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Food Science and Technology

Print version ISSN 0101-2061On-line version ISSN 1678-457X

Ciênc. Tecnol. Aliment. vol.26 no.2 Campinas April/June 2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-20612006000200026 

Discriminação de sorovares de Salmonella spp. isolados de carcaças de frango por REP e ERIC-PCR e fagotipagem do sorovar Enteriditis

 

Discrimination of Salmonella serovars isolated from chicken meat by REP and ERIC-PCR and phagotyping of Enteriditis sorovar

 

 

Iliana AlcocerI; Kelly Mari P. De OliveiraII; Marilda Carlos VidottoIII; Tereza Cristina R.M. de OliveiraIV, *

IPontificia Universidad Católica del Ecuador, Facultad de Ciencias Exactas y Naturales, Escuela de Ciencias Biológicas, Av. 12 de Octubre, 1.076 y Carrión, Apartado 17-01-2184, Quito – Ecuador
IICentro Universitário de Maringá, Avenida Guedner, 1.610, Jardim Aclimação, CEP 87050-390 – Maringá (PR), Brasil
IIIUniversidade Estadual de Londrina, Centro de Ciências Biológicas, Departamento de Microbiologia, Campus Universitário, Caixa Postal 6001, CEP 87051-970 – Londrina (PR), Brasil
IVUniversidade Estadual de Londrina, Centro de Ciências Agrárias, Departamento de Tecnologia de Alimentos e Medicamentos, Campus Universitário, Caixa Postal 6001, CEP 87051-970 – Londrina (PR), Brasil; E-mail: tereza@uel.br

 

 


RESUMO

Salmonelose é a infecção bacteriana de origem alimentar mais freqüente no Paraná, Brasil, e os surtos estão associados, principalmente, ao consumo de ovos, carne de aves e derivados. Os objetivos deste trabalho foram identificar os sorovares de Salmonella isolados de carcaças de frango e caracterizá-los molecularmente por REP e ERIC-PCR, assim como identificar os fagotipos de Salmonella Enteriditis. Dos 25 isolados de Salmonella spp. analisados, 18 foram identificados como Enteriditis, 4 como Braenderup, 2 como Worthington e 1 como infantis. Dos 18 isolados de Enteriditis, 14 foram PT4, 2 PT4a, 1 PT7 e 1 RDNC, por se tratar de colônia rugosa. REP-PCR forneceu padrão eletroforético distinto de 10 a 13 bandas distribuídas entre 120 e 2072 pb para cada sorovar diferente testado. A ERIC-PCR mostrou um padrão de 4 a 5 bandas entre 180 e 1000 pb e foi menos discriminativa quando comparada à REP-PCR. Os resultados encontrados confirmaram que a fagotipagem é uma ferramenta útil e discriminativa para o sorovar Enteriditis. Apesar do pequeno número de sorovares testados, os resultados sugerem que a REP-PCR parece ser um método atrativo a ser utilizado no futuro para a discriminação preliminar de sorovares de Salmonella.

Palavras-chaves: Salmonella Enteriditis, fagotipos, sorovar, REP-PCR, ERIC-PCR.


SUMMARY

Salmonellosis is the most prevalent bacterial food-borne disease in the State of Paraná, Brazil, and the outbreaks are often associated with consumption of poultry products. The aim of this study was to serotype Salmonella strains isolated from chicken carcasses and characterize them molecularly using REP and ERIC-PCR. The phage types of Salmonella Enteriditis were also identified. Of the 25 Salmonella strains analysed, 18 were identified as Enteriditis, 4 as Braenderup, 2 as Worthington and 1 as infantis. Of the 18 Enteriditis isolates, 14 were PT4, 2 PT4a, 1 PT7 and 1 "reacted, but did not conform" - RDNC. Distinct REP-PCR profiles with 10 to 13 fragments distributed between 120 and 2072 pb were easily obtained for each serovar tested. ERIC-PCR showed patterns of 4 to 5 fragments between 180 and 1000 pb and less discriminatory power than REP-PCR. The results confirmed that phage typing is a useful tool to differentiate into sorovar Enteriditis. Although it is recognized that only a limited number of strains was tested in this study, the results suggest that REP-PCR could be an attractive choice to be used in the future as a preliminary method of Salmonella sorovar discrimination.

Keywords: Salmonella Enteriditis, phage type, serotypes, REP-PCR, ERIC-PCR


 

 

1 - INTRODUÇÃO

O Brasil iniciou sua produção intensiva de aves na década de 60 e atualmente é o segundo maior produtor e o primeiro exportador mundial de carne de frango [29], sendo o Paraná o maior produtor e exportador do Brasil. Em 2004, a produção foi de aproximadamente 8,409 milhões de toneladas com 29,7% deste total exportado. O consumo per capita passou de 2,3 kg, em 1971, para 34,6 kg, em 2002, tornando-se o Brasil o quarto maior consumidor de carne de frango no mundo [2].

Em vários países, o aumento de casos esporádicos e de surtos de salmonelose humana está relacionado com o aumento da infecção por Salmonella Enteriditis devido ao consumo de carne de aves, ovos e derivados contaminados. Estudos mostram que a ocorrência de Salmonella spp. em carcaça de frango pode variar de 0,024% a 85,0%, sendo um veículo importante de transmissão dessa bactéria [18].

No Paraná, a partir de 1995, a salmonelose passou a ser a principal doença transmitida por alimentos. Entre 1999 e 2002, 91 surtos de salmonelose foram registrados no Laboratório Central de Saúde Pública Estadual (Lacen), Curitiba, Paraná. Os ovos e derivados foram responsáveis por 52,5% desses surtos, seguidos pelo bolo (30,0%), maionese (22,5%) e carnes (35,3%) [1]. O envolvimento de mais de um alimento contaminado por surto mostrou a importância da contaminação cruzada na epidemiologia desta doença.

Embora em vários países o aumento da incidência de samonelose devido ao aumento da infecção por Salmonella entérica subsp. entérica sorovar enteriditis (S. Enteriditis) esteja relacionado com o consumo de produtos de origem avícola contaminados, os fagotipos (PT) prevalentes não são os mesmos nos diferentes países [10]. Um predomínio do PT4 tem sido observado na Europa, especialmente na Inglaterra, assim como no Brasil [25]. Nos Estados Unidos, o PT8 e PT13a são os mais freqüentes [7, 19, 35, 36].

Entre os métodos moleculares utilizados na caracterização de espécies bacterianas, a amplificação de regiões repetitivas dispersas no genoma dos procariontes localizadas extragenicamente (seqüências repetitivas extragênica palindrômicas – REP) ou intragenicamente (seqüências intergênicas repetitivas consenso enterobacterianas – ERIC) fornecem padrões de bandas distintos e característicos, os quais têm sido utilizados na análise genética, filogenética e taxonômica, e em estudos epidemiológicos [5, 4, 28].

VERSALOVIC, KOEUTH & LUPSKI [31] determinaram, através da reação em cadeia da polimerase (PCR), a presença de seqüências REP e ERIC distribuídas no genoma das eubactérias. Apesar da grande homologia das seqüências REP e ERIC entre as enterobactérias, DIMRI et al. [12] observaram uma variação em quantidade e localização destes elementos no genoma de E. coli, Shigella, Salmonella, Klebsiella, Enterobacter, Serratia, Erwinia e Proteus. A REP e ERIC são métodos simples, rápidos e sensíveis que podem ser utilizados para discriminar sorovares relacionados [4, 20, 31, 34].

A caracterização dos sorovares de Salmonella isolados no Paraná, que é o maior produtor de carne de frango do Brasil, contribuirá para um melhor controle e prevenção da salmonelose, doença de origem alimentar mais freqüente nesse Estado.

Os objetivos deste trabalho foram identificar os sorovares de Salmonella isolados de carcaças de frango e caracterizá-los molecularmente empregando a REP e ERIC-PCR, assim como identificar os fagotipos de Salmonella Enteriditis.

 

2 - MATERIAL E MÉTODOS

2.1 - Isolados bacterianos

Vinte e cinco amostras de Salmonella isoladas de carcaças de frango entre outubro de 1999 e março de 2000, provenientes de quatro diferentes abatedouros foram analisadas neste trabalho.

Salmonella enteriditis IAL 1132 adquirida no Instituto Adolfo Lutz São Paulo, SP e Escherichia coli HB 101 foram usadas como controles positivo e negativo, respectivamente.

2.2 - Sorotipagem

As amostras de Salmonella spp. foram sorotipadas no Laboratório de Enterobactérias do Departamento de Bacteriologia do Instituto Oswaldo Cruz – Fiocruz, do Centro de Referência Nacional de Cólera e outras Enteroinfecções Bacterianas usando aglutinação rápida baseada nas fórmulas antigênicas para Salmonella [24].

As amostras foram mantidas em 1,5 mL de caldo tripticase de soja – TSB (Merck, Darmstadt, Alemanha) com 30% de glicerol e congelados a -70ºC até o uso na caracterização molecular.

2.3 - Fagotipagem

As amostras pertencentes ao sorovar enteriditis foram fagotipadas no Instituto Oswaldo Cruz – Fiocruz, de acordo como o descrito por WARD, DE SA & ROWE [33], empregando 10 fagotipos específicos fornecidos pelo "International Reference Laboratory for Enteric Phage Typing, Colindale", Londres, Inglaterra.

Três a cinco colônias isoladas em ágar nutriente foram transferidas para 3mL de caldo fago (caldo nutriente 0,8% – Difco, Rio de Janeiro, Brasil e cloreto de sódio 0,85% – Merck) de forma a obter turvação do tubo 1 da Escala de MacFarland. As culturas foram incubadas por 2 h e 30 min a 37ºC em banho-maria com agitação (20rpm) e a turvação padronizada de acordo com os tubos 3 ou 4 da escala de MacFarland. Essas culturas foram semeadas com cotonete na superfície de placas de ágar fago (ágar nutriente 2,8% – Oxoid, Rio de Janeiro, Brasil; cloreto de sódio 0,35% – Merck). Após a secagem das placas, foram aplicados 5 µL de cada um dos preparados fágicos. As placas foram incubadas a 37ºC por 18 h.

As áreas de lise foram observadas com uma luz indireta e os resultados interpretados de acordo como os vários graus de lise, segundo o diagrama fornecido pelo "Public Health Laboratory Service – PHLS", Londres, como segue: -, sem lise; + 5 a 20 plaquetas; ++ 21 a 80; +++ 81 a 100; SCL, lise semi-confluente; CL, lise confluente, OL lise opaca.

O padrão de lise de cada cultura foi comparado com aqueles publicados anteriormente. Amostras que foram lisadas por fagos e que não coincidiram com nenhum padrão de lise, foram designadas como reacted, but did not conformRDNC.

2.4 - Reação em cadeia da polimerase – PCR

2.4.1 - Extração de DNA dos isolados

A extração de DNA seguiu o preconizado por SWANENBURG et al. [27]. As amostras bacterianas foram cultivadas em caldo tripticase soja TSB (Merck) a 37ºC por 18 h. Alíquotas de 1,5 mL das suspensões bacterianas foram centrifugadas a 16.000 x g por 10 min. O precipitado foi lavado com 900 µL de solução salina fisiológica (0,85%), centrifugado novamente por 10 min a 16.000 x g e o precipitado ressuspenso com 500 µL de água milliQ estéril. As suspensões foram fervidas a 100ºC por 10 min, resfriadas em banho de gelo e centrifugadas por 5 mim a 8.100 x g. Para a reação de amplificação foram usados 5 µL do sobrenadante diluído em água milliQ. Para a determinação da melhor diluição a ser utilizada, foram testadas inicialmente diluições a 1:5, 1:10, 1:20 e 1:30 em água milliQ do DNA de Salmonella Enteriditis IAL 1132.

2.4.2 - Condições da PCR

Para a reação em cadeia da polimerase foram preparadas soluções de 25 µL contendo 12,5 µL de tampão duas vezes concentrado preparado com 10 mM Tris pH 8,3, 50 mM KCl, 1,5 mM MgCl2 e 200 µM de cada nucleotídeo dNPT (Invitrogen, Life Technology, Brasil), 1 µL de cada iniciador (50 pcmol), 1,25 U de Taq polimerase (Invitrogen) e 5 µL do DNA. Os iniciadores REP-IRDT (5'-IIINCGNCGNCATCNGGC-3') e REP2-DT (5'-NCGNCTTATCNGGCCTAC-3'), ERIC1R (5'-ATGTAAGCTCCTGGGGATTCAC-3') e ERIC 2 (5'-AAGTAAGTGACTGGGGTGAGCG-3') seqüenciados e testados por VERSALOVIC, KOEUTH & LUPSKI [31] foram sintetizados pela Gibcobrl, Gaithersburg, MD. Concentrações de MgCl2 variando de 1,5 a 3,5 mM foram testadas.

O material foi amplificado em termociclador Gene Amp PCR System 9700 (Perkin Elmer, Norwalk, CT) com desnaturação a 95ºC por 5 min, seguida de 40 ciclos a 95ºC por 1 min, 45ºC por 1 min e 65ºC por 8 min com uma extensão final a 65ºC por 16 min. Para ERIC-PCR foi programada uma denaturação a 95ºC por 5 min, seguida de 34 ciclos a 95ºC por 1 min, anelamento a 52ºC por 1 min e extensão a 72ºC por 8 min, com uma extensão final a 72ºC por 10 min.

2.4.3 - Análise dos produtos de amplificação

As amostras contendo o DNA amplificado foram analisadas em gel de agarose 2,0% (Metaphor® FMC Bioproducts, Rockland, USA). A corrida foi realizada em cuba horizontal de eletroforese Sunrise 192 (Gibco-BRL, Gaithersburg, MD) a 100V/45 mA por 3 h em tampão borato EDTA (Tris 45 mM, ácido bórico, Nuclear, Diadema, Brasil; 45 mM, EDTA 1,25 mM, Merck – TBE). O gel foi corado com brometo de etídeo 25 µg/mL e visualizado em Image Master VDS 1D Prime (Pharmacia Biotech, San Francisco, CA, USA). Como marcador foi utilizado o DNA de 100 pb (Gibco-BRL, Gaithersburg, MD).

A extração de DNA, a REP-PCR e a eletroforese de todas as amostras foram repetidos duas vezes em dias diferentes.

2.4.4 - Avaliação dos padrões da PCR

Os produtos de amplificação foram analisados por exame visual considerando todas as bandas visíveis, independentemente de sua intensidade. O padrão de bandas da REP-PCR foi convertida em uma matriz binária (1, presença; 2, ausência de banda). A porcentagem de similaridade do padrão das bandas foi estimada pelo coeficiente Dice, e a análise de cluster realizada pela média Unweighted Pair Group Method with Arithemetic Averages (UPGMA), gerando dendogramas pelo Sequential Agglomerative Hierarchical and Nested (SAHN) do programa NTSYS – PC 1.7 (Applied Biostatistics, Inc).

 

3 - RESULTADOS

3.1 - Sorotipos e fagotipos de Salmonella

Dos 25 isolados de Salmonella spp. analisados nesse trabalho, 18 (72,0%) foram identificados como Enteriditis, 4 (16,0%) como Braenderup, 2 (8%) como Worthington e 1 (4,0%) como infantis (Tabela 1). Dos 18 isolados de Enteriditis, 14 (77,8%) foram PT4, 2 (11,1%) PT4a, 1 (5,6%) PT7 e 1 (5,6%) RDNC por se tratar de uma colônia rugosa e portanto, sem condições de determinação o fagotipo.

 

 

3.2 - Caracterização molecular com REP-PCR

Os melhores resultados foram obtidos com concentração de MgCl2 de 1,5 mM e DNA extraído por fervura diluído 1:30. As outras diluições testadas não foram reproduzíveis ou produziram um menor número de bandas (dados não apresentados).

A análise eletroforética dos produtos de amplificação gerados pela REP-PCR forneceu um padrão de 10 a 13 bandas distribuídas entre 120 e 2.072 pb .A análise desse padrão revelou a presença de quatro diferentes genótipos, os quais foram agrupados pela análise do dendrograma em quatro grupos distintos. Para cada um dos diferentes sorovares, a REP-PCR mostrou um padrão eletroforético único e específico.

A Figura 1 mostra o perfil eletroforético obtido para infantis, Braenderup, Worthington e 11 dos 18 isolados de Enteriditis analisados (Tabela 1). Quatro bandas de aproximadamente 1.500, 700, 570 e 450 pb foram comuns a todos os sorovares. Duas bandas adicionais de 1.350 e 780 pb estavam presentes em quase todos os sorovares. Bandas de 950, 820, 320 e 140 pb foram específicas para Enteriditis, uma banda de 200pb e outra de mais de 2.072 pb foram exclusivas de Braenderup e bandas de 2.072, 790 e 210 pb foram próprias de Worthington. Uma porcentagem de similaridade de 53,5% e 75,0% foi encontrada entre os sorovares, os quais foram distribuídos em quatro clusters designados de I a IV. E. coli HB101 está representada no cluster V (Figura 1).

 

 

A análise eletroforética dos produtos de amplificação gerados pela ERIC-PCR mostrou um padrão de 4 a 5 bandas distribuídas entre 180 e 1.000 pb. Os resultados obtidos com a ERIC-PCR não foram apresentados e discutidos porque a técnica foi pouco discriminativa quando comparada à REP-PCR.

 

4 - DISCUSSÃO

S. Enteriditis tem sido um problema crescente em países com avicultura desenvolvida, particularmente nos Estados Unidos e na União Européia [7], e emergiu como um grande problema avícola e de saúde pública no Brasil a partir de 1993.

Avaliando os dados epidemiológicos de salmonelose no Estado do Paraná entre 1999 a 2004, ALCOCER [1] observou que 89,8% das cepas de Salmonella isoladas dos alimentos envolvidos nos surtos eram do sorovar Enteriditis.

Embora em vários países a infecção por S. Enteriditis esteja relacionada com o consumo de produtos de origem avícola contaminados, os fagotipos (PT) prevalentes não são os mesmos nos diferentes países (COX, 1995). As aves são consideradas os maiores reservatórios dos fagotipos PT4, 7, 7a, 8, 13, 13a, 23, 24 e 30 [9, 21].

No presente trabalho, foram identificados os fagotipos 4, 4a e 7, sendo o PT4 o lisotipo mais isolado. Dados sobre os fagotipos prevalentes no Brasil são escassos. Porém, PERESI et al. [22] relataram que 100% das cepas de S. Enteriditis isoladas de alimentos e de pacientes envolvidos em 23 surtos ocorridos na região noroeste de São Paulo, entre 1993 e 1997, foram PT4. Esse mesmo fagotipo foi também o mais frequente encontrado por NUNES et al. [21] em 249 amostras de S. Enteriditis isoladas de frango, entre 1995 e 1997 no Estado de São Paulo.

No Canadá, o aumento das infecções por S. Enteriditis foi acompanhado pelo aumento significante do isolamento dos fagotipos 4 e 8. Nesse país, em 1987, apenas duas amostras de S. Enteriditis foram identificadas como fagotipo 4, enquanto que em 1994, o número de isolados foi de 1.000, o que representou 27% dos isolados humanos [6].

Outros países relataram aumentos mais dramáticos. Na Inglaterra, por exemplo, entre 1990 e 1996, 50% dos isolados de S. Enteriditis foram PT4 [23], com 17.371 isolamentos em 1993. A partir de 1997, o número de isolados PT4 diminuiu de 10.056 em 1998 para 2.693 em 2003 [16]. A epidemia de Salmonella Enteriditis no Reino Unido, causada predominantemente pelo PT4, está vinculada a ovos e não à carne de aves. O ovo contaminado pode ser consumido sem cozimento, o que dificilmente acontece com carne de aves [32].

Uma mudança importante no fagotipo isolado foi observada nos Estados Unidos. Em 1993, os fagotipos mais identificados foram PT8, PT23, PT13 e PT13a porém, PT4 emergiu associado ao consumo de ovos crus ou não completamente cozidos [26]. Em 1999, 49,0% das cepas de Salmonella envolvidas em surtos e submetidas à fagotipagem pertenciam a este fagotipo, o qual superou o PT8, historicamente prevalente naquele país [8].

DOS SANTOS, DICKEL & RODRIGUES [13] e DOS SANTOS et al. [14] fizeram um alerta importante informando que o PT6a está aumentando no Rio Grande do Sul, e que esse fagotipo pode estar desenvolvendo uma estratégia semelhante à atribuída ao PT4, ou seja, adaptação a um determinado ambiente com um potencial diferenciado de patogenicidade para humanos. O fagotipo 6a não foi encontrado neste trabalho, porém, foi encontrado em 7,4% das amostras de Salmonella Enteriditis envolvidas em surtos ocorridos no Paraná entre 1999 e 2002 [1].

Um aumento do número de fagotipos isolados de frango foi observado durante um estudo de três anos realizado por NUNES et al. [21] em São Paulo (SP). Em 1995, 4 fagotipos diferentes foram identificados, porém, entre 1996 e 1997 o número de fagotipos passou de cinco para oito. Essa constatação indica ser essencial o estudo constante dos fagotipos presentes em aves. Segundo esses mesmos autores, o freqüente isolamento de PT4 em carcaças de frango e o predomínio deste fagotipo na salmonelose humana, sugere uma particular associação entre reservatórios aviários e os surtos de toxiinfecção alimentar no Brasil durante o período de estudo.

Segundo ALCOCER [1], aproximadamente 90,0% dos surtos de salmonelose ocorridos no Paraná, entre 1999 e 2002, foram causados pelo sorovar Enteriditis e o lisotipo mais prevalente (86,1%) foi PT4. Além disso, carne de aves, ovos e derivados foram os principais alimentos responsáveis pelos surtos ocorridos nesse período. As cepas de Salmonella analisadas no presente trabalho foram isoladas de carcaças de frango entre outubro de 1999 e março de 2000. Portanto, a maior relevância deste trabalho foi a constatação de que a carne de frango contaminada pode ser um veículo importante de transmissão de Salmonella e um maior esclarecimento sobre a sua correta manipulação precisa ser realizado para a prevenção da doença.

A combinação de métodos fenotípicos e genotípicos tem sido utilizada na diferenciação de sorovares de Salmonella. No presente trabalho, a REP-PCR forneceu um perfil de bandas único, constante e específico para cada sorovar analisado. O procedimento foi reproduzível e apesar do pequeno número de sorovares testados, parece ser um método atrativo a ser utilizado no futuro para a discriminação preliminar de sorovares de Salmonella.

Muitos autores têm mostrado que tanto a REP como a ERIC-PCR são métodos genéticos sorovar específico para o gênero Salmonella [4, 20, 30, 34]. A característica sorovar específica da REP-PCR para esse gênero foi relatada por BENNASAR et al. [3], embora utilizando temperatura de anelamento inferior (33ºC) à utilizada no presente trabalho (45ºC).

Outros métodos vêm sendo utilizados na caracterização de Salmonella. WEIGEL et al. [34] mostraram que a eletroforese em gel de pulso alternado (PFGE) é tão discriminativa como a REP-PCR para o gênero Salmonella. Por outro lado, DESAI, THRELFALL & STANLEY [11] obtiveram bons resultados ao utilizarem a fluorescent amplified-fragment legth polymorphism (FAFLP) para subtipificar Salmonella Enteriditis fagotipo 4. Recentemente, FERNANDES et al. [15] mostraram que a ribotipagem foi capaz de diferenciar seis ribotipos de Enteriditis no fagotipo 8 e três no fagotipo 4.

O padrão de bandas obtido neste trabalho com a ERIC-PCR produziu um número de bandas inferior ao encontrado na REP-PCR que limitou a discriminação entre os sorovares. Outros primers para ERIC-PCR diferentes dos utilizados neste trabalho mostraram especificidade de padrão de bandas para sorovares de Salmonella [17, 27]. Porém, BURR, Josephson & pepper [5] afirmaram que a ERIC-PCR não é sorovar específica nem reproduzível.

A maioria dos laboratórios brasileiros realizam a confirmação do isolamento de Salmonella empregando anti-soros polivalentes. Entretanto, para a identificação do sorovar é necessário enviar os isolados para Laboratórios de Referência, devido ao grande número de sorovares e custo dos anti-soros. A combinação da REP-PCR com uma análise computadorizada poderia ser uma ferramenta importante e rápida para a discriminação preliminar dos sorovares de Salmonella mais freqüentemente isolados.

 

5 - CONCLUSÕES

Os resultados encontrados neste trabalho confirmaram que a fagotipagem é uma ferramenta útil e discriminativa para o sorovar enteriditis. O fagotipo 4 (77,8%) foi o mais isolado, seguido de PT4a (11,1) e PT7 (5,6%).

A REP-PCR forneceu um perfil de bandas único, constante e específico para cada sorovar analisado. O procedimento foi reproduzível e apesar do pequeno número de sorovares testados, parece ser um método atrativo a ser utilizado no futuro para a discriminação preliminar dos sorovares de Salmonella mais freqüentemente isolados.

 

6 – AGRADECIMENTOS

À Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (Capes) pela bolsa PEC/PG de doutorado concedida à Iliana Alcocer. À Doutora Dalia dos Prazeres Rodrigues por possibilitar a realização da sorotipagem e fagotipagem dos isolados de Salmonella no Laboratório de Enterobactérias do Departamento de Bacteriologia do Instituto Oswaldo Cruz – Fiocruz, Rio de Janeiro.

 

7 - REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

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Recebido para publicação em 4/8/2005. Aceito para publicação em 28/4/2005 (001586)

 

 

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