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Brazilian Journal of Political Economy

versão impressa ISSN 0101-3157versão On-line ISSN 1809-4538

Rev. Econ. Polit. v.28 n.4 São Paulo out./dez. 2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-31572008000400010 

RESENHAS

 

 

Ensaios de história do pensamento econômico no Brasil contemporâneo
Tamás Szmrecsányi e Francisco da Silva Coelho (orgs.)
São Paulo: Atlas, 2007

O livro Ensaios de história do pensamento econômico no Brasil contemporâneo foi organizado por Tamás Szmrecsányi, professor da unicamp, e Francisco da Silva Coelho, funcionário do Banco Central do Brasil, professor da FIPEUSP e presidente da Ordem dos Economistas do Brasil. A origem do livro se deu a mais de sete anos quando o professor Alfredo Bosi, do Instituto de Estudos Avançados da universidade de São Paulo (IEA/USP), propôs a elaboração de um dossiê que tratasse o pensamento econômico no Brasil. A idéia avançou pelas vias da finalidade cultural e de utilidade pública da Ordem dos Economistas do Brasil que, juntamente com a editora Atlas contou com a participação de 35 autores e a redação de 32 capítulos desenvolvidos por um único objetivo: contribuir com a identidade da ciência econômica no Brasil.

O aspecto central e que caracteriza a obra é a metodologia da economia que valida a ciência econômica enquanto suas origens em aspectos sociais, quantitativos e as correntes mais recentes e inovadoras da fronteira do conhecimento da economia.

Diante de sua finalidade o livro é dividido em quatro partes. A primeira, denominada Correntes Teóricas, trata a interpretação da ciência econômica no âmbito do Brasil desde os estudos das teorias ortodoxa neoclássica, marxista, neo-estruturalista, keynesiana e da Cepal. Os capítulos apresentam as referências de textos acadêmicos que trataram as interpretações destas metodologias mediante a evolução da economia brasileira do século XX. Assim resgataram a difusão da teoria neoclássica no Brasil, o chamado marxismo econômico brasileiro, a teoria do subdesenvolvimento elaborada pela Cepal e sua influência tanto na política econômica como entre os empresários industriais e no meio acadêmico. E o capítulo quatro apresenta uma comparação das propostas dos neo-estruturalistas da PUC-RJ e dos keynesianos da Unicamp mediante a análise do regime da inflação brasileira e a discussão das políticas de estabilização e segundo as reformas estruturais necessárias para a abertura da economia brasileira e sua inserção no processo de globalização.

A segunda parte, denominada Temas em Debate, contém considerações aos temas da macroeconomia brasileira contemporânea. Trata as variáveis macroeconômicas como moeda e o crédito e sua influência no processo de industrialização. As questões regionais são apresentadas quanto aos reflexos nas diferenças regionais que destacam os graus de crescimento e desenvolvimento econômico distintos nas regiões brasileiras, implicando as condições sociais, as tentativas de desconcentração industrial, o trabalho e a desigualdade. Considerações ao setor agropecuário são feitas acerca da sua modernização bem como a questão agrária. O papel do Estado na economia é tratado no âmbito dos seus custos, do controle da inflação e das conseqüentes perdas salariais. Todos os temas são inter-relacionados e descrevem claramente a economia brasileira em seu cenário da formação e das características atuais.

A terceira parte, Canais Institucionais, faz consideração aos grandes centros de estudos econômicos brasileiros e suas influências na política econômica dos vários governos brasileiros.

E por fim a quarta parte, Figuras Representativas, tem cada capítulo destinado aos economistas de maior relevância e contribuição ao pensamento econômico brasileiro. São os que acadêmica e publicamente trataram os grandes temas da economia do século XX como a macroeconomia (câmbio, juros e inflação), o crescimento e o desenvolvimento econômico díspares nas regiões do país.

Os objetivos do projeto foram plenamente atingidos, e assim o livro vem a ser a mais recente contribuição para a coletânea de informações sobre o pensamento econômico brasileiro, tornando-se leitura de referência aos profissionais economistas atuais e das próximas gerações. Esta obra abre caminho para a compreensão das várias tendências da economia brasileira, as quais devem ser de conhecimento dos economistas da atualidade por tratar dos temas de relevância e relação aos destinos da economia do Brasil. E por tratar dos fatos que marcaram o crescimento e o desenvolvimento da economia brasileira, caracteriza-se como referência da história da ciência econômica no Brasil.

 

Celina Martins Ramalho
Escola de Administração de Empresas
de São Paulo da Fundação Getulio Vargas

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