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Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo)

Print version ISSN 0101-6083On-line version ISSN 1806-938X

Rev. psiquiatr. clín. vol.33 no.2 São Paulo  2006

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-60832006000200008 

REVISÃO DE LITERATURA

 

Transtorno bipolar do humor e gênero

 

Bipolar affective disorder and gender

 

 

Rodrigo da Silva DiasI; Florence Kerr-CorrêaII; Ricardo Cezar TorresanIII; Carlos Henrique R. dos SantosIV

IPsiquiatra pesquisador do Projeto Mania (PROMAN) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-HC-FMUSP). Mestre em psiquiatria pela FMUSP
IIProfessora titular de psiquiatria do Departamento de Neurologia e Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Botucatu
IIIPsiquiatra e pesquisador do Departamento de Neurologia e Psiquiatria da Faculdade de Medicina de Botucatu. Responsável pela Área de Saúde Mental do Programa de Saúde da Família
IVPsiquiatra colaborador do Grupo de Estudos de Doenças Afetivas (GRUDA) do IPq-HC-FMUSP e pós-graduando do Departamento de Psiquiatria da FMUSP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

Embora o transtorno bipolar (TB) ocorra quase igualmente em ambos os sexos, a fenomenologia e o curso da doença diferem no homem e na mulher. No entanto, há evidências de que mulheres bipolares, mais que os homens, apresentariam início mais tardio (em especial na quinta década de vida), ciclagem rápida, mais episódios depressivos, mais mania disfórica que eufórica, estados mistos e evolução do tipo bipolar II, ainda que os achados nem sempre sejam consistentes. Embora o risco de comorbidades no TB inclua, para ambos os gêneros, abuso de álcool e drogas, homens bipolares teriam maior probabilidade de ser alcoolistas, não procurar tratamento e de se suicidar.
Hipóteses sugeridas para explicar tais diferenças variam daquelas centradas em aspectos culturais ou psicológicos para as que focalizam os sistemas hormonais, como os esteróides gonadais ou o eixo tireoidiano, e até mesmo a anatomia cerebral. A influência do ciclo reprodutivo (ciclo menstrual, gravidez e menopausa) sobre as opções terapêuticas no tratamento do TB é apresentada na última parte desta revisão.

Palavras-chave: Transtorno bipolar, gênero, tratamento, epidemiologia, evolução.


ABSTRACT

Although the bipolar disorder (BD) occurs almost with the same frequency in both genders, the phenomenology and the outcome of the illness differ between them. Nevertheless, there is evidence that women with BD show, more than men, delayed beginning, especially in their fifth decade, more rapid cycling outcome, more depressive episodes, more dysphoric mania, more mixed states and more BD type II. Even so, the findings are not always consistent. Although the risk of comorbidities in BD includes, for both the sorts, excessive alcoholic consumption and drugs, bipolar men would have greater probability of being alcohol dependent, of not seeking treatment and of committing suicide. Suggested hypotheses to explain such differences vary from those centered in cultural or psychological aspects to those that focus on the steroids hormones, and other hormones such as cortisol, thyroid hormones and even on the cerebral anatomy. The reproductive cycle (menstrual cycle, pregnancy and menopause) influences on the BD phenomenology and its relevance to the therapeutical options in the treatment of the BD in women are presented in the last part of this review.
Further investigations must to be done in order to clarify this controversy. However, up to now the data indicate that estrogen therapy is not to be primarily indicated to prevent depression, Alzheimer disease or cognition impairment.

Key-words: Bipolar disorder, gender, treatment, epidemiology, outcome.


 

 

Introdução

As desigualdades encontradas nas condições psiquiátricas nos dois gêneros podem ser, em parte, devidas a fatores psicossociais. A situação social feminina desvantajosa – a mulher recebe salários menores no desempenho de funções semelhantes às do homem e é mais vulnerável à violência sexual e doméstica (Kerr-Corrêa, 2000; Tucci, 2005) – pode contribuir para as taxas mais altas de transtornos depressivos e ansiosos entre mulheres (Burt e Hendrick, 2001).

Por outro lado, uma perspectiva de gênero não é apenas útil porque a fenomenologia e o curso da doença diferem no homem e na mulher, mas também porque a vida reprodutiva da bipolar pode influenciar no curso e tratamento de sua moléstia. Sabe-se que os mecanismos pelos quais os hormônios esteróides influenciam o humor são múltiplos e importantes. Estariam presentes especialmente durante o período reprodutivo da mulher, concentrando-se no ciclo menstrual, no puerpério e na menopausa.

 

Epidemiologia

Não se observam diferenças significativas entre os gêneros no transtorno bipolar (TB) de tipo I (Weissman et al., 1991). Dados de uma investigação epidemiológica estimaram a prevalência de mania na vida em 1,7% para as mulheres e 1,8% para os homens (Kessler et al., 1994). Formas mais leves da doença elevariam bastante esses números (3,5% a 5%) (Akiskal et al., 2000). Inúmeros estudos indicam que o curso da enfermidade variaria nos dois gêneros. Assim, há evidências de que mulheres bipolares apresentariam, com mais probabilidade do que os homens, uma evolução com ciclagem rápida, mais episódios depressivos, mais mania disfórica e estados mistos de tipo II (depressão e hipomania), fato que se observa na hipomania mista (Akiskal et al., 1998; Hantouche et al., 1998; Koukopoulos, 1999; Angst e Marneros, 2001; Benazzi e Akiskal, 2001; Perugi et al., 2001), embora não se encontre unanimidade (Szadoczky et al., 1998; Burt e Hendrick, 2005) e homens bipolares se suicidem mais freqüentemente.

 

Aspectos clínicos

Início

As características próprias no curso e na apresentação clínica do TB nas mulheres ainda não são conclusivas: mulheres bipolares apresentariam um início três a cinco anos mais tardio que os homens e um segundo período de início da doença na quinta década da vida (Leibenluft, 1997; Robb et al., 1998). Entretanto, essas observações poderiam refletir o fato de que o diagnóstico de TB levaria mais tempo para ser feito entre as mulheres (Arnold, 2003). A maior sensibilidade sazonal com risco aumentado de depressão e internações no inverno e na primavera também seria mais prevalente em mulheres (Faedda, 1993; D’Mello et al. 1995).

Mania

Há maior prevalência de mania entre os homens desde a adolescência (Kessler et al., 1997; Lewinsohn et al., 1995; Szadoczky et al., 1998). Os dados do National Comorbidity Survey (Kessler et al.,1997) sobre o TB tipo I encontrou 38,9% dos homens e somente 4% das mulheres com mania pura sem episódio depressivo anterior. A mesma prevalência foi observada em pacientes com hipomania pura no estudo de Angst et al. (2002), em que dois terços eram homens. A cronificação da mania, contudo, foi significativamente maior entre mulheres que em homens (Perugi et al., 1997). A presença de sintomas delirantes não esteve associada à prevalência masculina (González-Pinto et al., 1998). No entanto, para outros autores (Goodwin e Jamison, 1990; Kessler et al., 1993; Hendrick et al., 2003a), os episódios de mania seriam tão freqüentes nas mulheres quanto nos homens: elas apresentariam episódios mais curtos e menos graves, levando a internações mais breves e menos freqüentes. Tal fato refletiria a tendência a internar mulheres em mania, segundo esses autores.

Depressão

A depressão seria o transtorno do humor inicial mais freqüente nas mulheres com TB. Elas passariam um terço de suas vidas com episódios depressivos, associados a maior risco de suicídio e prejuízo funcional. A depressão seria mais longa e mais resistente ao tratamento em relação aos homens (Brunet et al., 1990; Judd et al., 2002), mas haveria um equilíbrio quanto ao número de episódios depressivos e maníacos entre os gêneros (Hendrick et al., 2000b).

No TB, há evidência de que mulheres bipolares poderiam, mais provavelmente que homens bipolares, evoluir com sintomas depressivos importantes e com manias disfóricas em vez de eufóricas. Embora se encontrem menos trabalhos nessa área do que em relação a gênero e ciclagem rápida, de sete pesquisas que analisaram o assunto, cinco apontaram maior risco de sintomatologia depressiva em mulheres (Roy-Byrne et al., 1985). A interpretação desses estudos, porém, é complicada devido aos diferentes critérios usados para caracterizar a mania disfórica (McElroy et al., 1992).

Sabe-se pouco do porquê de as mulheres bipolares apresentarem maiores riscos de evoluir com depressão e mania disfórica. O motivo da depressão unipolar ser mais comum em mulheres que em homens é complexo; de novo, as hipóteses sugeridas variam desde as centradas em aspectos culturais ou psicológicos até as que privilegiam os sistemas hormonais, como os esteróides gonadais ou o eixo tireoidiano (Leibenluft 1996). Quaisquer dessas hipóteses explicariam o aumento da sintomatologia depressiva observado em mulheres bipolares. Influências genéticas e/ou ambientais que aumentam o risco das mulheres para depressão podem também estar presentes nas bipolares, facilitando a expressão fenotípica da doença.

Pode-se dizer que a evolução de bipolares femininas com mais episódios depressivos é bastante controversa. Há autores, como Leinbenluft (2000), que apontam que os achados favorecem mais depressões na mulher. Mas outros, como Burt e Rasgon (2004), entendem que, diante de tantos resultados opostos, nada se pode concluir sobre o assunto.

O suicídio, porém, seria mais comum em homens bipolares. Em uma pesquisa sobre suicídios na Finlândia, durante um ano, encontrou-se que 58% (n = 18) das vítimas com diagnóstico de TB eram masculinas (Isometsa et al., 1995). O risco aumentado de suicídio entre homens bipolares pode se associar ao maior risco destes para dependência de álcool, como comorbidade. No estudo finlandês, diagnosticou-se alcoolismo em 56% das vítimas de suicídio masculinas, mas em nenhuma feminina. Os homens bipolares tenderam, ainda, a cometer suicídio mais precocemente. Além disso, mais que as mulheres, os homens teriam um evento estressante na semana precedente ao suicídio (86% dos homens contra 37% das mulheres), embora muitos desses eventos pudessem ser interpretados como decorrentes do comportamento patológico dos pacientes (Isometsa, 1995).

Ciclagem rápida

A ciclagem rápida (quatro ou mais episódios afetivos por ano) ocorreria em 15% a 20% dos pacientes com TB (Coryell e Keller, 1992) e apresentaria a prevalência de mulheres na ordem de 71% (58% a 92%) (Leibenluft, 1997). Sua freqüência variaria de acordo com os critérios clínicos utilizados, havendo aumento de prevalência em mulheres à medida que tais critérios são mais rígidos (Tondo et al., 1998).

As seguintes hipóteses têm sido levantadas para explicar tal prevalência:

a) maior freqüência do diagnóstico de depressão e do uso de antidepressivos nas mulheres (Leibenluft, 1997), embora a associação da ciclagem rápida ao uso de antidepressivos não apresentem dados conclusivos (Arnold, 2003);

b) maiores taxas de hipotireoidismo clínico e subclínico entre mulheres – entre 30% e 92% (Arnold, 2003; Cowdry et al., 1983; Wehr et al., 1988), com menores respostas estabilizadoras do humor ao lítio das bipolares por causa dos efeitos tireotóxicos dessa droga;

c) algumas mulheres poderiam ser mais reativas aos hormônios reprodutivos e, assim, às variações menstruais. No entanto, faltam mais estudos que comprovem tais hipóteses (Robinson, 2005).

 

Comorbidades

As comorbidades clínicas e psiquiátricas seriam mais comuns entre as mulheres com TB. Além das disfunções da tireóide, entre as queixas clínicas observam-se enxaquecas (até seis vezes mais freqüentes [Breslau et al., 1994]), obesidade (Blehar et al., 1998), saúde física mais precária e mais transtornos dolorosos (Robb et al., 1998). A obesidade estaria diretamente relacionada a maior suscetibilidade ao ganho de peso com lítio e outras medicações e a bulimia (Elmslie et al., 2000; McElroy et al., 2002).

Os transtornos de abuso de substâncias, ansiosos e alimentares seriam as comorbidades psiquiátricas mais observadas em pacientes bipolares, nessa ordem (Arnold, 2003). O abuso de drogas é mais freqüente em pacientes com TB (mulheres: 18,3%; homens: 40,3%) se comparado à população geral (mulheres: 2,6%; homens: 4,6%). O risco de alcoolismo seria maior entre as mulheres bipolares do que entre os homens (7,35% e 2,77%, respectivamente), estaria associado ao uso de outras substâncias psicoativas entre as mulheres e à história familiar de alcoolismo entre os homens bipolares. As bipolares alcoolistas ainda relatariam mais sintomas depressivos (Salloum e Thase, 2000). Kessler et al. (1997) verificaram que alcoolistas apresentaram risco relativo de mania na vida de 12 para os homens e 5,3 nas mulheres. A comorbidade com o transtorno do pânico ocorreu mais freqüentemente nas mulheres (MacKinnon et al., 2002).

A utilização dos serviços de saúde parece também ser diferente entre os gêneros (Schaffer et al., 2005), e homens com TB procuraram significativamente menos (38,5%) atendimento médico que mulheres (52,2%). Além disso, em média, 66% dos bipolares não haviam recebido nenhuma medicação no último ano (homens: 72% versus mulheres: 59%; p < 0,001). No grupo que recebeu tratamento, as mulheres usaram de maneira expressiva mais antidepressivos isoladamente ou associados a estabilizadores do humor. Não se observaram até o momento diferenças significativas entre os gêneros quanto ao comportamento suicida nos pacientes com TB (Arnold, 2003).

 

Ciclo da vida

Gravidez

Em relação à gravidez, há poucos estudos e sem uma epidemiologia sempre concordante (Halbreich, 2004). A gravidez, mesmo quando desejada, é fonte de estresse, começando pelas mudanças fisiológicas observadas, como o aumento do ACTH – principal hormônio relacionado ao estresse (Wadhwa et al., 1997) –, alterações de comportamento, de humor e cognitivas (DSM-IV-TR, 2000; CID-10, 1993). A presença de estresse e problemas mentais, mesmo subsindrômicos, associam-se a eventos negativos para a mãe, o feto, o parto e o puerpério. Descreveram-se fatores de risco na etiologia da depressão na gravidez e no puerpério, como: pertencer a estratos econômico-educacionais mais baixos; desemprego; ser mãe solteira e jovem; história familiar e pessoal de transtornos do humor; eventos de vida negativos; conflitos conjugais; falta de apoio social e ambivalência sobre a gestação. A depressão durante a gravidez estaria ainda associada ao tabagismo e ao abuso de drogas, sem relação de causa e efeito bem estabelecida (Halbreich, 2004).

A gravidez não seria fator protetor nem agravante no TB. Em estudo retrospectivo, Blehar et al. (1998) e Freeman et al. (2002) observaram que quase 50% das pacientes relataram estresse emocional quanto às expectativas dos cuidados com o filho; cerca de 1/3 apresentou um episódio de transtorno do humor durante a gravidez. Marsh et al. (2005) avaliaram os prontuários de sete mulheres com diagnóstico de TB e sem medicação durante a gravidez e o puerpério. Apenas uma mulher apresentou quadro de elevação subsindrômica do humor durante a gravidez e mania, levando à internação no primeiro mês do puerpério. Esses autores ressaltaram que, apesar de se tratar de uma amostra pequena, acompanhamento mais freqüente e psicoterapia poderiam diminuir a chance de recaída. Segundo revisão da literatura (Curtis, 2005), haveria redução no risco de internações e suicídio nas grávidas com TB e isso atenuaria a gravidade dos episódios de transtorno do humor.

Não há literatura específica sobre a depressão em mulheres bipolares grávidas. Estudos sobre depressão na gravidez, todavia, mostram que não haveria diferenças na prevalência da depressão entre bipolares grávidas e não-grávidas (O’Hara 1986). De modo geral, aquelas com depressões prévias teriam maior risco de recorrências, sobretudo nas que interrompem a medicação bruscamente (Altshuler et al., 2001). O diagnóstico da depressão na gravidez é difícil devido às alterações próprias da gestação. Os sintomas que mais sugeririam um quadro depressivo na gestação seriam anedonia, sentimentos de culpa, desesperança e pensamentos suicidas (Cohen et al., 2004).

Cerca de 25% das mulheres apresentariam o primeiro episódio de mania no puerpério, com recorrência variando entre 33% e 67% nesta fase (Arnold, 2003). A presença de sintomas na gravidez estaria associada com alteração do humor no puerpério, e 64% das mulheres apresentariam novos episódios afetivos nas gravidezes subseqüentes (Freeman et al., 2002). Viguera et al. (2005) avaliaram 2.340 mulheres em acompanhamento pré-natal para risco de depressão e prevalência de transtornos do humor na gravidez. A prevalência de TB foi de 3,2%. No segundo trimestre de gravidez, o risco relativo de depressão foi de 18,3 na relação bipolares/controles; 8,17% na relação depressão unipolar/controles e 2,24% na relação bipolares/depressão unipolar. No puerpério, essa relação intensificou-se quando comparada aos controles: 37,2% na relação bipolares/controles, 14,6% na relação depressão unipolar/controles e na relação bipolares/depressão unipolar, 2,54%.

Aproximadamente 50% das mulheres que necessitavam de hospitalização psiquiátrica pós-parto preencheriam critérios diagnósticos para TB. De forma recíproca, mulheres com TB apresentavam maiores riscos de hospitalização psiquiátrica no puerpério. Com respeito às internações puerperais, em um seguimento de 7 a 14 anos de mulheres que tiveram o primeiro episódio psicótico até um ano após o parto, foi encontrado que cerca de metade recaiu da TB (Videbech e Gouliaev, 1995). Além disso, Kendell et al. (1987) relataram, em trabalho nunca contestado, que o risco de uma internação psiquiátrica em até 30 dias após o parto era de 21,4% para mulheres com psicose maníaco-depressiva, fase maníaca ou circular, e de 13,3% para mulheres com psicose maníaco-depressiva, fase depressiva (o risco comparável para mulheres com esquizofrenia era de 3,4%). Mostraram ainda que o risco inicial para um episódio de psicose no puerpério era de 1 em 500. Uma vez que a mulher tivesse tido um episódio de psicose no puerpério, o risco de apresentar o mesmo quadro nas gravidezes subseqüentes era de 1 em cada 3.

Semelhantemente, Marks et al. (1992) referiram que 46% das mulheres com TB desenvolveram episódio psicótico no puerpério; 19% desenvolveram enfermidade não-psicótica e 35% permaneceram bem (os números comparáveis para mulheres com história de transtorno depressivo maior foram de 0%, 29% e 71%, respectivamente). Inúmeros autores relataram que as psicoses no puerpério de bipolares tendiam a cursar com grande desorganização cognitiva (Wisner et al., 1994). É interessante observar que fatores psicossociais que se associam com episódios afetivos pós-parto, em mulheres sem história psiquiátrica anterior, tal como relação instável com o pai da criança, não tiveram nenhum valor preditivo no caso de mulheres com TB (Marks et al., 1992).

A psicose no puerpério é característica do TB e atinge 20% a 30% das mulheres bipolares (Videbech e Gouliaev, 1995), principalmente se houver história familiar de psicose puerperal (Jones et al., 2001).

A depressão puerperal pode representar um novo episódio ou uma recidiva e atinge 10% a 15% das mulheres nesse período. Os sintomas seriam semelhantes aos apresentados fora do período do puerpério, e ela pode ser uma variante fenotípica do TB (Sharma e Mazzmanian, 2003). O diagnóstico da depressão nesse período é prejudicado devido à sobreposição de sintomas depressivos com mudanças fisiológicas, como alterações de sono, energia e peso, ou pode ser confundido com alterações médicas como anemia, hipotireoidismo e diabetes. Sharma et al. (2005) acompanharam 33 mulheres bipolares durante a gravidez até um ano após o parto e observaram que os níveis de estrogênio e progesterona durante a gravidez e no período puerperal apresentariam um papel no risco de aparecimento de novos episódios no puerpério; contudo, não foi possível dimensionar, de modo significativo, valores ou proporções dessas alterações a fim de se identificarem mulheres com maior risco para desestabilização do humor nesse período.

Pouco sono na gravidez correlacionou-se com o desenvolvimento de depressão pós-parto (Wilkie e Shapiro, 1992). Assim, investigar se a paciente está dormindo pouco e orientá-la no sentido de modificar tal situação, convocando a ajuda da família, se necessário, pode ser importante na prevenção de episódios de descompensação no puerpério. Esses fatores também seriam importantes no risco para a desestabilização do humor durante a gravidez (Cohen et al., 2004).

Menopausa

Faltam mais conhecimentos sobre a influência da menstruação e da menopausa no curso do TB, e os estudos apresentam falhas metodológicas, como a ausência de análises hormonais e seguimento. Observou-se piora dos sintomas afetivos em cerca de 66% e depressão na fase pré-menstrual em 1/4 das pacientes com TB (Blehar et al., 1998). Na perimenopausa e na pós-menopausa, também houve piora dos sintomas, em especial os depressivos provavelmente secundários à diminuição estrogênica. Aparentemente, a terapia de reposição hormonal poderia atenuar tais sintomas (Freeman et al., 2002). Dados de mulheres com TB de ciclagem rápida (TBCR) não mostram associação consistente entre fase menstrual e humor, na pós e pré-menopausa, o que não significa que não exista (Leibenluft, 2000).

Por outro lado, há relato na literatura de que o uso de doses altas de estrógeno conjugado na mulher menopausada com depressão resistente precipitou ciclagem rápida (Roy-Byrne et al., 1985). Não há estudos sistemáticos disponíveis sobre terapia de reposição hormonal em mulheres bipolares.

As alterações do sono fazem parte do climatério. Privação de sono, particularmente na segunda metade da noite, pode ter efeito antidepressivo ou até mesmo, no caso de bipolares, precipitar mania (Wehr, 1990). O mecanismo desse efeito estimulante permanece obscuro, embora haja evidências de que o aumento de secreção do hormônio tireóide-estimulante (TSH), decorrente da privação de sono, possa estar envolvido (Sack et al., 1988). Independentemente dessa relação causada pela privação de sono, a insônia é um mediador importante de ansiedade e ciclagem do humor em bipolares (Wehr et al., 1987). São também comuns os relatos de manias ou hipomanias iniciada após insônia relacionada a trabalho, estudo, ansiedade e até jet lag. Nesse contexto, convém lembrar que o nascimento de uma criança pode causar um período prolongado de sono interrompido ou diminuído. O mesmo ocorre com mulheres na perimenopausa.

Angst et al. (1978) observaram que 87% das bipolares que evoluíram com ciclagem rápida eram mulheres e que, em 1/3 (25 de 77) delas, a mudança no curso coincidiu com a menopausa. Notaram também que pacientes com TB do tipo II eram mais propensas à ciclagem rápida. Nesse aspecto, foram os primeiros a publicar a observação de que predominavam mulheres entre pacientes bipolares II. Dados retrospectivos de Squillace et al. (1984) são consistentes com os de Angst et al.

 

Tratamento do TB na mulher

O gênero não representa um fator diferencial na resposta ao tratamento com estabilizadores do humor. Em relação ao uso de lítio, não se observaram diferenças de gênero quanto à resposta profilática (Berghofer et al., 1996; Viguera et al., 2000). Contudo, Viguera et al. (2001) observaram que as mulheres demorariam mais tempo para recebê-lo e necessitariam e/ou tolerariam concentrações levemente menores que os homens (0,598 ± 0,134 mEq/L versus 0,640 ± 0,144 mEq/L).

Avaliando a diferença entre os sexos de efeitos colaterais do lítio, observaram-se mais tremores nos homens (54%) que nas mulheres (26%), mas o ganho de peso (> 5 kg) foi mais freqüente nas mulheres no primeiro ano de tratamento (47% versus 18% em homens), bem como o desenvolvimento de hipotireoidismo (37% versus 9% em homens), o qual se associou a ganho de peso. No TB, o hipotireoidismo correlacionou-se com maior prevalência do antígeno antitireoperoxidase (anti-TPO), independentemente do gênero, entretanto, as mulheres apresentaram maior risco para desenvolvê-lo. O uso do lítio e a presença de anticorpos anti-TPO seriam fatores independentes e cumulativos para o surgimento do hipotireoidismo (Henry, 2002).

Não há estudos comparando diferenças de eficácia – devidas a gênero – dos AV utilizados como estabilizadores do humor; há alguns somente relacionados aos eventos adversos e às interações medicamentosas, mas em mulheres epilépticas. A interação medicamentosa mais conhecida é a redução da eficácia dos anticoncepcionais orais (ACO) através da indução do citocromo CYP3A4 pela carbamazepina. O topiramato poderia diminuir os níveis séricos do etinilestradiol dos ACO (Rosenfeld et al., 1997). Outros AC parecem não interferir no metabolismo dos ACO, como valproato, gabapentina e lamotrigina (Burt e Rasgon, 2004). Os níveis séricos desta última, por sua vez, são reduzidos em 49%, em média (41% a 64%), pelos ACO (Sabers et al., 2001).

A síndrome dos ovários policísticos (SOP), com alterações menstruais, hiperandrogenismo e obesidade, está associada ao uso de valproato em mulheres epilépticas. O aumento da freqüência de SOP em mulheres com TB não foi confirmado, bem como em que condições essas alterações ocorreriam em mulheres epilépticas (Burt e Rasgon, 2004).

Aparentemente, o ganho de peso observado com o uso de valproato seria o responsável pela SOP e por outras alterações endocrinológicas. Alterações menstruais pelo uso de valproato foram observadas em mulheres com e sem transtorno do humor (O’Donovan et al., 2002). Como o próprio TB poderia estar associado à SOP e a irregularidades menstruais, mais estudos são necessários para determinar uma associação definitiva (Ernst e Goldberg, 2002).

Yerby (2000) resumiu os dados disponíveis, sugerindo que, embora o valproato possa afetar adversamente a fertilidade de algumas mulheres – a menos que seja diagnosticada uma síndrome semelhante ao OPC ou ao hipogonadismo hipergonadotrópico –, não se deve interromper o uso de AV se este é efetivo. A sugestão é que o psiquiatra peça exames laboratoriais que pesquisem níveis de testosterona e de deidroepiandrosterona (DHEA) no soro para mulheres que apresentam dois dos seguintes sintomas: hirsutismo, alopecia, perturbação menstrual, infertilidade e/ou obesidade. Deve-se fazer o encaminhamento para o ginecologista se os resultados forem anormais (Yerby, 2000). Na rotina ambulatorial, é preciso verificar também índice de massa corpórea (IMC) anual e, para mulheres com IMC > 25, perfil lipídico no soro e glicemia de jejum.

A fase do ciclo menstrual pode alterar tanto a eficácia como a tolerabilidade dos AC. Assim, as mulheres podem apresentar níveis reduzidos de AC no plasma, associados ao metabolismo hepático aumentado na fase pré-menstrual, o que contribuiria para o agravamento dos sintomas do humor nesse período. Esse agravamento não seria, portanto, decorrente apenas do efeito direto da ação hormonal na doença (Morrell, 1999). Não há consenso orientando como alterar doses de AC se a mulher tem flutuações da sintomatologia afetiva pré-menstrual. Dependendo do caso, a dose de AC pode ser aumentada só em um período do mês ou usada de forma contínua, se os sintomas são incapacitantes.

Antipsicóticos convencionais e a risperidona aumentam a prolactina, levando, por vezes, a galactorréia, irregularidades menstruais/amenorréia, ciclos anovulatórios, infertilidade e disfunção sexual, além de sintomas como ansiedade, depressão e hostilidade. Antipsicóticos atípicos apresentam menor aumento da prolactina. Devem-se alertar mulheres com amenorréia secundária ao uso de antipsicóticos quanto ao maior risco de gravidez pelo retorno da ovulação quando da troca por outro que interfira pouco nos níveis de prolactina (Dickson et al., 2000).

Assim, efeitos colaterais cosméticos, mesmo que pequenos, podem ser tão relevantes quanto os efeitos psicológicos dos AC, além de prejudicarem a adesão ao tratamento. Ganho de peso, acne e mudanças no crescimento do cabelo são comuns com AV (Blechar et al., 1996); lítio, CBZ e gabapentina também podem induzir ganho de peso (Armond, 1996; De Toledo et al., 1997). Já o topiramato pode associar-se à perda de peso (Sabers e Gram, 2000).

 

Tratamento do TB na mulher – gravidez, parto, puerpério e amamentação

Sabendo que até 50% das gravidezes não são planejadas (Henshaw, 1998) – apesar de não haver dados sobre o assunto no Brasil, acredita-se que as taxas sejam semelhantes ou maiores – são necessárias discussões sobre os riscos do uso de lítio e AC durante a gravidez, independentemente do planejamento familiar, pois os estabilizadores do humor estão associados a risco aumentado de teratogenia (Parry et al., 2000; Viguera et al. 2000). A exposição ao lítio no primeiro trimestre de gestação aumentaria o risco de malformação cardíaca, principalmente anomalia de Ebstein, porém, as prevalências variaram de 0,005% a 0,05%-0,1%, estimativas próximas às da população geral, não justificando a interrupção na gravidez (Yonkers et al., 2004).

As orientações mais recentes sobre o uso do lítio na gestação priorizam a continuidade do tratamento, monitorando-se o feto durante toda a gestação (Yonkers et al., 2004). Viguera et al. (2000) observaram que, após a retirada do lítio, as grávidas apresentaram a mesma taxa de recaída de não-grávidas no período de 40 semanas (52% e 58%, respectivamente), mas que havia sido menor antes do tratamento ser descontinuado (21%). Entretanto, no grupo de pacientes que se manteve estável nas primeiras 40 semanas, houve 2,9 vezes mais recorrências no puerpério quando comparado com mulheres não-grávidas na mesma fase (70% versus 24%, respectivamente). Depressão e estados mistos também foram mais prevalentes nas grávidas (60% versus 24%), independentemente de terem TB I ou II, e ainda mais naquelas com história de quatro ou mais episódios e em que o lítio foi descontinuado em menos de 2 semanas, o que ocorreu no puerpério. Esse risco também aumentou após a interrupção abrupta de neurolépticos (Viguera e Cohen 1998).

Optando-se em evitar o uso do lítio durante a gestação ou descontinuá-lo no primeiro trimestre, é preciso fazê-lo apenas se o quadro clínico bipolar permitir. Recomenda-se usar doses divididas e/ou reduzidas, forma de liberação prolongada, evitando-se a restrição de sódio e a administração de diuréticos. Também deve-se monitorar o feto com ultra-sonografia tridimensional e ecocardiografia fetal entre a 16ª. e a 20ª. semanas de gestação. No último mês de gestação, o monitoramento do lítio sérico deverá ser semanal e a cada dois dias nas proximidades do parto. Deve-se descontinuá-lo ou reduzi-lo à metade ou a 1/4 da dose dois a três dias antes do parto. A decisão clínica pela descontinuação do lítio precisa ser avaliada com prudência, e a redução deve ser lenta (15 a 30 dias), para reduzir o risco de recorrência das fases bipolares, uma vez que vários estudos demonstraram que a suspensão rápida (< 15 dias) da litioterapia de manutenção precipitou recorrências precoces da doença afetiva e aumentou o risco de suicídio (Yonkers et al., 2004). O consenso atual é de que a decisão deve ser primeiramente clínica sobre a continuação ou interrupção do lítio na gestação (Yonkers et al., 2004). Estudos de descontinuação de drogas sistemática são necessários, mas problemas éticos e clínicos limitam tais protocolos (Rifkin, 2001).

Um estudo demonstrou que a taxa relativa de teratogenicidade dos AC seria (em ordem decrescente de risco): associações de vários medicamentos > primidona > AV > fenitoína > carbamazepina > fenitoína (Hvas et al., 2000). Uma revisão no Medline (1968-1999) para recém-nascidos de baixo peso, que avaliou a associação entre uso de AC na gestação e pouco desenvolvimento do bebê in utero, constatou que apenas as combinações entre carbamazepina, AV e fenobarbital (Hvas et al., 2000) se associavam a esse retardo. A teratogenicidade dos AC (carbamazepina e valproato) atinge 1% a 5% dos pacientes, na forma de anomalias do tubo neural (Weinstein e Goldfield, 1975; Pinelli et al., 2002; Viguera et al., 2002). Valproato e carbamazepina associam-se a maior incidência de defeitos no tubo neural e fenitoína, com fenda labiopalatal e defeitos cardíacos e urogenitais. Para minimizar esses riscos, todas as mulheres recebendo valproato ou carbamazepina devem fazer uso de 4 mg/dia de ácido fólico, pelo menos um mês antes da gestação e durante o primeiro trimestre. No tratamento com estabilizadores de humor, é recomendada a monitoração com ultra-sonografia morfológica entre a 16ª. e a 18ª. semanas para avaliar a formação cardíaca, o desenvolvimento vertebral e as estruturas faciais e palatinas (Yonkers et al., 2004).

A administração dos novos ACs (lamotrigina, gabapentina, topiramato e vigabatrina) na gestação têm mostrado pequeno número de malformações, sem órgão específico descrito, sendo difícil analisar os dados devido ao uso concomitante de outras drogas (Cissoko et al., 2002). Há, mais uma vez, evidências de maior comprometimento no funcionamento intelectual das crianças expostas à politerapia (Vinten et al., 2005). O valproato esteve associado a aumento de eventos adversos, principalmente da inteligência verbal e da função mnésica (Vinten et al., 2005).

Mães usando ACs teriam duas a três vezes mais filhos malformados quando comparadas à população geral. Fazendo um paralelo com as mulheres epilépticas em uso de drogas ACs, das quais mais de 90% terão gestação sem intercorrências e filhos sem malformação, mães bipolares apresentam índices muito menores (Ross e Baldessarini 1999). Em uma revisão sistemática dos artigos de especialistas sobre o tratamento do TB durante a gravidez, foram traçadas estratégias de tratamento para essa população, descritas nas tabelas 1 e 2 (Yonkers et al. 2004).

 

 

 

 

Os antidepressivos tricíclicos ou os inibidores seletivos de recaptação de serotonina (ISRS) são seguros durante a gestação, mesmo no primeiro trimestre (Nulman et al., 2002; Casper et al., 2003). Todavia, os tricíclicos, quando usados próximos ao parto, podem induzir a toxicidade perinatal transitória ou sintomas de descontinuação, como inquietação, irritabilidade, letargia e hipotonia, além de taquicardia, retenção urinária e constipação (McElhatton et al, 1996). Já os ISRS, como a fluoxetina, associam-se a baixo peso ao nascer (Hendrick et al., 2003). É possível que depressões refratárias se associem a baixo peso independentemente do uso de medicação (Burt e Hendrick, 2005).

Não foram detectados aumentos significativos de malformação com os antipsicóticos de primeira geração, porém mais estudos na gestação são necessários (Nordeng e Spigset 2003). Os riscos foram maiores com fenotiazínicos quando a exposição fetal ocorrera entre a quarta e a décima semanas de gestação (Patton et al. 2002).

Quanto à profilaxia no puerpério, sabe-se que este é o período de maior vulnerabilidade para o desenvolvimento dos transtornos afetivos em mulheres com TB. Dúvidas sobre a permissão ou não da amamentação, quando do uso de psicotrópicos, são constantes.

Há poucos estudos de lactantes usando psicotrópicos, a maioria carentes de amostragens significativas (Burt et al., 2001), até por questões éticas. Nesse levantamento, os autores encontraram 51 casos de lactentes expostas a benzodiazepínicos e hipnóticos não-benzodiazepínicos, mas não evidenciaram eventos adversos maiores que fossem diretamente ligados ao tratamento materno recebido. Os relatos sobre antidepressivos e amamentação foram de pequeno número, com exceção da fluoxetina, que possui 190 casos, dos quais apenas 10 apresentaram eventos adversos leves e transitórios.

Sanz et al. (2005), analisando o banco de dados sobre relatos de eventos adversos da Organização Mundial da Saúde, observaram 93 casos de síndrome de descontinuação (SD) ocorridos em recém-nascidos de mães fazendo uso de ISRS. O quadro clínico da SD foi de convulsões, irritabilidade, choro aumentado e tremor. A paroxetina foi o antidepressivo presente em 64 casos, seguida de fluoxetina (14), sertralina (9) e citalopram (7). Relatos da SD com antidepressivos tricíclicos são bem mais escassos, e somente a clomipramina foi significativamente relacionada à presença de convulsões nos recém-nascidos. Os possíveis mecanismos envolvidos nesses achados estariam associados ao citocromo metabolizador do antidepressivo e a um maior bloqueio de receptores noradrenérgicos da paroxetina e da fluoxetina em relação à sertralina e ao citalopram (Sanz et al. 2005). A paroxetina ainda foi associada ao aumento do risco de malformação congênita, especialmente cardíaca, quando administrada no primeiro trimestre da gravidez (Waknine, 2005).

O efeito profilático do lítio e/ou da carbamazepina em mulheres bipolares no puerpério foi observado e replicado em vários estudos (Stewart et al.,1991; Austin, 1992; Cohen et al., 1995; Viguera et al., 2000). Wisner et al. (2004) compararam a eficácia do divalproato na recorrência do TB. Não houve diferenças entre o grupo com divalproato e o de acompanhamento, entretanto, haveria uma tendência de diminuição da intensidade dos sintomas no grupo com medicação. Esses resultados sugeriram que o lítio seria a primeira opção no tratamento profilático da TB no puerpério.

O estudo de Viguera et al. (2005) avaliou a concentração sérica do lítio no leite materno e nos bebês em amamentação. A litemia das crianças esteve ao redor de 25% e do leito materno, em torno de 50% da obtida na mãe. Esses autores recomendam que os níveis séricos sejam monitorizados na criança a cada seis a oito semanas, bem como os níveis de TSH, uréia e creatinina. Os achados referentes ao uso de carbamazepina pelas que amamentam foram inespecíficos. Por fim, os antipsicóticos típicos e atípicos somaram 34 casos relatados, todos sem achados específicos. Nos estabilizadores de humor, foram relatados 79 casos (25 com carbamazepina, 36 com valproato, 13 com lítio e 5 com lamotrigina) (Burt et al. 2001). Dos 25 casos expostos a carbamazepina durante a amamentação, ocorreram 2 casos de disfunção hepática transitória (Frey et al., 1990; Merlob et al. 1992).

Das 36 crianças expostas ao valproato, 19 não apresentaram eventos adversos, e nenhum achado clínico foi observado em 16 delas. Trombocitopenia e anemia foram observadas em uma criança exposta no primeiro trimestre de vida e cessaram após a descontinuação da amamentação (Stahl et al., 1997).

Nas que amamentavam usando lítio, houve apenas 1 caso de alterações eletrocardiográficas em uma criança resolvida em cinco dia suspendendo-se o lítio (Tunnessen e Hertz, 1972). Nenhum efeito adverso fora relatado nos 5 casos de crianças expostas à lamotrigina durante a amamentação. Não existem dados sobre a gabapentina durante a amamentação (Burt et al. 2001).

Os seguintes itens foram estabelecidos consensualmente no tratamento medicamentoso do TB em gestantes:

1) redução dos riscos de mau desenvolvimento fetal, incluindo uso de tabaco, álcool, drogas, obesidade, desidratação, abuso de cafeína e doenças sexualmente transmissíveis (DST);

2) fornecimento de material educativo sobre a moléstia e opções de tratamento;

3) revisão da história mórbida e conduta, avaliando os riscos/benefícios dos diferentes tratamentos;

4) evitar a politerapia, que aumenta a teratogenia;

5) na opção pela descontinuação do medicamento, há maior necessidade de seguimento próximo da paciente, não significando ausência de tratamento (Cohen et al. 1995; Finnerty et al., 1996; Ross e Baldessarini 1999; Curtis, 2005).

 

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Endereço para correspondência:
Rodrigo da Silva Dias
Research Fellow
Bipolar Clinic & Research Program
50 Staniford St., 5th floor
Boston, Massachusetts 02114-2696
E-mail:rdgdias@gmail.com

Recebido: 20/03/2006 - Aceito: 27/03/2006

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