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Novos estudos CEBRAP

Print version ISSN 0101-3300

Novos estud. - CEBRAP  no.96 São Paulo July 2013

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-33002013000200007 

BOURDIEU E A QUESTÃO DAS CLASSES

 

 

Poder simbólico e fabricação de grupos: como Bourdieu reformula a questão das classes*

 

 

Loïc Wacquant

Tradução de Sergio Lamarão

 

 


RESUMO

A reformulação da questão de classe empreendida por Pierre Bourdieu exemplifica os traços principais da sua sociologia e a maneira pela qual ele amplia, mescla e corrige visões clássicas num quadro próprio. O artigo revela a motivação existente por detrás dos deslocamentos conceituais-chave que Bourdieu efetua, de estrutura de classe a espaço social, de consciência de classe a habitus, de ideologia a violência simbólica, e de classe dirigente a campo de poder. Destaca também estudos recentes que investigaram, testaram e refinaram os princípios centrais do modelo de Bourdieu e oferece uma bibliografia das suas publicações sobre classe, documentando um duplo deslocamento, empírico e analítico, para uma sociologia da realização de categorias, o que evidencia o poder constitutivo das estruturas simbólicas.

Palavras-chave: Pierre Bourdieu; classe; poder simbólico; formação de grupo.


ABSTRACT

Pierre Bourdieu's recasting of the question of class exemplifies the major features of his sociology and the way he extends, melds, and mends classical views into a distinctive framework. The article traces the impetus behind the key conceptual shifts Bourdieu effects, from class structure to social space, from class consciousness to habitus, from ideology to symbolic violence, and from ruling class to field of power. It also points to recent studies that have tried, tested, and refined the core tenets of his model and it offers a bibliography of Bourdieu's publications on class documenting a twofold empirical and analytic shift towards a sociology of the realization of categories that spotlights the constitutive power of symbolic structures.

Keywords: Pierre Bourdieu; class; symbolic power; group formation.


 

 

A reformulação da questão de classe empreendida por Pierre Bourdieu exemplifica os principais aspectos da sua sociologia in globo , de tal modo que uma leitura mais de perto de seus escritos-chave sobre o assunto oferece ao leitor uma passagem direta para o âmago de seu projeto científico1. Essa reformulação destaca as mudanças conceituais fundamentais efetuadas pelo sociólogo francês num esforço para recolocar e resolver uma das questões mais problemáticas da história e da teoria social, e, ao fazer isso, forjar ferramentas para elucidar a política mais ampla da formação de grupos: a alquimia sociossimbólica mediante a qual um construto mental, que existe abstratamente nas mentes de pessoas individuais, torna-se uma realidade social concreta, que adquire veracidade existencial, bem como potência histórica fora e acima delas. Destaco, aqui, seis aspectos inter-relacionados da reavaliação que Bourdieu faz de classe, que ampliam, mesclam e corrigem abordagens clássicas num quadro próprio.

1. A abordagem que Bourdieu faz de classe incorpora sua concepção marcadamente relacional da vida social. Para o autor de A distinção, da mesma forma que para Marx e Durkheim, o estofo da realidade social — e, portanto, a base para a heterogeneidade e a desigualdade — consiste de relações. Não de indivíduos ou grupos, que povoam nosso horizonte mundano, mas sim de redes de laços materiais e simbólicos, que constituem o objeto adequado da análise social. Essas relações existem sob duas formas principais: primeiramente, reificadas como conjuntos de posições objetivas que as pessoas ocupam (instituições ou "campos") e que, externamente, determinam a percepção e a ação; e, em segundo lugar, depositadas dentro de corpos individuais, na forma de esquemas mentais de percepção e apreciação (cuja articulação, em camadas, compõe o "habitus"), através dos quais nós experimentamos internamente e construímos ativamente o mundo vivido2. Para capturá-los, pode-se e deve-se superar a oposição mortal entre duas posturas antitéticas e igualmente truncadas, o objetivismo e o subjetivismo, mediante a adoção de um relacionalismo metodológico sistemático, capaz de apreender a complicada dialética das estruturas sociais e cognitivas na história, a intrincada dança de disposições e posições da qual a prática deriva.

Esse relacionalismo distancia Bourdieu das concepções gradacionais que domi­naram as pesquisas de estratificação durante os anos 1960 e 1970, quer na linha subjetivista — representada pela abordagem continuísta, baseada no status e exemplificada por W. Lloyd Warner e pela tradição de "estudos de comunidade" à la Yankee City3 —, quer no modelo objetivista da escola de pesquisa de "obtenção de status", que vai de Blau e Duncan4 a Featherman e Hauser5 . Porém, ao abraçar ab inceptio tanto a estrutura quanto o agente, o quadro relacional de Bourdieu também diverge claramente tanto da abordagem marxista quanto da weberiana de classe, ressurgentes durante os anos 1970, na medida em que a primeira interpreta o agente como um mero "ocupante" de uma posição estrutural, enquanto a segunda trata a estrutura como o produto emergente da agregação dinâmica de linhas individuais de ação destinadas a efetuar "fechamento e usurpação"6. Nas duas últimas décadas, a pesquisa de estratificação passou a incorporar organizações e redes como unidades de análise, mas essas correntes tenderam a tratar as primeiras como máquinas autônomas de catalogação e classificação e as segundas como geradores autopropulsores de desigualdade ou de coesão social, na ausência de um mapa mais amplo da estrutura de classe no interior do qual situá-las, como prevê a teoria das diferentes formas de capital de Bourdieu7.

2. Em seguida, a concepção de Bourdieu de classe é intensamente agonística — e aqui ele se move para mais perto de Max Weber. Pois é a luta, e não a reprodução, que se situa no epicentro do seu pensamento e se revela o motor ubíquo tanto da ruptura quanto da continuidade social. A classe, enquanto modalidade de agrupamento social e fonte de consciência e conduta, emerge e se consolida pela competição sem fim, na qual os agentes se engajam através dos diversos domínios da vida, visando a aquisição, o controle e a disputa por diversas espécies de poder ou de "capital". Essas disputas, ancoradas pela localização de alguém no espaço social, definidas pelas três coordenadas dimensionais de volume de capital, composição de capital e trajetória, se desenrolam em três arenas principais, classificadas em ordem ascendente de especificidade e consequencialidade: os julgamentos convencionais e as atividades mundanas da vida cotidiana, incluindo os gastos rotineiros, mapeados em A distinção8 ; os campos especializados de produção cultural, como arte, ciência, religião e a mídia (dissecados em As regras da arte, Para uma sociologia da ciência e Sobre a televisão9), nos quais são produzidas e disseminadas representações autoritárias do mundo social; e a esfera pública, situada na interseção do campo político com o Estado burocrático, reorganizada como o "banco central do poder simbólico", envolvida no arbitramento de disputas sobre categorias e na certificação de identidades10. Essas lutas em diferentes níveis — aninhadas, por assim dizer, à maneira de círculos concêntricos — determinam, imediatamente, quais propriedades sociais consituem capital e o valor relativo das diferentes espécies em circulação nos diversos jogos sociais que conformam uma dada formação social, e mais significativamente a "taxa de conversão" corrente, num dado momento, entre capital econômico e capital cultural.

3. Em terceiro lugar, a abordagem que Bourdieu faz de classe não tem paralelo no que diz respeito à ênfase colocada na dimensão e nos mecanismos simbólicos da formação e da dominação de grupo. Como qualquer coletivo, as classes despontam e vivem através do reconhecimento/falso reconhecimento, isto é, um trabalho constante e diversificado de inculcação e imposição de categorias de percepção que contribuem para formar a realidade social, moldando sua representação — no tríplice sentido da psicologia social, da dramaturgia e da iconologia11. Para Bourdieu, baseando-se na antropologia filosófica de Ernst Cassirer, o agente social é um animal symbolicum, que habita um mundo vivido e construído através do prisma de construtos da linguagem, do mito, da religião, da ciência e de conhecimentos variados12. Assim, a própria existência das classes como recipientes e determinantes da vida social não é um dado bruto, inscrito nas distri­buições diferenciadas das oportunidades de vida. Na verdade, ela é o resultado de um trabalho de formação de grupos,que envolve as lutas para impor a classe como o "princípio dominante da visão e da divisão social", acima, e contra, das alternativas competidoras (tais como localidade, etnicidade, nacionalidade, gênero, idade, religião etc.). Isso ocorre porque

[o]s grupos sociais, e sobretudo as classes sociais, existem, por assim dizer duas vezes, e isso acontece antes da intervenção do próprio olhar científico: existem na objetividade da primeira ordem, aquela que é registrada por distribuições de propriedades materiais; e existem na objetividade da segunda ordem, a das classificações contrastadas e das representações produzidas por agentes com base em um conhecimento prático dessas distribuições, tais como são expressadas nos estilos de vida13.

O trabalho propriamente político da formação de grupos chama nossa atenção para a grande variedade de técnicas de agregação simbólica e de instrumentos de reivindicações, por intermédio das quais as fronteiras são desenhadas e obedecidas, da mesma maneira que uma população é forjada num coletivo, que uma "classe no papel" transforma-se (ou não) em uma classe real, dotada da capacidade de movimentar seus (supostos) membros, expressar demandas e agir enquanto tal no cenário histórico. Numa sociedade avançada, esse trabalho de manipulação simbólica tende a ser monopolizado por especialistas em representação — sindicalistas, políticos, administradores públicos, especialistas em pesquisas de opinião, jornalistas e intelectuais —, que competem pela direção das "operações sociais de nomeação e os ritos das instituições"14, através dos quais a descontinuidade social é produzida a partir da continuidade e categorias enraizadas nas divisões objetivas do espaço social emergem como entidades ativas. As próprias ciências sociais (e especialmente o tipo de "politologia" praticada em órgãos governamentais e em escolas de políticas públicas) envolvem-se profundamente no trabalho de formação de grupos, na medida em que suas técnicas de investigação e seus idiomas analíticos são apropriados por operadores políticos para projetar uma visão falsamente racionalizada de seu domínio15.

4. Deriva daí, em quarto lugar, que a abordagem de classe feita por Bourdieu é genuinamente sintética em dois sentidos. Inicialmente, ela entretece tradições teóricas que, geralmente, são percebidas como antagônicas, se não incompatíveis, uma vez que retém a insistência de Marx em assentar a classe em relações materiais de poder, mas a remete aos ensinamentos de Durkheim sobre as representações coletivas e à preocupação de Weber com a autonomia das formas culturais e a potência do status como distintições sociais percebidas16. Em seguida, e de forma relacionada, ela revoga a oposição perene entre concepções objetivistas e subjetivistas de classe, visões realistas para as quais a classe é uma entidade-coisa "lá fora", e abordagens nominalistas, que a constroem como um conceito nativo ou uma ferramenta heurística do sociólogo. Junto com as várias escolas construtivistas (particularmente a fenomenologia e sua extensão neo-schutziana, a etnometodologia), Bourdieu reconhece que os agentes produzem ativamente a realidade social através de suas atividades mundanas de atribuição de sentido, mas destaca que eles assim atuam baseados nas posições que ocupam em um espaço objetivo de constrangimentos e facilitações, e com ferramentas cognitivas surgidas desse mesmo espaço:

Essas construções não são efetuadas em um vácuo social, como alguns etnometodologistas parecem acreditar: a posição ocupada no espaço social — isto é, na estrutura da distribuição das diferentes espécies de capital, que são também armas — governa as representações desse espaço e as atitudes adotadas nas lutas para conservá-lo ou transformá-lo17.

Por conseguinte, o "estruturalismo genético" de Bourdieu propõe que as classes existem na medida em que as pessoas empregamesquemas de percepção, apreciação e ação baseados em classe e originários das divisões objetivas do espaço social, que ativam e inscrevem essas divisões nas relações sociais e nas lutas políticas. Todavia, o alinhamento da posição, da disposição e da prática de classe nos diferentes microcosmos que compõem uma sociedade diferenciada é uma realização prática, que depende do trabalho de empreendedores simbólicos em competição, contanto que "o mundo social possa ser expresso e construído de diferentes maneiras"18, de acordo com princípios de categorização diferentes19.

A luta para elevar ou erodir a classe como a base suprema da percepção e da ação social é travada mais intensamente nas camadas superiores do espaço social, nas quais os detentores das diversas modalidades de capital (econômico, jurídico, burocrático-estatal, religioso, científico, artístico etc.) competem para determinar seu peso relativo e suas prerrogativas. Rompendo tanto com as teorias liberais das elites quanto com a visão marxista da hegemonia capitalista, que foca exclusivamente na divisão vertical entre governantes e governados, Bourdieu descarta a noção substancialista de "classe dirigente" em favor do conceito relacional de campo de poder20. Essa noção topológica permite-nos anatomizar os conflitos horizontais que opõem os agentes e as instituições que concentram os poderes díspares em jogo na sociedade avançada. Bourdieu sugere que muitos conflitos que aparentemente opõem as categorias dominante e dominado são, na realidade, batalhas de extermínio mútuo que contrapõem os diferentes setores do campo de poder, isto é, diferentes frações de uma suposta classe dirigente, cujo império torna-se mais opaco e mais impregnável pelo intrincamento crescente e pelas contradições cada vez maiores das engrenagens da dominação21. Em síntese, em vez de tomá-las como dadas ou estipulá-las através de um ato de autoridade científica, Bourdieu problematiza a existência, as fronteiras e o grau de coesão tanto das classes superiores quanto das subordinadas, e abre espaço para a pesquisa empírica das modalidades sociais de sua possível unificação e eventual capacidade para ação conjunta.

5. A reformulação de Bourdieu da questão colocada por Marx na introdução de Das Kapital, "O que faz uma classe social?", é única por fundir, de forma consistente, teoria e pesquisa. A motivação por detrás dos vários deslocamentos conceituais que Bourdieu efetua — de estrutura de classe a espaço social, de consciência de classe a habitus, de ideologia a violência simbólica, de classe dominante a campo de poder — está enraizada na, e voltada para a, resolução de quebra-cabeças de pesquisa concretos: que confluência de fatores produz a disjunção política entre o subproletariado urbano e a classe trabalhadora estabelecida na guerra de independência da Argélia? Como os filhos das diferentes classes restringem ou ampliam suas expectativas acadêmicas de modo que essas tendam a responder a suas oportunidades reais na escola? Por que os camponeses não gostam da fotografia quando ela não é "realista"? Como categorizar os diferentes componentes da pequena burguesia de modo a capturar as raízes distintas de sua inclinação compartilhada por "boa vontade cultural"? Como explicar a conversão ideológica de funcionários públicos graduados à visão neoliberal de um Estado minimalista e impotente na década de 1990? Como a internacionalização da economia e a constituição de uma rede mundial de escolas de elite impactam a capacidade de vários segmentos da burguesia para assegurar a reprodução e a conversão de suas modalidades específicas de capital?

Em Bourdieu, as ferramentas de análise e as ferramentas empíricas de classe estão intimamente entrelaçadas e avançam em uníssono. Isso se dá porque ele não chegou a escrever o tratado sobre classe anunciado em um pé de página de A distinção, pois separar os princípios teóricos de sua implementação na pesquisa sempre implica o risco de reificação escolástica. Em "A Japanese reading of Distinction" ["Uma leitura japonesa de Distinção"], uma conferência pública proferida em Tóquio, Bourdieu elabora:

O modelo teórico não é exibido adornado com todos os sinais que alguém, normalmente, reconhece como da "grande teoria", começando com a ausência de qualquer referência a uma dada realidade empírica. As noções de espaço social, de espaço simbólico ou de classe social nunca são examinadas em si mesmas e por si mesmas. Ao contrário, são colocadas para funcionar e para serem testadas numa investigação que é, inseparavelmente, empírica e teórica22.

6. Contudo, a remodelação da noção de classe feita por Bourdieu não é apenas teórica e empírica. Ela também abrange uma importante inovação metodológica, nomeadamente, a introdução e o refinamento para a pesquisa social da técnica estatística da análise da correspondência múltipla — que evoluiu, mais tarde, para uma análise geométrica de dados23 . Esse método não paramétrico de análise categorial de dados, derivado do trabalho matemático de Jean-Paul Benzécri, é destinado a revelar e mapear os espaços interconectados de indivíduos e propriedades. Em contraste e oposição propositais à estatística "orientada pela variável" de Lazarsfeld, ele obedece ao modo topológico de raciocínio, que retém o indivíduo situado como unidade de análise para garantir um forte elo entre ontologia, metodologia e teoria social, e nos convida a especificar as condições sob as quais vários agentes irão (ou não) aderir a uma prática coletiva, e em que domínios da vida social. Como explica Bourdieu: "As diversas técnicas estatísticas contêm filosofias sociais implícitas que devem ser tornadas explícitas"; cada uma delas comporta suas próprias noções de "causalidade, ação e o modo de existência das coisas sociais". Assim, ele usa a análise de correspondência múltipla porque "é um procedimento essencialmente relacional, cuja filosofia expressa totalmente aquilo que, na minha visão, constitui a realidade social. É um procedimento que 'pensa' em relações"24, o que perfaz o círculo e nos leva de volta à primeira proposição fundadora de Bourdieu sobre a estrutura de classe.

A reavaliação de Bourdieu de classe como uma modalidade de formação de grupos tem se mostrado especialmente fértil não somente devido à sua proeza teórica de integrar abordagens de Marx, Weber, Durkheim e Cassirer (bem como de Merleau-Ponty, Goffman, Austin e outros), mas também porque ele gerou um amplo corpo de pesquisa empírica no qual seus princípios centrais foram testados, refinados e revisados para cobrir as principais classes da sociedade contemporânea, capturadas em fases de consolidação, assim como em ciclos de decomposição, na França e também em outros países. Em Le bal des célibataires [O baile dos celibatários], o próprio Bourdieu diagnostica a crise do campesinato do seu Béarn nativo como fruto da penetração da sociedade de aldeia pela escola e pela mídia urbana, que rompe a correspondência circular entre as estruturas sociais baseadas no parentesco e as estruturas mentais divididas por gênero, características da ordem agrária tradicional25. Essa linha de investigação é ampliada por Patrick Champagne, que mostra, em L'héritage refusé [A herança recusada], como a dominação simbólica do campesinato opera para acelerar seu encolhimento material mediante a intensificação do gap cultural através de gerações, promovendo, assim, estratégias de transmissão familiar e reconversão profissional que facilitam a substituição do camponês de aldeia do passado pelo empresário rural tecnicista, orientado para os mercados nacional e global26. O essencial do trabalho performativo da "formação de grupos" de cima, efetuado por líderes sindicais em relação às suas bases, bem como ao Estado, é examinado por Maresca em Les dirigeants paysans [Os dirigentes camponeses], que documenta como os agricultores menos representativos vêm tomar o leme do grupo para moldá-lo à sua própria imagem27.

A demolição da classe trabalhadora industrial na era pós-fordista é analisada por Stéphane Beaud e Michel Pialoux em Retour sur la condition ouvrière [Sobre a condição operária], uma espécie de estudo de "E.P. Thompson às avessas", que revela como as mudanças no processo de trabalho, na organização da fábrica e no sistema escolar nas últimas décadas do século XX conspiraram para fragmentar e desmoralizar os trabalhadores, desfazendo, na realidade, sua coesão de classe28. Olivier Schwartz descreve como a vida familiar, a segmentação por gênero e a crescente privatização da esfera doméstica como amortecedor defensivo e reino do consumo contribuem para consagrar, de dentro, a divisão interna de trabalhadores manuais entre estratos "proletarizados", "desproletarizados" e "precarizados", enfraquecendo, assim, o coletivo que eles formam ou costumavam formar29. Abdelmalek Sayad examina a posição particular e as experiências de imigrantes argelinos dentro da classe trabalhadora francesa em La double absence [A dupla ausência], enquanto Beaud retorna à interseção deles em seu diálogo socioanalítico com jovens desempregados de origem franco-argelina, intitulado, sintomaticamente, Pays de malheur [País da desgraça!]30. Acrescentando uma camada espacial à (de)formação de classe, Wacquant revela como o desterro em bairros estigmatizados da periferia urbana fragmenta ainda mais as frações precárias da classe trabalhadora pós-industrial por toda a Europa Ocidental, assegurando que o precariato permaneça como um grupo natimorto, cujas origens dispersas e divisões embutidas obstruem continuamente seu acesso a uma forma organizada de existência e ação coletivas31. Por sua vez, Marie Cartier e seus colegas investigam as posições ambíguas e as atitudes ambivalentes da baixa classe média dessa mesma periferia urbana em La France des 'petits moyens' [A França da baixa classe média]32, para verificar que sua heterogeneidade ocupacional é parcialmente compensada por sua apreensão compartilhada quanto à moradia e pelo temor da mobilidade para baixo que os absorveria entre os desterrados da cidade.

Avançando na estrutura de classe, Baudelot recoloca o crescimento do "pobre trabalhador" em uma hierarquia social profundamente reconfigurada pelas rápidas transformações do mundo do trabalho e pela complexidade cada vez maior dos status dos assalariados, levando em conta que o aumento da classe média foi acompanhado pela crescente opacidade e pelo aprofundamento das divisões culturais, ao passo que Bihr e Pfefferkorn ampliam o limite analítico para retratar a acúmulo dinâmico das disparidades em cascata nas duas extremidades da pirâmide de classe33. Luc Boltanski disseca o papel catalizador dos cadres ao agregar um conjunto disperso de categorias intermediárias e ao modelar a morfologia, a mobilização e as inclinações políticas das classes gerenciais média e superior na França do pós-guerra34 . Monique de Saint Martin e Béatrix Le Wita enriquecem o quadro pintado por Bourdieu da classe superior, investigando a frutificação e a santificação do capital social entre as dinastias da nobreza e a burguesia parisiense, enquanto Monique e Michel Pinçon anatomizam as instituições exclusivas que eles construíram para si mesmos nos bairros ricos da porção oeste da capital, bem como suas extensões suburbanas e para as províncias: o isolamento espacial passa a ser uma modalidade crucial da unificação cultural e da coesão de classe no topo35. Movendo-se para além do nível nacional, Wagner demonstra como a globalização dos fluxos econômicos e culturais reforçaram o peso do capital cultural na administração de classe, com efeitos opostos nas duas extremidades do espectro social, tendo a ascensão do "capital internacional" reforçado, mais do que substituído, as frações dominantes das burguesias nacionais nos diferentes países36.

Fora da França, as investigações sociológicas, históricas e antropológicas têm adotado e adaptado o modelo de Bourdieu para elucidar as relações do espaço social, de constituição de classe e de poder cultural em uma dezena de países, em períodos que atravessam vários séculos. Essa literatura é hoje tão volumosa que se pode escrever um artigo em separado sobre ela. Por isso, assinalarei aqui somente cinco estudos, concernentes a Portugal, Grã-Bretanha, Estados Unidos, sociedades pós-soviéticas e Noruega no momento presente, como indicativo da dinâmica diversidade do legado bourdieusiano. Virgílio Pereira replicou e especificou as contribuições de A distinção, a estreita relação entre posição social, consumo cultural e sociabilidade nos bairros estratificados que compõem a cidade do Porto, adicionando uma dimensão espacial múltipla ao modelo de Bourdieu da correspondência entre espaço social e espaço simbólico37. A equipe de Manchester, liderada por Mike Savage e Alan Warde, adotou esse modelo do outro lado do canal da Mancha para mapear o consumo e a participação cultural britânicos, abordando de frente o papel complicador do gênero e da etnicidade como bases da formação de grupo38. Annette Lareau documentou como a aguda bifurcação de classe e étnica nas práticas de educação infantil na Costa Leste dos Estados Unidos perpetua as estruturas de desigualdade existentes, revelando como a classe efetivamente funciona nos "circuitos familiares" através da organização da vida cotidiana, do uso da linguagem e das relações diferenciadas com a escola39. Eyal, Szelényi e Townsley estenderam e testaram o modelo de Bourdieu de conversão de capital no campo do poder para delinear a emergência de uma nova classe dirigente nos países do extinto bloco soviético após o colapso do comunismo40. Finalmente, trazendo Bourdieu para a Noruega, Lennart Rosenlund revelou o peso crescente da composição (enquanto algo distinto do volume) do capital como determinante primordial para as oportunidades de vida e os estilos de vida na cidade de Stavanger, em decorrência do boom petrolífero, e mostrou como a profunda diferenciação entre os setores público e privado marca o sentimento das pessoas comuns, bem como a estrutura de classe do país (e, presumivelmente, de outras nações escandinavas, moldadas de modo similar pelo Estado social-democrata)41.

Uma leitura cerrada de suas investigações sobre classe, poder e cultura sugere que Pierre Bourdieu reformulou o clássico problema da dominação e da desigualdade ao questionar o status ontológico de grupos e ao forjar ferramentas para revelar como essas são feitas e desfeitas praticamente na vida social pela inculcação de esquemas compartilhados de percepção e apreciação e de seus usos contestados para esboçar, vigiar ou desafiar fronteiras sociais. Jaz, pois, no epicentro de sua sociologia, o dilema da realização de categorias, isto é, as atividades concretas e os mecanismos operantes mediante os quais construtos mentais evanescentes tornam-se realidades históricas consistentes e duradouras, na dupla aparência de instituições (sistemas de posições), e encarnam subjetividades (conjuntos de disposições) que trabalham concomitantemente para atualizar divisões simbólicas, inscrevendo-as na materialidade. Cabe a outros autores estender essa reavaliação praxiológica de classe para outros coletivos sociais, baseados em idade, gênero, etnicidade (incluindo esse subtipo de etnicidade negada chamado raça) e nação42. O trabalho de desconstrução sociológica do esforço da formação de grupos apenas começou.

 

APÊNDICE: ESCRITOS-CHAVE DE BOURDIEU SOBRE CLASSE

Bourdieu atribui um lugar central à classe em todo o seu trabalho, vendo-a como uma modalidade de desigualdade, identidade e ação, mas com duas direções ao longo do tempo, uma empírica e outra analítica. Colocado de forma esquemática, o foco empírico primordial de Bourdieu migra ascendentemente na ordem de classe no decorrer das décadas, indo da dissolução do campesinato e da composição interna do proletariado urbano (tanto na Argélia quanto na França, no início dos anos 1960, exemplificado em Le bal des célibataires e Algérie 1960 ) para as inclinações e os destinos contrastantes das classes médias (em meados dos anos 1960, começando com Un art moyen e atingindo o clímax com La distinction ), até a classe superior e seus conflitos intestinos, que despontam da "divisão do trabalho de dominação" (anos 1980, de La distinction a La noblesse d'État ), até o papel do Estado, do direito e das forças internacionais na modelagem de classe, atuando de fora e de cima (anos 1990, ver sobretudo Les structures sociales de l'économie e a série de ensaios sobre o neoliberalismo)43.

Similarmente, em termos analíticos Bourdieu passa da mera documentação da relevância persistente da classe (numa época dominada pelos temas gêmeos do alegado embourgeoisement da classe trabalhadora, do surgimento de múltiplas "novas classes" e da celebração do "fim das classes") para o mapeamento da estrutura invisível do espaço social no interior da qual as classes emergem (ou não) como resultado de batalhas simbólicas multilocais que almejam impô-las como "o princípio dominante da visão e da divisão social" sobre, e em oposição a, outras bases possíveis de determinação social e formação de coletividade. Portanto, em seus muitos trabalhos que conduzem a La distinction, de 1979, Bourdieu considera a classe um dado estrutural e concentra-se no delineamento de seus múltiplos impactos e manifestações em diferentes domínios (por exemplo, consumo ordinário, estética e política). Em sua conferência de 1984, em Frankfurt, sobre "Classes sociais e a gênese das 'classes'" (observem as aspas no original), Bourdieu descreveu as profundas implicações de sua análise Langage et pouvoir symbolic, e assim supera aquela suposição para enfatizar a multidimensionalidade inerente à distribuição de recursos eficientes em uma dada formação social e a correspondente "elasticidade semântica do mundo social". Bourdieu chama atenção para a relativa autonomia dos sistemas simbólicos das estruturas sociais e de seu poder constitutivo, ou seja, para sua capacidade de moldar a realidade, moldando representações compartilhadas do mundo44. Ele se centra na problemática passagem das "classes" no papel para as classes na realidade, da classe possível para a classe real, como indicado pelo título de seu discurso de 1987, proferido no Simpósio sobre Classificações Sociais, na Universidade de Chicago (para o qual fora convidado para falar sobre classe na conferência de encerramento, depois que Samuel Preston falou sobre idade, Eleanor Maccoby sobre gênero e Orlando Patterson sobre raça, de acordo com um roteiro que manteve essas bases de categorização cuidadosamente em separado): "O que constitui uma classe social? Sobre a existência teórica e prática de grupos". O espaço social e as lutas simbólicas tornam-se, então, a díade conceitual operante de um modelo que pode ser aplicado a qualquer coletivo social, resultante "das lutas de classificação que constituem uma dimensão de quaisquer lutas de classe, sejam elas classes de idade, classes sexuais ou classes sociais"45.

A ascensão empírica na escada da classe é acompanhada por uma importante ruptura conceitual, com a elaboração da noção de "campo de poder" (esboçado inicialmente em 1971 e desenvolvido mais vigorosamente entre 1988 e 1995, quando Bourdieu decide lidar de frente com a questão do Estado, em torno da qual circulou cautelosamente por décadas), bem como da noção de corpus (corpos coletivos, tais como as ocupações ou a família, que garantem "a afinidade de disposições e a orquestração de habitus"), distintos tanto de classe quanto de campo, com os quais Bourdieu procura explicar a consolidação inicial do Estado e a continuada "solidariedade orgânica" do dominante, a despeito de suas divisões objetivas46. Ele também é acompanhado pela promoção de princípios ortogonais de classificação, tais como gênero (com os ensaios preparatórios, o livro e os debates que se seguiram sobre a dominação masculina) e etnicidade (sob a aparência de região, imigração e o tratamento de estrangeiros).

A guinada empírica é mais clara do que a analítica, que podia ser interpretada como resultado quer de uma mudança de posição, quer de amadurecimento e clarificação teóricos. Como o próprio Bourdieu advertiu,

quando você sabe como olhar, as continuidades são mais visíveis do que as descontinuidades. Um pensador ou um pesquisador são como um navio de cruzeiro, que leva um tempo inacreditavelmente longo [un temps fou] para mudar de direção. Mesmo no caso de Foucault, em cujo trabalho vocês encontrarão mais mudanças claras do que no meu, eu acho que as continuidades são impressionantes47.

Esse apêndice fornece um guia para avaliar essas e outras possíveis mudanças no pensamento de Bourdieu sobre classe. Ele lista os trabalhos em ordem cronológica, conforme o ano de sua primeira publicação48 , apresentando as traduções em português quando disponíveis. Inclui apenas aqueles trabalhos que lidam diretamente com classe, em um esforço para atingir um equilíbrio entre parcimônia e abrangência.

1962

"Célibat et condition paysanne". Études Rurales , 5-6 (abr.), pp. 32-136.

"La hantise du chômage chez l'ouvrier algérien. Prolétariat et système colonial". Sociologie du Travail , 4, pp. 313-331.

"Les sous-prolétaires algériens". Les Temps Modernes , 199 (dez.), pp. 1031-1051.

1963

Travail et travailleurs en Algérie. (Com Darbel, Alain; Rivet, Jean-Paul e Seibel, Claude.) Paris/Haia: Mouton.

1964

Le déracinement. La crise de l'agriculture traditionnelle en Algérie. (Com Sayad, Abdelmalek.) Paris: Minuit.

"Paysans déracinés: bouleversements morphologiques et changements culturels en Algérie". (Com Sayad, Abdelmalek.) Études Rurales , 12 (jan.), pp. 56-94.

Les héritiers. Les étudiants et la culture. (Com Passeron, Jean-Claude.) Paris: Minuit.

1965

Un art moyen. Essai sur les usages sociaux de la photographie. (Com Boltanski, Luc; Chamboredon, Jean-Claude; Lagneau, Gérard; Castel, Robert e Schnapper, Dominique.) Paris: Minuit.

"Le paysan et la photographie". (Com Bourdieu, Marie-Claire.) Revue Française de Sociologie , 6(2), pp. 164-174. Em português: "O camponês e a fotografia". Revista de Sociologia e Política , Curitiba, n º 26, jun. 2006, pp. 31-39.

1966

Le partage des bénéfices. Expansion et inégalités en France. (Co-organizado com Darbel, Alain.) Paris: Minuit. (Especialmente "Différences et distinctions", pp. 117-129, e "La transmission de l'héritage culturel", pp. 383-420.)

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"Stratégies de reproduction et modes de domination". Actes de la Recherche en Sciences Sociales , 105, pp. 3-12.

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"La double vérité du travail". Actes de la Recherche en Sciences Sociales , 114, pp. 89-90.

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Les structures sociales de l'économie. Paris: Seuil. Em português: As estruturas sociais da economia. Lisboa: Instituto Piaget, 2001.

"Formes d'action politique et modes d'existence des groupes (1973)". In: Propos sur le champ politique. Lyon: Presses Universitaires de Lyon, pp. 81-88.

2001

Contre-feux 2. Pour un mouvement social européen. Paris: Raisons d'Agir Éditions. Em português: Contrafogos 2. Por um movimento social europeu . Trad. André Telles. Rio de Janeiro: Zahar, 2001.

2012

"Champ du pouvoir et division". Actes de la Recherche en Sciences Sociales, 190 (dez.), pp. 126-139.

 

 

Recebido para publicação em 1º de abril de 2013.

 

 

LOÏC WACQUANT é professor de sociologia na Universidade da Califórnia em Berkeley e pesquisador do Centre de sociologie européene (Paris). Autor de diversos estudos sobre marginalidade urbana comparada, incorporação, o estado penal, dominação etnorracial e teoria social traduzidos para mais de vinte línguas, recebeu bolsa de excelência da Fundação MacArthur e o prêmio Lewis Coser da Associação Americana de Sociologia. Publicou no Brasil Corpo e alma: notas etnográficas de um aprendiz de boxe (2002), O mistério do ministério. Pierre Bourdieu e a política democrática (2005), Onda punitiva. O novo governo da insegurança social (2007) e As prisões da miséria (2011), entre outros trabalhos. Para mais informações, ver loicwacquant.net.

 

 

[*] Publicado originalmente em Journal of Classical Sociology, vol. 13, nº 2, maio de 2013. Este ensaio é uma versão revista e ampliada de um texto inicialmente preparado como prefácio a uma coleção dos textos-chave de Pierre Bourdieu sobre classe e política, a ser lançada em norueguês como Et klassespørsmål (Oslo, Forlaget Manifest). O autor agradece aos editores do Journal of Classical Sociology por seu estímulo para retrabalhá-lo e pela paciência em esperar os resultados, e aos oportunos comentários de Sébastien Chauvin, Megan Comfort, Johs Hjellbrekke, Daniel Laurison e Tom Medvetz.
[1] Muitos dos 37 livros e 400 artigos de Bourdieu lidam com um ou outro aspecto de classe, cobrindo o campesinato, o (sub)proletariado, as classes médias e a burguesia (incluindo a rivalidade entre suas frações econômicas e culturais), bem como as constelações hierárquicas que elas formam, de modo que não é possível fornecer aqui uma listagem detalhada. Como alternativa, selecionei, no apêndice, os escritos fundamentais que oferecem um panorama de suas primeiras contribuições (anos 1960), de suas contribuições intermediárias (anos 1970 até Distinção) e de suas últimas contribuições (pós-1982). Eles revelam uma passagem analítica do par condição-posição de classe para a formação de classe como uma possível consequência de lutas simbólicas.
[2] "A evidência da individuação biológica impede-nos de ver que a sociedade existe sob duas formas inseparáveis: por um lado, instituições, que podem assumir a forma de coisas físicas – monumentos, livros, instrumentos etc.; e, por outro, disposições adquiridas, maneiras duradouras de ser ou de estar, encarnadas em corpos. [...] O corpo socializado (o que nós chamamos de o indivíduo ou a pessoa) não é oposto à sociedade: é uma de suas formas de existência" (Bourdieu, P. Questions de sociologie. Paris: Minuit, 1980,         [ Links ] p. 29, grifo no original. [Ed. bras.: Questões de sociologia. Trad. Jeni Vaitsman. Rio de Janeiro: Marco Zero, 1983.]).
[3] Warner, William Lloyd; Low, J. O.; Lunt, Paul Sanborn e Srole, Leo. Yankee City. New Haven: Yale University Press,         [ Links ] 1963.
[4] Blau, Peter M. e Duncan, Otis Dudley. The American occupational structure. Nova York: Free Press,         [ Links ] 1967.
[5] Featherman, David L. e Hauser, Robert Mason. Opportunity and change. Nova York: Academic Press,         [ Links ] 1978.
[6] Para duas posições representativas, ver Wright, Erick Olin. Classes, crisis, and the State. Londres: Verso,         [ Links ] 1979, e Parkin, Frank. The social analysys of class structure. Londres: Tavistock,         [ Links ] 1972.
[7] À guisa de exemplo, consultar Baron, James N. "Organizational perspectives on stratification". Annual Review of Sociology,10, 1984, pp. 37-         [ Links ]69, e DiMaggio, Paul e Garip, Filiz. "Network effects and social inequality". Annual Review of Sociology,38, 2012, pp. 93-         [ Links ]118, nenhum dos quais se conecta com Bourdieu. Essa conexão é feita por Emirbayer, Mustafa e Johnson, Victoria. "Bourdieu and organizational analysis". Theory & Society,37(1), 2008, pp. 1-         [ Links ]44, e pelos variados artigos reunidos nesse número especial de Theory & Society, bem como os argumentos estendidos nos dois livros de John Levi Martin, Social structures. Princeton: Princeton University Press,         [ Links ] 2009, e The explanation of social action. Oxford: Oxford University Press,         [ Links ] 2011.
[8] Bourdieu, Pierre. La Distinction. Critique sociale du jugement. Paris: Minuit, 1979.         [ Links ] [Ed. bras.: A distinção: crítica social do julgamento. Trad. Daniela Kern e Guilherme J. F. Teixeira. São Paulo/Porto Alegre: Edusp/Zouk, 2007.]
[9] Bourdieu, Pierre. Les règles de l'art. Genèse et structure du champ artistique. Paris: Seuil,         [ Links ] 1992. [Ed. bras.: As regras da arte. Gênese e estrutura do campo artístico. Trad. Maria Lúcia Machado. São Paulo: Companhia das Letras, 2002]; Science de la science et réflexivité. Paris: Raison d'Agir Éditions, 2001. [Ed. port.: Para uma sociologia da ciência. Trad. Pedro Elói Duarte. Lisboa: Edições 70, 2004]; Sur la télévision. Paris: Raison d'Agir Éditions, 1996 [Ed. bras.: Sobre a televisão: seguido de A influência do jornalismo e Os jogos olímpicos. Trad. Maria Lúcia Machado. Rio de Janeiro: Zahar, 1997].
[10] A operação do poder simbólico nos campos politico e burocrático é examinada nos trabalhos de Bourdieu Langage et pouvoir symbolique (Paris: Fayard, 1982), La noblesse d'État (Paris: Minuit, 1989), Raisons pratiques (Paris: Seuil, 1994, sobretudo capítulo 4) [Ed. bras.: Razões práticas: sobre a teoria da ação. Campinas, Papirus, 1996], bem como no curso oferecido no Collège de France de 1989 a 1992, Sur l'État (Paris: Seuil/Raisons d'Agir Éditions, 2012). Uma elaboração posterior encontra-se em Wacquant, Loïc (org.). Pierre Bourdieu and democratic politics: the mystery of ministry. Cambridge: Polity Press,         [ Links ] 2005 [Ed. bras.: O mistério do ministério. Pierre Bourdieu e a políticademocrática. Rio de Janeiro, Revan, 2005], sobretudo capítulo 1.
[11] Bourdieu chama atenção, repetidamente, para os "inumeráveis atos de construção antagonística que os agentes operam, a todo momento, em suas lutas individuais e coletivas, espontâneas ou organizadas, para impor a visão social do mundo mais de acordo com seus interesses" e para as quais estão desigualmente armados (Bourdieu, Pierre. "Une classe objet". Actes de la Recherche en Sciences Sociales,vol. 17/18, 1977,         [ Links ] p. 2).
[12] Ver, em particular, o livro de Cassirer The philosophy of symbolic forms (New Haven: Yale University Press, 1955-1957 [1923-1929]), uma obra-prima em três volumes que Bourdieu absorveu no início da sua trajetória intelectual e que traduziu para o francês na coleção que lançou pela Éditions de Minuit, junto com outros quatro livros do filósofo de Marburg.
[13] Bourdieu, Pierre. "Capital symbolique et classes socials". L'Arc,72, 1978, pp. 13-         [ Links ]19, publicado nesta edição de Novos Estudos Cebrap.
[14] Bourdieu, Pierre. Langage et pouvoir symbolique. Paris: Seuil,         [ Links ] 2001, grifo no original. [Ed. bras.: O poder simbólico. Rio de Janeiro. Bertrand Brasil, 1992].
[15] Bourdieu, Pierre. La noblesse d'État. Grandes écoles et esprit de corps: Parte III;         [ Links ] Bourdieu, Pierre e Boltanski, Luc. La production de l'idéologie dominante. Paris: Demopolis/Raisons d'Agir Éditions, 2007 [1976]         [ Links ].
[16] A revisão que Bourdieu faz de classe tanto perpassa quanto ultrapassa as divisões teóricas convencionais – entre marxistas, weberianos, durkheimianos e os partidários da análise pós-classista –, as quais Eric Olin Wright ( Approaches to classe analysis . Cambridge: Cambridge University Press, 2005) tenta em vão superar.
[17] Bourdieu, Raisons pratiques, op. cit., p. 28.
[18] Bourdieu, Langage et pouvoir symbolique, op. cit., p. 298.
[19] Ver também Bourdieu, Pierre. Choses dites. Paris: Minuit,1987, pp. 158-162 [ed. bras.: Coisas ditas. Trad. Cássia R. da Silveira e Denise Moreno Pegorim. São Paulo: Brasiliense, 1990]. Isso é particularmente relevante e evidente no caso da classe média, devido à sua localização "intermediária", propensa a ser vista, ou a orientar-se, de cima ou de baixo (Wacquant, Loïc. "Making class: the middle class(es) in social theory and social structure". In: McNall, Scott G.; Levine, Rhonda e Fantasia, Rick (orgs.). Bringing class back in. Boulder: Westview, 1991, pp. 39-         [ Links ]64).
[20] Ver, em particular, Bourdieu. La noblesse d'État. Grandes écoles et esprit de corps: Parte IV;         [ Links ] Bourdieu, Pierre. "Champ du pouvoir et division du travail de domination". Actes de la Recherche en Sciences Sociales,190, 2011, pp. 126-         [ Links ]39; Bourdieu, Pierre e Wacquant, Loïc. "From ruling classe to field of power". Theory, Culture & Society,10(1), 1993, pp. 19-         [ Links ]44.
[21] "A dominação não é o efeito direto e simples da ação exercida por um conjunto de agentes (a 'classe dominante'), investido de poderes de coerção, mas sim o efeito indireto de um conjunto complexo de ações, que se engendram na e pela rede cruzada de limitações que cada um dos dominantes, assim dominado pela estrutura de dominação através da qual exerce sua dominação, sofre de parte de todos os demais" (Bourdieu, Raisons pratiques , op. cit., p. 57).
[22] Bourdieu, Raisons pratiques, op. cit., p. 16.
[23] Isso é enfatizado por Frédéric Lebaron em "How Bourdieu 'quantified' Bourdieu: the geometric modelling of data". In: Robson, Karen e Sanders, Chris (orgs.). Quantifying Bourdieu. Berlim: Springer, 2009, pp. 11-         [ Links ]29. Uma excelente introdução ao método da maneira como era organizado por Bourdieu é encontrada em Le Roux, Brigitte e Rouanet, Henry. Multiple correspondence analysys. Londres: Sage,         [ Links ] 2009. Os autores treinaram legiões de pesquisadores a proceder à análise de correspondência múltipla em workshops especiais, realizados pela Europa Ocidental (e mais recentemente nos Estados Unidos, em Berkeley). Uma comparação instrutiva do tipo de análise de correspondência feito por Bourdieu com a matemática da escolha racional desenvolvida por James Coleman é realizada por Breiger (Breiger, Ronald L. "A tool kit for practice teory". Poetics,27(2-3), pp. 91-115,         [ Links ] 2000); uma associação com a técnica de análise de redes é proposta por De Nooy (De Nooy, Wouter. "Fields and networks: correspondence analysis and social network analysis in the framework of field theory". Poetics,31(5-6), pp. 305-327,         [ Links ] 2003).
[24] Bourdieu, Pierre. "Meanwhile I have come to know all the diseases of sociological understanding". Posfácio a The craft of sociology: epistemological preliminaries. Nova York: De Gruyter, 1991 [1968], p.         [ Links ] 255. [Ed. bras.: Ofício de sociólogo. Metodologia da pesquisa na sociologia. Petrópolis: Vozes, 2004].
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[40] Eyal, Gil; Szelényi, Ivan e Townsley, Eleanor. Making capitalism without capitalists: the new ruling elites in Eastern Europe. Londres: Verso,         [ Links ] 1998. O impacto de Bourdieu na pesquisa americana é, simultaneamente, registrado e neutralizado em Lareau, Annette e Conley, Dalton (orgs.). Social class: how does it work? Nova York: Russell Sage Foundation,         [ Links ] 2010.
[41] Rosenlund, Lennart. Exploring the city with Bourdieu: applying Bourdieu's approach and analytic framework. Berlim: vdm,         [ Links ] 2009. Discuto a contribuição de Rosenlund à extensão empírica e internacional do modelo de classe de Bourdieu em Wacquant, Loïc. "Norwegian distinctions". Sosiologisk årbok/Year­book of Sociology,6(2), 2001, pp. 27-         [ Links ]32 (reimpresso como prefácio ao seu livro). Isso é complementado por um rico conjunto de pesquisas sobre as classes altas escandinavas, conduzido por equipes lideradas por Johs Hjellbrekke, na Noruega, e Annick Prieur, na Dinamarca. Ver, à guisa de ilustração, Hjellbrekke, Johs e outros. "The Norwegian field of power anno 2000". European Societies 9(7), 2007, pp. 245-         [ Links ]273, e Prieur, Annick; Skjøtt-Larsen, Jakob e Rosenlund, Lennart. "Cultural capital today: a case study from Denmark". Poetics,36(1), 2008, pp. 45-         [ Links ]70.
[42] Para incursões e manobras provocativas nessa direção, esboçando os amplos contornos de um paradigma que emerge da "formação de grupos", ver Noiriel, Gérard. La tyrannie du national. Paris: Calmann-Lévy,         [ Links ] 1991; Brubaker, Rogers. Ethnicity without groups. Cambridge: Harvard University Press,         [ Links ] 2005; Calhoun, Craig J. Nations matter: culture, history and the cosmopolitan dream. Nova York: Routledge,         [ Links ] 2007; DaCosta, Kimberly McClan. Making multiracials: state, family, and market in the redrawing of the color line. Stanford: Stanford University Press,         [ Links ] 2007; Weiß, Anja. Rassismus wider Willen. Ein anderer Blick auf eine Struktur sozialer Ungleichheit. Opladen: vsa,         [ Links ] 2012, e Wimmer, Andreas. Ethnic boundary-making: institutions, power, networks. Nova York: Oxford University Press,         [ Links ] 2012.
[43] Bourdieu, P. Algérie 1960: structures économiques et structures temporelles. Paris: Éditions de Minuit,         [ Links ] 1977. Bourdieu, P. Un art moyen: essai sur les usages sociaux de la photographie. Paris: Éditions de Minuit,         [ Links ] 1965; Bourdieu, P. Les structures sociales de l'économie. Paris: Seuil,         [ Links ] 2000. [Ed. port.: As estruturas sociais da economia. Lisboa: Instituto Piaget, 2001.]
[44] "Essas lutas simbólicas – tanto as lutas individuais da vida cotidiana quanto as lutas coletivas e organizadas da vida política – encerram lógicas específicas, que lhes conferem uma real autonomia em relação às estruturas nas quais estão enraizadas. [...] Assim, podemos agora examinar sob que condições um poder simbólico pode se tornar um poder constitutivo, tomando o termo constituição, com Dewey, quer em seu sentido filosófico, quer em seu sentido político, isto é, um poder para conservar ou transformar os princípios objetivos de união e separação, casamento e divórcio, associação e dissociação, em ação no mundo social, o poder para conservar ou transformar as classificações existentes em matéria de sexo, nação, região, idade e status social, e para fazer isso através das palavras usadas para designar ou descrever indivíduos, grupos ou instituições". In: Bourdieu, Pierre. Choses dites. Paris: Minuit, 1987, pp. 160,         [ Links ] 163.
[45] Bourdieu, Pierre. Leçon sur la leçon. Paris: Minuit, 1982,         [ Links ] p. 14. Brubaker foi o primeiro a detectar essa tensão (ou deslizamento) no uso que Bourdieu confere à classe como um conceito específico ou uma categoria genérica (Brubaker, R. "Rethinking classical teory: the sociological vision of Pierre Bourdieu". Theory & Society,14, 1985, pp. 745-         [ Links ]775).
[46] Ver o artigo "Effet de champ et effet de corps". Actes de la Recherche en Sciences Sociales,59, 1985,         [ Links ] p. 73.
[47] Bourdieu, Pierre. "A contre-pente: entretien avec Philippe Mangeot". Vacarme,19, jan. 2001, pp. 4-         [ Links ]14.
[48] Com base em Delsaut, Yvette e Rivière, Marie-Christine. Bibliographie des travaux de Pierre Bourdieu. Pantin: Le Temps des Cerises,         [ Links ] 2011.

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