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Jornal Brasileiro de Nefrologia

versão impressa ISSN 0101-2800

J. Bras. Nefrol. vol.31 no.3 São Paulo jul./set. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-28002009000300012 

CARTA AO EDITOR

 

Fisioterapia intradialítica na reabilitação do doente renal crônico

 

Exercise training during hemodialysis in the rehabilitation of chronic kidney disease patients

 

 

Raquel Jeanty de SeixasI; Cristiane Mecca GiacomazziI; Ana Elizabeth Prado Lima FigueiredoII

IReabilitação Cardiopulmonar PREMUS, PUC-RS
IIUnidade de Diálise e Transplante, Hospital São Lucas - PUC-RS/ PREMUS, PUC-RS

Correspondência para

 

 


RESUMO

O declínio da atividade física no doente renal crônico (DRC) é conhecido pela perda de força muscular ou pela redução progressiva no condicionamento e na funcionalidade.1 Por conta dessas manifestações, o tratamento do doente renal crônico, além de aumentar a sobrevida, também deve incluir reabilitação física.2 Cada vez mais estudos revelam que a participação da fisioterapia intradialítica é parte significativa dessa reabilitação. O estudo de Corrêa et al., "Efeito do treinamento muscular periférico na capacidade funcional e qualidade de vida nos pacientes em hemodiálise",3 vem, mais uma vez, confirmar que o DRC se beneficia com essa intervenção em sua rotina.

Palavras-chave: exercício físico, fisioterapia, hemodiálise.


ABSTRACT

The decline in physical activity of patients with chronic kidney disease (CKD) is well known, due to either loss of muscle strength or progressive reduction in conditioning and function.1 Therefore, treatment of CKD besides increasing survival, should also include physical rehabilitation.2 More and more studies have shown that exercise training during hemodialysis plays a significant role in such rehabilitation. Corrêa et al., in their study "Effect of peripheral muscle training on functional capacity and quality of life in patients undergoing hemodialysis",3 have confirmed the benefits of that intervention in the routine of CKD patients.

Keywords: exercise training, physical therapy, hemodialysis.


 

 

Prezado Editor

O declínio da atividade física no doente renal crônico (DRC) é conhecido pela perda de força muscular ou pela redução progressiva no condicionamento e na funcionalidade.1 Por conta dessas manifestações, o tratamento da Doença Renal Crônica (DRC), além de aumentar a sobrevida, também deve incluir reabilitação física.2 Cada vez mais estudos revelam que a fisioterapia intradialítica é parte significativa dessa reabilitação. O estudo de Corrêa et al.,3 "Efeito do treinamento muscular periférico na capacidade funcional e qualidade de vida nos pacientes em hemodiálise" (J Bras Nefrol 2009; 31(1):18-24), vem, mais uma vez, confirmar que o DRC se beneficia com essa intervenção em sua rotina.

Diferentes tipos de treinos têm sido realizados com pacientes em hemodiálise: aeróbico, de resistência e a combinação de ambos, não havendo ainda consenso sobre o melhor tipo.4 Porém, algumas doenças musculoesqueléticas decorrentes de "insuficiência" renal crônica5 demandam intervenção específica, e esse é um dos fatores que não permitem a participação de todos os pacientes em hemodiálise nos protocolos mais utilizados. Portanto, alguns estudos envolvem grupos pequenos de pacientes, como é o caso do estudo de Corrêa et al.,3 já citado.

Na unidade de hemodiálise do Hospital São Lucas da PUC-RS, dos 36 indivíduos avaliados pela fisioterapia para o programa de exercício intradialítico, 11 necessitavam de adaptação. Desses, seis pacientes apresentavam problemas ortopédicos que impossibilitaram a participação no programa: necrose da cabeça do fêmur, sequela de acidente vascular cerebral, coxartrose, gonartrose e prótese de quadril com limitação funcional. Todos apresentavam algum tipo de limitação funcional e queixas físicas variadas.

Ao final, nove pacientes conseguiram participar do protocolo de exercícios (incluindo um deficiente visual), com a média de idade de 67,0 ± 16,2 anos, sendo 66,6% do sexo feminino. A participação foi, em média, de 80,09%. Assim como no estudo de Corrêa et al., utilizamos o teste de caminhada de seis minutos (TC6) para avaliação da capacidade funcional desses indivíduos. Após o programa de reabilitação, a distância percorrida aumentou significativamente (p = 0,003), de uma média de 403,50 ± 9,63 para 425 ± 90,25 metros, respectivamente.

Portanto, o efeito do exercício físico intradialítico na funcionalidade dos participantes desse programa de fisioterapia se mostrou positivo, como evidenciado pela melhora no resultado do teste funcional. O exercício intradialítico se mostrou seguro. É necessário padronizar os testes para a realização de estudos, a fim de se analisar melhor o impacto dessa intervenção em tal população.

A diversidade de alterações musculoesqueléticas, bem como a melhora da capacidade funcional, reforçam a necessidade da presença do fisioterapeuta na reabilitação do DRC em hemodiálise. Esperamos que o crescente número de publicações incentive a pesquisa para beneficiar essa população.

 

REFERÊNCIAS

1. Zawada ET. Início da diálise. In: Daugirdas JT, Blake PG, Ing, TS. Manual de diálise. 3 ed. São Paulo, 2003, pp. 3-11.         [ Links ]

2. Storer TW, Casaburi R, Sawelson S, Kopple JD. Endurance exercise training during haemodialysis improves strength, power, fadigability and physical performance in maintenance haemodialysis patients. Nephrol Dial Transplant 2003; 20:1429-37.         [ Links ]

3. Corrêa LB, Oliveira RN, Cantareli F, Cunha LS. Efeito do treinamento muscular periférico na capacidade e qualidade de vida nos pacientes em hemodiálise. J Bras Nefrol 2009; 31:18-24.         [ Links ]

4. Johansen, K. Exercise and dialysis. Hemodial Int 2008; 12:290-300.         [ Links ]

5. Vieira WP, Gomes KWP, Frota NB et al. Manifestações musculoesqueléticas em pacientes submetidos à hemodiálise. Rev Bras Reumatol 2005; 45:357-64.         [ Links ]

 

 

Correspondência para:
Cristiane Mecca Giacomazzi
Av. Protásio Alves, 1.181/05
Porto Alegre - RS CEP: 90410-001
Tel: (51) 9971-3062

Data de submissão: 22/06/2009
Data de aprovação: 13/08/2009

 

 

Declaramos a inexistência de conflitos de interesse.