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Cadernos CEDES

Print version ISSN 0101-3262

Cad. CEDES vol.29 no.77 Campinas Jan./Apr. 2009

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-32622009000100001 

Apresentação

 

 

A educação ambiental foi tema do 29º número dos Cadernos CEDES, em 1993. Naquele momento, ela não ocupava lugar de destaque na área da Educação. Hoje esta situação é diferente: a educação ambiental consolidou-se como prática educativa e, portanto, como um tema de estudo. Assim, temos discutido a necessidade de publicações para a compreensão mais aprofundada desta temática, contribuindo para fazê-la mais consistente e consequente.

Para isso, organizamos esta publicação mais atualizada sobre educação ambiental, com artigos de produção coletiva, apresentando aquilo que consideramos os mais significativos temas na educação ambiental. Tais temas resultam de um difícil processo de escolha num campo muito rico, fecundo, diverso e pujante de produção de conhecimentos. Vinte e cinco diferentes pesquisadores, de dezenove diferentes instituições, se responsabilizaram pelos sete artigos aqui apresentados.

A educação ambiental como educação crítica articula os artigos organizados em duas partes: a educação ambiental em diferentes ambientes de produção de conhecimentos e ação educativa; e fundamentos teóricos da educação ambiental.

Na primeira parte, temos que o primeiro artigo refere-se à produção de conhecimentos pela pesquisa em educação ambiental. Luiz Marcelo de Carvalho, Maria Guiomar Carneiro Tomazello e Haydée Torres de Oliveira nos trazem um estudo que procurou reunir informações para a construção inicial do "estado do conhecimento" sobre a educação ambiental. "Pesquisa em educação ambiental: panorama da produção brasileira e alguns de seus dilemas" destaca pontos importantes para discussão junto aos pesquisadores. Encontramos neste artigo desde a necessidade de melhor definição do que é pesquisa em educação ambiental até a necessidade de aprofundamento dos aspectos teóricos e metodológicos dos processos investigativos.

Os dois próximos artigos referem-se a diferentes espaços da ação educativa ambiental. No primeiro, "Espaços educativos impulsionadores da educação ambiental", Hedy Silva Ramos Vasconcellos, Maria de Lourdes Spazziani, Antonio Fernando Silveira Guerra e João Batista de Albuquerque Figueiredo elegeram a educação ambiental na universidade, as políticas públicas de educação ambiental, o papel das redes sociais e a educação ambiental nos movimentos sociais como espaços educativos em discussão. O eixo articulador destes espaços é o movimento histórico de consolidação da educação ambiental. O artigo inicia com a sua trajetória no interior do movimento ambientalista, no cenário internacional e nacional, identificando-a como origem da educação ambiental nas universidades, com destaque para as atividades de extensão e pesquisa. Em seguida, temos a trajetória da organização da educação ambiental pelo Estado, no nível federal, onde podemos compreender o desenvolvimento histórico das políticas públicas nacionais. Também é esse o objetivo da análise do papel histórico das redes de educação ambiental como instrumento fundamental de sua consolidação, com potencial interativo e democratizador, inclusive, nos movimentos sociais. Destacando o movimento popular, a educação ambiental aparece articulada à educação popular, buscando fundamentação teórica no pensamento de Paulo Freire.

"Educadores ambientais nas escolas: as redes como estratégia" é o outro artigo que problematiza os espaços educativos. Nele, Mauro Guimarães, Ana Maria Dantas Soares, Néri Olabarriaga Carvalho e Marcos Pinheiro Barreto analisam a educação ambiental na escola, identificando a necessidade de construir um processo coletivo para a sua consolidação. Nesse sentido, inspirados na proposta de cooperativas de ensino de Freinet, propõem a formação de uma rede formativa para inserção coletiva, atual e inovadora, da educação ambiental na re-construção curricular, tendo as redes como espaços de troca de saberes, experiências, práticas e metodologias.

Articulando os espaços de produção e de ação educativa ambiental, temos o aprofundamento de um eixo norteador da educação ambiental crítica: a participação. Pedro Roberto Jacobi, Martha Tristão e Maria Isabel Gonçalves Correa Franco identificam, em "A função social da educação ambiental nas práticas colaborativas: participação e engajamento", a ação-reflexão-ação sobre as questões socioambientais como princípio educativo que exige participação radical dos sujeitos sociais. Partindo do pressuposto de que a educação reflexiva diz respeito a educar com – e não para – os sujeitos, as práticas socioambientais educativas, necessariamente coletivas e colaborativas, dizem respeito à criticidade, emancipação, engajamento, construção coletiva de saberes, diálogo entre saberes, convivência, interação, interdependência, compartilhamento, colaboração, mobilização, democracia participativa, protagonismo, co-responsabilidades, saber fazer coletivo e cooperação. Problematizando estas idéias, os autores analisam a Agenda 21 na escola, como possibilidade de participação radical dos sujeitos como agentes de seu próprio processo educativo ambiental.

Na segunda parte, cujo eixo temático é constituído pelas referências teóricas, quatro artigos defendem a educação ambiental como educação política, com diferentes abordagens de interpretação da realidade educativa. No primeiro, Carlos Frederico Bernardo Loureiro, Eunice Trein, Marília Freitas de Campos Tozoni-Reis e Victor Novicki analisam a educação ambiental crítica, tendo como referência o pensamento marxista. "Contribuições da teoria marxista para a educação ambiental crítica" faz uma avaliação dos artigos publicados no n. 29 dos Cadernos cedes, fornecendo subsídios para pensarmos historicamente os avanços e recuos da educação ambiental no Brasil. Em seguida, refletem sobre a influência da pedagogia crítica na construção da educação ambiental crítica, com destaque para a educação libertadora de Paulo Freire e a pedagogia histórico-crítica de Dermeval Saviani. Isso leva, em consequência, às reflexões teóricas acerca das relações sociais de dominação e exploração – preocupação central do pensamento marxista – na educação ambiental crítica.

Ainda sobre os referenciais teóricos, Isabel Cristina de Moura Carvalho, Mauro Grün e Maria Rita Avanzi, em "Paisagens da compreensão: contribuições da hermenêutica e da fenomenologia para uma epistemologia da educação ambiental", apresentam a epistemologia compreensiva para a educação ambiental com base na tradição filosófica da hermenêutica e da fenomenologia. Os autores aprofundam os conceitos mais importantes da construção desta concepção epistemológica, em especial a noção de compreensão como o modo de estar no mundo, como conversação e diálogo. Destaca-se, neste artigo, a preocupação dos autores em apresentar o relato de uma experiência educativa ambiental sob este referencial teórico: uma pesquisa de intervenção para o estudo da paisagem fundamentada na educação compreensiva.

O terceiro texto a tratar dos referenciais teóricos, escrito por Adriana Teixeira de Lima, Marcos Antonio dos Santos Reigota, Andréia Focesi Pelicioni e Eliete Jussara Nogueira, traz a Teoria das Representações Sociais como fundamentação para a educação ambiental. A estratégia dos autores foi apresentar no texto "Frans Krajcberg e sua contribuição à educação ambiental pautada na teoria das representações sociais", os resultados de um estudo de sua produção artística realizado pelo grupo de pesquisa do qual fazem parte. Além de refletir sobre a Teoria das Representações Sociais, o texto analisa a denúncia de Frans Krajcberg sobre a destruição da natureza.

Agradecemos a colaboração de todos os autores e da educadora ambiental Janaína Michelini – que fez a revisão dos abstracts – e convidamos os leitores a percorrer esta publicação, que tem como objetivo contribuir coletivamente para a apropriação de conhecimentos sobre a educação ambiental crítica, instigando a construção de processos criativos e originais (em educação ambiental) na área que, por sua vez, contribuam para a construção de uma sociedade socialmente justa e ecologicamente equilibrada, sociedade sustentável.

 

MARÍLIA FREITAS DE CAMPOS TOZONI-REIS;
MARIA GUIOMAR CARNEIRO TOMAZELLO
(Organizadoras)