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Brazilian Journal of Botany

Print version ISSN 0100-8404On-line version ISSN 1806-9959

Rev. bras. Bot. vol.28 no.1 São Paulo Jan./Mar. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-84042005000100016 

Florística dos componentes arbóreo e arbustivo de um trecho da Floresta Estacional Semidecídua Montana, município de Pedreira, estado de São Paulo

 

Floristic analysis of trees and shrubs in a fragment of Semideciduous Montane Forest, municipality of Pedreira, São Paulo State, southeastern Brazil

 

 

Leila F. YamamotoI; Luiza S. KinoshitaII, 1; Fernando R. MartinsII

IUniversidade Estadual de Campinas, Instituto de Biologia, Curso de Pós-Graduação em Biologia Vegetal, Caixa postal 6109, 13083-970, Campinas, SP, Brasil
IIUniversidade Estadual de Campinas, Instituto de Biologia, Departamento de Botânica, Caixa postal 6109, 13083970 Campinas, SP, Brasil

 

 


RESUMO

Este estudo teve como objetivos conhecer a flora de árvores e arbustos em um fragmento da Floresta Estacional Semidecídua Montana e verificar se há diferença entre as formações Montana e Submontana no estado de São Paulo. Durante 15 meses foram feitas coletas semanais de flores e/ou frutos de espécies de arbustos, arvoretas, árvores e palmeiras, através de caminhadas nos fragmentos na Fazenda Bela Vista (4º52' W e 22º47' S, 750 a 850 m de altitude). Foram identificadas 151 espécies de 106 gêneros e 47 famílias de angiospermas, sendo os táxons mais ricos em espécies Leguminosae, Myrtaceae, Lauraceae, Rubiaceae, Meliaceae, Piperaceae e Solanaceae, Ocotea, Piper, Machaerium, Miconia, Eugenia e Solanum. Foram comparados levantamentos das formações Montana e Submontana da Floresta Estacional Semidecídua no estado de São Paulo. Os táxons de maior constância relativa e maior riqueza de espécies arbustivas e arbóreas em ambas as formações foram: Leguminosae, Euphorbiaceae, Myrtaceae, Rubiaceae, Lauraceae, Machaerium, Eugenia, Solanum e Croton. A aplicação do teste G indicou que Solanaceae, Asteraceae, Melastomataceae, Aspidosperma, Trichilia e Casearia apresentaram riqueza específica e constância relativa significativamente maiores na formação Montana que na Submontana. Por outro lado, Meliaceae, Rutaceae, Moraceae, Ocotea, Miconia, Myrcia e Ficus apresentaram riqueza e constância significativamente maiores na formação Submontana. Portanto, na Floresta Estacional Semidecídua no estado de São Paulo, há distinção florística entre as formações Montana e Submontana tanto em nível de espécies quanto de gênero e família.

Palavras-chave: florística, comparação florística, estado de São Paulo, Floresta Estacional Semidecídua Montana, Floresta Estacional Semidecídua Submontana


ABSTRACT

The aims of this study were to know the species of trees and shrubs in a fragment of Semideciduous Montane Forest and investigate the floristic difference between Montane and Submontane forests in São Paulo State. To survey tree and shrub species, weekly collectings were done during 15 months in the Fazenda Bela Vista (46º52' W and 22º47' S, 750-850 m). A total of 151 species of 106 genera and 47 angiosperm families was collected. Leguminosae, Myrtaceae, Lauraceae, Rubiaceae, Meliaceae, Piperaceae, Solanaceae, Ocotea, Piper, Machaerium, Miconia, Eugenia and Solanum were the richest taxa. Samples performed by other authors of the Montane and Submontane formations of the Seasonal Semideciduous Forest were compared. Leguminosae, Euphorbiaceae, Myrtaceae, Rubiaceae, Lauraceae, Machaerium, Eugenia, Solanum and Croton had higher relative constancy and richness of tree and shrub species in both formations. The G test indicated that Solanaceae, Asteraceae, Melastomataceae, Aspidosperma, Trichilia and Casearia had significantly higher species richness and relative constancy in the Montane formation. On the other hand, Meliaceae, Rutaceae, Moraceae, Ocotea, Miconia, Myrcia and Ficus had significantly higher richness and constancy in the Submontane formation. Therefore, each formation has distinct floristic composition at the species as well as at genera and family levels.

Key words: floristics, floristic comparison, São Paulo state, Semideciduous Montane Forest, Semideciduous Submontane Forest


 

 

Introdução

A vegetação da Floresta Estacional Semidecídua ocorrente no Brasil acima de 500 m de altitude e entre 16º e 24º de latitude sul foi classificada na formação Montana (Veloso et al. 1991). No entanto, há discordância quanto à altitude mínima de seu limite com a formação Submontana. Meira Neto et al. (1989) e Leitão Filho (1992) consideraram 1.000 m como a altitude a partir da qual ocorreria uma mudança conspícua na composição florística e na estrutura das florestas paulistas. Salis et al. (1995) encontraram dois grupos florísticos distintos de florestas no estado de São Paulo: um acima e outro abaixo de 700 m. Torres et al. (1997) encontraram uma altitude mediana entre 700 e 750 m separando a flora das florestas estacionais baixo-altitudinais e alti-altitudinais paulistas. Assim, no estado de São Paulo, o limite entre a Floresta Estacional Semidecídua Montana (FESM) e a Floresta Estacional Semidecídua Submontana (FESS) estaria entre 500 e 1.000 m de altitude, com maior freqüência ao redor de 700 a 750 m. A transição entre essas formações deve ocorrer de forma gradual, sendo os limites entre elas estabelecidas de modo artificial (Oliveira Filho et al. 1994).

A FESM diferiria das formações de altitudes mais baixas tanto na flora quanto na estrutura (Leitão Filho, 1992). Sua flora seria constituída por algumas espécies exclusivas e outras que aí são mais abundantes, mas também ocorreriam em outras formações florestais (Meira Neto et al. 1989). A FESM apresenta uma fisionomia marcada por árvores baixas com altura média em torno de 7 a 8 m, podendo ocorrer poucos indivíduos emergentes; o estrato arbóreo é denso, com as árvores muito próximas umas das outras, apresentando copas sobrepostas, que acarretam um forte sombreamento do solo (Leitão Filho 1992). A maioria das árvores não tem tronco com diâmetro (à altura do peito) muito grande, geralmente menor que 15 cm e os estratos arbustivo e herbáceo apresentam-se pouco desenvolvidos, quando comparados com os de florestas em altitudes mais baixas (Rodrigues et al. 1989). Geralmente, os solos da FESM são ácidos, erodidos, rasos e mais pobres em nutrientes (Leitão Filho 1992, Torres et al. 1997).

O artigo 2º do Código Florestal (lei número 4771 de 15/09/1965) diz que florestas em topos de morro ou em vertentes muito inclinadas constituem área de preservação permanente. Geralmente, a FESM ocorre em topos de morro ou em vertentes, situação que aumenta sua importância como elemento protetor do relevo contra a erosão e como conservador da biodiversidade. Os fragmentos florestais do estado de São Paulo apresentam diferentes estádios sucessionais em decorrência de diferentes tipos e intensidades de perturbação antrópica. É importante estudar áreas nessas condições, para poder conhecer melhor a flora constituinte de florestas perturbadas e indicar espécies apropriadas à revegetação de áreas devastadas.

Torres et al. (1997) encontraram uma similaridade específica muito baixa entre os levantamentos da Floresta Estacional Semidecídua no estado de São Paulo e concluíram que os baixos valores de similaridade indicariam um padrão predominante de distribuição geográfica restrita, em que as espécies arbóreas tenderiam a ocorrer apenas em um ou poucos locais. Torres et al. (1997) também chamaram atenção para o fato de que a diversidade alfa da Floresta Estacional Semidecídua paulista, estimada pelo índice H'de Shannon, tem a mesma ordem de grandeza que a de florestas amazônicas de terra firme. Isso significa que a pequena área de floresta natural representada pelos fragmentos ainda existentes no interior do estado de São Paulo preserva uma diversidade muito alta e pouco conhecida.

Considerando que a Floresta Estacional Semidecídua Montana tem grande importância ecológica e ambiental e que os estudos feitos até o presente têm mostrado que suas espécies são diferentes das ocorrentes na Floresta Estacional Semidecídua Submontana, este estudo tem como objetivos: 1) conhecer a composição florística de um fragmento da Floresta Estacional Semidecídua Montana, apresentando uma lista das espécies arbóreas e arbustivas que aí ocorrem; e 2) verificar se também há diferenças na composição das famílias e gêneros mais ricos em espécies arbóreas entre as formações Montana e Submontana da Floresta Estacional Semidecídua do estado de São Paulo.

 

Material e métodos

A floresta estudada localiza-se no município de Pedreira, estado de São Paulo, na região geomorfológica do Planalto Atlântico, na zona da Morraria de Lindóia, que apresenta relevo montanhoso com serras alongadas de topos angulosos e vertentes ravinadas com perfis retilíneos e, às vezes, abruptos (Ponçano et al. 1981). O clima é tropical com chuvas de verão (figura 1), classificado como tipo II de Walter & Lieth (Walter 1972). O solo predominante na região de Pedreira é o Argissolo Vermelho-Amarelo, correspondente, na classificação antiga, a Podzólico Vermelho-Amarelo (Oliveira et al. 1999).

 

 

Kuhlmann (1942), Kuhlmann & Kühn (1947) e Toledo Filho et al. (1993) estudaram trechos da FESM na Morraria de Lindóia, onde a vegetação é pouco conhecida e com poucas coletas botânicas. No município de Pedreira, os fragmentos florestais remanescentes têm, geralmente, área pequena e são fortemente perturbados. A área de estudo localiza-se na Fazenda Bela Vista, uma propriedade particular no bairro de Entre-Montes, nas coordenadas 46º52' W e 22º47' S, em altitudes (medidas com altímetro aneróide no local de estudo) entre 750 e 850 m. A mata está fragmentada e tem no total cerca de 100 ha, estendendo-se pelas fazendas vizinhas. Apresenta sinais de perturbação, com presença de cepas indicando corte de árvores, muitas descontinuidades no dossel e sem distinção entre os estratos. Em alguns locais, há resquícios de queimada recente (troncos com fuligem); em outros, desde 1984 não ocorrem queimadas (segundo informações dos moradores locais). Na borda, há grande quantidade de lianas e, no interior da mata, há poucos epífitos. A floresta faz divisa com pastagens e uma plantação de eucalipto.

A floresta estudada foi escolhida pelas facilidades logísticas oferecidas pelo proprietário, pelas facilidades de acesso, por representar um remanescente florestal razoável tanto pela sua extensão quanto pelo seu estado de conservação, quando comparado com outros remanescentes da região, e por haver poucos trabalhos realizados em florestas de altitude da região.

As coletas foram feitas semanalmente de agosto de 1997 a meados de outubro de 1998, através de caminhadas assistemáticas pelos fragmentos. Foram coletados indivíduos com DAP (diâmetro do tronco à altura do peito) igual ou superior a 3 cm, cuja forma de crescimento fosse árvore, arvoreta, arbusto ou palmeira. Consideraram-se como arbustos os indivíduos lenhosos ou semilenhosos (indivíduos herbáceos com a base do caule lenhosa) com ramificações permanentes originando-se do caule até 50 cm acima do solo. Indivíduos lenhosos com ramificações acima daquela medida foram considerados arvoretas (até 4 m de altura) ou árvores. Os indivíduos amostrados receberam uma plaqueta de alumínio numerada, para auxiliar no controle do levantamento. As flores e/ou frutos mais delicados foram preservados numa solução aquosa de etanol 70%. Fizeramse exsicatas de todas as espécies coletadas, depositando-se o material-testemunho no Herbário do Departamento de Botânica da Universidade Estadual de Campinas (UEC).

Adotou-se o sistema de Cronquist (1981, 1988), mas as leguminosas foram consideradas uma só família (Polhill & Raven 1981). A identificação foi feita através da literatura e por comparação com as exsicatas do herbário UEC. Foram também consultados os herbários SPF (Departamento de Botânica da Universidade de São Paulo), SPSF (Instituto Florestal), SP (Instituto de Botânica) e IAC (Instituto Agronômico de Campinas). Foram consultados especialistas para identificar alguns materiais ou para confirmar as identificações. Os nomes dos autores das espécies foram abreviados conforme Brummitt & Powell (1992). Os nomes populares foram obtidos dos auxiliares de campo, dos moradores locais e de diversas fontes bibliográficas.

Na comparação entre as formações Montana e Submontana da Floresta Estacional Semidecídua no estado de São Paulo, consideraram-se as oito famílias e gêneros com maior constância relativa e mais ricos em espécies arbóreas e arbustivas nos diversos levantamentos estudados. Os oito gêneros e famílias analisados abrangem uma grande proporção do total de espécies arbóreas e arbustivas presentes em cada levantamento (tabela 1). Sendo assim, considerar apenas os oito gêneros e famílias de maior riqueza específica simplifica as análises, torna-as mais objetivas e, ao mesmo tempo, inclui uma parte muito significativa do total de espécies de cada local, diminuindo o ruído que seria incluído nas análises, se todos os táxons fossem considerados (Gauch 1982). A constância relativa de um táxon CRt considera o número de levantamentos com presença do táxon Pt em relação ao total de levantamentos T (Müeller-Dombois & Ellenberg 1974): CRt = 100Pt/T. A significância da diferença da constância relativa de cada família ou gênero entre a FESM e a FESS foi verificada através do teste G (Sokal & Rohlf 1995). Nessa comparação, foram considerados 15 levantamentos na FESS (Bertoni 1984, Cavassan et al. 1984, Pagano & Leitão Filho 1987, Bertoni et al. 1988, Matthes 1980, Catharino 1989, Vieira et al. 1989, Cesar & Leitão Filho 1990, Nicolini-Gabriel & Pagano 1992, Gabriel & Pagano 1993, Costa & Mantovani 1995, Bernacci & Leitão Filho 1996, Rozza 1997, Santos & Kinoshita 2003, Stranghetti & Ranga 1998). Na FESM do estado de São Paulo, foram considerados 16 levantamentos (Kuhlmann & Kühn 1947, Baitello & Aguiar 1982, Mattos & Mattos 1982, Meira Neto et al. 1989, Rodrigues et al. 1989, Silva 1989, Torres 1989, Robim et al. 1990, Baitello et al. 1992, Pastore et al. 1992, Toledo Filho et al. 1993; Kotchetkoff-Henriques & Joly 1994, Rossi 1994, Cardoso-Leite 1995, Gandolfi et al. 1995), além do presente estudo.

 

Resultados

Foram identificadas 151 espécies em 106 gêneros e 47 famílias (tabela 2). Dois espécimes foram identificados apenas até o nível de gênero. Das espécies amostradas, 97 foram árvores, duas palmeiras, 24 arbustos e 28 arvoretas.

As famílias com maior número de espécies na mata da Fazenda Bela Vista foram: Leguminosae (31 espécies, das quais 15 Papilionoideae, 9 Caesalpinioideae e 7 Mimosoideae), Myrtaceae (11), Lauraceae e Rubiaceae (7), Meliaceae, Piperaceae e Solanaceae (6), Asteraceae, Euphorbiaceae e Rutaceae (5). Essas dez famílias juntas apresentaram 89 espécies, constituindo 58,9% das espécies amostradas, das quais Leguminosae representou 20,53%. As 62 espécies restantes distribuíram-se em 37 famílias.

Os gêneros com maior riqueza de espécies foram Ocotea e Piper (cinco espécies); Eugenia, Machaerium, Miconia e Solanum (quatro espécies), e Acacia, Cordia, Dalbergia, Ficus, Lonchocarpus, Myrsine, Tabebuia, Trichilia e Zanthoxylum com três espécies cada um. Sete gêneros contribuíram com duas espécies e 84 gêneros com apenas uma espécie.

As famílias de maior riqueza específica na FESM no estado de São Paulo apresentaram valores de constância relativa de 50% ou mais (tabela 3): Euphorbiaceae, Leguminosae, Myrtaceae, Rubiaceae, Lauraceae, Solanaceae, Asteraceae e Melastomataceae, tendo Euphorbiaceae uma constância relativa de 100%. Na FESS, as famílias de maior riqueza específica tiveram valores de constância relativa de 60% ou mais (tabela 3): Leguminosae, Meliaceae, Euphorbiaceae, Myrtaceae, Rutaceae, Rubiaceae e Lauraceae, tendo Leguminosae e Meliaceae 100% de constância relativa.

 

 

Os gêneros de maior constância relativa e maior riqueza específica nos diferentes trechos da FESM no estado de São Paulo (tabela 3) foram: Ocotea, Miconia, Solanum, Eugenia, Machaerium, Myrcia e Zanthoxylum. Os gêneros de maior constância relativa e de maior riqueza específica nos levantamentos da FESS no estado de São Paulo (tabela 3) foram: Machaerium, Aspidosperma, Trichilia, Eugenia, Zanthoxylum e Solanum.

Com base no resultado do teste G, Meliaceae e Rutaceae apresentaram constância relativa significativamente maior nas FESS que na FESM; Solanaceae, Asteraceae e Melastomataceae, maior constância relativa nas FESM que nas FESS (tabela 3). Ocotea, Miconia e Myrcia apresentaram constância relativa significativamente maior nas FESM que nas FESS, enquanto Machaerium, Aspidosperma e Trichilia apresentaram constância significativamente maior nas FESS que nas FESM (tabela 3).

A mata da Fazenda Bela Vista apresentou algumas espécies não citadas ou muito pouco citadas para a Floresta Estacional Semidecídua no estado de São Paulo: Acacia recurva, A. farnesiana, Alseis floribunda, Aspidosperma camporum, Bactris setosa, Coccoloba glaziovii, Erythroxylum pelleterianum, Eupatorium inulaefolium, Lonchocarpus campestris, Luetzelburgia auriculata, Piper claussenianum, P. glabratum, P. hostmannianum, Senna cernua, Simira sampaioana, Solanum bistellatum, Tabebuia ochracea, T. serratifolia.

 

Discussão

A pequena proporção de espécies de arbustos e arvoretas encontradas na mata da Fazenda Bela Vista está de acordo com a observação de Rodrigues et al. (1989), segundo a qual a FESM apresenta os estratos arbustivo e herbáceo pouco desenvolvidos, quando comparados com os de florestas em altitudes mais baixas. Também é possível que o limite mínimo de 3 cm de DAP adotado no levantamento da floresta da Fazenda Bela Vista tenha excluído a maioria dos arbustos. Mas, observações no campo mostraram que o hábito arbustivo é pouco freqüente na floresta da Fazenda Bela Vista. No entanto, a pequena ocorrência de arbustos também pode ser decorrente das perturbações sofridas pela mata estudada.

A concentração de riqueza específica em poucas famílias tem sido observada por outros autores em outros locais de várias formações florestais no estado de São Paulo e no Brasil, com cerca de 20% do total de famílias representando cerca de metade das espécies amostradas (Martins 1991, Meireles 2004). As dez famílias de maior riqueza específica na floresta da Fazenda Bela Vista, com alguma variação, também se apresentaram como as mais ricas em outros levantamentos de espécies lenhosas realizados na Floresta Estacional do estado de São Paulo (Leitão Filho 1982, Santos & Kinoshita 2003). A concentração da riqueza específica em Leguminosae também foi observada na grande maioria das florestas não só do interior paulista como também de todo o Brasil (Leitão Filho 1987, Martins 1991, Santos 2003). Famílias como Leguminosae, Euphorbiaceae, Myrtaceae, Rubiaceae e Lauraceae estão entre as mais ricas em espécies lenhosas no mundo (Takhtajan 1997, Cronquist 1981) e estão entre as famílias com alta constância e alta riqueza tanto na formação Montana quanto na Submontana da Floresta Estacional Semidecídua (Leitão Filho 1982, Santos & Kinoshita 2003). Na flora mundial, Leguminosae representa cerca de 8,3%, Euphorbiaceae 4,39%, Rubiaceae 3,80%, Myrtaceae ao redor de 1,75% e Lauraceae 1,17% do total de espécies Magnoliopsida (Cronquist 1981), sendo especialmente ricas em espécies na região tropical (Good 1974). Se uma família é muito rica em espécies e tem uma distribuição muito ampla, espera-se que, em qualquer local da área de sua distribuição, ela conste dentre as famílias de maior constância e maior riqueza. Portanto, esperava-se que essas famílias fossem das mais ricas também na mata da Fazenda Bela Vista.

Os resultados da comparação feita entre as FESS e as FESM indicaram que as formações Montana e Submontana da Floresta Estacional Semidecídua apresentam diferenças na composição de famílias. Torres et al. (1997) não encontraram diferenças entre as formações Submontana e Montana no estado de São Paulo, mas consideraram a presença ou a ausência de todas as famílias, enquanto este presente estudo considerou apenas as famílias de maior constância e maior riqueza específica em cada uma dessas formações.

Piper, que apresentou cinco espécies na mata da Fazenda Bela Vista, foi citado como um dos gêneros mais ricos apenas nos levantamentos que incluíram espécimes de pequeno diâmetro. Portanto, como a variação do tamanho do menor indivíduo incluído nos diferentes levantamentos parece influenciar muito na riqueza de Piper, não há como discutir se esse gênero é característico de alguma formação da Floresta Estacional Semidecídua no estado de São Paulo. Ocotea, Miconia e Myrcia tiveram riqueza e constância significativamente maiores na formação Montana que na Submontana. Na mata da Fazenda Bela Vista, Myrcia apresentou apenas uma espécie, enquanto Ocotea e Miconia apresentaram alta riqueza de espécies. Por outro lado, Aspidosperma e Trichilia apresentaram riqueza específica e constância significativamente maiores na formação Submontana que na Montana. Como esperado, na mata da Fazenda Bela Vista, uma formação Montana, Aspidosperma apresentou apenas uma espécie. No entanto, Trichilia apresentou três espécies na mata em estudo. Na mata da Fazenda Bela Vista, Tabebuia, Cordia, Dalbergia, Lonchocarpus, Acacia, e Myrsine apresentaram riqueza específica relativamente alta. Em alguns trechos da formação Montana paulista, esses gêneros apresentaram riqueza específica alta, mas, no geral, mostraram baixa constância relativa. Embora Meira Neto et al. (1989), Leitão Filho (1992), Salis et al. (1995) e Torres et al. (1997) tivessem observado uma mudança na composição de espécies entre florestas em altitudes menores ou maiores que 700 m, não analisaram diferenças em nível de gênero.

Quase metade das espécies arbustivas e arbóreas apontadas como indicadoras de floresta de altitude por Meira Neto et al. (1989) também foi encontrada na mata da Fazenda Bela Vista. Lá ocorreram tanto táxons considerados exclusivos de grandes altitudes e ou climas frios e úmidos quanto táxons considerados típicos de baixas altitudes e ou climas secos e quentes, segundo a classificação proposta por Salis et al. (1995). A mistura de táxons considerados característicos de uma ou outra condição também foi encontrada quando consideramos os níveis de família ou gênero. Concluímos que, na Floresta Estacional Semidecídua no estado de São Paulo, a formação Montana se distingue da Submontana, tendo algumas famílias (Solanaceae, Asteraceae e Melastomataceae) e gêneros (Ocotea, Miconia e Myrcia) com maior constância e maior riqueza específica na formação Montana. Por outro lado, na formação Submontana outras famílias (Meliaceae e Rutaceae) e gêneros (Machaerium, Aspidosperma e Trichilia) ocorrem com maior constância e maior número de espécies.

As várias espécies pouco citadas ou não citadas para a Floresta Estacional Semidecídua do estado de São Paulo, encontradas na mata da fazenda Bela Vista, reforçam a idéia da distribuição geográfica restrita da maioria das espécies arbóreas sugerida por Torres et al. (1997). Com o padrão predominante de distribuição geográfica restrita da maioria das espécies arbóreas, resulta ser muito importante não só preservar e proteger os fragmentos florestais que ainda restam no interior do estado de São Paulo, como também conhecer sua flora.

Agradecimentos – Ao Senhor José A. Cremasco pela permissão da realização do presente estudo em sua Fazenda Bela Vista. Aos pesquisadores taxonomistas do Departamento de Botânica da Unicamp: Dra. Ana Maria Goulart de Azevedo Tozzi, Dra. Angela Borges Martins, Dr. João Semir, Jorge Yoshio Tamashiro e Dr. Washington Marcondes-Ferreira Neto; do Departamento de Botânica da USP: Dra. Cintia Kameyama, Dr. José Rubens Pirani e Dr. Paulo Sano; do Instituto de Botânica do Estado de São Paulo: Dra. Maria Lucia Kawasaki; do Instituto Florestal do Estado de São Paulo: Dr. João Batista Baitello e Osni Aguiar; do Herbário do IAC: Dra. Sigrid L. Jung-Mendaçolli; do Curso de PósGraduação em Biologia Vegetal da Unicamp: Andreia Barbosa, Angela L.Bagnatori Sartori, Kazue Matsumoto, Maria de Fátima Freitas e Vidal de Freitas Mansano, pelo auxílio na identificação do material botânico. A Yukio Makino e Rodrigo B. Singer, pelo auxílio no trabalho de campo. À Capes, pela bolsa de mestrado concedida à primeira autora.

 

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(recebido: 28 de novembro de 2001; aceito: 25 de novembro de 2004)

 

 

1 Autor para correspondência: luizakin@unicamp.br

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