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Revista de Economia Política

Print version ISSN 0101-3157

Rev. Econ. Polit. vol.25 no.4 São Paulo Oct./Dec. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-31572005000400011 

RESENHAS

 

Paula Passanezi

Doutora em Economia de Empresas, FGV-EAESP

 

 

Economia internacional – teoria e experiência brasileira
Renato Baumann, Otaviano Canuto e Reinaldo Gonçalves
Rio de Janeiro: Editora Campus, 2004

O livro "Economia Internacional- Teoria e Experiência Brasileira" é o resultado da experiência de três renomados professores — Renato Baumann, Otaviano Canuto e Reinaldo Gonçalves – que por muitos anos ministraram a disciplina de Economia Internacional.

A obra traz não somente o corolário tradicional exigido nos corriqueiros cursos de Economia Internacional — capítulos que discorrem sobre as principais teorias de comércio internacional, a estrutura do Balanço de Pagamentos, os regimes cambiais, etc. —, como também aborda uma série de outros temas inerentes à área.

Assuntos que até então haviam sido tratados basicamente em textos acadêmicos encontram-se condensados em uma única obra com discussões extremamente atuais e correlacionadas à economia brasileira, tais como a integração regional, os efeitos do crescimento econômico no comércio internacional, a teoria do investimento internacional e a globalização.

Como mostram os autores, "O elemento básico de análise da Economia Internacional é um determinado espaço geográfico e suas relações com o resto do mundo." (p.1) A proposta é apresentar ao leitor uma análise das transações entre agentes econômicos residentes dentro de um espaço geográfico e suas contrapartes não-residentes no mesmo espaço, tendo como pano de fundo a economia brasileira. O entendimento das relações econômicas internacionais brasileiras se insere numa perspectiva histórica cuja análise é bastante acurada e relacionada a cada tema do livro.

Os primeiros capítulos discorrem sobre o objeto da Economia Internacional e as principais teorias de comércio internacional capitaneadas por Adam Smith e Ricardo, com a teoria das vantagens comparativas.

Após exposição didática acerca dos fatores que levam à ocorrência do comércio entre as nações à luz da teoria clássica de comércio internacional, dois capítulos são dedicados à discussão dos efeitos das economias de escala e dos níveis de proteção no fluxo de comércio entre nações. As economias de escala estão associadas à existência de retornos não-constantes de escala, podendo originar-se tanto na seio da firma quanto fora desta, ou ainda na seara internacional. Os níveis de proteção também têm uma repercussão direta no fluxo de comércio internacional. Dependendo do grau e do "tipo de proteção"— quantitativo, valor ou qualitativo —, as nações podem se sentir compelidas à produção de determinados bens e serviços.

A partir dessa discussão acerca dos fatores determinantes do fluxo de comércio internacional, os próximos cinco capítulos (Capítulo 5 ao 9) são dedicados a questões relacionadas aos efeitos do crescimento econômico na performance econômica externa das nações, assim como ao papel da integração regional em seus diversos níveis. O capítulo 7 apresenta, dentro de uma perspectiva histórica, a origem dos principais organismos internacionais de regulação do comércio internacional, GATT e OMC, e a sua atuação recente em casos considerados controversos na OMC, como, por exemplo, o caso dos produtos têxteis asiáticos e a definição dos subsídios agrícolas na Europa. Após essa incursão histórica, os autores dedicam um capítulo exclusivo à evolução do comércio internacional do país e principais pontos da política externa nos últimos vinte anos, assim como sua relação com os organismos internacionais, GATT e OMC. O processo de abertura comercial ocorrido na década de 90 e a evolução das tarifas de importação são discutidos avidamente, inclusive a recente experiência de integração regional – Brasil e América Latina.

Segue então uma análise do fluxo internacional de capitais (Capítulo 9 ao 12) propriamente dito. As discussões perpassam a importância destes no equilíbrio das contas externas do país e os efeitos perversos de cenários voláteis em economias dependentes de recursos internacionais como a nossa. A globalização financeira e produtiva é discutida com bastante propriedade, bem como os efeitos no fluxo de capitais brasileiro em experiência recente.

A análise e discussão de uma série de tópicos apresentados anteriormente estão fundamentadas teoricamente em uma concisa exposição sobre a estrutura de Balanço de Pagamentos e principais modelos de macroeconomia aberta, com destaque para os modelos Mundell-Fleming e IS-LM com BP (ver capítulos 13 e 14). A interpretação dos efeitos dos diversos regimes cambiais no Balanço de Pagamentos, a problemática do contágio e a crise de volatilidade também são discutidas nos capítulos 15 e 16.

Por fim, nos capítulos 17 a 19 do livro-texto é apresentada uma exposição detalhada da origem dos sistemas monetários internacionais, desde o Padrão-Ouro até a experiência recente de unificação monetária européia. Nestes capítulos, os autores fazem uma retrospectiva histórica dos principais problemas e dificuldades encontrados no âmbito internacional no que diz respeito à unificação e adoção de um padrão único monetário internacional. O capítulo 19 mostra com exclusividade a relação do Brasil com o Padrão-Ouro e quais as expectativas em torno da unificação da moeda na Europa e seus possíveis efeitos nas transações comerciais com o Brasil. Tal discussão é bastante atual e pertinente para o momento vivido pelo país e por outras economias semelhantes à nossa.

A leitura da referida obra é recomendada não somente para alunos de cursos de graduação e de pós-graduação em Economia, conforme mencionado no início do texto, mas sobretudo a profissionais do mercado de trabalho que lidam constantemente com questões relativas a finanças internacionais e à dinâmica do comércio exterior e suas relações como um todo.

Na verdade, trata-se de uma obra completa e de qualidade, totalmente alinhada e correlacionada ao caso da economia brasileira, composta ainda por uma seleta bibliografia, a que o leitor pode ter acesso ao final de cada capítulo da obra.