SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
vol.23 issue60A geographical look on the elaboration of the municipal school atlases of Rio ClaroIpeúna: a place of many names author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Cadernos CEDES

Print version ISSN 0101-3262

Cad. CEDES vol.23 no.60 Campinas Aug. 2003

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-32622003000200005 

As páginas de história

 

History pages

 

 

Maria Arlete Zülzke Höfling*

 

Competência em educação é mobilizar um conjunto de saberes para solucionar com eficácia uma série de situações.

(Perrenoud)

 

 


RESUMO

Produzimos um material para o estudo da localidade num Atlas Municipal Escolar, objetivando despertar a curiosidade e o gosto pelo conhecimento da história local. Destacamos nas páginas de história do Atlas de Rio Claro o processo de ocupação, povoamento, doação de sesmarias, desmembramento em fazendas, a cana-de-açúcar, o café, o escravo, o imigrante e as mudanças que ocorreram em Rio Claro até o início do século XX.

Palavras-chave: Ensino de história. Atlas escolares. Uso de mapas. História local.


ABSTRACT

Produced for a municipal school atlas, this material on our locality seeks to awaken the curiosity and liking for knowledge on local history. These history pages of the Atlas of Rio Claro highlight the occupation and populating processes, the attribution of sesmarias (lands given by the Kings of Portugal), their division in fazendas, as well as the sugar cane, coffee, slaves, immigrants and the changes that took place in Rio Claro until the beginning of the XXth century.

Key words: History teaching. School atlases. Use of maps. Local history.


 

 

Este projeto de pesquisa foi um desafio que um grupo de professores da rede pública de ensino realizou em parceria com a universidade. O retorno à universidade foi também uma oportunidade para a reconstrução de nossa identidade profissional, para a valorização e o reconhecimento dos professores da escola pública. Refletimos nossas práticas escolares, enfrentamos novos desafios e questionamos muito os saberes de nossos alunos. A angústia foi grande, realizamos uma abordagem crítico-reflexiva, produzimos material para o estudo da localidade num Atlas Municipal Escolar para ser usado por alunos do ensino fundamental (3ª a 6ª série).

Nossa proposta foi produzir um material sobre a história do município. Foi um esforço corajoso, pois tivemos uma certa dose de ousadia para a realização dessa prática inovadora. Apresentamos um material escolar que permite ao aluno e ao professor refletir sobre o processo histórico de como se formou o município de Rio Claro. Permite reconstruir não só o passado, mas também sugere pistas, estabelece relações, direções para novas pesquisas, sensibiliza alunos para leituras das paisagens do cotidiano.

Os temas elencados para o Atlas Municipal Escolar foram resultado do estudo das propostas curriculares publicadas pela SEE-SP, de uma pesquisa realizada com professores da Delegacia de Ensino de Rio Claro para levantamento do interesse sobre atlas escolares e da leitura dos PCNs.

O recorte temático concentrou-se no processo de ocupação e povoamento da região, por sugestão de nossa coordenadora, que é especialista em geografia. O ensino de história a partir de eixos temáticos possibilita a compreensão do passado, permite questionamentos e análise dos problemas atuais do cotidiano, possibilitando debates.

Os temas da história deveriam responder à questão da ocupação do território local: "De que maneira o processo de ocupação do território paulista, no contexto da colonização do Brasil, explica a ocupação da região onde hoje está o município de Rio Claro? O que existia nessa região antes de surgir a vila? Como se deu a ocupação deste território, que interesses moviam os primeiros colonos que aqui se fixaram?"

O Atlas Municipal Escolar foi construído por eixos temáticos porque favorece relações de semelhanças, diferenças, permanências e transformações em épocas distintas. A partir do cotidiano do aluno o professor prioriza temas para que ele se identifique em outras dimensões históricas. É possível selecionar os conteúdos de história e articulá-los de tal forma que permita ao aluno questionar, refletir sobre sua realidade.

O ensino de história deve estar vinculado à vivência do aluno (Proposta Curricular para o Ensino de História, SEE-SP; 1992); a informação pronta e acabada faz do aluno um ser passivo com relação ao saber e distante do processo histórico. Para que ele seja atraente e participante na sociedade é fundamental que entenda os processos de produção do conhecimento. O ensino de história mudou muito nos últimos anos, e os alunos são considerados participantes ativos na construção do conhecimento. Deve-se estabelecer relações, construir noções de diferenças e semelhanças, de continuidade e permanência. Comparar acontecimentos no tempo, tendo como referência os conceitos de simultaneidade e tempo/espaço.

Buscando a história local, a leitura do Atlas Municipal Escolar pretende despertar nos alunos a topofilia, o interesse pela história de sua cidade ou da cidade em que moram, a busca de sua identidade e de sua cidadania. Permitirá também reviver o clima de uma época, a saudade de um tempo.

Até então, nas escolas de Rio Claro, a história da cidade era "contada" próximo do aniversário da cidade, 24 de junho, com textos superficiais. As páginas do Atlas de Rio Claro permitem identificar os primeiros habitantes da cidade, a cultura, as formas de trabalho em diferentes épocas, os meios de transporte, agricultura, indústria, a relação entre cidade e campo. O professor deve localizar e destacar os processos de trabalho no presente e no passado, do escravo ao operário.

Ensinar história é estimular os alunos a refletirem e fazerem descobertas valorizando o saber do aluno. A história não existe apenas nos livros, ela é real; por meio de relatos de pais, avós, o aluno pesquisa, seleciona e produz um texto informativo. Essa nova maneira de ensinar história muda o foco: dos grandes homens e seus feitos para as pessoas comuns e seu cotidiano. Entram em cena os costumes da vida real que diminuem também a distância com relação ao passado: os alunos deixam de ver a história fragmentada e passam a vê-la como um todo do qual fazem parte.

A pesquisa é um meio para se retomar todo o processo histórico, e a escola deve ser sinônimo de atuação, de crescimento, reconhecimento e de alunos felizes descobrindo o valor de sua própria história como indivíduos atuantes no mundo em que vivem. "Produzir História é procurar captar, recuperar relações que se estabelecem entre os grupos humanos no desenvolvimento de suas atividades, nos mais diferentes tempo e espaço" (Cabrini, 1986).

A reconstrução da história de um local é trabalho amplo, desencadeia um conjunto de forças no imaginário individual e coletivo de todos. A história não existe apenas nos livros, ela é real e viva. A escola pode convidar os avós para conversar com os colegas de seus netos sobre sua infância. Esses encontros possibilitarão um passado construído no relatar do dia-a-dia desses velhos, como viviam na cidade, as brincadeiras de rua numa época em que a rua ainda era local de crianças brincarem.

A preservação da memória, a reconstrução do passado, leva as pessoas a terem um novo olhar diante do velho, do antigo, das marcas do passado, o novo e o velho juntos. Olhar a cidade com outro olhar...

Encontramos também material de pesquisa, dados e informações em fontes no Arquivo Público e Histórico de Rio Claro "Oscar de Arruda Penteado", "lugar da memória", nos dizeres de Pierre Nora, onde estão disponíveis documentos originais catalogados que remontam a 1845: atas das Câmaras Municipais, certidões, processos do Poder Judiciário, passaportes e outros. Há também um rico acervo fotográfico mostrando o lugar, o cotidiano das pessoas, obras de canalização, festas cívicas etc.

Estudar a história de Rio Claro é pesquisar documentos, sítios arqueológicos, almanaques, mapas, fotografias, filmes de época, pinturas, vestuário, objetos, jornais, revistas, móveis... encontrados também no Museu Histórico e Pedagógico "Amador Bueno da Veiga", situado em Rio Claro.

Muitas leituras, pesquisas e discussões aconteceram nas reuniões semanais na elaboração do atlas. Fomos buscar a história de Rio Claro na história da Capitania de São Vicente, depois Capitania de São Paulo.

Pobre em recursos produtivos, isolada do circuito comercial em função da barreira natural da Serra do Mar, a economia de São Paulo no período colonial teria sido limitada a uma modesta policultura de subsistência. Essa penúria generalizada teria sido causa suficiente para estimular os paulistas a passar anos a fio em remotos sertões em busca do "remédio para a sua pobreza", no dizer da época. Na falta de jazidas de ouro e de prata, este remédio teria sido o índio cativo. Arrancado das missões jesuíticas e vendido para os senhores de engenho do litoral nordestino. (Cunha, 1998.)

Na historiografia referente à Capitania e Província de São Paulo, lemos os clássicos de Sérgio Buarque de Holanda, Emília Viotti da Costa, Caio Prado Júnior... Fomos buscar a história de Rio Claro em autores como Warren Dean, Thomas Davatz, Odilon Nogueira de Matos...

São leituras significativas para entendermos como o território foi ocupado, como se formou a população, reconstituindo os caminhos percorridos pela ocupação e a conquista do território nacional, ultrapassando o litoral e os limites estabelecidos pelo Tratado de Tordesilhas (1494).

Encontramos nessas leituras referências à história da Capitania e da Província de São Paulo seu processo de formação territorial no Brasil Colonial, bem como os caminhos percorridos pelos paulistas na busca da mão-de-obra indígena e da mineração, encontrando as justificativas para a mobilidade dessa população que vivia distante dos centros de consumo.

O ensino da história permite valorizar o saber do aluno. Ele terá mais facilidade em compreender o processo histórico se o professor partir de problemas locais em que ele está inserido (escola, família, vizinhos, amigos) fazendo a relação destes com situações de uma amplitude maior.

As páginas do Atlas de Rio Claro despertam o interesse pela história local, destacando a importância das fazendas de café. Uma visita programada é uma prática pedagógica que sugere saídas da sala de aula para visitas a museus, arquivos ou fazendas, conhecendo pontos da cidade e da região. Esses momentos são oportunidades de um encontro com o passado e permitem que todos se coloquem diante de situações diferentes, estimulando interesse e participação. Proporcionam contatos diretos com fontes e documentos históricos, permitindo também discussões sobre a relação passado e presente, preservação do patrimônio. O professor, valorizando o saber do aluno, sua bagagem cultural, permite que ele relacione assuntos atuais com o passado, utilizando-se de documentos pessoais e familiares para produzir a sua história, reconhecendo neles documentos da história do lugar em que vive.

As páginas de história do Atlas Municipal Escolar iniciaram-se com informações sobre Sinais dos Primeiros Homens, Sítios Arqueológicos e Os Primeiros Habitantes.1 O assunto é difícil para as classes iniciais, mas não poderíamos deixar de mencionar que no Município de Rio Claro se encontram inúmeros sítios que, na década de 1960, foram estudadas por arqueólogos como Maria C. Beltrão, Tom Miller e Fernando Altenfelder.

A Ocupação do território paulista ocorrida nos séculos XVI, XVII e XVIII foi abordada em conjunto para os três municípios envolvidos na pesquisa – Ipeúna, Rio Claro e Limeira –, porque o projeto de ocupação foi muito semelhante em toda a região onde eles se situam. O território hoje ocupado por esses três municípios se constituía em "áreas de passagem" no processo de ocupação da Capitania e da Província de São Paulo.

A descoberta do ouro em Mato Grosso, em 1718, fez dessa região uma área de passagem no caminho terrestre para as minas: abrigo, pouso para bandeirantes, viajantes, tropeiros. Esses pousos e ranchos foram embriões de muitos povoados, depois vilas como Rio Claro e Limeira. Rio Claro passou a ser conhecido como "boca de sertão", porque depois deles era, para quem vinha do litoral, o sertão de Araraquara, ainda não ocupado.

Nesse momento a pesquisa recaiu sobre as fontes históricas de Piracicaba ou Vila Nova Constituição, a vila de onde Rio Claro se desmembrou. Mostramos a reconstituição do caminho de Luis Pedroso de Barros, feita após a leitura da carta (com base em Perecin, 1991) em que ele descreve o caminho, citando rios e relevo. Essa representação constituída de maneira inovadora, baseada em um texto escrito, foi "lida" pelo grupo de pesquisa e transformada em outra linguagem: um mapa, presente na página 23 do Atlas de Rio Claro com a denominação de "Reconstituição do caminho de Luis Pedroso".

O povoamento da região onde hoje está Rio Claro ocorreu em vários momentos, que vieram a ser, cada um deles, o título/tema de uma página do atlas. A divisão em quatro momentos distintos foi tributária da leitura dos clássicos da historiografia paulista e brasileira já citados acima.

O Início do povoamento, que trata do avanço da lavoura da cana-de-açúcar para o interior, dos tropeiros parando por aqui rumo às minas, da construção de um pouso e de uma capela que foi o núcleo inicial do povoamento de Rio Claro. A 10 de junho de 1827, o povoado foi elevado a Capela Curada de São João Batista do Ribeirão Claro, abrigando uma população de homens livres e escravos.

Das sesmarias às fazendas, tratando de como, para acelerar a ocupação das terras, o governador da Província de São Paulo concedeu sesmarias, que eram os únicos títulos de terra reconhecidos no período colonial e início do Império. Essas sesmarias, do Corumbataí e do Morro Azul, desmembraram-se originando muitas fazendas, nas quais se plantava basicamente cana-de-açúcar com mão-de-obra escrava e transporte em tropas de mulas. De 1850 a 1900, a lavoura da cana-de-açúcar foi substituída pelo café, o escravo foi substituído pelo imigrante, as mulas pelas ferrovias, e o número de fazendas aumentou de 56 para 152.

A Formação da Vila caracteriza Rio Claro no século XVIII como um pouso localizado nas terras do sertão do Morro Azul, local de passagem. A crise na mineração fez o governo paulista reativar a lavoura de cana-de-açúcar e doar sesmarias para incentivar o povoamento da região. A crise na exportação do açúcar levou os fazendeiros do interior paulista a substituir a cana pelo café. Era essencial manter um produto de exportação.

O café chega a Rio Claro nas páginas: Rio Claro e o Café; As fazendas de café; Imigração; Rio Claro de outrora; Rio-clarenses de outrora. Nessas páginas, as fotografias pesquisadas no Arquivo Público contam a história de Rio Claro. Após 1840 o café foi plantado em quantidade significativa no antigo Oeste Paulista – de Campinas até Rio Claro. Em meados do século XIX o número de fazendas aumentou. As de Rio Claro destacaram-se na produção. Os fazendeiros detinham o poder local, eram intermediários da população com o governo, ocupando cargos importantes na política imperial, apesar de muitos terem se tornado defensores de um regime republicano.

A produção das fazendas era comercializada pelas casas comissárias; o transporte até o porto de Santos tinha um alto custo e era precário. As fazendas de café eram quase auto-suficientes: trouxeram luxo e prestígio para o interior. A ferrovia, organizada com capital cafeeiro, chegou a Rio Claro em 1876, deixando a cidade de ser "boca de sertão" passando a ser conhecida como "ponta de trilho" até 1884, quando os trilhos ultrapassaram os limites da cidade. A localização das estações de trem dependia da influência política dos fazendeiros.

A extinção oficial do tráfico negreiro fez os fazendeiros investirem o capital na ferrovia que mudou a paisagem da cidade, que se transformou num centro de produção e comércio das regiões interioranas. Em 1892 foram criadas, em Rio Claro, as oficinas da Companhia Paulista de Estradas de Ferro. Durante muitos anos a cidade dependeu e viveu em função dessas oficinas e da ferrovia.

O trabalho escravo foi o sustentáculo da produção cafeeira até 1880, depois foi substituído pelo do imigrante. Rio Claro foi um dos primeiros municípios paulistas a utilizar o imigrante como mão-de-obra. A partir de 1885, imigrantes alemães e italianos vieram sob a responsabilidade do governo. Ficavam na Hospedaria dos Imigrantes, na cidade de São Paulo, até serem contratados pelos fazendeiros. Com o desmembramento das fazendas da região, muitos imigrantes passaram a morar na cidade de Rio Claro, originando bairros típicos, dedicando-se a pequenas indústrias e ao comércio.

Os escravos, os imigrantes, os fazendeiros trouxeram hábitos e costumes, que deixaram marcas profundas na história e no cotidiano de Rio Claro. Mesmo o atlas não tendo uma página sobre o trabalho escravo na região, é impossível falar sobre cana-de-açúcar e café sem mencionar e refletir sobre escravidão, momento significativo na história. Talvez na próxima edição...

 

Considerações finais

A reconstrução da história de Rio Claro foi possível porque buscamos sua origem na ocupação do território brasileiro lendo autores clássicos da nossa historiografia. Respondemos à pergunta proposta por nossa coordenadora do projeto, "como ocorreu a ocupação dessa região", percorrendo o caminho da história da Capitania e da Província de São Paulo e atingimos o estudo da região e da localidade de Rio Claro.

A nossa grande dificuldade foi questionar as informações, problematizar. O que era novo? O que se conhecia? O que queríamos que os alunos aprendessem com o Atlas Municipal Escolar? Como selecionar as informações? Às vezes não chegávamos a resposta alguma... Nosso objetivo era fazer um Atlas Municipal Escolar interdisciplinar como possibilidade de ensino da localidade. É sempre bom falar da história local mesmo que ela não tenha papel relevante nos eventos nacionais, porque toda mudança histórica traz reflexos no cotidiano das pessoas.

Estudar por meio de eixos temáticos favorece estudos de processos e relações de semelhanças, diferenças, permanências e transformações em épocas distintas. Não é possível ensinar tudo; o professor deve priorizar os temas que serão estudados durante o ano. No ensino fundamental, estudar história pelos eixos temáticos do cotidiano permite ao aluno ampliar sua capacidade de observação do mundo que o rodeia e diversificar suas relações. Os assuntos trabalhados em sala de aula permitem estabelecer relações com o dia-a-dia dos alunos. O professor deve e pode dar vida aos fatos do passado para que o aluno possa relacioná-los com os fatos atuais. Abordando a história pelo tempo presente o aluno terá mais facilidade para entendê-la, sendo esta mais significativa, envolvendo-o em seus temas.

Atualmente se estuda uma nova historiografia que revela um Brasil dinâmico, uma história de vencidos e vencedores, de pobres e de ricos, que permite um estudo mais interessante e diversificado.

A realização desse projeto de pesquisa foi possível porque Rio Claro teve seus arquivos preservados, muitos até catalogados. Há "coleções" de políticos locais ligados ao Partido Republicano Paulista (PRP), atuantes no período da República Velha. E inúmeros periódicos (jornais, almanaques, revistas, boletins, anais...) antigos, até um velho jornal de 1873, informando sobre o cotidiano da cidade, há quase dois séculos.

Uma das contribuições mais enriquecedoras da pesquisa foi o uso de imagens fotográficas como registro. A fotografia deixou de ser ilustração de texto para se tornar um documento. É um ponto de partida para desvendarmos o passado. O Atlas Municipal Escolar permite visitar um lugar por intermédio da leitura de fotografias, gera um espaço diferente de aprendizagem, uma prática diferente para estudar a localidade, que pode ser enriquecida ainda mais com "estudos do meio" que se utilizem das fotografias como maneira de registrar o local visitado.

O estudo do meio coloca a realidade dentro da sala de aula e tira os alunos da escola. Não é preciso viajar: numa volta ao bairro, ao Arquivo da cidade, ou até mesmo em volta da escola, aprende-se muito. É importante para esse estudo o trabalho em equipe dos professores e os saberes dos alunos, por exemplo, sobre as marcas do passado ainda presentes nas paisagens de seu cotidiano.

O estudo do meio por intermédio do trabalho de campo como prática pedagógica torna mais próximo o conhecimento que os alunos estão adquirindo. O estudo com o Atlas Municipal aproximou a realidade. Os trabalhos de campo devem privilegiar locais significativos que permitirão ao professor retomar assuntos estudados. É importante levar os alunos a se apropriarem do lugar, observando as alterações provocadas pela passagem do tempo.

 

Nota

1. As frases em destaque que aparecerão no texto daqui para frente são coincidentes com os títulos das páginas do Atlas Municipal Escolar de Rio Claro.

 

Referências bibliográficas

BRASIL. Ministério de Educação e Desporto. Secretaria de Educação Fundamental. Parâmetros curriculares nacionais: história. Brasília: MEC/SEF, 1998.        [ Links ]

CABRINI, C. O ensino de história. São Paulo: Brasiliense, 1986.        [ Links ]

COSTA, E.V. Da senzala à colônia. São Paulo: Difel, 1966.        [ Links ]

CUNHA, M.C. (Org.). História dos índios no Brasil. São Paulo: Cia das Letras, 1998.        [ Links ]

DAVATZ, T. Memórias de um colono no Brasil: 1850. Belo Horizonte: Itatiaia, 1980.        [ Links ]

DEAN, W. Rio Claro: um sistema brasileiro de grande lavoura, 1820-1920. Rio de Janeiro: Paz & Terra, 1977.        [ Links ]

HOLANDA, S.B. História geral da civilização brasileira. São Paulo: Difel, 1960. v.1-2.        [ Links ]

MATOS, O.N. Café e ferrovias: a evolução da ferrovia de São Paulo e o desenvolvimento da lavoura cafeeira. Campinas: Pontes, 1990.        [ Links ]

NORA, P. Entre memória e história. Projeto História, São Paulo, n. 10, dez. 1993. Número temático: História e Cultura.        [ Links ]

PERECIN, T.G. Picadão de Mato Grosso: contribuição à história de Piracicaba. Gênese Paulista (1 de uma série de 4). Jornal de Piracicaba, Piracicaba, 01 ago. 1991.        [ Links ]

PRADO JÚNIOR, C. Formação do Brasil contemporâneo. São Paulo: Brasiliense, 1963.        [ Links ]

PRADO JÚNIOR, C. História econômica do Brasil. São Paulo: Brasiliense, 1973.        [ Links ]

SÃO PAULO (Estado). Secretaria de Educação. Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas. Proposta curricular para o ensino de história: 1º grau. São Paulo: SEE/CENP, 1988.        [ Links ]

 

 

Recebido em abril de 2003
Aprovado em maio de 2003

 

 

* Graduada em História e professora da rede estadual de ensino. E-mail: mazhofling@hotmail.com