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Brazilian Journal of Botany

Print version ISSN 0100-8404On-line version ISSN 1806-9959

Rev. bras. Bot. vol.32 no.3 São Paulo July/Sept. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-84042009000300014 

ARTIGOS

 

Os gêneros Chaetomorpha Kütz. nom. cons. e Rhizoclonium Kütz. (Chlorophyta) do litoral do Estado da Bahia, Brasil1

 

The genera Chaetomorpha Kütz. nom. cons. and Rhizoclonium Kütz. (Chlorophyta) from the littoral of Bahia State, Brazil

 

 

Aigara Miranda AlvesI, 2; Carlos Wallace do Nascimento MouraI; Gérson Limoeiro AlvesI; Lísia Mônica de Souza GestinariII

IUniversidade Estadual de Feira de Santana, Departamento de Ciências Biológicas, Lafico, Avenida Transnordestina s/nº, Bairro Novo Horizonte, 44036-900 Feira de Santana, Bahia
IIUniversidade Federal do Rio de Janeiro, Núcleo em Ecologia e Desenvolvimento Sócio-Ambiental de Macaé (Nupem), Caixa Postal 119331, 27910-970 Macaé, Rio de Janeiro

 

 


RESUMO

O presente trabalho refere-se ao estudo taxonômico dos gêneros Chaetomorpha e Rhizoclonium ocorrentes no litoral da Bahia. As espécies foram delimitadas com base no hábito, presença ou ausência de rizóides laterais, tipo de célula basal, forma e dimensões celulares. A presença de inclusões cristalinas nas células também foi verificada. Foram identificadas nove espécies, sete para o gênero Chaetomorpha (C. aerea (Dillwyn) Kütz., C. antennina (Bory) Kütz., C. brachygona Harv., C. clavata Kütz., C. crassa (C. Agardh) Kütz., C. minima Collins & Herv. e C. nodosa Kütz.) e duas para o gênero Rhizoclonium (R. africanum Kütz. and R. riparium (Roth) Kütz. ex Harv.). Chaetomorpha crassa, C. minima e C. nodosa são novas adições para o litoral nordeste do Brasil e C. aerea, C. clavata e R. africanum são adições para o litoral da Bahia. Três tipos de cristais foram encontrados: 1. cristais de sílica, em forma de finas agulhas agrupadas, presentes em C. aerea, C. antennina, C. brachygona, C. clavata e C. crassa; 2. cristais de oxalato de cálcio, em forma de octaedros, encontrados em C. antennina e C. clavata e, 3. cristais de carbonato de cálcio, em forma de cones formando agregados globosos, observados em C. clavata. Talos férteis de C. antennina, C. clavata, C. nodosa, R. africanum e R. riparium são ilustrados pela primeira vez para o Brasil. Descrições detalhadas das estruturas vegetativas e reprodutivas das espécies e comparações com táxons afins são apresentadas.

Palavras-chave: Bahia, Chaetomorpha, Chlorophyta, inclusões cristalinas, Rhizoclonium


ABSTRACT

This paper presents a taxonomic study of the genera Chaetomorpha and Rhizoclonium occurring in the littoral of Bahia. The species were defined based on habit, presence or absence of lateral rhizoids, basal cell type, shape and cells dimensions. The presence of crystalline inclusions in cells was also verified. It were identified nine species, seven to the genus Chaetomorpha (C. aerea (Dillwyn) Kütz., C. antennina (Bory) Kütz., C. brachygona Harv., C. clavata Kütz., C. crassa (C. Agardh) Kütz., C. minima Collins & Herv. and C. nodosa Kütz.) and two to the genus Rhizoclonium (R. africanum Kütz. and R. riparium (Roth) Kütz. ex Harv.). Chaetomorpha crassa, C. minima and C. nodosa are new additions to the Northeastern of Brazil and C. aerea, C. clavata and R. africanum are additions to the Bahia. Three crystals types were found: 1. clusters of fine needle-shaped of silica crystals presents in C. aerea, C. antennina, C. brachygona, C. clavata and C. crassa; 2. octahedral of calcium oxalate crystals found in C. antennina and C. clavata and, 3. globular aggregates of cone-shaped calcium carbonate crystals observed in C. clavata. Fertile thallus of C. antennina, C. clavata, C. nodosa, R. africanum and R. riparium are being illustrated for the first time for the Brazilian coast. The vegetative and reproductive structures are described in detail and a comparison with similar species is provided.

Keywords: Bahia, Chaetomorpha, Chlorophyta, crystalline inclusions, Rhizoclonium


 

 

Introdução

As Cladophorophyceae são macroalgas verdes principalmente marinhas, encontradas em águas da costa tropical a temperada-fria, com nível de organização sifonocladáceo. A classe inclui representantes com talos de arquitetura simples, como filamentosos unisseriados, não ramificados e ramificados até representantes de talos com arquitetura complexa, tais como os pseudoparenquimatosos, os compostos de células infladas, os estipitados e os talos reticulados compostos de filamentos anastomosados (Leliaert et al. 2003).

Duas ordens (Cladophorales e Siphonocladales) e cinco famílias (Anadyomenaceae, Boodleaceae, Cladophoraceae, Siphonocladaceae e Valoniaceae) são comumente reconhecidas com base na arquitetura do talo e no modo de divisão celular. A ordem Cladophorales compreendendo táxons com morfologia do talo relativamente simples, como em Cladophora Kütz. (filamentos unisseriados ramificados), Chaetomorpha Kütz. e Rhizoclonium Kütz. (filamentos unisseriados não ramificados) e a ordem Siphonocladales contendo táxons com morfologia mais complexa, como em Anadyomene J. V. Lamour. (talos foliáceos), Valonia C. Agardh (células infladas ramificadas), Dictyosphaeria Decne. (talos pseudoparenquimatosos) e Boodlea G. Murray & De Toni (talos reticulados compostos de filamentos anastomosados) (Taylor 1960, Schnetter 1978, Sartoni 1992, Kraft 2007).

Segundo Leliaert (2004) os limites entre as famílias são vagos e os gêneros determinados dentro de cada uma tem mudado frequentemente no curso do tempo. Estudos filogenéticos baseados em análises moleculares (Bakker et al. 1994, Hanyuda et al. 2002, Leliaert et al. 2003, 2007) demonstraram que a classe Cladophorophyceae consiste em três principais linhagens ao invés das duas ordens tradicionalmente aceitas e que as classificações de famílias e gêneros não refletem às relações filogenéticas, uma vez que o gênero Cladophora se mostrou polifilético com representantes distribuídos nas três linhagens.

De acordo com Hanyuda et al. (2002) e Leliaert et al. (2003, 2007), o gênero Chaetomorpha é parafilético, sugerindo que a morfologia tipo Chaetomorpha foi adquirida de um ancestral comum do clado que reúne espécies de Chaetomorpha, Rhizoclonium e Cladophora, corroborando os dados de Hoek (1963) e Bakker et al. (1994) de que Chaetomorpha é uma forma reduzida e não um gênero irmão primitivo de Cladophora. No entanto, o gênero Rhizoclonium é polifilético uma vez que está posicionado num clado que inclui espécies de Cladophora ou Chaetomorpha, sugerindo que a morfologia tipo Rhizoclonium evoluiu várias vezes em Cladophorales.

Segundo Guiry & Guiry (2009), os gêneros Chaetomorpha e Rhizoclonium estão representados por 52 e 20 espécies válidas, respectivamente. Para o Atlântico americano, foram listadas 16 espécies de Chaetomorpha e cinco de Rhizoclonium (Wynne 2005), destas, apenas nove espécies de Chaetomorpha e duas de Rhizoclonium foram referidas para o Brasil (Horta 2000, Barata 2004, Lourenço et al. 2005, Coto 2007).

Referências às espécies dos gêneros Chaetomorpha e Rhizoclonium ocorrentes no litoral baiano constam nos trabalhos de Howe (1928), Taylor (1931), Joly et al. (1969), Leite (1982), Martins et al. (1991), Nunes (1998) e Nunes et al. (1999, 2001, 2005). No entanto, apenas as espécies Chaetomorpha antennina (Bory) Kütz., C. brachygona Harv. e Rhizoclonium riparium (Roth) Kütz. ex Harv. foram referidas, evidenciando a necessidade de estudos taxonômicos mais aprofundados para o litoral baiano.

Os principais objetivos deste estudo foram identificar, descrever e ilustrar as espécies dos gêneros Chaetomorpha e Rhizoclonium ocorrentes no litoral do Estado da Bahia, avaliar as características empregadas na taxonomia destes gêneros e fornecer subsídios para o reconhecimento das espécies ocorrentes no litoral baiano e, consequentemente, no litoral do Brasil.

 

Material e métodos

As algas foram obtidas a partir de coletas realizadas ao acaso, ao longo do litoral baiano, durante o período de 2002 a 2008, principalmente na região entre marés (platô recifal e nas bordas de recife, em locais protegidos e em locais batidos), no infralitoral, fixo ao substrato e, às vezes em arribadas, durante as baixa-mares diurnas, e de material depositado em herbários nacionais (ALCB e SPF), totalizando 49 estações de coleta (tabela 1).

 

 

O material foi estudado com o auxílio de estereomicroscópio e microscópio fotônico acoplado com ocular micrométrica, máquina fotográfica e com contraste de interferência de Nomarski.

A análise das características morfológicas e anatômicas das células do talo de Chaetomorpha e Rhizoclonium foi realizada a partir de lâminas preparadas com água destilada. As dimensões (diâmetro e comprimento) representadas pelos limites métricos – mínimo, médio e máximo – de cada estrutura foram estabelecidas através de 10 a 20 medidas feitas ao acaso em cada espécime coletado nas diferentes estações de coleta. Tais medidas foram realizadas no maior número de exemplares possíveis, de modo a constituírem populações-amostra. Todas as populações encontradas foram analisadas e fotografadas.

A natureza química das inclusões cristalinas observadas foi determinada através de testes de solubilidade química, expondo estas a ácido clorídrico (HCl) 1 N, hipoclorito de sódio (NaClO) a 5%, ácido acético (C2H4O2) aquoso a 67% (Yasue 1969, Lelliaert & Coppejans 2004) e ácido fluorídrico (HF) a 40%, modificado de Faegri & Iversen (1975) (tabela 2). A presença ou ausência de birrefringência das inclusões foi avaliada através de microscópio de contraste de interferência de Nomarski (tabela 2).

 

 

As fotomicrografias foram obtidas com o auxílio de fotomicroscópios (marca Carl Zeiss e Leica) acoplados com máquina fotográfica digital Sony (modelo Cyber-shot DSC-W7) e as ilustrações do aspecto geral através de máquinas fotográficas digitais Sony (modelos Cyber-shot DSC-W7 e DSC-H2).

O sistema de classificação adotado foi o de Kraft (2007). Os compartimentos recifais foram determinados segundo Nunes & Paula (2002). As citações das espécies para os estados brasileiros foram feitas a partir de Horta (2000) e trabalhos posteriores. Os acrônimos dos herbários citados seguem Holmgren & Holmgren (1998). O material estudado encontra-se depositado no Herbário da Universidade Estadual de Feira de Santana (HUEFS).

 

Resultados e discussão

CLADOPHORALES

CLADOPHORACEAE

Chaetomorpha aerea (Dillwyn) Kütz., Spec. Alg. 379. 1849. Conferva aerea Dillwyn, Brit. Conferv. 1806: pl. 80. [1802-1809].

Figuras 1-11

 

 

Talo verde escuro, ereto, até 15 cm de altura, crescendo isolado ou em tufos, até oito indivíduos. Filamento fixo ao substrato através de célula basal reta com prolongamentos rizoidais na base formando disco lobado, medindo 200-(493)-1200 µm de compr. e 37,5-(85)-130 µm diâm. na base e 25-(92)-180 µm diâm. no ápice. Células suprabasais cilíndricas, 50-(166)-340 µm de compr. × 55-(150)-220 µm de diâm.; células mediano-apicais quadráticas a alongadas, 70-(171)-270 µm de compr. × 87,5-(188)-350 µm de diâm.; filamentos com algumas células intumescidas; parede celular lamelada, com espessura variável, medindo 27,5-(34)-45 µm na região mediana e 10-(13,5)-17,5 na região apical do talo; constricções nítidas entre os septos. Cristais de sílica birrefringentes, em forma de finas agulhas agrupadas, visíveis no protoplasto das células. Células férteis infladas, globosas, medindo 167,5-(225)-350 µm de diâm., presentes nas regiões mediana e apical do talo, tornando-se hialinas após a liberação das estruturas reprodutivas através de papilas laterais. Talos férteis encontrados nos meses de março e junho.

Material selecionado: BRASIL. BAHIA: Conde, Sítio do Conde, 20-IV-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125623); Mata de São João, Diogo, 18-VII-2000, J.M.C. Nunes s.n. (ALCB 60728); Camaçari, Jauá, Praia de Jauá, 27-IX-1984, J.M.C. Nunes s.n. (ALCB 17100); Salvador, Praia de Placafor, 02-IX-1989, D.V. Martins s.n. (ALCB 17337), Praia de Patamares, 11-VIII-1984, E.J. Marques s.n. (ALCB 17457), Praia da Boca do Rio, 18-IX-1986, J.M.C. Nunes s.n. (ALCB 17124), Praia de Jardim de Alah, 05-V-1990, E. Félix s.n. (ALCB 17169), Praia do Rio Vermelho, 30-VI-1984, A.C.C. Santos s.n. (ALCB 17458), Praia de Ondina, 22-V-1982, D.V. Martins s.n. (ALCB 17338), Praia do Farol da Barra, 10-VIII-2006, A.M. Alves s.n. (HUEFS 125624); Salinas da Margarida, 17-III-2007, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125625); Ilha de Itaparica, Vera Cruz, Praia da Penha 14-VII-2007, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 125626), Praia da Coroa, 18-III-2007, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 125627), Praia da Barra Grande, 18-III-2007, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 125628), Praia da Enseada do Pedrão, 19-III-2007, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 125629); Uruçuca, Serra Grande, 08-X-1995, J.M.C. Nunes s.n. (ALCB 34724); Ilhéus, Praia da Concha, 11-VIII-1995, A. Minervino Netto s.n. (ALCB 22288), Praia de Back Door, 08-IX-2006, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125630), Praia de Olivença, 19-IV-1995, A. Minervino Netto s.n. (ALCB 22311); Prado, Praia de Cumuruxatiba, 14-VI-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125631), Praia da Viçosa, 13-VI-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125632); Mucuri, Praia da Costa Dourada, 12-VI-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125633).

Referências para o litoral brasileiro: Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Alagoas, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Ilha de Trindade (Pedrini et al. 1989, Nassar 1994, Horta 2000, Barata 2004, Coto 2007).

Esta é a primeira citação de ocorrência da espécie para o litoral do Estado da Bahia. Espécie comum na área estudada, encontrada na região entremarés sobre substrato rochoso ou grãos de areia, crescendo isolada em locais cobertos por lâmina d'água na maré baixa, formando tufos de poucos indivíduos, parcialmente enterrados na areia ou formando filamentos pendentes durante as marés baixas. Foram coletados talos tanto em locais calmos quanto agitados, ocorrendo associados à Cladophoropsis membranacea (Bang ex C. Agardh) Boergesen, Chaetomorpha crassa (C. Agardh) Kütz., C. nodosa Kütz., Cladophora montagneana Kütz., C. brasiliana G. Martens, C. vagabunda (L.) C. Hoek, Ulva lactuca L., Ulva sp., Feldmannia irregularis (Kütz.) Hamel, Centroceras clavulatum (C. Agardh) Mont., e a cianobactérias filamentosas. Teve como epífitas Stylonema alsidii (Zanardini) K. M. Drew, Erythrotrichia carnea (Dillwyn) J. Agardh, Sahlingia subintegra (Rosenv.) Kornmann, cianobactérias filamentosas e diatomáceas.

Alguns autores como Kapraun (1984), Lawson & John (1987) e Burrows (1991) consideraram Chaetomorpha aerea como sinônimo de C. linum sendo a primeira a forma fixa desta última. Entretanto, outros autores tem confirmado a independência destes táxons com base em estudos citológicos (Sinha 1958, Patel 1971), morfológicos (Nizamunddin & Begum 1973, Blair et al. 1982, Womersley 1984, Schneider & Searles 1991, Littler & Littler 2000, Rull Lluch 2002) e bioquímicos (Blair et al. 1982). A principal diferença entre estes táxons diz respeito ao hábito, já que Chaetomorpha linum cresce emaranhada enquanto C. aerea cresce fixa ao substrato por meio de um disco basal.

No litoral baiano C. aerea é facilmente diferenciada das demais espécies de Chaetomorpha por apresentar célula basal reta, medindo 200 a 1200 µm de compr. e apresentar células mediano-apicais quadráticas a cilíndricas, medindo 80 a 350 µm diâm.

O material estudado apresenta características morfológicas e dimensões que concordam com as descrições fornecidas por Joly (1957, 1965), Ugadim (1973), Santos (1983), Kanagawa (1984), Barata (2004) e Coto (2007). A presença de constricções nos septos de células de Chaetomorpha aerea também foi observada por Santos (1983), para material de Santa Catarina.

As inclusões cristalinas observadas no material de Chaetomorpha aerea do litoral da Bahia são similares às registradas por Leliaert & Coppejans (2004) para C. aerea e outros representantes de Cladophorophyceae. Segundo esses autores, estes cristais são brilhantes a birrefringentes quando observados sob luz polarizada e podem ser facilmente detectáveis em táxons com paredes relativamente finas. No material analisado do litoral da Bahia estas características também foram observadas, inclusive em microscopia de rotina.

Chaetomorpha antennina (Bory) Kütz., Bot. Zeitung (Berlin) 5: 166. 1847. Conferva antennina Bory, Voy. Iles Afrique 1: 381. 1804.

Figuras 12-23

 

 

Talo verde claro a escuro, crescendo formando tufos eretos, rígidos, em forma de pincel, até 47 cm de altura. Talo firmemente fixo ao substrato através de célula basal com prolongamentos rizoidais longos, ramificados, não septados, os quais podem formar novos filamentos. Célula basal longa, reta, ocasionalmente pouco encurvada, claviforme, com nítidas constricções anelares na base, aumentando de diâmetro em direção ao ápice, medindo 3-(5)-8 mm de compr. × 100-(116)140 µm de diâm. na base e 220-(277)-350 µm diâm. no ápice; parede espessa, 40-(59,5)-87,5 µm. Filamento com células suprabasais cilíndricas, 400-(787)-1420 µm de compr. × 300-(393)-340 µm de diâm.; células mediano-apicais mais longas que largas, cilíndricas, às vezes em forma de barril, 237-(630)-1260 µm de compr. × 250-(316)-390 µm diâm.; parede celular lamelada, medindo 17,5-(35)-55 µm de espessura na região mediana e 15-(21)-25 µm de espessura na região apical do talo. Inclusões cristalinas birrefringentes de dois tipos: cristais de sílica, em forma de finas agulhas agrupadas e de oxalato de cálcio, em forma de octaedros, visíveis no protoplasto das células. Células férteis no ápice do talo, tornando-se esbranquiçadas após a liberação das células reprodutivas. Talos férteis encontrados no mês de junho.

Material selecionado: BRASIL. BAHIA: Conde, Sítio do Conde, 20-IV-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125634); Camaçari, Arembepe, Praia de Piruí, 29-XI-1981, Y. Ugadim s.n. (SPF 28315), 17-II-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125635); Salvador, Praia do Farol de Itapuã, 12-VIII-2007, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125636), Praia da Pituba, 27-IV-2006, A.M. Alves s.n. (HUEFS 125637), Praia do Farol da Barra, 10-VIII-2006, A.M. Alves s.n. (HUEFS 125638); Ilha de Itaparica, Vera Cruz, Praia da Conceição, 18-III-2006, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 125639); Cairu, Ilha de Tinharé, Morro de São Paulo, 00-VII-2002, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 125640); Itacaré, Praia da Concha, 09-IX-2006, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125641), Praia do Resende, 09-IX-2006, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125642), Praia da Costa, 10-IX-2006, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125643); Ilhéus, Praia de Batuba, 08-IX-2006, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125644), Praia de Olivença, 27-XI-1981, Y. Ugadim s.n. (SPF 027245); Porto Seguro, Arraial d'Ajuda, Praia de Mucugê, 13-VII-2006, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 125645); Santa Cruz de Cabrália, Arakakaí, 15-IV-2002, C.W.N. Moura s.n. (HUEFS 125646); Mucuri, Praia da Costa Dourada, 12-VI-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125647).

Referências para o litoral brasileiro: Ceará, Paraíba, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Arquipélago de São Pedro e São Paulo, Arquipélago de Fernando de Noronha, Ilha de Trindade (Pedrini et al. 1989, 1992, Nassar 1994, Horta 2000, Barata 2004, Pereira et al. 2005, Coto 2007).

Espécie muito comum na área estudada, encontrada crescendo em áreas expostas a arrebentações das ondas, formando tufos diminutos, densos, isolados ou em aglomerados. Em áreas menos agitadas formam tufos menos densos com filamentos maiores.

Foi encontrada crescendo como epilítica, na condição de epífita de Dictyosphaeria versluysii Weber Bosse e em associação com Cladophora vagabunda, C. dalmatica Kütz, C. coelothrix Kütz., D. versluysii, Caulerpella ambigua (Okamura) Prud'homme & Lokhorst, Parvocaulis pusillus (M. Howe) S. Berger et al., Valonia aegagropila C. Agardh, Anadyomene stellata (Wulfen in Jacq.) C. Agardh, Ulva sp., Bryopsis sp., Jania adhaerens J. V. Lamour., Hypnea musciformis (Wulfen in Jacq.) J. V. Lamour., Gelidiella acerosa (Forssk.) Feldmann & Hamel. Apresentou como epífitas as espécies Cladophora dalmatica, Feldmannia irregularis, Sahlingia subintegra, Acrochaetium microscopicum (Nägeli ex Kütz.) Nägeli, Erythrotrichia carnea e cianobactérias filamentosas.

Chaetomorpha antennina é facilmente identificada por possuir célula basal longa, 3-(5)-8 mm de comprimento, com constricções anelares na base.

Vários autores como Nizamuddin & Begum (1973), Schnetter & Bula-Meyer (1982), Sartoni (1992), Littler & Littler (2000) e Kraft (2007) fizeram referências à presença de constricções anelares nas paredes das células basais como uma característica diacrítica, contudo estas constricções ainda não haviam sido observadas nos espécimes estudados por pesquisadores brasileiros, como Joly (1957, 1965), Ugadim (1973), Santos (1983), Kanagawa (1984), Yoneshigue (1985), Barata (2004) e Coto (2007). No material analisado, estas constricções foram observadas mesmo em talos jovens, o que permitiu diferenciar esta espécie das demais estudadas.

Chaetomorpha brachygona Harv., Smithsonian Contr. Knowl. 10: 87-88, pl. 46 A. 1858.

Figuras 24-31

 

 

Talo de cor verde claro, delicado, densamente emaranhado em talos de outras algas. Filamento com células quadráticas a alongadas, medindo 50-(141)-242,5 µm de compr. × 50-(88)-187,5 µm de diâm., com diâmetro uniforme ao longo do talo; parede celular lamelada e pouco espessada, 2,5-(11,7)-20 µm. Cristais de sílica birrefringentes, em forma de finas agulhas agrupadas, visíveis no protoplasto das células. Não foi observado material fértil.

Material selecionado: BRASIL. BAHIA: Conde, Sítio do Conde, 20-IV-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 130859); Entre Rios, Subaúma, 19-IV-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125648); Camaçari, Arembepe, Praia de Piruí, 17-II-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125649); Ilha de Itaparica, Vera Cruz, Praia da Conceição, 18-III-2007, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125650), Praia de Cacha-Pregos, mangue, 19-III-2006, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125651); Saubara, mangue, 17-III-2007, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125652); Itacaré, Praia da Concha, 09-IX-2006, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125653); Ilhéus, Praia de Back Door, 08-IX-2006, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125654); Santa Cruz de Cabrália, Arakakaí, 12-VII-2006, C.W.N. Moura s.n. (HUEFS 125655), Coroa Vermelha, 12-VII-2006, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 125656); Prado, Praia de Cumuruxatiba, 14-VI-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125657).

Referências para o litoral brasileiro: Ceará, Paraíba, Pernambuco, Bahia, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Arquipélago de Fernando de Noronha (Széchy et al. 1987, 1989, Horta 2000, Barata 2004, Nunes et al. 2005, Coto 2007).

Espécie encontrada na região de entremarés, crescendo em poças de marés ou em locais expostos às ondas; em manguezal, foi encontrada sobre raízes de Avicenia sp. e Laguncularia sp. ou em sedimentos lamosos. Espécie comum na área estudada formando densos emaranhados associados a Rhizoclonium riparium (Roth) Harv., Ulva chaetomorphoides (Boergesen) H. S. Hayden et al., Anadyomene stellata, Cladophoropsis membranacea, Ulva sp., Dictyopteris polypodioides (DC. in Lam. & DC.) J. V. Lamour., D. delicatula J. V. Lamour., D. jamaicensis W. R. Taylor, Hydrochlathus clathrathus (C. Agardh) M. Howe, Dictyota mertensii (Mart.) Kütz., Sargassum sp., Dictyota sp., Gelidiella acerosa, Acanthophora muscoides (L.) Bory, A. spicifera (M. Vahl) Boergesen, Hypnea musciformis, Bostrychia radicans (Mont.) Mont., B. tenella (J. V. Lamour.) J. Agardh, Palisada perforata (Bory) K. W. Nam, Haliptilon cubense (Mont. ex Kütz.) Garbary & H. W. Johans., Polysiphonia scopulorum Harv., Gracilaria sp., Hypnea sp. e a cianobactérias filamentosas. Teve como epífitas Erythrotrichia carnea, Acrochaetium microscopicum, Acrochaetium sp. e cianobactérias filamentosas.

O material coletado no litoral da Bahia concorda com o material estudado por Taylor (1960), Kanagawa (1984) e Schneider & Searles (1991), os quais referem C. brachygona como possuindo filamentos flexuosos, emaranhados em talos de outras algas e sem célula de fixação.

Ao contrário, autores como Joly (1965), Ugadim (1973), Yoneshigue (1985), Pereira & Accioly (1998), Barata (2004) e Coto (2007) relataram C. brachygona como possuindo talo fixo por célula basal. As descrições e as ilustrações fornecidas por estes autores para Chaetomorpha brachygona são similares aos talos de C. aerea encontrados neste estudo. Joly (1957, 1965) e Yoneshigue (1985) também consideraram os espécimes por eles analisados semelhantes a C. aerea, com relação ao aspecto vegetativo, hábito e habitat, contudo a distinguiram por ser mais delicada e apresentar filamentos bem mais finos que os de C. aerea.

Referência à ocorrência de cristais de sílica em Chaetomorpha brachygona, similares aos observados neste estudo, é encontrada apenas em Leliaert & Coppejans (2004).

Chaetomorpha clavata Kütz., Bot. Zeitung (Berlin) 5: 166. 1847. Conferva clavata C. Agardh, Syst. Alg. 1824: 99, nom. illeg.

Figuras 32-45

 

 

Talo de cor verde escuro a azulado, ereto, rígido, de consistência aramácea, ligeiramente encurvado na porção basal, crescendo isolado ou em tufos de 2 a 3 indivíduos, com até 7 cm de altura. Fixo ao substrato por célula basal curva com rizóides ramificados, medindo 900-(1850)-4000 µm de compr. × 230-(432,5)-600 µm diâm., aumentando o diâmetro gradativamente em direção ao ápice. Filamento com células quadráticas, às vezes em forma de barril; células suprabasais, 430-(537)-700 µm de compr. × 400-(521)-680 µm diâm.; células mediano-apicais 210-(474)-840 µm de compr. × 320-(451)-680 µm diâm.; parede celular lamelada, medindo 27,5-(66)-125 µm de espessura na região mediana e 5-(16)-25 µm de espessura na região apical do talo; constricções nos septos marcadamente visíveis. Inclusões cristalinas birrefringentes de três tipos, cristais de sílica, em forma de finas agulhas agrupadas, de oxalato de cálcio, em forma de octaedros e de carbonato de cálcio, em forma de cones formando agregados globosos, visíveis no protoplasto das células. Células férteis no ápice do talo, com estruturas reprodutivas sendo liberadas por papilas laterais. Foram observadas estruturas reprodutivas germinando no próprio talo. Talos férteis encontrados nos meses de março e agosto.

Material selecionado: BRASIL. BAHIA: Ilha de Itaparica, Vera Cruz, Praia da Enseada do Pedrão, 11-VIII-2006, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 125658), 19-III-2007, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 125659); Prado, Praia de Cumuruxatiba, 14-VI-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125660).

Referências para o litoral brasileiro: Paraíba, Espírito Santo, Rio de Janeiro (Martens 1870, Kanagawa 1984, Barata 2004).

Esta é a primeira citação de ocorrência da espécie para o litoral do Estado da Bahia. Espécie pouco comum na área estudada, encontrada em locais protegidos na zona entremarés, crescendo isolada ou em grupo de poucos indivíduos sobre substrato rochoso ou como epífita de Cladophora ordinata (Boergesen) Hoek, C. dalmatica, e C. rupestris (L.) Kütz. Foi encontrada associada a Cladophora montagneana, C. rupestris, C. ordinata e Gelidiopsis sp. Teve como epífita Heterosiphonia crispella (C. Agardh) W. J. Wynne.

Figueiredo (2006a), equivocadamente fez menção ao trabalho de Joly et al. (1969) como tendo referido C. clavata para o Parque Nacional Marinho de Abrolhos, contudo a espécie não consta na lista de táxons referidos pelos autores.

Yoneshigue-Valentin et al. (2006) fizeram referência a Chaetomorpha pachynema (Mont.) Kütz. para o infralitoral da Bahia. Porém, após análises de materiais depositados no Herbário RB e em coleção particular, detectou-se que estes eram espécimes de Chaetomorpha clavata.

O material analisado concorda em linhas gerais com os descritos por Taylor (1960), Schnetter (1978), Kanagawa (1984) e Barata (2004), muito embora as medidas referidas pelos dois primeiros autores sejam superiores às encontradas nos exemplares estudados. Como salientado por Kanagawa (1984) e Barata (2004), a presença de célula basal curva mostrou-se uma característica importante na identificação da espécie, embora em talos jovens esta possa ser reta a pouco encurvada.

Chaetomorpha clavata tem sido confundida com C. robusta (Aresch.) Papenf., um táxon com provável distribuição restrita à costa da Namíbia e África do Sul, no Oceano Atlântico (Rull Lluch 2002). Papenfuss (1940), ao estudar o material tipo de C. robusta concluiu que ambos os táxons eram distintos. De acordo com este autor C. robusta pode atingir mais de 20 cm de comprimento e consiste de filamentos com 1-1,5 mm de diâmetro, ao passo que C. clavata é uma espécie pequena, com até 2 cm de comprimento e composta de filamentos finos, com 700 µm de diâmetro. Ao contrário, Lawson & John (1987) referem espécimes de C. clavata com até 60 cm de comprimento e filamentos com 1,5 mm de diâmetro na parte distal do talo.

Chaetomorpha crassa (C. Agardh) Kütz., Phycol. German. 204. 1845. Conferva crassa C. Agardh. Syst. Alg. 99. 1824, nom. illeg.

Figuras 46-55

 

 

Talo de cor verde claro, robusto, áspero, densamente emaranhado em talos de outras algas e em pneumatóforos de mangue; ausência de célula basal diferenciada. Filamentos com células quadráticas a alongadas, com 170-(368)-630 µm de compr. × 200-(341)-750 µm de diâm.; parede lamelada, 5-(44)-100 µm de espessura. Cristais de sílica birrefringentes, em forma de finas agulhas agrupadas, visíveis no protoplasto das células. Células férteis da região mediana à extremidade do talo, com estruturas reprodutivas liberadas por papilas laterais. Foram observadas estruturas reprodutivas germinando dentro das células. Talos férteis encontrados no mês de janeiro.

Material selecionado: BRASIL. BAHIA: Lauro de Freitas, Praia de Buraquinho, 06-I-2008, A.M. Alves s.n. (HUEFS 136297); Salinas da Margarida, mangue; 17-III-2007, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125661); Ilha de Itaparica, Vera Cruz, Praia de Cacha-Pregos, mangue, 19-III-2007, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125662).

Referências para o litoral brasileiro: Rio de Janeiro (Lourenço et al. 2005).

Esta é a primeira citação de ocorrência da espécie para o litoral nordeste do Brasil. Espécie encontrada apenas em três estações de coleta: nos mangues de Salinas da Margarida e da Ilha de Itaparica, Praia de Cacha-Pregos, crescendo em poças próximas a árvores de mangue, parcialmente enterrada por sedimento arenoso/lamoso e na praia de Buraquinho, arribada. Foi encontrada associada à Chaetomorpha brachygona, C. aerea, Cladophoropsis membranacea, Dictyopteris delicatula, Acanthophora spicifera, Hypnea musciformis e a cianobactérias filamentosas.

Price (1967) sugere que C. crassa e C. linum sejam co-específicas, enquanto Taylor (1960), Nizamunddin & Begum (1973), Schneider & Searles (1991) e Littler & Littler (1997) as consideram como distintas. Segundo estes autores estas espécies não apresentam célula basal e crescem formando emaranhados. Chaetomorpha crassa é caracterizada por apresentar células tão longas quanto largas e com diâmetro variando de 300-700 µm ao passo que C. linum apresenta células mais longas que largas e com diâmetro menor, entre 80-370 µm.

O material analisado concorda com os descritos e ilustrados por Nizamunddin & Begum (1973), Schnetter (1978), Sartoni (1992) e Littler & Littler (1997), embora os limites do diâmetro encontrados nos exemplares estudados tenham sido menores. O habitat dos espécimes analisados concorda com o relatado por Littler & Littler (1997, 2000), os quais descrevem como ocorrendo emaranhados em raízes de mangue ou sobre sedimento.

Lourenço et al. (2005), relataram a ocorrência desta espécie para o Brasil, a partir de material coletado na Lagoa de Araruama, Rio de Janeiro. Contudo, não há como comparar este material com o encontrado no litoral baiano porque não há descrição nem ilustração. Realizaram-se buscas nos herbários do Rio de Janeiro (RFA e RB), porém, até a presente data, não foram encontradas exsicatas de C. crassa.

Na área estudada C. crassa pode ser facilmente reconhecida no campo devido à robustez do talo, sendo possível diferenciar células a olho nu.

Chaetomorpha minima Collins & Herv., Proc. Amer. Acad. Arts Sci. 53: 41. pl. I, figs. 5-7. 1917.

Figuras 56-64

 

 

Talo verde claro, ereto, delicado, isolado ou formando tufos de 2-3 indivíduos, medindo até 6 mm de compr. Filamento fixo ao substrato através de célula basal reta com base discóide, medindo 50-(95)-140 µm de compr. × 20-(23)-25 µm de diâm. Células suprabasais cilíndricas, 42-(54)-60 µm de compr. × 27,5-(30)-32,5 µm de diâm.; células mediano-apicais mais longas que largas, 25-(51)-75 µm de compr. × 20-(31)-42,5 µm de diâm.; parede celular lamelada, com 2,5-(3,75)-5 µm de espessura. Inclusões cristalinas não observadas. Não foram encontrados talos férteis.

Material selecionado: BRASIL. BAHIA: Camaçari, Itacimirim, Praia da Espera, 19-II-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125663), Arembepe, Praia de Piruí, 17-II-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125664); Ilhéus, Praia de Back Door, 08-IX-2006, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 136298).

Referências para o litoral brasileiro: Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo (Ugadim 1973, Horta 2000).

Esta é a primeira citação de ocorrência da espécie para o litoral nordeste do Brasil. Espécie rara na área estudada, registrada na região entremarés, crescendo sobre grãos de areia, associada a Chaetomorpha aerea, C. nodosa e Cladophora montagneana e como epífita de Valonia aegagropila.

O material analisado concorda com os descritos por Collins & Hervey (1917), Taylor (1960), Schneider & Searles (1991) e Ugadim (1973), embora o diâmetro referido por Collins & Hervey (1917) seja menor que os encontrados nos exemplares estudados. Com exceção de Ugadim (1973) que encontrou o material crescendo como epilítica, os demais autores encontraram a espécie crescendo como epífita de Cladophora e Codium (Collins & Hervey 1917, Taylor 1960) ou sobre colmo de Juncus sp. (Schneider & Searles 1991). Na área estudada a espécie ocorreu como epífita de V. aegagropila e sobre substrato arenoso.

Segundo Collins & Hervey (1917) C. minima é o menor representante do gênero, apresentando talo delicado com até 5 mm de altura, embora Schneider & Searles (1991) tenham registrado talo com até 10 mm de altura. É possível que o táxon apresente maior área de ocorrência ao longo do litoral brasileiro, contudo o tamanho reduzido do talo dificulta a sua coleta e a observação durante a análise do material em laboratório.

Chaetomorpha nodosa Kütz., Spec. Alg. 376. 1849. Conferva nodosa (Kütz.) Mont.

Figuras 65-71

 

 

Talo verde claro a escuro, ereto, delicado, até 12 cm de comprimento. Cresce formando tufos fixos ao substrato através de célula basal reta com base discóide, medindo 90-(147)-200 µm de compr. × 12,5-(27)-65,5 µm de diâm. na base e 22,5-(36)-52,5 µm de diâm. no ápice. Filamento com células suprabasais subcilíndricas, 30-(51,5)-82,5 µm de compr. × 30-(40)-72,5 µm de diâm.; células mediano-apicais tão longas quanto largas, 30-(51)-95 µm de compr. × 32,5-(53)-82,5 µm de diâm., às vezes com intumescimentos; parede celular lamelada, com 10-(12,5)-17,5 µm de espessura e com constricções nos septos. Inclusões cristalinas não observadas. Células férteis, com papilas laterais para a liberação das estruturas reprodutivas, desde a região mediana até a apical. Talos férteis encontrados nos meses de abril, agosto e setembro.

Material selecionado: BRASIL. BAHIA: Conde, Sítio do Conde, 20-IV-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125665); Camaçari, Arembepe, CETREL, 08-VI-2007, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 125666); Ilha de Itaparica, Vera Cruz, Praia da Enseada do Pedrão, 11-VIII-2006, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 125667), 19-III-2007, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 125668); Itacaré, Praia do Resende, 09-IX-2006, A.M. Alves et al s.n. (HUEFS 125669).

Referências para o litoral brasileiro: Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Arquipélago de Fernando de Noronha, Complexo Insular Trindade e Martim Vaz (Ugadim 1973, Szechy 1987, 1989, Nassar 1994, Brito et al. 2002, Barata 2004, Yoneshigue-Valentin et al. 2005).

Esta é a primeira citação de ocorrência da espécie para a costa nordeste do Brasil. Espécie pouco comum na área estudada, coletada apenas em quatro estações de coleta. Encontrada formando tufos fixos sobre substrato rochoso, parcialmente enterrados na areia, geralmente epifitados por cianobactérias coloniais. Foi encontrada associada à Chaetomorpha aerea e Cladophora montagneana.

A espécie foi proposta por Kützing (1849) a partir de material coletado em Caiena, na Guiana Francesa. Na obra, o autor caracterizou a espécie como apresentando talo ereto, verde escuro, com células tão longas quanto largas, opacas e às vezes intumescidas. Posteriormente, Kützing (1858, vol. 3, p.17, tabela 52, figura 4b) ilustra um detalhe da célula intumescida. O registro dessa espécie em literatura é escasso. Taylor (1960), baseado também em material coletado na Guiana Francesa, descreveu espécimes com células medindo 75-80 µm de diâmetro e com ocasional intumescimento. Para o litoral brasileiro, descrições são encontradas em Ugadim (1973), que relatou a primeira ocorrência desta a partir de material coletado na Praia de Guaraú, Município de Peruíbe, São Paulo e em Barata (2004), para o Espírito Santo. Esta última autora é a única que ilustra o material de C. nodosa.

O material analisado concorda em linhas gerais com os descritos por Taylor (1960), Ugadim (1973) e Barata (2004), contudo o diâmetro mínimo das células medianas dos talos dos espécimes estudados foi inferior aos relatados por estes. Com exceção de Barata (2004), os demais autores relataram a presença de intumescimentos nas células do talo de C. nodosa, característica também observada no material analisado.

Rhizoclonium africanum Kütz., Tab. Phycol. 3: 21, pl. 67, fig. II. 1853.

Figuras 72-82

 

 

Talo verde escuro, áspero, formando denso emaranhado, flexuoso, fixo ao substrato por célula basal e por rizóides laterais unicelulares e multicelulares ao longo do filamento; junção intercalar, em ângulo de 90°, semelhante à "articulação de joelho" frequente no filamento; ramos secundários ocasionais. Célula basal reta a encurvada com 400-(562,5)-800 µm de compr. × 110-(166)-210 µm de diâm. Células mediano-apicais mais longas que largas, com diâmetro mais ou menos uniforme ao longo do filamento, medindo 50-(170)-350 µm de compr. × 50-(89)-140 µm de diâm.; células apicais afiladas; parede celular lamelada medindo 7,5-(15)-25 µm de espessura. Células férteis com papilas laterais para liberação das estruturas reprodutivas encontradas no mês de setembro.

Material selecionado: BRASIL. BAHIA: Camaçari, Arembepe, Praia de Piruí, 17-II-2006, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125670); Ilha de Itaparica, Vera Cruz, Praia da Penha, 10-VIII-2006, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 125671); Salinas da Margarida, mangue, 17-III-2007, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125672); São Francisco do Conde, Mangue da Beira do Muro, 16-III-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125673), Ilha de Cajaíba, mangue, 16-III-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125674); Cairu, Ilha de Boipeba, Praia de Tassimirim, 01-VII-2007, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 136299); Itacaré, Praia da Concha, 09-IX-2006, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125675); Santa Cruz de Cabrália, Arakakaí, 15-IV-2002, C.W.N. Moura s.n. (HUEFS 125676), Mangue João Tiba, 12-VII-2006, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 125677); Mucuri, Praia da Costa Dourada, mangue, 12-VI-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125678).

Referências para o litoral brasileiro: Amapá, Maranhão, Ceará, Pernambuco, Alagoas, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Santa Catarina (Muniz 1993, Horta 2000, Barata 2004, Pereira et al. 2002, como Rhizoclonium hookeri Kütz.).

Esta é a primeira citação de ocorrência da espécie para o litoral baiano. Espécie pouco comum na área estudada, encontrada em costões rochosos e em recifes de arenito, formando filamentos pendentes nas marés baixas, e no manguezal, crescendo nos troncos e pneumatóforos de Avicenia sp. e Laguncularia sp. Encontrada formando emaranhados flexuosos associados a Rhizoclonium riparium, Cladophoropsis membranacea, Dictyopteris delicatula, Murrayella periclados (C. Agardh) F. Schmidt, Gelidiella acerosa, Hypnea musciformis e Palisada perforata. Teve como epífitas Rhizoclonium riparium, Erythrotrichia carnea e cianobactérias filamentosas.

Yoneshigue-Valentin et al. (2006) citaram "Rhizoclonium africanum?" para o litoral da Bahia, 14°54'07" S e 38°51'36" W. No entanto, após análise do material, (RFA 29090), verificou-se que o mesmo tratava de uma mistura de espécimes de Cladophora sp. e Chaetomorpha sp.

Rhizoclonium africanum é facilmente diferenciado de R. riparium por apresentar diâmetro celular maior, rizóides laterais multicelulares, ramos secundários ocasionais e junção intercalar, em ângulo de 90°, semelhantes à articulação de joelho. Esta última característica tem sido destacada por alguns autores na caracterização do táxon (Lawson & John 1987, Sartoni 1992, Coppejans et al. 2002).

Diferente dos espécimes analisados por Coto (2007) para o litoral de São Paulo, o material do litoral da Bahia apresentou rizóides laterais multicelulares frequentes ao longo do talo.

O material descrito e ilustrado por Kraft (2007) difere dos exemplares ora analisados por ser mais delgado e por não possuir rizóides multicelulares ao longo do talo, o que o aproxima dos exemplares de Rhizoclonium riparium estudados no litoral baiano.

Células com estruturas reprodutivas estão sendo referidas pela primeira vez para o litoral do Brasil.

Rhizoclonium riparium (Roth) Kütz. ex Harv., Phycologia Britannica 1849: pl. 238. Conferva riparia Roth, Catal. Bot., 3: 216-217. 1806.

Figuras 83-94

 

 

Talo verde claro a amarelado, delicado, formando denso emaranhado, flexuoso, alguns curvados, fixo ao substrato por célula basal e por rizóides laterais unicelulares, ocasionais a frequentes. Célula basal reta a encurvada com 45-(109)-132,5 µm de compr. × 17,5-(40)-65 µm de diâm. Células mediano-apicais subquadráticas, mais longas que largas, medindo 10-(50)-130 µm de compr. × 10-(26)-50 µm de diâm.; células apicais afiladas, às vezes com ápices arredondados; parede celular lamelada, com 5-7,5 µm de espessura. Acinetos de paredes espessadas encontrados na região mediana do filamento no mês de agosto. Células com estruturas reprodutivas liberadas por papilas laterais encontradas no mês de março.

Material selecionado: BRASIL. BAHIA: Jandaíra, Praia de Mangue Seco, 16-IX-2007, N.S. Freitas & I.S. Oliveira s.n. (HUEFS 125679); Conde, Sítio do Conde, 20-IV-2007, A.M. Alves & C. S. Santana s.n. (HUEFS 125680); Camaçari, Itacimirim, Praia da Espera, 19-II-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125681), Arembepe, Praia de Piruí, 17-II-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125682); Ilha de Itaparica, Vera Cruz, Praia da Penha, mangue, 18-III-2007, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 125684), Praia da Conceição, mangue, 18-III-2007, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125686), Praia da Barra Grande, 09-IX-2002, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 125688), Praia da Enseada do Pedrão, 19-III-2007, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 125689), Praia de Tairu, 14-XI-2005, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 125690), Praia de Cacha-Pregos, mangue, 19-III-2007, A. M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125691), Ilha de Matarandiba, mangue, 11-VIII-2006, N.S. Freitas s.n. (HUEFS 125692); Madre de Deus, Mangue do Cação, 06-IV-2007, G.L. Alves s.n. (HUEFS 125694); São Francisco do Conde, Mangue Beira do Muro, 16-III-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125695), Ilha de Cajaíba, mangue, 16-III-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125696); Santo Amaro, Acupe, 17-III-2007, A.M.Alves et al. (HUEFS 136668); Saubara, mangue, 17-III-2007, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125697); Santa Cruz de Cabrália, Arakakaí, Mangue João Tiba, 12-VII-2006, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 125698); Itacaré, Praia da Costa, 10-IX-2006, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125699); Ilhéus, Praia do Aeroporto, 08-IX-2006, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125700), Praia de Batuba, 08-IX-2006, A.M. Alves et al. s.n. (HUEFS 125701); Porto Seguro, Arraial d'Ajuda, Praia de Mucugê, 13-VII-2007, C.W.N. Moura et al. s.n. (HUEFS 125702); Alcobaça, Praia da Barra, mangue, 13-VI-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 125703); Prado, Praia de Cumuruxatiba, 14-VI-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 130820); Mucuri, Praia da Costa Dourada, mangue, 12-VI-2007, A.M. Alves & C.S. Santana s.n. (HUEFS 130821).

Referências para o litoral brasileiro: Amapá, Maranhão, Ceará, Rio Grande do Norte, Paraíba, Pernambuco, Espírito Santo, Rio de Janeiro, São Paulo, Paraná, Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Arquipélago de Fernando de Noronha, Arquipélago de Abrolhos (Williams & Blomquist 1947, Joly et al. 1969, Horta 2000, Barata 2004).

Espécie muito comum na área estudada encontrada em costões rochosos e em recifes de arenito, formando filamentos pendentes nas marés baixas, e no manguezal, crescendo nos troncos e pneumatóforos de Avicenia sp. e Laguncularia sp. Coletada formando densos emaranhados nos talos de Gelidiella acerosa, Palisada perforata, Bostrychia moritziana (Sond. ex Kütz.) J. Agardh, B. radicans, Digenea simplex (Wulfen) C. Agardh, Acanthophora spicifera e associada a Rhizoclonium africanum, Chaetomorpha brachygona, Boodleopsis pusilla (F. S. Collins) W. R. Taylor, A. B. Joly & Bernat., Ulva chaetomorphoides, Cladophoropsis membranacea, Ulva sp., Cladophora sp., Dictyopteris delicatula, Dictyopteris sp., Hypnea musciformis, Caloglossa leprieurii (Mont.) G. Martens, Murrayella periclados, Haliptilon cubense, Amphiroa anastomosans Weber Bosse e cianobactérias filamentosas. Ocorreu como epífita de Rhizoclonium africanum. Teve como epífitas Erythrotrichia carnea, Ceramium dawsonii A. B. Joly, diatomáceas e cianobactérias filamentosas e coloniais.

O material estudado concorda com as descrições e as ilustrações apresentadas por Taylor (1960), Nizamuddin & Begum (1973), Schnetter (1978), Schnetter & Bula-Meyer (1982), Womersley (1984), Schneider & Searles (1991) e Littler & Littler (1997).

Dentre as populações de Rhizoclonium riparium analisadas foram observados espécimes com filamentos delgados, geralmente com 10-20 µm, portando rizóides apenas na porção basal. Talos com características similares foram observados por Schnetter & Bula-Meyer (1982), Womersley (1984) e Schneider & Searles (1991).

Foram observadas pela primeira vez para o litoral brasileiro, células com estruturas reprodutivas e acinetos, células intumescidas com paredes espessadas e grande reserva de amido, ocorrendo na região mediana dos filamentos de Rhizoclonium riparium. A produção de acinetos por clorófitas, incluindo R. riparium, ocorre em situação de estresse, por limitação de nutrientes ou por extremos de temperatura, em condições naturais e de cultura (Bellis & McLarty 1967, Hall & Walmsley 1991).

Chave para identificação dos táxons estudados

1. Talos sem rizóides laterais
  2. Talos eretos, fixos ao substrato por célula basal
    3. Célula basal com constricções anelares na base ................ C. antennina
    3. Célula basal sem constricções anelares na base
      4. Célula basal curva, filamentos com células quadráticas com diâm. máximo de 680 µm ........................................ C. clavata
      4. Célula basal reta, filamentos com células quadráticas a alongadas com diâm. máximo de 350 µm
        5. Célula basal medindo 200 a 1200 µm de compr.; filamento com células mediano-apicais medindo 87,5-(188)-350 µm diâm .................................................... C. aerea
        5. Célula basal até 200 µm de compr.; filamento com células mediano-apicais medindo até 82,5 µm diâm.
          6. Talo medindo até 0,6 cm de altura; filamento com células mais longas que largas, sem intumescimentos ....... C. minima
          6. Talo medindo de 1-12 cm de altura; filamento com células tão longas quanto largas, às vezes com intumescimentos ............................... C. nodosa
  2. Talos flexuosos, espiralados, crescendo emaranhados a outras algas; célula basal ausente
    7. Células com 50-(88)-187,5 µm de diâm. ................ C. brachygona
    7. Células com 200-(341)-750 µm de diâm. ........................ C. crassa
1. Talos com rizóides laterais
  8. Filamento fino com 10-(26)-50 µm de diâm.; rizóides laterais unicelulares ................................................................ R. riparium
  8. Filamento espesso com 50-(89)-140 µm de diâm.; rizóides laterais unicelulares e multicelulares .......................................... R. africanum

Neste estudo foram identificadas nove espécies, sete para o gênero Chaetomorpha (C. aerea, C. antennina, C. brachygona, C. clavata, C. crassa, C. minima e C. nodosa) e duas para o gênero Rhizoclonium (R. africanum e R. riparium). Destas, três são novas adições para o litoral nordeste do Brasil, Chaetomorpha crassa, C. minima e C. nodosa e três para o litoral da Bahia, C. aerea, C. clavata e R. africanum.

Figueiredo (2006b) fez referência à ocorrência de Chaetomorpha linum (O. F. Müll.) Kütz., para Arquipélago de Abrolhos. No entanto, devido à ausência de descrição e de material depositado no Herbário RB, não foi possível confirmar a identificação e a ocorrência do táxon no litoral do Estado da Bahia.

No litoral baiano, o diâmetro das células e o tipo de rizóide lateral, combinados com a forma das células e espessura da parede celular, foram decisivos na distinção das espécies de Rhizoclonium (tabela 3).

Nas espécies de Chaetomorpha, com hábito emaranhado, a forma e a dimensão das células do filamento foram úteis na separação dos táxons. Enquanto que nas espécies de hábito fixo as características úteis na distinção das espécies foram a morfologia e o comprimento da célula basal e as dimensões e forma das células mediano-apicais (tabela 3). As inclusões cristalinas não foram consideradas caracteres diagnósticos para a delimitação das espécies.

Talos férteis de Chaetomorpha antennina, C. clavata, C. nodosa, Rhizoclonium africanum e R. riparium foram documentados no litoral baiano e estão sendo ilustrados pela primeira vez para o litoral brasileiro. As células férteis, observadas na região mediano-apical do talo, diferem das demais células vegetativas por apresentar conteúdo celular densamente dividido, formando pequenos grupos de estruturas reprodutivas (zoósporos ou gametas) e apresentar papila lateral, por onde estas estruturas são liberadas. Em Chaetomorpha clavata e em C. crassa foram observadas ainda estruturas reprodutivas germinando dentro das células. Na literatura brasileira, são poucos os autores que fazem referência a células férteis de Chaetomorpha: Joly (1965) as referiu para C. antennina, porém não especificou o mês; Santos (1983) registrou talos férteis de C. antennina no mês de abril; Kanagawa (1984) que, embora tenha referido células férteis para C. aerea, C. clavata e C. antennina não relatou o mês em que foram encontradas; Yoneshigue (1985) registrou talos férteis de C. antennina no mês de julho; e Coto (2007), a qual registrou talos férteis para C. aerea nos meses de agosto a outubro, para C. antennina nos meses de abril, maio e de agosto a novembro e para C. gracilis, no mês de outubro. Kanagawa (1984) e Coto (2007) são as únicas, dentre os autores supracitados, que ilustram células férteis em Chaetomorpha, especificamente para C. aerea e C. gracilis, respectivamente.

Foram observadas, também pela primeira vez para o litoral brasileiro, inclusões cristalinas nas células de Chaetomorpha. A composição química e a variação morfológica foram classificadas em três tipos: 1. cristais de sílica birrefringentes, em forma de finas agulhas agrupadas, presentes em C. aerea, C. antennina, C. brachygona, C. clavata e C. crassa; 2. cristais de oxalato de cálcio, em forma de octaedros, encontrados em C. antennina e C. clavata e; 3. cristais de carbonato de cálcio, em forma de cones formando agregados globosos, registrados em C. clavata. Os cristais de oxalato de cálcio e de carbonato de cálcio dissolveram quando tratados com ácido clorídrico e com ácido acético e ácido clorídrico, respectivamente, enquanto que os cristais de sílica foram intactos à maioria dos tratamentos químicos empregados, exceto ao ácido fluorídrico (tabela 2).

Segundo Leliaert & Coppejans (2004) a presença e a morfologia de cristais de oxalato de cálcio são espécie-especificas em muitas algas sifonocladáceas. Leliaert & Coppejans (2007), analisando a variação morfológica do complexo de espécies Boodlea composita-Phyllodictyon anastomosans encontraram cristais prismáticos de oxalato de cálcio em forma de hexágonos alongados a finas agulhas agrupadas em todas as espécies do complexo. De acordo com Leliaert & Coppejans (2004), a ocorrência deste tipo particular de cristal em uma espécie indica que esta presença não é dependente do ambiente, sendo seu desenvolvimento geneticamente controlado e, portanto, com potencial para ser utilizado como característica diagnóstica.

Pueschel & West (2007a), através de estudos experimentais com fornecimento de luz e cálcio em culturas de talos de Antithamnion Nägeli, demonstraram estabilidade na deposição de oxalato de cálcio em muitas espécies do gênero, sugerindo que estes cristais são específicos. Por outro lado, Pueschel & West (2007b) demonstraram que em Spyridia filamentosa (Wulfen) Harv. a deposição de cristais de oxalato de cálcio é dependente do fornecimento de cálcio no meio, logo, esta característica deve ser usada com parcimônia na taxonomia desta espécie.

No material estudado cristais de oxalato de cálcio foram observados apenas nas células de Chaetomorpha antennina e de C. clavata. Portanto, faz-se necessário estudo experimental de cultura em laboratório para verificar se há estabilidade na deposição de oxalato de cálcio nas células de Chaetomorpha para que possa ser empregada como uma característica diagnóstica adicional na separação das espécies.

Agradecimentos – Este trabalho foi parcialmente financiado pela Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado da Bahia (Fapesb) (Proc. PPP 0011/2006) e pela Universidade Estadual de Feira de Santana (Projeto Flora da Bahia). Aigara Miranda Alves agradece à Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoa de Nível Superior (Capes) pela concessão de bolsa de mestrado. Gérson Limoeiro Alves agradece à UEFS pela concessão de bolsa de iniciação científica. Os autores agradecem aos curadores dos herbários visitados pela facilidade de acesso para análise do material estudado.

 

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(recebido: 28 de fevereiro de 2008; aceito: 24 de junho de 2009)

 

 

1 Parte da dissertação de mestrado da primeira autora, Programa de Pós-Graduação em Botânica da Universidade Estadual de Feira de Santana.
2 Autor para correspondência: aigarama@yahoo.com.br

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