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Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material

Print version ISSN 0101-4714

An. mus. paul. vol.18 no.1 São Paulo Jan./June 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-47142010000100001 

Apresentação

 

 

Cecilia Helena de Salles Oliveira

Diretora do Museu Paulista da USP

 

 

Uma das principais metas dos Anais do Museu Paulista, no matizado campo dos estudos históricos no Brasil, é apresentar-se como espaço para a difusão de reflexões que não somente convidem o leitor a acercarse das perspectivas de abordagem próprias à área da Cultura Material mas evidenciem as maneiras pelas quais é possível tanto revisitar temas já percorridos quanto recortar temas inovadores, para iluminar dimensões esquecidas ou obscurecidas da sociedade e da cultura no país.

No caso deste número, três artigos oferecem novas visadas sobre períodos e questões aparentemente conhecidos. O estudo de Maria Aparecida de Menezes Borrego, desenvolvido ao longo de programa de pós-doutorado ainda em andamento no Museu Paulista, com o apoio da Fapesp, aponta para os nexos entre trajetórias de vida de negociantes radicados em São Paulo, a expansão urbana paulistana na segunda metade do século XVIII e aspectos da vida material nessa época, problematizando o lugar da capitania e da cidade nas esferas mercantis do Império Português às vésperas da chegada da Corte portuguesa em 1808. Recuando para os primórdios da colonização lusitana na América, Renato Cymbalista discute em seu texto o papel dos mártires e das narrativas sobre os martírios de missionários cristãos no novo continente, indicando a importância dessas práticas e registros no processo de interlocução dos princípios fundantes do cristianismo com as sociedades indígenas.O trabalho de Rafael de Bivar Marquese recupera a famosa Fazenda Resgate, localizada no Vale do Paraíba paulista, para analisar de que modos, no século XIX, o desenvolvimento da economia capitalista ensejou desenhos espaciais singulares para fazendas de café espalhadas seja no Brasil, seja em Cuba e no sul dos Estados Unidos, debatendo os vínculos entre organização espacial e produção escravista.

Além dessas contribuições, foi possível editar neste número um conjunto de três artigos todos voltados para a interrogação de suportes e aspectos da cultura visual na modernidade. Alice Dubina Trusz discute os significados dos espetáculos públicos gerados pela utilização da lanterna mágica, na Porto Alegre do início do século XX. Ana Carolina de Moura Delfim Maciel nos permite reencontrar, sob contornos particulares, as imagens que cercaram Eliane Lage, uma das mais celebradas atrizes do cinema brasileiro na década de 1950. Carolina Etcheverry foca as experimentações fotográficas de Geraldo de Barros e José Oiticica Filho, nas décadas de 1950 e 1960.

Fecha o volume uma reflexão contundente, elaborada por Elisa Freixo e Andrea Cavicchioli, sobre o destino de órgãos de tubos utilizados no Brasil desde a época colonial. Testemunhos históricos e musicais de enorme valor, esses bens culturais não só estão abandonados mas sujeitos à destruição por intervenções inadequadas ou mesmo por descaso de pessoas e instituições.

Por esses apontamentos percebe-se que todos os artigos resultam de persistentes trabalhos de investigação e questionamentos junto a bibliografias e fontes de diferentes tipologias e períodos. O que os une é, sobretudo, o fato de se inscreverem nas polêmicas historiográficas do tempo presente, em que se entrelaçam precisão conceitual, problematização de documentos e teorias, atenção para com a narrativa e sensibilidade do historiador.

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