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Cadernos CEDES

versión impresa ISSN 0101-3262

Cad. CEDES vol.31 no.85 Campinas dic. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-32622011000300001 

Apresentação

 

 

Eloisa de Mattos Höffling & Dirce Pacheco e Zan (Organizadoras)

 

 

Os debates recentes e as determinações legais relacionadas à presença da disciplina Sociologia no ensino médio ampliam a importância deste número dos Cadernos cedes sobre o tema.

Organizar uma publicação dessa natureza, procurando abordar diferentes ângulos da questão, nos causa a sensação de "eterno retorno" às campanhas pela volta da Sociologia no segundo grau, hoje nomeado ensino médio. Acompanhando a história intermitente da presença desta disciplina nas escolas brasileiras, testemunhamos o empenho de educadores, de pesquisadores e de associações da categoria, pela efetiva inserção da mesma em diferentes momentos da história recente da educação no país. Esta coletânea tem como um de seus objetivos ser mais uma contribuição nesta direção.

Como primeiro texto, trazemos uma palestra de Octavio Ianni, proferida na Coordenadoria de Estudos e Normas Pedagógicas (cenp/sp), em 1985, no auge de uma das campanhas acima referidas. Este é um registro histórico de uma das participações do professor neste debate que, em nossa concepção, se tornou um texto-documento que levanta interessantes questões sobre o ensino das Ciências Sociais no primeiro e segundo graus: "(...) trabalhar os fatos sociais, no sentido lato, como movimento, é uma maneira de recuperar a historicidade do social, evitando-se a 'naturalização' (...)". Nesse texto, o autor reforça a importante função da Sociologia na escola, possibilitando que os estudantes questionem o instituído e pensem novas possibilidades de viver em sociedade.

Fundamental também é pensarmos em que contexto se efetiva este ensino de Sociologia e, para isso, a contribuição do "olhar sociológico" sobre a escola se faz presente através do segundo texto. Nele, a autora nos alerta que "discutir a escola implica, primeiro, reconhecer a articulação das dimensões sociológica e pedagógica no interior de um mesmo projeto; segundo, procurar apreendê-las em sua totalidade, em sua objetivação no real", apontando a atual crise de sentidos e significados na escola.

No interior desta escola, a trajetória flutuante da disciplina Sociologia, na área de ensino das Ciências Humanas, é abordada no terceiro texto com informações detalhadas sobre momentos históricos marcantes deste percurso, e próprias de quem esteve sempre envolvido com as várias campanhas pela volta da Sociologia nos currículos escolares. O depoimento com que o autor, Amaury César Moraes conclui o texto, evidencia esta vinculação: "(...) O debate agora passa a ser sobre a formação do professor de Sociologia e os conteúdos a serem lecionados, mas isso é uma outra história."

Em parte reflexo desta história intermitente, as condições de trabalho do professor de Sociologia são especialmente marcadas pela precariedade. O quarto texto, de Ana Lúcia Lennert, enfoca a situação dos professores da rede pública do estado de São Paulo, apresentando quadros e gráficos que explicitam, inequivocamente, tais condições de precariedade. Mesmo tendo o cuidado de não se estabelecer generalizações precipitadas, sabemos que tal situação não é exclusiva desta unidade da Federação. É nesse contexto de precarização e aumento do número de professores em contrato temporário e até mesmo sem contrato que a Sociologia volta ao currículo escolar.

Nesta mesma perspectiva de focalizar situações concretas, o quinto texto relata e analisa o processo de elaboração da proposta curricular para Sociologia no ensino médio da Secretaria de Educação do estado de São Paulo, destacando, com muita propriedade, os desafios que envolvem tão complexa tarefa. Importante destacar que, a despeito da adoção por este estado, a proposta foi formulada "por um grupo de professores e pesquisadores envolvidos com a questão do ensino da Sociologia na educação básica, atuantes em diversas universidades públicas do país" e membros da Sociedade Brasileira de Sociologia (sbs), o que amplia sua importância nesta coletânea. Dessa forma, é possível afirmarmos que a proposta de Sociologia do estado paulista reflete parte do debate nacional mais amplo expresso no grupo de trabalho de "Ensino de Sociologia" vinculado à sbs. Entretanto, é preciso também ter claro, como afirmam Stella Christina Schrijnemaekers e Melissa de Mattos Pimenta, que se trata de "uma proposta em construção".

Abordando a formação de professores de Sociologia, Doraci Alves Lopes, Dulce Maria Pompêo de Camargo e Rafael Fernando da Costa, analisam a rica experiência vivida durante nove anos de trabalho no grupo de pesquisa "Laboratório de Ensino, Sociedade e Cultura" (lesc), da Pontifícia Universidade Católica de Campinas (puc-Campinas). Desenvolvem uma profícua análise desta experiência, lançando mão de conceitos e referências das Ciências Políticas e ultrapassando um relato mecânico de experiência, a qual tinha tudo para dar certo. Ao assinalar que "a tarefa sociológica clássica de desnaturalização (...) passa por uma urgente e renovada desnaturalização, a dos próprios conceitos, como os de cidadania, sociedade civil e participação (...)", os autores nos trazem novos elementos para refletir sobre o processo de formação de professores.

Finalmente, na seção Caleidoscópio, Dirce Pacheco e Zan relata uma experiência inovadora de estágio de formação do professor de Sociologia, que envolve um trabalho integrado com licenciandos de diferentes cursos da Universidade Estadual de Campinas. No texto, a autora destaca a perspectiva desta proposta em evidenciar o reconhecimento da importância e dos lugares necessários para as diferentes áreas na realidade escolar. A autora conclui seu texto com enfático alerta: "frente às novas demandas sociais e às mudanças exigidas da escola, urge ampliarmos o debate acerca da formação de professores e, em especial, do professor de Sociologia, que mais recentemente voltou a atuar na educação básica".

Ao propormos esta publicação voltada para o ensino de Sociologia, esperamos contribuir para o inesgotável debate sobre a importância desta disciplina na formação do estudante da educação básica.

 

 

Disponível em <http://www.cedes.unicamp.br>