ramos sem cicatriz estipular. Folíolo elíptico, ocreado-viloso na face abaxial, até 1,5 cm de largura. Pecíolo mais longo que 1/3 do comprimento da raque...................13. M. cantarellianum

9’ Folíolos elípticos ou ovais (comprimento menor que 3 vezes a largura), ápice geralmente acuminado

12 Folíolos variadamente subopostos, opostos ou alternos. Inflorescência paniculada

13 Face abaxial dos folíolos glabra. Cálice campanulado, os lacínios superiores maiores, asas elípticas. Frutos não ultrapassando 5 cm de comprimento....8. M. lanceolatum

13’ Face abaxial dos folíolos serícea. Cálice cilíndrico, os lacínios de mesmo tamanho, asas obovadas. Frutos maiores que 5 cm de comprimento...................9. M. dimorphandrum

12’ Folíolos sempre alternos. Inflorescência em racemos simples ou fasciculados

14 Racemos simples

15 Bráctea persistente. Asa e pétalas da quilha de tamanho semelhante. Planta arbórea...................15. M. brasiliense

15’ Bráctea caduca. Asa mais longa que a pétala da quilha. Planta escandente...................16. M. triste

14’ Racemos fasciculados

16 Folíolos glabros na face adaxial. Predomínio de folíolos ovais. Ramos com lenticelas evidentes e diversas cicatrizes de catáfilos...................10. M. paraguariense

16’ Folíolos velutinos na face adaxial. Predomínio de folíolos elípticos. Ramos com lenticelas não evidentes e sem cicatrizes de catáfilos...................11. M. vestitum

Descrições e comentários das espécies

1. Machaerium hirtum (Vell.) Stellfeld, Tribuna Farm. 14 (12):246. 1946.

Nissolia hirta Vell., Fl. Flum. 296. 1829 [1825]; Icon. 7: tab 75. 1831 [1827].

Machaerium angustifolium Vog., Linnaea 11:193. 1837.

Fig. 1.

 

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Figura 1. Machaerium hirtum (Vell.) Stellfeld: a. Aspecto geral do ramo; b. Bractéola; c. Flor; d. Cálice; e. Estandarte; f. Pétalas da quilha; g. Asa; h. Estames; i. Gineceu; j. Frutos (a, c - j: F.C. Hoehne 1439; b: R.R. Rodrigues ESA 6664). Escala: 2 cm ramo e fruto; 2 mm estruturas florais.

 

Árvore 5-10 m, caule liso, acúleos retilíneos e achatados nos ramos. Folhas 29-58-folioladas; pecíolo, raque e peciólulo fusco-tomentosos, 3-10 mm compr., 5,4-14 cm compr., 1-1,5 mm compr., respectivamente; folíolos cartáceos, discolores, estreitamente oblongos, base oblíqua, ápice obtuso, retuso e mucronado, face abaxial serícea, nervação craspedódroma, 8-22 x 2-6 mm. Inflorescência paniculada, terminal e axilar, eixos, acúleos e pedicelo fusco-tomentosos, acúleos retilíneos e achatados, pareados, 1-5 mm compr.; pedicelo ca. 1mm compr.; bractéolas orbiculares, ca. 2 mm compr.; cálice cilíndrico, 2 lacínios superiores mais largos, todos de ápice obtuso, externamente esparso-tomentoso no tubo e denso-tomentoso nos lacínios, 3-6 mm compr.; corola lilás, ca. 7-9 mm compr.; estandarte com mácula creme no centro, oblongo, externamente seríceo, 8 x 5 mm; asa elíptica., serícea no dorso, esculturas lamelares em quase toda pétala, aurícula obtusa, unguícula linear, 12 x 3 mm; pétala da quilha semelhante à asa, com pequena cavidade na porção carenal, esparso-serícea externamente, 8,5 mm compr., junção das pétalas na região mediana superior; estames 10, monadelfos, de alturas diferentes, filetes glabros, anteras oblongas; ovário incano-velutino. Sâmara cultriforme, 4,5-6,0 cm compr., estipe tomentosa, 4-8 mm compr., região seminífera e asa esparso-tomentosas, região seminífera 6-7 mm larg., asa oblonga, reticulada, 10-13 mm larg.

M. hirtum é caracterizada pelos folíolos estreito-oblongos, até 58 por folha, pelos acúleos retilíneos e achatados e pelo hábito sempre arbóreo, o que a distingue das espécies próximas que são escandentes. M. eriocarpum Benth., citada para o estado por Loefgren (1905), provavelmente foi confundida com M. hirtum por apresentar também folíolos estreitamente oblongos, até 75 por folha; além disso, esta espécie ocorre no Brasil central (Lima 1995) e não atinge o sudeste brasileiro. Hoehne (1941) citou M. aculeatum para o estado de São Paulo, sinonimizando com ela M. angustifolium Vog. e M. isadelphum (E. Meyer) Amsh. Rudd (1977) considerou estas três espécies acima como táxons distintos. Lima (1995) sinonimizou M. angustifolium com M. hirtum. Neste estudo confirmamos a ocorrência de M. hirtum no estado de São Paulo, espécie amplamente distribuída (figura 2). Floresce de novembro a março e frutifica de março a junho, apresentando flores e frutos em fevereiro e março.

 

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Figura 2. Distribuição geográfica do material examinado de QuadP.gif (77 bytes) Machaerium hirtum (Vell.) Stellfeld,  triangb.gif (853 bytes) M. amplum (Vell.) Benth., triagp.gif (308 bytes) M. uncinatum (Vell.) Benth. e circb.gif (183 bytes) M. declinatum (Vell.) Stellfeld.

 

Material examinado - Amparo, 23/12/1942 (fl., fr.), M. Kuhlmann 290 (SP); Assis, Estação Experimental, 5/5/1992 (st.), G. Durigan 28625 (UEC); Bauru, 11/2/1993 (fl.), O. Cavassan & I. Koch 28767 (UEC); Botucatu, mata a 6 Km nordeste da cidade, 19/1/1976 (fl.), J.R. Coleman & E.M. Menezes 23 (SP); Cajuru, Fazenda Santa Carlota, 29/11/1985 (fl.), L.C. Bernacci 142 (UEC); Campinas, distrito de Cabras, próximo ao observatório de Capricórnio, 21/11/1985 (fl.), L.P.C.M. Fonzar 17949 (UEC); Carioba, 10/5/1943 (fr.), M. Kuhlmann 676; Ilha Solteira, campus da UNESP, 11/9/1992 (fr.), A. Sartori 27175 (UEC); Itu, Reserva Florestal Washington Luís, 25/1/1934 (fl.), F.C. Hoehne 31412 (SP); Matão, rodovia W. Luís entre o município e Araraquara, 20/1/1963 (fl.), C. Moura 61 (SP); Mogi Guaçu, Fazenda Campininha, 16/12/1976 (fl.), P.E. Gibbs & H.F. Leitão-Filho 4051 (UEC, US); Monte Alegre, Estação Experimental, s.d. (fl.), D. Dedeca s.n. (SP); Monte Alto, serra da Água Limpa, 11/6/1993 (fr.), L.C. Bernacci 28645 (UEC); Pindorama, 19/1/1939 (fl.), O.T. Mendes 4737 (IAC); Piracicaba, Parque da ESALQ, 7/1/1984 (st.), E.L.M. Catharino 1192 (SP), idem, s.d. (fl.), O. Vecchi 509 (SP); idem, Fazenda Independência, 12/1929 (st.), V. Pacífico 25285 (SP); Pirassununga, 3/1944 (fl.), N. Santos s.n. (R); Presidente Prudente, Meridional Praia Clube, 28/1/1991 (st.), s.c. s.n. (SP); Rancharia, 14/2/1970 (fl.), G. Hatschbach 23491 (UEC, US); São José do Barreiro, 28/3/1977 (fl.), P.E. Gibbs 4588 (R); São Paulo, Butantã, 5/2/1918 (fl.), F.C. Hoehne 1439 (US, SP). Outros estados: Espírito Santo, entre Linhares e São Mateus, 22/2/1965 (fl.), A. Duarte 8851 (HB); Goiás, Cristalina, 24/3/1963 (fl.), J.P.H. s.n. (HB); Minas Gerais, Governador Valadares, 19/4/1964 (fl.), Z.A. Trinta 727 (HB); Paraná, Cambará, 14/2/1968 (fl.), G. Hatschbach 1864 (HB); Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Jacarepaguá, 28/7/1958 (fr.), E. Pereira 4049 (HB); Santa Catarina, Bosque Mata do Hoffmann, 4/2/1950 (fl.), R. Klein 301 (HB); Brasília meridionalis, 1836 (fl.), Humboldt 240 (UEC - fotografia K).

2. Machaerium amplum Benth., Ann. Mus. Vind. 2:97. 1838.

Fig. 3.

 

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Figura 3. Machaerium amplum Benth.: a. Aspecto geral do ramo; b. Botão floral; c. Bractéola; d. Cálice; e. Estandarte; f. Pétalas da quilha; g. Asa; h. Estames; i. Gineceu (a - i: G. Eiten 3003). Escala: 2 cm ramo e fruto; 2 mm estruturas florais.

 

Arvoreta escandente, 1,5-3 m, caule liso, ramos flexíveis, acúleos recurvados, ca. 1 cm compr. Folhas 8-15-folioladas; pecíolo pubérulo a tomentoso, 1,1-2,4 cm compr.; raque esparsamente tomentosa, 4,2-8,8 cm compr.; peciólulo ligeiramente enrugado, esparso-tomentoso, 2-3 mm compr.; folíolos cartáceos, discolores, oblongos a elípticos, base arredondada, ápice obtuso, retuso com pequeno múcron, face abaxial serícea principalmente sobre a nervura principal, nervação craspedódroma, 2,7-4,5 x 1,1-1,7 cm. Inflorescência paniculada, axilar e terminal, às vezes com eixos de segunda ordem fasciculados e escorpióides, eixo de primeira ordem ferrugíneo-tomentoso, acúleos pareados, uncinados na base de cada fascículo, ca. 2 mm compr.; pedicelo ferrugíneo-tomentoso, 2-3 mm compr.; bractéolas orbiculares, externamente esparso-tomentosas, ca. 1,5 mm compr.; cálice cilíndrico, lacínios de ápice obtuso, externamente esparso-tomentosos, 4-5 mm compr.; corola lilás, com mácula branca no centro do estandarte, ca. 6 mm compr.; estandarte oval, externamente esparso-seríceo, base ligeiramente auriculada, 5,4-8,6 x 5-6 mm; asa elíptica, aurícula e unguícula breve, 6-9 x 2-3 mm; pétalas da quilha semelhantes à asa quanto à forma e tamanho, unidas na porção apical; estames 10, monadelfos, filetes glabros, anteras oblongas; ovário incano-velutino. Frutos não observados.

Esta espécie caracteriza-se pelo hábito escandente, acúleos unciformes, folhas até 15-folioladas e folíolos maiores, considerando as espécies com venação craspedódroma. M. amplum difere de M. froesii Rudd, espécie próxima, pelo estandarte externamente seríceo, ramos e raque foliar esparsamente tomentosos. M. froesii ocorre apenas no Pará e Amazonas, enquanto a distribuição de M. amplum estende-se da Amazônia até o estado de São Paulo (Bastos 1987). Esta espécie ocorre em cerradão, borda de mata mesófila semidecídua e freqüentemente nos campos da região de Paulo de Faria. Em Ilha Solteira foram observados alguns indivíduos crescendo em área ruderal perturbada por queimada recente. No estado predomina na região noroeste (figura 2). Floresce de maio a julho.

Material examinado - Araçatuba, Fazenda Santo Antonio, 24/11/1993 (st.), A. Sartori & A.A. Rezende 29118 (UEC); Ilha Solteira, 11/9/1992 (st.), A. Sartori 27176 (UEC); Matão, ao longo da rodovia entre Araraquara e São José do Rio Preto, 18/6/1961 (fl.), G. Eiten et al. 3003 (SP, US); Paulo de Faria, Estação Ecológica, 23/11/1993 (st.), A. Sartori & V. Stranghetti 29108 (UEC); idem, 5/1993 (fl.), V. Stranghetti 100 (UEC); São José do Rio Preto, 1/7/1977 (fl.), M.A. Coleman 188 (SP). Outros estados: Distrito Federal, Brasília, Fercal, 20/5/1974 (fl.), E.P. Heringer 13833 (UEC); Goiás, Paranaiguara, 15/6/1981 (fl.), L.C. Pio 21 (UEC); Amazonas, Itacoatiara, 17/10/1966 (fl.), G.T.Prance s.n. (R); Maranhão, margem do Rio Mearim, 23/11/1985 (fl.), J.C. Silva 2002 (R); Mato Grosso, Xavantina, 7/6/1966 (fr.), H.S. Irwin s.n. (HB); Minas Gerais, Santa Vitória, 28/5/1966 (fl.), M. Magalhães 19008 (HB); Caretao, 1837 (fl.), Pohl s.n. (UEC - fotografia K).

3. Machaerium uncinatum (Vell.) Benth., Ann. Mus. Vind. 2:98.1838.

Fig. 4.

 

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Figura 4. Machaerium uncinatum Benth.: a. Aspecto geral do ramo; b. Flor; c. Bractéola; d. Cálice; e. Estandarte; f. Pétalas da quilha; g. Asa; h. Estames; i. Gineceu; j. Frutos (a-i: F.C. Hoehne s.n. F 172748); j: N. Figueiredo et al. 14769). Escala: 2 cm ramo e fruto; 2 mm estruturas florais.

 

Planta escandente, ramos pubescentes, acúleos unciformes, pareados, ca. 2 mm compr., às vezes, com gavinhas aculeadas de onde saem as folhas. Folhas 15-19-folioladas; pecíolo, raque e peciólulo tomentosos a glabrescentes, 1,1-1,5 cm compr., 5,4-8,6 cm compr., até 1 mm compr. respectivamente; folíolos cartáceos, alternos, discolores, oblongos, ápice obtuso e retuso, base aguda e oblíqua, glabrescentes a glabros, nervação craspedódroma, 1,7-2,3 x 0,6-1,1 cm. Inflorescência paniculada, axilar e terminal, eixos, brácteas e pedicelo rufo-tomentosos, brácteas de segunda ordem triangulares, pareadas, às vezes aculeadas, ca. 2 mm compr.; pedicelo ca. 1,5 mm compr.; bractéola orbicular, externamente tomentosa, ca. 1mm compr.; cálice campanulado, lacínios pouco distintos, externamente curto e esparso-tomentoso, 2,5 mm compr.; corola creme, ca. 5 mm compr.; estandarte oblongo a orbicular, externamente esparso-seríceo, com mácula no centro da pétala, 5,5-6,5 x 4 mm; asa oblonga, convexa, glabra, esculturas na porção mediana superior, 6,5 mm compr.; pétalas da quilha oblongas, unidas da porção mediana ao ápice, ca. 5,5 mm compr.; estames 10, em 2 falanges iguais, filetes glabros, anteras pequenas, oblongas, ovário viloso. Sâmara falciforme, ápice apiculado, 4,2-5,2 cm compr., estipe pubescente, 4-6,5 mm compr., região seminífera escurecida, 6-9 mm larg., asa reticulada, 11-14 mm larg.

M. uncinatum assemelha-se a M. hirtum, sendo reconhecida pelo hábito escandente, pelos folíolos mais largos, pelo cálice com lacínios quase truncados e pelo fruto com região seminífera mais larga e destacada. Sua presença foi constatada em restinga e mata ciliar, ocorrendo no litoral e grande São Paulo (figura 2). Floresce de janeiro a março e frutifica em fevereiro, maio, julho e novembro.

Material examinado - Iguape, Estação Ecológica de Juréia, 20/7/1983 (fr.), N. Figueiredo et al. 14769 (UEC); Mogi das Cruzes, Vila São Geraldo, 31/3/1938 (fl.), G. Hashimoto 9 (SP); Peruíbe, Estação Ecológica de Juréia, 6/11/1983 (fr.), N. Figueiredo e D.S. Rocha 15615 (UEC); São Paulo, Jardim Botânico, 2/1934 (fr.), F.C. Hoehne 32077 (US, F); idem, entre Pinheiros e Butantã, 22/2/1928 (fl., fr.), A. Gehrt 22469 (SP); Ubatuba, Picinguaba, trilha das três lagoas, 7/5/1988 (fr.), R. Costa et al. 30 (HRCB); idem, 12/1/1991 (fl.), F.C.P. Garcia et al. 596 (HRCB); idem, 8/5/1990 (fr.), R. Romero et al. 55 (HRCB). Outros estados: Espírito Santo, Linhares, 30/9/1930 (fr.), J.G. Kuhlmann 425 (RB); Paraná, Paranaguá, 1/3/1965 (fl.), G. Hatschbach 12419 (RB); Rio de Janeiro, Angra dos Reis, 11/4/1984 (fr.), D. Araújo 6216 (GUA).

4. Machaerium declinatum (Vell.) Stellfeld, Trib. Farm. Bras. 12:131. 1944.

Fig. 5.

 

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Figura 5. Machaerium declinatum (Vell.) Stellfeld: a. Aspecto geral do ramo; b. Flor; c. Bractéola; d. Cálice; e. Estandarte; f. Pétalas da quilha; g. Asa; h. Estames; i. Gineceu; j. Frutos (a - i: A.A. Furlan 656; j: fruto J.A. Furlan 1223). Escala: 2 cm ramo e fruto; 2 mm estruturas florais.

 

Nissolia declinata Vell., Fl. Flum. 7:296. 1827.

Machaerium discolor Vog., Linnaea 11:204. 1837.

Planta escandente, ramos glabros, acúleos pareados, unciformes, esparsamente pubescentes, ca. 4 mm compr. Folhas 5-7-folioladas; pecíolo, raque e peciólulo escurecidos e esparso-pubescentes, o primeiro 1,5-2,5 cm compr.; raque 3,9-7,5 cm compr.; peciólulo sulcado na face superior, 5 mm compr.; folíolos coriáceos, discolores (material herborizado), alternos, largo-elípticos, base aguda, ápice curto-acuminado, os terminais obovados, glabros e seríceos sobre nervura principal da face abaxial, nervação craspedódroma, 6-7,1 x 3,6-3,9 cm. Inflorescência paniculada, axilar, eixo principal glabrescente, flores pediceladas; bractéola orbicular, externamente vilosa, ca. 1 mm compr.; cálice campanulado, ápice obtuso, 2 lacínios superiores mais largos, externamente revestido, 4 mm compr.; corola creme, ca. 3 mm compr.; estandarte semi-elíptico, glabrescente, 5,5 x 5,5 mm; asa oboval, glabra, 5,2 x 1,5 mm; pétalas da quilha oblongas, glabras, unidas do meio ao ápice, ca. 6 mm compr.; estames 10, monadelfos, filetes glabros, anteras orbiculares, ovário viloso. Sâmara falciforme, 4,9-6 cm compr., ápice agudo, pubescente, estipe 5 mm compr., região seminífera 9 mm larg., destacada, asa reticulada, nervura vexilar reta, 15 mm larg.

A espécie é reconhecida pelo hábito escandente, ramos com acúleos unciformes, folíolos até sete por folha, largo-elípticos, coriáceos, glabros e de nervação craspedódroma. Os espécimes encontravam-se identificados como M. discolor Vog., nome que deve ser substituído por M. declinatum. Ocorre na restinga do litoral norte (figura 2). O florescimento é em março e a frutificação em agosto.

Material examinado - Caraguatatuba, Porto Novo, 7/8/1983 (fr.), A. Custodio-Filho e R.M.V. Custodio 1404 (SP); Ubatuba, Picinguaba, trilha após o alojamento, 10/3/1989 (fl.), A. Furlan 656 (HRCB); idem, trilha do Morro do Corsário, 26/8/1990 (fr.), A. Furlan et al. 1223 (HRCB). Outros estados: Minas Gerais, Capela Nova do Betim, 4/1916 (fr.), A. Lutz 979 (R); Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Tijuca, 13/6/1915 (fr.), A. Lutz 756 (R); Brasil, 1837 (fl.), Pohl s.n. (UEC - fotografia K).

5. Machaerium scleroxylon Tul., Arch. Mus. Par. 4:93. 1844.

Fig. 6.

 

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Figura 6. Machaerium scleroxylon Tul.: a. Aspecto geral do ramo; b. Flor; c. Cálice; d. Bractéola; e. Estandarte; f. Pétalas da quilha; g. Asa; h. Estames; i. Gineceu; j. Fruto (a - i: A.S. Lima s.n. IAC 6860; j: M.C. Dias s.n. UEC 53508). Escala: 2 cm ramo e fruto; 2 mm estruturas florais.

 

Árvore 6-12 m, caule esfoliante e variegado, ramos lenticelados, acúleos pareados, triangulares, 4-10 mm compr. Folhas 13-20-folioladas; pecíolo, raque e peciólulo esparso-tomentosos a glabrescentes, 8-16 mm compr.; raque lenticelada, 6-10 cm compr.; peciólulo ca. 1 mm compr.; folíolos cartáceos, alternos, oblongos, base arredondada, às vezes, subcordada, ápice retuso com pequeno múcron, face adaxial esparso-pubescente, face abaxial vilosa sobre nervura principal, limbo pubescente, nervação broquidódroma, 2-2,8 x 0,6-1 cm. Inflorescência paniculada, axilar, botões, eixos, brácteas e bractéolas ferrugíneo-tomentosos; brácteas, às vezes aculeadas, pareadas na base de cada eixo; flores sésseis; bractéola orbicular, ca. 1 mm compr.; cálice cilíndrico, externamente ferrugíneo-seríceo, ápice obtuso, 2 lacínios superiores mais largos, ca. 3 mm compr.; corola rosa esbranquiçada, com 6 mm compr.; estandarte amplamente obovado, externamente seríceo, internamente pubérulo no ápice, 7 x 5 mm; asa elíptica, ligeiramente arqueada na região mediana, dobras na região inferior oposta ao dorso, externamente esparso-vilosa no ápice, 7 x 2 mm; pétalas da quilha elípticas, dobras na mesma região que as da asa, 7 mm compr.; estames 10, monadelfos, filetes glabros, anteras oblongas; ovário viloso com aumento no comprimento dos pêlos da estipe ao ápice. Sâmara oblonga a levemente falciforme, 4,4-5 cm compr., ápice arredondado, ferrugíneo-vilosa sobre estipe e região seminífera, estipe 6,6-7 mm compr., região seminífera 7-8 mm larg., com nervuras longitudinais, asa esparso-pubescente, manchada, 12,5-15 mm larg.

Caracterizada pelos folíolos oblongos, pelos acúleos geralmente presentes na axila das folhas e por todas as estruturas esparsamente revestidas, tendendo à glabrescência. Esta espécie é distinta de M. nictitans por apresentar os folíolos reduzidos em número e tamanho, as estruturas menos revestidas, o cálice de ápice obtuso, a bractéola orbicular e os frutos menores. M. hatschbachii Rudd, próxima de M. scleroxylon e ocorrendo no Paraná, distingue-se pelos folíolos numerosos e mais revestidos, flores menores, cálice não estriado e fruto geniculado com ala estreitada. M. scleroxylon ocorre preferencialmente em mata mesófila semidecídua, distribuindo-se predominantemente mais ao centro-leste do estado (figura 7). Floresce em fevereiro, outubro e dezembro e frutifica de abril a julho.

 

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Figura 7. Distribuição geográfica do material examinado de QuadP.gif (77 bytes) M. scleroxylon Tul. e circb.gif (183 bytes) M. nictitans (Vell.) Benth.

 

Material examinado - Anhembi, 26/6/1992 (fr.), J.E.M.N. Gabriel s.n. (BOTU 18596); Botucatu, Fazenda Lageado, 13/6/1938 (st.), F.C. Hoehne 39535 (SP); Campinas, 18/12/1942 (fl.), A.S. Lima 6860 (IAC); idem, 17/10/1977 (fl.), H.F. Leitão-Filho 6056 (SP); Charqueada, 14/5/1993 (st.), K.D. Barreto et al. s.n. (ESA); Corumbataí, 30/7/1992 (fr.), H. Lorenzi 28788 (UEC); Monte Alegre, 5/4/1943 (st.), M. Kuhlmann 572 (SP); Piracicaba, 4/6/1986 (fr.), E.L.M. Catharino 789 (ESA); idem, 20/4/1990 (fr.), N.M. Ivanauskas 7 (ESA); São Paulo, 22/2/1984 (fl.), A. Silva s.n. (F); idem, 10/4/1985 (st.), I.C.A. Mendes 73 (SPF); idem, s.d. (fr.), D.B.J. Pickel 3098 (IAC); Tietê, 8/12/1936 (fl.), A. Gehrt, 37068 (SP). Outros estados: Goiás, Formosa, 16/7/1983 (fr.), I.C.A. Mendes 44 (RB); Minas Gerais, Paraopeba, 4/12/1954 (fl.), E.P. Heringer s.n. (RB); Caxoeiras do Campo, 1839 (fr.), P. Claussen Hb. Delessert (UEC - fotografia isotipo K); Paraná, Ibiporã, 12/1989 (fr.), M.C. Dias (UEC 53508), Londrina, 15/7/1962 (fr.), Gomes & Matos 1150 (RB).

6. Machaerium nictitans (Vell.) Benth., Ann. Mus. Vind. 2:98. 1838.

Fig. 8.

 

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Figura 8. Machaerium nictitans (Vell.) Benth.: a. Aspecto geral do ramo; b. Bráctea; c. Bractéola; d. Flor; e. Cálice; f. Estandarte; g. Pétalas da quilha; h. Asa; i. Estames; j. Gineceu; k. Frutos (a, b: A. Gehrt & F.C. Hoehne US 1604296; c, e - i, k: J.B. Andrade et al. 4747; d, j: A.F. Silva 1396). Escala: 2 cm ramo e fruto; 2 mm estruturas florais.

 

Árvore 4-10 m, caule sulcado, ramos lenticelados, ferrugíneo-tomentosos a esparso-tomentosos, às vezes acúleos pareados na base das folhas, triangulares, externamente estriados, ferrugíneo-tomentosos ou glabros, 25-45 x 5-9 mm, gemas axilares freqüentes, ca. 7 mm compr. Folhas (19-) 23(-31)-folioladas; pecíolo, raque e peciólulo ferrugíneo-tomentosos, 8-12 mm compr., 10-13,5 cm compr., ca. 1mm compr., respectivamente; folíolos cartáceos, alternos, discolores, oblongos, base arredondada, raro oblíqua e subcordada, ápice obtuso e retuso, com pequeno múcron, face adaxial pubérula a glabrescente, face abaxial serícea no limbo e ferrugínea-tomentosa na nervura principal, nervação broquidódroma, 2-3,4 x 0,6-1 cm. Inflorescência paniculada, terminal e axilar, eixos, brácteas, pedicelos, bractéolas e cálice ferrugíneo-tomentosos; brácteas triangulares, ápice agudo, base oblíqua e truncada, côncavas, 7 mm compr.; pedicelo curto; bractéola oboval-lanceolada, facilmente desprendidas, ápice agudo, base truncada, ca. 4 mm compr.; cálice de ápice agudo, os dois lacínios superiores ligeiramente mais amplos, ca. 3,5 mm compr.; corola vinácea, 6,25 mm compr.; estandarte amplamente obovado, externamente denso-ferrugíneo-tomentoso ou velutino, 8,2 x 6,4 mm; asa elíptica, esculturas na porção ínfero-basal e central, 6,5 x 2 mm; pétalas da quilha unidas da porção mediana ao ápice, semi-elípticas, dobra na porção ínfero-basal até a mediana, revestidas dorsalmente no ápice, 8 mm compr.; estames 10, monadelfos, filetes glabros, anteras oblongas; ovário velutino. Sâmara falciforme, raro oblonga, ápice arredondado, ferrugíneo-tomentosa na estipe e região seminífera, esparso na asa, 5,5-7 cm compr., estipe 6-7 mm compr., região seminífera escurecida, 9-11,5 mm larg., nervuras longitudinais, asa 15-19,5 mm larg.

Esta espécie caracteriza-se pelo revestimento ferrugíneo-tomentoso da raque foliar, face abaxial dos folíolos, inflorescência e região seminífera do fruto. A inflorescência é uma panícula típica. No material herborizado, a coloração púrpura das flores contrasta com a ferrugínea das demais estruturas florais. Os folíolos, quando jovens, são membranáceos e revestidos em ambas as faces. Lima (1995) considerou ampla a variação deste táxon quanto à morfologia e ao indumento das folhas, desaconselhando o tratamento infra-específico. M. nictitans é próxima de M. scleroxylon, mas distingue-se pelos folíolos e inflorescência mais densamente revestidos de pêlos. O espécime coletado em Jundiaí (Rodrigues UEC 15908), identificado como M. floridum, apresenta características que enquadram-se perfeitamente dentro da variação aceita para M. nictitans. A citação de M. kuhlmannii Hoehne para Amparo (Kuhlmann & Kuhn 1947), localidade onde observamos indivíduos de M. nictitans, provavelmente foi equivocada, pois diferencia-se de M. nictitans através da forma orbicular da bractéola. Ocorre em mata mesófila semidecídua com distribuição predominante ao leste do estado, sendo uma espécie muito freqüente (figura 7). Foram constatadas flores de fevereiro a maio, período em que muitos materiais apresentavam também frutos, e frutos de março a dezembro.

Material examinado - Angatuba, 8/2/1969 (fl.), M. Emmerich s.n. (R); Apiaí, rodovia entre Apiaí e Capão Bonito, 15/4/1977 (fl.), J.B. Andrade et al. 4747 (SP, F); Atibaia, Grota Funda, 23/7/1993 (st.), A. Sartori 30431 (UEC); Bofete, rodovia Castelo Branco, 9/4/1971 (fl.), I. & G. Gottsberger s.n. (BOTU 41-9471); Cajuru, Fazenda Santa Carlota, 15/7/1985 (st.), L.C. Bernacci 34 (UEC); Campinas, 12/5/1933 (fl.), P. Gonçalves 30599 (SP, US); idem, entre Itatiba e Campinas, próximo ao Rio Atibaia, 15/8/1976 (fr.), P.H. Davis 59725 (UEC); Guaratinguetá, Roseira, 2/10/1940 (st.), A.P. Viegas et al. 5814 (IAC); Guararema, 2/7/1952 (fr.), M. Kuhlmann 2856 (SP); Indaiatuba, próximo a rodovia para Campinas, 22/4/1968 (fl.), H.M. Souza 19840 (IAC); Iguape, Morro de Iguape, Capoeira Marítima, 24/9/1894 (fr.), Loefgren & Edwall 2639 (IAC); Itapecerica, 6/5/1936 (fr.), A. Gehrt 35293 (SP); Itatiba, 5/1936 (st.), E.J. Hambleton 6 (SP); Jaú, Mata do Jardim Carolina, 7/7/1992 (fr.), E.M.N. Gabriel s.n. (BOTU 18716); Jundiaí, Serra do Japi, 12/5/1984 (fl., fr.), R. Rodrigues 15908 (UEC); Monte Alegre, 26/3/1943 (fl., fr.), M. Kuhlmann 355 (SP, US); Pindamonhangaba, 10/1990 (fr.), M.A. Rollo s.n. (UEC); Pindorama, Estação Experimental, 26/11/1993 (st.), A. Sartori 29140 (UEC); Piracicaba, Fazenda Areão, 1/5/1984 (fl.), E.L.M. Catharino 54 (SP); Piraju, 19/3/1983 (fl.), J.P.L.F. 1 (HRCB); Pirapora, 1/8/1933 (fr.), F.C. Hoehne 30867 (US, SP); idem, 1/8/1933 (fr.), W. Hoehne 10288 (SPF); Porto Ferreira, Parque Estadual, 7/8/1980 (fl.), J.E.A. Bertoni 20384 (UEC); Rio Claro, entrada para Assistência, 27/7/1988 (fr.), L. Cordeiro 67 (HRCB); São José dos Campos, estrada do Turvo, 20/3/1986 (fl.), A.F. Silva et al. 1396 (UEC); Santo Antonio do Pinhal, 11/6/1992 (fr.), R.R. Rodrigues 26594 (UEC); São Paulo, Pinheiros, 17/2/1936 (fl.), A. Gehrt & F.C. Hoehne s.n. (US1604296); São Vicente, Morro do Japi, 3/3/1991 (fl.), F.S. Santos 24204 (UEC); Tambau, Fazenda Bico de Pato, 5/4/1969 (fr.), L.C. Silva s.n. (F); Taubaté 4/1994 (fl.), A. Furlan 1582 et al. (HRCB, SP, UEC). Outros estados: Minas Gerais, Guaraciaba, 28/4/1984 (fl.), M.V.B. Garcia 8671 (UEC); Jacui, Fazenda São José, 13/10/1988 (fr.), A.M.G.A. Tozzi 23051 (UEC); Paraná, Antonina, s.d. (fl.), G. Hatschbach 21202 (UEC); Londrina, Barra do Limoeiro, 4/10/1987 (fr.), A.O.S. Vieira 3204 (UEC); Rio de Janeiro, Rezende, 22/6/1927 (fl.), J.G. Kulhmann s.n. (RB).

7. Machaerium stipitatum Vog., Linnaea 11:189. 1837.

Fig. 9.

 

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Figura 9. Machaerium stipitatum Vog.: a. Aspecto geral do ramo; b. Bractéola; c. Flor; d. Cálice; e. Estandarte; f. Pétalas da quilha; g. Asa; h. Estames; i. Gineceu; j. Frutos (a: E.T. Neto 61; b - i: Pagano & Sartori 27; j: M.C. Dias & C.G. Perri s.n. 3125 UEC). Escala: 2 cm ramo e fruto; 2 mm estruturas florais.

 

Árvore 2-20 m, caule sulcado longitudinalmente, ramos glabros, inermes, lenticelados. Folhas 7-12-folioladas; pecíolo e raque pubérulos, 1,3-2 cm, 4,7-8 cm compr. respectivamente; peciólulo ca. 3 mm compr.; folíolos cartáceos, alternos, glaucos e concolores, elípticos, base atenuada, ápice retuso com pequeno múcron, nervação broquidródoma, nervuras impressas na face adaxial, face abaxial serícea, 3,8-6,3 x 1,4-2,6 cm. Inflorescência paniculada, terminal e axilar, eixos esparso-ferrugíneo-tomentosos; flores sésseis; bractéola oblonga, externamente pubérula a tomentela, ca. 1 mm compr.; cálice campanulado, ápice obtuso, todos lacínios iguais, externamente esparso e curto-tomentoso, ca. 2 mm compr.; corola creme ou esverdeada, ca. 2,6 mm compr.; estandarte amplamente obovado, externamente seríceo, ca. 5 x 3 mm; asa e quilha oblongas, dobra na porção inferior oposta ao dorso, ca. 5 mm e 4 mm compr., respectivamente; estames 10, monadelfos, filetes glabros, anteras oblongo-arredondadas; ovário esparso-viloso no ápice. Sâmara falciforme, glabra, ápice arredondado, 3,7-5,7 cm compr., estipe 5-10 mm compr., região seminífera escurecida, nervura vexilar reta ou curvinérvia na região mediana da asa, 7,8-11 mm larg., asa amarelada, reticulada, 10-15 mm larg.

A presença de folíolos elípticos, de ápice retuso, seríceos na face abaxial e de coloração glauca é utilizada na identificação de Machaerium stipitatum. Quando estéreis, espécimes de M. stipitatum podem ser confundidos com Dalbergia frutescens (Vell.) Britt., mas se diferenciam pelos folíolos menores, de textura mais fina e coloração glauca. Alguns espécimes de M. stipitatum foram identificados por Rudd como M. minutiflorum Tul. Considerando que Bentham (1862) sinonimizou M. minutiflorum Tul., estabelecido em 1844, com M. stipitatum e não existe um homônimo anterior a este, provavelmente as duas entidades sejam distintas para Rudd. Avaliando todo o material examinado da espécie é notória uma homogeneidade morfológica, o que não justificaria a separação em dois táxons. Porém, isto será melhor discutido quando a literatura científica dispuser da referência que trata dos procedimentos taxonômicos. Ocorre em mata ciliar e mata mesófila semidecídua, estando amplamente distribuída no estado de São Paulo (figura 10). Floresce de março a maio e frutifica de fevereiro a setembro; flores e frutos em abril.

 

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Figura 10. Distribuição geográfica do material examinado de quadb.gif (130 bytes)M. stipitatum Vog., circp.gif (136 bytes) M. vestitum Vog., quadp.gif (77 bytes) M. paraguariense Hassl., circb.gif (183 bytes) M. lanceolatum (Vell.) J.F.Macbr. e triangb.gif (853 bytes)  M. dimorphandrum Hoehne.

 

Material examinado - Analândia, Parque Rawistscher, Fazenda Pedra Vermelha, 18/8/1990 (fr.), R.J. Almeida 289 (ESA); Atibaia, Grota Funda, 23/7/1993 (st.), A. Sartori et al. 30432 (UEC); Bauru, Reserva Florestal, 4/3/1980 (st.), O. Cavassan 26 (HRCB); Botucatu, Fazenda São João, 10/3/1988 (fl.), J.L.C. Gabriel s.n. (HRCB); Brotas, mata ciliar do Rio Jacaré Pepira Mirim, Fazenda Santa Eliza, 10/12/1986 (st.), S.M. Salis & S.A. Lieberg 19440 (UEC); Campinas, Bosque dos Jequitibás, 7/1993 (fr.), A. Sartori 30433 (UEC); Charqueada, 14/5/1993 (st.), K.D. Barreto s.n. (ESA); Cajuru, Fazenda Santa Carlota, 19/4/1986 (fr.), Meira-Neto 175 (UEC); Flórida Paulista, Sítio Santa Lúcia, 14/4/1979 (fl.), L.S. Gouvêa & M.A. Gouvêa 10142 (UEC); Jau, 9/3/1988 (fl.), E.M.N. Gabriel 18725 (BOTU); idem, Fazenda Santo Antonio, 1/3/1988 (fl.), F.M. Nicolini s.n. (HRCB); Leme, Usina Cresciumal, 4/9/1993 (fr.), H. Lorenzi 28787 (UEC); Mairiporã Sítio Ponto Esparso, Bairro Corumbê, Zona Serrana, 950m de altitude, 4/8/1984 (fl.), L. Carra 3 (SPF); Monte Alegre, Estação Experimental, 25/3/1947 (fl.), J.A. Cunha 8296 (IAC, SP); idem, 3/1995 (fl.), L.C. Bernacci et al. 1256 (UEC, IAC); Paulo de Faria, Estação Ecológica, 3/5/1991 (fl.), V. Stranghetti & P. Guimarães 32 (UEC); Presidente Prudente, Meridional Praia Clube, 15/12/1990 (fl.), s.c. (SP 248314); Pindorama, Estação Ecológica, 26/11/1993 (st.), A. Sartori 30434 (UEC); Piracicaba, Parque da ESALQ, 15/5/1968 (fr.), H.M. Souza s.n. (IAC); Rio Claro, Fazenda São José, 6/4/1978 (fl.), Pagano & Sartori 27 (UEC), idem, 2/9/1984 (fr.), J.R. Pirani et al. 843 (SPF); São José do Rio Preto, Instituto Penal Agrícola, 25/11/1993 (st.), A. Sartori & V. Stranghetti 29132 (UEC). Outros estados: Bahia, Barra da Estiva, 21/6/1978 (fr.), P. Vaillans 19 (RB); Minas Gerais, Viçosa, 24/5/1978 (fl.), R. Ramalho et al. s.n. (RB); Belo Horizonte, 4/1982 (fl.) E.T. Neto 61 (UEC); Paraná, Londrina, Bosque II, 9/1986 (fr.), M.C. Dias & C.G. Perri (FUEL 3125); Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 4/1942 (fl.), H. Almeida s.n. (R).

8. Machaerium lanceolatum (Vell.) J.F. Macbr., Field. Mus. Hist. Nat. ser. Bot. 13:281. 1943.

Nissolia lanceolata Vell., Fl. Flum. 7: 297. 1827.

Machaerium secundiflorum Mart. ex Benth., Ann. Mus. Vind. 2:100. 1838.

Fig. 11.

 

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Figura 11. Machaerium lanceolatum (Vell) J.F. Macbr.: a. Aspecto geral do ramo; b. Flor; c. Bractéola; d. Cálice; e. Pétalas da quilha; f. Asa; g. Estandarte; h. Estames; i. Gineceu; j. Frutos (a - i: E.P. Heringer 555; j: J.R. Pirani e O. Yano 774). Escala: 2 cm ramo e fruto; 2 mm estruturas florais.

 

Planta escandente ou arvoreta 5 m, ramos glabros, lenticelados. Folhas 5-7-folioladas; pecíolo, raque e peciólulo glabrescentes e escurecidos, o primeiro 2-4 cm compr.; raque levemente sulcada, 4,5-7,5 cm compr.; peciólulo enrugado, 3-4 mm compr.; folíolos opostos, subopostos ou alternos, brilhantes na face adaxial, elípticos ou ovais, base atenuada ou ligeiramente arredondada, ápice acuminado, às vezes com pequeno múcron, face abaxial reticulada, nervação broquidódroma, 4,5-9 x 2,5-4 cm. Inflorescência paniculada, terminal e axilar, eixos esparsamente rufo-tomentosos; bractéola orbicular, ca. 1mm compr.; flores pediceladas, cálice campanulado, dois lacínios superiores maiores, todos de ápice obtuso, ca. 2 mm compr.; corola esverdeada, ca. 5-6 mm compr., estandarte orbicular, externamente velutino, 4 x 3 mm; asas e pétalas da quilha elípticas, externamente seríceas, dobras na porção inferior oposta ao dorso, de tamanhos semelhantes, 5 mm compr.; estames 10, monadelfos, filetes glabros, anteras oblongas; ovário hirsuto-viloso. Sâmara falciforme, ápice obtuso, 4,5-4,9 cm compr., estipe 7-8 mm compr., região seminífera escurecida, 7 mm larg., asa reticulada, com algumas pontuações (material herborizado), 10-11 mm larg.

Caracterizada pelas folhas 5-7-folioladas, pelos folíolos alternos, opostos e subopostos e pela inflorescência amplamente paniculada. M. lanceolatum é próxima de M. stipitatum, mas distingue-se pelos folíolos maiores e geralmente em menor número. Loefgren (1905) citou M. violaceum para o estado, porém, comparando a descrição original desta espécie inferimos que provavelmente foi identificada incorretamente e trata-se de M. lanceolatum. Ocorre na restinga, mata ciliar e mata de galeria, no litoral norte e região leste do estado (figura 10). Florescimento constatado nos meses de abril e frutificação em maio e agosto.

Material examinado - Bauru, 5/1994, J.Y. Tamashiro et al. 180 (UEC); Jardinópolis, margem do Rio Pardo, 28/4/1954 (fr.), M. Kuhlmann 2954 (US, SP); Matão, 12/5/1949 (fr.), J.C. Gomes 344 (RB); Piracicaba, 5/1992, N.M. Ivanauskas s.n. (ESA 14742); Registro, 15 Km ao norte da cidade, 29/9/1961 (fr.), J. Mattos 9146 (SP); São Sebastião, Barequeçaba BR 101, próximo a gruta, serra do mar, 27/7/1983 (fr.), J.R. Pirani & O. Yano 774 (SP). Outros estados: Distrito Federal, 4/1981 (fl.), E.P. Heringer et al. 6716 (UEC); Minas Gerais, s.l., 10/1969 (fr.), L. Krieger 7336 (RB); Rio de Janeiro, Engenho Novo, 15/2/1869 (fl.), E. Ule s.n. (R); idem, Barra da Tijuca, 17/8/1965 (fl.), W. Hoehne 6039 (UEC); s.l., s.d. (fl.), Martii 160 (UEC - fotografia K).

9. Machaerium dimorphandrum Hoehne, Flora Brasilica 3(25):50. 1941.

Fig. 12.

 

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Figura 12. Machaerium dimorphandrum Hoehne: a. Aspecto geral do ramo; b. Bractéola; c. Flor; d. Cálice; e. Estandarte; f. Pétalas da quilha; g. Asa; h. Estames; i. Gineceu; j. Frutos (a - j: F.C. Hoehne s.n. SP35668). Escala: 2 cm ramo e fruto; 2 mm estruturas florais.

 

Planta escandente, às vezes gavinhas aculeadas, ramos glabros, lenticelados. Folhas 7-9-folioladas; pecíolo, raque e peciólulo esparso-tomentosos, o primeiro 1,5-4 cm compr., raque 3,7-6,5 cm e peciólulo ca. 1,5-4 mm compr.; folíolos subopostos, opostos e alternos, discolores, face abaxial serícea, face adaxial glabra, elípticos, base atenuada, ápice acuminado, nervação broquidódroma, 4-7,5 x 1,7-3,2 cm. Inflorescência terminal, paniculada, eixos, bractéola e cálice tomentosos; flores pediceladas, bractéola orbicular, ca. 1 mm compr.; cálice cilíndrico, lacínios obtusos, de mesmo tamanho, ca. 3-3,5 mm compr.; corola esverdeada, ca. 7 mm, estandarte orbicular, externamente velutino, ca. 7 x 6 mm, asas obovadas, pétalas da quilha elípticas, com dobras na porção inferior oposta ao dorso, seríceas no dorso, todas ca. 7 mm; ovário hirsuto; estames 1+9 ou 10. Sâmaras falciformes, ápice obtuso, 6,5 cm compr., estipe ca. 4 mm compr., região seminífera ca. 1,0 cm larg., asa 18 mm larg.

M. dimorphandrum pode ser caracterizada pelas folhas até 9-folioladas, cálice cilíndrico e fusão variável dos estames. De M. lanceolatum, espécie próxima, se distingue pelos folíolos sempre elípticos, pela morfologia das peças florais e através dos frutos maiores que 5 cm de comprimento. Ocorre em mata de encosta. Presença constatada na grande São Paulo, litoral norte e entre os limites geográficos dos estados do Rio de Janeiro e São Paulo (figura 10). Florescimento constatado em abril e agosto e frutificação em julho.

Material examinado - Lavrinhas, 4/1995, J.L.A. Moreira & L.S. Kinoshita 40 (UEC); São Paulo, 23/11/1932 (fr.), F.C. Hoehne 4 (SP); idem, Interlagos, 7/7/1966 (fr.), B.C. Teixeira 115 (SP); idem, Jardim Botânico, 4/1936 (fl.), O. Handro & F.C. Hoehne 35668 (holotipo SP); Ubatuba, Picinguaba, ao lado do Rio Doce, 4/9/1989 (fl.), F.C. Garcia 495 (HRCB); idem, 22/8/1987 (fl.), M. Kirizawa 18651 (UEC). Outros estados: Paraná, s.l., s.d. (fl.), F.C. Hoehne 8614 (SP).

10. Machaerium paraguariense Hassl., Bull. Herb. Boissier 7:358. 1907.

Fig. 13.

 

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Figura 13. Machaerium paraguariense Hassl.: a. Aspecto geral do ramo; b. Flor; c. Bractéola; d. Cálice; e. Estandarte; f. Pétalas da quilha; g. Asa; h. Estames; i. Gineceu; j. Frutos (a: B. Balansa 4428; b - i: F.C. Hoehne s.n. F 1008389; j: H. Lorenzi 28450). Escala: 2 cm ramo e fruto; 2 mm estruturas florais.

 

Árvore 12(-23) m, caule sulcado, esfoliante em placas longitudinais, ramos lenticelados, cicatrizes dos catáfilos evidentes. Folhas 7-12-folioladas; pecíolo, raque e peciólulo ferrugíneo-vilosos a escurecidos glabrescentes, pecíolo 1,1-3,4 cm compr.; raque, às vezes, sinuosa, 6,8-10 cm compr.; peciólulo 2-3,7 mm compr.; folíolos cartáceos, alternos, ovais a menos freqüentemente elípticos, base arredondada ou atenuada, raramente cordada, ápice acuminado, face adaxial glabra, abaxial ferrugíneo-velutina sobre a nervura principal, raro sobre todo o limbo, nervação broquidódroma, 4,1-7,5 x 1,5-3 cm. Inflorescência constituída de racemos fasciculados, axilares, eixos glabrescentes; flores sésseis; bractéola orbicular, externamente vilosa, ca. 1 mm compr.; cálice com 2 lacínios superiores mais largos, ápice obtuso, externamente viloso, ca. 2 mm compr.; flores sésseis, corola creme-esverdeada, 4-7,5 mm compr.; estandarte orbicular, externamente revestido, exceto nas margens, 7,3 x 6,3 mm; asa elíptica, dobra na porção inferior oposta ao dorso, 6,8 x 2,2 mm; quilha semi-elíptica, dobras na mesma posição que as da asa, ca. 6 mm compr.; estames 10, monadelfos ou tardiamente com o vexilar livre, filetes glabros, anteras oblongas; ovário com estipe glabra, pouco revestido. Sâmara falciforme, oblonga, 4,8-6,6 cm, estipe 4-9 mm compr., região seminífera 8-12 mm larg., asa acastanhada, reticulada, ápice obtuso, 12-15 mm larg.

Esta espécie caracteriza-se pelos ramos com lenticelas esbranquiçadas e com cicatrizes de catáfilos, folíolos ovais, acuminados e glabrescentes. Raque às vezes sinuosa, ramos vilosos tendendo à glabrescência, frutos oblongos a falciformes são variações verificadas na morfologia deste táxon. O espécime coletado em Tarumã apresentou grande semelhança com o material tipo, com folíolos ovais, acuminados e glabros. Em Mato Grosso e Goiás, os espécimes além da raque e dos folíolos revestidos, apresentaram folíolos de base cordada. Na amplitude morfológica de M. paraguariense, observada no material procedente de São Paulo, predominam folíolos ovais, acuminados e esparsamente revestidos, enquanto que em M. vestitum, espécie próxima, os folíolos são geralmente elípticos e velutino-ferrugíneos, os ramos estriados e lenticelas não evidentes. M. paraguariense ocorre em mata mesófila semidecídua e borda de cerradão no oeste do estado (figura 10). Floresce em janeiro e frutifica em agosto e novembro.

Material examinado - Macedônia, 5/8/1992 (fr.), H. Lorenzi 28451 (UEC); Paulo de Faria, Estação Ecológica, 23/11/1993 (fr.) A. Sartori et al. 29114 (UEC); Tarumã, Fazenda Canaboa, 10/1/1992 (fl.), G. Durigan 28633 (UEC); idem, 10/11/1992 (fr.), A. Sartori & G. Durigan 29002 (UEC); Votuporanga, s.d. (fr.), H. Lorenzi 28450 (UEC). Outros estados: Distrito Federal, Brasília, 11/5/1966 (fr.), H.S. Irwin et al. s.n. (HB); Goiás, Itumbiara, estrada entre Itumbiara e Buriti, 26/6/1992 (fr.), H. Lorenzi 28449 (UEC); Goiás Velha, 20/7/1964 (fr.), A.P. Duarte 8184 (HB); Mato Grosso, Xavantina, Vale dos Sonhos, 25/8/1972 (fl.), J.A. Ratter et al. 2211 (UEC); Rio Grande do Sul, s.l., 1926 (fr.), Malme s.n. (R); Santa Catarina, s.l., 23/2/1957 (fr.), L.B. Smith et al. 11707 (R). Paraguai, Ypacarai, 1\1845-1895 (fl.), E. Hassler 1849 (holotipo G).

11. Machaerium vestitum Vog., Linnaea 11:190. 1837.

Fig. 14.

 

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Figura 14. Machaerium vestitum Vog.: a. Aspecto geral do ramo; b. Flor; c. Bractéola; d. Cálice; e. Estandarte; f. Pétalas da quilha; g. Asa; h. Estames; i. Gineceu; j. Frutos (a - i: A. Sartori 31362; j: H. Lorenzi 28452). Escala: 2 cm ramo e fruto; 2 mm estruturas florais.

 

Árvore 4-15 m, ramos estriados, com lenticelas pouco evidentes. Folhas 7-12-folioladas; pecíolo ferrugíneo-velutino a glabro escurecido, como raque e peciólulo, 1,8-3,6 cm compr.; raque retilínea, 5,5-11,5 cm compr.; peciólulo 2-3 mm compr.; folíolos cartáceos, alternos, elípticos, base oblíqua ou atenuada, ápice breve-acuminado a acuminado, ferrugíneo-velutino em ambas as faces, mais denso sobre a abaxial, nervação broquidódroma, 3,9-7,3 x 1,3-2,5 cm;. Inflorescência constituída de racemos fasciculados, axilares, menor que a folha; brácteas de primeira e segunda ordens côncavas, base truncada, ápice obtuso, externamente velutinas, ca. 1 mm compr.; bractéola elíptica, externamente serícea, ca. 1 mm compr.; flores sésseis; cálice campanulado, dois lacínios superiores mais largos, externamente denso-viloso, 2,6 mm compr.; corola creme esverdeada, 4 mm compr.; estandarte orbicular, ápice retuso, base atenuada, 5,7 x 4,7 mm.; asa oval, dobra na porção inferior oposta ao dorso, 5,6 x 2,2 mm; quilha oblonga, dobra na mesma região que as da asa, 5 mm compr.; estames 10, monadelfos, filetes glabros, anteras oblongas; ovário subseríceo. Sâmara falciforme, ápice obtuso com pequeno apículo, nervura vexilar espessada, 4,5-5,6 cm compr., estipe 4,7-7,5 mm compr., região seminífera destacada, 9-12 mm larg., asa acastanhada, 12-16 mm larg.

Espécie reconhecível pelos folíolos elípticos, com ápice acuminado, base oblíqua ou atenuada, ferrugíneo-velutinos principalmente sobre a face abaxial, assim como a raque, pecíolo e peciólulo. Próxima de M. paraguariense, M. vestitum é identificada pelo revestimento mais denso dos folíolos e ramos estriados, freqüentemente com gemas menores de 5 mm de comprimento e pelos frutos menores. Ocorre em mata mesófila semidecídua com distribuição predominante nos arredores de Campinas (figura 10). Floresce de dezembro a março e frutifica de janeiro a maio.

Material examinado - Botucatu, Fazenda São João, 23/3/1989 (fr.), J.L.C. Gabriel s.n. (HRCB); Brotas, 13/4/1987 (st.), S.M. Salis & J.R. Spigolon 19250 (UEC); Campinas, 12/1993 (fl.), A. Sartori 31362 (UEC); idem, 2/1994 (fr.), A. Sartori 31363 (UEC); Charqueada, Mata da Glória, 7/5/1993 (st.), K.D. Barreto et al. 402 (ESA); Guareí, sítio do Sr. Mariano, 13/2/1984 (fr.), F.R. Martins & J.Y. Tamashiro 15721 (UEC); Limeira, 15/11/1946 (fl.), W. Hoehne 11660 (SPF); Piracicaba, 14/4/1993 (st.), K.D. Barreto et al. 272 (ESA); idem, 9/1/1986 (fr.), E.L.M. Catharino 686 (ESA); idem, estrada para Anhembi, 20/3/1991 (fl., fr.), H. Lorenzi s.n. (UEC); idem, 18/1/1945 (fl.), B. Pickel s.n. (US); São João da Boa Vista, estrada para Pinhal, 25/3/1991 (fr.), H. Lorenzi 28452 (UEC); Valinhos, saída para D. Pedro, 11/4/1980 (fr.), A.C. Gabrielli & H.F. Leitão-Filho 11126 (UEC). Outros estados: Minas Gerais, Santa Luzia, Fazenda do Cipó, 20/9/1937 (fl.), M. Barreto 9240 (US); Paraná, Campina Grande do Sul, 1/4/1969 (fr.), G. Hatschbach 21312 (UEC); idem, Mandassaia, 1/4/1969 (fr.), G. Hatschbach (HB).

12. Machaerium villosum Vog., Linnaea 11:189. 1837.

Machaerium lanatum Tul., Arch. Mus. Par. 4:96. 1844.

Fig. 15.

 

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Figura 15. Machaerium villosum Vog.: a. Aspecto geral do ramo; b. Botão floral; c. Bractéola; d. Cálice; e. Estandarte; f. Pétalas da quilha; g. Asa; h. Estames; i. Gineceu; j. Frutos (a: W. Mantovani 1313; b - i: Riedel s.n. US 598039; j: J. Mattos 15339). Escala: 2 cm ramo e fruto; 2 mm estruturas florais.

 

Árvore 5-15 m, caule sulcado, decorticante, ramos sulcados, ligeiramente ocre-vilosos ou glabrescentes mais escurecidos, com cicatriz estipular evidente. Folhas 10-23-folioladas; pecíolo, raque e peciólulo canescente-vilosos a glabrescentes, pecíolo (2,2-)4,5(-8,1) cm compr., raque sulcada, (8,4-)24(-26) cm compr.; peciólulo (2-)5(-7) mm; folíolos cartáceos, alternos a subopostos, discolores, oblongos, lanceolados ou obovados, base atenuada a arredondada, ápice agudo, face abaxial canescente-vilosa principalmente sobre a nervura principal, face adaxial esparso-vilosa, com nervação broquidódroma proeminente na face abaxial, 5,6-9,4 x 1,7-2,2 cm. Inflorescência paniculada, com fascículos, axilar, pendente, eixos canescente-vilosos, eixo de segunda ordem às vezes fasciculado; flores dísticas, sésseis; bractéola oval, externamente rufo-tomentosa, ca. 1,5 mm compr.; cálice campanulado, mesmo revestimento da bractéola, ápice obtuso, três lacínios inferiores menores e próximos, superfície dos lacínios ciliada, ca. 2,5 mm compr.; flores brancas a esverdeadas; estandarte orbicular, externamente enegrecido, denso-seríceo no centro, nas laterais glabro, internamente esbranquiçado, glabro, exceto no ápice, 6-7,6 x 5-6,8 mm; asa elíptica, externamente vilosa no dorso, dobra na região mediana-inferior, 5,8 x 2 mm; pétalas da quilha com forma, revestimento, tamanho e dobra semelhantes aos da asa; estames 10, monadelfos, filetes glabros, anteras oblongas; ovário viloso. Sâmaras oblongas, ápice arredondado, 5,5-9,1 cm compr., estipe e região seminífera pubérulas, 7,6-10 mm compr., região seminífera raro enrugada, 11-14,5 mm larg., asa reticulada, amarelada, nervura vexilar espessada, reta, carenal pouco intrusa na região seminífera, 12-24 mm larg.

Folíolos cartáceos, sempre discolores no material herborizado, oblongos, de ápice agudo, o revestimento canescente-viloso no pecíolo, raque, peciólulo e face abaxial dos folíolos são características relevantes para o reconhecimento de M. villosum. Os folíolos basais, às vezes são ovalados, enquanto os medianos oblongos e os terminais obovados. Em material de rebrota folíolos ovais diferem do padrão, mas mantém o revestimento característico. M. villosum difere de M. acutifolium pelos folíolos oblongos e sempre revestidos. Difere de M. cantarellianum pelos folíolos maiores, vilosos na face abaxial e pelo hábito arbóreo. Hoehne (1941) mencionou M. nigrum, baseado em espécime estéril, para Sorocaba (O.T. Mendes SP 41431). Na descrição da espécie ressaltou que o revestimento dos ramos aproximava-a de M. lanatum sinonimizada por Rudd (1987) com M. villosum. O material não foi analisado, porém, acreditamos que foi confundido com M. villosum comparando as descrições de ambas as espécies. A espécie cresce em borda e interior de mata, cerrado, cerradão, distribuída na região leste do estado e ausente nos locais com latitudes superiores a 24° (figura 16). Floresce de novembro a janeiro e frutifica de maio a agosto; flores e frutos em janeiro. Botões florais observados em novembro e dezembro quando ainda se verificavam também frutos imaturos.

 

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Figura 16. Distribuição geográfica do material examinado de triangb.gif (853 bytes) M. villosum Vog., triangp.gif (308 bytes) M. acutifolium Vog., circp.gif (136 bytes) M. cantarellianum Hoehne, circb.gif (183 bytes) M. brasiliense Vog., estrela6p.GIF (147 bytes) M. oblongifolium Vog. e quadb.gif (130 bytes) M. triste Vog.

 

Material examinado - Araraquara, bairro do Serraial, 29/11/1951 (fl.), W. Hoehne 14040 (SPF); Assis, Estação Ecológica, 10/11/1993 (fl.), A. Sartori 29001 (UEC); Atibaia, Grota Funda, 23/7/1993 (fr.), A. Sartori 31359 (UEC); Botucatu, Campus da UNESP, 8/11/1993 (st.), A. Sartori 28949 (UEC); idem, Rubião Júnior, 17/6/1992 (fr.), E.M.N. Gabriel s.n. (BOTU 18571); Brotas, Fazenda Santa Elisa, 30/3/1987 (fl.), S.M. Salis & J.R. Spigolon 19249 (UEC); Cajuru, Fazenda Santa Carlota, 29/11/1985 (fl.), L.C. Bernacci 140 (UEC); Campinas, 20/12/1985 (fl.), V.L. Arruda 19842 (UEC); idem, Fazenda São Vicente, 6/6/1990 (fr.), L.C. Bernacci 25874 (UEC); Corumbataí, 10/11/1988 (fl.), H. Vitti s.n. (HRCB); Cunha, serra da Bocaina, 14/6/1968 (fr.), J. Mattos 15339 (SP); Mogi Guaçu, Fazenda Campininha, 4/12/1976 (fl.), P. Gibbs et al. 4045 (F, UEC); idem, 18/11/1980 (fl.), W. Mantovani 1313 (SP); Pindorama, Estação Experimental, 15/11/1938 (fl.), R. Valentim 41875 (SP); Piracicaba, campus da ESALQ, 7/5/1993 (st.) K.D. Barreto et al. s.n. (ESA); idem, 2/6/1993 (fr.), K.D. Barreto et al. s.n. (ESA); Rio Claro, Fazenda São José, 26/11/1982 (fl.), Pagano 461 (UEC); São Paulo, 6/5/1933 (fr.), B. Pickel 16354 (IAC); Taubaté, 28/1/1987 (fl.), A. Silva s.n. (ESA); idem, s.d. (fr.), Riedel 1883 (US). Outros estados: Minas Gerais, Carrancas, Cachoeira da Fumaça, 9/12/1983 (fl.), H.F. Leitão-Filho et al. 15399 (UEC); Jacuí, Fazenda São José, 5/12/1982 (fr.), A.M.G. Azevedo 14354 (UEC); Pandeiros, próximo a Januária, 25/10/1972 (fl.), J.A. Ratter et al. 2665 (UEC); Poços de Caldas, Fazenda Chiqueirão, 3/12/1981 (fl.), H.F. Leitão-Filho 1569 (UEC); Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, Jacarepaguá, 12/1917 (fl.), C. Diogo 881 (R); s.l., s.d.(fl.), Sellow (UEC - fotografia isotipo K).

13. Machaerium cantarellianum Hoehne, Arq. Bot. Est. de S. Paulo sér. 2, l:30. 1928.

Fig. 17.

 

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Figura 17. Machaerium cantarellianum Hoehne: a. Aspecto geral do ramo; b. Flor; c. Bractéola; d. Cálice; e. Estandarte; f. Pétalas da quilha; g. Asa; h. Estames; i. Gineceu; j. Frutos (a, j: F.C. Hoehne 28731; b - e, h, i: F.C. Hoehne 13364; f, g: Riedel s.n. US 598038). Escala: 2 cm ramo e fruto; 2 mm estruturas florais.

 

Planta escandente ou árvore, ramos esparso-tomentosos, lenticelas obscuras, raro aculeados. Folhas com (15-)17(-25) folíolos; pecíolo, raque e peciólulo, ocráceo-tomentosos a glabros, 2,5-4,2 cm compr., 7,2-9,8 cm compr., 2-3,6 mm compr. respectivamente; folíolos cartáceos, discolores, elípticos, lanceolados, base aguda, raro oblíqua, ápice agudo com múcron, face abaxial ocreada-vilosa, densamente revestida sobre nervura principal, margem ciliada, face adaxial esparso-vilosa, nervação broquidódroma, 4,4-7,3 x 1,4-1,5 cm. Inflorescência paniculada, axilar, eixo principal ocreado-tomentoso; flores sésseis; bractéolas, suborbiculares, tomentosas, ca. 2 mm compr.; cálice campanulado, dois lacínios superiores mais largos, todos de ápice arredondado, denso-tomentosos sobre os lacínios, 4 x 3 mm; corola branco esverdeada, ca. 4 mm compr.; estandarte orbicular, denso-seríceo externamente, pubérulo internamente no ápice, 4,9-7,3 x 4,2-6,7 mm; asa oblonga, dobra na porção basal, revestida externamente sobre unguícula, 7,3 x 2,2 mm; pétalas da quilha subobovadas, com dobras, denso-vilosas no dorso até unguícula, 6-7,6 mm compr.; estames monadelfos, 10, em diferentes alturas, porção livre dos filetes com pêlos esparsos, anteras oblongas; ovário ocráceo-viloso, estipe glabro. Sâmara oblonga, tenuemente falciforme, 5,8-9,3 cm compr., ápice arredondado, apiculado, estipe 8-10 mm compr., região seminífera 11-19 mm larg., asa 13-23 mm larg.

M. cantarellianum apresenta folíolos freqüentemente elípticos, discolores, cartáceos, densamente revestidos de pêlos na face abaxial. Próxima de M. villosum, difere pela morfologia das asas e pétalas da quilha, pelo menor tamanho do pecíolo, raque, peciólulo e folíolos. As coletas, relativamente poucas, foram realizadas somente na grande São Paulo (figura 16). Foram constatadas flores em janeiro e frutos em abril e julho.

Material examinado - Piquete, 13/5/1995 (fr.), G. Árbocz 1428 (UEC); São Paulo, Parque e Jardim Botânico, 20/1/1932 (fl.), F.C. Hoehne 28731 (US); Jabaquara, 24/1/1924 (fl.), F.C. Hoehne 13364 (US); idem, próximo a Santo Amaro, 1/4/1941 (fr.), W. Hoehne s.n. (SPF 10714); Parque do Estado, 17/4/1947 (fr.), W. Hoehne s.n. (SPF 12399). Outros estados: Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2/1894 (fl.), E. Ule 29 (R).

14. Machaerium acutifolium Vog., Linnaea 11:187. 1837.

Fig. 18.

 

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Figura 18. Machaerium acutifolium Vog.: a. Aspecto geral do ramo; b. Flor; c. Bractéola; d. Cálice; e. Estandarte; f. Pétalas da quilha; g. Asa; h. Estames; i. Gineceu; j. Frutos (a - i: M. Kuhlmann 4261; j: L.M. Esteves 74). Escala: 2 cm ramo e fruto; 2 mm estruturas florais.

 

Árvore 1,5-5 m, caule sulcado, ramos com lenticelas esbranquiçadas. Folhas 9-19-folioladas, pecíolo, raque, peciólulo esparso-pubescentes a glabros, 3,2-5,8 cm, 11,4-20 cm, 3,3-6,6 mm compr., respectivamente; folíolos concolores, subcoriáceos, oblongo-lanceolados ou oval-lanceolados, base arredondada, raro cordada, ápice agudo, mucronado, seríceo na face abaxial principalmente sobre nervura principal, nervação broquidódroma, 4,5-9,0 x 1,5-3 cm. Inflorescência paniculada, axilar, pendente, eixos esparsamente tomentosos; bractéolas transversalmente elípticas, esparsamente tomentosas, ca. 1mm compr.; cálice campanulado, ápice obtuso, dois lacínios superiores maiores, externamente ferrugíneo-tomentoso, 2,5-3 mm compr.; corola branca, 4-6 mm compr.; estandarte orbicular a suboval, externamente enegrecido, seríceo, internamente esbranquiçado, glabro, exceto no ápice esparso-seríceo, 4,5-7 x 3-6 mm; asa estreitamente oblonga, às vezes, esparsamente serícea no dorso ou glabra, dobras na porção inferior oposta ao dorso, 4-7 x 2 mm; quilha oblonga, serícea no dorso, dobras na mesma região da asa; estames monadelfos, 8-10, em alturas diferentes, anteras oblongas a triangulares, filetes geralmente glabros, raro esparso-seríceos; ovário velutino. Sâmaras falciformes, oblongas, base arredondada, ápice obtuso, apiculado, 5,5-8 cm compr., estipe 6,4-9,4 mm compr., região seminífera enrugada, 8-14,5 mm larg., esparsamente pubescente a glabra, asa reticulada, brilhante, com pontuações, geralmente manchada próxima a base, nervura vexilar espessada, 8-18,5 mm larg.

M. acutifolium possui folíolos oblongo-lanceolados e ovado-lanceolados, concolores, glabrescentes, subcoriáceos, frutos falciformes e oblongos, enrugados na região seminífera. A arquitetura da árvore desta espécie assemelha-se à de M. villosum, mas o caule apresenta sulcos longitudinais e cicatrizes horizontais. No estado de São Paulo ocorre no cerrado (figura 16). Floresce de novembro a março e frutifica de março a junho, podendo apresentar simultaneamente flores e frutos em dezembro.

Material examinado - Águas de Santa Bárbara, 20/3/1989 (fr.), J.A.A. Meira-Neto 350 (UEC); idem, 7/12/1989 (fl.), J.A.A. Meira-Neto 474 (UEC), Angatuba Instituto Florestal, s.d. (st.), J.A. Ratter et al. 4848 (UEC); Araçatuba, 24/11/1993 (fr.), A. Sartori et al. 29119 (UEC); Assis, Estação Ecológica, 10/11/1993 (fl.), A. Sartori et al. 29010 (UEC); Botucatu, 1/4/1986 (fr.), L.R.H. Bicudo et al. 864 (UEC); idem, rodovia a 5 km de Vitoriana, 13/5/1986 (fr.), L.R.H. Bicudo et al. 1128 (UEC, SP); idem, 21/11/1985 (fl.), L.R.H. Bicudo et al. 149 (UEC, SP); Casa Branca, rodovia entre o município e o Lar Esperança, 1/8/1993 (fr.), A. Sartori 31357 (UEC); Cerqueira Cesar, Posto Tolluca, 9/11/1993 (fl.), A. Sartori & C. Muller 28967 (UEC); Itararé, 9/1965 (fl.), J. Mattos & C. Moura 12837 (SP); Itirapina, 12/2/1992 (st.), J.Y. Tamashiro et al. 27086 (UEC); Mogi Guaçu, Fazenda Campininha, 6/8/1980 (fr.), W. Mantovani 913 (UEC, SP); idem, 30/10/1957 (fl.), M. Kuhlmann 4261 (SP, US); idem, 18/11/1936 (fl.), F.C. Hoehne & A. Gehrt 36868 (US, SP); Pirassununga, 27/11/1944 (fl., fr.), M. Rachid s.n. (F); idem, 9/4/1993 (fr.), A. Sartori & L.H. Mitidieri 28769 (UEC); Santa Rita do Passa Quatro, Parque Estadual de Vaçununga, 7/1985 (fr.), A.A.J.F. Castro 19742 (UEC); idem, 24/11/1978 (fl.), B.L. Morretes s.n. (SPF); São José do Rio Preto, 22/11/1993 (st.), A. Sartori et al. 29107 (UEC); São Carlos, distrito Santa Eudoxia, 7/5/1985 (fr.), L.M. Esteves 74 (UEC); idem, 10/1953 (fl.), O. Handro 355 (SP, US); São Simão, 22/5/1957 (fr.), M. Kuhlmann 4134 (US, SP); Tanabi, sítio do Paulo, 25/11/1993 (fl.), A. Sartori et al. 29134 (UEC); Teodoro Sampaio, 11/1989 (fl.), H. Faria 28636 (UEC). Outros estados: Distrito Federal, Brasília, 5/4/1961 (fr.), E.P. Heringer 8169 (RB); Goiás, Velha Base da Serra Dourada, 17/7/1964 (fr.), A.P. Duarte 8183 (RB); Mato Grosso, Cuiabá, 6/1/1894 (fl.), G.A. Malme s.n. (R); Minas Gerais, São João Batista, 1837 (fl.), Pohl. s.n. (UEC - fotografia K).

15. Machaerium brasiliense Vog., Linnaea 11:185. 1837.

Fig. 19.

 

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Figura 19. Machaerium brasiliense Vog.: a. Aspecto geral do ramo; b. Flor; c. Bractéola; d. Cálice; e. Estandarte; f. Pétalas da quilha; g. Asa; h. Estames; i. Gineceu; j. Frutos (a: O. Handro 2311; b: D.V. Toledo 14908; c, e - h: F.C. Hoehne 10232; d, i: L.P.M. Fonzar 16718; j: M. Kirizawa 344). Escala: 2 cm ramo e fruto; 2 mm estruturas florais.

 

Árvore (3-)6-10(-23) m, caule sulcado, esfoliativo; ramos pubescentes a glabros, lenticelas evidentes. Folhas 7-9-folioladas; pecíolo esparsamente ferrugíneo-viloso, como raque e peciólulo, 1,1-3,2 cm compr.; raque sulcada, às vezes sinuosa, 3,2-6,2(-9,4) cm compr.; peciólulo enrugado, 2-4 mm compr.; folíolos cartáceos, alternos, concolores, geralmente elípticos, base arredondada, ápice acuminado, face abaxial esparsamente ferrugíneo-vilosa sobre nervura principal, nervação broquidódroma, 3,7-5,7(-7,6) x 1,3-2,4 cm. Inflorescência constituída de racemo simples, axilar, eixo, bractéola e pedicelo ferrugíneo-vilosos; bráctea triangular, côncava, externamente estriada, pubérula, 7-16 mm compr.; pedicelo 1mm compr.; bractéola linear, na base do pedicelo, ca. 2 mm compr.; cálice campanulado, ápice obtuso, ferrugíneo-tomentoso externamente, 3 mm compr.; corola creme-esverdeada, ca. 4 mm compr.; estandarte orbicular, externamente enegrecido, seríceo na metade superior, internamente creme-esverdeado, 6-7 x 5 mm; asa oblonga, serícea na unguícula, 7-8 x 3 mm; pétalas da quilha oblongas, conatas na região mediana, seríceas no dorso, tamanho semelhante ao da asa; estames 10, vexilar livre, anteras oblongas a elípticas; ovário esparsamente ferrugíneo-viloso. Sâmara falciforme, ápice apiculado, 4,9-8,5 cm compr., estipe 7,5-15,5 mm compr., região seminífera 8,4-14 mm larg., asa oblonga, reticulada, às vezes com pontuações, 11,5-25 mm larg.

Esta espécie apresenta revestimento ferrugíneo-viloso da raque, face abaxial dos folíolos e inflorescência. Quando em floração, a planta apresenta brácteas e folíolos membranáceos, densamente revestidos, enquanto que na frutificação os folíolos são cartáceos, glabrescentes. Inflorescência do tipo racemo e bractéola linear são características diagnósticas desta espécie. Próxima de M. triste da qual difere pelas flores pediceladas e pelo hábito arbóreo. Ocorre em mata mesófila semidecídua, mata ciliar e cerradão. Dentre as espécies arbóreas compreende uma das poucas ocorrentes no litoral (figura 16). Apresenta flores de agosto a outubro e frutos praticamente o ano todo.

Material examinado - Araraquara, 30/11/1967 (fr.), H.H. Souza s.n. (IAC); Assis, Estação Ecológica, 10/11/1993 (st.), A. Sartori & M.D.N. Grecco 29003 (UEC); Botucatu, campus da UNESP, Jardim Botânico, 8/11/1993 (fr.), A. Sartori & R. Bellinelo 28954 (UEC); idem, rodovia Castelo Branco, 8/7/1993 (fr.), H. Lorenzi 28785 (UEC); Brotas, Mata ciliar do Rio Jacaré Pepira Mirim, 8/4/1986 (st.), S.M. Salis. et al. 19214 (UEC); Campinas, próximo ao campus da PUC, 20/4/1973 (fr.), H.M. Souza 23107 (IAC); Iguape, 1924 (fr.), A.L. Andrade 9149 (R); Joanópolis, a 15 km da cidade junto a cachoeira dos Pretos, 10/9/1979 (fl.), H.F. Leitão-Filho et al. 10391 (UEC); Jundiaí, Serra do Japi, Mirante, 1/10/1984 (fl.), L.P.C.M. Fonzar et al. 16718 (VIC); idem, Monte do Mursa, 26/3/1993 (fr.), A. Sartori 28765 et al. (UEC); Mogi Mirim, Horto Florestal, 4/9/1983 (fl.), D.V. Toledo 14908 (UEC); Piracicaba, 9/7/1986 (fr.), E.L.M. Catharino 866 (ESA); São Manoel, rodovia Castelo Branco, 9/9/1993 (st.), H. Lorenzi 28789 (UEC); São Paulo, Jardim Botânico, Água Funda, 9/1986 (fl.), O. Handro 2311 (SP); idem, Parque do Estado de São Paulo, Escola de Farmácia e Odontologia de SP, 19/9/1933 (fl.), F.C. Hoehne 10232 (SPF); idem, 28/11/1944 (fr.), W. Hoehne 12401 (SPF); idem, 22/7/1978 (st.), M. Kyrizawa 344 (SP); idem, 22/6/1978 (fr.), M. Kyrizawa, 339 (SP); idem, Reserva do Instituto de Botânica, 15/11/1980 (fr.), N.A. Rosa & J.M. Pires 3747 (SP); idem, Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, 10/1977 (fl.), M. Kyrizawa 350 (SP); Ubatuba, junto à orla marítima, 28/6/1956 (fr.), M. Kuhlmann 3823 (US). Outros estados: Mato Grosso, Chapada dos Guimarães, 20/12 (fr.), J.R. Monteiro et al. 137 (UEC); Minas Gerais, s.l., s.d. (fr.), P. Claussen 1840 (UEC - fotografia K); Paraná, Morretes, 23/1/1969 (fl.), G. Hatschbach 20891 (UEC); Rio de Janeiro, Petrópolis, 10/1896 (fl.), E. Ule s.n. (R).

16. Machaerium triste Vog., Linnaea 11:416. 1837.

Fig. 20.

 

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Figura 20. Machaerium triste Vog.: a. Aspecto geral do ramo com frutos; b. Inflorescência; c. Flor; d. Bractéola; e. Cálice; f. Estandarte; g. Asa; h. Pétalas da quilha; i. Estames; j. Gineceu. (a: M. Kuhlmann 3823; b - j: F.C. Hoehne 31214). Escala: 2 cm ramo e fruto; 2 mm estruturas florais.

 

Planta escandente, ramos lenticelados, esparsamente tomentosos, às vezes com acúleos unciformes, ca. 3 mm compr. Folhas 9-folioladas, pecíolo esparso-tomentoso, 2,5-3,1 cm compr.; raque tomentosa a glabra, 3,5-8,3 cm compr.; peciólulo tomentoso, 3-4,5 mm compr.; folíolos cartáceos, alternos, elípticos, base arredondada, ápice acuminado, face adaxial glabra, face abaxial vilosa sobre nervura principal, nervação broquidódroma, 3,1-5,2 x 1,4-2,7 cm. Inflorescência constituída de racemos simples, axilares, eixo rufo-tomentoso; brácteas caducas; flores curto-pediceladas; bractéolas lineares, externamente tomentosas, 1,5 mm compr.; cálice campanulado, dois lacínios superiores mais largos, ápice ligeiramente agudo, externamente rufo-tomentoso, 2,5 mm compr.; corola branca; estandarte orbicular, externamente seríceo, 7,5 x 6,7 mm; asa oblonga, serícea no dorso, 13,5 x 3,2 mm; pétalas da quilha obovadas, conatas na região mediana, externamente seríceas, 8 mm compr.; estames 10, vexilar livre, filetes glabros, anteras oblongas; ovário esparso-viloso. Sâmara falciforme, ápice arredondado, glabro, 6,5-7,3 cm compr., estipe 13-14,5 mm compr., região seminífera 9-13 mm larg., asa brilhante, às vezes com pontuações, 14-19 mm larg.

M. triste distingue-se de M. brasiliense pelo porte escandente, flores curto-pediceladas, estandarte externamente seríceo e asas mais longas que as pétalas da quilha. Os folíolos jovens são membranáceos, vilosos em ambas as faces e os folíolos terminais obovados com base aguda. Esta espécie cresce em mata mesófila semidecídua de altitude, sendo relativamente pouco coletada no estado. Sua distribuição compreende apenas o litoral e grande São Paulo (figura 16). Floresce em dezembro e apresenta frutos em junho e agosto.

Material examinado - Juquiá, 9/9/1994 (fr.), M.R. Gorenstein et al. 39 (UEC); São Paulo, Parque e Jardim Botânico do Estado, 24/8/1951 (fr.), W. Hoehne 13626 (SP, UEC); idem, 12/1935 (fl.), 6/1936(fr.), F.C. Hoehne 31214 (SP); Sete Barras, 13/2/1995 (fr.), H.F. Leitão-Filho et al. 33342 (UEC); Ubatuba, junto à orla marítima, 28/6/1956 (fr.), M. Kuhlmann 3823 (US). Outros estados: Paraná, Morretes, 23/1/1969 (fl.), G. Hatschbach & C. Koczicki 20891 (UEC).

17. Machaerium oblongifolium Vog., Linnaea 11:181. 1837.

Fig. 21.

 

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Figura 21. Machaerium oblongifolium Vog.: a. Aspecto geral do ramo; b. Flor; c. Cálice; d. Estandarte; e. Pétalas da quilha; f. Asa; g. Estames; h. Gineceu; i. Frutos (a - h: F.C. Hoehne 32078; i: C.A. Fonseca 3). Escala: 2 cm ramo e fruto; 2 mm estruturas florais.

 

Planta escandente ou árvore 6 m, ramos ferrugíneo-velutinos a pubescentes; às vezes gavinhas lenhosas aculeadas, acúleos ca. 2,2-3,5 mm compr. Folhas 5-7-folioladas; pecíolo, raque, peciólulo ferrugíneo-velutinos, 1,9-2,3 cm compr.; raque 2,4-4,1 cm; peciólulo 1,5-2,6 mm compr.; folíolos papiráceos, opostos ou alternos, concolores, oblongos, obovados ou elípticos, base arredondada, ápice obtuso ou curto-acuminado, face adaxial glabra, abaxial densamente ferrugíneo-velutina sobre nervura principal, nervação broquidódroma, 3,6-5,8 x 1,3-2 cm. Inflorescência constituída de racemos fasciculados ou paniculados, terminal e axilar, pendente, pedúnculo às vezes comum à folha e aos racemos fasciculados, ca. 1,5 cm compr., eixos ferrugíneo-velutinos; bractéolas elípticas, ferrugíneo-velutinas, ca. 2 mm compr.; cálice campanulado, ápice obtuso, lacínios semelhantes ou dois superiores maiores, externamente ferrugíneo-tomentosos, 4,5 mm compr.; corola branca, ca. 4,6 mm compr.; estandarte orbicular, externamente denso-ferrugíneo-seríceo, 6,3 x 4,8 mm; asa e pétalas da quilha elípticas, seríceas no dorso, dobra discreta na região inferior oposta ao dorso, 6 x 1,5 mm, pétalas da quilha dorsalmente conatas, 7 mm compr.; estames 10, monadelfos, filetes glabros, anteras oblongas; ovário esparsamente ferrugíneo-velutino. Sâmaras oblongas a ligeiramente falciformes, base e ápice obtusos, 4,7-6,2 cm compr., estipe pubérula a ferrugíneo-vilosa, 5-8 mm compr., região seminífera espessada, 9-12 mm larg., semente destacada, asa reticulada, 11-16 mm larg.

M. oblongifolium caracteriza-se pela folha até 7-foliolada, folíolos papiráceos, nervação broquidódroma e ferrugíneo-velutinos na raque e face abaxial dos folíolos. Um pedúnculo comum aos racemos fasciculados e à folha pode ocorrer, sendo peculiar a esta espécie. Apesar de predominantemente oblonga, a forma dos folíolos tende a elíptica para os basais, obovada para os medianos e os terminais, com tamanho crescente dos basais aos apicais. No aspecto geral suas sâmaras são semelhantes às de M. brasiliense e a forma de suas pétalas às de M. triste. Ocorre em formações de mata de restinga e mata de encosta, predominantemente no litoral (figura 16). Apresenta flores de outubro a dezembro e frutos em janeiro, maio, novembro e dezembro; flores e frutos foram encontrados em novembro.

Material examinado - Iguape, Estação Ecológica de Juréia, 16/1/1983 (fr.), N. Figueiredo & R.R. Rodrigues 14432 (UEC); Mongaguá, Praia Grande, 8/12/1940 (fl.), A. Gehrt s.n. (US); São Paulo, 12/11/1926 (fl., fr.), M. Kuhlmann 17807 (US); idem, Instituto de Botânica, ca 10 Km ao sul da praça da Sé, 18/1/1961 (fr.), C.A. Fonseca 3 (US); idem, Parque Estadual das Fontes do Ipiranga, 10/5/1983 (fr.), M. Sugiyama 271 (SP); idem, 2/10/1933 (fl.), F.C. Hoehne 32078 (US); idem, 16/11/1978 (fl.), M.M.R.F. Melo & S.L. Jung 112 (UEC); Sete Barras, 13/2/1995 (st.), H.F. Leitão Filho et al. 33348 (UEC); Ubatuba, Picinguaba, 2/12/1988 (fr.), F.C.P. Garcia 197 (HRCB). Outros estados: Minas Gerais, Tombos, Fazenda Cachoeira, 14/7/1935 (fr.), M. Barreto 1964 (F); Rio de Janeiro, Petrópolis, 5/9/1977 (st.), L. Mantone 292 (RB); s.l., s.d. (fl.), Sellow s.n. (UEC - fotografia isotipo K).

Considerações finais. A distribuição do gênero no estado de São Paulo é descontínua na região oeste e nos arredores de Franca. Segundo Kronka et al. (1993), a vegetação de mata e capoeira do estado sofreu drásticas reduções em São José do Rio Preto, Presidente Prudente e Araçatuba, bem como a de cerrado, cerradão e campo da região de Ribeirão Preto e Marília. Por outro lado, coletas têm sido escassas nestas áreas. Ressaltando a importância de coletas, espécies como M. triste, M. cantarellianum, M. uncinatum, M. dimorphandrum e M. scleroxylon, representadas apenas por coleções antigas e reduzidas, tiveram registros de ocorrência após 40 anos ou mais daquelas coletas.

De um modo geral as espécies com o hábito escandente ocorrem ao leste do estado: M. declinatum, M. dimorphandrum, M. cantarellianum, M. oblongifolium, M. triste e M. uncinatum. M. amplum distribui-se principalmente no noroeste paulista, enquanto M. lanceolatum atinge o interior do estado. Espécies com distribuição predominante na faixa litorânea também ocorrem nos estados do Rio de Janeiro e do Espírito Santo. Das arbóreas, somente M. nictitans e M. brasiliense aparecem no litoral.

M. acutifolium ocorre exclusivamente no cerrado, enquanto outras espécies são encontradas em vários tipos de vegetações. M. nictitans ocorre na mata mesófila de altitude em elevações superiores a 1000 metros (Rodrigues & Shepherd 1992). M. brasiliense ocorre em mata mesófila de altitude, cerradão, mata ciliar e mata mesófila semidecídua. M. stipitatum, M. villosum e M. scleroxylon, ocorrentes em mata mesófila semidecídua, são caracterizadas como secundárias (Durigan & Nogueira 1990). M. hirtum é freqüentemente encontrada em borda de mata, enquanto M. amplum, em campos abertos e também em áreas perturbadas por queimadas. M. oblongifolium, M. uncinatum e M. declinatum ocorrem em mata de restinga (Garcia 1992).

Machaerium uncinatum, M. declinatum, M. vestitum e M. cantarellianum apresentam distribuição restrita à região sudeste. M. brasiliense, M. oblongifolium e M. lanceolatum, além da região sudeste, ocorrem na Bahia. A distribuição de M. scleroxylon atinge Goiás e Mato Grosso do Sul e a de M. amplum e de M. acutifolium chega até a Amazônia. M. triste apresenta uma distribuição disjunta, ocorrendo na região sudeste e na Amazônia. A distribuição de M. villosum e M. dimorphandrum estende-se até o Paraná, a de M. nictitans e de M. stipitatum atinge o Rio Grande do Sul e a de M. paraguariense é verificada para o norte da Argentina e Paraguai.

O conjunto de espécies de Machaerium confirmado para o estado de São Paulo, quando comparado ao de outras regiões, de acordo com dados de literatura (Lewis 1987, Burkart 1943, Ducke 1949, Macbride 1943), mostra maior número de espécies coincidentes com a Bahia (8 espécies), Argentina (6), Amazônia (4) e Peru (2). Considerando-se os espécimes examinados de outros estados, um maior número de espécies coincidentes foi verificado para Minas Gerais (10), Rio de Janeiro (9) e Paraná (9).

A composição específica de Machaerium em áreas geográficas distintas tem se mostrado relativamente diferente, existindo espécies características para cada uma delas. Assim, na Amazônia, um dos prováveis centros de diversidade do gênero, ocorrem 35 espécies (Ducke 1949). Outra área de grande riqueza específica, com 14 espécies (Rudd 1977), situa-se no México. A terceira estende-se da Bahia, com oito espécies (Lewis 1987), até a Argentina, com seis espécies (Burkart 1943). Ressalta-se aqui a riqueza do estado de São Paulo, com 17 espécies.

 

Agradecimentos - Os autores agradecem ao CNPq pela bolsa concedida a Ângela L.B. Sartori, ao Fundo de Apoio ao Ensino e Pesquisa (FAEP - UNICAMP) pelo auxílio concedido para o desenvolvimento desse trabalho, aos curadores dos herbários pelo empréstimo do material solicitado e à Sra. Esmeralda F. Borghi pelo auxílio no acabamento das ilustrações.

 

Referências bibliográficas

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1. Parte da tese de mestrado de A.L.B. Sartori, Universidade Estadual de Campinas.

2. Departamento de Botânica, Instituto de Biologia, Universidade Estadual de Campinas, Caixa Postal 6109, 13083-970 Campinas, SP, Brasil.

3. Bolsista do CNPq.

4. Autor para correspondência. E-mail: anatozzi@unicamp.br

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