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Novos estudos CEBRAP

Print version ISSN 0101-3300On-line version ISSN 1980-5403

Novos estud. - CEBRAP  no.73 São Paulo Nov. 2005

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-33002005000300014 

CRÍTICA

 

Um livro ponte1

 

 

João Cezar de Castro Rocha2

Professor de Literatura Comparada da UERJ e Pesquisador do CNPq

 

 

Os leitores de Machado de Assis. O romance machadiano e o público de literatura no século 19 de Hélio Guimarães. São Paulo: Edusp / Nankin Editorial, 2004, 510 pp.

 

DOIS CAMINHOS DE LEITURA

Todo sistema intelectual define sua força pelo vigor das disputas internas. Talvez seja mesmo possível supor que as polêmicas desempenhem um papel formativo e não apenas desagregador, pois ajudam a delimitar campos e a demarcar interesses. Muitas vezes, no período de constituição do sistema, determinados autores e certas temáticas podem tornar-se instrumentais para esclarecer posições e aperfeiçoar modelos de compreensão. Por isso, é preciso distinguir polêmicas e polêmicas.

Sem dúvida, o objetivo da maior parte parece ser a promoção de quem se lança na "República das Letras" através de ataques previsíveis a nomes consagrados. Esse foi o modelo empregado em 1856 por José de Alencar contra o protegido do imperador Pedro II, Gonçalves de Magalhães e seu curioso poema épico A Confedereção dos Tamoios. Entretanto, como o que aqui se faz, aqui se paga, segundo promete o provérbio, Joaquim Nabuco repetiria em 1875 o expediente contra o então consagrado autor de O Guarani. Tal modelo de polêmica não é privilégio dos tristes trópicos, representando antes um modo costumeiro de inserção no meio intelectual ou artístico.

Contudo, a polêmica que realmente contribui para a constituição de um sistema intelectual deve ser de outra natureza. Embora não haja como (e nem mesmo por quê) eliminar o caráter ad hominem de todo conflito de idéias, o debate deve girar em torno de questões mais amplas. Qual o método mais eficaz para a leitura de determinado autor? Qual a abordagem mais fecunda para tratar de certa temática? Como assegurar a formação mais sólida para futuras gerações de professores e pesquisadores de literatura?

Por exemplo, recorde-se a polêmica entre Silvio Romero e José Veríssimo, relativa à definição do procedimento adequado para os estudos literários. De um lado, Romero confiava no sentido oitocentista do termo alemão Literatur, ou seja, buscava a totalidade do saber referente às artes da escrita e da leitura. A literatura assumia o papel de corpus de conhecimento veiculado através da palavra escrita. De outro lado, Veríssimo apostava na noção francesa de belles-lettres, isto é, preocupava-se não mais com todas as letras, tampouco com qualquer forma de escrita, mas somente com aquelas capazes de provocar um efeito de recepção determinado. Portanto, mesmo numa síntese tão apressada como a que apresento, destaca-se a relevância da polêmica que colocou em campos opostos Silvio Romero e José Veríssimo.

Em casos semelhantes, as disputas ideológicas são indispensáveis, pois permitem afinar os argumentos e tornar as opções mais precisas. Destaca-se, então, a figura do autor-matriz, cuja obra, pela própria complexidade, autoriza a pluralidade de abordagens, pois elementos diversos de sua produção podem ser valorizados. Por vezes, elementos opostos, que convivem criativamente no texto ficcional, engendram inevitáveis divisões no campo crítico. Ora, algum crítico ou teórico da literatura pensaria com seriedade que a sua análise é a "única" leitura realmente fecunda da obra de Gregório de Mattos, Gonçalves Dias, José de Alencar, Machado de Assis, Mário de Andrade, Carlos Drummond de Andrade, Graciliano Ramos, João Cabral de Melo Neto, Guimarães Rosa, Clarice Lispector, entre outros nomes? (No fundo, a maior parte pensa que sim, mas finjamos que não é o caso.) Portanto, pela riqueza de seus textos, certos autores favorecem o eterno retorno de querelas hermenêuticas e metodológicas. Um sistema intelectual necessita desse combustível para manter-se ativo, com seus elementos em circulação constante e renovadora, por assim dizer.

Machado de Assis é por definição o autor-matriz da história da literatura brasileira. Em primeiro lugar, sua obra explicitou mais de uma vez a dissidência entre Romero e Veríssimo; sobretudo depois da publicação do livro-tribunal de Romero, Machado de Assis. Estudo comparativo de literatura brasileira (1897). Em segundo lugar, a ambigüidade constitutiva do olhar machadiano — atento às coisas do seu tempo e lugar, mas cuidadosamente inscrito na tradição literária de muitos outros lugares e tempos —, estimulou polêmicas calorosas, que ainda hoje animam o dia-a-dia (às vezes monótono) dos bancos universitários. E o curioso é que, a seu modo, algumas das polêmicas contemporâneas parecem reviver o duelo oitocentista; como se ainda estivéssemos às voltas com a busca do modelo único de definição dos estudos literários. Não é verdade, por exemplo, que o acalorado debate envolvendo o estruturalismo, na universidade brasileira na década de 1970, recordou inesperadamente certas instâncias da polêmica de Romero e Veríssimo?

Se as polêmicas, assim compreendidas, revelam-se indispensáveis na formação de um sistema intelectual, é preciso que se mantenham propriamente "polêmicas", isto é, inovadoras, capazes de ampliar os problemas, modificando as respostas anteriormente oferecidas. Contudo, uma vez que o sistema esteja solidamente consolidado — como hoje ocorre no Brasil —, o mais provável é que os debates limitem-se a confirmar alianças previamente estabelecidas. O autor-matriz transforma-se então em pretexto para a defesa de posições institucionais; em conseqüência, os "novos" livros publicados correm o risco de simplesmente acumular informações adicionais sobre conhecimento já produzido. Trata-se, no mínimo, de perigoso esquecimento do provérbio espanhol — "não se deve exaurir a verdade com provas". Por isso, é uma tarefa difícil para jovens pesquisadores romper com o aborrecido ritual de declarar publicamente sua filiação a determinada corrente interpretativa, limitando-se a reduplicá-la, na condição de disciplinado epígono, cuja recompensa é a (duvidosa) segurança de uma carreira à sombra de nomes consagrados. Machado de Assis não estudou o professor universitário "agregado": em sua época, as universidades inexistiam.

Nesse contexto, o inovador livro de Hélio de Seixas Guimarães apresenta um modelo analítico e metodológico de grande interesse, pois, como o narrador casmurro, Guimarães deseja (e consegue) atar de forma produtiva as pontas da tradição crítica brasileira, ao mesmo tempo em que propõe percurso similar em relação à teoria literária contemporânea. É o que tentarei demonstrar nas três seções seguintes, a fim de fazer justiça ao importante Os leitores de Machado de Assis, autêntico livro-ponte entre métodos, escolas e teorias.

 

1880: UM ANO-PROBLEMA?

Numa observação em seu diário, Franz Kafka ponderou que, no ano 2000, estaríamos lendo a literatura do ano 2000. O olhar é sempre anacrônico, surpreendendo as preocupações contemporâneas nos objetos de qualquer época, mesmo que se trate da posteridade. Tal inversão improvável da ordem habitual ocorre no conto de Machado de Assis, "Uma visita de Alcibíades", em que o célebre orador morre "pela segunda vez"3 ao ser apresentado à moda do século XIX, pois não consegue desligar-se dos valores de seu próprio tempo. Por sua vez, o narrador do conto, embora padeça de autêntica "devoção do grego",4 ao receber a visita do ilustre ateniense, limita-se a defender a moda do seu próprio tempo. O diálogo entre as épocas se assemelha, portanto, a um diálogo de surdos; surdos loquazes, esclareça-se. Por isso, uma leitura menos otimista aproximaria a observação kafkiana da negação do exercício hermenêutico, já que tudo se transforma em ocasião para as obsessões do intérprete. Midas narcísico, nega a possibilidade da literatura no instante em que abre o livro. Nessa alquimia fracassada, porque sempre exitosa, resta porém uma alternativa: tornar-se anacrônico em relação a si próprio; reconhecendo que é uma miragem a busca da resposta única, definitiva.

Por isso mesmo, o dilema de Kafka interessa particularmente aos estudiosos da obra de Machado de Assis; a bem da verdade, aos estudiosos de autores tão complexos como o criador de Quincas Borba — o bem-aventurado cão e o malogrado filósofo. Ora, se adotarmos a forma livre de seu corrosivo humor, não seria possível comparar esse dilema com uma atitude recorrente na crítica machadiana? Acompanhemos seu raciocínio, já que um dos maiores méritos do livro de Hélio Guimarães consiste em oferecer uma interessante alternativa para a circularidade interna ao seguinte raciocínio: com a publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas, em 1880, e, dois anos depois, de Papéis avulsos, Machado de Assis promoveu uma renovação sem precedentes na literatura brasileira — na história da narrativa tout court, pensam alguns, com bons motivos. Trata-se, portanto, de compreender a motivação que teria conduzido a uma experiência tão radical — e, registre-se desde já, muito bem-sucedida. Como explicá-la? Por exemplo, reunindo conjeturas, multiplicando evidências, reiterando argumentos que confirmem o pressuposto. A crítica machadiana dedicou-se de corpo e alma a essa questão, propondo hipóteses tanto mais fecundas porque diversas e às vezes opostas. Na afirmação bem-humorada de John Gledson, eis "o Santo Graal dos estudos machadianos, a explicação para a ‘crise dos quarenta anos’ e para o novo tom satírico e o experimentalismo de Brás Cubas".5 Ora, como disse, um dos maiores méritos do livro de Hélio de Seixas Guimarães consiste no desenvolvimento de uma abordagem realmente nova — e o advérbio, aqui, vale o quanto pesa.6

Sem negar a óbvia diferença qualitativa entre o Machado das Memórias póstumas de Brás Cubas e o autor de Iaiá Garcia,7 Guimarães, após listar um conjunto amplo de importantes "teorias explicativas para a virada da primeira para a segunda fase",8 esclarece a originalidade de sua abordagem:

Sem excluir qualquer dessas explicações, procuro mostrar que a percepção do infundado das expectativas — na vida, nos homens, no país — abrangeria também a relação do escritor com os seus leitores, tanto os idealizados quanto os empíricos. Umas das mudanças mais notáveis de Iaiá Garcia para as Memórias póstumas tem a ver com o tratamento dispensado pelo narrador aos leitores e com o nível de exigência de leitura e interpretação a que estes, os leitores, são submetidos pelos romances da chamada segunda fase.9

O método é particularmente inspirador porque, sem transformar seu estudo numa simples reunião de trabalhos anteriores, Guimarães reconhece a potência multiplicadora do texto ficcional; desse modo, em lugar de ingenuamente acreditar que um único olhar pode esgotá-lo, freqüenta com conhecimento e sensibilidade explicações adversárias, a fim de fecundar sua perspectiva. Porém, esclareça-se: o método nada tem que ver com o igualmente ingênuo ecletismo, que tudo abraça porque não chega a definir seu objeto de estudo. Pelo contrário, no caso de Os leitores de Machado de Assis, o autor conduz o argumento com mão firme: trata-se de acompanhar a formação de um complexo e irreverente diálogo do narrador com figurações diversas de leitor — tanto o empírico, quanto o idealizado. Na próxima seção desta resenha, analisarei a conseqüência extraída desse aspecto da obra machadiana.

Além disso, o autor associou de forma iluminadora vários gêneros da produção machadiana, numa passagem que igualmente merece destaque:

Suponho ser possível traçar relações entre a percepção que Machado de Assis tinha do seu público, expressa na produção crítica, na correspondência e, em certa medida, na crônica, e a relação entre os narradores e as figurações do leitor nos romances. Dito de outra forma: as mudanças da percepção e da expectativa do escritor em relação ao seu público teriam implicações no modo como os narradores se dirigem aos seus interlocutores nos romances.10

Por exemplo, em determinado momento de seu raciocínio, ilumina, através da citação das crônicas da série "Bons Dias!", certa estratégia narrativa das Memórias póstumas de Brás Cubas — a passagem sutil da segunda para a terceira pessoa.11 Tal estratégia permitiria uma oscilação oportuna: toda vez que se considera "elogiado", o leitor pode julgar que, através do emprego da segunda pessoa do discurso, o narrador se dirige a "ele"; porém, quando "piparotes" são distribuídos, o mesmo leitor os atribui a um "outro" leitor, lançando mão da lógica da terceira pessoa do discurso. Boa parte da "introdução" do livro, aliás, repousa numa bem desenvolvida relação entre outra crônica da mesma série e a preocupação do romancista com o arisco público leitor, como veremos na próxima seção.

Na verdade, críticos anteriores já haviam tocado no problema e mesmo proposto hipóteses engenhosas. É o caso, entre muitos, de J. Mattoso Camara Jr. em seus Ensaios machadianos. Língua e estilo. Em dois ensaios particularmente interessantes para a perspectiva adotada por Guimarães, "Machado de Assis e as referências ao leitor" e "O coloquialismo de Machado de Assis", Mattoso Camara chegou a estudar a oscilação das formas de tratamento do leitor. Em suas palavras: "Estamos assim agora mais habilitados para apreciar as soluções estilísticas, derivadas dessa complexidade de processos de tratamento, com que se enriquecem as referências ao leitor em Machado de Assis".12 De igual modo, realizou uma aguda observação sobre o emprego da primeira pessoa em Dom Casmurro e da terceira pessoa na malograda saga de Rubião: "É curioso, entretanto, ressaltar que mesmo num romance de 3ª pessoa, como o Quincas Borba, Machado de Assis insiste não só nas referências ao leitor mas também na fixação do momento do relato. A sua solução para introduzir este segundo dado foi a de fazer-se acompanhar de seus leitores e conduzi-los como um cicerone experimentado aos recessos de sua história".13 Porém, a importante novidade do livro de Hélio de Seixas Guimarães consiste em oferecer pela primeira vez uma análise abrangente do conjunto da obra romanesca de Machado de Assis, tendo como base o estudo do complexo e diversificado relacionamento do narrador machadiano com múltiplas figurações de leitor.

Assim, Guimarães renova o debate sobre o ano-problema 1880, pois, sem deixar de reconhecer a evidente transformação do texto machadiano, complexifica ao máximo a pergunta, abandonando a busca de uma resposta exclusiva, e, por isso, tornando sua análise um exercício dialógico. Vejamos, agora, sua forma de lidar com a questão ainda mais delicada da "alienação" ou do "engajamento" de Machado de Assis.

 

ALIENAÇÃO OU ENGAJAMENTO?

O conceito de Weltliteratur, proposto no final do século XVIII por Goethe, obriga a uma reflexão renovada sobre os critérios que determinam a universalidade deste ou daquele escritor. Um "mestre na periferia do capitalismo", retomando a feliz expressão de Roberto Schwarz, pode alcançar pleno reconhecimento na "República Internacional das Letras"?

Proponho uma hipótese de trabalho relativa à recepção internacional da obra de Machado de Assis. Tal questão é inevitável e, ao mesmo tempo, irrelevante. Inevitável porque, devido ao complexo de inferioridade cultural que insistimos em manter atuante — involuntário anacronismo deliberado —, concedemos uma importância desproporcional aos poucos momentos de repercussão da cultura brasileira no exterior. Entretanto, tal questão é irrelevante, pois, rigorosamente, nada pode dizer da lógica peculiar das leituras e, portanto, da escrita de um autor. Sua permanência revela muito mais as angústias de um sistema intelectual e artístico periférico do que produz conhecimento fecundo sobre a produção intelectual e artística desse lugar. Em última instância, o mercado dos bens simbólicos é bem mais dócil do que desejaríamos e, por isso, tende a reproduzir a hegemonia que domina o plano político e econômico. Em conseqüência, voltar os olhos com ansiedade para a recepção no exterior pode conduzir ao lamentável fenômeno do auto-exotismo, cuja freqüência não deixa de ser constrangedora.

Em alguma medida, a repercussão mediana da obra de Machado de Assis no exterior deve-se à própria crítica brasileira. Ubiratan Machado tem razão ao afirmar: "O interessse pelo escritor no exterior foi, em verdade, um reflexo do boom machadiano no Brasil. Os estudiosos brasileiros são os principais responsáveis pela reavaliação da obra machadiana sob novas luzes e pelo levantamento e interpretação de imenso material biográfico. Independente da atenção dos especialistas, nunca se falou tanto no escritor (...)".14 Entretanto, refiro-me à recepção da obra machadiana num contexto mais amplo que os círculos acadêmicos;15 contexto esse alcançado por autores como Flaubert ou Dostoiévski, somente para citar dois exemplos oitocentistas; ou Jorge Luis Borges, para recordar um escritor sul-americano. Ora, por boas décadas, o debate central dos estudos machadianos prendeu-se à querela acerca dos possíveis vínculos do autor com a realidade local. A querela pode ser resumida em oposições simples: alienação explícita; alusões sutis; ocultamentos deliberados da própria origem; desvelamentos cifrados da estrutura profunda da sociedade — neste laborioso jogo de discórdias, muitas vezes a obra de Machado de Assis foi desnecessariamente circunscrita ao universo da cultura brasileira, em lugar de também inscrita no plano da assim chamada literatura universal.

Sem dúvida, esse tipo de preocupação esclarece a sutileza crítica do olhar machadiano em relação à sociedade brasileira oitocentista. Porém, oculta uma dimensão fundamental, que talvez seja a contribuição machadiana mais original para a reescrita da tradição literária, compreendida num horizonte tão amplo quanto as próprias leituras do autor. Tal contribuição permitiria situar a obra de Machado no centro de determinadas preocupações críticas contemporâneas num sentido realmente inovador; afastado tanto do auto-exotismo, que corresponde às expectativas estrangeiras relativas a uma literatura nos trópicos, quanto do autocentramento, que circunscreve a malícia do leitor Machado de Assis à preocupação cifrada do autor de Memórias póstumas de Brás Cubas com as mazelas da formação social brasileira. É aqui que a repercussão mediana de sua obra no exterior também pode ser atribuída a um efeito inesperado (e perverso) da certeira crítica ao falso problema da "alienação" de Machado. Ora, salvo engano, tal debate interessa sobretudo a pesquisadores brasileiros ou a especialistas na cultura brasileira. Em outras palavras, o fato da nacionalidade não pode ser sublimado, mas, com certeza, não deve ser sublinhado, ou condenaremos a obra de Machado de Assis a um círculo muito estreito — na última seção desta resenha, discutirei a contribuição do livro de Hélio Guimarães para esse difícil problema.

Se tal hipótese de trabalho for válida, no momento em que principiarmos a discutir o legado machadiano num contexto mais amplo, presenciaremos uma nova onda de leitura da obra machadiana no exterior. Contexto esse que assinale a circunstância de um autor que, "na periferia do capitalismo" — e o lugar importa não como um obstáculo surpreendentemente superado, mas como um elemento constitutivo da malícia do olhar machadiano —, experimentou com gêneros literários os mais diversos; relacionou-se de forma livre com a tradição literária; desenvolveu um peculiar corpo a corpo com figurações múltiplas de leitor; concebeu de modo radical a centralidade da leitura no ato da escrita; trouxe para primeiro plano o gesto de reescrever o texto através do ato de leitura no momento mesmo em que se produz o texto. Machado de Assis é um dos autores mais instigantes da tradição ocidental, independentemente de coordenadas geográficas, pois é como se escrevesse a fim de pensar a literatura. Machado narra para propor problemas narrativos, sua escrita se transforma, assim, numa forma cujo conteúdo é a problematização da própria literatura, suas condições de legibilidade, sua vocação de engendrar perguntas cujas respostas sejam modos novos de propor questões.

Tal síntese, creio, permite destacar, sob outro ponto de vista, a importância do livro de Hélio Guimarães. O autor supera a dicotomia de métodos acima apontada através de uma estratégia engenhosa, estudando tanto "os destinatários empíricos de sua prosa ficcional",16 quanto o "leitor enquanto construção ficcional no romance machadiano".17 Em outras palavras, investiga-se o leitor de Machado e o leitor em Machado.

O estudo do leitor de Machado de Assis exige, portanto, uma dupla reconstrução. De um lado, é preciso reconstruir o contexto histórico que permitiu aos escritores românticos conceber o gênero como o espaço ideal para a criação de uma comunidade nacional. Projeto formulado com clareza por José de Alencar e que, segundo a análise de Hélio Guimarães, teria influenciado Machado de Assis, ainda que negativamente. Tal preocupação ajuda a compreender sua excentricidade: "Machado de Assis começa sua carreira de romancista com um projeto anti-romântico num momento em que o gosto pela literatura sentimental e imaginosa domina o ambiente literário brasileiro".18

Nessa reconstrução, Hélio Guimarães mostra como os emblemas da modernidade ocidental conheceram uma recepção peculiar no Brasil oitocentista: "o romance e o bonde — circulam pelas ruas da Corte em incansável pescaria",19 pois, se os passageiros eram escassos, os leitores eram ainda mais ariscos. Vale dizer, o romance no Brasil consolidou-se enfrentando a escassez do público leitor e a precariedade da circulação dos bens simbólicos. Daí a precisa análise, um dos pontos altos do livro:

Uma das grandes novidades de Brás Cubas está na problematização, desde suas primeiras linhas, das possibilidades de comunicação do texto literário no ambiente brasileiro oitocentista. A interlocução e a recepção, até então tratadas como questões externas à esfera literária, são incorporadas ao texto como problema, a ponto de o leitor, razão de ser e condição de existência do romance, ser apontado como único defeito do livro.20

De outro lado, a fim de compreender a posição excêntrica de Machado, é necessário recuperar o impacto causado pela "realização do primeiro recenseamento geral do país, cujos resultados, divulgados em 1876 (...) provocaram reações de espanto em todo o país".21 Ora, se apenas 18% da população seria alfabetizada, como continuar apostando na possibilidade do romance como gênero fundador da nacionalidade? Nesse caso, entre o leitor e o cidadão abre-se um fosso, cuja ultrapassagem supõe reformas estruturais que, a bem da verdade, ainda hoje não foram plenamente cumpridas: educação pública de qualidade; bibliotecas públicas numerosas e bem equipadas; professores com remuneração adequada; sistema de distribuição do objeto livro apoiado pelo governo; livrarias espalhadas com alguma uniformidade em todo o país; programas efetivos de promoção do hábito da leitura.

De igual modo, o estudo do leitor em Machado de Assis também exige uma dupla reconstrução e, sobretudo, deve levar em consideração os problemas derivados da figura do leitor de Machado.

De um lado, trata-se de estudar as formas machadianas do leitor implícito, isto é, o dispositivo textual imaginado pelo autor com o objetivo de idealizar a recepção de sua própria obra, tal como teorizado por Wolfgang Iser. Guimarães analisa a crônica, a crítica e a prosa de ficção do autor de Helena como partes integrantes do processo de crescente desilusão machadiana com as condições objetivas da circunstância brasileira. Assim, o autor traça, no final do livro, uma síntese esclarecedora:

De Brás Cubas ao Memorial, nota-se um aprofundamento da solidão e do isolamento dos narradores e/ou protagonistas, sempre às voltas com as possibilidades de compartilhamento do texto. Por meio de narradores cada vez mais voltados para si mesmos e descrentes da possibilidade de se entabular um diálogo que não esteja baseado na indução ao engano e na traição da confiança do interlocutor, o escritor Machado de Assis parece voltar-se ao público como quem se dirige a uma platéia que não o entende, um leitorado incapaz de compreender e interpretar o sentido da história como os próprios protagonistas dos romances que, principalmente a partir de Dom Casmurro , tornam-se leitores/intérpretes equivocados em relação a suas próprias histórias.22

Na reconstrução de Hélio Guimarães, destacam-se alguns momentos do progressivo "naufrágio das ilusões". Na elaboração de Helena e de Iaiá Garcia, últimos romances da chamada primeira fase, o autor observa: "o escritor aproximava-se do gosto de grande parte do público leitor, que tinha muito apreço pelas narrativas melodramáticas e sentimentais"23. É como se Machado ainda acreditasse na promessa do público leitor como âncora da nascente ficção nacional. Neste particular, a pesquisa de Guimarães oferece conclusões de grande interesse:

(...) há por parte de Machado um interesse constante — e não seria exagerado falar em tentativa de controle – sobre a recepção de sua obra (...) parece-me inegável o fato de que Machado de Assis concedeu ao gosto e expectativa do público leitor que ele imaginava e/ou desejava para sua obra e que essa atenção e sensibilidade ao público seja um dos pilares da grandiosidade dessa mesma obra.24

Compreenda-se o alcance da conclusão: Guimarães revela um Machado preocupado com as leituras possíveis de sua obra, buscando "controlar" as reações dos leitores empíricos.25 Tal preocupação teria inclusive levado o autor de Esaú e Jacó a experimentar com gêneros populares à época, numa concessão ao gosto do momento. Contudo, como se fosse os gêmeos do romance, numa cisão do próprio Machado em pólos opostos, ao mesmo tempo em que busca agradar o público, o narrador se afasta dos padrões convencionais. Vale dizer, ao invés de confiar na "idéia muito difundida de uma espécie de indiferentismo de Machado em relação ao público leitor",26 Guimarães propõe que a radicalidade das experiências com as figurações do leitor, especialmente nos romances da chamada segunda fase, teria dependido precisamente da autocrítica de Machado em relação a suas próprias apostas iniciais. Destaca-se aqui o caráter orgânico do alentado anexo documental, coligido ao final do volume, composto por "resenhas e comentários sobre os romances machadianos",27 assim como por uma útil seção com breves biografias dos críticos machadianos.28 O anexo permite que o leitor de hoje vislumbre as reações do leitor contemporâneo à produção machadiana. Portanto, é uma parte indispensável à inteligência do fio condutor de Os leitores de Machado de Assis. Ubiratan Machado teve idéia similar ao editar o igualmente importante acervo documental da "crítica em vida do autor", em Machado de Assis. Roteiro da consagração.29 Uma tarefa futura: comparar os textos coligidos por ambos os autores, assim como derivar linhas de força da recepção contemporânea — agora, somente registro a possibilidade.30 Hélio Guimarães, coerente com seu projeto, colige somente resenhas e comentários sobre os romances. A coletânea de Ubiratan Machado, por outro lado, é ecumênica, reunindo vários gêneros, desde observações sobre traduções feitas por Machado de peças teatrais, passando pela poesia, conto e romance.

Hélio Guimarães também ata com êxito as pontas de sua pesquisa, acompanhando as mudanças nas figuras do leitor implícito. Ele busca demonstrar que as modificações textuais operadas por Machado de Assis na figuração de leitores guarda relações complexas com a imagem que o próprio Machado passou a ter de seus leitores empíricos, sobretudo a partir de 1876. Ou seja, como vimos, os resultados do recenseamento teriam estimulado uma radicalização no entendimento machadiano da ficcionalidade e, portanto, do papel do leitor nas precárias condições brasileiras. Machado teria então identificado o naufrágio das ilusões românticas acerca da missão civilizadora do romance. Porém, como no fecho de Iaiá Garcia, "alguma coisa escapa ao naufrágio das ilusões".31 No caso, a tematização mesma da precariedade do circuito comunicativo vem à superfície do texto, torna-se parte integrante do próprio enredo, transforma-se em matéria constante de reflexão do narrador. A desilusão, portanto, metamorfoseia-se no elemento que ainda hoje assegura a Machado de Assis um lugar especial na literatura brasileira. Por isso mesmo, "Brás Cubas começa (…) com o tema da recepção literária".32

Retorno, agora, ao princípio desta resenha. Trabalhos como Os leitores de Machado de Assis talvez anunciem uma nova fase de estudos machadianos, já que sua principal contribuição consiste em relacionar criativamente o problema concreto do leitor de Machado com a figura do leitor em Machado. Num outro viés, valeria pensar em Machado leitor da tradição, mas este seria um outro livro. Desta vez, Hélio Guimarães trabalha tanto com as circunstâncias históricas do público leitor no Brasil oitocentista, quanto com as figurações do ato de leitura oferecidas na superfície da ficção machadiana. Desse modo, a preocupação com o texto encontra estímulo renovado com a reconstrução do contexto. Ao contrário de Bento Santiago, Hélio Guimarães consegue atar com êxito as pontas da tradição crítica brasileira — o que não é um pequeno êxito.

 

UM LIVRO-PONTE?

A fim de fundamentar sua preocupação com o ato de leitura, Hélio Guimarães também dialoga com a Escola de Constança, vale dizer, com as obras de Hans Robert Jauss e Wolfgang Iser, atribuindo com acerto maior importância ao trabalho de Iser. Contudo, creio que valeria a pena esclarecer de modo mais preciso uma distinção fundamental no âmbito da Escola de Constança. É importante destacar a diferença de projeto entre a "estética da recepção", tal como ideada por Jauss, e a "estética do efeito", tal como desenvolvida por Iser. A estética da recepção se articula a partir da reconstrução histórica de juízos de leitores particulares. Inspirado em Hans-Georg Gadamer, Jauss pretendia conceituar o modo como se processa a interação das expectativas tradicionais do leitor frente a um texto específico. A análise da fusão dos horizontes de expectativa com o ato de leitura tornou-se extremamente relevante para Jauss, pois permitia aprofundar a compreensão hermenêutica de Gadamer no que se refere ao relacionamento do passado com o presente.

Pelo contrário, a estética do efeito, elaborada por Iser, articula-se a partir da análise da estrutura peculiar do texto ficcional e, por isso, pretende elaborar uma descrição da interação fenomenológica que ocorre entre texto e leitor — daí a importância de Iser para o esforço de Guimarães, sobretudo a partir da nova relação criada por Machado com seus leitores e, por fim, com o ato de leitura em si. Partindo do pressuposto da existência de uma assimetria inicial entre texto e leitor, a estética do efeito iseriana almeja compreender o ato de leitura como uma forma particular de negociação daquela assimetria. Para tanto, investiga a estrutura própria dos textos literários, valorizando a interação específica que tal estrutura provoca; estrutura essa composta por uma indeterminação constitutiva. Essa indeterminação esclarece a impossibilidade de confundir a leitura de textos literários com o exercício de surpreender a interpretação "correta". Ora, não é verdade que, sobretudo nos romances da segunda fase, os narradores machadianos parecem deleitar-se com a idéia de um sentido em última instância inapreensível?

Em suma, enquanto a estética da recepção trabalha com atos de leitura historicamente verificáveis, a teoria do efeito estético busca o estabelecimento de um modelo genérico que dê conta do próprio ato de leitura de textos literários, independentemente de seus contextos particulares de atualização, embora atos de leitura sempre ocorram em contextos historicamente determinados. É claro que tal compreensão do texto literário, e de sua apropriação através do ato de leitura, revela-se particularmente propícia para a inovadora análise que Guimarães propõe da relação entre autor-narrador e leitores empíricos-implícitos na obra de Machado de Assis. Tal análise permitiria renovar a recepção de sua obra no exterior, pois valoriza um aspecto de interesse permanente para os estudos literários, para além da preocupação com a determinação nacional. Nesse sentido, Machado de Assis destaca-se como um dos primeiros autores da literatura ocidental a desenvolver as conseqüências da idéia de que todo autor é um leitor insatisfeito com a tradição ou, pelo contrário, estimulado pela própria biblioteca.33 Machado, por assim dizer, é o verdadeiro precursor de Jorge Luis Borges.

Na verdade, como ressalvei no princípio desta resenha, tal parece ser a vocação do importante livro de Hélio Guimarães: atar pontas. E isso também no plano teórico, já que sua abordagem aproxima os esforços de Hans Robert Jauss e de Wolfgang Iser. Nesse particular, o autor poderia ter explicitado ainda mais seu propósito. Afinal, o trabalho com o leitor de Machado e o leitor em Machado possibilita uma inesperada ponte metodológica entre a "estética da recepção" e a "estética do efeito". Contudo, essa possibilidade seria ainda mais forte se Guimarães tivesse aprofundado sua análise sobre o tema. Porém, evitemos a todo custo o onipresente narcisismo crítico de certa crítica brasileira contemporânea. O "narcisismo crítico" somente pode ler no texto do outro não o que efetivamente se realizou, mas, pelo contrário, limita-se a assinalar o que teria sido feito se o autor fosse o... próprio resenhista. Felizmente, não é o caso desta resenha. Contamos, assim, com uma contribuição fundamental e inovadora para os estudos machadianos. Esperemos, portanto, com grande interesse o próximo livro de Hélio de Seixas Guimarães, pois Os leitores de Machado de Assis oferece rico material para nossas reflexões — e por um bom tempo.

 

 

[1] Resenha escrita sob os auspícios de uma "Bolsa de Pesquisa", concedida pela Fundação Alexander von Humboldt.
[2] Gostaria de agradecer as sugestões e as críticas de Janine Rocha, Leonardo Vieira de Almeida e Pedro Armando de Almeida Magalhães à primeira versão desta resenha.
[3] "Uma visita de Alcibíades". Machado de Assis. Contos/Uma antologia. John Gledson (org.). São Paulo: Companhia das Letras, 1998, p. 240.
[4] Idem, p. 232.
[5] John Gledson. "Apresentação". Hélio de Seixas Guimarães. Os leitores de Machado de Assis. O romance machadiano e o público de literatura no século 19. São Paulo: Nankin/EdUSP, 2004, p. 20.
[6] Na sua excelente "Apresentação", Gledson, como farei na nota 9, também chama a atenção para um ensaio pioneiro de Silviano Santiago, "Retórica da verossimilhança". Idem, p. 19.
[7] No tocante a essa questão, a formulação de Roberto Schwarz é incontornável: "A descontinuidade entre as Memórias póstumas de Brás Cubas e a literatura apagada da primeira fase machadiana é irrecusável, sob pena de desconhecermos o fato qualitativo, afinal de contas a razão de ser da crítica. Mas há também continuidade rigorosa, aliás mais difícil de estabelecer". Roberto Schwarz. Um mestre na periferia do capitalismo – Machado de Assis. São Paulo: Livraria Duas Cidades, 1998, p. 208.
[8] Hélio de Seixas Guimarães. Os leitores de Machado de Assis. O romance machadiano e o público de literatura no século 19. São Paulo: Nankin/EdUSP, 2004, p. 34.
[9] Idem, p. 35.
[10] Idem, p. 27-28. Neste contexto, como Guimarães reconhece na página 215 de seu livro, vale recordar uma observação anterior de Silviano Santiago: "Já é tempo de se começar a compreender a obra de Machado como um todo coerentemente organizado, percebendo que certas estruturas primárias e primeiras se desarticulam e rearticulam sob formas de estruturas diferentes, mais complexas e mais sofisticadas, à medida que seus textos se sucedem cronologicamente". Silviano Santiago. "Retórica da verossimilhança". Uma literatura nos trópicos: ensaios sobre dependência cultural. Rio de Janeiro: Rocco, 2000, p. 27.
[11] Hélio de Seixas Guimarães. Os leitores de Machado de Assis. O romance machadiano e o público de literatura no século 19. São Paulo: Nankin/EdUSP, 2004, p. 191.
[12] J. Mattoso Camara Jr. "Machado de Assis e as referências ao leitor". Ensaios machadianos. Língua e estilo. Rio de Janeiro: Livraria Acadêmica, 1962, p. 66-67.
[13] J. Mattoso Camara Jr. "O coloquialismo de Machado de Assis". Ensaios machadianos. Língua e estilo. Rio de Janeiro: Livraria Acadêmica, 1962, p. 87.
[14] Ubiratan Machado. Bibliografia machadiana 1959-2003. São Paulo: EdUSP, 2005, p. 10. Devo a Janine Rocha a referência à passagem de Ubiratan Machado.
[15] No tocante à recepção acadêmica, como Ubiratan Machado também salienta: "A descoberta (termo que empregamos apenas como divisor de águas, já que não houve eclosão, mas um processo gradual de maturação) de Machado a partir dos anos de 1960, sobretudo pela crítica e pelos scholars norte-americanos — caixa de ressonância universal —, aliciou o interesse de estudiosos de todo o mundo e o conseqüente incremento das obras machadianas". Idem, p. 9.
[16] Hélio de Seixas Guimarães. Os leitores de Machado de Assis. O romance machadiano e o público de literatura no século 19. São Paulo: Nankin/EdUSP, 2004, p. 30.
[17] Idem, p. 31.
[18] Idem, p. 125.
[19] Idem, p. 62.
[20] Idem, p. 191.
[21] Idem, p. 32.
[22] Idem, p. 287.
[23] Idem, p. 149.
[24] Idem, p. 287.
[25] Anoto desde já uma possibilidade: propor uma leitura comparativa da abordagem de Hélio Guimarães sobre a obra de Machado de Assis e da análise igualmente inovadora que Victor Mendes ofereceu em seu livro Almeida Garrett. Crise na representação nas Viagens na minha terra. Lisboa: Cosmos, 1999. Em ambos os estudos, as figurações do leitor, assim como o papel irreverente assumido pelo narrador, adquirem especial relevo.
[26] Hélio de Seixas Guimarães. Os leitores de Machado de Assis. O romance machadiano e o público de literatura no século 19. São Paulo: Nankin/EdUSP, 2004, p. 286.
[27] Este é o título dado pelo autor para o importante anexo. Ver páginas 291-483.
[28] "Sobre os críticos", páginas 485-491.
[29] Ubiratan Machado. Machado de Assis. Roteiro de consagração (crítica em vida do autor). Rio de Janeiro: EdUERJ, 2003.
[30] Salvo engano, Hélio Guimarães não menciona a coletânea organizada por Ubiratan Machado. Compreende-se: o livro ora resenhado teve origem em sua Tese de Doutorado, apresentada em setembro de 2001, ao Departamento de Teoria Literária, do Instituto de Estudos da Linguagem da Unicamp. Portanto, trata-se de esforço anterior à publicação de Roteiro da consagração.
[31] Machado de Assis. Iaiá Garcia. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira/Instituto Nacional do Livro, 1977, p. 237 [1878].
[32] Idem, p. 182.
[33] Ver, a esse respeito, a Tese de Doutorado de Bluma Waddington Vilar, Escrita e leitura: citação e autobiografia em Murilo Mendes e Machado de Assis. Programa de Pós-graduação em Letras da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, 2001. Destaco o capítulo "Citação e autobiografia: Memórias Póstumas de Brás Cubas", p. 118-151.

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