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Food Science and Technology

Print version ISSN 0101-2061On-line version ISSN 1678-457X

Ciênc. Tecnol. Aliment. vol.27 no.4 Campinas Oct./Dec. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-20612007000400025 

Desenvolvimento de um método de análise de vitamina C em alimentos por cromatografa líquida de alta eficiência e exclusão iônica

 

Development of a method for vitamin C analysis in food using high performance liquid chromatography and ion exclusion

 

 

Jeane Santos da RosaI, II, *; Ronoel Luiz de Oliveira GodoyI, II; João Oiano NetoI; Rodrigo da Silveira CamposI, II; Virginia Martins da MattaI; Cyntia Abreu FreireIII; Aline Soares da SilvaIII; Rafael Santos de SouzaIV

IEmbrapa Agroindústria de Alimentos, Av. das Américas, 29501, CEP 23020-470, Rio de Janeiro - RJ, Brasil, E-mail: jeane@ctaa.embrapa.br
IIDepartamento de Ciência e Tecnologia de Alimentos, Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRRJ, Km 7, BR 465, Seropédica - RJ, Brasil
IIICEFET Química de Nilópolis, Rua Lúcio Tavares, 1045, Centro, Nilópolis - RJ, Brasil
IVInstituto de Química, Universidade Federal do Rio de Janeiro, Cidade Universitária, Ilha do Fundão, Rio de Janeiro - RJ, Brasil

 

 


RESUMO

A vitamina C é um nutriente extremamente importante para a fisiologia humana. No Brasil o consumo de vitamina C sob a forma de concentrados vitamínicos ainda é bastante restrito devido aos altos preços, restando para a maioria da população o consumo via alimentos como frutas e vegetais. A dosagem de vitamina C em alimentos tem, então, um papel crucial no que diz respeito aos estudos pós-colheita para a conservação e a minimização das perdas deste nutriente tão sensível. Neste estudo, é apresentado um método para análise de vitamina C por cromatografia líquida de alta eficiência utilizando coluna de troca iônica forma hidrogênio, que demonstrou ser mais eficiente do que os métodos usuais por coluna de fase reversa (C18) para matrizes complexas e baixos teores do analito. A reprodução dos perfis cromatográficos foi em nível de linha de base com picos de pureza espectral comprovada por detector de arranjo de diodos. Esse método também foi avaliado segundo a extração mais adequada para estabilização da vitamina C, e mostrou que a fase móvel (ácido sulfúrico suprapuro® 0,05 M) foi uma solução extratora adequada para a estabilização da vitamina C.

Palavras-chave: ácido ascórbico; ácido deidroascórbico; troca iônica; partição por fase reversa.


ABSTRACT

Vitamin C is an essential nutrient for human physiology. In Brazil, vitamin C supplements are expensive and most of the population obtains vitamin C through its consumption of fruits and vegetables. Therefore, the vitamin C assay in food is crucial in post-harvest studies to conserve and minimize losses of this highly sensitive nutrient. This study proposes a method for analyzing vitamin C by High Performance Liquid Chromatography using a hydrogen type ion exchange column, and demonstrates that it is more efficient than the traditional methods of reverse phase column (C18) for complex matrixes and low levels of this analyte. Chromatograms were baseline resolved and peak purity evaluation showed spectral homogeneity by photo diode array detector. This method was also tested using the best extraction solution to stabilize vitamin C, demonstrating that 0.05 M of superpure sulfuric acid (also the mobile phase) was the most efficient solution for this purpose.

Keywords: ascorbic acid; dehydroascorbic acid; ion exchange; reversed phase partition.


 

 

1 Introdução

Em 1912, Casimir Funk formulou uma teoria em que dizia haver uma amina vital para a manutenção da saúde do organismo. Hoje se sabe que as vitaminas são grupos de substâncias heterogêneas constituintes dos alimentos, eficientes em quantidades mínimas e essenciais à vida14.

A atividade de uma vitamina é medida em termos da remissão de uma lesão que foi provocada pela sua ausência no metabolismo quando uma quantidade da vitamina em questão é ingerida.

A atividade vitamínica do ácido ascórbico é a ação anties-corbútica. O escorbuto é uma doença que pode levar à morte e é causada pela deficiência nutricional de vitamina C. Seus principais sintomas são: o aparecimento de lesões na mucosa intestinal, hemorragias digestivas, vermelhidão nas gengivas, enfraquecimento dos dentes (redução na ossificação), dores agudas e inchaço nos membros superiores e inferiores além de deficiência no processo de cicatrização e hemorragia capilar5

Em 1965 a nomenclatura L-treo-2-hexenona-1,4-lactona ou vitamina C foi modificada oficialmente para ácido L-ascórbico pela comissão de nomenclatura bioquímica da IUPAC (International Union of Pure and Applied Chemistry)15. O nome ácido ascórbico designa a atividade antiescorbútica da vitamina C e deriva da antiga forma inglesa da palavra escorbuto (scorby).

Os seres humanos fazem parte do grupo de seres vivos que não são capazes de sintetizar vitamina C. Especula-se que estes seres vivos não possuem tal capacidade com a finalidade de aumentar as reservas de glicose, precursor do ácido ascórbico no organismo15. Devido à ausência da enzima L-gulonalactona oxidase, os seres humanos não conseguem transformar a glicose do sangue em ácido ascórbico. A maioria dos mamíferos não primatas possui esta capacidade e também um mecanismo de retorno através do qual o fígado aumenta a síntese de ácido ascórbico em resposta a um "stress" fisiológico23. Insetos, répteis, alguns pássaros e peixes também não são capazes de sintetizar o ácido ascórbico.

Desta forma, a necessidade de ingestão desta vitamina é vital para a saúde e até mesmo para a sobrevivência do homem, pois o ácido ascórbico participa de inúmeras atividades fisiológicas. A dose diária média de vitamina C necessária para prevenir o escorbuto é de 46 mg 2. No Brasil, a Ingestão Diária Recomendada (IDR) é de 60 mg 1. Estes níveis são facilmente atingidos com o consumo de frutas e vegetais frescos, mesmo porque no Brasil o consumo de vitamina C sob forma de concentrados vitamínicos ainda é bastante restrito devido aos altos preços, restando para a maioria da população o consumo via alimentos. Os defensores da ingestão de altos teores de vitamina C, porém, alegam que o escorbuto não é o primeiro sintoma desta deficiência e sim o colapso fnal, a síndrome pré-morte, e há uma grande diferença entre ausência de escorbuto e saúde completa7. Esta polêmica cria dúvidas na comunidade científica até os dias de hoje a respeito de qual seria a melhor IDR para a vitamina C.

A molécula do ácido ascórbico tem um anel glactona quase planar com dois centros quirais nas posições 4 e 5 (Figura 1), determinando dois pares de estereoisomêros: os ácidos L e D ascórbico (Figura 2a e 2b, respectivamente) e os ácidos D e L isoascórbicos (Figura 2c e 2d, respectivamente). São epímeros (par de diasterômeros que diferem entre si somente na confguração de um único átomo). Os ácidos L-ascórbico e D-isoascórbico (este último possui somente 5% de atividade vitamínica) e os ácidos D-ascórbico e L-isoascórbico (não possuem atividade vitamínica). A oxidação reversível devido à perda de um átomo de hidrogênio (perda de um elétron) leva ao radical semideidroascórbico ou ascorbato (Figura 2e).

 

 

O anel 1,4 lactona estável21 deriva de açúcares (hexoses). O hidrogênio ligado à hidroxila no Carbono 3 (Figura 1), por exemplo, é mais ácido (pK1= 4,17) do que o ácido acético.

A acidez da vitamina C é justificada primeiramente devido à extensão da conjugação da carbonila presente no carbono 1 (Figura 3), aumentando a característica ácida da hidroxila no carbono 3. A hidroxila no carbono 2 faz parte de um enol e sua acidez é pouco maior que a do fenol (pKa= 11,57).

 

 

O ácido deidroascórbico (DIA) é a forma oxidada do ácido ascórbico (AA) e possui atividade vitamínica idêntica a este, pois no organismo é facilmente reduzido e novamente retido como ácido ascórbico nos tecidos intracelulares16. A oxidação reversível, que devido à perda de dois elétrons (Figura 4), leva ao ácido L-deidroascórbico é a propriedade química mais importante e a base da atividade fisiológica da vitamina C15. A atividade antioxidante da vitamina C envolve doação de um elétron e a formação do radical livre ascorbato.

 

 

O DIA pode ser reduzido a ácido ascórbico in vivo por enzimas ou glutationa, e in vitro por agentes redutores como a homocisteína, ditiotreitol (DTT) e bromina. Como é extremamente lábil, pode ser rapidamente hidrolisado ao ácido 2,3-diceto-L-gulônico (Figura 4) em pH neutro e 37 °C, através de uma abertura irreversível no anel da lactona6. O ácido 2,3-diceto-L-gulônico não possui atividade antiescorbútica e a hidrólise é irreversível in vivo.

O ácido deidroascórbico representa menos de 10% da vitamina C total dos vegetais, tendendo a aumentar com o período de estocagem. Por isso existem muitos trabalhos cujo escopo é dosar os teores de ácido ascórbico e também deidroascórbico25. A separação conjunta de ambas as espécies (DIA e AA) é dificultada pela sensibilidade de detecção para o DIA que ocorre a 210 nm, aproximadamente. Este comprimento de onda pertence a uma região do espectro UV que possui baixa especificidade (alta energia), desta forma a sensibilidade para a detecção do DIA, que normalmente se apresenta em baixos níveis, é bastante complicada. Além disso, o AA e o DIA também não apresentam resposta conjunta em detecção eletroquímica.

A estabilização do ácido deidroascórbico em solução também requer ótimo controle de pH, pois a hidrólise deste em ácido 2,3 dicetogulônico é muito dependente do pH26. Como em alimentos naturais o ácido deidroascórbico está presente em níveis baixos, a escolha de um método de dosagem de vitamina C total deve considerar o custo/benefício dos resultados obtidos. Esta escolha deve ser feita em nome da obtenção de uma separação cromatográfica eficiente.

O ácido ascórbico é o nutriente mais afetado pelo processamento de frutas e vegetais, por isso sua retenção é usada freqüentemente como indicativo da qualidade nutricional e até mesmo de conservação dos alimentos3. Algumas vezes, até mesmo interações com outras substâncias presentes no alimento contribuem para a diminuição dos níveis de vitamina C. A destruição desta, por exemplo, pode ser catalisada pela lumiflavina, produto de degradação da riboflavina (vitamina B2)8, que pode ser induzida pela presença de aminas (pois reações de escurecimento ocorrem com o ácido ascórbico de forma semelhante às que ocorrem com a glicose e outros açúcares) ou ainda pela presença de enzimas como a ácido ascórbico oxidase17.

A vitamina C também é amplamente usada na indústria de alimentos como antioxidante para aromatizantes e gorduras em geral, para cura de carnes, e até em farinha para melhorar a textura das massas. Sua utilização no pão é bastante importante, principalmente depois da proibição do uso de bromato de potássio12. O uso do ácido eritórbico ou D-isoascórbico vem sendo diminuído na indústria de alimentos com a utilização crescente do ácido ascórbico devido ao valor nutricional deste, e também à queda dos preços com a entrada de indústrias chinesas no mercado, que sintetizam a vitamina C.

A determinação do ácido ascórbico em alimentos é bastante complexa em função dos baixos níveis em que este pode ser encontrado, além da presença de substâncias interferentes da matriz estudada que podem, inclusive, contribuir para a sua degradação. Desta forma, métodos empregados facilmente para misturas multivitamínicas ou alimentos enriquecidos são de difícil aplicação para dosar somente a vitamina C presente naturalmente nos alimentos.

A separação de substâncias que se ionizam utilizando apenas cromatografa de fase reversa é bastante complexa, necessitando de controle rígido de pH para que não haja equilíbrio entre as formas iônica e molecular de uma mesma substância (pH de trabalho igual ao pKa do analito).

A fase estacionária de uma coluna de troca iônica H+ é constituída por uma resina de estireno divinilbenzeno em forma de gel e relativamente rígida devido às ligações cruzadas existentes. Esta coluna possui 8% de ligações cruzadas sendo que, quanto menor o número destas, mais aberta será a estrutura da resina e, portanto, mais permeável para substâncias de maior massa molecular.

A utilização de uma coluna de troca iônica torna a determinação de vitamina C bastante seletiva em função da combinação de técnicas que este tipo de coluna permite, pois na verdade o mecanismo de separação nesta coluna consiste basicamente de exclusão iônica e partição por fase reversa. A força ácida do eluente (H2SO4 0,05 M) pode ser ajustada para melhorar a resolução do analito ou excluir interferentes. Desta forma, ácidos orgânicos, em geral, podem ser eluídos em ordem crescente de pKa. A resolução da coluna também pode ser controlada usando-se temperatura (máximo de 65 °C), o que não é recomendado para o ácido ascórbico. A adição de modificadores orgânicos como acetonitrila, que reduzem as interações hidrofóbicas e mantêm a solubilidade do analito orgânico também é possível. Isto ocorre porque um analito que não possui carga interage bastante com a parte interna da fase estacionária que é apolar. Diminuindo-se a polaridade da fase móvel pela adição de uma substância orgânica estes compostos eluem mais rapidamente da coluna, podendo-se inclusive utilizar gradiente de fase móvel.

A separação não ocorre por mecanismo de troca iônica uma vez que o pH da fase móvel (aproximadamente 1,3) aliado ao pH dos sítios SO– H+ (trocadores de cátions) da coluna produzem um pH de quase zero dentro da fase estacionária10, não permitindo, portanto, que o ácido ascórbico esteja na forma ionizada. Interferentes que se ionizam neste pH são separados pelo mecanismo de exclusão iônica.

O objetivo deste estudo foi apresentar um método simples e rápido para a determinação de vitamina C em alimentos, utilizando uma coluna de troca iônica forma H+. Este método também foi comparado a um método convencional20 por coluna C18 e avaliado segundo o tipo de solução extratora utilizada.

 

2 Materiais e métodos

2.1 Reagentes e equipamentos

O padrão de vitamina C foi obtido de Sigma-Aldrich, o ácido sulfúrico suprapuro® de Merck CO e a água tipo I de sistema de ultrapurificação Milli-Q8 A10.

A coluna de troca iônica forma hidrogênio Aminex8 HPX87H (7,8 x 300 mm) e foi fabricada por BIORAD®.

Na comparação entre métodos a coluna C18 utilizada foi Waters Novapak8 (4,6 x 150 mm) e o cromatógrafo líquido foi um modelo Shimadzu8 10A.

Na comparação entre soluções extratoras e demais análises de frutas e vegetais o cromatógrafo líquido utilizado foi Waters Alliance8 2695 com detector de arranjo de diodos Waters 2996.

O ácido oxálico, o ácido metafosfórico, o EDTA e o fosfato de potássio utilizados foram obtidos de Merck CO.

As amostras sólidas foram processadas em blender de maneira a produzir uma polpa fna e uniforme para que a extração fosse homogênea e reprodutiva.

Os vegetais estudados segundo o método proposto, por coluna de troca iônica, foram: batata, mandioca e tomate, além de sucos de goiaba, abacaxi, maracujá, maçã, laranja e água de coco.

A amostra estudada durante a comparação da separação entre os dois métodos foi polpa de manga.

A amostra utilizada na comparação entre soluções extratoras para o método de troca iônica foi suco de maracujá.

Todas as amostras foram obtidas no comércio varejista da cidade do Rio de Janeiro.

2.2 Preparo da amostra e condições de análise segundo método proposto por coluna de troca iônica

As amostras foram pesadas em balança analítica, extraídas com ácido sulfúrico suprapuro® 0,05 M em ultrassom por 10 minutos, levadas a volume conhecido, filtradas em unidade filtrante descartável de Teflon8 hidrofílico e colocadas em frasco âmbar com tampa de rosca e septo de silicone.

A solução de ácido sulfúrico suprapuro® 0,05 M utilizada como solução extratora foi também escolhida como fase móvel. A coluna BIORAD Aminex8 HPX87H foi escolhida como fase estacionária do sistema cromatográfico.

A vazão da fase móvel foi de 0,8 mL/minuto, o volume de injeção de 20 uL e o comprimento de onda, 242,6 nm.

2.3 Preparo da amostra e condições de análise segundo método convencional por coluna C18

As amostras foram pesadas em balança analítica e levadas a volume conhecido com ácido metafosfórico 3% (m.v -1), filtradas em unidade filtrante descartável de Teflon8 hidrofílico e colocadas em frasco âmbar com tampa de rosca e septo de silicone.

A fase móvel consistiu de tampão fosfato pH 2,5 e a coluna utilizada foi uma C18 Waters Novapak ®5µ, 150 x 3,4 mm.

A vazão da fase móvel foi de 1,0 mL/minuto, o volume de injeção de 20 µL e o comprimento de onda 254 nm.

2.4 Teste de estabilização do ácido ascórbico em função da solução extratora utilizada

  • EDTA como agente estabilizante: foram preparadas 10 repetições de soluções padrão de vitamina C com concentração aproximada de 1 mg.mL–1 com solução de EDTA 0,05% (m.v -1) em ácido sulfúrico PA 0,05 M. As soluções foram injetadas no sistema cromatográfico imediatamente após o preparo.
  • Ácido oxálico como agente estabilizante: foram preparadas 10 repetições de soluções padrão de vitamina C com concentração aproximada de 1 mg.mL–1 com solução de ácido oxálico 6% (m.v -1) em ácido sulfúrico PA 0,05 M.

As soluções foram injetadas no sistema cromatográfico imediatamente após o preparo.

  • Ácido metafosfórico como agente estabilizante: foram preparadas 10 repetições de soluções padrão de vitamina C com concentração aproximada de 1 mg.mL–1 com solução de ácido metafosfórico 3% (m.v -1) em ácido sulfúrico PA 0,05 M. As soluções foram injetadas no sistema cromatográfico imediatamente após o preparo.
  • Somente ácido sulfúrico suprapuro® como agente estabilizante: foram preparadas 10 repetições de soluções padrão de vitamina C com concentração aproximada de 1 mg.mL–1 com solução de ácido sulfúrico suprapuro® 0,05 M, somente. As soluções foram injetadas no sistema cromatográfico imediatamente após o preparo.

Quantificação de amostra de suco de maracujá

Foram preparadas 10 repetições de preparo de uma amostra de suco de maracujá extraída com solução de EDTA 0,05% (m.v -1) em ácido sulfúrico PA 0,05 M e quantificadas quanto ao teor de vitamina C a partir de um padrão de calibração preparado da mesma forma. Outras 10 replicatas da mesma amostra foram extraídas somente com ácido sulfúrico suprapuro® 0,05 M e também quantificadas quanto ao teor de vitamina C a partir de um padrão de calibração preparado da mesma forma. O teor de vitamina C informado no rótulo do suco de maracujá foi de 30 mg de vitamina C para 200 mL de suco.

 

3 Resultados e discussão

Com relação à rapidez e simplicidade o preparo da amostra foi fundamental. O uso da coluna de troca iônica diminuiu o envolvimento do operador, pois o manuseio e as perdas de amostra são mínimos. Os possíveis erros na execução das atividades foram assim minimizados.

A extração com a própria fase móvel (ácido sulfúrico suprapuro® 0,05 M) também fez parte deste processo de simplificação, pois não foi necessário preparar soluções tampão com extremo controle de pH ou soluções salinas a fim de estabilizar a vitamina C (vide item 3.3). Optou-se somente por utilizar um ácido sulfúrico de alta pureza (suprapuro®) para que este não trouxesse para o meio extrativo contaminações por íons metálicos que pudessem degradar a vitamina C recém extraída.

A rapidez do preparo da amostra e a ótima resolução cromatográfica deste método não excluem a possibilidade de que, frente a matrizes ainda não testadas, seja necessário incluir alguma etapa extra de limpeza da amostra como, por exemplo, extração em fase sólida com cartuchos C18 ou desengorduramento para o caso de matrizes animais.

A utilização do ácido sulfúrico 0,05 M (pH 1,3), como fase móvel, faz parte do mecanismo de separação da coluna utilizada, cuja forma iônica H+ é proveniente do ácido sulfônico ligado à resina. O ácido sulfúrico é utilizado, pois é um ácido forte o bastante para manter a maioria dos ácidos orgânicos na forma molecular. O ácido sulfônico (pKa < 1) da resina permanecerá ionizado no pH da fase móvel.

O controle do pH foi requerido para que ocorresse supressão iônica já que partículas com carga possuem baixa interação com a fase estacionária apolar. No caso do ácido ascórbico (pKa1 4,2), a diminuição do pH para valores menores que 4,2 além de evitar que o equilíbrio entre as formas iônica e molecular acontecesse, deslocou este equilíbrio no sentido da forma molecular da vitamina C devido ao aumento da concentração de íons hidrogênio em solução.

3.1 Avaliação de cromatogramas obtidos pelo método proposto com coluna de troca iônica

As Figuras 5 e 6 representam, respectivamente, cromatogramas com espectro UV de um padrão de vitamina C e de uma amostra de tomate. Os cromatogramas obtidos demonstram separação do pico da vitamina C em nível de linha base, e o espectro demonstra que a absorção máxima desta na região do ultravioleta foi de 242,6 nm.

A Figura 7 apresenta a avaliação de pureza espectral (peak purity) encontrada para a amostra de tomate. Esta é outra ferramenta importante do detector de arranjo de diodos. O critério estabelecido pelo equipamento é que o ângulo de pureza (purity) encontrado para a amostra deve ser menor que o ângulo limite (Auto Threshold) medido, levando-se em consideração várias tomadas de absorção máxima no UV ao longo do pico e também o nível de ruído encontrado. Como pode ser observado, o ângulo de pureza é menor que o ângulo limite. Desta forma o pico foi considerado espectralmente puro.

 

 

A Tabela 1 se refere a teores de vitamina C encontrados nas diversas matrizes vegetais estudadas.

 

 

A resolução obtida nas matrizes acima foi considerada também excelente, mas não exclui a possibilidade de que, frente a matrizes ainda não testadas, seja necessário incluir alguma etapa extra de limpeza da amostra como, por exemplo, extração em fase sólida com cartuchos C18 ou desengorduramento para o caso de matrizes animais para as quais o método ainda não foi testado.

A comparação do método descrito por RIZZOLLO e POLESELLO20 e o método por coluna de troca iônica é demonstrada através das Figuras 8 e 9, respectivamente. Estas mostram os resultados de ambos os métodos na análise de uma amostra de polpa de manga irradiada. Pode-se notar a separação insuficiente da vitamina C das substâncias interferentes presentes na matriz da amostra (Figura 8b) coincidente com o tempo de retenção do padrão (Figura 8a) para o método RIZZOLLO e POLESELLO20. A Figura 9 diz respeito ao método proposto com coluna de troca iônica e revela um pico deste analito resolvido em nível de linha base e sem deformações decorrentes da coeluição de interferentes (Figura 9b) que também coincide com o tempo de retenção do padrão (Figura 9a) nesta coluna.


 

 


 

O método por fase reversa demonstrou separação insuficiente e baixa resolução. O método por coluna de troca iônica, porém, demonstrou separação completa para o ácido ascórbico. A mudança de tipo de fase estacionária (sílica para polímero com trocador iônico) mostrou-se bastante eficiente, eliminando os interferentes e permitindo uma resolução cromatográfica de linha base. A vazão de fase móvel utilizada nesta avaliação foi de 1,0 mL/min e o comprimento de onda 254 nm.

3.2 Teste de estabilização do ácido ascórbico em função da solução extratora utilizada

Este teste foi realizado em duas partes principais com o objetivo de verificar a capacidade de estabilização do ácido ascórbico por soluções extratoras diferentes em solução padrão e em uma amostra escolhida aleatoriamente.

O processo de degradação do ácido ascórbico é bastante complexo e contém um grande número de processos de oxidação/redução e reações de rearranjos intermoleculares. A degradação é iniciada com a oxidação do grupo enediol mais reativo através da ação de grupos pró-oxidantes como peróxidos, radicais hidroxi e também íons metálicos. Quando o ácido ascórbico é dissolvido em água, o pH da solução diminui devido à ionização parcial do grupo enediol no carbono 311. A estabilização do ácido ascórbico se dá através de acréscimo de H+, dificultando sua ionização, estabilizando o grupo hidroxila e conseqüentemente o anel da lactona, prevenindo a hidrólise irreversível ao ácido 2,3-dicetogulônico9.

Em formulações ou quando adicionada em alimentos a vitamina C pode ser estabilizada por esterificação da hidroxila com ácidos orgânicos de cadeia longa ou ainda ácidos inorgânicos4. Em uma análise de vitamina C, no entanto, a necessidade de aumentar a estabilidade do ácido ascórbico recém extraído da matriz de alimento está relacionada ao meio extrator e às condições de manipulação como luz e temperatura que afetam significantemente a recuperação do ácido ascórbico19.

Entre as soluções mais utilizadas para extrair o ácido ascórbico e também estabilizá-lo, pode-se citar o ácido oxálico ou o ácido metafosfórico 3-6% (m.v –1). Estes ácidos são capazes de prevenir a oxidação do ácido ascórbico pela ação de íons cobre (II) ou ferro (III). Ao ácido metafosfórico também é reportada a habilidade de precipitar proteínas e com isso inativar enzimas como a ácido ascórbico oxidase13. Soluções de EDTA, um agente quelante que retira íons metálicos do meio, também são citadas como fatores de estabilização do ácido ascórbico.

Uma solução de EDTA 0,05% (m.v –1) foi reportada como fator de aumento da estabilidade do ácido ascórbico em solução de ácido sulfúrico PA 0,05 M. ASHOOR et al.3 afirmam que a utilização de uma solução de EDTA aumentou a área do pico do padrão de ácido ascórbico três vezes, sendo este essencial para aumentar a sensibilidade e reprodutibilidade do método em questão.

O método acima citado também utilizou uma coluna HPX 87H BIORAD e ácido sulfúrico 0,005 M como fase móvel. Baseando-se nesta observação, resolveu-se testar as afirmações quanto ao uso de EDTA e também dos ácidos oxálico e metafosfórico na extração e estabilização e até mesmo no aumento da sensibilidade de detecção do ácido ascórbico. Estas hipóteses foram testadas em soluções padrão de vitamina C. Todas as soluções foram feitas em ácido sulfúrico PA 0,05 M em função da necessidade da coluna cromatográfica utilizar esta fase móvel e também para avaliar o efeito da pureza do ácido sulfúrico.

Ácido metafosfórico, ácido oxálico, EDTA e ácido sulfúrico suprapuro® 0,05 M como agentes estabilizantes

Os resultados foram reportados em termos de fator de resposta, pois quanto menor o fator de resposta, maior a área, e conseqüentemente menor terá sido a degradação do padrão de ácido ascórbico.

As soluções padrão foram preparadas e injetadas no sistema cromatográfico imediatamente após o preparo para evitar possíveis problemas de degradação da vitamina C com o tempo, embora estudos prévios tenham verificado que em aproximadamente 2 horas de espera no injetor automático, não houve mudança na resposta da solução padrão de ácido ascórbico22.

Os resultados (Figura 10) demonstraram que a maior degradação ocorreu na solução com ácido oxálico (pH 1,3), seguida pela solução com ácido metafosfórico (pH 1,4). A solução com EDTA (pH 1,2) obteve comportamento pouco menos eficiente que a de ácido sulfúrico suprapuro® 0,05 M (pH 1,3). Desta forma, considera-se que a solução de ácido sulfúrico suprapuro® 0,05 M é uma boa escolha para estabilizar a vitamina C e também manter a idéia de praticidade do método, não inserindo neste o preparo de outra solução extratora diferente da fase móvel.

 

 

A hipótese verificada por ASHOOR et al.3 de que a adição de EDTA aumentaria a área do pico da vitamina C no padrão de calibração não foi confirmada e, portanto, não mostrou, neste caso, aumento na sensibilidade do método.

Quantificação de amostra de suco de maracujá

Este experimento objetivou testar a eficiência das soluções extratoras que forneceram os melhores resultados na avaliação da solução padrão, verificando a estabilização da vitamina C em solução de EDTA 0,05% (m.v –1) e ácido sulfúrico PA 0,05 M contra a solução de ácido sulfúrico suprapuro® 0,05 M na extração de uma amostra, e com isso avaliar o efeito de matriz. A amostra escolhida aleatoriamente foi suco de maracujá.

Os teores médios em mg de vitamina C por 100 mL de suco, obtidos nas 10 repetições com a solução de EDTA e somente com ácido sulfúrico suprapuro® 0,05 M foram, respectivamente, 14,36 ± 0,21 e 15,60 ± 0,13 (Figura 11 e Tabela 2). O teor informado no rótulo foi de 15 mg.100 mL–1. Somente a diferença de aproximadamente 1,2 mg de vitamina C ocorrida entre as duas extrações não permite concluir que a solução de ácido sulfúrico suprapuro® extraia e/ou estabilize melhor a vitamina C no meio (embora não tenha ocorrido sobreposição das barras de erro e a variação entre as medidas para esta solução extratora tenha sido menor), mas permite concluir que a solução de EDTA não é imprescindível para o método e também não aumenta a sensibilidade deste.

 

 

 

 

Os níveis pouco mais altos encontrados para esta extração podem ser justificados pela adição de ácido ascórbico no suco (indicada no rótulo do produto) que funciona como antioxidante a fim de evitar mudanças de coloração24.

 

4 Conclusões

A comparação entre os métodos por coluna de troca iônica (na verdade uma combinação de partição por fase reversa e exclusão iônica) e o método por fase reversa demonstraram a eficiência do primeiro até mesmo para uma matriz complexa e com baixo teor de vitamina C.

Os perfis cromatográficos obtidos, aliados aos dados de espectro U V, incluindo a ferramenta de pureza espectral, permitiram concluir que o método ofereceu excelente seletividade e separação para a vitamina C presente nas amostras testadas.

Os testes que avaliaram a estabilização da vitamina C levam à conclusão de que o uso de fase móvel (solução de ácido sulfúrico suprapuro® 0,05 M), além de conferir maior rapidez ao método, não produz perdas de vitamina C.

Diante dos resultados obtidos pode-se afirmar que o método proposto neste estudo é bastante vantajoso para a análise de vitamina C em matrizes vegetais.

 

Referências bibliográficas

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Recebido para publicação em 20/12/2006
Aceito para publicação em 7/6/2007 (002152)

 

 

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