SciELO - Scientific Electronic Library Online

 
 issue89O trabalho e a utopia da igualdade social author indexsubject indexarticles search
Home Pagealphabetic serial listing  

Novos Estudos - CEBRAP

Print version ISSN 0101-3300

Novos estud. - CEBRAP  no.89 São Paulo Mar. 2011

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-33002011000100014 

POEMAS

 

Francisco Alvim

 

 

ENTRANHA

Irei com prazer, senhor embaixador
Mas antes preciso saber
se aquela putinha também
vai
- Seu filho da puta
O coronel saca a pistola
Não teve medo
- Atira, seu filho da puta
atira
A demissão não tarda
foi parar em parte
alguma
(alguém ajudou, senão...)
Lá se aposenta
Dias depois, de regresso
já em Madri
aluga o carro para um passeio
sofre o enfarte e morre
na estrada
fica nu - roubam
tudo
Não tinha família
Leva uns dias no necrotério
até que o acham
Deixou setecentos mil dólares
um apartamento

Da aposentadoria
não desfrutou um só
dia

 

TREMURA

Quis passar tudo
na mesma tarde
Ah é porque fez
sol
a roupa secou
Minha mãe
a vida é sua
você faz dela
o
que quiser
Você chegou?
está aí?
quase
não me encontrava
viva

 

A CASA É SUA

Um abraço frontal

para as câmaras

O braço esquerdo
sobre o ombro esquerdo
a mão direita
cerrando a outra

De permeio
o Tratado

Um sopro gélido
de fornalha

E o jeito de sair
da cena

de costas
(se é que as tem)
ao afastar-se tão a vontade
quem não vê
que o palácio é de um outro
mas sempre será sua
a casa

 

CAPELA

cabaré bom
nu artístico