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Cadernos CEDES

Print version ISSN 0101-3262

Cad. CEDES vol.27 no.73 Campinas Sept./Dec. 2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-32622007000300001 

APRESENTAÇÃO

 

 

A educação para crianças e adolescentes hospitalizados não é um fato recente no Brasil. Estima-se que as classes hospitalares existam em nosso país desde a década de 1950. Porém, é possível constatar na literatura da área origens e períodos diversos de implantação desta modalidade de ensino no país. Todavia, apesar das controvérsias existentes, observam-se muitas práticas educativas que vêem sendo realizadas há anos e são pouco conhecidas pela sociedade e pelo próprio Estado.

Durante décadas, as crianças e adolescentes hospitalizados foram silenciados em relação ao direito à educação e eram tratados como se não fossem sujeitos de direitos e necessidades. Nos hospitais públicos brasileiros é possível encontrar o retrato das desigualdades sociais e da condição de miséria que atingem milhares de pessoas desprivilegiadas social e economicamente. A falta de saneamento básico, a fome, a desnutrição, as doenças respiratórias e infecto-contagiosas, as patologias da infância, os maus tratos, acidentes domésticos e acidentes originários da violência urbana demonstram que as crianças e adolescentes, embora protegidos pelas leis, encontram-se precariamente assistidos pelas mesmas.

Esta coletânea reúne educadores de diferentes regiões do país que há alguns anos estão trabalhando na garantia e defesa dos direitos básicos para estas crianças e adolescentes. Estes profissionais estão buscando inserir nos hospitais o universo da cultura escolar. Desta maneira, ao lado de injeções, seringas, soros e sofrimentos, estes professores levam lápis, cadernos, tintas, diversão, alegria, cultura, lazer, arte e educação para modificar e colorir os ambientes hospitalares. Também realizam esforços para que estas práticas educativas sejam tratadas como políticas de Estado e não fiquem a mercê de interesses e das políticas dos governos locais.

Nesse sentido é que o texto de Alessandra Barros, da Faculdade de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal da Bahia, foi escolhido para fazer a abertura deste Caderno. Suas experiências de trabalho como professora hospitalar e pesquisadora na área permitiram descrever as políticas públicas necessárias para viabilização deste trabalho, até a configuração e organização dos espaços físicos, das formas de construção dos currículos, seleção e capacitação de profissionais. O texto apresenta sugestões do uso das narrativas literárias no processo de capacitação profissional de professores para as classes hospitalares.

O artigo que Rejane Fontes, supervisora educacional da Prefeitura de São Gonçalo, no Rio de Janeiro, elaborou conjuntamente com Vera Vasconcellos, professora titular de Educação Infantil do Departamento de Estudos da Infância e Programa de Pós-Graduação em Educação da Faculdade de Educação da Universidade Estadual do Rio de Janeiro, apresenta as contribuições teóricas de Wallon e Vigotski sobre as interações ocorridas entre as crianças hospitalizadas. O texto apresenta situações que revelam quem são as crianças hospitalizadas, seus desejos, medos, sentimentos e como ocorre a construção da subjetividade no cenário hospitalar. As reflexões também possibilitam a compreensão dos estados emocionais destas crianças e as dimensões da ação pedagógica no hospital.

Na seqüência, é apresentado o artigo de Terezinha Maria Cardoso, docente do curso de Pedagogia do Centro de Ciências da Educação e Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Federal de Santa Catarina. O texto traz sua experiência como coordenadora de Projeto de Extensão e Estágio Curricular obrigatório do curso de Pedagogia no hospital. Terezinha descreve o grupo de estudos e projetos de pesquisa na Universidade, voltado para o conhecimento da realidade das crianças e adolescentes hospitalizados, bem como das suas condições de escolarização. Estes projetos analisam as dificuldades da inserção do pedagogo nas classes hospitalares, seus limites, possibilidades e as relações destes profissionais com as escolas de origem das crianças e adolescentes hospitalizados.

O artigo escrito por Ercília de Paula, professora do Departamento de Educação e Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Ponta Grossa (PR), apresenta os desdobramentos que a tecnologia possibilitou para crianças e adolescentes hospitalizados em diferentes estados do Brasil: Maranhão, Paraná e Bahia. Neste texto, as restrições do contexto hospitalar não representavam impedimentos para que as crianças e adolescentes construíssem estratégias para diversão neste cenário. O texto também objetiva discutir o conceito de crianças e adolescentes hospitalizados como protagonistas infanto-juvenis.

Para concluir esta coletânea, o artigo de Patrícia Torres, do Departamento de Educação e Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná, em Curitiba, traz o trabalho desenvolvido em um ambiente de aprendizagem virtual denominado Eurek@kids.

A inserção deste ambiente virtual de aprendizagem promove a interação entre diversos atores envolvidos no processo de escolarização de crianças e adolescentes hospitalizados. Representa uma proposta pedagógica diferenciada, na medida em que trabalha com o conceito de aprendizagem colaborativa. É uma proposta interessante e inovadora para professores e alunos.

Esperamos que este Caderno, com os diferentes cenários educativos apresentados, possa trazer aos interessados na área de educação dos hospitais reflexões, propostas e contribuições para a construção de saberes e práticas educativas tão necessárias às crianças e adolescentes hospitalizados deste país. O Caderno também reflete as várias faces da Pedagogia na contemporaneidade, dentre estas a inserção do pedagogo no hospital.

 

Organizadoras:
ERCÍLIA MARIA ANGELI TEIXEIRA DE PAULA
Professora do Departamento de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG/PR)

ELIZETE LÚCIA MOREIRA MATOS
Professora do Departamento de Educação e do Programa de Pós-Graduação em Educação da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR)