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Revista Brasileira de Ciências do Esporte

Print version ISSN 0101-3289On-line version ISSN 2179-3255

Rev. Bras. Ciênc. Esporte vol.36 no.3 Porto Alegre July/Sept. 2014

http://dx.doi.org/10.1590/2179-325520143630010 

Artigos originais

Efeito de três periodizações do treinamento aeróbio sobre o limiar ventilatório

Effect of three different periodization of endurance training on ventilatory threshold

Efecto de tres periodizaciones del entrenamiento aeróbico en el umbral ventilatorio

Sauer Deboraha 

Anselmo José Perezb 

Luciana Carlettib 

Walace David Monteiroc 

aLaboratório de Fisiologia do Exercício, Centro de Educação Física e Desportos, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, ES, Brasil

bPrograma de Pós-Graduação em Educação Física, Centro de Educação Física e Desportos, Universidade Federal do Espírito Santo, Vitória, ES, Brasil

cDepartamento de Desportos Individuais, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, RJ, Brasil


RESUMO

Objetivou-se comparar o efeito do treinamento aeróbio com diferentes progressões da intensidade sobre o limiar ventilatório (VO2LV) e VO2pico. Quarenta e oito homens foram distribuídos nos grupos crescente (GCRES), ondulatório (GOND) e escalonado (GESC), e avaliados antes e após treze semanas de treinamento, realizado três vezes por semana por trinta minutos. Os limites inferior e superior da intensidade foram iguais nos três grupos (65-90% da FCmáx.), porém a progressão foi estruturada diferentemente, fazendo com que as cargas de treinamento fossem distintas. Houve aumento do LV (GOND 29 ± 4 vs. 32 ± 4; GCRES 30 ± 4,6 vs. 34 ± 5,7; GESC 32,8 ± 4,6 vs. 35,7 ± 5. mL.kg-1.min-1) e VO2pico (GOND 52,6 ± 7 vs. 57,8 ± 10; GCRES 53 ± 10 vs. 57,7 ± 10; GESC 54 ± 8 vs. 61,5 ± 9 mL.kg-1.min-1) dos três grupos, sem diferenças entre eles. Os três protocolos foram eficazes no aumento do LV e VO2pico apesar das diferenças nas cargas de treinamento.

Palavras-Chave: Limiar anaeróbio; Consumo de oxigênio; Exercício; Aptidão física

ABSTRACT

This study aimed to compare the effect of aerobic training with different progressions of intensity on ventilatory threshold (VO2VT) and VO2peak. 48 men were divided into groups: incremental progression (INC), undulatory (UND) and stepped (STEP), and evaluated before and after 13 weeks of training, performed three times a week for 30 minutes. The lower and upper limit of the intensity were equal in all groups (65-90% HRmax.), but the progression was structured differently, making the training loads were distinct. There was an increase in both, VT (UND 29 ± 4 vs. 32 ± 4; INC 30 ± 4.6 vs. 34 ± 5.7; STEP 32.8 ± 4.6 vs. 35.7 ± 5. mL.kg-1. min-1) and VO2peak (UND 52.6 ± 7 vs. 57.8 ± 10; INC 53 ± 10 vs. 57.7 ± 10; STEP 54 ± 8 vs. 61.5 ± 9 mL.kg-1.min-1) in the three groups, with no differences between them. The three protocols were effective in increasing the VT and VO2peak despite differences in training loads.

Key words: Anaerobic threshold; Oxygen consumption; Exercise; Physical fitness

RESUMEN

El objetivo fue comparar el efecto del entrenamiento aeróbico con diferentes progresiones de intensidad sobre el umbral ventilatorio. 48 hombres fueron divididos en grupos llamados, creciente (GCREC), ondulado (GOND) y escalonado (GESC), y evaluados antes y después de 13 semanas de entrenamiento, realizada tres veces a la semana durante 30 minutos. El límite inferior y superior de la intensidad fue similar en los tres grupos (65-90% da FCmáx.), pero el avance fue estructurado de manera diferente, haciendo las cargas de entrenamiento eran distintas. Hubo aumento del LV (GOND 29 ± 4 vs. 32 ± 4; GCRES 30 ± 4,6 vs. 34 ± 5,7; GESC 32,8 ± 4,6 vs. 35,7 ± 5. mL.kg-1.min-1) y VO2pico (GOND 52,6 ± 7 vs. 57,8 ± 10; GCRES 53 ± 10 vs. 57,7 ± 10; GESC 54 ± 8 vs. 61,5 ± 9 mL.kg-1.min-1) en los tres grupos, sin diferencias entre ellos. Los tres protocolos fueron eficaces en el aumento de LV e VO2pico a pesar de las diferencias en la carga de entrenamiento.

Palabras-clave: Umbral anaeróbico; Consumo de oxígeno; Ejercicio; Aptitud física

Introdução

O consumo máximo de oxigênio (VO2máx.) é um dos principais determinantes para a mensuração da resistência aeróbia, sendo considerado modelo de referência para essa finalidade (Midgley; McNaughton; Wilkinson, 2006). Entretanto, tem sido sugerido na literatura que indicadores submáximos de esforço, como o VO2 associado ao limiar ventilatório (LV) ou ao limiar de lactato (LL), representam índices mais precisos para avaliação da resistência aeróbia do que o próprio VO2máx. (Aunola et al., 1988; Londeree, 1997; Gaskill et al., 2001; Bosquet; Gamelim; Berthoin, 2007). O fato de que o LV pode aumentar, sem mudanças no VO2máx. (Davis et al., 1979; Denis et al., 1982), e que indivíduos com o mesmo VO2máx. não necessariamente sustentam a mesma porcentagem do VO2 para a mesma duração do esforço (Davis et al., 1979; Di Prampero et al., 1986; Bosquet; Gamelim; Berthoin, 2007) demonstra mais sensibilidade do LV em relação aos efeitos do treinamento e ao nível de condicionamento, e tende a evidenciar que essa capacidade submáxima é independente do VO2máx. (Di Prampero et al., 1986).

O aumento do LV com o treinamento ocorre devido a adaptações metabólicas e bioquímicas no músculo esquelético (Holloszy; Coyle, 1984), que por sua vez são dependentes da intensidade do treinamento (Poole; Gaesser, 1985).

A partir da década de 1970, observa-se um grande número de estudos avaliando os efeitos do treinamento sobre o LV de indivíduos com diferentes perfis fisiológicos (Davis et al., 1979; Denis et al., 1982; Ready; Quinney, 1982; Smith; O'Donnel, 1984; Gaesser; Poole; Gardner, 1984; Golden; Vaccaro, 1984; Poole; Gaesser, 1985; Gaskill et al., 2001; Hansen et al., 2003). Desses trabalhos embora alguns tenham abordado uma comparação entre métodos de treinamento (Poole; Gaesser, 1985) ou intensidades mais eficazes em aumentar o LV (Golden; Vaccaro, 1984; Gaskill et al., 2001; Hansen et al., 2003), nenhum deles discute a influência das formas de aplicação da sobrecarga na intensidade do esforço sobre as respostas adaptativas na aptidão cardiorrespiratória. A consideração do princípio da sobrecarga é importante para a maximização das adaptações ao treinamento (McNicol et al., 2009). Embora esse conceito esteja apoiado principalmente em evidências empíricas e intuitivas (Borressen; Lambert, 2009), está bem estabelecido que no decorrer do treinamento seja preciso superar um limiar de adaptação para o aumento dos determinantes fisiológicos.

Hickson et al. (1981), por exemplo, demonstraram que o VO2máx. aumenta após três semanas de treinamento de endurance, mas atinge um platô pela quarta semana se a intensidade inicial for mantida constante. Mc Nicol et al. (2009), ao compararem um regime de treinamento em que a intensidade foi progressivamente elevada, com um regime em que a intensidade foi mantida constante, verificaram que ambos os treinamentos aumentaram similarmente o VO2máx.; porém apenas o regime de aumento progressivo da intensidade foi eficaz em aumentar o VO2 e a velocidade relativa ao LL. Em perspectivas diferentes, esses trabalhos salientam que as adaptações responsáveis por mudanças nos parâmetros máximos e submáximos podem ser inibidas ou atenuadas se a intensidade não é progressivamente elevada. No entanto, embora esses estudos ressaltem a importância da aplicação da sobrecarga, até o momento, o efeito de diferentes formas de periodização da progressão da intensidade sobre parâmetros associados à resistência aeróbia não foi esclarecido.

Assim, com base no estudo de Perez (2013), esse trabalho propõe três formas de periodização do incremento da intensidade: a dinâmica de progressão crescente caracterizada pelo aumento linear e contínuo da intensidade, a progressão ondulatória marcada pela presença de semanas de redução na intensidade entre os períodos de incremento e a progressão escalonada, definida pela presença de semanas de estabilização da intensidade. A diferença principal entre essas três periodizações é que a progressão crescente induz a uma maior quantidade de semanas de treinamento em intensidades mais elevadas, pelo fato dos incrementos serem menos graduais. Desse modo, tendo em vista que a magnitude do aumento do consumo de oxigênio no LV (VO2LV) é intensidade-dependente (Davis et al., 1979; Londeree, 1997; Gaskill et al., 2001), levantou-se a hipótese de que treinar com intensidades mais elevadas por mais tempo, por meio da progressão crescente, iria potencializar o aumento do VO2LV. Adicionalmente, levando em consideração que o incremento do VO2LV e VO2pico não necessariamente apresenta o mesmo padrão em relação à evolução temporal e quantidade de mudança (Davis et al., 1979; Denis et al., 1982; Smith; O'Donnel, 1984), foi hipotetizado que a magnitude das alterações no VO2pico e VO2LV intragrupo seriam diferentes, em favor de um aumento superior no VO2LV.

No intuito de esclarecer tais questões, esse trabalho teve como objetivo comparar o efeito do treinamento aeróbio, com diferentes modelos de progressão da intensidade sobre o VO2LV e VO2pico de indivíduos saudáveis.

Materiais e métodos

Amostra

A amostra foi composta por 67 homens, aparentemente saudáveis, pertencentes ao Corpo de Bombeiros Militar - ES, com média de idade de 24,4 ± 4,6 anos. O estudo foi aprovado pelo Comitê de Ética, do Centro de Ciências da Saúde - CCS/UFES (Parecer nº 1.102/98). Todos os objetivos e procedimentos da pesquisa foram explicados detalhadamente aos indivíduos, que concordaram com a participação no estudo assinando um termo de consentimento livre e esclarecido em que estavam explícitos os potenciais riscos e benefícios à saúde associados ao estudo. Os indivíduos foram considerados ativos, com base na aplicação do questionário internacional de atividade física (IPAQ) versão curta, porém nenhum deles tinha participação sistemática em programas de exercícios antes do estudo. Como critérios de exclusão foram considerados: a evidência de comprometimentos osteoarticulares, doenças cardiovasculares ou metabólicas, participação em outro programa de exercícios durante o treinamento, terapia farmacológica com betabloqueadores e frequência inferior a 85% do total das sessões de treinamento. Os indivíduos foram distribuídos aleatoriamente em três grupos: grupo ondulatório (GOND, n = 23), grupo crescente (GCRES, n = 22) e grupo escalonado (GESC, n = 22). Em função dos critérios de exclusão, ao final do estudo o número de indivíduos no GOND, GCRES e GESC foi 18, 15 e 15, respectivamente. O cálculo amostral realizado teve como base a variável VO2LV em mL.kg-1.min-1, considerando um nível de confiança de 95% e um poder de 20%, capaz de detectar uma diferença de 5% entre os grupos. Para tanto, tendo como base o trabalho de Gaskill et al. (2001), foi utilizado no cálculo amostral um desvio-padrão de 4,5 mL.kg-1.min-1 para a variável VO2LV, o que, por sua vez, teve como resultado a necessidade de pelo menos treze indivíduos em cada grupo.

Avaliação antropométrica

A massa corporal e a estatura foram medidas em uma balança com toesa, da marca Welmy (Santa Bárbara d'Oeste, SP, Brasil) com precisão de 0,1 kg e 0,1 cm, respectivamente. A partir desses dados foi possível calcular o índice de massa corporal (IMC kg/altura2).

Teste cardiopulmonar de exercício (TCPE)

Inicialmente foi realizado um eletrocardiograma (ECG) de repouso (sistema TEB, modelo SM 400, Porto Alegre, RS, Brasil), nas doze derivações convencionais. Após o ECG, era acoplado um pneumotacômetro na cavidade oral dos participantes, acompanhado de um clip nasal para as medidas ventilatórias, em seguida o avaliado ficava em pé durante três minutos (pré-esforço) e era realizado o TCPE, por meio do protocolo de Bruce (Bruce; Kusumi; Hosmer, 1973), em esteira com monitoração contínua da FC através do intervalo R-R obtido pelo ECG, utilizando derivações simultâneas em MC5, D2M e V2M. Foram realizados dois testes, um imediatamente antes do início do programa de treinamento (teste 1 - T1), e outro após o término (teste 2 - T2), sendo que ambos foram executados em um ambiente com temperatura controlada e no mesmo período do dia.

Os critérios para aceitar o TCPE como máximo incluíram: a) exaustão voluntária; b) FCmáx. atingida no teste estar pelo menos a 90% da prevista para a idade (220-idade); c) razão de troca respiratória (RTR) igual ou acima de 1,1 (Howley; Bassett; Welch, 1995).

Análise dos gases expirados

A mensuração dos volumes de oxigênio e de gás carbônico (circuito aberto) foi feita pelo analisador de gases Aero-Sport TEEM 100 Total Metabolic Analysis System (Aerosport, Ann Arbor, MI, USA), com pneumotacômetro de fluxo médio (Novitsky et al., 1995). A amostragem ventilatória dos gases expirados foi calculada em média de 20 segundos, sendo a análise realizada com ajuda do programa Aerograph, V 2.06. A unidade do Aerosport TEEM 100 foi calibrada pelo método GASCAL+ZERO (calibração de circuito fechado), através de gás de calibração (cilindro de %O2 e %CO2 original, fornecido pelo fabricante).

Determinação do limiar ventilatório (LV)

O LV foi determinado sempre pelos mesmos dois avaliadores e de forma independente, utilizando como critério o método visual da perda da linearidade da relação entre o consumo de oxigênio e a produção de dióxido de carbono (V-Slope) (Beaver; Wasserman; Whipp, 1986). Para apoiar a confirmação do limiar pelo V-Slope, também foi utilizado o ponto mais baixo do equivalente ventilatório de oxigênio (VE/VO2) antes da elevação sustentada e sem aumento concomitante do equivalente ventilatório de dióxido de carbono (VE/VCO2) (Caiozzo et al., 1982)

Programa de treinamento

O programa de treinamento foi realizado por meio de caminhada e/ou corrida em percurso plano de piso asfáltico, durante treze semanas, três vezes por semana, em sessões de trinta minutos de estímulo. Para os três grupos foi utilizado o método de treinamento contínuo tendo como limite inferior e superior da intensidade entre 60-65% e 85-90% da FCmáx. atingida no TCPE, respectivamente, levando em consideração as recomendações do Colégio Americano de Medicina do Esporte (ACSM) (Garber et al., 2011). No entanto, dentro desses limites, os grupos tiveram diferentes estruturações em relação à progressão da intensidade. Na figura 1 é exibido o modelo de progressão da intensidade de cada grupo ao longo das semanas de treinamento e na tabela 1 a descrição dos protocolos de periodização com a respectiva distribuição da intensidade. Conforme exibido na figura 1, o GCRES teve uma progressão caracterizada pelo incremento linear e contínuo da intensidade, enquanto no GOND é evidenciada a presença de semanas de redução na intensidade entre os períodos de incremento; no GESC, a presença de semanas de estabilização da intensidade entre os incrementos. Essa distribuição de intensidade fez com que o GCRES treinasse três semanas na zona de intensidade considerada como moderada (64-76% da FCmáx.) pelo ACSM e dez semanas na zona intensa (77-95% da FCmáx.); o GESC, sete semanas na zona moderada e seis semanas na zona intensa; e o GOND, oito semanas na zona moderada e apenas cinco na zona intensa. Essa diferença de carga de treinamento foi proposital, considerando a hipótese do estudo. O controle da intensidade foi efetuado por meio de monitores de frequência cardíaca (FC) da marca Polar, modelos beat, accurex e accurex plus (Kempele, Finlândia), conforme habitualmente padronizado (Garber et al., 2011).

Tabela 1 Protocolos de treinamento com a distribuição da intensidade semanal relativa à FCmáx. para cada grupo. 

Semanas 1 2 3 4 5 6 7 8 9 10 11 12 13
GOND 60-65% 65-70% 70-75% 60-65% 65-70% 70-75% 75-80% 60-65% 75-80% 80-85% 85-90% 75-80%
GCRES 60-65% 65-70% 70-75% 75-80%     80-85%       85-90%  
GESC 60-65% 65-70%   70-75%     75-80%     85-90%  

Figura 1 Modelo de progressão da intensidade relativa à FCmáx. ao longo das treze semanas de treinamento para os grupo ondulatório (GOND), crescente (GCRES) e escalonado (GESC) 

Análise estatística

Após teste de normalidade de Kolmogorov-Smirnov, utilizouse para análise intragrupo das variáveis o teste t de Student para dados pareados. A análise de variância de uma via (ANOVA one way) foi utilizada em três situações: 1) para verificar se os grupos eram equivalentes antes do treinamento (T1) em relação às características etárias e antropométricas (idade, IMC e massa corporal), VO2pico, VO2LV, percentual do VO2pico medido no LV (%VO2LV), FC no LV (FCLV) e percentual da FCmáx. medida no LV (%FCLV); 2) comparar se houve diferença entre os grupos após a intervenção (T2), nas mesmas variáveis citadas para T1 e 3) comparação da magnitude das possíveis alterações, ou seja o delta (?= T2 - T1) das variáveis em análise, entre os três grupos. Em caso de significância estatística seriam realizadas comparações utilizando o método post hoc de Tukey. Adicionalmente, para comparar a magnitude da alteração absoluta no VO2LV e VO2pico (?VO2LV e ?VO2pico) dentro de cada grupo, utilizou-se o teste t de Student para dados pareados. Em todos os testes foi adotado um nível de significância de 5%. Os dados são apresentados em média ± desvio-padrão (DP). Os cálculos estatísticos foram realizados com o programa Sigma Stat, versão 3.5, Systat Software Inc. (San José, Estados Unidos).

Resultados

Na tabela 2, estão descritas as características antropométricas e etárias. A idade dos sujeitos variou entre 20 e 43 anos, sem diferenças nas médias entre os grupos. Da mesma forma, a massa corporal e o IMC não foram diferentes entre os grupos.

Tabela 2 Caracterização antropométrica e etária dos grupos. 

Parâmetros GOND GCRES GESC
Idade (anos) 24,5 ± 3,3 26,3 ± 6,6 22,5 ± 2,9
Massa Corporal (kg) 70,3 ± 10,6 69,5 ± 11 68,6 ± 14,1
Estatura (m) 1,80 ± 0,05 1,76 ± 0,06 1,75 ± 0,07
IMC (kg/m2) 21,6 ± 2,9 22,3 ± 2,9 22,3 ± 4,2

Valores em média ± DP. ANOVA one way (diferenças não significativas entre grupos considerando p < 0,05).

Na figura 2, são exibidos dados referentes ao tempo gasto em minutos pelos grupos, durante o treinamento nas zonas de intensidade moderada e intensa. Como pode ser observado, o GOND treinou a metade do tempo que o GESC em alta intensidade. Por sua vez, o GESC treinou um terço do tempo a menos que o GCRES em alta intensidade.

Figura 2 Tempo gasto em minutos, pelo grupo crescente (GCRES), escalonado (GESC) e ondulatório (GOND), respectivamente, nas zonas de intensidade relativas à FCmáx., classificadas como moderada e intensa durante as treze semanas de treinamento. 

A tabela 3 exibe os dados referentes ao aumento do VO2pico nos diferentes grupos. Os três grupos partiram de valores de VO2pico similares, sendo encontrado aumento de 9,9% no GOND, 9% no GCRES e 13,5% no GESC. No entanto, a magnitude do aumento do VO2pico, ou seja, o delta das alterações, não diferiu entre os grupos, como constatado na tabela 4.

Tabela 3 Comparação das médias dos parâmetros cardiorrespiratórios antes e após treze semanas de treinamento nos grupos ondulatório, crescente e escalonado. 

Grupos Ondulatório (n = 18) Crescente (n = 15) Escalonado (n = 15)
Variável T1 T2 T1 T2 T1 T2
VO2pico (mL.kg-1.min-1) 52,6 ± 6,8 57,8 ±10,4a 52,9±10,2 57,7±10,4a 54,2 ± 8,1 61,5 ± 8,7a
VO2LV (mL.kg-1.min-1) 29,1 ± 4,3 32,2 ± 4,1a 29,9 ± 4,6 34 ± 5,7a 32,8 ± 4,7 35,7 ± 4,9a
%VO2LV 55,5 ± 5 58,4 ± 7 58 ± 11 59,5 ± 8 61 ± 7 58,2 ± 5
FCLV(bpm) 142 ± 16 147 ± 14 146 ± 16 152 ± 14 147 ± 14 150 ± 12
%FCLV 75 ± 6 76,6 ± 5 76 ± 6 78 ± 5 75,6 ± 7 76,6 ± 6

Valores em média ± DP. Teste t de Student para dados pareados

ANOVA one way (diferenças não significativas entre grupos em T1 e T2 considerando p < 0,05). T1,Teste 1; T2, Teste 2.

ap < 0,05 diferença significativa em relação ao pré-treinamento.

Tabela 4 Comparação da magnitude da alteração absoluta no VO2pico (ΔVO2pico) e VO2LV (ΔVO2LV). 

Grupos Ondulatório Crescente Escalonado
Variáveis Δ Δ Δ
VO2pico (mL.kg-1.min-1) 5,2 ± 4,6 4,8 ± 7,4 7,4 ± 3,5a
VO2LV (mL.kg-1.min-1) 4,1 ± 2,8 4,1 ± 3,9 2,8 ± 3,4

Valores em média ± DP. ANOVA one way (diferenças não significativas entre grupos, considerando p < 0,05).

Teste t de Student para dados pareados.

ap < 0,05 diferença significativa entre o ΔVO2LV e ΔVO2pico intragrupo.

Similarmente, não havia diferença nos valores inicias de VO2LV entre os grupos. Após o treinamento houve aumento do VO2LV para todos os grupos (tabela 3). O aumento do GOND, GCRES e GESC foi 10,6%, 13,7% e 8,8%, respectivamente. Entretanto, não houve diferenças entre os grupos, em relação à magnitude do aumento do VO2LV (tabela 4). Além disso, não houve alterações no %VO2LV, FCLV e %FCLV (tabela 3). Na tabela 4, pode-se observar que, quando comparada, a magnitude da alteração absoluta (? mL.kg-1. min-1) intragrupo, no VO2pico e VO2LV, não foi diferente no GOND e no GCRES; entretanto no GESC o aumento do VO2pico foi maior do que o encontrado no VO2LV.

Discussão

Este trabalho objetivou avaliar os efeitos do treinamento aeróbio com progressão de intensidade ondulatória, crescente e escalonada sobre o VO2LV e VO2pico de indivíduos saudáveis.

Como demonstrado, houve elevação do VO2LV nos três grupos, mas sem diferença na magnitude do aumento entre eles. Assim, apesar do GCRES ter treinado com maior intensidade por mais tempo, a hipótese de que isso potencializaria o aumento do LV nesse grupo não foi confirmada. O mesmo comportamento foi verificado para o VO2pico, que aumentou de forma similar entre os três grupos.

É importante destacar que em função de divergências metodológicas (i.e., diferenças em relação a perfil da amostra, ergômetro, duração do estudo, métodos de treinamento, frequência semanal, intensidade, duração da sessão, forma de prescrição e progressão da intensidade) não foram encontrados estudos que permitissem uma comparação direta com os dados do presente trabalho. Portanto, as comparações utilizadas neste estudo partem da análise de pontos em comum e devem ser vistas com cautela.

Nesse contexto, com base na literatura disponível, o presente estudo está em contraste com a tendência observada em alguns trabalhos em mostrar maior magnitude no aumento do VO2LV nos grupos que se exercitaram com maior intensidade, por meio do treinamento intervalado (Poole; Gaesser, 1985) ou contínuo de alta intensidade (Gaskill et al., 2001).

Tendo em vista que o aumento do VO2LV atinge o pico entre as primeiras oito a doze semanas de treinamento (Londeree, 1997), e que acima desse período poucas alterações são encontradas (Smith; O'Donnel, 1984; Londeree, 1997), acredita-se que a duração do presente estudo não foi um empecilho para que o aumento do VO2LV fosse potencializado no GCRES, em relação aos outros grupos. Uma possível explicação é que tenha havido uma estabilização do desempenho do GCRES entre a oitava e décima segunda semanas de treinamento, ou seja, após o VO2LV ter atingido o pico de aumento. Considerando esse ponto de vista, é provável que o estímulo de treinamento do GCRES no último terço do período de treinamento não tenha sido suficiente para provocar uma continuidade na evolução dos parâmetros avaliados a ponto de fazer com que esse grupo apresentasse um rendimento maior do que o GESC e o GOND na avaliação final. Entretanto, essa especulação não pode ser confirmada, tendo em vista que não foi realizado um TCPE intermediário que permitisse o acompanhamento da evolução do VO2LV e VO2pico, o que por sua vez constitui uma limitação do presente estudo.

Adicionalmente, embora tenha sido postulado como hipótese que as adaptações produzidas pelas três periodizações no VO2pico e no VO2LV seriam diferentes, em favor de um aumento superior no VO2LV, essa suposição não foi confirmada. O VO2pico apresentou um aumento proporcional ao encontrado no VO2LV no caso do GOND e GCRES, e superior ao aumento do VO2LV no GESC, tendo como consequência a ausência de alterações no %VO2LV dos três grupos. Similarmente, outros autores também encontraram aumento no VO2LV sem modificação do %VO2LV, em função de o aumento proporcional ou superior do VO2máx./pico ter mascarado a alteração no LV relativo ao máximo (Ready; Quinney, 1982; Poole; Gaesser, 1985). Como resultado, os valores finais do %VO2LV dos sujeitos do presente estudo continuaram dentro do intervalo encontrado na literatura para indivíduos saudáveis e destreinados que fica entre 45% e 65% do VO2máx./ pico (Balady et al., 2010).

Por outro lado, vários trabalhos demonstraram um aumento do %VO2LV, indicando que houve um aumento mais pronunciado no VO2LV em relação ao VO2máx. (Davis et al., 1979; Smith; Odonnel, 1984; Poole; Gaesser, 1985) ou aumento do VO2LV sem alterações no VO2máx. (Denis et al., 1982). Embora em contraste com o presente estudo, os resultados desses trabalhos corroboram com a premissa de que o treinamento de resistência aeróbia tende a aumentar o VO2LV em uma extensão maior do que o VO2máx. (Jones; Ehrsam, 1982; Aunola et al., 1988; Basset; Howley, 2000). No entanto, considerando que a magnitude da alteração do VO2LV e do VO2máx. sofre influência do nível de aptidão inicial, do estímulo e da quantidade de semanas de treinamento empregada, nem sempre o LV aumenta em uma extensão maior do que o VO2máx., como pôde ser constatado no presente estudo. O trabalho de Gaesser, Poole e Gardner (1984), por exemplo, demonstrou um rápido aumento no VO2máx. e nenhuma mudança no VO2LV com apenas três semanas de treinamento realizado em 70% do VO2máx., seis vezes na semana, durante trinta minutos, por sujeitos destreinados, o que indica que a duração do estudo pode alterar a interpretação dos efeitos do treinamento, já que a evolução temporal das mudanças no VO2LV e no VO2máx. é dissociada.

Há consenso na literatura de que o aumento do VO2LV e do VO2máx. ocorre mediado por mecanismos diferentes (Gaesser; Poole; Gardner, 1984; Holloszy; Coyle, 1984; Smith; O'Donnel, 1984). Enquanto o VO2máx. aumenta em resposta a adaptações cardiorrespiratórias centrais associadas com a elevação do débito cardíaco e a consequente melhora da oferta de oxigênio aos músculos (Basset; Howley, 2000), as adaptações periféricas associadas ao aumento da capacidade oxidativa muscular são responsáveis pelo aumento do LV (Gaesser; Poole; Gardner, 1984; Holloszy; Coyle, 1984; Smith; O'Donnel, 1984; Basset; Howley, 2000). É em função dessa diferença de mecanismos que a dissociação na evolução temporal (Gaesser; Poole; Gardner, 1984; Smith; O'Donnel, 1984) e na quantidade de mudança de ambas as variáveis em resposta ao treinamento tem sido fundamentada (Davis et al., 1979; Denis et al., 1982).

Embora o desenho metodológico não permita comparações diretas com o presente estudo, é importante destacar o trabalho de Gaskill et al. (2001), que, ao comparar três grupos de indivíduos sedentários que treinaram três vezes por semana, por vinte semanas, em intensidades acima, abaixo e próximas ao LV, verificou que todos aumentaram o VO2máx. similarmente, embora a elevação do VO2LV tenha sido superior no grupo que treinou acima do LV. Isso indica que há uma dependência maior da intensidade para o aumento do LV do que para a elevação do VO2máx. Além disso, eles demonstraram que a magnitude da alteração absoluta no VO2LV (i.e., delta) do grupo que treinou acima do LV foi significativamente maior do que no VO2máx., enquanto no grupo que treinou abaixo do LV o aumento do VO2máx. foi superior ao aumento do VO2LV, o que é comparável ao constatado no GESC. Por outro lado, no grupo que treinou próximo ao LV, Gaskill et al. (2001) verificaram um aumento proporcional entre o VO2LV e o VO2máx., similarmente ao que foi encontrado para o GOND e GCRES. Os autores concluíram que, embora a intensidade do treinamento relativa ao LV não afete o aumento do VO2máx., ela é determinante para a magnitude do aumento do LV.

De fato, tem sido salientado com frequência na literatura que o treinamento em intensidades acima do LV tende a produzir maior aumento do VO2LV do que treinamentos realizados abaixo desse ponto (Davis et al., 1979; McLellan; Skinner, 1981; Golden; Vaccaro, 1984; Londeree, 1997; Gaskill et al., 2001; Meyer et al., 2005). Nesse sentido, apesar de o nível de condicionamento inicial influenciar no aumento do VO2LV, parece haver um consenso de que a intensidade seja determinante, sendo possível também que o LV individual demarque o limite inferior da intensidade necessária para que ocorram alterações nessa variável.

Embora no presente estudo a prescrição não tenha sido realizada com base no LV individual, se considerarmos que o valor médio inicial e final do percentual da FC medida no LV (%FCLV) foi de 75% para os três grupos, poder-se-ia inferir que todos os grupos iniciaram as duas primeiras semanas de treinamento em uma FC inferior ao LV (65-70% da FCmáx.). No entanto, como o GCRES teve um incremento mais rápido no percentual da FCmáx., sugere-se que esse grupo passou mais tempo treinando em intensidades acima do LV (i.e., possivelmente a partir da quarta semana, quando começa a se exercitar acima de 75% da FCmáx. figura 1), o que, por sua vez, levaria a especular que o efeito do treinamento no GCRES deveria ser superior em relação ao GESC e GOND, embora essa hipótese não tenha sido confirmada. Infelizmente, não foi possível discriminar exatamente o momento em que os grupos treinaram abaixo, próximo ou acima do seu LV individual e quanto tempo permaneceram em cada zona relativa ao LV, em função de a prescrição ter sido realizada por meio da FCmáx. De acordo com Davis et al.(1979), no estudo de muitos fenômenos fisiológicos, existe um potencial de confusão quando se atribui aos indivíduos taxas de trabalho correspondendo a uma dada fração do máximo, tendo em vista que o estresse metabólico do exercício será maior para aqueles trabalhando acima do seu LV individual, em comparação com aqueles que treinaram abaixo do seu LV. Apesar disso, embora a prescrição por meio da FCmáx. seja criticada pela possibilidade de falta de uniformidade em relação ao estresse metabólico (Davis et al., 1979), tendo em vista que a utilização do LV para a prescrição sofre limitações com relação ao alto custo da avaliação, o acesso pouco frequente e a necessidade de avaliadores treinados, os métodos da FCmáx. e FC de reserva ainda são os mais utilizados fora dos ambientes laboratoriais, tornando necessária a realização de mais estudos que utilizem esses parâmetros de prescrição.

Contudo, o presente trabalho permite afirmar que a progressão mais rápida do intervalo de intensidade correspondente a 65% e 90% da FCmáx., ao longo de treze semanas, por meio da periodização crescente, não foi superior no incremento do VO2LV e VO2pico em relação aos protocolos com progressão escalonada e ondulatória, na amostra estudada. Isto é, considerando um período de treze semanas, apenas cinco semanas de treinamento na zona intensa (76-95% da FCmáx.) como realizado pelo GOND, foram suficientes para obter um aumento do VO2LV e VO2pico de magnitude similar a dos grupos que treinaram seis ou dez semanas na zona intensa (GESC e GCRES, respectivamente). Tendo em vista que o intervalo de intensidade, a duração das sessões e a frequência semanal dos estímulos utilizados tiveram como base as orientações do ACSM (Garber et al., 2011), acredita-se que os achados desse estudo possam apresentar grande validade externa com relação às formas de periodizar a progressão da intensidade do treinamento contínuo, objetivando o incremento da aptidão cardiorrespiratória, sugerindo também a necessidade de maior controle sobre a periodização.

Finalmente, considerando que protocolos de progressão da intensidade mais graduais, como o ondulatório e o escalonado, podem ser mais bem tolerados sem interferir na magnitude do aumento da aptidão cardiorrespiratória, sugere-se que esses dois modelos sejam priorizados para indivíduos destreinados.

Conclusões

Os protocolos de periodização da progressão da intensidade escalonado e ondulatório apresentaram a mesma eficácia que o crescente no aumento do VO2LV e VO2pico, apesar da menor carga total de treinamento.

Financiamento

O presente trabalho contou com o financiamento da CAPES (modalidade bolsa de Mestrado).

Referências

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Recebido: 18 de Junho de 2013; Aceito: 24 de Setembro de 2013

* Autor para correspondência. E-mail: sauerdeborah@hotmail.com (D. Sauer).

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