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Cadernos CEDES

Print version ISSN 0101-3262

Cad. CEDES vol.25 no.65 Campinas Jan./Apr. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-32622005000100001 

Apresentação

 

 

As tecnologias da informação e da comunicação estão cada vez mais presentes no cotidiano de crianças, jovens e adultos, trazendo novos desafios para os processos de produção de conhecimento e os modos de subjetivação. Este fato exige uma compreensão mais rigorosa das transformações que estão sendo engendradas pelas mediações proporcionadas pelos mais diversos aparatos técnicos, desde os mais recentes aos mais antigos (as máquinas de visão – fotográficas e de vídeo, internet, jogos eletrônicos, TV, cinema etc.), tanto no que diz respeito às relações intersubjetivas quanto aos modos de criação da cultura e da história.

Nesta perspectiva, nosso objetivo é trazer à tona o debate sobre as mediações tecnológicas e os novos modos de ser e de criar no mundo contemporâneo, com o propósito de oferecer subsídios para a reflexão sobre a educação de crianças e jovens na sociedade da informação e da comunicação. Trata-se, portanto, de reunir trabalhos que apresentem uma abordagem crítica dos usos da tecnologia, mas que, ao mesmo tempo, tragam propostas afirmativas que orientem as reflexões sobre o sujeito e seus modos de criação da cultura e de si próprio, propondo novas estratégias educacionais. Portanto, reunir trabalhos que analisem, discutam e reconheçam nos aparatos tecnológicos as novas formas expressivas da contemporaneidade é também propor um novo conceito de educação, levando em conta os modos de ser criança, adolescente e adulto em uma sociedade em que a informação, a comunicação e a cultura do consumo engendram experiências que transformam radicalmente não só o conhecimento no mundo atual, mas os processos de subjetivação, gerando, com muita freqüência, conflitos e rupturas entre as gerações que precisam ser profundamente avaliadas.

Neste sentido, os trabalhos aqui reunidos trazem reflexões sobre experiências interativas de crianças e adolescentes com TV e internet, discutindo os conceitos de linguagem, mediação e interatividade, tanto no espaço escolar como fora dele, exigindo uma outra postura das instituições educacionais perante uma nova ordem de organização da linguagem, da cognição e dos modos de interação social, afetiva e cultural no mundo contemporâneo.

Os quatro artigos iniciais abordam a mídia televisiva enfocando diferentes aspectos. Assim, "Pela tela, pela janela: questões teóricas e práticas sobre infância e televisão", de Solange Jobim e Souza, Rita Ribes e Raquel Salgado, faz uma análise crítica da infância contemporânea e sua relação com a televisão. Além disso, oferece subsídios para compreendermos a produção cultural de nossa época e os lugares sociais que adultos e crianças ocupam na relação com a mídia. A proposta é oferecer subsídios teóricos e práticos para projetos educacionais voltados à formação de leitores críticos dos meios de comunicação de massa. Em seguida, o artigo de Adriana Hoffmann e Maria Luíza Bastos Magalhães Oswald traz à tona a complexidade das relações entre adultos e crianças na contemporaneidade, focalizando a recepção dos desenhos animados. Em continuidade, Rosa Maria Bueno Fischer apresenta os resultados de uma pesquisa com grupos de jovens, refletindo sobre sua experiência com a mídia, destacando, porém, os modos pelos quais a nossa cultura televisiva constrói a ação e a expressão da vida pública e da vida privada. Finalizando este primeiro conjunto de textos, João Alegria, em seu artigo "Decifra-me ou devoro-te", sistematiza alguns aspectos da evolução da televisão e da audiência nos últimos anos. O autor destaca também a tendência de produção de mídia com crianças e adolescentes que vem sendo colocada em prática, nas escolas e organizações não-governamentais, como parte essencial do processo de formação dos futuros cidadãos.

Os três artigos seguintes voltam seu olhar para a internet. Ana Maria Nicolaci-da-Costa chama a atenção para a internet como uma tecnologia revolucionária que pode estar produzindo alterações no tecido social, nas formas de pensar, agir e sentir das pessoas. A autora mostra que uma das principais conseqüências das alterações provocadas pela internet é a emergência de uma nova "configuração psíquica". Os outros dois artigos analisam o computador como suporte de novas práticas de leitura e escrita e discutem as inovações no âmbito da linguagem possibilitadas pela internet. Maria Teresa de Assunção Freitas analisa, do ponto de vista da educação, como os sites construídos por adolescentes podem estar propiciando um novo espaço de leitura/escrita, abrindo novas formas de interação e novas possibilidades para a constituição subjetiva dos jovens. As características das novas práticas de leitura e escrita são retomadas no artigo de Sérgio Roberto Costa, sob o ponto de vista da lingüística. O autor destaca a emergência de novos gêneros discursivos e textuais que acompanham os atos de ler e escrever das novas gerações.

Em síntese, os textos aqui reunidos pretendem oferecer uma base teórica sólida para enfrentarmos os grandes desafios que as tecnologias da informação e da comunicação apresentam para o diálogo entre as gerações, além de encaminhar sugestões de ordem prática para o desenvolvimento de estratégias metodológicas no âmbito da produção do conhecimento e dos modos de subjetivação da infância e da adolescência. Convidamos o leitor a dar continuidade a este debate.

 

Maria Teresa de Assunção Freitas
Solange Jobim e Souza