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Anais do Museu Paulista: História e Cultura Material

Print version ISSN 0101-4714

An. mus. paul. vol.18 no.2 São Paulo July/Dec. 2010

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-47142010000200001 

Apresentação

 

 

Cecilia Helena de Salles Oliveira

Diretora do Museu Paulista da USP

 

 

Este número dos Anais do Museu Paulista reúne contribuições que, a despeito da singularidade das abordagens, debruçam-se sobre a história dos imaginários sociais e sobre os modos pelos quais concepções políticas e estéticas, bem como práticas de dominação e exclusão, encontram - em objetos, monumentos e imagens - formas de expressão e memorização. Os artigos e a resenha discutem e investigam aspectos nem sempre sublinhados acerca da arquitetura e da cultura visual, desde o século XVIII à contemporaneidade.

Assim, o texto de Jaelson Trindade problematiza os usos e simbologias da águia bicéfala nas práticas e rituais da Igreja católica, particularmente na época do barroco, a indicar os nexos entre alegoria e projetos de poder, recriações expansionistas de instituição que naquele momento se propunha imperial.

Já o artigo de Roseane Silveira de Souza nos leva ao interior do Teatro da Paz, em belém do Pará. Erguido na segunda metade do século XIX, o teatro, hoje monumento, resguarda em suas formas, ornamentos e estilo não só vestígios de um momento da história da arquitetura como corporifica os desígnios daqueles que participaram de sua construção e das posteriores transformações. Do Norte do país, o leitor é levado pelo artigo de Renata Cabral ao Nordeste, mais precisamente à cidade do Recife, para acompanhar as polêmicas em torno da preservação/reconstituição de um dos mais conhecidos edifícios do centro histórico: o edifício Luciano Costa. Numa construção de duas fachadas - uma eclética e outra modernista - o que preservar, e como? Que argumentos políticos e técnicos foram mobilizados para justificar intervenções e, em especial, sua monumentalização? De que modo driblar o "progresso", que teima em desconsiderar edifícios desenhados por percepções visuais diferentes da atual?

Em direção similar, encontra-se o artigo de Íris Morais Araújo, que, por meio de registros fotográficos de Militão Augusto de Azevedo, pertencentes aos acervos do Museu Paulista-USP, indaga-se sobre as múltiplas significações que o artista flagrou nas transformações físicas e visuais pelas quais passava a cidade de São Paulo nas três últimas décadas do século XIX. Ali estão entrelaçadas a materialidade do chamado "progresso", as mudanças nos estilos e comportamentos em relação aos espaços urbanos e a especificidade da fotografia, questões que emergem, com contornos próprios e mais contemporâneos, no texto de Ana Rita Vidica fernandes, dedicado aos fotoclubes nas décadas de 1970 e 1980, quando, diferentemente do século XIX, a prática da fotografia exprimia muito mais do que mera atividade lúdica e prazerosa, para ser reconhecida como arte.

Dessa forma, o leitor vai sendo convidado a percorrer, em perspectiva histórica, expressões da cultura visual, a reconhecer sua complexidade, bem como o quanto essa cultura nosinforma e orienta. É nessa direção, justamente, que se situa o trabalho de Rita de Cássia Pereira farias sobre os sentidos materiais e imaginários de uniformes de trabalho usados na Usiminas (Usinas Siderúrgicas de Minas gerais), fundada em 1956. Ao interrogar um objeto aparentemente banal, a autora vai desvelando aspectos que o dia a dia pode obscurecer, apontando a importância cultural daquilo que nos parece corriqueiro.

Fecham este número uma reflexão de beatriz Mugayar Kühl, professora da FAU-USP, sobre as implicações da Carta de Veneza para a compreensão e a prática da preservação de patrimônios históricos e arquitetônicos nos dias de hoje, e a resenha, de Heliana Angotti-Salgueiro, sobre livro dedicado à figura de Charles garnier, o arquiteto queidealizou o teatro da Ópera de Paris, nos anos de 1860.

Como se vê, nesta edição, os editores da revista procuraram sublinhar a relevância das relações entre cultura material, imaginários e visualidade da cultura, debatendo-se, por caminhos metodológicos e temáticos diversos, formas e artefatos que fazem parte (mesmo quando não queremos) dos nossos modos de olhar, sentir e pensar o mundo.

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