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Cadernos CEDES

Print version ISSN 0101-3262

Cad. CEDES vol.23 no.60 Campinas Aug. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-32622003000200001 

APRESENTAÇÃO

 

 

Wenceslao Machado de Oliveira Jr.; Rosângela Doin de Almeida

 

 

O Caderno que ora se apresenta tem como tema a formação de professores num contexto de elaboração de atlas municipais escolares. Basicamente ele vem tornar públicos os processos de pesquisa e formação vivenciados por professores da rede estadual de ensino, coordenados pela professora Rosângela Doin de Almeida, do Departamento de Educação da UNESP de Rio Claro, onde foi sediado o projeto "Integrando Universidade e Escola – Atlas Municipais Escolares", financiado pela FAPESP nos anos de 1997 a 1999.

Os Atlas estão prontos e foram publicados nos anos seguintes com o apoio das prefeituras dos municípios de que tratam, sendo distribuídos gratuitamente para os alunos das escolas públicas destes muSicípios, a saber, Limeira, Rio Claro e Ipeúna, no estado de São Paulo.

Um dos objetivos que levaram à organização deste Caderno foi o de apresentar os resultados de uma pesquisa que se materializou num processo de formação profissional, além de produzir materiais educativos solicitados pelos próprios professores envolvidos nas salas de aula. Outro objetivo, não menos importante, é o de trazer aos leitores textos elaborados por professores desvinculados do universo cultural acadêmico. Muitos deles, posteriormente, se integraram a programas específicos de formação acadêmica, produzindo dissertações de mestrado. Mas essa foi mais uma "conseqüência" que uma "causa" da pesquisa e do material produzido por eles.

Dispersa pelas páginas seguintes está a história, ou melhor, estão as histórias vividas naquele que ficou conhecido como Grupo Atlas, alinhavadas às histórias de suas obras, os Atlas Municipais Escolares, estes tendo a peculiaridade de serem tanto geográficos quanto históricos e ambientais.

Os artigos foram escritos por alguns dos autores destes atlas, à exceção de um único texto. Passo a comentar brevemente cada um deles, de modo a permitir leituras diversificadas do Caderno que, apesar de ser oriundo de um mesmo grupo de pesquisadores, mantém as diferenças bastante significativas existentes entre estes.

Abre o Caderno um artigo com grande densidade teórica e poética, onde a autora cruza lugares com mapas para nos dizer que "o mundo que vemos não é o mundo, mas um mundo cujo significado e sentido só existem quando tecemos de modo compartilhado a nossa própria vivência de cada coisa, de cada situação".

Seguindo a este há um panorama, escrito pela coordenadora do projeto, de como se configurou o grupo de professores, bem como das escolhas metodológicas e temáticas feitas durante o percurso de elaboração Sos Stlas, finalizando com uma avaliação acerca dos "efeitos" deste trabalho na formação dos professores.

Após este artigo mais geral, há cinco textos que visam apresentar ao leitor os percursos por que passaram as páginas dos atlas, e alguns de seus resultados finais. Inicia-se pelo texto voltado às páginas com temas mais geográficos, seguido por dois pequenos textos voltados às páginas mais históricas, sendo o segundo deles um relato de como foi escrita, pela primeira vez, uma história para o município de Ipeúna. Depois, segue-se para o artigo sobre as páginas que se debruçam sobre "conteúdos" de ciências e saúde, finalizando com um texto referente à produção das páginas de fotografia aérea vertical.

Iniciando a parte final do Caderno – menos vinculada ao processo de construção dos atlas e mais ligada aos atlas já prontos – há um artigo que toma os saberes docentes como objeto de análise, comentando as práticas, as "lógicas" e as concepções de conhecimento de duas professoras que foram acompanhadas pelo pesquisador/autor quando se utilizavam das páginas do Atlas de Limeira. Esse texto toca naquilo que vem se realizando na Fase 2 do projeto "Integrando Universidade e Escola – Atlas Municipais Escolares", desenvolvido desde agosto de 2002 e financiado novamente pela FAPESP.

Finaliza o Caderno um texto no qual se comenta a "moda" nacional dos atlas municipais escolares, suas motivações e impliScaSões políticas, bem como a participação de professores do ensino fundamental na produção de conhecimento em cartografia para escolares.

Com a publicação dos atlas pelas respectivas prefeituras municipais, o Grupo Atlas não se desfez. Ao contrário, ampliou-se. Nos dias atuais é composto por autores dos Atlas de Rio Claro e Ipeúna, professores das redes públicas municipais, além de graduandos em Geografia na UNESP-Rio Claro e professores universitários da UNESP e da UNICAMP. Este grupo é quem desenvolve a Fase 2 do projeto "Integrando Universidade e Escola – Atlas Municipais Escolares" já citada acima. Essas pessoas vêm se reunindo semanalmente na busca de (re)conhecer as práticas e saberes docentes presentes nas atividades profissionais do ensino fundamental, bem como, à luz deste (re)conhecimento, discutir, produzir e vivenciar outras práticas e saberes educativos mobilizados, de maneira geral, pela chegada nas escolas deste novo material de ensino que são os Atlas Municipais Escolares.