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Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo)

versão impressa ISSN 0101-6083versão On-line ISSN 1806-938X

Rev. psiquiatr. clín. v.30 n.6 São Paulo  2003

https://doi.org/10.1590/S0101-60832003000600001 

EDITORIAL

 

Dr. Paul Janssen

(1926-2003)

 

 

Wagner F. GattazI; Orestes V. ForlenzaII

IEditor
IIEditor Assistente

 

 

Os editores da Revista de Psiquiatria Clínica lamentam profundamente o falecimento do Dr. Paul Janssen, ocorrido em Roma, na Itália, no dia 11 de novembro de 2003.

Paul Janssen nasceu na Bélgica em 1926. Filho de médico, cursou a Faculdade de Medicina de Ghent, recebendo seu diploma em 1951.

Logo após sua formatura, Janssen foi recrutado pelas forças armadas, permanecendo como médico do exército belga na Alemanha por 18 meses. Nesse período estudou Química Médica e Farmacologia.

Ao retornar para a Bélgica, passou a trabalhar na companhia farmacêutica de seu pai, fundada em 1935, e que produzia uma variedade de medicamentos de prescrição. Apesar de ser uma empresa relativamente bem-sucedida no plano comercial, tinha poucas perspectivas de crescimento, sobretudo em outros mercados, uma vez que não sintetizava os medicamentos comercializados, não detinha patentes e não desenvolvia pesquisas farmacêuticas.

Aos 27 anos de idade, Paul Janssen tornou-se o presidente dessa companhia, iniciando programas de pesquisa e desenvolvimento de produtos originais, melhores e patenteáveis. Em sua gestão, de 1953 a 1991, a Janssen Pharmaceutica desenvolveu mais de 70 compostos, cinco dos quais foram classificados na lista de "Medicamentos Essenciais" da Organização Mundial da Saúde. Paul Janssen chegou a deter mais de 100 patentes de drogas. Como diretor de pesquisas de sua companhia, Paul Janssen desenvolveu, em apenas cinco anos, inúmeras drogas psicotrópicas importantes.

O haloperidol foi lançado na Bélgica em outubro de 1959 e, já no início da década de 1960, passou a ser utilizado na maioria dos países ocidentais para o tratamento das psicoses e agitações psicomotoras. A importância do haloperidol, primeira grande contribuição de Paul Janssen para o tratamento das doenças mentais, é inestimável. Mais de 40 anos após a sua descoberta, o haloperidol permanece como uma das medicações mais efetivas e confiáveis para o tratamento da esquizofrenia e no manejo das psicoses em geral.

Nos anos seguintes, Paul Janssen e seus colaboradores desenvolveram várias outras drogas que muito contribuíram para o tratamento de pacientes psiquiátricos, tais como a pimozida, o penfluridol, o droperidol, o benperidol, a dipiperona e, mais recentemente, a risperidona. Também descobriram inúmeras outras substâncias com capacidade de ligação aos receptores acoplados às G-proteínas. Muitos desses compostos, potentes e específicos, tornaram-se importantes ferramentas de pesquisa sobre o funcionamento do cérebro e seus complexos sistemas de neurotransmissores.

As pesquisas conduzidas por Paul Janssen tiveram grande impacto no desenvolvimento dos modelos atuais das doenças mentais e seus tratamentos, particularmente da esquizofrenia. Paul Janssen, que não via a esquizofrenia como uma entidade nosológica única, foi o primeiro pesquisador a utilizar sistematicamente os antagonistas de anfetaminas e da triptamina como instrumentos para desenvolvimento de novas substâncias com potencial aplicação no tratamento da esquizofrenia.

Paul Janssen foi laureado com importantes prêmios, tais como o Pioneer in Science Award, concedido pela National Alliance for the Mentally Ill, e o The Pharmaceutical Discoverer's Award, pela National Alliance for Research on Schizophrenia and Depression, além de receber 22 títulos de Doutor Honorário em universidades de 13 países. Paul Janssen foi o presidente do Collegium Internationale Neuro-Psychopharmacologicum (CINP) entre 1980 e 1982.

Em 1963, Paul Janssen visitou o Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da USP, onde apresentou palestra sobre suas descobertas que impulsionaram a pesquisa psicofarmacológica e beneficiaram de forma marcante e decisiva o tratamento do doente psiquiátrico na segunda metade do século XX.

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