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Revista Brasileira de Ciências do Esporte

versão impressa ISSN 0101-3289

Rev. Bras. Ciênc. Esporte vol.34 no.4 Porto Alegre out./dez. 2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-32892012000400016 

ARTIGOS ORIGINAIS

 

Avaliação do trofismo muscular de sóleos de ratos wistar após compressão nervosa e tratamento com corrente de alta voltagem1

 

Assessment of wistar rats' soleus muscle trophism after nerve compression and treatment with high-voltage current

 

Evaluación del tropismo del músculo sóleo de ratas wistar después de la compresión del nervio y tratamiento con corriente de alto voltaje

 

 

Dr. Gladson Ricardo Flor BertoliniI; Grad. Elisangela Lourdes ArtifonII; Grad. Lígia Inez da SilvaIII; Dra. Lucinéia de Fátima Chasko RibeiroIV; Dra. Rose Meire Costa BrancalhãoV

IDoutor em Ciências da Saúde Aplicadas ao Aparelho Locomotor pela Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP/USP). Professor Adjunto da Universidade Estadual do Oeste do Paraná (UNIOESTE). Laboratório de Estudo das Lesões e Recursos Fisioterapêuticos da UNIOESTE (Cascavel - Paraná - Brasil). E-mail: gladson_ricardo@yahoo.com.br
IIGraduada em Fisioterapia pela UNIOESTE, Fisioterapeuta da prefeitura de Capanema - PR. Laboratório de Estudo das Lesões e Recursos Fisioterapêuticos da UNIOESTE (Capanema - Paraná - Brasil). E-mail: elisangela_18@yahoo.com.br
IIIAcadêmica de Fisioterapia da UNIOESTE. Laboratório de Estudo das Lesões e Recursos Fisioterapêuticos da UNIOESTE (Cascavel - Paraná - Brasil). E-mail: lika_silva18@hotmail.com
IVDoutora em Ciências Biológicas (Biologia Celular) pela Universidade Estadual de Maringá (UEM). Professora Adjunto da UNIOESTE. Laboratório de Biologia Celular da UNIOESTE (Cascavel - Paraná - Brasil). E-mail: lucineia.cr@gmail.com
VDoutora em Zoologia pela Universidade Federal do Paraná (UFPR). Professora Associada da UNIOESTE. Laboratório de Biologia Celular da UNIOESTE (Cascavel - Paraná - Brasil). E-mail: rosecb@gmail.com

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

OBJETIVO: avaliar a corrente de alta voltagem sobre o trofismo de sóleos de ratos com compressão de nervo isquiático. Dezoito ratos distribuídos em: GS - compressão nervosa e simulacro; GP+ - compressão e tratado com corrente anódica; GP- - compressão e catódica. Ao final, os sóleos foram dissecados e pesados em balança analítica. Em seguida foram montadas lâminas de cortes transversais, observadas em microscópio óptico de luz comum e digitalizadas, para análise do menor diâmetro de 100 fibras por músculo.
RESULTADOS: todos os grupos apresentaram menor trofismo pelas duas formas de avaliação (p<0,05), mas na comparação entre grupos, não houve diferença significativa (p>0,05).
CONCLUSÃO: a corrente de alta voltagem não inibiu a hipotrofia em sóleos submetidos à compressão nervosa.

Palavras-chave: Neuropatia ciática; músculo esquelético; paresia; estimulação elétrica nervosa transcutânea.


ABSTRACT

AIM: to evaluate the high voltage current on the tropism of rats soleus with sciatic nerve compression. Eighteen rats were divided into: GS - nerve compression and sham; GP + - compression and treated with anodic current; GP - compression and cathode. Finally, the soleus were dissected and weighed on an analytical balance. Then slides were mounted cross sections observed in light microscope and digitized for analysis of smaller diameter of 100 fibers per muscle.
RESULTS: All groups showed lower tropism, the two forms of assessment (p <0.05), but the comparison between groups, there was no significant difference (p> 0.05).
CONCLUSION: The high voltage current did not inhibit atrophy in soleus underwent nerve compression.

Keywords: Sciatic neuropathy; skeletal muscle; paresis; transcutaneous eletric nerve stimulation.


RESUMEN

OBJETIVO: Evaluar la corriente de alto voltaje en el tropismo del sóleo de ratas con la compresión del nervio ciático. Dieciocho ratas se dividieron en: GS - compresión del nervio y la falsa; GP+ - compresión y tratados con corriente anódica; GP- - compresión y el cátodo. Por último, fueron los sóleos disecados y pesados ​​en una balanza analítica. Luego diapositivas de secciones transversales fueron montadas para la observación al microscopio de luz común y digitalizadas para el análisis de menor diámetro de 100 fibras por músculo.
RESULTADOS: Todos los grupos mostraron menor tropismo, las dos formas de evaluación (p <0,05), pero la comparación entre los grupos, no hubo diferencias significativas (p> 0,05).
CONCLUSIÓN: La corriente de alto voltaje no inhibe la atrofia en el músculo sóleo se sometieron a la compresión del nervio.

Palabras clave: Neuropatía ciática; músculo esquelético; paresia; estimulación eléctrica transcutánea del nervio.


 

 

INTRODUÇÃO

Lesões no tecido nervoso periférico, desde a raiz até o tronco nervoso, podem ocorrer devido a traumas ou compressões, produzindo alterações que podem estar relacionadas a condutibilidade nervosa, parestesias, dor, diminuição de força, até anestesia e ausência de atividade motora. (TAYLOR et al., 2008; LICHTENBERG; MAGOSCH; HABERMEYER, 2004). Quando leve compressão é aplicada por longo período de tempo sobre a raiz nervosa, ela induz à produção de citocinas inflamatórias e com isso, sintomatologia, com disfunção elétrica do nervo e modificações histológicas, sendo o principal sintoma a dor, contudo, fraqueza muscular e alterações em reflexos podem também estar presentes (YAHIA et al., 2010). Além disso, atividades realizadas de forma repetitiva podem comprometer a função nervosa, levando à compressão e processos inflamatórios (periféricos e centrais), o que também acarreta em diminuição da força muscular. (ELLIOTT et al., 2009).

Atletas que participam de esportes de contato podem experimentar um dos tipos de lesão periférica denominada "neuropraxia transitória", com sintomas sensitivos de queimação, parestesias, anestesias, e pode ser associado com fraqueza motora moderada a total. (DAILEY; HARROP; FRANCE, 2010). Toth (2008a, 2008b; 2009a, 2009b) apresenta uma grande gama de lesões nervosas no sistema nervoso central e periférico advindas de trauma, mas também diversas advindas de compressão, sendo que para o nervo isquiático e suas ramificações aponta que automobilismo, balé, futebol americano, futebol, hóquei, lutas, corridas, surfe e yoga são práticas esportivas comuns de lesão. A ocorrência de lesões tem como fatores interferentes: idade e intensidade da prática, mas atinge desde atletas competidores até indivíduos que praticam esportes apenas como recreação. Relata ainda que a literatura provavelmente não apresenta a incidência de lesões em muitos esportes por causa de uma lacuna no reconhecimento e presença de casos esparsos. Terapias que promovem regeneração axonal e recuperação funcional podem acelerar a restauração de circuitos e, com isso, a coordenação sensório-motora (UDINA; PUIGDEMASA; NAVARRO, 2011), como por exemplo, a eletroestimulação. (BRUSHART et al., 2005; GEREMIA et al., 2007; VIVÓ et al., 2008; ASENSIOPINILLA et al., 2009).

No campo terapêutico, uma das formas de corrente elétrica utilizada é a corrente de alta voltagem. Caracteriza-se por ser pulsada, monofásica, de pico duplo, com duração de pulso variando entre 5 a 100 µs, com amplitude de pico elevada e alta voltagem (acima de 100 V). É uma corrente com estimulação agradável, sendo capaz de despolarizar fibras nervosas sensitivas, motoras e nociceptivas. (DAVINI et al., 2005). Diversos estudos têm utilizado tal recurso, principalmente em reparos de úlceras cutâneas (FRANEK; POLAK; KUCHARZEWSKI, 2000; HOUGHTON et al., 2010), redução de edema (DOLAN et al., 2003; DOLAN; MYCHASKIW; MENDEL, 2003; COOK et al., 1994), processos infecciosos (SZUMINSKY et al., 1994) e sobre estímulos álgicos. (HOLCOMB; RUBLEY; GIROUARD, 2007; BERTOLINI et al., 2011). Contudo, apesar de suas indicações, ainda há dificuldade de se encontrar evidências sobre sua eficácia em quadros de compressão nervosa.

Visando avaliar a eficácia de modalidades terapêuticas, modelos experimentais de compressão do nervo isquiático em ratos vêm sendo utilizados, devido à sua semelhança com o nervo isquiático de humanos. (OLIVEIRA et al., 2008). Assim, o objetivo do presente estudo foi avaliar o uso da corrente de alta voltagem sobre a área de secção transversa de músculos sóleos de ratos submetidos à compressão de nervo isquiático.

 

MATERIAIS E MÉTODOS

ANIMAIS E GRUPOS EXPERIMENTAIS

Foram utilizados 18 ratos machos, albinos, da linhagem Wistar, com 14±2 semanas de idade, obtidos no Biotério Central da Universidade Estadual do Oeste do Paraná. O estudo foi conduzido segundo as normas internacionais de ética na experimentação animal, e aprovado pelo Comitê de Ética em Experimentação Animal e Aulas Práticas da Unioeste, sob parecer número 0209. Os animais foram agrupados e mantidos em gaiolas de polipropileno, em condições ambientais controladas, com ciclo claro/escuro de 12 horas, temperatura 23ºC±1ºC, com acesso à água e ração ad libitum. Divididos aleatoriamente em 3 grupos:

• GS (n = 6) - submetido ao modelo de compressão do nervo isquiático, no membro posterior direito, e ao tratamento placebo (simulacro);

• GP+ (n = 6) - submetido à compressão e tratado com corrente anódica, no local da cirurgia;

• GP- (n = 6) - submetido à compressão e tratado com corrente catódica.

 

PROTOCOLO DE LESÃO EXPERIMENTAL

Os animais foram anestesiados com xilazina (12 mg/kg) e quetamina (95 mg/Kg) intraperitoneal, com a tricotomia no local do procedimento cirúrgico. O nervo isquiático foi exposto através de uma incisão paralela às fibras do músculo bíceps femoral da coxa direita (FIGURA 1). Posteriormente, houve a compressão ao redor do nervo em quatro regiões distintas ao longo do seu comprimento, com distância aproximada de 1 mm uma da outra. Para tanto, foi utilizado amarria com fio catgut 4.0 cromado, reproduzindo os sintomas de uma ciatalgia, seguindo-se de sutura realizada por planos. (BENNETT; XIE, 1988).

 

 

PROTOCOLO DE TRATAMENTO

No 3º dia após a compressão foi iniciado o tratamento diário, por 10 dias, com sessões de 20 minutos cada, utilizando o equipamento de alta voltagem Neurodyn High Volt, da marca IBRAMED®, com certificado de calibração válido para o período da pesquisa.

Para a aplicação da corrente de alta voltagem, especificamente sobre a incisão cirúrgica, os animais foram anestesiados e posicionados em decúbito lateral esquerdo. Os eletrodos utilizados foram de borracha-silicone, e posicionados sobre a região da incisão cirúrgica e na região lombar dos animais. O eletrodo ativo (local da cirurgia) era de 1 cm2 e o eletrodo passivo (região lombar) tinha 4 cm2 de área (FIGURA 2). A intensidade da corrente utilizada, em volts de pico, era aumentada até se observar contração muscular, então, reduzia-se em 10% deste valor, produzindo assim estimulação apenas no nível sensitivo. A frequência utilizada foi de 50 Hz, os pulsos apresentam característica de serem duplos com 5 µs de duração, com intervalo de 100 µs entre eles.

 

 

 

ANÁLISE HISTOLÓGICA

Ao final do período de tratamento, todos os animais foram eutanasiados por decapitação em guilhotina. Logo após, os músculos sóleos direito e esquerdo dos três grupos foram isolados, limpos, pesados em balança analítica (Shimadzu®), e em seguida fixados em formalina 10%. Na sequência, o material biológico seguiu as etapas do processamente histológico de rotina. Cortes transversais foram efetuados em micrótomo Olympus CUT4055, na espessura de 7 µm, sendo corados pela técnica de hematoxilina e eosina. Os campos microscópicos de interesse foram digitalizados utilizando-se microscópio óptico de luz comum (Olympus®), com câmera digital (DCE-s) acoplada e lente objetiva de 40x. As imagens capturadas foram analisadas com uso do programa Image-Pro-Plus 3.0®, quanto ao menor diâmetro em 100 fibras por músculo (BRITO et al., 2006).

 

ANÁLISE ESTATÍSTICA

Os dados foram avaliados, comparando os resultados obtidos no músculo sóleo esquerdo, que representa o lado controle, e direito, entre os animais do mesmo grupo experimental, utilizando o teste t de Student, e a comparação entre os grupos foi realizada com ANOVA unidirecional, sendo considerado significativo p < 0,05.

 

RESULTADOS

Foi possível observar que todos os grupos apresentaram menor massa muscular do lado direito, em que houve compressão do nervo isquiático (GS, GP+ e, GP- - p=0,0001) (fig. 1). Para o trofismo muscular pela avaliação de menor diâmetro, do lado em que houve a compressão, também foi significativamente menor (GS - p=0,0047; GP+ - p=0,0018; e, GP- - p=0,0001) (FIGURA 2). Mas não houve diferença significativa ao comparar entre os grupos, para os lados direitos ou esquerdos (p>0,05), para as duas variáveis.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

DISCUSSÃO

As lesões nervosas periféricas são causa de grande morbidade e incapacidade, necessitando de terapêuticas específicas (TAYLOR et al., 2008) para auxiliar no reparo morfológico e funcional do tecido. Assim, o presente trabalho estuda o uso da corrente de alta voltagem anódica ou catódica como forma de terapia, analisando as repercussões da compressão nervosa sobre o trofismo muscular.

O modelo de compressão nervosa utilizado no presente estudo produz, além do aumento da nocicepção, intensa claudicação, com eversão, abdução e leve flexão dos dedos, mostrando disfunção da atividade muscular, iniciando-se a partir do 2º PO (BENNETT; XIE, 1988). Por tal razão, estabeleceu-se como início do tratamento o 3º PO, período no qual as alterações decorrentes do quadro de compressão nervosa já são estabelecidas. Salienta-se que, segundo os criadores do modelo, as características da lesão permanecem por cerca de 2 meses, com involução das características a partir de então, mesmo sem a retirada da compressão nervosa.

Compressões que induzem isquemia local em nervos periféricos podem gerar alterações eletrofisiológicas na condução nervosa (IKEMOTO et al., 2009), e acabam conduzindo a fraqueza muscular. (LICHTENBERG; MAGOSCH; HABERMEYER, 2004; SINGH et al., 2010; HAFLAH; RASHID; SAPUAN, 2010; SAHIN et al., 2007). Como as lesões nervosas periféricas induzem a inativação e subsequente falta de carga sobre os músculos esqueléticos afetados, há um direcionamento para progressiva atrofia muscular, com perda acentuada de massa muscular, diminuição de área de secção transversa de fibras musculares e alterações nas características mecânicas e bioquímicas do músculo. A reinervação de um músculo restaura parcialmente seu fenótipo, indicando a importância da atividade neural na morfologia e fisiologia da fibra muscular. (UDINA; PUIGDEMASA; NAVARRO, 2011).

Além disso, a compressão do nervo isquiático causa dor que produz inibição muscular, a qual por sua vez agrava a atrofia por uma falta de uso. (YAHIA et al., 2010). Chen et al. (2010) mostram que indivíduos com ciatalgia apresentam diminuição de força inclusive de extensão do joelho, ou seja, mesmo quando o principal grupo agonista não é inervado pelo isquiático. Segundo Henriksen et al. (2011), a dor articular produz redução da força muscular, com correlação positiva em relação à sua intensidade. Acreditando-se que tal fato possa ocorrer também com a dor neuropática, pressupôs-se no presente estudo que o uso de corrente analgésica pudesse interferir com a dor, facilitando a livre movimentação do animal, e assim poderia ocorrer menor hipotrofia muscular do que aquela observada para o grupo controle, fato que não se comprovou, tanto pela menor massa observada do lado da compressão nervosa, quanto pelo menor diâmetro das fibras musculares. Com relação ao método de avaliação das fibras musculares, seguiu-se a indicação de Brito et al. (2006), os quais relatam que a avaliação de 100 fibras, por músculo, é suficiente para uma avaliação confiável do estado de trofismo médio. E o músculo sóleo foi o eleito para o presente estudo, pois, segundo Mozzafar et al. (2009), ao avaliar lesões do nervo isquiático, é um músculo interessante de ser avaliado por ser predominantemente composto por fibras oxidativas, com hipotrofia intensa e rápida devido à compressão nervosa.

Ainda, diversos estudos experimentais têm mostrado resultados favoráveis do uso da eletroestimulação para a recuperação do nervo, aumentando a regeneração de neurônios sensitivos e motores, com aumento de fibras mielinizadas. Contudo, vale salientar que tais efeitos foram observados com eletroestimulação logo após a realização da cirurgia de sutura nervosa, com corrente catódica e eletrodos implantados, com aproximadamente 3 V, duração de fase de 100 µs e frequência de 20 Hz (com eletrodos implantados). (BRUSHART et al., 2005; GEREMIA et al., 2007; VIVÓ et al., 2008; ASENSIO-PINILLA et al., 2009). Ou seja, metodologia diferente da utilizada no presente estudo, em que se utilizou uma forma de eletroestimulação corriqueira em clínicas de reabilitação: corrente de alta voltagem, com pulsos duplos de 5 µs cada e intervalos de 100 µs entre eles; frequência de 50 Hz; transcutaneamente; tratamento diário, durante 10 dias, iniciando no 3º dia após a compressão, tanto com corrente catódica quanto anódica. Tais formas de eletroestimulação são apresentadas na literatura como capazes de produzir efeitos benéficos na redução de edema (DOLAN et al., 2003; DOLAN; MYCHASKIW; MENDEL, 2003), aumento da atividade dos vasos linfáticos (COOK et al., 1994), efeitos bactericidas (SZUMINSKY et al., 1994), aceleração de reparo tecidual (FRANEK; POLAK; KUCHARZEWSKI, 2000; HOUGHTON et al., 2010) e redução de quadros álgicos. (BERTOLINI et al., 2011). Assim, previa-se que a corrente teria efeito de proteção quanto à hipotrofia a ser instalada pela diminuição da condutibilidade nervosa (MOZAFFAR et al., 2009), ou seja, por melhora na condutibilidade nervosa, mas, como já mencionado, tal hipótese foi rejeitada, visto que o comportamento dos grupos controle foi semelhante ao dos tratados.

 

CONCLUSÃO

O uso da corrente de alta voltagem não foi eficaz em inibir a hipotrofia em sóleos de ratos submetidos à compressão do nervo isquiático. Salienta-se, como limitação do presente estudo, a ausência de correlações com achados histopatológicos do nervo isquiático, o que se sugere para estudos futuros, além de novos estudos utilizando o modelo proposto com diferentes formas de tratamento.

 

REFERÊNCIAS

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Endereço para correspondência:
Gladson Ricardo Flor Bertolini
Colegiado de Fisioterapia
Rua Universitária, 2069. Jardim Universitário
Caixa Postal: 711
Cascavel - PR. CEP: 85819-110

Recebido: 06 jun. 2011
Aprovado: 01 fev. 2012

 

 

1. A pesquisa foi financiada pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) (Processo 480748/2008).

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