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Brazilian Journal of Botany

Print version ISSN 0100-8404On-line version ISSN 1806-9959

Rev. bras. Bot. vol.23 no.3 São Paulo Sept. 2000

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-84042000000300002 

Composição florística e estrutura fitossociológica de uma floresta ripária em Itutinga, MG, e comparação com outras áreas

 

EDUARDO VAN DEN BERG1,3 e ARY T. OLIVEIRA-FILHO2

 

(recebido em 24 de fevereiro de 1999; aceito em 15 de março de 2000)

 

 

ABSTRACT - (Floristic composition and phytosociological structure of a riparian forest in Itutinga, State of Minas Gerais, Brazil, and comparisons with other areas). The floristic composition and phytosociological structure were investigated in an area of 7.55 ha of a riparian forest in Itutinga, State of Minas Gerais, Southeastern Brazil. This forest locates alongside a narrow creek, and is sharply bounded by montane grasslands. The phytosociological survey was done on 28 plots of 10 x 30 m where all individuals with diameter at the base of the trunk equal to or larger than 5 cm were recorded and had their diameter measured and height estimated. The floristic survey was based on specimens collected both in and outside the plots. The study area was compared with other forests of São Paulo and Minas Gerais States using multivariate analyses. The floristic survey recorded 162 species and 54 families. The forests with flora most similar to the study area were those in the same region (upper rio Grande). We suggest rainfall seasonality and altitude as the variables most strongly influencing the floristic differences among the forests compared. The phytosociological survey recorded 2145 individuals in 141 species. The highest structural similarities occurred with forests in Itutinga and Bom Sucesso, followed by Madre de Deus and Poço Bonito. We suggest differences and similarities in soil properties, topographic features and the occurrence of seasonal floods as the main variables influencing the pattern of similarity observed.

RESUMO - (Composição florística e estrutura fitossociológica de uma floresta ripária em Itutinga, MG, e comparação com outras áreas). A composição florística e a estrutura fitossociológica foram investigadas em uma área de 7,55 ha de floresta ripária em Itutinga, MG. Essa floresta acompanha um pequeno curso d’água e tem limites bem definidos com um campo limpo montano. O levantamento fitossociológico foi realizado em 28 parcelas de 10 x 30 m, onde todos os indivíduos com diâmetro do tronco à altura do solo igual ou maior que 5 cm foram registrados, tendo seus diâmetros medidos e alturas estimadas. O levantamento florístico baseou-se em coletas dentro e fora das parcelas. Encontraram-se 162 espécies pertencentes a 54 famílias. A área de estudos foi comparada com outras florestas dos Estados de São Paulo e Minas Gerais por meio de análises multivariadas. As áreas floristicamente mais semelhantes com a floresta estudada foram as da mesma região (alto rio Grande). Sugeriu-se que as variáveis mais fortemente ligadas à diferenciação florística entre as florestas comparadas sejam a estacionalidade das chuvas e a altitude. No levantamento fitossociológico, foram registrados 2145 indivíduos distribuídos em 141 espécies. As maiores semelhanças estruturais ocorreram com as florestas de Itutinga e Bom Sucesso e as maiores diferenças com Madre de Deus e Poço Bonito, diferenças que podem ser decorrentes de variações de propriedades dos solos.

Key words - Riparian forest, gallery forest, floristic composition, phytosociological structure, floristic and structural comparisons

 

 

Introdução

Florestas ripárias ou ripícolas são formações vegetais extremamente importantes em termos ecológicos, sendo essenciais para a manutenção da qualidade da água dos rios e da fauna ictiológica (CESP 1987). Segundo Redford & Fonseca (1986), tais florestas são, também, essenciais para a sobrevivência da fauna de mamíferos das regiões do cerrado e da caatinga, provendo refúgio, água e alimento. Os autores salientaram, ainda, que aquelas florestas funcionam como corredores de penetração no cerrado para espécies de animais provenientes da Floresta Amazônica e Mata Atlântica, levando a uma importante permuta genética (fluxo gênico). Costa et al. (1992) fizeram observação semelhante sobre a expansão para o interior do país das espécies da flora silvícola que são dispersas por animais.

Apesar de sua inegável importância ambiental, tais florestas vêm sendo erradicadas em várias partes do Brasil. Entre os inúmeros fatores que têm contribuído para isto, destacam-se, pela gravidade, as derrubadas, os incêndios, os represamentos e o assoreamento dos rios devido à erosão (Gibbs et al. 1980). Florestas ripárias, por alojarem-se no fundo dos vales, são sistemas particularmente frágeis em relação a erosão, sedimentação do cursos d’água e outros impactos causados pelo homem nas bacias hidrográficas. Além disso, como o fundo dos vales comumente contém os solos mais férteis de uma bacia, estas florestas são as mais propensas a serem derrubadas para fins agrícolas.

A situação crítica dessas formações no centro-sul do Brasil impulsionou, nos últimos anos, uma série de iniciativas voltadas para sua conservação ou recuperação. Tais iniciativas levaram aos simpósios sobre matas ciliares, o primeiro deles realizado em São Paulo, em 1989 (Barbosa 1989), e o segundo, em Ribeirão Preto, em 1995. Tais eventos deixaram claro para os pesquisadores interessados que estudos detalhados sobre a composição florística e a ecologia dos remanescentes dessas florestas são fundamentais para embasar quaisquer iniciativas para proteger, enriquecer, recuperar ou reconstituir esse tipo de vegetação.

Comparações florísticas entre as florestas do alto rio Grande (região do presente estudo) com outras florestas da região sudeste do Brasil têm mostrado que o componente higrófilo, juntamente com a altitude, pode ser um fator importante para a explicação dos padrões de (dis)similaridade (Carvalho et al. 1992, Gavilanes et al. 1992a, b). No entanto, Oliveira-Filho et al. (1994d), a partir da comparação entre 30 áreas da região sudeste (muitas não ripárias) concluiram que a altitude, ao determinar variações climáticas, é talvez o fator mais fortemente relacionado com a diferenciação florística das florestas semideciduais da região. Diferenças na estacionalidade das chuvas e a ocorrência nas margens de cursos d’água exerceriam papéis secundários, mas também importantes.

Levantamentos estritamente florísticos permitem comparações relativamente simples e eficientes entre um grande número de áreas. Porém, diferenças e semelhanças entre áreas geograficamente próximas e/ou floristicamente parecidas podem ser melhor abordadas através de dados quantitativos fornecidos por levantamentos fitossociológicos, pois diferenças quantitativas entre áreas podem ser muito mais marcantes que diferenças florísticas (Causton 1988). Medidas de abundância e de distribuição das espécies são essenciais, quando se objetiva conhecer a estrutura da vegetação e construir uma base teórica que subsidie seu manejo, conservação ou a recuperação de áreas similares (Vilela et al. 1993).

Os objetivos deste trabalho foram conhecer: a) a composição florística e a estrutura de uma floresta associada a um pequeno curso d’água (floresta ripária), localizada no município de Itutinga, Estado de Minas Gerais; e b) seu grau de semelhança florístico-estrutural com outras florestas do sudeste do Brasil.

 

Material e métodos

Área de estudo - A área estudada (figura 1) apresenta-se como uma floresta alojada no fundo de um vale, acompanhando um pequeno córrego tributário do reservatório de Camargos. Este reservatório, formado pelo represamento do rio Grande, pertence à Companhia Energética de Minas Gerais (CEMIG). A floresta possui uma área de 7,55 ha e está localizada no município de Itutinga, MG, próxima das coordenadas 21°21’S e 44°36’W, a cerca de 920 m de altitude. A partir deste ponto, a área de estudo será denominada Mata de Camargos, ou simplesmente Camargos.

 

 

Florestas associadas a cursos d’água são tratadas na literatura com uma nomenclatura tão variada quanto confusa. Floresta (ou mata) ciliar, de galeria, de várzea, ribeirinha e ripária (ripícola) estão entre as denominações mais comumente utilizadas. Este uso controvertido deve-se, em grande parte, à enorme variação das próprias condições ecológicas em que tal tipo de floresta pode ser encontrado no território brasileiro, bem como ao emprego de termos regionais. Mantovani (1989) sugeriu que se restringisse o uso de cada nome à sua aplicação original, tanto do ponto de vista ecológico quanto regional. Neste trabalho, considerou-se ripária ou ripícola qualquer floresta associada a cursos d’água, independentemente de sua composição florística, estrutura ou fisionomia. A área de estudos pode ser considerada uma floresta ripária, já que sua presença na área é claramente condicionada pela existência de um curso d’água, pois apresenta-se como uma faixa estreita ao longo do córrego, circundada por um campo limpo de altitude.

O sistema de classificação da vegetação brasileira do IBGE (Veloso et al. 1991) só reconhece a existência de florestas de galeria nas regiões fito-ecológicas da savana (cerrados do Brasil central), da savana estépica (domínio das caatingas) e estepe (campanhas gaúchas). A área de estudo encontra-se em uma região considerada como disjunção da vegetação de savanas, onde predominam o campo e o campo cerrado (IBGE 1993). Assim, esta deve ser considerada como floresta de galeria no sistema de classificação do IBGE, já que acompanha um curso d’água e possui limites bem definidos com uma formação não florestal (Mantovani et al. 1989), no caso, um campo limpo de altitude. Como outras florestas da região, a deciduidade das árvores na área de estudo durante a estação seca atinge entre 20 e 50% dos indivíduos.

A área é um bom exemplo das florestas de galeria que normalmente se estendem ao longo dos cursos d’água que percorrem os campos de altitude da região do reservatório de Camargos. É relativamente próxima da base de apoio, em Lavras, MG (cerca de 50 km). Há um bom conhecimento taxonômico das espécies florestais da região. Aparenta estar em bom estado de conservação. Não há sinais evidentes de exploração seletiva de madeira e os maiores danos observados devem-se à penetração do gado na floresta em busca de sombra e água, formando trilhas e prejudicando a vegetação do sobosque em alguns pontos. A borda da floresta está sujeita aos efeitos do fogo, ateado periodicamente no campo limpo circundante, para melhorar sua qualidade como pastagem. O limite abrupto entre estes dois tipos de vegetação coincide normalmente com o máximo alcance do fogo.

O clima da região é do tipo Cwb de Köppen, com verões úmidos e invernos secos (Eidt 1968). Dados provenientes da Estação Meteorológica de Lavras (21°14’06’’S e 45°W, 918 m de altitude), no período 1960-1992 revelam uma temperatura média anual de 19,6 ± 0,6 °C, com as médias mensais variando de 16,03 °C, em julho, a 21,82 °C, em fevereiro; precipitação anual média de 1517 ± 168 mm concentrados (93% do total) na primavera/verão (outubro-março) e precipitações médias mensais variando de 19 mm (julho) a 293 mm (janeiro).

Os solos da área foram classificados através de perfis. Predominaram Cambissolos, compreendendo as áreas mais declivosas (blocos de parcelas A, B e D, figura 2). Latossolo variação Una ocorreu na área mais plana (bloco C, figura 2). O material de origem predominante é micaxisto. Não há presença de solos aluviais na área. O córrego apresenta variação muito pequena do seu nível durante todo o ano e não ocorrem inundações. A declividade média da área amostrada é de cerca de 7,75% (medida com um clinômetro).

 

 

Levantamento florístico - Em 28 parcelas de 10 x 30 m, foram coletados todos os arbustos e árvores com DNS (diâmetro do caule no nível do solo) ³ 5 cm. Coletaram-se, também, espécimes em fase reprodutiva fora das parcelas. O período de coleta estendeu-se de fevereiro de 1993 a maio de 1994, com visitas mensais. O material botânico coletado foi herborizado e incorporado ao Herbário do Departamento de Biologia da Universidade Federal de Lavras (Herbário ESAL). As identificações foram feitas através de obras clássicas e revisões, comparações com exsicatas já identificadas existentes neste herbário ou no Herbário da Universidade Estadual de Campinas (UEC) e/ou através de consultas a especialistas.

Levantamento fitossociológico - As 28 parcelas foram distribuídas em quatro blocos (figura 1) e dispostas segundo a figura 2, procurando amostrar as variações mais evidentes: borda da floresta (Borda), margem do ribeirão (Margem) e área intermediária (Meio). Os blocos A + B e C + D foram colocados de forma a amostrar dois trechos diferentes da floresta, um mais estreito e outro mais largo, respectivamente. Na área dos blocos C e D, foi marcado um par a mais de parcelas de Meio, em cada bloco, devido à maior largura da floresta. A forma retangular da parcela obedeceu ao princípio expresso por Causton (1988) que parcelas retangulares cujo maior comprimento seja perpendicular à direção do gradiente principal são mais adequadas para estimar os parâmetros da vegetação. Desta maneira, há maior homogeneidade interna da parcela em relação ao gradiente conhecido, diminuindo as chances de que a parcela fique restrita a uma mancha de fatores ambientais desconhecidos. A marcação no campo foi feita de tal forma que as parcelas de cada par ficassem próximas umas da outras e que cada par estivesse o mais eqüidistante possível um do outro. O indivíduos nas parcelas foram marcados com plaquetas de alumínio numeradas. O valor relativamente baixo do diâmetro mínimo foi escolhido de forma a abranger vários estratos da comunidade arbóreo-arbustiva e não só os componentes do dossel superior. Este critério foi adotado, também, por ser igual ao utilizado nos levantamentos fitossociológicos das florestas da região alto rio Grande, nos trabalhos do contrato CEMIG/UFLA/FAEPE (Oliveira-Filho et al. 1994a, b, c, e, Oliveira-Filho et al. 1995), facilitando comparações. A CNS (circunferência no nível do solo), medida com uma trena, e a altura, estimada por comparação com uma vara graduada de coleta de 6 m, de cada indivíduo foram anotadas em uma planilha de campo. Os DNSs foram calculados a partir das CNSs.

Análise dos dados - Foram selecionadas 24 listas florísticas de áreas de floresta nos estados de Minas Gerais e São Paulo para realizar as comparações florísticas (tabela 2, figura 3). Foram escolhidas apenas aquelas listas que apresentassem um bom nível de identificação taxonômica. Além do mais, as comparações restringiram-se às florestas semelhantes à área de estudos, pelo menos em relação a um dos seguintes aspectos: estacionalidade (serem semideciduais), altitude (montanas) ou ripárias (associadas a cursos d’água). Tais florestas foram classificadas de acordo com o sistema de classificação do IBGE (Veloso et al. 1991, IBGE 1993). Adotou-se a modificação proposta por Oliveira-Filho et al. (1994d) de que o limite altitudinal entre as formações submontanas e montanas passasse de 500 para 750 m. Na classificação, utilizou-se a localização das florestas e informações presentes nos artigos onde as listas foram publicadas. Desta forma, consideraram-se nas análises os seguintes subgrupos de formação: floresta estacional semidecidual (formações montana e submontana), floresta ombrófila densa (formação montana) e florestas de galeria. Dentre estas florestas, as que ocorressem associadas a cursos d’água foram, também, consideradas ripárias, independente da classificação do IBGE.

 

 

As listas de espécies passaram por uma revisão dos epítetos específicos, para a verificação de sinônimos, com o auxílio do banco de dados de Oliveira-Filho & Ratter (1994). Espécies arbustivas foram excluídas, por não serem consideradas em muitos levantamentos. As 24 áreas foram convertidas em uma matriz de presença/ausência, utilizada nas comparações florísticas. Utilizando-se o programa PC-ORD versão 3.0, compararam-se as 25 áreas (inclusive Camargos), através de uma análise de correspondência corrigida, ou DCA (Causton 1988). Optou-se pela DCA devido aos elevados autovalores ("eigenvalues") dos dois primeiros eixos (ver Resultados), indicando que uma razoável proporção da variação dos dados foi explicada (Kent & Coker 1992). Os seguintes parâmetros fitossociológicos foram calculados para cada espécie, por meio do programa FITOPAC 2, de autoria de G.J. Shepherd, da Universidade Estadual de Campinas: densidade absoluta (DA), freqüência absoluta (FA) e dominância absoluta (DoA), baseada na área basal à altura do solo, bem como seus respectivos parâmetros relativos (Mueller-Dombois e Ellenberg 1974). A partir dos parâmetros relativos, calculou-se o valor de importância (VI) para cada espécie. Foram calculados, também, o índice de diversidade de espécies de Shannon-Wiener (H’) e o índice de equabilidade de Pielou (J’) (Brower e Zar 1984). Para comparar a estrutura fitossociológica da mata de Camargos com outras quatro áreas da bacia do rio Grande-Poço Bonito (PB, Oliveira-Filho et al. 1994a), Bom Sucesso/Macaia (BS, Carvalho et al. 1995), Itutinga (IT, Oliveira-Filho et al. 1994c) e Madre de Deus de Minas (MD, Oliveira-Filho et al. 1994e) - foi construída uma matriz de valores de distância euclidiana (Gauch 1982), calculados entre as cinco áreas (incluindo Camargos), usando o VI de cada espécie. A partir dos valores de distância euclidiana, construiu-se um dendrograma usando o método de pareamento por média aritmética simples (UPGMA - Gauch 1982). Os índices de diversidade (H’) das quatro áreas foram comparados com Camargos pelo teste de t (Hutcheson 1970 apud Zar 1984).

 

Resultados

Levantamento florístico - No total, foram registradas 162 espécies arbóreas e arbustivas pertencentes a 54 famílias (tabela 1). Entre os indivíduos amostrados apenas nas parcelas, foram encontradas 141 espécies e 52 famílias. As famílias com maior número de espécies no levantamento total foram Myrtaceae (14), Lauraceae (13), Fabaceae (11), Euphorbiaceae (10), Rubiaceae (nove), Melastomataceae (oito) e Annonaceae, Clusiaceae, Flacourtiaceae e Myrsinaceae, com cinco cada uma. As leguminosas como um todo (Fabaceae, Mimosaceae e Caesalpiniaceae) somaram 13 espécies.

A análise de correspondência corrigida DCA (figura 4) apresentou autovalores ("eigenvalues") elevados para os dois primeiros eixos (0,493, para o primeiro eixo e 0,391, para o segundo). Os dois primeiros eixos da DCA sintetizaram cerca de 88% da variação dos dados. Quase 50% desta variação foram sintetizados pelo primeiro eixo, que separou as florestas ombrófilas densas montanas das demais fisionomias. O segundo eixo da DCA separou, de um lado, as florestas estacionais semideciduais submontanas e, de outro, as florestas estacionais semideciduais montanas, próximas às florestas de galeria. As florestas ombrófilas densas montanas foram colocadas numa posição intermediária entre esses extremos.

 

 

A DCA separou claramente as florestas ombrófilas densas montanas e florestas estacionais semideciduais submontanas das outras duas fisionomias. As florestas estacionais semideciduais montanas, todas da região do alto rio Grande, e as florestas de galeria apresentaram-se quase como um grupo único. Dentre as fisionomias, a que apresentou um grupo menos coeso foi a das florestas ombrófilas densas montanas. Nos grupos das florestas estacionais semideciduais submontanas e florestas de galeria, Conquista (CQ) e Uberlândia (UB), apresentaram-se como as áreas mais distintas dos seus respectivos grupos. As florestas da região do alto rio Grande (florestas estacionais semideciduais montanas de Bom Sucesso, Madre de Deus e Poço Bonito e florestas de galeria de Camargos e Itutinga) formaram um grupo muito coeso, independente da fisionomia ou associação a cursos d’água (florestas ripárias). As áreas de florestas ripárias e não ripárias existentes tanto na fisionomia floresta estacional semidecidual montana como entre as florestas estacionais semideciduais submontanas apresentaram-se misturadas entre si, sem qualquer padrão aparente (figura 4).

Levantamento fitossociológico - Foram amostrados nas parcelas (0,84 ha) 2145 indivíduos com DAS ³ 5 cm, distribuídos em 141 espécies (tabela 3) e 51 famílias, resultando em uma densidade estimada de 2553,57 indivíduos.ha-1. A área basal estimada foi de 45,03 m2.ha-1. A altura média foi de 7,78 m, sendo a máxima de 20 m e a mínima 0,5 m. O diâmetro médio foi de 12,23 cm, o máximo de 66,21 cm e o mínimo de 5 cm. O índice de diversidade Shannon-Wiener resultou no valor de 3,924 nats.indivíduo-1 e o índice de equabilidade de Pielou, em 0,793. As espécies com maior VI foram Protium spruceanum, Copaifera langsdorffii, Pera glabrata, Ixora warmingii, Trichilia emarginata, Naucleopsis mello-barretoi, Protium widgrenii, Ocotea odorifera, Vochysia tucanorum e Alibertia macrophylla. Estas 10 espécies alcançaram 42,9% da soma do VI de todas as espécies.

O índice de diversidade Shannon-Wiener para Camargos foi semelhante ao de Itutinga, maior que o de Madre de Deus e inferior aos do Poço Bonito e Bom Sucesso (tabela 4). A figura 5 apresenta um dendrograma de classificação hierárquica das cinco áreas comparadas. Formaram-se dois grupos distintos. O primeiro foi composto por Camargos (CM), Itutinga (IT) e Bom Sucesso (BS). Dentro deste grupo, as áreas mais semelhantes entre si foram Camargos e Itutinga. O outro grupo foi formado por Madre de Deus (MD) e Poço Bonito (PB).

 

 

 

 

Discussão

Levantamento florístico - As maiores semelhanças florísticas apresentadas entre Camargos e demais florestas da bacia do alto rio Grande poderiam ser explicadas pelo fato de ocorrerem em uma mesma região, com altitudes e macroclimas semelhantes, apresentando todas elas, durante a estação seca, deciduidade de 20 a 50% dos indivíduos. Embora Camargos (CM) e Itutinga (IT) tivessem sido classificadas como florestas de galeria, suas floras foram muito semelhantes às das demais florestas do alto rio Grande (PB, BS e MD), que são florestas estacionais semideciduais montanas. Aparentemente, as florestas de galeria existentes na região do alto rio Grande seriam penetrações das florestas estacionais semideciduais montanas na disjunção da região fitoecológica das savanas, que ocorre na altura do reservatório de Camargos (ver Material e Métodos - Classificação da vegetação). Oliveira-Filho et al. (1994d) salientaram que as florestas de galeria na região do cerrado de Minas Gerais têm alta similaridade florística com as florestas estudadas na região do alto rio Grande, devido tanto ao clima (fortemente estacional) quanto à altitude (> 700 m).

É possível que outros fatores, como altitude e clima semelhantes, e talvez a proximidade geográfica entre as áreas florestais do alto rio Grande teriam maior influência na semelhança florística entre elas que o fato de a floresta ser ripária ou não, pois as florestas ripárias (CM, PB, IT, BS, MD) não se diferenciaram das demais (TD e LV). É provável que esta mesma explicação seja aplicável às florestas estacionais semideciduais submontanas, já que, também neste caso, florestas ripárias e não ripárias se apresentaram misturadas no gráfico da DCA (figura 4).

As florestas ombrófilas densas montanas analisadas não puderam ser consideradas como um grupo único, já que se apresentaram muito diferenciadas entre si, principalmente no primeiro eixo da DCA. As áreas da Serra do Japi (JU) e de Atibaia (AT) seriam floristicamente mais associadas às florestas estacionais semideciduais submontanas e montanas, respectivamente, do que à Serra da Cantareira (floresta ombrófila densa montana). São José dos Campos ocuparia uma posição intermediária entre a Serra da Cantareira, uma floresta ombrófila densa montana, e as florestas estacionais semideciduais submontanas e montanas. A classificação fisionômica das florestas ocorrentes próximas às vertentes interiores da Serra do Mar tem sido uma questão bastante debatida, sendo essas florestas freqüentemente consideradas formações transicionais entre as florestas ombrófilas densas montanas e as florestas estacionais semideciduais submontanas (Baitello et al. 1992).

O primeiro eixo da DCA apresentou-se fortemente associado à intensidade da estacionalidade climática. As florestas de climas mais estacionais (semideciduais e mais distantes do litoral) tenderam a agrupar-se no lado esquerdo do gráfico e as áreas com estação seca menos marcante (ombrófilas) tenderam para o lado direito. O segundo eixo do DCA foi relacionado, pelo menos parcialmente, com os efeitos da altitude na composição florística das áreas. Quase todas as florestas estacionais semideciduais submontanas com altitudes abaixo de 650 m foram separadas das áreas das demais fisionomias, todas acima de 750 m.

Levantamento fitossociológico - Os índices de diversidade de Shannon-Wiener (H’) das cinco áreas comparadas, incluindo Camargos (tabela 4), foram altos, em torno de 4 (Kent & Coker 1992). Entre os principais fatores que poderiam estar contribuindo para a diversidade em Camargos, encontra-se, certamente, a heterogeneidade ambiental determinada pela borda, meio e margem do córrego, habitats muito variáveis em termos de regime de água do solo e luminosidade (van den Berg & Oliveira-Filho 1999). As outras áreas comparadas também incluíram grande heterogeneidade ambiental, especialmente as de maiores índices de diversidade de espécies, Bom Sucesso (BS) e Poço Bonito (PB). Estas apresentaram variações internas mais marcantes de fertilidade de solo (Bom Sucesso) ou topografia (Poço Bonito), que as demais (Oliveira-Filho et al. 1994d). H’ de Camargos não diferiu estatisticamente de Itutinga (IT), mas foi significativamente diferente das outras áreas. CM e IT são duas áreas próximas geograficamente e bastante semelhantes em termos ambientais (ver abaixo), tendo sido ambas classificadas como florestas de galeria. Ambas apresentaram umas poucas espécies com um grande número de indivíduos, que dominaram a fisionomia, resultando em uma baixa equabilidade (J’). Madre de Deus (MD) apresentou uma diversidade menor que Camargos, devido, provavelmente, ao menor número de espécies encontradas. A diversidade de Bom Sucesso (BS) foi mais elevada, provavelmente devido tanto ao maior número de espécies quanto à maior equabilidade. Já no caso de Poço Bonito (PB), a maior diversidade resultaria da mais alta equabilidade, visto que a riqueza de espécies foi menor que a de Camargos. Assim, tanto em BS como em PB não ocorreu a dominância marcante de umas poucas espécies, como em IT e CM.

Entre as florestas do alto rio Grande, Itutinga (IT) foi a que apresentou a menor dissimilaridade com Camargos, provavelmente devido tanto à grande proximidade geográfica (não mais de 500 m) quanto a características semelhantes, como: ambas circundarem as cabeceiras de córregos; serem seus solos predominantes bastante semelhantes (Cambissolos), com propriedades químicas, físicas e conteúdo de matéria orgânica bem próximos (van den Berg & Oliveira-Filho 1999); limitarem-se com a vegetação de campo limpo de altitude; e possuírem feições topográficas parecidas.

É provável que Madre de Deus (MD) e, principalmente, Poço Bonito (PB) tenham se diferenciado das demais áreas devido a diferenças nas propriedades de seu solo. Essas duas áreas apresentaram solos caracteristicamente mais arenosos que as demais. No caso do Poço Bonito, além das diferenças texturais, os teores de fósforo, matéria orgânica e alumínio foram mais altos e os teores de cálcio e magnésio mais baixos que nas demais áreas. Dentre essas propriedades de solo, o fósforo é um importante fator na diferenciação estrutural de florestas tropicais (Askew et al. 1971, Gartlan et al. 1986, Newbery et al. 1986, Oliveira-Filho et al. 1994b). Já os solos de Bom Sucesso (BS) e, principalmente, Itutinga (IT) foram bastante semelhantes ao de Camargos (vide Oliveira-Filho et al. 1994d e van den Berg & Oliveira-Filho 1999 para os dados de solo).

 

Agradecimentos - Ao Conselho Nacional de Pesquisa (CNPq), pelo suporte financeiro a este projeto. Também estendemos nossos agradecimentos aos colegas José Caixeta, Prof. Marco Aurélio Fontes, Luís Marcelo Carvalho (Passarinho), Santos D’Ângelo, Charles Silva, e, em particular, Adelson Oliveira, pela valiosa ajuda durante os trabalhos de campo. Agradecemos ao Prof. Dr. Jorge Tamashiro, pela contribuição na identificação de parte do material botânico coletado e ao Prof. Dr. Nilton Curi, pela classificação e descrição dos solos da área de estudos.

 

Referências bibliográficas

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1. Departamento de Biologia, Universidade Federal de Lavras, Caixa Postal 37, 37200-000 Lavras, MG, Brasil.

2. Departamento de Ciências Florestais, Universidade Federal de Lavras, Caixa Postal 37, 37200-000 Lavras, MG, Brasil.

3. Autor para correspondência: evandenb@esal.ulfa.br

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