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Brazilian Journal of Botany

Print version ISSN 0100-8404

Rev. bras. Bot. vol.32 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0100-84042009000400011 

ARTIGOS

 

Análise da similaridade florística entre florestas do Alto Rio Xingu, da Bacia Amazônica e do Planalto Central1

 

Analysis of floristic similarity between forests of the Upper Xingu River and forests of the Amazon Basin and of the Planalto Central

 

 

Sustanis Horn KunzI,2; Natália Macedo IvanauskasII; Sebastião Venâncio MartinsI; Elias SilvaI; Daniel StefanelloI

IUniversidade Federal de Viçosa, Departamento de Engenharia Florestal, 36570-000 Viçosa, MG, Brasil
IIInstituto Florestal do Estado de São Paulo, Divisão de Dasonomia, Seção de Ecologia Florestal. Rua do Horto, 931, Horto Florestal, 02377-000 São Paulo, SP, Brasil

 

 


RESUMO

Por meio de estudos recentes, a identidade fitogeográfica do Alto Rio Xingu foi reconhecida como Floresta Estacional Perenifólia por apresentar características físicas e florísticas próprias, embora situada na área de contato entre a floresta ombrófila e o cerrado. Neste sentido, este estudo apresenta a similaridade florística entre florestas estacionais deciduais e semideciduais, Cerrado do Brasil Central e florestas ombrófilas amazônicas, buscando interpretar as relações entre a Floresta Estacional Perenifólia do Alto Xingu com uma ou outra formação. Foram selecionadas 32 listagens de espécies arbustivo-arbóreas de estudos florísticos/fitossociológicos. A similaridade florística foi calculada por meio do índice de Jaccard e da construção de dendrograma baseado na média de grupo. A análise de similaridade permitiu identificar a clara distinção florística entre os biomas Cerrado e Floresta Amazônica, bem como as áreas de tensão ecológica entre estes biomas. As áreas de floresta estacional perenifólia foram mais similares com a floresta estacional semidecidual monodominante, o que pode ser explicado por estarem inseridas em uma região ecotonal entre o Cerrado e a Floresta Amazônica. A baixa similaridade da Floresta Estacional Perenifólia com os demais tipos florestais confirma a flora própria desta fitofisionomia, o que evidencia o seu reconhecimento em uma região considerada como área de transição.

Palavras-chave: Cerrado, Floresta Amazônica, Floresta Estacional Perenifólia


ABSTRACT

Recent studies have showed that the phytogeographic identity of the Upper Xingu River is as Seasonal Evergreen Forest. The region has peculiar physical and floristic characteristics, located at the contact area between the rain forest and the Brazilian Savannah (Cerrado). This study shows the floristic similarity between deciduous and semideciduous seasonal forests, cerrado of Middle Brazil and Amazonian tropical rain forests, aiming to interpret the relationship of the Seasonal Evergreen Forest of the Upper Xingu with one of these formations. Thirty-two lists of arbustive-arboreal species were taken from floristic and phytosociologic studies. The floristic similarity was estimated by Jaccard's index and the construction of dendrogram based on group mean values. The analysis of similarity allowed the identification of the clear floristic distinction between the Cerrado and the Amazon Forest biomes, as well as the areas of ecological tension between these biomes. The areas of seasonal evergreen forest were more similar to the monodominant semideciduous seasonal forest, which may be a consequence of their location in the ecotone between the Cerrado and the Amazon Forest. The low similarity between the Seasonal Evergreen Forest and the other forest types confirme the unique flora possessed by this phytophysiognomy, that demonstrates its recognition in a region considered as the transition area.

Key words: Amazon Forest, Brazilian savanna (Cerrado), Seasonal Evergreen Forest


 

 

Introdução

A região amazônica apresenta uma série contínua de formações vegetais que são bem distintas floristicamente devido aos variados fatores ambientais que promovem diversas associações entre os componentes bióticos de cada ecossistema (Leitão-Filho 1987, Gama et al. 2003). Entre as formações vegetais que compõem esse bioma, existem as florestas de transição que ocorrem mais ao norte/nordeste do Estado de Mato Grosso, havendo certa dificuldade para compreender as denominações sugeridas a tais florestas.

Na região do Alto Xingu, a vegetação de transição foi denominada de "Floresta Associada ao Planalto dos Parecis", sendo descrita como uma vegetação ecotonal, onde as espécies florestais ombrófilas e estacionais se misturam aleatoriamente, sem estarem associadas a um determinado tipo de clima, solo e/ou relevo (Seplan 1999). Ferreira et al. (1999) dividiu o bioma Amazônico em ecorregiões, mapeando essa mesma vegetação ecotonal como "ecorregião das florestas secas do Mato Grosso", que também se sobrepõe àquela definida como área de tensão ecológica por Veloso et al. (1991). No entanto, estudos recentes baseados em relações solo-clima-vegetação sugerem a denominação de Floresta Estacional Perenifólia para as florestas do Alto Xingu, na borda sul-amazônica (Ivanauskas et al. 2008).

Diante da dificuldade de um mapeamento detalhado na área de contato entre a Floresta Ombrófila, a Floresta Estacional e o Cerrado, estudos florístico-comparativos, como análises de agrupamento, são de extrema importância para reconhecer a identidade fitogeográfica do Alto Xingu. Tais estudos facilitam o entendimento da fitogeografia brasileira, pois permitem avaliar as semelhanças e as diferenças na composição de uma determinada comunidade vegetal com a de outras regiões, identificando possíveis correlações com variáveis ambientais (Meira-Neto & Martins 2002). Além disso, estudos dessa natureza são úteis na avaliação da heterogeneidade ambiental, tendo também grande aplicação na definição de ecossistemas de referência em projetos de restauração florestal.

Nesse contexto, este estudo apresenta a similaridade florística entre florestas estacionais deciduais e semideciduais, Cerrado do Brasil Central e florestas ombrófilas amazônicas, buscando interpretar as relações entre a Floresta Estacional Perenifólia do Alto Xingu com uma ou outra formação.

 

Material e métodos

Elaborou-se um banco de dados compilando-se 32 listagens de espécies arbustivo-arbóreas amostradas em levantamentos florísticos e fitossociológicos realizados nos Estados de Mato Grosso, Rondônia, Amazonas, Pará, Maranhão, Distrito Federal, Tocantins e Goiás (figura 1). O sistema de classificação de vegetação usado está de acordo com Veloso et al. (1991) e Ribeiro & Walter (1998). O banco de dados consistiu de uma matriz binária de presença e ausência de espécies, tendo sido consideradas apenas as fanerógamas com binômio completo, ou seja, foram excluídas identificações em nível de famílias e gêneros. A exclusão de indivíduos classificados apenas em nível de gênero e família é devido a dificuldade em se comparar estes taxas com aqueles identificados em nível de espécies (Salis et al. 1995), tornando os resultados da análise duvidosos ou tendenciosos.

 

 

Calculou-se a similaridade florística por meio do índice de Jaccard, seguindo a metolodogia de diversos autores (Silva & Shepherd 1986, Torres et al. 1997, Durigan et al. 2003, Martins et al. 2004, Rossato et al. 2008). O índice de Jaccard considera o número de espécies comuns entre duas áreas (a) e o número de espécies exclusivas de cada área (b, c) (Mueller-Dombois & Ellenberg 1974):

J = 100a / (a + b + c)

Com base neste índice, elaborou-se um dendrograma baseado na média de grupo (UPGMA), no qual o agrupamento é feito a partir da média aritmética dos elementos, gerando um dendrograma, em que os valores das ordenadas expressam as relações de similaridade entre os objetos indicados nas abscissas (Sneath & Sokal 1973). Para a ordenação dos dados foi utilizado o método Análise de Coordenadas Principais (PCO). A obtenção dos dados de similaridade foi realizada por meio dos programas do pacote FITOPAC I (Shepherd 1995).

 

Resultados e discussão

O número total de espécies amostradas, considerando todos os levantamentos comparados, foi de 1.310, distribuídas em 32 localidades (tabela 1), sendo que 768 espécies (58,6%) foram registradas em apenas uma das áreas analisadas.

Poucas espécies tiveram ocorrência ampla, sugerindo que a maioria possui limitações ou preferências para ocupar ambientes restritos. As espécies de maior freqüência foram Tapirira guianensis Aubl., que ocorreu em 19 das 32 áreas amostradas, Maprounea guianensis Aubl. (16 áreas), Cheiloclinium cognatum (Miers) A. C. Sm., Hymenaea courbaril L. e Jacaranda copaia (Aubl.) D. Don (15 áreas).

Tapirira guianensis é uma espécie de distribuição ampla, pois ocorre em várias formações florestais assim como no Cerrado. Além desta, Maprounea guianensis e Cheiloclinium cognatum são consideradas espécies generalistas, sendo comuns em florestas e Cerrado, embora a luz solar seja considerada um fator chave ao desenvolvimento destas espécies (Oliveira-Filho & Ratter 1995, 2000).

A análise de agrupamento revelou a formação de grupos com baixos níveis de similaridade (figura 2). Embora seja evidente a heterogeneidade florística entre os tipos florestais, três grandes grupos podem ser identificados na análise de agrupamento. O grupo I é formado por áreas de cerradão de Mato Grosso e Tocantins, de floresta estacional semidecidual de Mato Grosso e de florestas de galeria do Distrito Federal e Goiás. O grupo II é formado por trechos de floresta estacional perenifólia da Bacia do rio das Pacas e do Pacuneiro, de floresta estacional monodominante na região nordeste de Mato Grosso e uma área de floresta ombrófila do Maranhão. O grupo III é constituído por áreas de floresta ombrófila amazônica situadas no Pará, Amazonas, Rondônia e Maranhão.

 

 

Duas ou mais áreas são consideradas similares em termos de composição florística quando apresentam pelo menos 25% de espécies comuns (Mueller-Dombois & Ellenberg 1974). Considerando este valor, ocorrem algumas subdivisões nos três grupos citados anteriormente, sendo que as áreas de maior similaridade florística são as de floresta estacional perenifólia da Bacia do rio das Pacas (FP1, FP2, FP3, FP4, FP5 – figura 2).

É interessante ressaltar que a análise de similaridade mostra clara distinção florística entre os domínios de Cerrado (C1 a C6, FG1 a FG5, FS) e de Floresta Amazônica (FO0 a FO9), bem como as áreas de tensão ecológica (FP1 a FP8, FM1, FM2) que formaram o segundo agrupamento (figura 2). Ivanauskas et al. (2008) relataram que a composição florística e estrutural da Floresta Estacional Perenifólia e os fatores físicos do ambiente são diferentes daqueles que ocorrem nas áreas adjacentes de Cerrado e Floresta Amazônica, o que não a caracteriza como vegetação de transição.

Apesar de condicionadas ao mesmo tipo climático (Aw), com temperatura média em torno de 25 °C e precipitação média anual de 1.500-1.800 mm, a baixa similaridade florística entre as áreas de floresta estacional perenifólia e o primeiro agrupamento pode ser atribuída à distância geográfica, fertilidade do solo e profundidade do lençol freático. Distinções florísticas podem existir mesmo entre florestas de galeria e a vegetação circunvizinha devido a influência dos fatores antrópicos, edáficos e hidrogeomorfológicos, como altura do lençol freático e topografia (Correia et al. 2001). Já as florestas ciliares e de galerias do noroeste do Cerrado, que se encontram na faixa de transição entre o Cerrado e a Floresta Amazônica, apresentam alta similaridade com a flora Amazônica em função da direção de quase todos os rios da região noroeste ser para o rio Amazonas, principalmente aqueles que fluem nas depressões periféricas (Oliveira-Filho & Ratter 2000).

Embora várias espécies amazônicas penetrem nos cerrados por meio das matas ciliares (Rizzini 1979, Oliveira-Filho & Ratter 2000), no presente trabalho não foi constatada alta semelhança entre as florestas do domínio amazônico e aquelas florestas de galeria do Distrito Federal (figura 2).

A baixa similaridade pode ser explicada pela posição geográfica das florestas de galeria, as quais estão localizadas no domínio de Cerrado do Brasil Central. Fato semelhante foi constatado por Oliveira-Filho & Ratter (1995), os quais observaram que as florestas de galeria do Distrito Federal, Goiás e Minas Gerais, pertencentes à Bacia Hidrográfica do Paraná e São Francisco, são mais semelhantes floristicamente às florestas do Paraná, ao passo que as florestas de galeria de Mato Grosso e Tocantins apresentam maior ligação florística com a Floresta Amazônica. Estes autores também afirmam que a ligação florística entre florestas de galerias, florestas ombrófilas e outras semidecíduas é devido à semelhança no teor de umidade dos solos, embora nas margens dos cursos d'água a umidade possa ser bem mais baixa que em florestas ombrófilas.

Desta forma, há certa limitação para a distribuição de espécies ombrófilas ou semidecíduas, ao passo que a flora dos cerradões, principalmente do tipo distrófico, apresentam laços florísticos mais fortes com as florestas de galeria (Oliveira-Filho & Ratter 2000). Copaifera langsdorfii Desf. é considerada uma espécie característica de solos menos úmidos, pois na análise de similaridade esteve presente apenas em áreas de cerradão distrófico e mesotrófico, florestas de galeria e floresta estacional perenifólia, confirmando as observações feitas por Oliveira-Filho & Ratter (1995), os quais afirmam que tal espécie ocorre sob clima Aw e Cw além de ser generalista por habitat, com ocorrência em vários tipos de solos tanto no cerrado quanto em áreas de floresta.

Adicionalmente, estes autores apontam Hirtella glandulosa Spreng., Emmotum nitens (Benth.) Miers, Physocalymma scaberrimum Pohl e Vochysia haenkeana Mart. como espécies comuns em florestas de galeria, florestas de transição e cerradões. Apenas Physocalymma scaberrimum foi registrada em uma das áreas de floresta estacional perenifólia em Gaúcha do Norte, evidenciando a fraca ligação desta fitofisionomia com outros tipos florestais do domínio Cerrado. Analisando a similaridade florística entre florestas secas sazonais da América do Sul, Oliveira-Filho et al. (2006), observaram que o gradiente florístico existente entre florestas perenifólias, semidecíduas e decíduas está diretamente relacionado com o decréscimo da disponibilidade de água tanto através do aumento da sazonalidade das chuvas como do decréscimo do teor de umidade do solo. Além disso, os gradientes de temperatura e fertilidade do solo, bem como a freqüência de queimadas são fatores que atuam na distribuição das espécies.

Por outro lado, Méio et al. (2003) relatam que as espécies amazônicas penetram menos no Cerrado que as espécies da Floresta Atlântica. Os autores chegaram a esta conclusão por meio de uma análise da influência da flora Amazônica e Atlântica no cerrado sensu stricto, onde observaram diminuição na proporção de espécies da Hiléia à medida que se avança para o centro do bioma Cerrado.

A similaridade florística geralmente é alta quando se considera o mesmo tipo de unidade vegetacional, a proximidade espacial e a ocorrência das áreas analisadas na mesma bacia hidrográfica (Rodrigues & Nave 2000). A composição florística da comunidade também pode apresentar variações devido aos fatores espaciais e ambientais (Cottenie 2005) tais como clima, precipitação, temperatura e condições edáficas, que influenciam a distribuição das espécies e atuam diretamente na similaridade florística entre as áreas (Meira-Neto et al. 1989, Ivanauskas et al. 2000, Marimon et al. 1998, Oliveira & Nelson 2001, Oliveira-Filho et al. 2001, Brotel et al. 2002).

As áreas de floresta estacional perenifólia de Gaúcha do Norte (FP6, FP7 e FP8) e de Querência (FP1, FP2, FP3, FP4 e FP5) apresentaram baixa similaridade florística, ao contrário do esperado, uma vez que existe um continuum florestal e homogeneidade do ambiente físico, fato constatado em estudos desenvolvidos por Ivanauskas et al. (2003, 2008). Estas áreas, assim como aquelas do Pará (FO5 e FO6 – Campbell et al. 1986), pertencem a Bacia Hidrográfica do Xingu, sugerindo que bacias hidrográficas muito extensas, como é o caso desta, podem apresentar um mosaico espacial de fatores físicos que interagem de forma diferente, propiciando diferenças florísticas mesmo entre áreas próximas.

Já as florestas da Bacia do Pacuneiro apresentaram alta similaridade entre elas (FP6, FP7 e FP8), assim como entre aquelas da bacia do Pacas (FP1, FP2, FP3, FP4 e FP5, figura 2), evidenciando a influência de bacias menores sobre a distribuição das espécies. Apenas Amaioua guianensis Aubl., Aspidosperma discolor A. DC., Hirtella racemosa Lam., Ocotea leucoxylon (Sw.) Laness., Sloanea eichleri K. Schum. e Xylopia amazonica R. E. Fr., foram amostradas em todas as áreas de Gaúcha do Norte e Querência-MT, sendo consideradas espécies comuns em floresta estacional perenifólia. Além destas, Chaetocarpus echinocarpus (Baill.) Ducke, Guatteria schomburgkiana Mart., Ocotea guianensis Aubl., Ouratea discophora Ducke, Protium pilosissimum Engl. e Trattinnickia glaziovii Swart foram registradas em pelo menos sete das oito áreas de floresta estacional perenifólia analisadas no presente estudo.

Tuomisto & Ruokolainen (1997) e Rossi & Queiroz-Neto (2001) relatam que a vegetação está diretamente relacionada à topografia, cujo aspecto reflete na profundidade do solo e do lençol freático, assim como outras características, e por isto a composição florística torna-se diferente mesmo em curtas distâncias. Embora o relevo suave seja o tipo predominante onde ocorre a Floresta Estacional Perenifólia, as áreas de Gaúcha do Norte e Querência-MT estão em altitudes diferentes (314-357 m e 245-280 m, respectivamente), explicando em parte, a diferenciação florística entre as mesmas, bem como os diferentes níveis de perturbação antrópica entre elas.

A ligação florística entre a Floresta Estacional Perenifólia e os trechos de floresta estacional semidecidual monodominante (FM1 e FM2) é atribuída ao fato de estarem inseridas em uma região de tensão ecológica entre o Cerrado e a Floresta Amazônica (Marimon et al. 2001), mas o elo de ligação entre estes dois tipos florestais é fraco (figura 2). Estas florestas são consideradas monodominantes devido a abundância de Brosimum rubescens Taub., uma espécie endêmica da Bacia Amazônica. Por apresentar ligação florística com a floresta ombrófila, esta fitofisionomia é considerada floresta de transição (Ivanauskas et al. 2008).

Já a distinção florística entre a Floresta Ombrófila e a Floresta Estacional Perenifólia é explicada pelas flutuações climáticas que ocorreram durante o Quaternário, as quais são apontadas como uma das causas da expansão e retração das formações abertas e florestas úmidas no Brasil (Brown & Ab'Sáber 1979, Ledru 1993, Salgado-Labouriau et al. 1997, Oliveira-Filho & Ratter 2000, Méio et al. 2003), influenciando na distribuição das espécies vegetais.

As áreas de floresta ombrófila situam-se em altitudes mais baixas (25 a 110 m) que as demais áreas florestais (tabela 1), havendo efeitos sobre a distribuição florística, mesmo entre o contato Cerrado/Floresta Amazônica. Durante o Quaternário, a depressão geomorfológica entre o Cerrado e a Floresta Amazônica era muito instável e essa conexão pode ter sofrido mudanças ecológicas muito drásticas, impedindo que a flora amazônica avançasse sobre as áreas mais abertas (Silva 1996).

Na zona de contato entre esses dois biomas também ocorre aumento da latitude, que coincide com a diminuição da temperatura mínima no inverno na direção sul e aumento do período seco em direção ao Brasil Central (Nimer 1979, Oliveira-Filho & Ratter 2000), enquanto que em áreas de altitude mais elevada ocorre diminuição da pressão atmosférica e aumento da velocidade do vento e da radiação solar, interferindo fundamentalmente na variação anual do período de luz solar diária (Jones 1994). Diante disso, observa-se que as variações florísticas encontradas entre os três agrupamentos podem ter sido influenciadas pela diferença latitudinal, pois no grupo III as áreas estão entre as latitudes 2° e 11°; o grupo II possui áreas com latitudes 13° e 14°, com exceção de FO4 (latitude 2°) e o grupo I variou de 10° a 15°. Fato semelhante também foi constatado por Oliveira-Filho & Ratter (1995), ao compararem a distribuição das florestas brasileiras por meio do diagrama de dispersão, onde o agrupamento das localidades foi fortemente influenciado pela latitude e precipitação sazonal.

A precipitação sazonal é mais importante para determinar a presença de florestas estacionais ou florestas úmidas em uma determinada área, pois a ausência de chuvas por um período de 30 dias já é suficiente para provocar efeitos sobre a vegetação e agir como um fator limitante à distribuição das espécies (IBGE 1993). Desta forma, além da precipitação média anual ser maior em trechos de floresta ombrófila (2.750 mm, Nimer 1979, Oliveira & Amaral 2004) do que na área de contato entre Cerrado e Floresta Amazônica (1.500 mm, Ivanauskas et al. 2008), a ocorrência de um período seco nesta região, que varia de quatro a seis meses, é considerada uma das grandes barreiras à permanência de espécies ombrófilas em um clima estacional (Ivanauskas et al. 2008). As espécies vegetais típicas de florestas tropicais úmidas são muito exigentes em relação à disponibilidade de água, sendo necessário haver a ocorrência de chuvas regularmente distribuídas durante todo o ano (Eyre 1984).

Em trechos de florestas de terra firme do domínio amazônico sujeitas a longos períodos de seca, a absorção de água pode ocorrer a oito metros de profundidade, havendo raízes que alcançam até 18 metros, embora seja encontrada maior quantidade de raízes na camada mais superficial do solo (Nepstad et al. 1994). Esta característica pode ser atribuída à Floresta Estacional Perenifólia, principalmente quando se considera a ocorrência da mesma sobre latossolos, os quais facilitam a penetração das raízes para absorção de água em maiores profundidades, como observado em Gaúcha do Norte, MT onde o nível do lençol freático mantém-se abaixo de 2 metros durante todo o ano (Ivanauskas et al. 2008).

Características climáticas e geoquímicas são fatores que contribuem simultaneamente para a diferenciação florística (Tuomisto et al. 2003). Ainda que características geoquímicas não estejam explícitas, o clima e o tipo de solo em que a Floresta Ombrófila e Floresta Estacional Perenifólia ocorrem são diferentes. Nas áreas FO1, FO2, FO8, ocorre o clima tropical úmido (Af ou Am) de acordo com a classificação de Köppen, enquanto as áreas de floresta estacional perenifólia estão sujeitas ao clima tropical, que apresenta inverno seco (Aw). Contudo, em algumas áreas de floresta ombrófila (FO9 e FO0), o clima é caracterizado também como Aw, sugerindo que a similaridade florística deve ser analisada com base em um conjunto de fatores físicos do ambiente.

Além destes fatores, longas distâncias geográficas são consideradas aspectos importantes para a diferenciação florística, além das características de cada área, como o grau de perturbação do ambiente e a fitofisionomia, aliada à precipitação (Terborgh & Andresen 1998, Oliveira & Nelson 2001). Neste contexto, a comparação florística entre floresta estacional perenifólia, florestas estacionais semideciduais, cerrado e florestas ombrófilas amazônicas permitiu identificar que as características físicas do ambiente, aliado à evolução das paisagens proporcionaram distinções entre estes tipos florestais. Contudo, o conhecimento acerca das características ambientais da região de abrangência da floresta estacional perenifólia ainda é insuficiente para afirmar com clareza a atuação de um ou outro fator sobre a distribuição das espécies vegetais.

Ainda assim, a nítida separação florística das florestas do Cerrado, da região amazônica e aquelas situadas em uma região de tensão ecológica mostra que a heterogeneidade ambiental e a distância geográfica atuam sobre a distribuição das espécies ao longo dos trechos florestais. A separação da Floresta Estacional Perenifólia dos demais tipos florestais confirma a flora própria que esta fitofisionomia possui (Ivanauskas et al. 2008), embora mantenha algum laço florístico com as florestas estacionais semideciduais monodominantes.

Novos estudos florísticos e fitossociológicos são necessários para melhor esclarecimento da identidade da Floresta Estacional Perenifólia, permitindo maiores conclusões acerca dessa fitofisionomia, bem como da área de abrangência da mesma. O conhecimento do ambiente físico onde está inserida a Floresta Estacional Perenifólia é igualmente importante, uma vez que sua relação com a vegetação pode melhor elucidar a distinção florística dos demais tipos vegetacionais em uma área que é considerada de transição.

 

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(recebido: 3 de abril de 2008; aceito: 26 de agosto de 2009)

 

 

1 Parte da dissertação de mestrado da primeira autora, Universidade Federal de Viçosa, Programa de Pós-Graduação em Ciência Florestal.
2 Autora para correspondência: sustanishk@yahoo.com.br