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Brazilian Journal of Botany

Print version ISSN 0100-8404On-line version ISSN 1806-9959

Rev. bras. Bot. vol.22 n.1 São Paulo Apr. 1999

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-84041999000100006 

Composição florística de um trecho de floresta ripária na Mata Atlântica em Picinguaba, Ubatuba, SP1

 

MARYLAND SANCHEZ2, FERNANDO PEDRONI3, HERMÓGENES DE FREITAS LEITÃO-FILHO4 e OSWALDO CESAR5

 

(recebido em 12/03/97; aceito em 30/09/98)

 

 

ABSTRACT - (Floristic composition of a riverine forest in the Brazilian Atlantic rain forest, Ubatuba, SP). A floristic survey was carried out in a forest tract alongside the Fazenda river, in the Picinguaba Division of the Serra do Mar State Park, northern coast of the State of São Paulo, municipality of Ubatuba (44°48' W and 23°22' S). A total of 40 quadrats (10 m x 10 m) was located along the river margins. All trees with a minimum of 20 cm perimeter at breast height (DBH = 6.36 cm) were recorded. The 673 sampled trees were distributed in 120 species, 83 genera and 37 families. The greatest species richness was found for Myrtaceae (28), Fabaceae (11), Rubiaceae and Lauraceae (8). The most numerous populations were Euterpe edulis Mart. (Arecaceae), Chrysophyllum flexuosum Mart. (Sapotaceae), Coussarea nodosa Müll. Arg. (Rubiaceae) and Sloanea guianensis Benth. (Elaeocarpaceae). The Shannon diversity index was H' = 4.07 nats/individual, showing the great diversity of the area studied. The data emphasize the high complexity of the vegetation studied and are used for comparisons with similar forests.

 

RESUMO - (Composição florística de um trecho de floresta ripária na Mata Atlântica em Picinguaba, Ubatuba, SP). O presente trabalho trata do estudo florístico da vegetação arbórea que ocorre ao longo de um trecho das margens do rio da Fazenda, localizado no Parque Estadual da Serra do Mar, Núcleo de Picinguaba, no litoral norte do estado de São Paulo, município de Ubatuba (44°48' W e 23°22' S). Para a realização do levantamento, foram alocadas 40 parcelas de 10 m x 10 m, ao longo de um trecho do rio, sendo amostrados todos indivíduos com perímetro à altura do peito maior ou igual a 20 cm (DAP = 6,36 cm). Os 673 indivíduos amostrados distribuíram-se entre 120 espécies, 83 gêneros e 37 famílias. Myrtaceae foi a família de maior riqueza, com 28 espécies, seguida por Fabaceae (11), Rubiaceae e Lauraceae (8 cada uma). Euterpe edulis Mart. (Arecaceae), Chrysophyllum flexuosum Mart. (Sapotaceae), Coussarea nodosa Müll. Arg. (Rubiaceae) e Sloanea guianensis Benth. (Elaeocarpaceae) foram as populações com maior número de indivíduos. O índice de diversidade de Shannon encontrado foi H' = 4,07 nats/indivíduo, mostrando a grande diversidade da vegetação na área de estudo. As informações obtidas neste trabalho ressaltam a alta complexidade da Floresta Pluvial Tropical da Encosta Atlântica ao longo de sua extensão e fornecem dados para estudos comparativos com outros trechos de Mata Atlântica ou mesmo com outras formações florestais.

Key words - Floristic composition, riverine forest, atlantic rain forest

 

 

Introdução

A Mata Atlântica no estado de São Paulo está representada por três formações florestais diferentes: matas da planície litorânea, matas de encosta e matas de altitude (Joly et al. 1992). Na última década, houve aumento expressivo no número de trabalhos florísticos e fitossociológicos nestas diferentes formações (Silva & Leitão-Filho 1982, Leitão-Filho et al. 1993, Mantovani 1993, Melo & Mantovani 1994, Cesar & Monteiro 1995). Entretanto, a vegetação que ocorre nas margens dos cursos fluviais da Mata Atlântica permanece pouco conhecida.

As florestas relacionadas com cursos fluviais no Brasil são denominadas de várias maneiras, de acordo com as condições ambientais em que ocorrem. A delimitação conceitual das formações vegetais que acompanham os cursos d'água foi claramente discutida por Catharino (1989), que sugere o uso do termo vegetação ripária para as matas que se localizam margeando os rios.

Recentemente, vários trabalhos foram realizados nas matas ripárias em diversas regiões do Brasil (Oliveira-Filho et al. 1990, 1994, Assis 1991, Schiavini 1992, Felfili 1994) e no estado de São Paulo (Troppmair & Machado 1974, Gibbs & Leitão-Filho 1978, Bertoni et al. 1982, Bertoni & Martins 1987, Mantovani et al. 1989, Salis 1990). No entanto, nenhum destes estudos foi realizado em áreas ripárias da floresta atlântica costeira.

A distinção de uma floresta ripária em domínio florestal pode ser feita analisando-se sua composição florística, a qual está freqüentemente relacionada com a influência de cheias periódicas e com a flutuação do lençol freático (Gibbs & Leitão-Filho 1978, Mantovani 1989). Segundo Troppmair & Machado (1974), o teor de água no solo é o maior condicionante da vegetação ripária e está relacionado com o regime pluviométrico, com a topografia local, com o traçado do rio e os tipos de solo, que podem variar com a dinâmica de deposição e retirada de sedimentos junto às margens, nas curvas internas e externas dos rios.

Estes processos dinâmicos junto às margens dos rios podem ser responsáveis pelo aumento da heterogeneidade ambiental, devido aos distúrbios que normalmente promovem nas florestas ripárias (Kellman & Tackaberry 1993), favorecendo os processos de sucessão e conseqüentes alterações na composição florística no espaço e no tempo (Puhakka et al. 1992, Oliveira-Filho et al. 1994). A ocorrência de espécies de diferentes estádios sucessionais é uma característica comum às florestas tropicais (Whitmore 1978, 1982) e a freqüência de seus indivíduos pode indicar o estado sucessional da floresta (Budowski 1965).

Este trabalho tem como objetivos caracterizar a composição florística da vegetação arbórea nas margens do rio da Fazenda, em Picinguaba, SP, analisar o estado de preservação desta área através da classificação sucessional das espécies amostradas e comparar floristicamente a área estudada com outros trechos de floresta atlântica do estado de São Paulo.

 

Material e métodos

A área de estudo está situada no Parque Estadual da Serra do Mar - Núcleo Picinguaba. Localizado ao norte do município de Ubatuba, SP (44°48'W e 23°22'S - figura 1A), o Núcleo é administrado pelo Instituto Florestal e Secretaria do Meio Ambiente (SMA) do estado de São Paulo.

 

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Figura 1. Localização do Núcleo de Picinguaba, Parque Estadual da Serra do Mar, no litoral norte do estado de São Paulo (A). Área de estudo (hachurado) na bacia dos rios da Fazenda e Picinguaba (B). Disposição das parcelas ao longo do rio da Fazenda (C).

 

O Núcleo Picinguaba, com uma área de aproximadamente 8000 ha, é um ponto ecologicamente importante, por unir o Parque Estadual da Serra do Mar com o Parque Nacional da Bocaina e a Área de Proteção Ambiental-APA do Cairuçu (RJ), formando uma grande área de conservação (118.000 ha contínuos). Além do valioso patrimônio genético nativo que abriga, o Núcleo tem um grande potencial para educação ambiental e turismo ecológico, por localizar-se numa das áreas turísticas mais importantes do estado de São Paulo.

A região serrana do litoral norte do estado de São Paulo, conhecida como Serra do Mar, representa uma escarpa erosiva constituída por rochas granito-gnáissicas, com perfis retilíneos de grandes desníveis e vertentes entalhadas por numerosas ravinas. Os granitos são rochas resistentes que geralmente resultam em formas de cristas, nas maiores altitudes, enquanto os vales são entalhados em rochas menos resistentes, como xistos e filitos (Almeida 1964).

O clima da região de Ubatuba é classificado, segundo Köppen (1948), como do tipo Af, que indica clima tropical chuvoso com chuvas o ano todo. As médias anuais de precipitação e temperatura registradas para o período de 1961-90 foram, respectivamente, de 2624 mm e 21,9°C. O mês de janeiro foi o mais chuvoso (376 mm) e junho o menos chuvoso (87,9 mm), enquanto fevereiro foi o mais quente (30,4C) e julho o mais frio (12,6C). A umidade relativa do ar neste período manteve-se sempre acima de 85% e não houve registro de déficit hídrico na região. As informações climatológicas foram fornecidas pela Seção de Climatologia do Instituto Agronômico de Campinas (IAC) e coletadas na Estação Experimental de Ubatuba, SP, situada a 8 m de altitude e distante cerca de 20 km da área de estudo.

A vegetação da área é considerada como Floresta Ombrófila Densa (Veloso et al. 1991), genericamente chamada Mata Atlântica ou floresta atlântica.

As áreas de vegetação ripária escolhidas para o estudo situam-se às margens do rio da Fazenda que, junto com o rio Picinguaba, forma a principal bacia hidrográfica do Núcleo Picinguaba (figura 1B). Este rio tem suas nascentes entre o Morro do Cuscuzeiro e Morro do Corisco, que são os divisores de água da bacia hidrográfica, correndo no vale formado por estas montanhas. É um rio de encosta, tendo seu leito raso e rochoso formado por vários pequenos canais anastomosados que drenam as escarpas com rápido fluxo de águas. Ao alcançar a planície litorânea, o rio torna-se lento e sinuoso até desaguar na Praia da Fazenda. A vegetação nesta área da planície litorânea encontra-se muito alterada, tanto pela atividade agrícola de subsistência da comunidade local, principalmente plantio de mandioca, quanto pelo impacto na drenagem de água causado pela construção da rodovia Rio-Santos (BR-101). Dessa forma, foram escolhidas áreas no início da encosta (aproximadamente 100 m de altitude) próximas ao rio da Fazenda, onde a vegetação está melhor preservada.

Foram alocados sete blocos de parcelas de 10 x 10 m, em diferentes pontos ao longo do rio (figura 1C), num total de 0,40 ha. O delineamento amostral foi condicionado pelas irregularidades das margens do rio.

Para caracterizar morfologicamente o solo da área, foram analisados perfis, abrindo-se trincheiras de 1m x 1m e 70 cm de profundidade, em sete pontos representativos das unidades geopedológicas ao longo da área de amostragem, definidos com base na fotointerpretação de fotografias aéreas verticais de 1972 (escala 1:25000). Foram feitas descrições morfológicas do solo no campo, identificando os horizontes e caracterizando-os de acordo com sua espessura, cor, textura, consistência e limites. Foi feita uma estimativa da idade dos solos, relativa ao seu grau de maturidade e baseada na diferenciação dos horizontes (Lemos & Santos 1982).

O estudo florístico foi baseado na coleta de indivíduos arbóreos com no mínimo 6,36 cm de diâmetro à altura do peito (DAP) ou 20 cm de perímetro à altura do peito (PAP). O critério de inclusão (PAP 20 cm) foi definido de acordo com outros estudos em andamento na mesma encosta, a fim de possibilitar futuras análises comparativas. Cada indivíduo foi marcado com uma plaqueta de alumínio numerada e teve seu perímetro medido, altura estimada e material botânico coletado, exceto as palmeiras. A herborização e a identificação do material foram feitas nos herbários HRCB, da Universidade Estadual Paulista - Rio Claro e UEC, da Universidade Estadual de Campinas, nos quais o material testemunho está depositado.

Foram realizadas comparações florísticas entre a vegetação amostrada e outros quatro trechos da floresta atlântica do estado de São Paulo sobre a Serra do Mar, localizados próximos ao litoral (Silva & Leitão-Filho 1982, Leitão-Filho et al. 1993, Mantovani 1993, Melo & Mantovani 1994). A similaridade foi medida pelo índice de Jaccard (SJ) e o dendrograma correspondente foi construído através do método de agrupamento por média de grupo (UPGMA) (Sneath & Sokal 1973).

Para avaliar a diversidade de espécies na área estudada, foi calculado o índice de diversidade de Shannon (H') (Magurran 1988) e comparado com os valores encontrados para outros levantamentos na Mata Atlântica do estado de São Paulo (Silva & Leitão-Filho 1982, Leitão-Filho et al. 1993, Mantovani 1993, Melo & Mantovani 1994).

Todas as espécies encontradas no estudo foram classificadas em três grupos sucessionais (pioneiras, secundárias iniciais e secundárias tardias), seguindo critérios discutidos na literatura (Denslow 1980, 1987, Gandolfi et al. 1995), além de observações de campo sobre local de ocorrência e hábito de vida das espécies.

 

Resultados e Discussão

Os solos nas margens do rio da Fazenda apresentaram pedogênese variada, de incipiente a moderada, com volumes de alteração intempérica em diferentes estádios de evolução. As áreas apresentaram diferentes tipos de solos: área I - Solos Podzólicos; áreas II e III - Aluviais; nas áreas IV, V, VI e VII predominaram Cambissolos. As variações nos tipos de solos encontrados estão relacionadas com a dinâmica do rio ao longo do tempo e com a posição fisiográfica de cada área (figura 1C), que condicionaram as origens distintas dos sedimentos e depósitos: coluvio-aluvionares na área I e fluviais nas demais áreas. Em todas as áreas amostradas, com exceção da área I, a análise dos horizontes do solo revelou a ocorrência de matacões e seixos rolados de quartzo leitoso, indicando que essas áreas já foram o leito do rio num passado não muito distante. Exceto na área I, os solos apresentaram desenvolvimento relativamente recente, com idades variando entre 20 e 100 anos (J.J. Rueda, dados não publicados). As cores dos horizontes não apresentaram mosqueados, indicando que não ocorreu deficiência de drenagem nem períodos de anoxia por saturação hídrica do solo. Mesmo após a ocorrência de chuvas torrenciais, a posição fisiográfica do rio da Fazenda deve favorecer a rápida drenagem, possivelmente ocorrendo inundações com duração de poucas horas, propiciando ótimas condições de aeração do solo. No período deste estudo, algumas vezes, estas inundações causaram grande impacto na vegetação devido à velocidade da correnteza, criando áreas favoráveis para os processos iniciais da sucessão.

Como resultado do levantamento florístico da vegetação no rio da Fazenda foram coletados 673 indivíduos e identificadas 120 espécies, distribuídas entre 83 gêneros e 37 famílias (tabela 1).

 

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Dentre as famílias amostradas, Myrtaceae foi representada pelo maior número de espécies e indivíduos (figura 2 e tabela 2). Como já ressaltado por Mori et al. (1983) e Peixoto & Gentry (1990), esta família assume grande importância ecológica em alguns ambientes, como nas vegetações ripárias e, principalmente, nas florestas da costa brasileira, onde é encontrada com grande riqueza de espécies e abundância. Nas margens do rio da Fazenda, os dois gêneros com maior riqueza pertencem exatamente à família Myrtaceae: Eugenia com 11 espécies (9,1% do total) e Marlierea com cinco (4,1%) (tabela 1).

 

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Figura 2. Distribuição do número de espécies por família, perfazendo 73,3% do total. Os números ao lado das barras representam o total de espécies em cada família.

 

 

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Embora este trabalho enfoque a composição florística, um aspecto da estrutura desta floresta não pode deixar de ser enfatizado: a família Arecaceae, representada por apenas quatro espécies (tabela 1), destacou-se pelo número de indivíduos amostrados (16,5%), principalmente de Euterpe edulis (11,7%). A alta abundância de palmeiras é uma característica comum das florestas neotropicais de baixada com solos ricos e úmidos (Emmons & Gentry 1983). O palmiteiro (Euterpe edulis) é uma das palmeiras mais abundantes e amplamente distribuídas na Mata Atlântica (Uhl & Dransfield 1987), penetrando para o interior pelas redes de drenagem fluviais (Mantovani 1993). Segundo Reis et al. (1996), os fundos de vales são ambientes propícios para o desenvolvimento vegetativo desta espécie, sendo que o recrutamento para a fase reprodutiva deve estar associado a condições de maior luminosidade. A presença de Euterpe edulis relacionada a clareiras nos fundos de vales e médias-encostas também foi observada por Tabarelli & Mantovani (1997). As margens do rio da Fazenda apresentam as duas condições apontadas por Reis et al. (1996) como ideais para o estabelecimento do palmiteiro: o rio funciona como uma clareira e está no fundo de vale. A abundância de indivíduos reprodutivos de Euterpe edulis nas margens do rio da Fazenda parece confirmar a hipótese de Reis et al. (1996) e também sugere que áreas ripárias de Mata Atlântica possam ser consideradas como ambientes preferenciais desta espécie.

Outras espécies encontradas neste estudo são citadas na literatura como preferenciais de habitats com solos mais úmidos, margens de rios e riachos da Mata Atlântica: Rollinia sericea (Annonaceae), Pterocarpus rohrii e Swartzia simplex (Fabaceae), Cariniana estrellensis (Lecythidaceae), Guarea macrophyla (Meliaceae) e Marlierea obscura (Myrtaceae) (Reitz et al. 1978, 1983, Klein 1990). Além destas, Miconia rigidiuscula (Melastomataceae), Inga edulis, Inga marginata, Inga striata (Mimosaceae), Calycorectes australis (Myrtaceae), Ruprechtia laxiflora (Polygonaceae) e Alseis floribunda (Rubiaceae) também são típicas de margens de rios (Legrand & Klein 1972, Burkart 1979, Corrêa 1984). Considerando a categoria sucessional destas últimas espécies, observamos que todas pertencem ao grupo de espécies secundárias iniciais e pioneiras (tabela 1). A ocorrência destas espécies em áreas ripárias pode estar associada tanto às condições de umidade do solo, quanto de maior luminosidade ao longo das margens do rio, que seria comparável à borda da floresta. Além disso, a dinâmica do rio modifica constantemente a paisagem, resultando na ocorrência de solos pouco estruturados e recentes, principalmente nas regiões de deposição de sedimentos. Estas regiões mais recentes, geralmente submetidas a maior luminosidade, podem representar sítios apropriados para o estabelecimento das espécies iniciais da sucessão (Oliveira-Filho et al. 1994).

Na amostra total, a grande maioria das espécies e indivíduos se dividiu entre secundárias tardias (ST) e iniciais (Si), sendo que poucas pioneiras (Pi) ocorreram na área amostrada (figura 3). Em Myrtaceae, 86,4% dos indivíduos pertenceram ao grupo de espécies secundárias tardias (ST). Rubiaceae, Monimiaceae e Lauraceae também apresentaram a maioria dos indivíduos nesta categoria (tabela 2). A ocorrência de muitos indivíduos de Myrtaceae, Rubiaceae e Lauraceae entre as espécies secundárias tardias é considerada como característica da Mata Atlântica de encosta, na sua fase madura (Leitão-Filho et al. 1993). Dentre as pioneiras e secundárias iniciais destacaram-se, além das espécies preferenciais de margens de rios, as de ampla distribuição nas várias formações florestais brasileiras, pertencentes aos gêneros Cecropia (Cecropiaceae), Alchornea e Hyeronima (Euphorbiaceae), Senna (Caesalpiniaceae) e Miconia (Melastomataceae) (Mantovani 1993).

 

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Figura 3. Distribuição de espécies (N = 120) (A) e de indivíduos (N = 673) (B) entre as classes sucessionais consideradas: ST = secundárias tardias, Si = secundárias iniciais, Pi = pioneiras, NC = não classificadas.

 

A composição florística e os aspectos sucessionais encontrados na área estudada sugerem que um rio na Mata Atlântica pode funcionar como um importante elemento na heterogeneidade das condições ambientais de uma encosta, proporcionando às suas margens maior luminosidade e umidade do solo e produzindo solos com diferentes estádios de desenvolvimento pedogenético. Esta multiplicidade de condições ambientais, característica das margens dos rios, tem sido apontada como um fator importante na manuteção da alta diversidade nas florestas amazônicas (Räsänen et al. 1987).

O valor do índice de diversidade de espécies de Shannon calculado para a amostra da floresta ripária do rio da Fazenda (H' = 4,07 nats/indivíduo) pode ser considerado elevado e aproxima-se dos valores encontrados em outros trechos de Mata Atlântica no estado de São Paulo (tabela 3). A heterogeneidade ambiental é um dos principais fatores controlando a diversidade (Tilman & Pacala 1993). A heterogeneidade pode ser resultado de variações edáficas e topográficas, diferentes índices de precipitação, além de processos de perturbações na comunidade (Huston 1980, Gentry 1988, Wright et al. 1997). Os valores de diversidade de espécies encontrados nos trechos estudados da Mata Atlântica podem ser decorrentes do alto nível de heterogeneidade ambiental da Serra do Mar que, com encostas voltadas ora para o oceano, ora para o continente, traz como conseqüência regimes de ventos, umidade do ar, precipitação e luminosidade diferenciados. Além disso, as variações topográficas, solos com diferentes níveis de fertilidade, profundidades e idades pedogenéticas, propiciam condições muito diversificadas que favorecem o estabelecimento de um número muito grande de espécies capazes de ocupar estes diferentes habitats.

 

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A comparação dos dados deste trabalho com os obtidos em outros estudos florísticos realizados na Mata Atlântica no estado de São Paulo (Silva & Leitão-Filho 1982, Leitão-Filho et al. 1993, Mantovani 1993, Melo & Mantovani 1994 - tabela 3) mostrou que as principais famílias comuns foram Myrtaceae, Rubiaceae, Arecaceae, Sapotaceae, Euphorbiaceae e Lauraceae pela riqueza de espécies e pelo número de indivíduos, apesar das diferenças nos métodos de amostragem e nos critérios de inclusão (DAP mínimo). Essas famílias estão entre as mais importantes na caracterização geral da Mata Atlântica, tanto do estado de São Paulo como do Sul e Sudeste do Brasil (Leitão-Filho 1982, Joly et al. 1992). A vegetação ripária do rio da Fazenda apresenta uma composição em famílias similar aos outros trechos estudados de Mata Atlântica.

Das 120 espécies encontradas neste estudo apenas 9,2% foram citadas para todas as outras áreas estudadas, entre as quais: Euterpe edulis (Arecaceae), Sloanea guianensis (Elaeocarpaceae), Cariniana estrellensis (Lecythidaceae), Chrysophyllum flexuosum e Ecclinusa ramiflora (Sapotaceae), Hyeronima alchorneoides (Euphorbiaceae) e Virola oleifera (Myristicaceae). Algumas destas espécies apresentam ampla distribuição geográfica, como Euterpe edulis e Cariniana estrellensis, que ocorrem na Mata Atlântica das Regiões Nordeste, Sudeste e Sul (Siqueira 1994) e Sloanea guianensis e Ecclinusa ramiflora, que ocorrem também em formações amazônicas (Leitão-Filho et al. 1993, Oliveira-Filho & Ratter 1995).

As comparações com outros levantamentos florísticos da Mata Atlântica estão resumidas no dendrograma de similaridade florística obtido por média de grupo (UPGMA) e índice de similaridade de Jaccard (SJ) (figura 4A). Os valores encontrados podem ser considerados muito baixos, indicando que os levantamentos são bastante dissimilares em termos de composição florística (Müller-Dombois & Ellenberg 1974). Esta dissimilaridade florística pode ser admitida, visto que a maioria dos valores de SJ encontrados entre as parcelas amostradas ao longo do rio da Fazenda (figura 4B) foi superior aos SJ obtidos entre os levantamentos comparados. As duas áreas consideradas similares foram Ilha do Cardoso e Júreia. Seria esperado que a área de Ubatuba apresentasse maior identidade florística com a área de Picinguaba, já que distam apenas 20 km. No entanto as áreas mais distantes geograficamente, Juréia e Ilha do Cardoso, apresentaram maior similaridade em relação à área ripária de Picinguaba.

 

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Figura 4. Dendrogramas de similaridade florística obtidos por média de grupo (UPGMA) e Índice de Jaccard (SJ), (A) para espécies e (C) para famílias, entre levantamentos florísticos realizados na Mata Atlântica, próximos ao litoral do estado de São Paulo: J = Juréia (Mantovani 1993); I = Ilha do Cardoso (Melo & Mantovani 1994); C = Cubatão (Leitão-Filho et al. 1993); U = Ubatuba (Silva & Leitão-Filho 1982) e P = Picinguaba (este estudo). (B) para espécies, entre as parcelas amostradas neste estudo.

 

Esse resultado pode ser decorrente de diferentes condições ambientais advindas dos vários posicionamentos das áreas nas encostas. Características geológicas, climáticas, geomorfológicas, pedológicas, hidrográficas e estádios sucessionais estão entre os principais fatores que ampliam a complexidade das formações vegetais da Mata Atlântica na Serra do Mar (Mantovani et al. 1990). As áreas comparadas incluem algumas dessas variações. Em Ubatuba, o levantamento foi realizado em duas áreas de encosta voltadas para o continente, estando uma delas em cota altitudinal (190 m.s.m.) superior à de Picinguaba (100 m.s.m.), esta voltada para o Oceano Atlântico. A área de amostragem na Ilha do Cardoso, embora voltada para o continente, localiza-se em cotas de altitude próximas às de Picinguaba, além disso é cortada por dois rios, o que talvez tenha influenciado na sua maior semelhança com a vegetação das margens do rio da Fazenda. Por sua vez, a área de Cubatão, com condições ambientais semelhantes às de Picinguaba, proximidade dos rios e cota de altitude, apresentou fisionomia muito alterada, em fase sucessional secundária, o que provavelmente contribuiu para a pouca similaridade.

A vegetação das margens do rio da Fazenda caracterizou-se, floristicamente, como uma floresta atlântica madura, apesar das alterações provocadas pela dinâmica do rio nas condições de umidade e tipos de solo, nos distúrbios ocasionados por enchentes mais intensas e na maior luminosidade das áreas adjacentes ao leito do rio. Estudos sobre os ambientes preferenciais das espécies podem esclarecer os padrões de ocupação das encostas e determinar os principais fatores influenciando as distribuições.

A similaridade entre as áreas comparadas ocorreu apenas em termos de famílias (figura 4C), porém a baixa similaridade no nível de espécies (figura 4A) e a grande diversidade desses trechos de Mata Atlântica, refletem a alta heterogeneidade ambiental da Serra do Mar ao longo da costa atlântica do estado de São Paulo. Esta complexa vegetação representa um dos principais remanescentes de biodiversidade da Mata Atlântica, salientando a importância da conservação efetiva destas áreas.

Agradecimentos - Agradecemos a todos que colaboraram na execução deste projeto e em especial ao Prof. Dr. Jairo J. Rueda que auxiliou na interpretação dos dados de solos e aos taxonomistas que identificaram ou confirmaram as identificações do material botânico: G.M. Barroso e L. Kawasaki (Myrtaceae), A.A. Tozzi (Fabaceae), A.B. Martins e R. Goldenberg (Melastomataceae), G.L. Webster (Euphorbiaceae), P. Maas (Annonaceae), J.B. Baitello (Lauraceae), S.L.J. Mendaçolli (Myrsinaceae), T. Pennington (Sapotaceae), D.C. Zappi (Rubiaceae), A. Salino (Cyatheaceae), A.L. Peixoto (Monimiaceae). Agradecemos, também, A.T. Oliveira-Filho, F.R. Martins e R.R. Laps pela revisão construtiva do manuscrito. M. Sanchez agradece à CAPES pela bolsa de mestrado recebida.

 

 

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1. Parte da dissertação de mestrado de M. Sanchez.

2. Departamento de Botânica, Instituto de Biologia, UNICAMP, Caixa Postal 6109, 13081-970 Campinas, SP, Brasil.

3. Departamento de Biociências, UFU, Caixa Postal 593, 38400-902 Uberlândia, MG, Brasil.

4. In memoriam

5. Departamento de Botânica, Instituto de Biociências, UNESP, Caixa Postal 199, 13506-900 Rio Claro, SP, Brasil.

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