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Brazilian Journal of Botany

On-line version ISSN 1806-9959

Rev. bras. Bot. vol.31 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-84042008000400010 

ARTIGOS

 

Pólen de gimnospermas e angiospermas do perfil sedimentar de uma turfeira em São Francisco de Paula, Planalto Leste do Rio Grande do Sul, Sul do Brasil1

 

Pollen of gymnosperms and angiosperms of the sedimentary profile of a bog, São Francisco de Paula, Eastern Plateau of Rio Grande do Sul, southern Brazil

 

 

Adriana Leonhardt2; Maria Luisa Lorscheitter

Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Instituto de Biociências, Departamento de Botânica. Av. Bento Gonçalves 9500, 91540-000 Porto Alegre, RS, Brasil

 

 


RESUMO

Este catálogo polínico visa servir de base para o estudo de reconstituições paleoambientais através da palinologia de sedimentos no Planalto do Sul do Brasil. Para tanto, apresenta os grãos de pólen de gimnospermas e angiospermas encontrados no perfil sedimentar de uma turfeira do Planalto Leste do Rio Grande do Sul. O perfil possui 286 cm de comprimento, correspondendo aproximadamente aos últimos 25.000 anos. As 22 amostras foram retiradas do perfil em intervalos regulares, tratadas quimicamente seguindo o método padrão e analisadas em microscópio óptico. São apresentados grãos de pólen de duas gimnospermas e 43 angiospermas (uma Magnoliidae, cinco Hamamelidae, seis Caryophyllidae, seis Dillenidae e 25 Rosidae). O material polínico é descrito e ilustrado. As descrições são acompanhadas, sempre que possível, de dados ecológicos do esporófito de origem.

Palavras-chave: angiospermas, gimnospermas, palinologia, Quaternário, Sul do Brasil


ABSTRACT

This pollen catalogue aims at helping the study of paleoenvironmental reconstructions by palynology of sediments in southern Brazil Plateau. It presents gymnosperms and angiosperms pollen found in a sedimentary profile from a bog of Rio Grande do Sul Eastern Plateau. The profile has 286 cm long, corresponding approximately to the last 25,000 years. The 22 samples were collected in regular intervals in the profile, chemically treated following the standard method and analyzed by light microscopy. Pollen grains from two gymnosperms and 43 angiosperms (one Magnoliidae, five Hamamelidae, six Caryophyllidae, six Dillenidae and 25 Rosidae) are presented. The pollen material is described and illustrated. The descriptions are accompanied, whenever possible, by ecological data of the original sporophyte.

Key words: angiospermae, gymnospermae, pollen, Quaternary, southern Brazil


 

 

Introdução

Grãos de pólen e esporos, por possuírem uma parede celular (exina) resistente - rica em esporopolenina - podem ser preservados ao longo dos milênios em sedimentos como os de oceanos, lagos e pântanos em geral. Como a morfologia polínica é ligada à espécie de origem, a palinologia de sedimentos, aliada a datações radiométricas, é uma excelente ferramenta em reconstituições paleoambientais, permitindo a compreensão das mudanças vegetacionais e climáticas. Catálogos palinológicos são, portanto, valioso material de referência na determinação botânica dos palinomorfos preservados em perfis sedimentares.

A vegetação do Planalto Leste do Rio Grande do Sul é caracterizada por um mosaico de mata com Araucária, campo e, nas baixadas úmidas, turfeiras (Rambo 1956). O clima é mesotérmico médio super-úmido e a temperatura média anual está entre 12º e 14º C (Nimer 1989). Embora muito se discuta sobre a vegetação do Planalto do Rio Grande do Sul, escassos são os trabalhos de sucessão vegetal na região, envolvendo palinologia de sedimentos (Roth & Lorscheitter 1993, Behling et al. 2001, 2004), o que impede um maior entendimento dos processos que geraram sua atual paisagem.

O presente trabalho visa fornecer material de referência básico em reconstituições paleoambientais do Planalto do Sul do Brasil, que possibilitem a compreensão da história da vegetação nos últimos milênios e de suas tendências naturais. Os grãos de pólen apresentados neste trabalho foram encontrados ao longo do perfil sedimentar de uma turfeira do Planalto Leste do Rio Grande do Sul, Sul do Brasil.

Três datações por 14C foram realizadas na seqüência sedimentar pelo laboratório Beta Analytic Inc., Miami, Flórida: porção basal, 273 cm de profundidade, 24.930 ± 180 anos AP (Antes do Presente), (Beta 194784); 127 cm de profundidade, 11.830 ± 70 anos AP (Beta 189287); 25 cm de profundidade, 4.140 ± 40 anos AP (Beta 211188). O intervalo compreende, portanto, o final do Pleistoceno e todo o Holoceno. As descrições de palinomorfos de fungos, algas, briófitos e pteridófitos do perfil sedimentar da turfeira estudada já foram apresentadas por Leonhardt & Lorscheitter (2007).

Apresenta-se agora a segunda parte da análise palinológica qualitativa, compreendendo os grãos de pólen de gimnospermas e angiospermas (subclasses Magnoliidae, Hamamelidae, Caryophyllidae, Dillenidae e Rosidae).

 

Material e métodos

A turfeira estudada situa-se em Alpes de São Francisco (29º29' S-50º37' W), Município de São Francisco de Paula (figura 1), cercada por campo e Mata com Araucária. A coleta do perfil sedimentar foi realizada com um Amostrador de Hiller (Faegri & Iversen 1989), aproximadamente no centro da turfeira. O perfil possui 286 cm de comprimento, de onde foram retiradas, 22 amostras aproximadamente eqüidistantes, cada uma com 8 cm3 de sedimento fresco. O processamento químico das amostras seguiu o método padrão (Faegri & Iversen 1989), usando-se HCl, HF, KOH e acetólise, com filtragem em malha de 250 µm. O meio de montagem das lâminas foi gelatina-glicerinada e a análise das mesmas realizou-se em microscópio óptico Diaplan Leitz, munido de objetivas planapocromáticas, em aumento de 400 e 1.000 ×. As fotomicrografias foram feitas em aumento de 1.000 × (filme T-MAX 100).

 

 

Para a determinação botânica do material foi utilizada a palinoteca de plantas atuais do Laboratório de Palinologia do Departamento de Botânica da Universidade Federal do Rio Grande do Sul e bibliografia especializada (Heusser 1971, Lorscheitter 1988, Markgraf & D'Antoni 1978, Neves & Lorscheitter 1995, Pire et al. 1998, 2001, Roubik & Moreno 1991, Wingenroth & Heusser 1983). Na determinação botânica procurou-se sempre alcançar o nível taxonômico mais inferior possível. A palavra "tipo" foi empregada antes dos nomes dos grãos que não tiveram sua determinação assegurada devido à semelhança entre espécies, gêneros ou famílias, conforme o usual em palinologia de sedimentos (Berglund 1986). Foram acrescentados números após os nomes nos casos em que os grãos, com morfologia distinta, não puderam ser determinados dentro de uma mesma categoria taxonômica.

As descrições taxonômicas dos grãos de pólen contém as principais características distintivas para a identificação botânica. Eixos polar e equatorial foram medidos em ocular de fio móvel e as medidas convertidas em micrômetros. Sempre que possível foram incluídos dados ecológicos do esporófito de origem, o que possibilita análises de paleoambientais.

A ordenação sistemática segue Bold et al. (1987) para gimnospermas e Cronquist (1981) para angiospermas.

 

Resultados e discussão

Gimnospermas
  Divisão Coniferophyta
    Classe Coniferopsida
      Ordem Coniferales
        Família Araucariaceae

1. Araucaria angustifolia (Bertol.) Kuntze

Figura 2

Globoso, robusto, aproximadamente esférico, isopolar. Inaperturado e escabrado. Exina estreita e delicada, resultando em grão, em geral, irregularmente dobrado. Presença de dois minúsculos descolamentos de parede celular, quase imperceptíveis. Diâmetro: 53-77 µm.

Dados ecológicos: pioneira e heliófita, possibilitando a expansão das florestas sobre o campo no Planalto (Backes & Irgang 2002). Irradia-se como elemento isolado sobre campos limpos, formando agrupamentos, de início bastante esparsos, que vão tornando-se cada vez mais densos, até constituir capões de pinhais. Sobre os campos, desde depressões até porções mais elevadas. Também junto a cursos d'água, onde se iniciam os capões e matas de galeria (Reitz et al. 1983). Principal elemento fisionômico da Floresta Ombrófila Mista do Planalto do Rio Grande do Sul (Rambo 1956).

Família Podocarpaceae

2. Podocarpus lambertii Klotzsch ex Endl.

Figuras 3-6

Bissacado. Corpo do grão aproximadamente elipsoidal. Simetria bilateral, heteropolar, com leptoma no pólo distal. Escabrado. Sacos grandes com finas linhas irregulares, formadas por descolamento da exina. Comprimento total (incluindo sacos): 87-90 µm. Altura total (incluindo sacos): cerca de 54 µm. Eixo polar (corpo): cerca de 49 µm. Eixo equatorial maior (corpo): 52-65 µm. Eixo equatorial menor (corpo): 49-58 µm. Comprimento dos sacos: cerca de 39 µm. Largura dos sacos: 40-49 µm. Obs: a nomenclatura para as medições seguiu Erdtman (1957).

Dados ecológicos: preferencialmente no Planalto, junto com A. angustifolia, e sobre a Serra do Sudeste. Pioneira precursora em campos e capoeiras, possuindo excelente regeneração natural em vegetação secundária (Backes & Irgang 2002).

Angiospermas
  Divisão Magnoliophyta
    Classe Magnoliopsida
      Subclasse Magnoliidae
        Ordem Magnoliales
          Família Winteraceae

3. Drimys brasiliensis Miers

Figuras 7-9

Tétrade tetraédrica. Grão oblato, radiossimétrico, heteropolar. Circular em vista polar. Monoulcerado per-reticulado. Retículo grosseiro, diminuindo em direção à abertura, até desaparecer junto ao ulcus. Columelas evidentes, sustentando o muro. Diâmetro da tétrade: 60-78 µm. Grão: Eixo polar: 28-31 µm. Eixo equatorial: 44-45 µm.

Dados ecológicos: árvore pequena e pioneira, típica da mata com Araucária do Planalto (Backes & Irgang 2002). Esciófita ou de luz difusa, menos encontrada como heliófita. Levemente seletiva higrófita (Trinta & Santos 1997).

Subclasse Hamamelidae
  Ordem Urticales

4. Urticales

Figuras 10-11

Radiossimétrico, pequeno, isopolar. Circular em vista polar. Triporado psilado. Estratificação obscura. Eixo equatorial: 22-26 µm.

Dados ecológicos: plantas herbáceas, arbóreas ou arbustivas (Joly 2002, Barroso et al. 1978), em geral relacionadas à ambiente de mata.

Família Ulmaceae

5. Celtis L.

Figura 12

Radiossimétrico, isopolar. Circular em vista polar. Triporado psilado, com espessamento anelar em torno dos poros. Columelas pouco evidentes. Eixo polar: cerca de 26 µm. Eixo equatorial: 26-29 µm.

Dados ecológicos: árvores ou arbustos (Schultz 1984, Joly 2002). Ocorrente na Mata com Araucária (Rambo 1956).

6. Trema micrantha (L.) Blume

Figura 13

Suboblato a oblato-esferoidal, muito pequeno. Simetria bilateral, isopolar. Elíptico nas vistas polar e equatorial. Biporado psilado a escabrado. Columelas pouco evidentes. Eixo polar: 15-19 µm. Eixo equatorial maior: 17-22 µm.

Dados ecológicos: espécie arbórea, considerada uma das pioneiras mais importantes no sul do Brasil e também a mais amplamente distribuída. Ocorre na orla das matas e nos capoeirões, onde torna-se bastante freqüente, sobretudo na mata latifoliada do Alto Uruguai e na Depressão Central (Reitz et al. 1983, Schultz 1984, Backes & Irgang 2002).

Ordem Fagales
  Família Fagaceae

7. Nothofagus Blume

Figura 14

Radiossimétrico, isopolar, circular em vista polar. Tetra a estefanocolpado microequinado. Colpos muito curtos, levemente projetados, com espessamento anelar. Espinhos uniformemente distribuídos. Columelas evidentes. Eixo equatorial: 36-37 µm.

Dados ecológicos: árvore de florestas úmidas periantárticas, nos Andes patagônicos (Markgraf & D'Antoni 1978). Não ocorre no Brasil. Pólen com excepcional capacidade de dispersão a longas distâncias pela atmosfera, chegando ao Planalto do Rio Grande do Sul, ao que tudo indica, por ventos de sudoeste (Roth & Lorscheitter 1993).

Família Betulaceae

8. Alnus Mill.

Figuras 15-16

Oblato-esferoidal, radiossimétrico, isopolar. Poligonal em vista polar, elíptico em vista equatorial. Tetraporado a estefanoporado com cinco poros, psilado. Poros proeminentes, com espessamento anelar. Espessamentos da exina em forma de arco, conectando um poro a outro. Columelas evidentes. Eixo polar: cerca de 24 µm. Eixo equatorial: 26-31 µm.

Dados ecológicos: árvore nativa dos Andes do norte da Argentina, em florestas tropicais e subtropicais (Markgraf & D'Antoni 1978, Joly 2002). Não ocorre no Brasil. Segundo Roth & Lorscheitter (1993), a presença do pólen de Alnus em sedimentos do Planalto do Rio Grande do Sul deve-se ao transporte por ventos de oeste desde a Argentina, uma vez que, assim como Nothofagus, pode percorrer grandes distâncias pela atmosfera.

Subclasse Caryophyllidae
  Ordem Caryophyllales
    Família Amaranthaceae-Família Chenopodiaceae

9. Tipo Amaranthus - Chenopodiaceae

Figuras 17-18

Esférico, radiossimétrico, apolar. Pantoporado psilado. Poros numerosos e próximos. Columelas evidentes. Diâmetro: 18-26 µm. Obs: Amaranthus e Chenopodiaceae apresentam morfologia polínica muito semelhante, sendo impossível uma distinção morfológica.

Dados ecológicos: representantes de Amaranthus são ervas geralmente anuais. A maioria das espécies ocorrentes no Rio Grande do Sul cresce em terrenos alterados, como ruderais (Vasconcellos 1973). A maior parte das Chenopodiaceae é composta por plantas anuais herbáceas ou subarbustos, sendo muitas ruderais ou halófitas (Joly 2002, Barroso et al. 1978, Schultz 1984).

Família Amaranthaceae

10. Alternanthera Forssk. 1

Figuras 19-21

Esférico, radiossimétrico, apolar. Pantoporado per-reticulado microequinado. Retículo de lúmen muito largo e muro fino e retilíneo, dando ao grão de pólen um aspecto poliédrico. Um poro em cada lúmen do retículo. Espinhos quase imperceptíveis sobre o muro, sustentado por columelas evidentes. Diâmetro: cerca de 18 µm. Diâmetro do lúmen: cerca de 6 µm.

Dados ecológicos: gênero composto por ervas ou raramente subarbustos, anuais ou perenes, ocorrendo em campos secos, em alagadiços, em interior de mata, em cultivos e como ruderal (Vasconcellos 1973).

11. Alternanthera Forssk. 2

Figuras 22-24

Esférico, radiossimétrico, apolar. Pantoporado per-reticulado microequinado, com muro largo. Um poro em cada lúmen do retículo. Columelas evidentes, sustentando o muro. Diâmetro: cerca de 31 µm. Diâmetro do lúmen: cerca de 6 µm. Obs: o tamanho nitidamente mais avantajado do grão, o muro não bem retilíneo e o maior número de lumens distinguem Alternanthera 2 de Alternanthera 1.

Dados ecológicos: Como em Alternanthera 1.

12. Tipo Iresine P. Browne

Figuras 25-27

Esférico, radiossimétrico, apolar. Pantoporado per-reticulado. Um poro em cada lúmen do retículo. Columelas evidentes, sustentando o muro. Diâmetro: 19-22 µm. Diâmetro do lúmen: cerca de 4 µm. Obs: Iresine ocorre no Planalto Leste do Rio Grande do Sul (Rambo 1956), apresentando morfologia polínica muito semelhante a Gomphrena L.

Dados ecológicos: o gênero Iresine está composto por ervas ou subarbustos anuais ou perenes, em campos secos e arenosos (Vasconcellos 1973).

Família Caryophyllaceae

13. Caryophyllaceae

Figuras 28-30

Esférico, radiossimétrico, apolar. Pantoporado microequinado e punctado. Poros distanciados, com espessamento anelar. Espinhos de distribuição uniforme. Columelas evidentes. Diâmetro: cerca de 38 µm.

Dados ecológicos: grande maioria dos representantes composta por ervas anuais de pequeno porte. Distribuição cosmopolita. Espécies encontradas principalmente em ambientes abertos, principalmente campos naturais e cerrados; mais comuns em áreas de altitude do Sul do Brasil (Joly 2002, Barroso et al. 1978, Schultz 1984, Souza & Lorenzi 2005). No Rio Grande do Sul, ocorrem em matas, barrancos, campos, encostas, regiões pedregosas, habitando desde solos úmidos até secos e arenosos.

Ordem Polygonales
  Família Polygonaceae

14. Polygonum L.

Figuras 31-33

Esférico, radiossimétrico, apolar. Pantoporado per-reticulado. Retículo com muros altos. Poros no interior de alguns lumens, regularmente distribuídos. Columelas evidentes, sustentando o muro. Diâmetro: cerca de 55 µm.

Dados ecológicos: ervas ou subarbustos. Freqüentes em locais alagáveis, alguns como plantas invasoras de culturas (Souza & Lorenzi 2005).

Subclasse Dillenidae
  Ordem Malvales
    Família Malvaceae

15. Malvaceae

Figuras 34-35

Esférico, radiossimétrico, apolar. Robusto, estefanoporado ou pantoporado, equinado. Espessamento anelar em torno dos poros. Espinhos conspícuos, de tamanho avantajado. Columelas evidentes. Diâmetro: cerca de 47 µm.

Dados ecológicos: plantas de hábito variado, incluindo ervas, subarbustos ou arbustos, raramente árvores de pequeno porte (Joly 2002, Barroso et al. 1978, Schultz 1984). Ocorrem em ambientes variados.

Ordem Violales
  Família Cucurbitaceae

16. Cucurbitaceae

Figuras 36-37

Esférico, radiossimétrico, apolar. Pantoporado equinado. Poros tênues, pouco perceptíveis. Espinhos esparsos. Columelas evidentes. Diâmetro: cerca de 38 µm.

Dados ecológicos: plantas herbáceas, trepadeiras ou rastejantes, raramente subarbustos ou arbustos, anuais ou perenes (Joly 2002, Barroso et al. 1978, Souza & Lorenzi 2005). Espécies distribuídas em todo o mundo, preferencialmente nas regiões tropicais. A maioria das espécies do Rio Grande do Sul ocorre em capoeiras e na borda ou no interior de matas (Porto 1974).

Ordem Ericales
  Família Ericaceae

17. Agarista D. Don ex G. Don

Figuras 38-39

Tétrade tetraédrica. Grão oblato a suboblato, radiossimétrico, isopolar. Aproximadamente circular em vista polar. Tricolporado psilado a levemente verrucado. Colporo com espessamento marginal. Estratificação obscura. Diâmetro da tétrade: 31-48 µm. Grão: Eixo polar: 19-31 µm. Eixo equatorial: 26-35 µm. Obs: nome atual do gênero Leucothoe D. Don. no Rio Grande do Sul

Dados ecológicos: típico do Planalto Leste do Rio Grande do Sul (Rambo 1956), onde ocorre em diferentes condições edáficas, como solos rochosos, campos, banhados, turfeiras ou capoeiras de topos de morro (Marques 1975).

18. Tipo Ericaceae

Figuras 40-41

Tétrade tetraédrica. Grão oblato-esferoidal, radiossimétrico, isopolar. Aproximadamente circular em vista polar. Tricolporado verrucado. Colporo com espessamento marginal. Verrugas tênues. Estratificação obscura. Diâmetro da tétrade: cerca de 30 µm. Grão: Eixo polar: cerca de 17 µm. Eixo equatorial: cerca de 20 µm. Obs: o Tipo Ericaceae difere de Agarista pelo tamanho menor da tétrade, pelo espessamento mais grosseiro da margem do colporo e pelas verrugas mais robustas.

Dados ecológicos: a família ocorre de preferência em solos ácidos. Nos trópicos está, em geral, em locais altos, sendo composta por arbustos ou subarbustos, raro árvores ou ervas (Marques 1975).

Ordem Ebenales
  Família Sapotaceae

19. Chrysophyllum L.

Figuras 42-44

Prolato a perprolato, radiossimétrico, isopolar. Elíptico-comprimido em vista equatorial. Tricolporado per-reticulado. Retículo muito fino. Sexina caracteristicamente mais espessa nas regiões polares. Columelas evidentes. Eixo polar: 25-31 µm. Eixo equatorial: 14-16 µm.

Dados ecológicos: árvores ou arbustos latescentes, representados no Rio Grande do Sul por espécies ocorrentes em matas ou capões (Reitz 1968).

Ordem Primulales
  Família Myrsinaceae

20. Myrsine L.

Figuras 45-46

Radiossimétrico, isopolar, circular a quadrangular em vista polar, aproximadamente circular em vista equatorial. Tetracolpado a tetracolporoidado psilado. Columelas evidentes. Eixo equatorial: 26-32 µm.

Dados ecológicos: gênero apresentando espécies arbóreas pioneiras, amplamente dispersadas pela fauna e com capacidade de desenvolvimento em qualquer tipo de solo (Backes & Irgang 2002). Ocorre com freqüência no Planalto do Rio Grande do Sul (Rambo 1956).

Subclasse Rosidae
  Ordem Rosales
    Família Rosaceae

21. Rosaceae 1

Figuras 47-48

Prolato, radiossimétrico, isopolar. Elíptico em vista equatorial. Tricolporado per-reticulado estriado. Retículo muito fino. Columelas evidentes, sustentando o muro. Eixo polar: cerca de 34 µm. Eixo equatorial: cerca de 25 µm.

Dados ecológicos: plantas de hábito muito variado, como ervas anuais, arbustos, subarbustos, trepadeiras e árvores. Distribuição cosmopolita, concentradas no Hemisfério Norte (Joly 2002, Barroso et al. 1991, Schultz 1984, Souza & Lorenzi 2005). Família com vários representantes no Planalto Leste do Rio Grande do Sul (Rambo 1956).

22. Rosaceae 2

Figuras 49-50

Prolato, radiossimétrico, isopolar. Elíptico em vista equatorial. Tricolporado per-reticulado estriado. Columelas evidentes, sustentando o muro. Eixo polar: cerca de 28 µm. Eixo equatorial: cerca de 18 µm. Obs: Rosaceae 2 difere de Rosaceae 1 pelo retículo mais grosseiro e irregular e pelo tamanho nitidamente menor do grão.

Dados ecológicos: Como em Rosaceae 1.

Ordem Fabales
  Família Mimosaceae

23. Mimosa L.

Figuras 51-53

Tétrade tetraédrica de contornos salientes. Grão de pólen oblato a oblato-esferoidal, radiossimétrico, levemente heteropolar. Pequeno. Pólo proximal um pouco afilado. Aproximadamente circular em vista polar. Pantoporado verrucado. Poros em pouco número, distanciados e irregularmente distribuídos. Columelas evidentes. Diâmetro da tétrade: 24-29 µm. Grão: Eixo polar: 13-15 µm. Eixo equatorial: 16-19 µm.

Dados ecológicos: árvores ou arbustos (Burkart 1979). O gênero está representado por várias espécies no Planalto do Rio Grande do Sul (Rambo 1956).

24. Mimosa ser. Lepidotae Benth. 1

Figuras 54-55

Tétrade tetragonal, circular, elíptica ou sub-quadrangular em vista frontal. Grão de pólen suboblato, radiossimétrico, heteropolar. Pólo distal alargado e pólo proximal nitidamente afilado. Porado verrucado. Poros equatoriais, salientes na zona de contato entre os grãos. Columelas evidentes. Diâmetro da tétrade: 36-41 µm. Grão: Eixo polar: 17-23 µm. Eixo equatorial: 22-28 µm.

Dados ecológicos: árvores ou arbustos de locais úmidos a pantanosos (Lins & Baptista 1990).

25. Mimosa ser. Lepidotae Benth. 2

Figura 56

Tétrade romboidal, elíptica em vista frontal. Grão de pólen oblato, radiossimétrico, levemente heteropolar. Pequeno. Pólo proximal um pouco afilado. Porado verrucado. Poros equatoriais, na zona de contato entre os grãos. Verrugas tênues. Estratificação obscura. Comprimento da tétrade: cerca de 29 µm. Largura da tétrade: cerca de 21 µm. Grão: Eixo polar: cerca de 12 µm. Eixo equatorial: cerca de 18 µm.

Dados ecológicos: Como em Mimosa ser. Lepidotae 1.

26. Mimosa ser. Lepidotae Benth. 3

Figura 57

Tétrade tetragonal, muito pequena e hialina, aproximadamente circular a sub-quadrangular em vista frontal. Grão de pólen suboblato, radiossimétrico, heteropolar. Pólo proximal afilado. Poros não evidentes, psilado. Estratificação obscura. Diâmetro da tétrade: cerca de 13 µm. Grão: Eixo polar: cerca de 7 µm. Eixo equatorial: cerca de 8 µm. Obs: as diferenças entre Mimosa ser. Lepidotae 1, Mimosa ser. Lepidotae 2 e Mimosa ser. Lepidotae 3 foram a forma e o tamanho da tétrade, o arranjo dos grãos de pólen e a ornamentação.

Dados ecológicos: Como em Mimosa ser.Lepidotae 1.

27. Mimosa scabrella Benth.

Figuras 58-59

Tétrade tetraédrica, muito pequena e hialina. Grão de pólen suboblato, radiossimétrico, levemente heteropolar. Aproximadamente circular em vista polar. Poros não evidentes, psilado. Estratificação obscura. Diâmetro da tétrade: cerca de 13 µm. Grão: Eixo polar: cerca de 6 µm. Eixo equatorial: cerca de 8 µm.

Dados ecológicos: árvore pioneira mais importante da mata com Araucária (Backes & Irgang 2002). Forma agrupamentos densos no limite entre a mata e o campo, possibilitando a expansão florestal. Incorpora nitrogênio e fósforo ao solo através dos nódulos radiculares e queda das folhas. Heliófita e bem indiferente quanto às condições físicas dos solos, ocorrendo principalmente nas associações secundárias. Vastamente dispersa pelas submatas dos pinhais e pelos capoeirões do Planalto Leste do Rio Grande do Sul, onde encontra-se circunscrita às florestas com pinheiros situados em maiores altitudes, entre 700 a 1.200 m (Reitz et al. 1983, Burkart 1979).

Família Caesalpiniaceae

28. Bauhinia forficata subsp. pruinosa (Vogel) Fortunato & Wunderlin

Figuras 60-62

Oblato-esferoidal, radiossimétrico, isopolar. Robusto, coloração marrom-escura. Elíptico em vista equatorial, aproximadamente circular em vista polar. Tricolporado gemado. Gemas muito grosseiras e distanciadas, irregularmente distribuídas. Columelas evidentes. Eixo polar: cerca de 37 µm. Eixo equatorial: cerca de 41 µm.

Dados ecológicos: planta pioneira, importante componente da vegetação secundária (Backes & Irgang 2002).

Família Fabaceae

29. Tipo Vicia L.

Figuras 63-64

Prolato, radiossimétrico, isopolar. Elíptico-comprimido em vista equatorial. Tricolporado psilado, levemente escabrado na região do equador, entre os colporos. Endoabertura grande e circular. Columelas evidentes. Eixo polar: 35-58 µm. Eixo equatorial: 23-42 µm. Obs: tipo polínico semelhante ao do gênero Lathyrus L.

Dados ecológicos: no Brasil as espécies nativas do gênero são plantas normalmente de porte baixo (0,40-1,0 m de altura), trepadeiras, utilizando gavinhas para prender e apoiar seus ramos sobre a vegetação arbustiva, sendo freqüentemente encontradas em campos alterados, entremeadas a espécies herbáceas ou arbustivas, formando touceiras ou prostradas sobre o solo. Também encontradas em margem de caminhos. O gênero ocorre no Planalto do Rio Grande do Sul (Rambo 1956).

Ordem Proteales
  Família Proteaceae

30. Roupala Aubl.

Figura 65

Radiossimétrico, isopolar. Triangular em vista polar, com zonas interangulares retas. Triporado psilado. Poros desenvolvidos. Columelas evidentes. Eixo equatorial: cerca de 20 µm.

Dados ecológicos: gênero composto por plantas arbóreas, com ampla dispersão em matas do Sul do Brasil (Backes & Irgang 2002). Presente no Planalto Leste do Rio Grande do Sul (Rambo 1956).

Ordem Haloragales
  Família Haloragaceae

31. Myriophyllum L.

Figuras 66-68

Oblato-esferoidal, radiossimétrico, isopolar. Aproximadamente circular em vista polar e levemente elíptico em vista equatorial. Triporado a tetraporado, psilado a micro-verrucado, com verrugas tênues. Poros muito salientes, com acentuado espessamento anelar. Columelas evidentes. Eixo polar: cerca de 27 µm. Eixo equatorial: 25-30 µm.

Dados ecológicos: gênero composto por ervas palustres (Fevereiro 1975).

Ordem Myrtales
  Família Lythraceae

32. Cuphea carunculata Koehne

Figura 69

Radiossimétrico, isopolar. Triangular em vista polar, com zonas interangulares quase planas, levemente convexas, e ângulos caracteristicamente projetados. Tricolporado psilado. Columelas pouco evidentes. Eixo equatorial: 24-25 µm.

Dados ecológicos: Cuphea abrange ervas ou arbustos de campos úmidos ou secos, podendo também ocorrer em borda de mata, mata aberta, em clareiras ou mesmo banhados (Lourteig 1969).

Família Myrtaceae

33. Myrtaceae

Figura 70

Radiossimétrico, isopolar, subtriangular a triangular em vista polar. Tricolporado psilado, com zonas interangulares retas a levemente convexas. Colporos freqüentemente unidos na região do apocólpio, formando uma figura triangular. Columelas pouco evidentes. Eixo equatorial: 18-22 µm.

Dados ecológicos: plantas lenhosas, arbustivas ou arbóreas. No Rio Grande do Sul é a família que apresenta o maior número de espécies na flora arbórea. Também se destaca pela grande densidade em que ocorre em diferentes formações florestais (Sobral 2003).

Família Onagraceae

34. Ludwigia L.

Figura 71

Radiossimétrico, muito robusto, isopolar. Subtriangular a aproximadamente circular em vista polar. Tripororado psilado a escabrado. Aberturas com largo espessamento anelar. Endoabertura muito desenvolvida, inflando a zona das aberturas. Columelas evidentes. Eixo equatorial: 4565 µm.

Dados ecológicos: arbustos ocorrentes em locais úmidos, como brejos e terrenos alagadiços (Schultz 1984, Souza & Lorenzi 2005).

Família Melastomataceae

35. Melastomataceae

Figuras 72-73

Subprolato a prolato, pequeno. Radiossimétrico, isopolar. Elíptico em vista equatorial, aproximadamente circular em vista polar. Tricolporado psilado, pseudocolpos entre os colporos. Estratificação obscura. Eixo polar: 17-23 µm. Eixo equatorial: 14-15 µm.

Dados ecológicos: plantas herbáceas, arbustivas ou arbóreas, ocorrendo tanto nos campos, brejos, como na borda das matas. As espécies estão distribuídas nas regiões tropicais e subtropicais, principalmente na América (Joly 2002, Barroso et al. 1991, Souza & Lorenzi 2005). Família com várias espécies ocorrentes no Planalto do Rio Grande do Sul (Rambo 1956).

Ordem Celastrales
  Família Aquifoliaceae

36. Ilex L.

Figuras 74-79

Prolato-esferoidal a prolato, radiossimétrico, isopolar. Circular a subtriangular em vista polar, elíptico em vista equatorial. Tricolporado clavado. Clavas pequenas, densamente dispostas. Estratificação obscura. Eixo polar: 22-27 µm. Eixo equatorial: 18-21 µm.

Dados ecológicos: árvores ocorrentes nas matas do Planalto, da encosta atlântica e da restinga litorânea do Sul do Brasil (Edwin & Reitz 1967).

Ordem Euphorbiales
  Família Euphorbiaceae

37. Alchornea triplinervia (Spreng.) Müll. Arg.

Figuras 80-82

Subprolato, radiossimétrico, isopolar. Circular em vista polar, elíptico em vista equatorial. Tricolporado psilado, com opérculo característico nas aberturas. Columelas evidentes. Eixo polar: cerca de 23 µm. Eixo equatorial: 16-29 µm.

Dados ecológicos: heliófita, bastante comum em quase todas as florestas do Sul do Brasil. Mais freqüente em áreas abertas, como clareiras ou matas alteradas. Regenera-se abundantemente nas capoeiras. Encontrada também em altitudes acima de 300 m (Backes & Irgang 2002, Reitz et al. 1983).

38. Euphorbiaceae 1

Figuras 83-84

Esférico, radiossimétrico, apolar. Inaperturado verrucado. Verrugas muito pequenas, distribuídas em padrão Croton. Estratificação obscura. Diâmetro: cerca de 45 µm.

Dados ecológicos: a família ocorre em variados ambientes, abrangendo plantas de hábito diversificado, entre ervas, subarbustos, árvores e também trepadeiras. Em todas as regiões tropicais e subtropicais, principalmente da América e da África (Joly 2002, Barroso et al. 1991, Smith et al. 1988).

39. Euphorbiaceae 2

Figuras 85-86

Esférico, robusto, radiossimétrico, apolar. Inaperturado clavado. Clavas densamente distribuídas em padrão Croton. Estratificação obscura. Diâmetro: 51-54 µm.

Dados ecológicos: como em Euphorbiaceae 1.

Ordem Polygalales
  Família Polygalaceae

40. Polygala L.

Figuras 87-89

Subprolato a prolato, pequeno a robusto. Radiossimétrico, isopolar. Elíptico-comprimido em vista equatorial, circular em vista polar. Estefanocolporado psilado. Colporos longos e estreitos, com endoaberturas unidas, formando uma faixa contínua na região equatorial. Columelas evidentes. Eixo polar: 30-46 µm. Eixo equatorial: 18-38 µm.

Dados ecológicos: ervas ou arbustos, anuais, bianuais ou perenes, em solos secos ou úmidos, campos, banhados, turfeiras, bordas de mata, dunas e margem de estrada (Lüdtke & Miotto 2004).

Ordem Sapindales
  Família Sapindaceae

41. Allophylus edulis (A. St.- Hil., Cambess. & Juss.) Radlk.

Figura 90

Radiossimétrico, isopolar. Quadrangular em vista polar, com zonas interangulares aproximadamente retilíneas. Tetraporado per-reticulado. Retículo muito fino. Estratificação obscura. Eixo equatorial: 31-33 µm.

Dados ecológicos: árvore pioneira de mata, ocorrendo em todo território brasileiro (Backes & Irgang 2002). Presente na mata com Araucária (IBGE 1982).

42. Sapindaceae

Figuras 91-92

Radiossimétrico, isopolar, triangular em vista polar. Tricolporado per-reticulado. Retículo muito fino. Colporos unidos na região do apocólpio. Columelas evidentes. Eixo equatorial: cerca de 26 µm.

Dados ecológicos: maioria das espécies constituída por trepadeiras com gavinhas, também arbustos e mesmo árvores. Quase todas as espécies brasileiras ocorrem como cipós da mata virgem. Cosmopolitas (Joly 2002, Barroso et al. 1991, Schultz 1984, Reitz 1980, Souza & Lorenzi 2005). Família representada no Planalto Leste do Rio Grande do Sul (IBGE 1982).

Família Anacardiaceae

43. Anacardiaceae

Figuras 93-95

Prolato, radiossimétrico, isopolar. Elíptico em vista equatorial. Tricolporado per-reticulado-estriado. Colporos longos. Columelas evidentes, sustentando o muro. Eixo polar: 32-41 µm. Eixo equatorial: 21-22 µm.

Dados ecológicos: árvores ou arbustos, raramente lianas ou ervas, de habitat muito variado, como interior ou margem de matas pouco densas, capões, margem de riachos e campos alterados (Fleig 1987). Distribuição principalmente pantropical, com poucas espécies ocorrentes nas regiões temperadas (Barroso et al. 1991, Souza & Lorenzi 2005). Família representada na mata com Araucária do Sul do Brasil (Rambo 1956, IBGE 1982).

Família Meliaceae

44. Tipo Meliaceae

Figuras 96-98

Prolato-esferoidal a subprolato, radiossimétrico, isopolar. Elíptico em vista equatorial. Tetracolporado per-reticulado. Colporos longos, retículo muito fino. Columelas evidentes. Eixo polar: 32-37 µm. Eixo equatorial: cerca de 29 µm.

Dados ecológicos: família composta por plantas florestais, na sua maioria árvores, podendo alcançar grande porte (25 a 30 m de altura). Predominantemente tropical, poucas espécies chegando até o sul do Brasil. Ocorre na maioria das matas do Rio Grande do Sul (Girardi-Deiro 1975). Família representada na mata com Araucária do Sul do Brasil (IBGE 1982).

Ordem Apiales

  Família Apiaceae

45. Eryngium L.

Figuras 99-100

Perprolato, radiossimétrico, isopolar. Elíptico a elíptico-comprimido em vista equatorial. Tricolporado psilado. Colporos longos. Endoaberturas retangulares, com o lado maior paralelo ao equador. Columelas evidentes. Eixo polar: 30-40 µm. Eixo equatorial: 15-19 µm.

Dados ecológicos: ervas geralmente campestres (Schultz 1984), ocorrendo também em capoeiras, locais encharcados, pântanos, lagoas e turfeiras (Irgang 1974). Comuns em turfeiras do Planalto do Rio Grande do Sul.

Foi identificado no presente trabalho pólen de 45 fanerógamas, preservadas ao longo do perfil sedimentar estudado, correspondendo a duas gimnospermas e 43 angiospermas (uma Magnoliidae, cinco Hamamelidae, seis Caryophyllidae, seis Dillenidae e 25 Rosidae). A riqueza e diversidade ecológica dos táxons encontrados comprovam a relevância da palinologia de sedimentos na análise histórica da vegetação e clima dos últimos milênios no Planalto do Sul do Brasil. Esta análise permite a melhor compreensão da vegetação atual, fornecendo subsídios para o monitoramento e preservação ambiental. Ficam ressaltados, portanto, os catálogos palinológicos regionais como base taxonômica indispensável neste tipo de investigação.

Agradecimentos - As autoras agradecem ao CNPq e a Capes pelos auxílios financeiros e bolsas concedidas, que tornaram possível a realização deste trabalho.

 

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(recebido: 2 de agosto de 2007; aceito: 4 de agosto de 2008)

 

 

1 Parte da dissertação de mestrado da primeira autora, Programa de Pós-graduação em Botânica, Universidade Federal do Rio Grande do Sul.
2 Autor para correspondência: adriana.leonhardt@yahoo.com.br