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Cadernos CEDES

Print version ISSN 0101-3262

Cad. CEDES vol. 18 n. 42 Campinas Aug. 1997

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-32621997000100003 

O que eles se tornarão? Os efeitos sociais da câmera*

Gabriel Balazs e Jean-Pierre Faguer **

 

 

RESUMO: Quais são, para as pessoas comuns, representantes de grupos sem porta-voz oficial como os jovens, os desempregados, os pobres etc., os efeitos da passagem pela televisão? A análise da série televisiva "O que eles se tornarão?", que acompanha desde 1984 os alunos de uma classe atualmente na 5ª série de uma escola parisiense, permitiu observar como a televisão provoca transformações nos corpos, na apresentação de si e mesmo na orientação escolar e profissional destas celebridades anônimas.

Palavras-chave: escola, jovens, televisão, família, sociedade.

 

 

Que deviendront-ils?I é um exemplo de programa de televisão que se inscreve na área da Sociologia: desde 1983, a câmera mostra, ano após ano, o que se tornam os antigos alunos de uma classe de 5ª série escolhidos num colégio do XIIe arrondissementII de Paris "porque, como declarou o realizador, não se tratava dos alunos do Henri IV, colégio de elite, localizado no Quartier Latin, nem dos alunos de Barbès, bairro popular de imigrantes". "Prolongar o instante" de uma foto de classe (como estava esclarecido no texto de acompanhamento do primeiro programa), este projeto, aparentemente único e difícil de classificar1, que, no outono de 1990, se encontrava no sétimo episódio de uma série prevista para durar dez anos, oferece a oportunidade de analisar os efeitos contraditórios de um procedimento ao mesmo tempo "científico" (uma metodologia da "imagem" que pode ter seu lugar, entre outros, na sociologia da educação) e "interativo" (um meio de interferir no futuro das crianças entrevistadas).

Este "documentário-novela" que pretende dar conta da "vida real" sob a forma de um gênero ordinariamente reservado à ficção2, tem o mesmo objetivo que aquele de todas as pesquisas de "acompanhamento" de uma turma de alunos: o de reconstituir a trajetória de cada aluno, isto é, as mudanças de classe ou orientação escolar, depois as circunstâncias de entrada na vida profissional e, de modo mais amplo, na vida adulta. Mas, desde o início, acrescenta-se a este fato o que se pode denominar de o efeito da câmera, que mostra o que escapa a todo questionário e também a qualquer entrevista aprofundada e, evidentemente, ao olhar dos professores: a vida fora da sala de aula. A câmera é instalada no interior da casa dos alunos e permite que sejam observadas as condições de vida, de moradia, os lazeres, os efeitos da atividade profissional dos pais sobre a vida da família (e, portanto, indiretamente, sobre as chances de sucesso escolar), bem como sobre a atitude que eles têm, em casa, a respeito de seus filhos. Em todo caso, o que constitui o principal interesse do programa é que ele se realiza "ao vivo": contrariamente às pesquisas retrospectivas, os realizadores aceitam submeter-se às imposições de um futuro ainda indeterminado e que se define progressivamente conforme o ritmo do calendário escolar. A televisão coloca em cena atores "reais", isto é, pessoas comuns que vivem "em contato direto" com acontecimentos, cuja influência sobre o futuro permanece, ainda em grande parte, indeterminada. Pela utilização de flash-back emprestado dos programas anteriores, ela permite comparar não somente as "tomadas de posições" sobre o futuro (que neste caso não são reconstituições a posteriori como nas "histórias de vida"), mas também a transformação dos corpos e, sobretudo, a apropriação progressiva pelos entrevistados, no decurso dos anos, das técnicas sociais de apresentação de si. Desse ponto de vista, um tal uso da televisão pode parecer como um trabalho coletivo sobre a identidade. A foto de classe "em movimento" permite aos alunos compararem-se, auto-avaliarem-se (a pergunta O que eles se tornarão? é inseparável da questão O que eu vou ser quando crescer?), terem, a cada ano, uma representação de sua própria posição em relação tanto a seus colegas de classe, quanto em relação a seu grupo social. Este programa permite, por exemplo, a cada um dos alunos, ver os estudantes de outras categorias sociais na "intimidade" de sua vida extra-escolar. Tornando pública uma parte da vida privada, a televisão torna possível uma tomada de consciência mais clara e precoce do universo dos possíveis. Esta ruptura com a visão unicamente escolar de sua vida contribui para modificar, para cada um dos protagonistas do programa, o que ele teria sido, na classe ou em sua família, sem a intervenção da câmera. O programa é um ponto de referência para os alunos, mas também para seus professores e pais, e contribui para transformar o sistema de percepção e apresentação de si.

Diferentemente de uma pesquisa por questionário, a pesquisa televisiva mobiliza o interesse dos entrevistados de maneira excepcional. O interesse em responder, medido pelo índice de respostas3, é particularmente elevado para a televisão enquanto diminui para as pesquisas feitas por entrevistador e, sobretudo, por via postal4. Ser "visto na televisão", mesmo se é o propósito principal, não é o único: o realizador torna-se, para algumas crianças, um "substituto" dos pais, capaz de agir sobre as escolhas escolares, sobre o encontro de novos amigos, sobre a redefinição da identidade. Pais, professores, especialistas da educação ou do trabalho social escrevem para o realizador e propõem intervir sobre a orientação das crianças. Com o tempo, a televisão será a oportunidade, para algumas delas, de fazerem amigos entre os membros da equipe de filmagem e mesmo entre os telespectadores5. A fronteira que separa a história contada na TV e o público acaba, em certas ocasiões, por ser ultrapassada. O poder de mostrar que a televisão detém conduz, como nos programas que recorrem diretamente aos sentimentos e à generosidade do público, a recusar o inaceitável: o público, confrontado com destinos que se realizam sob seus olhos, é conduzido a participar deles. E sem que o realizador o perceba, a câmera também mostra, inseparavelmente, o objeto (os entrevistados na escola, com seus colegas, em família, em férias etc.) e a relação particular do realizador e das duas entrevistadoras com os entrevistados: a acolhida diferente das famílias em relação à intervenção da câmera em suas vidas particulares, por meio da transformação de sua relação com os responsáveis pelo projeto. Diferentemente das pesquisas por questionário e, sobretudo, das pesquisas "participantes" que tendem a fazer desaparecer os efeitos específicos de imposição inerentes a toda pesquisa, a televisão permite, ao menos no caso em que a entrevista é periódica, compreender a duração, os traços de um efeito de instituição que se pode provisoriamente definir como "rito de passagem à televisão". A televisão é, nesse caso, inseparavelmente, um "documentário" e o equivalente de um caderno de campo no qual sociólogos ou etnólogos esforçam-se para explicar os obstáculos sociais que se opõem à objetivação de sua relação com a pesquisa.

 

Um painel dos alunos filmados

Que deviendront-ils? coloca a questão sobre o futuro de classe (no sentido de classe social) por intermédio do futuro dos membros de uma mesma classe (no sentido escolar). No caso em que um sociólogo, provavelmente, teria escolhido comparar alunos pertencentes a classes e estabelecimentos diferentes, de maneira a poder controlar este primeiro efeito da Escola sobre o destino social que, na entrada do ensino secundário, implica a "escolha" de um estabelecimento que constitui de imediato uma pré-seleção social6, os responsáveis deste projeto preferiram, talvez para melhor "estilizar" a demonstração, limitar a pesquisa ao tamanho de um grupo escolar menor, mais real, enfim, mais telegênico, isto é, que produz um bom efeito televisivo.

Sete alunos, representativos de grupos sociais diferentes, vão aparecer no decorrer dos diferentes programas. Florent, filho de um engenheiro da Schlumberger e de uma diretora de Centro de Lazer. Franck: seu pai é fotógrafo nos Arquivos nacionais; sua mãe, comediante, também dá aulas de alongamento. Sandrine, cujos pais são proprietários de uma loja de confecções. Ingrid, o pai é cozinheiro, a mãe, inativa. Jerôme, o padrasto é demonstrador de eletrodomésticos e a mãe, funcionária da France Telecom.III Philippe: o pai é funcionário do Tri-postal,IV na estação de Lyon e a mãe é dona-de-casa. Finalmente, Valérie: ela não conhece seu pai; sua mãe é faxineira numa loja de departamentos e, depois, numa repartição pública. (Quadro 1)

O colégio escolhido para o programa é um estabelecimento no qual, segundo as estatísticas do Ministério da Educação Nacional, os funcionários superiores e profissionais liberais, bem como os profissionais intermediários, estão sensivelmente super-representados em relação aos outros estabelecimentos parisienses do primeiro ciclo (Quadro 2), mas no qual, em contrapartida, os professores e membros das profissões intelectuais são menos numerosos que nos estabelecimentos do Quartier Latin; nenhum aluno do colégio oriundo deste meio figura no programa.

 

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* N.T.: SNCF — Société Nationale des Chemins de fer Français.

 

 

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Valérie e Philippe, escolhidos para representar as classes populares, pertencem a categorias limítrofes, mais próximas das dos funcionários que das dos operários, efeito que pode ser atribuído à especificidade atual das classes populares parisienses. Eles são ainda mais receptivos à influência cultural das classes médias pelo fato de estarem cercados, na escola — mesmo não sendo um colégio "burguês" — principalmente por crianças que têm outra origem social.

Uma série de cenas filmadas em família, com colegas, durante seu tempo livre e mesmo durante as férias, permite obter informações complementares sobre sua posição social. Conhecemos, por exemplo, o conjunto de suas práticas culturais durante seus dois primeiros anos de estudos secundários (Quadro 3). Florent é filmado com seu professor durante o curso de saxofone, que freqüenta no conservatório de seu bairro, depois iniciando-se na gravura sobre metal.

 

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Vêmo-lo igualmente em aula, "excelente aluno", e em casa, com sua irmã menor, depois auxiliado pelo pai em seu trabalho escolar. Franck, filho único, joga tênis todos os dias, desde os 4 anos: ele deseja ser campeão. É filmado durante o treino. Durante uma refeição familiar, seus pais, vegetarianos, apresentam-se como militantes ecológicos. Philippe é filmado em seu quarto cercado de jogos lego, de maquetes e livros. Ele diz que, na escola, "no começo deu certo, depois foi tudo para o buraco"; ele tem direito "a um reforço pedagógico". Sandrine, na cozinha, prepara o almoço para seu irmão e um colega; no telefone, ela comenta um texto em inglês com um colega de classe. Vemos Valérie no quarto que ela divide com sua mãe, no andar térreo de um prédio; ao lado dela, o gato e o aparelho de televisão. Ela faz perguntas à sua mãe sobre seu pai. Sua mãe não responde. Valérie sofreu um acidente no olho no momento de seu nascimento.

Cenas de verão: de férias em Brière, região de onde a família é originária, Philippe vai pescar com seu pai que lhe conta a história de um tio operário. Sandrine está num hotel de Sainte-Maxime, depois na praia, na piscina, à noite na boate 7.

O segundo programa acaba no outono, no momento da volta às aulas, na 7ª série. Primeiro veredicto escolar: somente 15 alunos dentre os 25 que estavam presentes na foto da classe ainda estão juntos. Philippe é "orientado" para uma outra 6ª série e Valérie repete a 5ª série numa instituição privada para moças na periferia.

O sétimo programa difundido na volta às aulas de 1990 8 permitirá fazer um balanço escolar para o conjunto dos alunos escolhidos: Florent e Franck são estudantes. Não se sabe nada sobre Sandrine, cujos pais, ao que consta, recusaram-se, após os dois primeiros anos, a continuar a experiência. Jerôme aparece a partir do terceiro programa. Educado por sua mãe e seu padrasto, ele tem um irmão um pouco mais novo; é filmado na casa de sua avó, no Leste da França (aulas de piano, serviço religioso). Sabemos que ele tem dificuldades escolares. No sétimo programa, seremos informados de que ele repete seu terceiro colegial e que ele trabalha, no verão, em uma repartição pública. No quinto programa, conhecemos Ingrid. Ela é filmada em casa com seus irmãos e irmãs. Ela não tem um quarto só para si, assiste à televisão fazendo suas tarefas escolares, ao mesmo tempo em que discute com seus irmãos. Em 1988, ela passa no bac francês, mas, do mesmo modo que Jerôme, no ano seguinte, ela deve repetir seu 3º colegial. Philippe, que terminou um CAP de ebanistaV no ano em que seus antigos colegas de 5ª série prestavam o exame do bac, trabalha em uma pequena empresa artesanal; Valérie, que abandonou a escola faz, "pequenos trabalhos", "bicos". Assim, de maneira quase caricatural, os dois alunos pertencentes às classes superiores terminaram seus estudos secundários "no tempo previsto"; os alunos originários das classes médias, cujos pais não tinham o colegial completo, enfrentaram a reprovação; enfim, os únicos representantes das classes populares foram "orientados" para o ensino profissional ou abandonaram seus estudos.

 

Como a televisão transforma seu objeto

As condições sociais que tornam possível um projeto tão diferente das normas ordinárias da produção televisiva são contraditórias. De uma parte, o projeto implica a manutenção de relações duráveis com as crianças e suas famílias a fim de poder entrevistá-las a cada ano. De outra parte, o futuro do programa depende também das críticas da imprensa especializada, de representantes qualificados da "opinião pública", cuja importância é ainda mais determinante na medida em que o projeto foi durante muito tempo recusado pelos produtores 9. Esta dupla pressão implica qualidades opostas que, para ser mantidas em conjunto, exigem um trabalho contínuo, sempre questionado, para estabelecer elos duráveis com aqueles que "fazem" o programa. A primeira pressão implica um compromisso a respeito da "amostra interrogada" (comparável aos "laços de confiança" que professores, médicos, assistentes sociais, pais podem estabelecer) e, nisto, ela se opõe à prática mais corrente da profissão de repórter (pesquisa de scoop,VI intervenção da câmera baseada na estratégia "queima-roupa"). A segunda pressão, trata-se da imposição de pessoas "apresentáveis" segundo as exigências da mídia. O trabalho de manutenção dos laços de amizade 10 revela a importância do trabalho social realizado por esta "família de substituição" que constitui, neste caso, a equipe de televisão, ao mesmo tempo em que tal trabalho revela as condições de representação das classes populares na televisão. Indivíduos representativos de uma classe tendem a se tornar "personagens" com os quais o público se identifica e cujo destino gostaria de mudar.

Um dos interesses desta experiência é o de mostrar qual uso as famílias fazem da televisão em sua intimidade. Sem ser o tema central, a câmera, graças aos laços estabelecidos entre a equipe de filmagem e as famílias, encontrou-se, freqüentemente, onde todos os audiômetros fracassam: nos lugares (quarto, sala, cozinha) e nas horas (voltando da escola, à tardinha, à noite) em que as crianças assistiam à televisão. A câmera filma, igualmente, como eles assistem a ela (sozinhos, em família, brincando, fazendo a tarefa escolar). A televisão permite, assim, observar vários usos da televisão que remetem a vários tipos de relações familiares (as formas de assistir à televisão são mais ou menos coletivas, e a atitude mais ou menos séria ou lúdica), indicadores da mesma quantidade de relações com o mundo da escola.

Para Valérie, a televisão foi, ao menos até o final de sua infância, a única "companheira"; ela substituía, ao mesmo tempo, os colegas, a escola, a família. No primeiro programa, vêmo-la, no quarto que ela divide com sua mãe, diante do aparelho de televisão, ligado, ao lado de sua mãe adormecida. Depois de sua mudança para a periferia, Valérie, sentada no chão, come uma fatia de presunto, assistindo a um programa de rock.

Na casa de Franck, a televisão é onipresente 11. Ela é um equipamento polivalente que é fonte não somente de divertimento ou de formação, mas também de abertura para o mundo e de sucesso social (graças a um jogo na TV, toda a família pôde ganhar uma viagem ao Sudeste da Ásia, e Franck, que renunciou praticar tênis em competição, participa na qualidade de "jornalista" de um jornal esportivo na TV). A televisão se vê em família: sentado na cama entre seus pais, Franck assiste à televisão, riem, trocam de canal, discutem em conjunto. Comparável, talvez, à idéia que seus pais tinham de uma carreira esportiva, a televisão aparece como um instrumento de sucesso social mais rentável que a escola.

Ao contrário, para Florent, a televisão é um instrumento de cultura e de apresentação de si, do mesmo modo que a aprendizagem regular de um instrumento de música ou de uma atividade artística. Somente sua irmã menor, no primeiro programa, mostra o lado não-escolar de Florent; ele se fantasia de dragão, brinca de cowboy. Sua estada nos Estados Unidos, onde o realizador o acompanha, é um momento essencial para compreender o uso da televisão nesta família. Com a voz em off, Florent lê a carta de apresentação que ele endereça à sua família adotiva. Se seus pais colaboram discretamente com o programa é porque as técnicas de apresentação de si fazem parte das aprendizagens sociais, mas a televisão ocupa pouco lugar na vida familiar, nem mesmo se sabe se alguém a assiste, tampouco se há um aparelho em casa. A televisão é um instrumento de aprendizagem dentre outros, como se, para os pais, fosse evidente que o futuro de seus filhos se definisse, essencialmente, pela escola.

As outras famílias fazem um uso diferente da televisão: Philippe tranca-se no quarto que ele divide com seu irmão para consagrar a maior parte de seu tempo livre aos jogos em seu computador; numa outra cena, tarde da noite, o vemos deitado em sua cama, diante da televisão ligada. Na família de Ingrid, a televisão está instalada na sala de estar. Ela faz suas tarefas dando uma olhadela na tela, enquanto seus irmãos transitam todo o tempo pela sala e contam-lhe o que fizeram durante o dia.

 

O trabalho do tempo

Este "gênero", de difícil classificação nas categorias habituais da produção televisiva, é uma jogada política, na medida em que seu objetivo visa mostrar o que é necessário "ver" de um problema diretamente político (A escola e a seleção social). A análise dos dossiês de imprensa (em particular dos artigos consagrados ao segundo programa) mostra que a percepção desta experiência, em nosso conhecimento, singular na França, não é tanto da própria experiência, quanto dos problemas que ela desperta: a orientação, a educação das crianças, os problemas da adolescência, o papel dos pais etc., o que tende a ocultar o essencial do trabalho sociológico tornado possível por este uso tão particular da televisão.

Colocando entre parênteses o trabalho de construção de uma situação de pesquisa durável, situação de pesquisa que a maior parte dos dossiês limitam-se a evocar, no melhor dos casos, como "uma experiência excepcional", a imprensa tende a subestimar o que a televisão trouxe aos alunos que participaram da experiência e somente revela "as qualidades pessoais" de indivíduos isolados do universo cotidiano que impõe seus limites a seu futuro social. Assim, a despeito das diferenças de posições políticas e estéticas, há consenso da imprensa para perceber os alunos escolhidos para o programa como os "personagens" de uma "novela" cuja atração deve-se ao fato de que ela expressa a "vida real". Quando as diferenças sociais são evidenciadas, elas são reduzidas a clichês (Valérie já tem do que chorar sobre sua infelicidade futura", Le Quotidien de Paris. "Quanto aos pais, eles confirmam o que já se sabe (...) é preferível, para determinadas realidades, ser filho de engenheiro do que de funcionário do setor de triagem postal ou de faxineira sem marido", La Croix) e as crianças são apresentadas com base em uma tipologia de papéis, unanimemente reproduzida pela imprensa, que se quer independente de toda referência à origem social. "O aluno preguiçoso, sonhador e poeta" (Philippe); "a líder barulhenta" (Valérie); "o esportivo bom aluno e equilibrado" (Franck); "bom em redação, superdotado, mas reservado como um adulto e discreto" (Florent); Mesmo se, para L'Humanité, "tudo está dito. O calendário das desigualdades começou a apresentar um tempo diferente", a questão permanece a mesma, a de saber em quais condições o futuro destas crianças poderia ser diferente. A visão determinista da escola acontece, no mesmo nível, com uma concepção psicológica das relações sociais.

Podemos acompanhar, assim, as "reclassificações" sucessivas que, de um programa a outro, deslocaram a problemática da área da sociologia para a representação, aparentemente mais totalizante, "de histórias de vida" 12. Em 1984, no momento da difusão do primeiro episódio, Le Monde apresenta "esta formidável experiência" como aquela de "vidas inscritas numa história maior, aquela dos pais, de seus desejos, aquela do meio social" e Télérama, que centra o artigo sobre Philippe ("Ele explode na TV, fazendo um grande sucesso"), pergunta-se, a propósito deste pequeno corte sociológico, se a "verdadeira questão escolar não se encontra neste caso, neste bloqueio das crianças dos meios ditos populares, nesta inaptidão da escola, de todas as escolas, em satisfazer plenamente ao gosto pelo saber quando ele não está formulado nas normas". Em 1985, se uma parte da imprensa insiste ainda sobre a diferença dos destinos sociais ("os itinerários das crianças parecem, infelizmente, inscritos em seus registros de família", Libération), o artigo do Monde publicado naquele ano, que oferece um largo espaço ao programa, insiste, ao contrário, numa entrevista com o realizador, sobre a qualidade "deste pequeno teatro de homens" constituído de "animador, sonhadores, trabalhadores, agitadores e crianças bem-educadas"; e Télérama, no mesmo ano, destaca como o realizador e sua equipe souberam "evitar, com inteligência e delicadeza, os habituais clichês sociológicos".

Assim, à medida que as trajetórias dos antigos alunos da 5ª série, com a colaboração do tempo, distinguem-se mais claramente entre elas, a representação pela mídia de uma problemática social como aquela da orientação escolar, próxima, neste ponto, daquela do desemprego ou da pobreza, leva a perceber como insuportável a representação pura e simples, sem comentário, dos mecanismos de exclusão social; e isto ainda mais na medida em que os telespectadores são levados a se identificar com o destino de indivíduos particularmente telegênicos, ou seja, causam um bom efeito na TV. Talvez seja a imprensa católica que indicou de maneira mais explícita os limites do que é permitido mostrar, comentário que tende a confundir os mecanismos sociais que produzem a injustiça social e sua representação pela mídia. Enquanto o Libération é particularmente sensível ao fato que a televisão pode, nessa situação, modificar o destino daqueles que ela tornou famosos, o que deveria permitir, ao menos neste caso, "uma reação contrária", um final que nos surpreenda, virando as costas ao determinismo", La Vie catholique insiste, ao contrário, sobre os efeitos negativos produzidos pela influência dos meios de comunicação de massa na vida privada: "De modo geral, Que deviendront-ils? causa perplexidade. O projeto é apaixonante, a gente se apega às crianças; somos tomados pela emoção. Mas há alguma coisa de cruel no modo pelo qual o programa é realizado, em tudo o que a imagem revela a determinadas crianças e a seus pais. Tão frágeis e já usadas (...) devoradora TV."

 

Uma segunda família

Os laços de confiança estabelecidos ao longo dos anos transformaram-se, efetivamente, em intervenção sobre os "destinos"; intervenção ainda mais forte na medida em que as crianças podiam encontrar nos responsáveis da pesquisa uma família de substituição 13. De instrumento de observação da realidade, a televisão transformou-se pouco a pouco em "televisão libertadora" (no sentido em que se fala de escola libertadora), instrumento de trabalho social que, transfigurando o mundo comum a fim de torná-lo apresentável segundo as exigências da mídia, torna-se "meio de interferência" sobre o destino das crianças das classes populares. Philippe e Valérie são, pouco a pouco, colocados sob a responsabilidade de uma série de profissionais do ensino e do trabalho social, professores do ensino técnico, diretores de estabelecimentos, psicólogos, médicos escolares, médicos do trabalho, assistentes sociais, que são conduzidos cotidianamente, por intermédio de sua profissão, a modificar a orientação escolar e profissional das crianças das classes populares 14. Durante dez anos, os entrevistados são acompanhados pela câmera e têm a garantia de não viver sozinhos os acontecimentos importantes. Estando sob a responsabilidade do realizador, Valérie vai sofrer várias intervenções cirúrgicas ao longo de sua adolescência, às vezes mesmo com a presença da câmera. Um casal de professores, por intermédio do realizador ao qual eles escrevem, propõe a Philippe, após ter assistido ao programa no qual se conhece sua orientação para o ensino técnico, que ele se inscreva na Escola Boulle. O destino profissional de Philippe que, graças a eles, levará a cabo uma formação de ebanista, encontra-se profundamente modificado. Sua orientação profissional é, pouco a pouco, assumida coletivamente. Mas ainda, sobre o modelo das entidades de caridade que recorrem à televisão como o Téléthon, o realizador faz a demonstração do papel de intervenção pública de um tal programa: é diante da câmera que ele entrevista os professores de Philippe ou o casal que lhe propôs uma formação; depois, mais tarde, seus diferentes empregadores, o pessoal do AnpeVII quando ele se inscreve na lista dos desempregados ou seus colegas de trabalho. O professor de arquitetura entrevistado gostaria, aliás, de ver generalizar-se este modo de orientação; gostaria de "ver como vivem" os estudantes, antes de selecioná-los.

Mas o programa não produz todos seus efeitos senão na duração, à medida que se acumulam os episódios, vê-se os destinos se modificarem e os corpos se transformarem (Ingrid, por exemplo, que se considerava feia na 5ª série, aparece como uma bela adolescente, um pouco mais segura de si nos últimos programas). A presença, durante dez anos, da câmera como instrumento de apresentação de si nas relações com os colegas e os adultos, mas também os efeitos produzidos pela difusão de diferentes episódios e pelos comentários da imprensa foram a oportunidade de uma excelente aprendizagem coletiva da socioanálise. Enquanto filhos de funcionários superiores desapareceram do último programa 15, esta empresa, contrariamente àquela de LebensläufeVIII da qual se pode ver trechos na Sept, IX em dezembro de 1990, e que mantém um ponto de vista estritamente documentário e retrospectivo, aparece como uma formidável operação de promoção social por intermédio do poder específico do "estrelismo".

Um tal uso da televisão é inseparável dos interesses políticos, mesmo se estes últimos não são nem percebidos, nem reivindicados como tais, na medida em que as relações interpessoais entre indivíduos que ocupam posições desiguais são, como o lembra Goffman em A representação do eu na vida cotidiana, do mesmo modo relações de força que permitem compreender por que os entrevistados mais dominados não podem "dizer tudo" deles próprios em todas as circunstâncias ou pelo porta-voz, representante da televisão, a todo público. O que é verdade da "língua dos desorientados" 16 é verdade também, sob diferentes formas, de toda pesquisa sobre as classes populares que visa compreender relações sociais não-institucionalizadas 17. Tal é a dificuldade principal encontrada nos programas de televisão que querem dar a palavra aos grupos desprovidos de representantes oficiais e dos quais cada membro, na medida em que ele é "telegênico" e que sua história é exemplar, pode parecer como porta-voz coletivo de um problema definido de fato pela mídia (é verdade, em particular, para todos os programas consagrados aos jovens, aos desempregados, aos deficientes, aos pobres etc.). A televisão efetua, neste caso, um trabalho de seleção que diz respeito, não somente à escolha dos entrevistados, mas também dos traços de apresentação de si, trabalho que é diferente do modo de seleção e de representação que os grupos constituídos pela ação política (partidos políticos, sindicatos, associações etc.) conseguem se impor mesmo quando eles são dominados.

 

Notas

1. No momento em que esta experiência começa, o tema da foto de classe está prestes a se constituir como um gênero particular, mas com meios e objetivos muito diferentes. Na França, ao menos dois programas significativos precederam Que deviendront-ils? O mais antigo tinha por objetivo encontrar, na idade adulta, algumas semanas após 1968, os antigos alunos de uma 6ª série do colégio Montaigne, em Paris, filmados uma primeira vez, em meados dos anos 50, com seu professor de francês. A segunda experiência, apresentada por Patrick Sebatier, tornou-se rapidamente "o programa por excelência" das noites de sexta-feira, num canal concorrente daquele onde fora apresentado Apostrophe:Xos apresentadores de Avis de Recherche propunham-se a entrar em contato com os antigos colegas de um artista ou de um político conhecido e entrevistá-los, ao vivo, durante um programa de variedades. Tanto quanto sabemos, a experiência televisual mais antiga e mais próxima do projeto aqui apresentado é a série LebensläufeXI (difundida na França, em dezembro de 1990, pela Sept sob o título Lignes de vieXII), realizada pela televisão da RDAXIII. O filme, difundido em vários episódios, apresenta nove trajetórias de antigos alunos de uma escola primária rural, que nasceram entre 1954 e 1955, filmados de 1961 a 1979, entre 7 e 24 anos. Historicamente, um tema romanesco inventado, ao que consta, na França, por escritores de direita, num período de conflitos ideológicos, nos quais a escola pública constituía um dos principais interesses(Le Déracinés, de Maurice Barrès, 1897, destinos de sete alunos do curso de Filosofia do Liceu da cidade de Nancy em 1879). Somente este tema mereceria uma bibliografia comparativa sobre a maneira pela qual ele foi elaborado na França, na Alemanha e nos países anglo-saxônicos. Podemos citar, a título de ilustração, romances tão diferentes quanto Le Groupe de Mary, de Mac. Carthy (1954), Maurice, de E. M. Forster (1971). L'Ami retrouvé, de Fred Uhlman (1971).

2. "Um documentário" que constitui, sem dúvida, o mais extraordinário dos suspenses (texto de apresentação, distribuído aos jornalistas quando da primeira emissão).

3. Com uma exceção — uma criança, cujos pais estavam divorciados —, todos os alunos da classe aceitaram ser filmados e isto, durante muito tempo, diversas vezes, em suas casas, com seus pais, irmãos e irmãs, mas também em férias e nos lugares onde uma parte de suas atividades não escolares se desenvolvia.

4. Numa pesquisa longitudinal, realizada três vezes, do final da escolaridade obrigatória de 1972 até 1976, para mostrar a entrada na vida ativa da geração que nasceu em 1955, tínhamos tentado medir os efeitos da auto eliminação produzida por uma pesquisa por via postal. Comparamos o índice das respostas com a segunda pesquisa em relação à posição social e escolar dos pesquisados tal como o primeiro questionário permitia medi-la. Enquanto que, ao menos nesta fase da pesquisa, o objetivo era dar conta das condições de entrada dos excluídos do sistema escolar na vida ativa, estes últimos eram os menos numerosos a responder: o índice de respostas variava de acordo com a CSPXIV do pai (de 68,9% se seu pai era funcionário superior a 59% se ele era operário), o nível escolar dos entrevistados (de 75,6% a 50,2% se eram alunos, dois anos antes, do ensino geral longo ou de CAPXV em três anos) e, sobretudo, se eles não eram mais escolarizados, segundo seu grau de integração no mercado de trabalho (de 50,2% se eram aprendizes ou aides familiauxXVI contra 44,9% se eles eram jovens trabalhadores, 43,1% inativos e 37,3% se estavam desempregados). Da mesma forma, o índice de respostas variava em função do sucesso escolar nas matérias situadas no topo da hierarquia escolar (de 67,9% para as matérias científicas contra 44,4% para aqueles que eram bons nas matérias artísticas) e, em função dos projetos profissionais mais ligados ao mundo da escola (de 79,4% para aqueles que pensavam se tornar professores primários a 48,3% para os que pensavam se tornar operários). Esta análise do índice de respostas "espontâneas" (visto que a pesquisa se realizava por correspondência e sem a intervenção de um pesquisador) leva a pensar que pesquisas que se baseiam nos efeitos sociais do sucesso escolar têm mais sucesso com os entrevistados se estes últimos são mais integrados ao mundo da escola. Cf. J. P. Faguer, Les Conditions scolaires d'accés à l'emploi, les enjeux des scolatités moyennes, Cahiers du Centre d' études de l'emploi, 15, 1977, annexe I, p. 129.

5. É graças à retransmissão do programa que uma das alunas da classe encontrou o namorado com o qual ela vive no momento da 7ª edição do programa, acontecimento, aliás, que é a oportunidade de uma cena inclusa neste último programa sobre as circunstâncias que permitiram a seu namorado conhecê-la, com base em informações que ele pôde recolher do filme gravado no videocassete.

6. Por exemplo, Paris/periferia, região parisiense/interior, região de índice de ecolarização elevado/outras regiões, zonas urbanas/zonas rurais, estabelecimento público/estabelecimento privado.

7. Os outros alunos não aparecem durante os dois primeiros programas.

8. E não durante o período de férias de Páscoa como para os primeiros episódios.

9. O projeto somente pode ser realizado no quadro da unidade Pascal Breugnot, a emissora Antenne 2 que se propunha a renovar os estilos de representação da vida privada na televisão, introduzindo, notadamente, técnicas de contato com o público mais interativo ("Moi, je", "Psyshow, Sexy follies etc.").

10. O realizador conta, em 1987, a um jornalista do Monde que se trata de um filme "que ele carrega permanentemente na cabeça, ao longo do ano"; ele sempre mantém "com as crianças um pouco de contato. Nós nos telefonamos, nós nos encontramos. Eu telefono, alguém me telefona, os pais telefonam (...) é preciso viver as coisas, ver os próprios pais e os filhos. É um jogo de aproximação, um trabalho de intuição".

11. O caso da família de Franck é, por exemplo, particularmente representativo do interesse trazido pela pequena nova burguesia na televisão e, mais amplamente, nas "técnicas da imagem": os pais, muito à vontade diante da câmera — eles já tinham participado de numerosos jogos ou concursos de TV —, representaram de bom grado. Não é o caso dos pais de Florent que utilizam mais esta experiência como um instrumento de "comunicação familiar" (por exemplo, é pela televisão que Florent "se comunica" com sua família adotiva nos Estados Unidos e a equipe de televisão o acompanhará durante esta primeira estada fora de sua família), depois, discretamente, a família tomará suas distâncias com a experiência e Florent, do mesmo modo que Sandrine, não estará mais presente nos últimos programas. Ao contrário, as famílias das classes populares tiveram que ser domesticadas por intermédio das crianças. A mãe de Valérie e os pais de Philippe somente aceitam de modo reticente a situação da entrevista.

12. Mesmo se o realizador se deu tempo de um trabalho sobre a montagem, como é o caso para um programa no qual cada episódio apenas acontece uma vez por ano, é impossível, para aqueles que assistem ao programa, construir a interpretação do que eles vêem unicamente a partir do que eles vêem. Sobre a imagem, o objeto da pesquisa permanece estreitamente intrincado com o trabalho de imposição que tornou a pesquisa possível e exige, da parte do telespectador, um trabalho de "decodificação" equivalente, de uma certa maneira, àquele que o realizador fez na montagem (segundo o artigo publicado em Télérama de 10 de outubro de 1990, para uma hora de programa, o realizador empreende, no total, 30 horas filmadas), mas que eles estão dispostos a fornecer, em graus muito desiguais, segundo as condições nas quais eles assistem ao programa e, sobretudo, segundo sua própria experiência do mundo social. A utilização do videocassete nos permitiu, por exemplo, escapar, em parte, dos efeitos produzidos pela montagem e, sobretudo, por uma difusão quase em tempo real do programa: o fato de ter revisto vários episó dios ao mesmo tempo, num momento que se situava após o resultado do bac, produziu um efeito de aceleração do tempo. A utilização de um ponto de vista retrospectivo torna possível a análise da seleção escolar mais difícil de ser compreendida quando cada episódio é visto separadamente.

13.Uma vez por mês, possivelmente, ele (o realizador) encontra Valérie, Philippe e os outros; o tempo de um almoço com um, de um passeio com outro, ou de um simples encontro no café. Sem câmera. "Na opinião deles, eu sou, ao mesmo tempo, um amigo e um adulto. Nem pai, nem professor... talvez um tio simpático", Télérama, 10 de outubro de 1990.

14. Em razão de sua repetida passagem na televisão, Philippe, "21 anos, o aprendiz de ebanista", é entrevistado, com foto, numa pesquisa de Télérama, "O que você faz de seus vinte anos?", entre as dez celebridades escolhidas para representar os jovens do ano de 1990 — compositor, industrial, atriz, escritor... —, como o único (anônimo célebre): mais próximo que um vizinho, que um primo para os familiarizados com Que deviendront-ils? (Télérama, 2, janeiro de 1991).

15. Pode acontecer um ano, diz uma voz em off, no início do 7o programa, que um jovem não deseje aparecer no programa. Nós respeitamos sua escolha. Para eles, como para nós, aliás, o programa permanece aberto: nós não podemos dizer tudo, eles não podem nos dizer tudo.

16. W. Labow. La langue des paumés, Actes de la recherche en sciences sociales, 17/18, novembro 1977, pp. 67-71.

17. Os membros e os homens, textos recolhidos e apresentados por Yvos Wenkin, Paris, Edições de Seuil, 1988.

 

 

What will become of them?

ABSTRACT: What are the effects of appearing on television, for ordinary people, representatives of groups without official spokesmen, such as the young, the unemployed, the poor, etc.? Analysis of the television series "Que deviendront-ils?", which since 1984 has followed the progress of a class of children then in the first year of a Paris lycée, shows how television transforms the bodies, the self-presentation and even educational and occupational choices of these "anonymous celebrities".

 

* Fonte: Actes de la Recherche en sciences sociales, nº 86/87 - março de 1991. Direitos de tradução e impressão gentilmente concedidos pela editora. Tradução: Yvone Soares Dos Santos Greis. Supervisão da tradução: Águeda Bernadete Uhle e Jean-Pierre Faguer. Revisão geral do texto: Sebastião Rodrigues Cordeiro.

** Centre d'Etude d'Emploi, Noyse le Grand, França.

I N.T.: Nome de um programa francês de televisão, cuja pergunta significa o que eles se tornarão?

II N.T.: Denominação de distrito ou circunscrição administrativa em Paris.

III N.T.: France Telecom — Empresa francesa de telecomunicações.

IV N.T.: Tri-postal — Setor de triagem postal dos Correios da França.

V N.T.: Ebanista: Na França, artesão especializado na fabricação de móveis de luxo (ébano ou outras madeiras de lei) ou de caráter mais decorativo do que utilitário; no Brasil, marceneiro ensamblador ou entalhador.

VI N.T.: Scoop — Notícia importante transmitida em exclusividade por uma agência de imprensa, um jornal.

VII N.T.: Anpe: Association Nationale pour l'emploi.

VIII N.T.: Lebensläufe: Programa alemão, cuja característica era narrar histórias de vida. O significado do termo é currículos, ou, ainda, no decurso da vida.

IX N.T.: Sept: Canal francês de televisão que substituiu o ARTE — F/A. O seu significado seria Canal 7.

X N.T.: Programa francês de entrevistas (literário).

XI N.T.: Termo alemão que designa currículo, no decurso da vida.

XII N.T.: Linhas da Vida.

XIII N.T.: République Démocratique Allemande.

XIV N.T.: CSP: Catégories socioprofessionnelles.

XV N.T.: CAP: Certificat d'aptitude professionnelle.

XVI N.T.: Aide-familial: Pessoa que não recebe nenhum pagamento pelo trabalho que executa, ou, se recebe, não há contrato de trabalho e o valor recebido não constitui um salário. Por exemplo, dona-de-casa, pessoas que fazem compras para alguém doente ou que se ocupam com os pobres.