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Revista Brasileira de Ciências do Esporte

versión impresa ISSN 0101-3289

Rev. Bras. Ciênc. Esporte (Impr.) vol.31 no.3 Porto Alegre mayo 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-32892010000300001 

EDITORIAL

 

Os periódicos e suas políticas

 

 

Os periódicos da área de educação física/ciências do esporte têm sofrido, nos últimos anos, fortes alterações em suas políticas de publicação. Isso provavelmente é resultado dos mecanismos de fomento à pesquisa e à pós-graduação, que vão exigindo um ritmo e uma forma de produção que ainda não se havia experimentado. São muitos os trabalhos recebidos pelos bons periódicos, ainda que a esse volume não corresponda a qualidade que se poderia esperar de um aumento tão significativo do apoio à pesquisa, como vemos hoje. Esse é mais um item a se somar àquele quadro que discutíamos no editorial anterior.

Nesse contexto coloca-se, no entanto, um elemento que não pode ser escamoteado, mas deve vir mesmo para o centro de nosso debate, qual seja, as diferentes formas de produção e de veiculação do conhecimento que se produz em educação física/ciências do esporte. A posição acadêmica ocupada pela área junto aos órgãos de fomento a delimita como parte da grande área da saúde, o que corresponde indubitavelmente à parte de sua tradição no que se refere à prática profissional e de pesquisa. No entanto, um bom número de trabalhos realizados nos programas de pós-graduação maneja outros instrumentos teórico-metodológicos, mais próprios do que se convencionou chamar de ciências humanas. A tradição da educação física vincula-se, em grande medida, à educação escolar. Como tal, mesmo que muitos de seus ideólogos do século XIX tenham sido médicos que viram na escola função modernizadora pela via do corpo, trata-se de observar sua inserção imediata e seu diálogo com outras disciplinas interessadas na intervenção pedagógica. Aliás, para aqueles médicos modernizadores tratava-se de uma intervenção sociopolítica que ia muito além da prática de atividades físicas. Se é legítimo que a exposição dos resultados de uma pesquisa se oriente pela forma como ela foi realizada, alcançando com isso mais fidelidade ao objeto estudado, então não podemos ter um padrão único para nossos papers.

É certo que, com alguma discussão epistemológica acumulada pelo campo, poucos discordarão do que foi dito, mas aqui se trata de outra questão: a das consequências para a produção e para a veiculação do conhecimento produzido em ciências humanas quando nossos periódicos se conformam pelas regras das ciências naturais.

Uma saída para pesquisadores e pesquisadoras é a adaptação dos trabalhos de ciências humanas aos ditames das ciências naturais, movimento que, além de artificializar a pesquisa e sua divulgação, a limita a esquemas de organização que, ao não lhe dizerem respeito, pouco ajudam em seu desenvolvimento. Outra possibilidade que a área tem encontrado é a especialização dos periódicos, seja de forma declarada ou não. Destaca-se, no primeiro caso, a Revista Movimento, ainda que seja ela expressão de um paradoxo, na medida em que se esmera - assim como o faz também esta RBCE - por incorporar-se em reconhecidos indexadores na área da saúde. De outra forma, como avançaria na classificação que a área reconhece? Esta e outras questões estão no escopo da RBCE e de sua intervenção na política de produção e veiculação de conhecimento em educação física/ciências do esporte. Parece-nos que o debate, no entanto, não tem sido suficientemente enfrentado pela área.

O primeiro texto publicado nesta edição, de autoria de um pesquisador francês, aborda o processo de construção do nacionalismo helvético em discursos da imprensa suíça francófona veiculados sobre de partidas de futebol entre equipes suíças e alemãs, entre 1920 e 1942. O trabalho seguinte apresenta resultados de uma pesquisa qualitativa sobre o processo de formação continuada de professores de educação física que atuam na educação básica do município de Vitória, Espírito Santo. Na sequência, temos a apresentação de duas produções etnográficas. A primeira delas, oriunda da Argentina, problematiza práticas corporais juvenis na cidade de La Plata. A segunda tem foco na constituição de práticas pedagógicas de professores de educação física em uma escola municipal de Porto Alegre, Rio Grande do Sul. O artigo seguinte discute características da ciência moderna e sua influência na prática acadêmica na educação física, o que contribuiria para a hegemonia de algumas de suas subáreas, considerando-se a fragmentação, naturalização e universalização de uma visão de ser humano e de realidade social.

Os textos subsequentes abordam: as relações entre a prática do profissional de ginástica em academia e sua formação em cursos de graduação e pós-graduação em educação física; o espetáculo futebolístico no Brasil e o Estatuto de Defesa do Torcedor; e o modo como o Estado se constitui como elemento fundamental para gestão do esporte universitário brasileiro. Proveniente da Espanha, o trabalho que dá prosseguimento a este número da revista analisa as correlações entre a configuração dos remos de caiaquistas, suas medidas antropométricas e as variáveis cinemáticas, a partir de um teste máximo de 500m, realizado pelas componentes da equipe nacional espanhola juvenil feminina.

Posteriormente, temos estudos relacionados à verificação das relações entre o desempenho de nadadores competitivos e parâmetros do teste de nado estacionário; ao modelo competitivo da distância percorrida por futebolistas mediante as posições de jogo, os tempos e a distância total percorrida durante as partidas; e, por fim, à ingestão de cafeína na resposta da imunoglobulina A salivar (IgA-s) em atletas de voleibol.

Da dupla de textos finais inéditos, o primeiro focaliza as principais lesões no basquetebol e sua incidência; o outro, a identificação da incidência de lesões em tenistas competitivos, relacionando-as à idade, ao tempo de prática, além de inventariar o segmento corporal com lesões mais frequentes. Encerrando este número da RBCE, publicamos um artigo de revisão que apresenta a biologia molecular como ferramenta na pré-seleção e na seleção de talentos esportivos, na manipulação genética visando ao aumento ou a diminuição da produção de determinadas substâncias pelo organismo, na prescrição do treinamento e na recuperação de lesões.

Boa leitura!

Alexandre Fernandez Vaz
Marcus Aurélio Taborda de Oliveira

Florianópolis, fevereiro de 2010