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Revista Brasileira de Ciências do Esporte

Print version ISSN 0101-3289

Rev. Bras. Ciênc. Esporte vol.34 no.1 Porto Alegre Jan./Mar. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-32892012000100015 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Primórdios da natação competitiva feminina: do "páreo elegância" aos Jogos Olímpicos de Los Angeles1

 

Beginning of female competitive swimming: from "elegance race" to Los Angeles Olympic Games

 

Albores de la natación competitiva femenina: desde "la disputa en elegancia" hasta los Juegos Olímpico de Los Ángeles

 

 

Dr. Fabiano Pries DevideI; Dr. Sebastião Josué VotreII

IProfessor Adjunto do Instituto de Educação Física (IEF) da Universidade Federal Fluminense, Doutorado na Universidade Gama Filho (PPGEF/RJ) (Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil) E-mail: fabianodevide@uol.com.br
IIProfessor do Programa de Pós-Graduação em Educação Física da Universidade Gama Filho (PPGEF-UGF/RJ) (Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil) E-mail: svotre@gmail.com

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Este estudo tem o objetivo de construir a narrativa histórica sobre o surgimento da natação competitiva feminina. Para coleta de dados, realizamos duas entrevistas com nadadoras que participaram deste processo: Blanche Pironnet e Maria Lenk, além de fontes documentais. A interpretação dos dados demonstra que, no início do século XX, a natação foi um locus de poder simbólico, que permitiu às mulheres da elite conquistar o espaço público sem maiores resistências sociais, adequando-se ao projeto eugênico do Estado, ganhando visibilidade numa sociedade patriarcal e conservadora.

Palavras-chave: história; esporte; natação; mulheres.


ABSTRACT

The objective of this study is to construct the historical narrative of the appearance of swimming competitions for women up to 1932. Two swimmers who actually participated in this process were interviewed: Blanche Pironnet, and Maria Lenk. Documents from other sources were also used in the process. The interpretation of the sources shows that at the beginning of the 20th century, swimming was a locus of symbolic power, which permitted elite women to conquer public space without much social resistance at the same time that they made it appropriate to state eugenic projects and became visible to a patriarchal and conservative society.

Keywords: history; sport; swimming; women.


RESUMEN

Este estudio tiene como objetivo construir la narrativa histórica sobre el surgimiento de la natación competitiva femenina hasta 1932. La obtención de datos ha sido a través de dos entrevistas de élite, con nadadoras que participaron en este proceso: Blanche Pironnet y María Lenk, y de otros documentos. La interpretación de las fuentes demuestran que, a principios del siglo XX, la natación fue un sitio de poder simbólico, permitiendo a las mujeres de élite el reconocimiento en espacios públicos sin gran resistencias sociales, adaptadas al proyecto eugênico del Estado, que ha permitido, a esas mujeres, visibilidad en una sociedad patriarcal y conservadora.

Palabras-claves: historia; deporte; natación; mujeres.


 

 

INTRODUÇÃO

No cenário histórico nacional, a legislação cuidou de manter as mulheres restritas a determinadas modalidades de exercícios físicas e esportes, com base em pressupostos biologicistas. O Estado abordou a questão da participação feminina no esporte, reproduzindo ideais sexistas que determinavam as diferenças na prática de atividades físicas de homens e mulheres (CASTELLANI FILHO, 1997).

Em fins do século XIX e início do século XX, Rui Barbosa e Fernando de Azevedo atribuíam à figura feminina, associada à da mãe, um papel decisivo na eugenização do povo brasileiro, através de uma Educação Física integral, que incluía a ginástica calistênica e esportes menos violentos, como a natação (SOARES, 1994; DEVIDE, 2004).

Neste contexto, buscamos articular a memória viva de nadadoras com outras fontes documentais. Interpretamos falas e outros documentos como índices2, que a partir da prática interpretativa e da sua contextualização, podem contribuir para compreender o objeto estudado (GINZBURG, 1989).

Na narrativa de uma história em movimento aqui proposta, as protagonistas são interpretadas como sujeitos genéricos3 de um grupo maior, representativo na natação nacional, no início do século XX. Ao recuperarmos o passado pela lembrança, o reconstruímos com o olhar de hoje, pois:

[...] lembrar não é reviver, mas refazer, reconstruir, repensar, com imagens e idéias de hoje, as experiências do passado. [...] A lembrança é uma imagem construída pelos materiais que estão, agora, à nossa disposição, no conjunto de representações que povoam nossa consciência atual (BOSI, 1995, p. 55).

 

CONSTRUÇÃO DA NARRATIVA HISTÓRICA A PARTIR DAS FONTES

No domínio da História Cultural, apresentamos os modos de pensar e sentir de ex-atletas, através da interpretação de seu discurso, bem como do veiculado pela imprensa da época. Buscamos estabelecer uma tensão entre a prática investigativa que tem na interpretação das fontes primárias4 a sua contribuição.

O objetivo é construir a trajetória histórica das mulheres, nos primeiros anos de desenvolvimento da natação competitiva feminina no Brasil, até 1932, em decorrência dos fatos históricos ocorridos nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro. Tal recorte foi escolhido por ser no ano de 1932 que, de forma pioneira, a nadadora Maria Lenk participou dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, inaugurando uma nova fase para as mulheres no esporte nacional.

A partir da metodologia da História Oral (MEIHY, 1996; THOMPSON, 1992), foram realizadas duas entrevistas, com nadadoras brasileiras pioneiras que participaram deste processo: Blanche Pironnet e Maria Lenk.5 Também utilizamos fontes documentais do Jornal dos Sports; Arquivo do Estado de São Paulo; Fundação Biblioteca Nacional; Biblioteca John Kennedy (SP); Fluminense Football Club (F.F.C.), Clube Espéria (C.E.), Clube de Regatas Tietê (C.R.T.), Club Athletico Paulistano (C.A.P.) e Associação Athletica São Paulo (A.A.S.P.).

Para análise das fontes, utilizamos uma abordagem semiótica (ECO, 1997), com foco no leitor, que constrói sentidos na interlocução, marcado por sua história de vida e textualidade (PECHEUX, 1997).

 

DESENVOLVIMENTO

Para construir a narrativa, apresentamos algumas evidências da evolução da participação das mulheres na natação de competição, identificadas nas fontes.

 

A PRIMEIRA COMPETIÇÃO FEMININA DE NATAÇÃO

Na A.A.S.P., clube que revelou as irmãs Lenk,6 no "Livro de Registro de Nadadores", iniciado em 1915, consta o nome da Sta. Haydée Bueno de Camargo, brasileira, como tendo participado, em 25 de março de 1917, de prova demonstrativa de 50 metros, o "páreo elegância", agraciada com medalha de prata.7 O Diário Popular acompanhou e parabenizou a iniciativa da A.A.S.P. de incluir prova feminina em concurso aquático, no rio Tietê.8

Associação Athletica S. Paulo, certa de que a natação é o 'sport' que deve ser mais cultivado entre nós, [...] resolveu realisar no proximo domingo, [...] um concurso aquatico entre todos os socios. Na sua organização - e foi feliz idéa - a directoria resolveu abrir inscrições para um pareo entre senhoras e senhoritas, socias da sociedade. Assim é que já temos assistido aos treinos das socias, e, com franqueza, nunca suppozemos que S. Paulo, terra onde todas as iniciativas desta ordem têm falhado, pudesse sem barulho, conseguir o que vimos. É realmente uma obra meritoria a da directoria da Athletica, que aos poucos, vae conduzindo para o 'sport', um grupo bem avultado de distinctas senhoras [...].9

O texto dá indício de iniciativas falhadas, deixa implícito o risco de a inserção feminina causar "barulho" na sociedade paulista, pois muitas mulheres daquela sociedade, na década de 1930, não praticavam esportes sob o receio de serem consideradas vulgares, deixando tal prática para as classes populares.

A mídia favorecia a natação como atividade apropriada à "natureza feminina". Maria Lenk rememora: "Havia os que não gostavam da mulher... ingressar na vida pública. E havia os que estimulavam. E eram homens! Através da mídia, (...) da direção de clubes. (...) nós devemos aos homens o nosso ingresso no esporte" (LENK, 2001)10

O "páreo Elegância", do evento da A.A.S.P., surtiu efeitos positivos entre as mulheres da sociedade paulista e nos clubes ribeirinhos ao Tietê, como o C.E. e o Estrela, onde a prática esportiva feminina aumentou.

 

O PIONEIRISMO FEMININO DO FLUMINENSE FOOTBALL CLUB E AS VITÓRIAS DE BLANCHE PIRONNET NO CLUB ESPERIA

Enquanto isso, na cidade do Rio de Janeiro, o F.F.C., considerado clube aristocrático, largou na frente na construção da primeira piscina. Em 21 de janeiro de 1919, o Cardeal Arcoverde lançou a bênção sobre o parque aquático do F.F.C. Coelho Neto pronunciou o discurso inaugural, dirigido aos homens, com foco no caráter higiênico e eugênico da atividade física, indiciando a invisibilidade das mulheres cariocas no cenário esportivo.

Se, em São Paulo, mulheres dos clubes do Tietê foram pioneiras na natação; no Rio de Janeiro, foi na piscina do F.F.C. que ocorreram as primeiras provas femininas. Em 8 de fevereiro de 1920, o clube promoveu uma festa aquática com 15 provas, três para senhoras e senhoritas.11 Primeira competição de natação carioca com provas para mulheres, o evento abriu as portas para mulheres de elite nas piscinas, com talentos que deixaram seus nomes na história deste esporte.

Um mês após a inauguração da piscina do F.F.C., em 23 de fevereiro de 1919, em São Paulo, o C.E. realizou sua Festa Sportiva Social, com regatas de remo, provas de natação e pedestrianismo. Numa das provas, Blanche Pironnet:

[...] A Senhorita Blanche Pironnet venceu brilhantemente e em bello estylo o pareo de natação a 350 metros, recebendo na chegada fartos aplausos. A presença dessa jovem nas nossas corridas de natação é um estimulo para a participação do bello sexo nas festas nauticas das nossas sociedades.12

Se, até então, o esporte tinha como objetivo principal o culto à graça e à beleza femininas (SCHPUN, 1999; DEVIDE, 2004), a possibilidade de uma mulher disputar e vencer os homens, em competição, contribuiu para mostrar que elas podiam competir, serem atléticas e fortes, perturbando o discurso normativo que, nas diferenças biológicas entre os sexos, buscava elementos para definir as práticas físicas ideais para mulheres e homens.

Blanche Pironnet ganhou visibilidade na sociedade paulistana, repetindo suas vitórias em outras ocasiões, no mesmo ano de 1919, vencendo dois concorrentes do "sexo forte". Os jornais se eximiram de discutir as diferenças entre os homens e mulheres, que as excluíam de alguns esportes. Blanche relata a primeira vez que foi nadar no canal que o rio Tietê formava no terreno do C.E., e a surpresa que causou aos associados: "(...) '-Uma mulher está nadando! (...) Uma moleca está nadando!' (...) foi uma coisa [risos] e meu pai imediatamente (...) veio com um roupão para me cobrir quando eu saía da água..." (PIRONNET, 2001).13

Em 1931, longe das competições, Blanche ressaltou a importância da vitória sobre os homens e os avanços da prática do esporte pelas paulistas: "[...] São Paulo progrediu immenso na aquatica [...]. Principalmente entre as moças que conseguiram sobrepor a finalidade da cultura physica aos preconceitos sociaes, de que vivia eivada a sociedade no meu tempo".14

Blanche é o exemplo pioneiro de como as mulheres se tornaram públicas na sociedade, através do esporte. O poder simbólico (BOURDIEU, 1999), que adquiriam ao se consagrarem vitoriosas, possibilitou a saída da clausura da esfera doméstica e a conquista de espaços na vida pública: no esporte, na imprensa e no trabalho.

 

NATAÇÃO COMO ATIVIDADE IDEAL PARA A MULHER

Nas atividades físicas, a dança e a ginástica eram consideradas as mais indicadas às mulheres; nos esportes, a natação. Revistas como a Sports, em São Paulo, e a "Tricolor", no Rio de Janeiro, publicavam artigos sobre natação e "educação physica" feminina

A natação legitimava as qualidades femininas nos anos de 1920: "[...] ligações estreitas com a percepção da 'natureza' feminina. [...] a água lembra a maternidade. [...] nesse cenário eles [os corpos femininos] podem até competir" (SCHPUN, 1999, p. 51-52). Na Revista Sports, Fernando de Azevedo propõe para a "Educação Physica Feminina", que deve constar de:

a) jogos infantis [...]; b) gymnastica sueca [...]; c) esportes, taes como dança clássica, ao ar livre, pedestrianismo [...]; e, finalmente, a natação que é o esporte utilitário de maior capacidade hygienica e morphogenica. [...] Os exercícios, pois, que mais convém á mulher são aquelles que aumentam a flexibilidade e a destreza da columna vertebral [...] da flexibilidade do tronco e da harmonia dos movimentos depende um dos maiores encantos da mulher: a GRAÇA. A educação physica para moças deve ser [...] hygienica e esthetica e nunca 'athletica', visar [...] o desenvolvimento da parte inferior do corpo, dar graça e destreza aos movimentos, procurando antes a ligeireza do que a força. [...] As meninas e moças poderão fazer os exercícios respiratórios, procurando-se [...] o desamor pelo espartilho que [...] deforma o tórax e prejudica a respiração. [...] Os exercícios para a mulher [...] devem ser menos enérgicos e ter menos duração. É contra indicado todo e qualquer exercício que exija dispêndio muscular intenso e prolongado [...].15

O excerto de Azevedo normatiza as práticas corporais destinadas às mulheres, incorpora ideais da época, como o discurso higienista, a educação dos corpos e a beleza física associada à idéia de saúde e melhoria da raça (PRIORE, 2000). O texto combate o espartilho, a prática esportiva competitiva e de alta intensidade. Com base na crença, a natação era um esporte que dispensava a força e, por ser realizado ao ar livre e na água, era higiênico e capaz de trazer benefícios ao corpo feminino. "[...] a natação gozava de fama de dispensar a força física muscular, portanto, não prejudicando as virtudes femininas de graciosa fragilidade impostas pelo machismo dominador" (LENK, 1986, p. 17), ecoando o que escrevera no seu primeiro livro: "Leva este desporto a vantagem sobre os demais, por ser executado, [...], nas melhores condições higiênicas [...]" (LENK, 1942, p. 11).

 

A PRIMEIRA PROVA FEMININA INTERESTADUAL DE NATAÇÃO

A primeira competição feminina interestadual se deu entre paulistas e cariocas, em 3 de abril de 1921, com Blanche Pironnet, representante do C.E.. A prova feminina de 200 metros, "Nylsa e Nadir de Medeiros", ocorreu na enseada de Botafogo, constou da presença de outras nadadoras, além de Blanche, demonstrando o aumento da participação das mulheres na natação carioca16 . O jornal Correio da Manhã destacou a prova feminina:

Sallienta-se desse magnífico programma a interessante prova feminina que tem sido o 'clou' das festas aquáticas realizadas entre nós e que terá de ser disputada por 10 eximias nadadoras, para a disputa do titulo conquistado das vezes anteriores pelas valentes nadadoras do C.R.S. Christovão e ainda em seu poder [...].17

O concurso aquático de 1921 foi um marco na história da natação feminina carioca, quando nove mulheres compareceram para competir na enseada de Botafogo, chamando a atenção da imprensa. No decorrer da prova, Ophelia Paranhos, vice-campeã e favorita à vitória, desmaiou ao completar o percurso. A imprensa criticou a metragem e a intensidade da prova para nadadoras jovens, desaconselhando a competição esportiva para as mulheres. O Correio da Manhã anunciou: "O páreo feminino, (...) teve um desfecho desagradável e impressionante".

[...] Ophelia fez os ultimos oitenta metros com grande sacrificio, conseguindo alcançar a chegada, bastante tonta, vindo a desfallecer. [...] fica confirmado o que dissemos ha algumas semanas, no que não fomos attendidos pelos teimosos organizadores do programma [...]: 200 metros para meninas de menos de quinze annos é muita coisa. E a confirmação do que prevíramos, está na difficuldade com que todas ellas lutaram.18

Blanche, por sua vez, afirmou que nadaram o percurso com facilidade: "[...] Fiquei, entretanto, admirada de encontrar tantas senhoritas nadando 200 metros com facilidade [...]".19

 

NADADORAS CONQUISTAM ESPAÇOS NO ESPORTE, TRANSFORMANDO REPRESENTAÇÕES

Novas mulheres pioneiras continuaram a desafiar os valores sociais. Em 1922, duas nadadoras se inscreveram na Prova Clássica Guanabara, com 4,1 km de percurso, entre a praia da Boa Viagem, Niterói e a de Santa Luzia, Rio A imprensa ficou em alerta com a inscrição das duas "senhoritas", entre os 39 inscritos:

O concurso de duas senhoritas. [...] Na prova 'Guanabara' realizada o anno passado, tendo concorrido 13 nadadores, conseguiram fazer a travessia somente cinco [...]. Já este anno, [...] dos 39 elementos que pretendem vencer a longa travessia, constam duas senhoritas que, com galhardia, representarão o veterano C. R. Icarahy. É um bello exemplo que offerecem as vitoriosas nadadoras [...]. Muito embora julguemos ser demasiado o esforço que vão dispender as duas gentis patrícias, achamos, todavia, que o gesto das senhoritas Anésia Coelho e Alice Possolo e, ainda mais, a coragem com que vão enfrentar as águas de nossa bella Guanabara, [...] merecem os applausos de todos os seus patrícios.20

Foi surpresa, entretanto, o resultado. Apenas dezoito inscritos, entre os 39, completaram a travessia. Entre eles, Anésia Coelho classificou-se em 11º lugar e Alice Possolo em 15º: "As senhoritas Anesia Coelho e Alice Possolo conseguem fazer a travessia".21

Em 1923, São Paulo presenciou o feito de Irene Martinsen,22 na "Travessia Guarulhos - Ponte Grande", no rio Tietê. A Gazeta refere: "'A optima corrida da senhorita Irene Martinsen (...)", que foi a quarta colocada, dentre oito concorrentes, nadando durante 4 horas 32 minutos e 9 segundos.

O percurso em que se disputou o grande 'péga' aquático foi [...] entre a cidade de Guarulhos e a Ponte Grande, num total de 30 kilometros. [...] figuraram 8 nadadores, inclusive uma graciosa representante do 'sexo fraco' - a senhorita Irene Martinsen, que obteve o 4º logar de modo brilhante. [...] única concorrente feminina, que soube honrar o seu sexo, collocando-se victoriosa entre os nadadores do sexo feio...23

A participação de Blanche Pironnet, Anésia Coelho, Alice Possolo e Irene Martinsen nesses eventos, desautorizou os argumentos construídos sobre os pilares do cientificismo biológico, reforçados por intelectuais como Fernando de Azevedo e Rui Barbosa, além de representantes da classe médica que, pautados nas diferenças biológicas entre os sexos, interpretavam as mulheres como seres frágeis, com a finalidade de desaconselhar a prática de algumas modalidades consideradas inapropriadas ao sexo feminino (DEVIDE, 2005).

 

A TRAVESSIA DE SÃO PAULO A NADO CONFERE VISIBILIDADE ÀS NADADORAS

Em 1924, a "Travessia de São Paulo a Nado" reuniu a sociedade paulistana nas margens e pontes do rio Tietê. Durante o percurso de cerca de cinco quilômetros e meio, os atletas eram aplaudidos, sendo o vencedor enaltecido como ídolo esportivo. Na audiência, a predominância masculina era visível nas fotos dos jornais; crianças e mulheres era minoria. Conta Maria Lenk em "Braçadas & Abraços":

O rio Tietê fazia parte da conjuntura que caracterizou a vida do paulista dos anos 1920 e 30, primórdios do desporto [...], quando se encarava a atividade desportiva como manifestação do jovem másculo, que [...] faria uma demonstração de força [...]. À mulher cabia, quando muito, assistir às pugnas esportivas, em que torceria pelo seu galã [...]. (LENK, 1986, p. 39).

O texto de Maria Lenk demonstra a reserva masculina na natação competitiva da época, pois apenas o esporte recreativo era recomendado às mulheres.

Em 1924, 63 atletas se inscreveram, sendo dez mulheres. A maior parte, da colônia alemã, do Clube Estrela, onde Maria Lenk iniciou a sua carreira e, segundo ela, "os preconceitos eram menos inibidores" (LENK, 1986, p. 42). A vencedora da prova feminina foi Jandyra Barroso, do Clube Saldanha da Gama. Todas as nadadoras concluíram a travessia, contribuindo para dar visibilidade às mulheres paulistas no esporte. O maior contingente de nadadoras foi em 1940, quando 133 mulheres se inscreveram, entre 1573 atletas (NICOLINI, 2001).

Em São Paulo, coube a um pequeno grupo de moças da colônia alemã romper as maiores barreiras antepostas à mulher no desporto pelos costumes e preconceitos locais, ao se apresentar em público para nadar, ainda que envoltas em prodigiosos costumes de banho [...]. As restrições encontradas em casa por essas jovens eram menores, [...] elas advinham de uma cultura tradicionalmente adepta aos cuidados com o físico e à apreciação dos encantos "DER NATUR" [...]. (LENK, 1986, p. 17).

Entre vencedoras dessa Travessia nas edições seguintes, figuram nomes de importantes atletas olímpicas da natação nacional, como Maria Lenk, Sieglinde Lenk e Scylla Venâncio, participantes nos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1932, e de Berlim, em 1936.

 

INAUGURAÇÕES DAS PISCINAS DO CLUB ATHLETICO PAULISTANO E DA ASSOCIAÇÃO ATHLETICA S.P.

Nessa época, teve início a construção de piscinas nos clubes paulistas. Em 1926, o C.A.P. construiu a primeira piscina em São Paulo. Por ser um clube social, distante do rio Tietê, não era filiado à F.P.S.R., não sediando campeonatos. A inauguração de sua piscina, com a presença do presidente da República, Washington Luis, se tornou foco da imprensa local, que interpretava a obra como um grande progresso dos esportes aquáticos de São Paulo e do Brasil.24

O jornal "O Estado de S. Paulo" publicou reportagens com o movimento dos primeiros nove dias de uso do parque aquático, divulgando o número de 917 homens e 227 mulheres banhistas, ressaltando o interesse que a piscina despertara, e a contratação de uma professora de educação física para dar aulas para as senhoras e crianças.25

Em fevereiro de 1930, foi a vez da primeira piscina regulamentar, com medidas oficiais para as competições, na A.A.S.P., localizada à margem do rio Tietê. Dali em diante, houve um controle preciso dos recordes, bem como da natação longe do Tietê, que sofria com a poluição. A A.A.S.P. revelou várias campeãs, como Maria e Sieglinde Lenk, irmãs vindas do clube alemão Estrela, e que se tornariam atletas olímpicas, além de Marina Cruz, incentivadora da natação entre as paulistas.

Constituiu-se um discurso eugênico, com a mulher como foco da educação física. Em 1930, Orlando Rangel Sobrinho faz uma revisão da trajetória da educação física feminina na história. Estabelece a mulher ativa como redentora da raça forte, robusta, saudável e bela: "Nada se poderá esperar de uma raça cujas mães não são preparadas physicamente para o cumprimento de sua missão suprema - a conservação da especie" (RANGEL SOBRINHO, 1930, p. 25).

No início da década de 1930, com base no cientificismo positivista, a Educação Física contribuiu para construir uma raça forte, para o progresso de uma nação em desenvolvimento: O temor à degenerescência da raça e a necessidade de fortalecer a força produtiva, [...] evocam um maior controle sobre o corpo [...]. (GOELLNER, 2000, p. 62).

 

PRIMEIRA COMPETIÇÃO EXCLUSIVAMENTE FEMININA DE NATAÇÃO

Com o aumento do número de nadadoras, organizam-se, em São Paulo e no Rio de Janeiro, as primeiras competições femininas do país, com grande receptividade do público.

O programa da primeira competição constou de quinze "páreos", com mais de cinquenta concorrentes, representando cinco clubes: o Estrella; a A.A.S.P., o Deutscher Wessersport, o C.R.T. e o Clube Esportivo da Penha. O jornal "A Noite", publicou em manchete "A primeira competição aquatica feminina no Brasil", com fotos das nadadoras, além de alguns trechos de entrevista de Marina Cruz, campeã paulista e uma das competidoras:

Este pareo terá por fim incentivar a cultura da natação por parte [...] das nossas patrícias, tão arredias deste salutar sport, que não masculinisa a mulher, como muitos pensam; mas é um dos fatores que concorrem para as tornar esbeltas, sadias e fortes.26

O incentivo à prática física para a saúde da mulher não se desvinculava da ideia de beleza estética, que garantia a audiência: "[...] o sabor de novidade e o natural attractivo pelo bello sexo foram, sem duvida, factores preponderantes no exito que se registrou".27 O amadurecimento da natação feminina em São Paulo foi coroado com o primeiro Campeonato Paulista Feminino de Natação.28

No mesmo ano, no F.F.C., as cariocas tiveram sua competição exclusivamente feminina. A enseada de Botafogo teve uma competição com prova para senhoritas. Maria Lenk e Marina Cruz vieram ao Rio de Janeiro, para disputar a prova dos 200 metros nado livre, entre as cariocas.

 

NADADORAS NA IMPRENSA: MARINA CRUZ COMO CRONISTA ESPORTIVA

Marina Cruz atuou como cronista esportiva, discutindo as barreiras "invisíveis" para o desenvolvimento da natação entre as paulistas. O jornal "A Platéia", que publicou a biografia da nadadora, escreveu:

Marina Cruz, a maior incentivadora das moças, aconselha as suas conterraneas - A maior gloria da joven campeã não está nas suas victorias - reside no seu grande enthusiasmo e na maneira pela qual faz a natação triumphar entre as representantes do bello sexo.29

Marina foi pioneira no incentivo à natação feminina entre as mulheres, incentivando a prática do esporte entre as paulistas, rompendo barreiras e combatendo preconceitos. Ela criou um movimento em prol da natação entre as paulistas. Em entrevista concedida ao jornal "A Platéia", afirmou:

Em todos os clubes de S. Paulo a gente nota a presença de senhoritas da nossa melhor sociedade e que não se sentem envergonhadas de praticar o esporte ou de vestir um 'maillot'. Estas [...] são as maiores propagandistas dos esportes, e [...] merecedoras de nossos applausos.30

Mais tarde, Marina escreveu uma crônica intitulada "A natação é e será o esporte ideal para as mulheres - Por que a F.P.S.R. não cuida com mais carinho da natação entre as paulistanas?", tecendo críticas ao caráter machista da entidade, construindo argumentos sobre a natação enquanto esporte ideal para a mulher.

[...] Por que cercear á mulher o direito de praticar os esportes? Por acaso, porque vestimos saias, não temos aptidões para concorrer para o mesmo fim? Nós, como os homens, sabemos, e com mais elegancia, envergar os uniformes esportivos, e tambem... usamos cabellos curtos!... Quero crer que os próceres aquaticos de S. Paulo sabem que as moças devem praticar esportes [...] Ora, não será porventura a natação o esporte ideal para as representantes do bello sexo? [...] Fico pois defendendo o meu ponto de vista, que é o de trabalhar pelo triumpho da mulher paulista na natação, que muito já se tem feito sem o auxilio da entidade official.31

As palavras de Marina ancoram o pioneirismo das mulheres na imprensa esportiva, masculina. A possibilidade de uma mulher jovem poder expor suas opiniões acerca de fatos esportivos contribuiu para dar visibilidade às nadadoras; além de instituir um movimento, ainda discreto, que reivindicava o espaço merecido à natação feminina em São Paulo.

 

MARIA LENK: PRIMEIRA MULHER SUL-AMERICANA NOS JOGOS OLÍMPICOS

Com a aproximação dos Jogos Olímpicos de Los Angeles, em 1932, ocorreram competições pré-olímpicas, organizadas pela F.B.S.R. Na terceira "preparação olímpica", um campeonato nacional, destinado a escolher a equipe que iria aos X Jogos Olímpicos de Los Angeles, Maria Lenk venceu as três provas, quebrando um recorde sul-americano.32 A imprensa depositava na nadadora a maior esperança da natação nacional. O diretor técnico do C.R.T., Mario Tolentino, proclamou: "Maria

Lenk, a maior figura da natação brasileira".33 (Jornal dos Sports, 25.05.1932, p. 1). Aos dezessete anos, Maria Lenk foi a primeira sul-americana a participar dos Jogos Olímpicos.

(...) Pros Jogos Olímpicos (...) as autoridades tomaram conhecimento e me chamaram. Não havia (...) índices. Escolhiam-se os melhores. (...) A idéia, na primeira vez, era experimentar. (...) eu me destacava longe de todas as outras nadadoras. (...) perguntaram ao meu pai se ele me deixava ir (...) eu fiquei felicíssima, em poder sair, daqueles quatro cantos de São Paulo (...). E meu pai (...) ficou contente. (...) com a mentalidade alemã, ele permitiu. Eu tinha 17 anos, era menor, (...) mas ele me entregou aos cuidados do chefe da delegação.34

Maria Lenk afirma que teve o suporte da cultura europeia, herdada por seus pais alemães, que a levaram para o esporte de uma forma natural, incentivando-a. Tal contexto lhe permitiu dedicar-se à natação, sem conviver com os preconceitos que outras mulheres tinham no início da década de 1930, seja porque a sociedade as cerceava, ou porque os pais as proibiam de praticarem esportes nos clubes da cidade. Da longa viagem a bordo do Itaquicê, rumo à Los Angeles, Maria Lenk (2001) relembra:

(...) Ser a única atleta (...) feminina, não importava muito. (...) a atitude dos homens na época, era de, ou ver na mulher... A fêmea, que teria que ser paquerada, e quando não correspondia à imagem, como era o meu caso, (...) me tratava como companheira (...).35

O Jornal dos Sports publicou a manchete: "Maria Lenk será a nossa representante nas provas aquaticas de 100 e 200 metros a serem corridas hoje"; acompanhada de fotografia da nadadora, que trazia na legenda: "A fibra sportiva da mulher brasileira terá sua expressão, hoje em Los Angeles, traduzida pela presença de Maria Lenk, a única representante do sexo feminino que o nosso paiz mandou á X Olympiada [...]".36

O pioneirismo de Maria Lenk foi reconhecido pela imprensa, e se tornou parte da história das mulheres no esporte sul-americano, apesar de sua desclassificação na prova dos 100 metros nado de costas.37 O Jornal dos Sports publicou:

[...] Maria Lenk, em quem a delegação depositava as melhores esperanças, foi desclassificada na segunda eliminatória dos 100 metros, nado de costas, por ter sido julgada fora dos estylo da prova a maneira pela qual a concorrente sul-americana fez as voltas nas cabeceiras da piscina.38

Findados os Jogos, a participação da nadadora paulista continuou modesta em resultados, não correspondendo às expectativas nacionais; mas sua presença, como única atleta sul-americana nos Jogos Olímpicos, a tornou pioneira no esporte feminino na América do Sul, abrindo horizontes para a participação das mulheres, contribuindo para o avanço na natação feminina no Brasil. Sete anos mais tarde, em 1939, Maria Lenk sagrou-se recordista mundial nos 200 e 400 metros nado borboleta (DEVIDE, 2003).

 

REFLEXÕES FINAIS

No início do século XX, a natação tornou-se um locus de poder simbólico, que permitiu às mulheres atletas, geralmente de origem europeia, vindas das elites e notadamente dos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, conquistar o espaço na esfera pública das competições e da mídia esportiva, sem as resistências sociais da época, que restringiam as mulheres à esfera privada. Esse processo de conquista da esfera pública foi possível devido à correspondência ao projeto eugênico promovido pelo Estado, que destinou às mulheres a função de fortalecimento da raça brasileira, tendo o esporte, especificamente a natação, como mola propulsora.

Nesse contexto, a inserção dessas mulheres pioneiras no esporte contribuiu para que as nadadoras ganhassem visibilidade e passassem a ser valorizadas como exemplos de saúde, beleza e graciosidade, numa sociedade patriarcal e conservadora, rompendo valores de uma época que reservava às mulheres os papéis de mãe, esposa e dona de casa.

 

REFERÊNCIAS

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Endereço para correspondência:
Fabiano Pries Devide
Rua Bambina, 134, bloco 1, AP. 603 Botafogo
Rio de Janeiro CEP. 22251-050.

Recebido:07 maio 2010
Aprovado: 05 jan 2011

 

 

1. O presente trabalho contou com o financiamento da CAPES (modalidade bolsa de doutorado).
2. No sentido atribuído por Ginzburg (1989).
3. Utilizamos o termo no sentido de Spink (1995). São aqueles informantes que, se devidamente contextualizados, representam os interesses, crenças e valores do grupo em si próprios.
4. Em função de neste estudo algumas fontes primárias serem provenientes de álbuns de recortes de arquivos históricos dos clubes cariocas e paulistas, em alguns casos, não nos foi possível recuperar todos os dados para a sua referência, tais como matérias de jornais e revistas cuja autoria, ano, paginação não foram identificados.
5. Ambas as entrevistas foram realizadas nas residências das colaboradoras, nas cidades de São Paulo (Blanche Pironnet) e Rio de Janeiro (Maria Lenk), durante o ano de 2001, por ocasião da coleta de dados da tese de doutorado intitulada: "História da Natação feminina brasileira no século XX: das adequações às resistências sociais" (DEVIDE, 2003), estando gravadas em fitas cassete e armazenadas com o pesquisador. As colaboradoras deste estudo cederam o direito de uso de seus depoimentos, através de assinatura do termo de consentimento.
6. Maria Lenk e Sieglinde Lenk, nadadoras olímpicas, aquela em 1932, Los Angeles; e esta em 1936, Berlim.
7. A A.A.S.P. foi fundada em 1914. O Livro de Registro de Nadadores iniciou em 1915.
8. Dado que os locais deste estudo foram as cidades do Rio de Janeiro e São Paulo, não podemos garantir quando as mulheres começaram a competir em natação no Brasil.
9. DIÁRIO POPULAR, São Paulo, 10 mar. 1917 (grifo nosso).
10. LENK, M. Entrevista concedida a Fabiano Pries Devide, em 17 mar. 2001.
11. OS CONCORRENTES á festa aquática de hontem no fluminense F.C. O Imparcial, Rio de Janeiro, ano 10, n. 1391, p. 8, 9 fev. 1920.
12. A FESTA no Esperia. Diário Popular, São Paulo, ano 35, n. 11842, p. 2, 24 fev. 1919.
13. PIRONNET, B. Entrevista concedida a Fabiano Pries Devide, em 25 jan. 2001.
14. BLANCHE Pironnet: a melhor nadadora do Brasil nos tempos passado, conta a sua carreira esportiva. Folha da Noite, São Paulo, ano 11, n. 3113, 12 mar. 1931.
15. AZEVEDO, F. Educação Physica para as mulheres. Sports, São Paulo, ano 1, n. 2, p. 46, 1920 (grifo nosso).
16. F.B.S.R. Programma Official dos Concursos Aquaticos promovidos pelo Club de Natação e Regatas em 3 de abril de 1921 na enseada de Botafogo. Rio de Janeiro, 1921 [CLUBE ESPÉRIA. Cx. nº 0032 "Programas Esportivos". Arquivo Histórico do Clube Espéria, São Paulo, [19-].
17. OS GRANDES concursos aquáticos de hoje. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 03 abr. 1921 (grifo nosso).
18. OS INTERESSANTES concursos aquáticos do hontem à tarde. Correio da Manhã, Rio de Janeiro, 4 abr. 1921.
19. A CARREIRA sportiva da 'nageuse' belga Blanche Pironnet, vencedora do páreo feminino de domingo último. O Imparcial, Rio de Janeiro, abr. 1921. Supplemento sportivo.
20. A PROVA clássica 'Guanabara'. O Imparcial, Rio de Janeiro, ano 10, n. 1506, p. 9, 12 fev. 1922.
21. UMA GLORIOSA data para o Sport náutico. O Imparcial, Rio de Janeiro, ano 10, n. 1507, p. 3, 13 fev. 1922.
22. Irene faleceu aos 23 anos de idade, em 1931, deixando de luto a natação paulista. A Gazeta, 08 jun. 1931.
23. A TRAVESSIA Guarulhos-Ponte Grande nas águas do Tietê. A Gazeta, São Paulo, 23 nov. 1923. Aquática.
24. AS OBRAS do valoroso Paulistano. São Paulo Sportivo, São Paulo, 11 nov. 1926.
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26. A PRIMEIRA competição aquática feminina no Brasil. A Noite, São Paulo, 20 mar. 1931.
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28. MARINA Cruz, a maior incentivadora do esporte entre as moças, aconselha suas conterrâneas a praticar a natação. A Noite, São Paulo, 20 mar. 1931.
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31. DIÁRIO Nacional, São Paulo, ano 5, n. 1217, p. 6, 30 jul. 1931.
32. A reunião preparatoria ás Olympiadas. Revista F.F.C. Rio de Janeiro, ano I, n. 33, p. 4, 1932.
33. TOLENTINO, M. Maria Lenk, a maior esperança da natação brasileira. Jornal dos Sports, Rio de Janeiro, ano II, n. 370, p. 1,4, 25 maio 1932.
34. LENK, M. Entrevista concedida a Fabiano Pries Devide, em 17 mar. 2001.
35. LENK, M. Entrevista concedida a Fabiano Pries Devide, em 17 mar. 2001.
36. MARIA Lenk será a nossa representante nas provas acquaticas de 100e 200 metros a serem corridas hoje. Jornal dos Sports, Rio de Janeiro, ano 2, n. 432, p. 1, 4, 6 ago. 1932.
37. LOS ANGELES. X Olympiade Committee of the Games. The games of the X Olympiad: official report. Los Angeles, 1933, p. 640.
38. MARIA Lenk foi desclassificada: os 100 metros, nado de costas, para senhoras hontem realizado - nossa patrícia infringiu o regulamento. Jornal dos Sports, Rio de Janeiro, ano 2, n. 435, p. 4, 10 ago. 1932.

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