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Brazilian Journal of Nephrology

Print version ISSN 0101-2800On-line version ISSN 2175-8239

J. Bras. Nefrol., ahead of print  Epub Sep 13, 2018

http://dx.doi.org/10.1590/2175-8239-jbn-2018-0023 

Artigos

O efeito da musicoterapia na qualidade de vida e nos sintomas de depressão de pacientes em hemodiálise

Paula de Marchi Scarpin Hagemann1 
http://orcid.org/0000-0003-3153-4892

Luis Cuadrado Martin2 

Carmen Maria Bueno Neme1  3 

1Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Faculdade de Ciências, Bauru, SP, Brasil.

2Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Departamento de Clínica Médica, Botucatu, SP, Brasil.

3Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho, Departamento de Psicologia, Bauru, SP, Brasil.

RESUMO

Introdução:

Fontes de estresse representadas pela doença renal crônica (DRC) podem gerar estados de depressão, interferindo diretamente na qualidade de vida (QV) dos pacientes em hemodiálise (HD). Poucos são os relatos e estudos de intervenção terapêutica visando minimizar os sintomas depressivos nesses pacientes, com maior escassez de trabalhos utilizando a musicoterapia.

Objetivo:

O presente estudo avaliou o efeito da musicoterapia na QV e nos sintomas depressivos em pacientes em HD.

Método:

Estudo de intervenção musicoterapêutica, no qual 23 pacientes foram avaliados quanto à QV e sintomas de depressão em duas fases distintas: pré e pós-intervenção. Foram realizadas duas sessões em grupo por semana, com duração de 75 minutos, em um período de quatro semanas. A intervenção foi realizada por um musicoterapeuta, que utilizou técnicas específicas da musicoterapia, além da voz e do violão para conduzir apoio rítmico e harmônico na produção sonoro-musical dos grupos.

Resultados:

Os pacientes apresentaram redução significativa dos sintomas de depressão (p<0,001) e melhores resultados na QV, com diferenças estatísticas significantes nas dimensões: capacidade funcional (p=0,011), dor (p=0,036), estado geral de saúde (p=0,01), vitalidade (p=0,004), saúde mental (p=0,012), lista de sintomas e problemas (p=0,01) e saúde global (p=0,01).

Conclusões:

A intervenção com musicoterapia constitui-se opção efetiva no tratamento e prevenção de sintomas depressivos e na melhora da QV de pacientes em HD.

Palavras-chave: Musicoterapia; Diálise Renal; Qualidade de Vida; Depressão

INTRODUÇÃO

A doença renal crônica (DRC) é caracterizada por perda lenta, progressiva e irreversível das funções dos rins, sendo que, na fase mais avançada, é indicada a terapia renal substitutiva. Dentre as opções terapêuticas podem ser citados os métodos de depuração artificial do sangue: hemodiálise (HD) e diálise peritoneal.1,2 No Brasil, 92,1% dos pacientes renais crônicos terminais realizam HD.3

Apesar do aumento quantitativo na sobrevida dos pacientes renais crônicos proporcionado pelos avanços tecnológicos e terapêuticos nas últimas décadas,4 muitas vezes esse avanço não é acompanhado de recuperação significativa do estado físico, emocional e social.5 O diagnóstico e o tratamento da DRC podem acarretar significativo impacto e inúmeras perdas e limitações no cotidiano do paciente, levando a diversas alterações biopsicossociais.4,6 Todas essas alterações, somadas às limitações da própria DRC, podem causar significativo impacto na qualidade de vida (QV) do paciente. Para o paciente renal crônico dialítico, a QV pode ser entendida "como a percepção individual de bem-estar, variando da satisfação à insatisfação em relação aos domínios da vida que lhe são importantes".7

A DRC em seus estágios mais avançados apresenta complicações, como anemia e distúrbios do metabolismo mineral ósseo.8 Essas condições clínicas e a própria HD impõem extensas modificações na rotina do paciente, o que pode levar a um impacto negativo sobre a QV relacionada à saúde, incrementando o estresse cotidiano e favorecendo a emergência de depressão.4,9,10 Esta, por sua vez, interfere diretamente na QV dos pacientes, modificando a percepção e a avaliação que o indivíduo faz de sua vida e de sua doença, podendo levar o paciente a não aderir ao tratamento. Uma percepção negativa da saúde do paciente está mais associada à ansiedade e depressão do que à gravidade da doença.4,11 Sintomas de depressão e ansiedade em pacientes em HD afetam negativamente a QV,12 além de estarem associados a outros comprometimentos, tais como os cognitivos.13

A depressão é um problema comum, subdiagnosticado e fator de risco independente para o aumento da morbidade e mortalidade desses pacientes.14 Portanto, evidencia-se uma necessidade de avaliar a QV e os sintomas de depressão de pacientes em HD, e intervir terapeuticamente visando promover transformações condizentes com a realidade de cada um e prevenir o comprometimento de suas atividades diárias.9,14

Tem sido apontado na literatura o efeito terapêutico da música no bem-estar físico e emocional de pacientes em HD.15,16 Em geral, são estudos realizados por equipes de enfermagem, e a proposta de intervenção baseia-se na audição de músicas, sejam elas gravadas ou tocadas ao vivo, durante as sessões de HD. Em uma revisão sistemática com meta-análise, publicada em 2015,17 foi identificado que intervenções musicais reduziram efetivamente sintomas de ansiedade em pacientes em HD. Apesar dos resultados positivos, os autores destacaram que nos sete estudos incluídos foram utilizadas apenas músicas gravadas, nunca executadas ao vivo. Além disso, em nenhum dos estudos houve a menção de um musicoterapeuta para a realização das intervenções.

A audição musical pode proporcionar momentos de descontração e relaxamento, e consequentemente ter efeitos terapêuticos. Todas as atividades que envolvem música podem vir a ter efeitos terapêuticos, porém apenas a musicoterapia como ciência e técnica tem objetivos terapêuticos explícitos, sendo esta a única área do conhecimento que utiliza a música com finalidades terapêuticas.18 Para diferenciar o uso da música pelo musicoterapeuta e por outros profissionais, Dileo19 distinguiu musicoterapia em medicina de música em medicina. A primeira, realizada por musicoterapeutas qualificados, que utilizam métodos e técnicas específicos da musicoterapia, sempre vai envolver um processo terapêutico e a relação se desenvolverá na música e no processo. Já a música em medicina é realizada por profissionais da área da saúde em geral como terapia complementar em variadas situações (estresse, ansiedade, dor). Não existe um processo terapêutico, e a relação entre o paciente e esses profissionais não se estrutura a partir da atividade musical.

A musicoterapia tem sido aplicada e estudada em diversas áreas do contexto hospitalar,20,21 além de mostrar-se uma terapêutica eficaz para o tratamento da depressão.22 No que se refere à sua utilização na HD, são poucos os estudos encontrados,23 e nenhum deles se refere exclusivamente à QV e a sintomas de depressão. Um estudo realizado na Coreia do Sul,24 cujos autores sugeriram a musicoterapia como uma intervenção que pode contribuir para a melhoria da QV de pacientes em HD, mostrou a contribuição da musicoterapia para a redução de sintomas de ansiedade e depressão.

Diante do potencial da musicoterapia para melhorar a QV e sintomas de depressão de pacientes submetidos a tratamentos invasivos e de risco, como a HD, é necessário realizar estudos de intervenção musicoterapêutica com esses pacientes, voltados à avaliação de QV e de sintomas de depressão. Assim, o objetivo do presente estudo consistiu em avaliar a QV e os sintomas de depressão em pacientes em HD, antes e após processo de musicoterapia.

MÉTODO

Trata-se de um estudo de intervenção musicoterapêutica, realizado em 23 pacientes em HD no Centro de Terapia Renal Substitutiva/Diálise (CTRS) do Hospital Estadual de Bauru, que atenderam aos seguintes critérios de inclusão: idade igual ou superior a 18 anos, com doença renal crônica terminal, em tratamento hemodialítico por um período maior ou igual a três meses. Foram excluídos os pacientes: em acompanhamento psicoterapêutico; que iniciaram e/ou mudaram o uso ou a dose de psicofármacos no mês anterior à intervenção; que estivessem participando de outros estudos de intervenção; que possuíssem diagnóstico de demência, deficiência auditiva ou mental grave; instáveis clinicamente; e em HD diária.

Dos 89 pacientes abordados entre novembro de 2013 e junho de 2014, foram excluídos 30, resultando em uma amostra de 59 pacientes, dos quais 31 aceitaram participar do estudo. Desse total, dois desistiram antes do início da intervenção, três tiveram piora significativa do quadro clínico, um foi transplantado e dois pacientes não conseguiram se encaixar para formar grupo. A amostra foi então constituída por 23 pacientes.

PROCEDIMENTOS

O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética em Pesquisa da Faculdade de Ciências de Bauru, UNESP (Parecer 956.333). Fizeram parte somente os pacientes em HD que manifestaram o desejo de participar voluntariamente da pesquisa e que assinaram o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido.

Os atendimentos de musicoterapia foram realizados em grupos de quatro participantes cada. Todos os pacientes foram avaliados em duas fases distintas - pré (Momento 1) e pós (Momento 2) processo musicoterapêutico. No Momento 1, todos os participantes foram avaliados quanto aos sintomas de depressão e de QV. As avaliações foram realizadas pela pesquisadora durante as sessões de HD, sempre durante a primeira hora. Após as avaliações, os participantes passaram por uma entrevista individual durante a sessão de HD, na qual foram levantados dados sociodemográficos e clínicos, além de ser utilizada uma ficha clínica musicoterapêutica, formulada com base nos pressupostos estabelecidos por Barcellos,23 dada a necessidade de o musicoterapeuta conhecer a história sonora do paciente e traçar objetivos terapêuticos.

Após as avaliações, as sessões de musicoterapia tiveram início. Foram realizadas oito sessões de musicoterapia com cada um dos seis grupos, com dois atendimentos semanais e média de 75 minutos de duração por sessão. As sessões de musicoterapia foram realizadas pela própria pesquisadora musicoterapeuta, sempre durante a primeira metade da sessão de HD.

Para a realização das sessões, foram utilizadas as técnicas musicoterapêuticas descritas por Keneth Bruscia:25 recriação musical; improvisação musical; composição musical; audição musical ou experiência receptiva. Essas técnicas foram utilizadas de acordo com as necessidades de cada grupo, com planejamento prévio flexível. Durante as sessões, a pesquisadora musicoterapeuta utilizou a voz e o violão para conduzir apoio harmônico e rítmico para a produção sonoro-musical dos grupos. Em todos os atendimentos, os participantes tiveram à sua disposição caixas de som, canções no formato mp3 (manuseadas pela pesquisadora) e instrumentos de percussão variados.

Após o término do processo de musicoterapia, todos os participantes responderam novamente aos instrumentos de sintomas de depressão e de QV (Momento 2).

INSTRUMENTOS

FORMULÁRIO DE DADOS SOCIODEMOGRÁFICOS E CLÍNICOS

O formulário foi elaborado especialmente para este estudo, para obter dados que permitissem caracterizar o participante quanto a aspectos sociodemográficos (sexo, idade, escolaridade, ocupação, estado civil, filhos, raça, religião) e dados laboratoriais e clínicos de prontuário (doença de base, tempo de tratamento, comorbidades, acesso vascular).

INSTRUMENTO DE SINTOMAS DE DEPRESSÃO

Para avaliar os sintomas de depressão, foi escolhido o Beck Depression Inventory, segunda edição (BDI-II). Esse instrumento foi originalmente criado por Beck, Ward, Mendelson, Mock e Erbaugh em 1961 e revisado por Beck, Rush, Shaw e Emery em 1979/1982.26 O BDI-II é um instrumento de autoaplicação constituído por 21 itens, e cada um apresenta quatro afirmações com conteúdo relativo a graus crescentes de gravidade de depressão, com escores que variam de 0 a 3. A adaptação brasileira da segunda edição foi feita por Gorenstein et al.27 A classificação da intensidade da depressão, de acordo com os escores do BDI-II é: Mínimo - 0 a 13; Leve - 14 a 19; Moderado - 20 a 28; Grave - 29 a 63. Para este estudo, pontuações ≥ 14 pontos foram consideradas presença de sintomas depressivos.

INSTRUMENTO DE QUALIDADE DE VIDA

O instrumento eleito para avaliar a QV relacionada à saúde (QVRS) foi o Kidney Disease and Quality of Life Short-Form (KDQOL-SF), em sua versão traduzida, adaptada e validada para a cultura brasileira.28 As dimensões do KDQOL-SF(tm) são medidas em uma escala normatizada que varia de zero (pior escore, QVRS desfavorável) a cem (melhor escore, QVRS favorável), sendo que os escores mais altos indicam melhor saúde. Essa escala é considerada de fácil compreensão e administração. O instrumento inclui o Short-Form Health Survey (SF-36) como uma medida genérica que avalia oito domínios quanto à saúde física e mental do paciente. Em adição, para abordar o paciente renal crônico, são incluídas 12 dimensões específicas com relação à DRC.

ANÁLISE ESTATÍSTICA

Inicialmente, foi empreendida uma análise descritiva, com checagem de consistência dos dados. Foram calculadas as estimativas de prevalência de sintomas depressivos e as médias da pontuação obtida no BDI-II, bem como as médias obtidas nos diferentes domínios de QV, segundo o KDQOL-SF, com os respectivos desvios-padrão. Os dados foram apresentados como média ± desvio-padrão ou mediana (primeiro; terceiro quartil) quando apropriado.

Para a comparação de dados coletados entre os momentos 1 e 2, utilizou-se o teste t de Student para amostra pareada (para dados com distribuição normal) e o teste de Wilcoxon (para dados que não apresentaram distribuição normal), e para as variáveis categóricas, utilizou-se o teste qui-quadrado. Além dessas comparações, foram analisadas as correlações entre as dimensões do KDQOL-SF, pontuação obtida no BDI-II e as variáveis sociodemográficas por meio do coeficiente de correlação de Pearson. Valores de p<0,05 foram considerados significativos para todas as análises. O programa estatístico utilizado para o armazenamento e análise dos dados foi o SPSS 12.0.

RESULTADOS

A intervenção foi realizada em 23 pacientes, com as características sociodemográficas e clínicas ilustradas na Tabela 1. Cabe mencionar que nenhum dos participantes teve mudança de acesso vascular durante a realização do estudo e todos apresentavam Kt/V maior que 1,2. Os exames laboratoriais, como níveis séricos de hemoglobina, cálcio, fósforo e potássio, não apresentaram variação significativa entre os dois momentos do estudo. Pacientes instáveis clinicamente foram excluídos do estudo.

Tabela 1 Dados sociodemográficos e clínicos dos pacientes 

Variável %
Sexo (N=23)
Feminino 56,5
Masculino 43,5
Faixa etária (N=23) (54,9 ± 14,6)
18-39 anos 26,1
40-59 anos 26,1
60 anos ou mais 47,8
Raça
Branca 69,5
Negra 30,5
Estado civil (N=23)
Casado 69,5
Separado 21,7
Solteiro 4,3
Viúvo 4,3
Escolaridade (N=23) (7,1 ± 4,1)
1 - 4 anos 39,1
5 - 8 anos 26,1
Ensino Médio 26,1
Ensino Superior 8,7
Ocupação (N=23)
Aposentado 34,7
Desempregado 4,3
Auxílio Doença 43,4
Do Lar 8,6
Aposentado e Trabalhando 8,6
Renda familiar (N= 23)
< 1 salário mínimo 4,3
Até 1 salário mínimo 13
Até 3 salários mínimos 47,8
Até 5 salários mínimos 13
Acima de 5 salários mínimos 21,7
Tempo de tratamento (N=23) (31,5 ± 18,6)
0 - 6 meses 4,3
7 - 36 meses 60,8
37 - 60 meses 26,1
61 meses ou mais 8,7
Doença de base
HAS 13
Diabetes Mellitus 56,5
GNC 21,7
Outras 8,6
Principais comorbidades
Diabetes Mellitus 60,8
DCV 13
HAS 78,2
Tabagismo 8,6
Acesso vascular
Fístula 65,2
Cateter 34,7

No que se refere à presença de sintomas de depressão, no Momento 1 do estudo foi detectada prevalência de 60,8% (n=14). Dentre esses casos, 34,7% (n=8) foram classificados como apresentando sintomas leves; 13% (n=3), sintomas moderados; e 13% (n=3), sintomas graves. Após a intervenção de musicoterapia, a prevalência de sintomas depressivos reduziu para 21,7% (n=5), sendo que 17,3% (n=4) foram classificados como sintomas leves e 4,34% (n=1), como sintomas moderados. Ao serem comparados os resultados de prevalência de sintomas depressivos, observa-se que houve diminuição significativa da intensidade dos sintomas (p=0,017), conforme demonstrado na Tabela 2. Quando esses resultados foram analisados como variável contínua, o escore de sintomas de depressão reduziu de 15,43 ± 9,2, no Momento 1, para 7,43 ± 6,4, no Momento 2 (p<0,001).

Tabela 2 BDI-II de acordo com a intensidade dos sintomas de depressão, categorizados em caso e não caso para sintomas depressivos 

Avaliações BDI-II (Inventário de Depressão de Beck)
Caso Não caso p
N % N %
Momento 1 14 60,8 9 39,1 0,017
Momento 2 5 21,7 18 78,26

As dimensões do questionário KDQOL-SF são divididas em genéricas e específicas, e os resultados estão expressos na Tabela 3. Em relação à comparação dos escores médios das dimensões genéricas do KDQOL-SF atribuídos pelos pacientes nas avaliações antes e após a intervenção, foi encontrada significância estatística para: capacidade funcional (p=0,011), dor (p=0,036), estado geral de saúde (p=0,01), vitalidade (p=0,004) e saúde mental (p=0,012). Já nas dimensões específicas, foi encontrada significância estatística para lista de sintomas e problemas (p=0,01) e saúde global (p=0,01).

Tabela 3 Comparação entre os escores nas dimensões de qualidade de vida (KDQOL-SF) dos pacientes em pré e pós-intervenção musicoterapêutica 

Dimensões (número de itens) Momento 1 Momento 2 p
Genéricas
Capacidade Fucnional 60.0 ± 24.77 66.0 ± 23.6 0.011
Aspectos Físicos* 50 (25; 100) 75 (25; 100) 0.497
Dor 65.6 ± 25.7 78.2 ± 23.9 0.036
Estado Geral de Saúde 54.3 ± 27.3 68.0 ± 24.9 0.010
Vitalidade 63.0 ± 21.6 73.2 ± 20.1 0.004
Aspectos Sociais* 75 (53; 100) 87 (75; 96) 0.208
Aspectos Emocionais 78.2 ± 31.1 81.1 ± 33.0 0.732
Saúde Mental 64.5 ± 24.5 76.8 ± 20.1 0.012
Específicas
Lista de sintomas e problemas 80.6 ± 12.6 85.6 ± 11.6 0.010
Efeitos da Doença Renal 72.4 ± 16.3 77.1 ± 19.4 0.064
Sobrecarga da Doença Renal 46.4 ± 29.7 54.3 ± 34.3 0.197
Papel Profissional* 0 (0; 0) 0 (0; 37.5) 1.0
Função Cognitiva 79.4 ± 18.8 85.5 ± 15.6 0.130
Qualidade de interação Social 75.9 ± 23.5 76.2 ± 20.9 0.941
Função Sexual** 90.9 ± 11.3 92.7 ± 14.1 0.569
Sono 67.8 ± 19.0 70.3 ± 18.8 0.373
Apoio Social* 100 (67; 100) 100 (87; 100) 0.339
Estímulo da Equipe de Diálise 86.4 ± 18.0 86.9 ± 22.4 0.915
Saúde Global* 70 (50; 80) 80 (62; 82) 0.010
Satisfação do Paciente 66.6 ± 15.8 67.5 ± 14.4 0.815

Momento 1: pré-intervenção musicoterapêutica; Momento 2: pós-intervenção musicoterapêutica.

*Wilcoxon Test;

**Função sexual: 12 pacientes sexualmente ativos no Momento 1 e 13 pacientes sexualmente ativos no Momento 2.

Considerando-se que podem ocorrer diferenças de gênero quanto às variáveis estudadas - QV e sintomas de depressão -, esses resultados foram comparados, não se obtendo diferença significativa entre homens e mulheres em nenhuma das variáveis avaliadas.

Quanto às correlações entre os dados obtidos por meio do BDI-II e do KDQOL-SF, as quais estão apresentadas na Tabela 4, é importante notar que, nos dados obtidos no Momento 1 do estudo, os escores de sintomas de depressão - BDI-II, enquanto variável contínua - correlacionaram-se negativamente com diversas dimensões de QV, tanto genéricas quanto específicas, podendo-se destacar correlações com estado geral de saúde (r = -0,664; p=0,001), aspectos sociais (r = -0,611; p=0,002) e saúde mental (r = -0,619; p=0,002).

Tabela 4 Correlações entre BDI-II e dimensões de QV genéricas (SF-36) e específicas 

BDI-II CF AF DOR EGS VIT AS AE SM
BDI-II r -0.324 -0.408 -0.486 -0.664 -0.512 -0.611 0.077 -0.619
p 0.131 0.053 0.019 0.001 0.012 0.002 0.729 0.002
LSP r -0.573 0.432 0.447 0.602 0.688 0.696 0.678 -0.059 0.591
p 0.004 0.040 0.032 0.002 0.000 0.000 0.000 0.788 0.003
EDR r -0.621 0.368 0.219 0.468 0.640 0.574 0.595 0.210 0.581
p 0.002 0.084 0.316 0.024 0.001 0.004 0.003 0.336 0.004
SDR r -0.455 0.341 0.464 0.289 0.329 0.616 0.239 -0.035 0.375
p 0.029 0.112 0.026 0.181 0.126 0.002 0.272 0.872 0.078
PP r -0.306 0.085 -0.048 0.061 0.227 0.181 0.110 0.262 0.400
p 0.155 0.700 0.829 0.783 0.297 0.408 0.617 0.227 0.059
FC r -0.415 0.232 0.355 0.668 0.449 0.571 0.520 0.213 0.544
p 0.045 0.287 0.096 0.000 0.032 0.004 0.011 0.330 0.007
QSI r -0.473 0.337 0.469 0.390 0.591 0.713 0.626 0.177 0.790
p 0.023 0.116 0.024 0.066 0.003 0.000 0.001 0.419 0.000
FSX r -0.524 0.154 0.254 0.245 0.411 0.670 0.678 0.099 0.609
p 0.080 0.632 0.426 0.444 0.184 0.017 0.015 0.759 0.036
SON r -0.525 0.039 0.299 0.275 0.247 0.439 0.316 -0.153 0.292
p 0.010 0.861 0.166 0.204 0.255 0.036 0.142 0.484 0.76
APS r -0.509 0.197 0.495 0.342 0.487 0.541 0.692 0.002 0.696
p 0.013 0.367 0.016 0.110 0.018 0.008 0.000 0.992 0.000
EEQ r -0.208 0.140 -0.074 0.084 0.275 0.147 0.082 -0.146 0.155
p 0.342 0.523 0.737 0.704 0.205 0.504 0.708 0.505 0.481
SG r -0.392 0.331 0.267 0.204 0.466 0.576 0.529 0.038 0.552
p 0.064 0.123 0.218 0.351 0.025 0.004 0.009 0.863 0.006
SP r -0.594 0.096 0.065 0.111 0.463 0.341 0.567 0.051 0.403
p 0.003 0.662 0.767 0.614 0.026 0.111 0.005 0.817 0.056

BDI-II: Inventário de Depressão de Beck. Abreviações das dimensões genéricas de qualidade de vida: CF = capacidade funcional; AF = aspectos físicos; DOR = dor; EGS = estado geral de saúde; VIT = vitalidade; AS = aspectos sociais; AE = aspectos emocionais; SM = saúde mental. Abreviações das dimensões específicas de qualidade de vida: LSP = Lista de sintomas e problemas; EDR = efeitos da doença renal; SDR = sobrecarga da doença renal; PP = papel profissional; FC = função cognitiva; QIS = qualidade de interação social; FSX = função sexual; SON = sono; APS = apoio social; EEQ = estímulo da equipe; SG = saúde global; SP = satisfação do paciente.

Foram igualmente observadas correlações entre as dimensões genéricas de QV com as variáveis idade e tempo de tratamento. No que se refere à variável idade, observa-se que esta se correlacionou negativamente com a dimensão capacidade funcional (r = - 0,450; p=0,031). O tempo de tratamento se correlacionou negativamente com as dimensões genéricas de estado geral de saúde (r = -0563; p=0,005), vitalidade (r = -0563; p=0,005) e saúde mental (r = - 0,548; p=0,007).

Com relação às dimensões específicas de QV, observa-se que a variável idade se correlacionou negativamente com a função sexual (r = -0,719; p=0,008) e o tempo de tratamento se correlacionou negativamente com a função cognitiva (r = -0,413; p=0,050) e qualidade de interação social (r = -0,487; p=0,018).

DISCUSSÃO

Os resultados deste estudo apontam que a musicoterapia tem efeito benéfico na redução dos sintomas depressivos e na melhora da QV da população estudada. Para nosso conhecimento, este constitui-se o primeiro estudo a avaliar o efeito da musicoterapia na QV e sintomas de depressão de pacientes em HD. Evidenciou-se que a musicoterapia proporcionou diferenças significantes entre os momentos pré e pós-intervenção, melhorando a QV e reduzindo a intensidade dos sintomas depressivos dos pacientes. Há evidências na literatura sobre a necessidade de intervir e promover transformações no cotidiano desses pacientes, com o intuito de melhorar sua QV, sendo a musicoterapia uma opção.9,14

Quanto à depressão, verificou-se neste estudo que a prevalência de sintomas depressivos no Momento 1 foi de 60,8%. Esses índices foram superiores aos de estudos similares da literatura, que detectaram prevalência de sintomas depressivos de 42,7%29 e de 33,3%.30 Ambos os estudos são brasileiros e também utilizaram para avaliação dos sintomas de depressão o Inventário de Depressão de Beck (BDI). Os altos índices de sintomas depressivos encontrados neste estudo revelam uma realidade preocupante, especialmente ao se considerar que os pacientes não incluídos no estudo por já apresentarem transtornos, incluindo depressão, além dos que se recusaram a participar, poderiam aumentar ainda mais essa prevalência. Devido à maior gravidade de seu quadro clínico, pacientes em HD são mais propensos a ter depressão. Sintomas de depressão em pacientes com DRC terminal devem ser diagnosticados e tratados, visto que esses pacientes são significativamente mais propensos a cometer suicídio do que pessoas da população em geral.31

Quando comparados os sintomas de depressão da amostra estudada, antes e após a intervenção, confirma-se a hipótese que norteou o presente estudo, de que sessões de musicoterapia melhoram os sintomas de depressão desses pacientes. Os benefícios da musicoterapia no tratamento da depressão não ocorrem ao acaso. O agente da alteração dos sintomas depressivos está no "fazer ativo" que ocorre na relação terapêutica existente entre musicoterapeuta e paciente, ou seja, tocar instrumentos musicais e cantar junto com o musicoterapeuta é importante para muitos pacientes.32 Essa deve ser a razão de os ensaios randomizados de musicoterapia mostrarem altos níveis de envolvimento com grupos de pacientes tradicionalmente difíceis de se envolver.22,32

No presente estudo, os participantes apresentavam comprometimento do estado de saúde evidenciado pela baixa pontuação em alguns domínios de QV. Com relação às dimensões genéricas (SF-36), as que apresentaram pior escore no Momento 1 do estudo são as dimensões relacionadas aos aspectos físicos, corroborando dados da literatura.9 No que se refere à avaliação das dimensões específicas de QV, neste estudo, as mais comprometidas foram as relacionadas à sobrecarga da doença renal e ao papel profissional, evidenciando consonância com dados já existentes.33-35 Com relação ao baixo escore obtido no papel profissional, foi observado que uma parcela significativa da amostra estudada (43,4%) não era aposentada e dependia do benefício social do auxílio doença para sobreviver.

Quando comparados os resultados obtidos nos Momentos 1 e 2 neste estudo, observa-se que os participantes tiveram melhora estatisticamente significativa tanto em dimensões genéricas de QV quanto em dimensões específicas da DRC. A melhora na QV em todas essas dimensões pode residir no caráter lúdico da música, na participação ativa promovida pela produção de ritmos e melodias e na integração em grupo que ocorre nas sessões de musicoterapia. Um estudo realizado no norte de Taiwan evidenciou que ouvir música durante a HD pode promover o bem-estar geral do paciente. Portanto, a utilização da música pode servir como um tratamento complementar.36 Além disso, a troca e o compartilhamento de experiências entre os pacientes da HD pode levar ao estabelecimento de vínculos positivos entre eles e, consequentemente, auxiliar no enfrentamento da rotina de tratamento.

Ao se correlacionar as dimensões genéricas (SF-36) e específicas de QV (KDQOL-SF), foi possível constatar que a lista de sintomas e problemas e sobrecarga da doença renal afetam substancialmente a QV dos pacientes. Pacientes com DRC precisam de suporte psicológico e emocional, dado o impacto que a doença tem na QV.35 No que se refere às correlações negativas existentes entre os resultados do BDI-II com diversas dimensões de QV, há evidências na literatura de que sintomas de depressão e as dimensões de QV apresentam relação linear inversa.33

A principal limitação do presente trabalho é a falta de um grupo controle, cuja formação não foi possível porque as sessões ocorreram em todos os turnos de HD e, mesmo que indiretamente, pacientes que não participaram da intervenção poderiam ter apresentado algum efeito, pois ouviram a produção sonoro-musical dos atendimentos. Outra limitação refere-se aos instrumentos utilizados. Ressalta-se que o BDI-II, apesar de ser um instrumento padrão ouro para identificação de sintomas de depressão, não é um instrumento específico para pacientes em HD. Com relação ao KDQOL-SF, apesar de ser um instrumento de QV específico para a população em HD, sua avaliação é subjetiva. Sendo assim, sugere-se a realização de outras pesquisas com estes e outros instrumentos, visando a maiores esclarecimentos sobre os resultados encontrados.

Em virtude dos resultados positivos alcançados neste estudo, destaca-se a importância de pesquisas similares serem realizadas com maior número de participantes e maior tempo destinado à intervenção musicoterapêutica, e com a utilização de grupo controle. Quanto aos pontos fortes encontrados no presente estudo, destaca-se o fato de ser um trabalho pioneiro, visto que em nenhum outro, até o momento, foi avaliado, simultaneamente, o efeito da musicoterapia na QV e nos sintomas de depressão de pacientes em HD. Destaca-se ainda que, a despeito dos cuidados e restrições necessários no contexto da HD, foi possível utilizar a musicoterapia com grande participação dos pacientes, sem nenhum contratempo ou qualquer prejuízo, tal como ressaltado pelos participantes e equipe de saúde.

Com base nos dados do Censo da Sociedade Brasileira de Nefrologia, os quais mostram que, em 2016, cerca de 122.825 pacientes estavam em tratamento dialítico, constata-se a necessidade crescente de avaliar fatores emocionais e de QV, visando empreender ações para minimizar aspectos que possam interferir na rotina, no tratamento e na adesão do paciente a ele.

AGRADECIMENTO

Este trabalho teve o apoio da Coordenação de Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES).

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Recebido: 08 de Janeiro de 2018; Aceito: 09 de Julho de 2018

Correspondência para: Paula de Marchi Scarpin Hagemann. E-mail: pmscarpin@gmail.com

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