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Revista de Psiquiatria Clínica

versão impressa ISSN 0101-6083

Rev. psiquiatr. clín. v.34 n.4 São Paulo  2007

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-60832007000400002 

ARTIGO ORIGINAL

 

Validação da versão brasileira do Questionnaire of Smoking Urges-Brief

 

Validation of the Brazilian version of Questionnaire of Smoking Urges-Brief

 

 

Renata Brasil AraujoI; Margareth da Silva OliveiraII; João Feliz Duarte MoraesIII; Rosemeri Siqueira PedrosoIV; Franciny PortV; Maria da Graça Tanori de CastroIV

IDoutora em Psicologia pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Professora e supervisora da Wainer & Piccoloto – Centro de Psicoterapia Cognitivo-Comportamental
IIDoutora em Ciências pela Universidade Federal de São Paulo (Unifesp). Orientadora da PUCRS
IIIDoutor em Gerontologia Biomédica pela PUCRS
IVMestra em Psicologia Clínica pela PUCRS
VPsicóloga e auxiliar de pesquisa voluntária da PUCRS

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

CONTEXTO: A avaliação do craving (ou fissura) é muito importante no tratamento do tabagismo.
OBJETIVO: O objetivo desta pesquisa foi validar a versão brasileira do Questionnaire of Smoking Urges-Brief (QSU-B).
MÉTODOS: O delineamento foi experimental, e seus participantes foram divididos, aleatoriamente, em grupos de zero, 30 e 60 minutos de abstinência do tabaco. A amostra foi de 201 sujeitos (134 mulheres e 67 homens), entre 18 e 65 anos (M = 38,15), e os instrumentos aplicados, além do QSU-B, foram: Ficha com Dados Sociodemográficos, Escala Analógico-Visual do Craving, Fagerström Test for Nicotine Dependence e Inventários Beck de Ansiedade e de Depressão.
RESULTADOS: A análise fatorial com dois fatores teve variância total de 78,46% e a correlação entre esses fatores foi significativa e de alta intensidade (r = 0,636; p < 0,001). Todos os valores de alfa de Cronbach do QSU-B estavam acima de 0,70. Observou-se correlação do total do QSU-B com a Escala Analógico-Visual (r = 0,656; p < 0,001) e com a questão 1 (r = 0,201; p = 0,004) e a 2 (r = 0,257; p < 0,001) de Fagerström.
CONCLUSÃO: A versão brasileira do QSU-B demonstrou ser adequada, psicometricamente, para o uso tanto em pesquisas como nos atendimentos aos dependentes de tabaco.

Palavras-chave: QSU-B, craving, urge, tabaco, validação, escala.


ABSTRACT

BACKGROUND: The evaluation of craving is very important to treatment of tobacco dependence.
OBJECTIVE:The objective of this research was to validate the Brazilian version of the Questionnaire of Smoking Urges-Brief (QSU-B).
METHOD: Subjects enrolled to this experimental study were randomized into groups of zero, 30 and 60 minutes of tobacco abstinence. The study group was composed by 201 subjects (134 females and 67 males), age range: 18 to 65 (M = 38.15). The assessment instruments were, in addition to the QSU-B: Social and Demographical Data Form, Visual Analogic Scale for Craving, Fagerström Test for Nicotine Dependence and Anxiety and Depression Beck Inventories.
RESULTS: The two-factor factorial analysis presented a total variation of 78.46% and the correlation between these factors was significant and of high intensity (r = 0.636; p < 0.001). All Cronbach’s alpha values from QSU-B were above 0.70. We observed a correlation between the QSU-B total score and the Visual Analogic Scale (r = 0.656; p < 0.001), and also with Fagerström’s question 1 (r = 0.201; p = 0.004) and question 2 (r = 0.257; p < 0.001).
CONCLUSION: QSU-B’s Brazilian version proved to be an adequate psychometric instrument for the use both in research and in clinical settings.

Key-words: QSU-B, craving, urge, tobacco, validation, scale.


 

 

Introdução

O tabaco, de acordo com a Organização Mundial da Saúde e a Health Evidence Network (2003), é uma das principais causas evitáveis de mortes ocorridas prematuramente no mundo. Cerca de quatro milhões de pessoas morrem por ano em função de doenças decorrentes dos derivados do tabaco. No Brasil, de cada 100 pessoas que morrem de câncer no pulmão, 90 são fumantes, sendo o fumo responsável por 85% das mortes por doença broncopulmonar obstrutiva crônica e por 25% das mortes por doenças cardiovasculares, sendo importante que sejam elaborados planos mais efetivos para o tratamento dos dependentes dessa substância (Gigliotti et al., 1999).

Segundo a Classificação Internacional de Doenças CID-10 (Organização Mundial da Saúde, 1993), no que se refere à dependência de substâncias psicoativas, a compulsão, ou perda do controle do uso da droga, é um aspecto enfatizado que demonstra a importância do craving para a manutenção dos comportamentos aditivos (Miyata e Yanagita, 2001).

Craving é um termo muito utilizado na área da dependência química e pode ser entendido como um desejo intenso de usar uma determinada substância, sendo uma variável importante para se observar no tratamento de dependentes químicos, entre os quais os tabagistas (Beck et al., 1993; Kozlowski e Wilkinson, 1987). Muitos dependentes relatam que a dificuldade em interromper o uso do tabaco se relaciona com a sua falta de habilidade em enfrentar o craving e resistir ao impulso de utilizar a substância, mesmo sabendo dos prejuízos relacionados a esse comportamento. Esses fatores – desejo (craving) e impulso (urge) – e sua inter-relação acabam por interferir na motivação dos indivíduos para interromper o consumo do tabaco (Marlatt e Gordon, 1993).

Alguns autores descrevem o craving como um termo que engloba não somente o desejo de utilizar uma droga, mas também a intenção de realizar esse desejo, a antecipação dos efeitos reforçadores associados à sua utilização e o alívio do afeto negativo e dos sintomas relacionados à abstinência (Beck et al., 1993; Cox et al., 2001; Sayette et al., 2000; Tiffany e Drobes, 1991), sendo essa conceitualização teórica responsável por considerar urge e craving como tendo equivalência de significados.

Marlatt e Gordon (1993) destacam que, apesar de esses dois termos poderem ser utilizados indiscriminadamente, é importante avaliar quais foram as situações que estimularam o craving para que sejam mais bem trabalhadas as estratégias de prevenção de recaída.

O Questionnaire of Smoking Urges-Brief (QSU-B) (Cox et al., 2001) é a versão breve do Questionnaire of Smoking Urges (QSU) (Tiffany e Drobes, 1991), sendo esta última uma escala desenvolvida para avaliar o craving em tabagistas, amplamente utilizada em pesquisas e validada em diversos países, como Espanha, Inglaterra, França e Alemanha (Cepeda et al., 2001; Davies et al., 2000; Guillin et al., 2000; Mueller et al., 2001; Teneggi et al., 2002). O QSU é composto por 32 questões relativas ao craving (19 afirmativas e 13 negativas), enquanto sua versão breve é estruturada com 10 questões afirmativas.

As duas escalas podem ser analisadas de três formas distintas: por meio do somatório total de pontos, da avaliação de quatro categorias (Desejo de Fumar; Antecipação de Resultado Positivo; Alívio dos Sintomas de Privação ou Afeto Negativo; e Intenção de Fumar), e por meio de dois fatores, o primeiro – o fator 1 – relacionado à intenção principal, ao desejo de fumar e à antecipação do prazer de fumar, e o segundo – o fator 2 – formado pela antecipação do alívio do afeto negativo, dos sintomas da abstinência de nicotina, e pelo desejo urgente e arrebatador de fumar (Cox et al., 2001; Tiffany e Drobes, 1991).

Na validação do QSU, realizou-se um estudo em laboratório, com 230 sujeitos tabagistas, dos sexos masculino ou feminino e que não estavam tentando interromper o uso do tabaco. Os autores dividiram os participantes em três grupos com diferentes níveis de privação dessa substância: 0, 1 ou 6 horas. Observou-se que a pontuação nos dois fatores de craving aumentava à medida que se incrementava o tempo de abstinência do cigarro. O fator 1, nessa pesquisa, pontuou significativamente mais que o fator 2, independentemente do tempo de privação do tabaco (Tiffany e Drobes, 1991). No Brasil, esse instrumento foi validado por Araujo et al. (2006).

A Validação do QSU-Brief (Cox et al., 2001), por outro lado, constou de dois estudos: um, em laboratório, com uma amostra de 221 tabagistas dos quais se avaliou o craving após serem apresentados estímulos neutros ou tabaco-relacionados, e outro, clínico, com 112 tabagistas que tinham seu craving avaliado antes e 2 semanas após ter sido iniciado o tratamento para essa dependência. No estudo em laboratório, esse instrumento obteve alfa de Cronbach de 0,97 em sua medida global (total de pontos), sendo tal medida significativamente correlacionada com o escore global do QSU (r = 0,5123, p < 0,001), e alfa de 0,96 e 0,93 para os fatores 1 e 2, respectivamente. No estudo clínico, o alfa de Cronbach total foi de 0,89 e 0,87 em medidas antes e depois do tratamento; 0,86 e 0,76 do fator 1 (antes e depois) e 0,78 e 0,70 do fator 2 (antes e depois). Os resultados foram consistentes com a expressão do craving da versão de 32 itens e corroboraram o conceito de craving como multidimencional. No QSU-Brief, o fator 1 foi composto por dois itens da categoria "Desejo de Fumar", dois da "Intenção de Fumar" e um da "Antecipação do resultado positivo" e o fator 2, por dois itens do "Alívio dos sintomas da abstinência ou afeto negativo", um da "Antecipação do resultado positivo", um do "Desejo de Fumar" e um da "Intenção de Fumar" (Cox et al., 2001).

Cox et al. (2001) não puderam, analisando o QSU-B, identificar claramente o modelo de reforço positivo do fator 1 (aumento da resposta de fumar em decorrência do prazer associado a esse comportamento) e de reforço negativo do fator 2 (aumento da resposta de fumar pela retirada do desconforto associado a abstinência ou afeto negativo) dos dois fatores, que havia sido evidenciado por Willer et al. (1995) ao pesquisarem a versão original dessa escala (QSU). Eles observaram que os dois fatores, mesmo representando distintas expressões do craving, estavam fortemente correlacionados entre si em todas as amostras pesquisadas.

Shadel et al. (2001) procuraram analisar se o fato de preencher o QSU-Brief (Cox et al., 2001) poderia elevar o craving pelo tabaco, em função de esse instrumento conter frases que poderiam servir como estímulo para fumar, e não encontraram aumento na intensidade do craving após o preenchimento da escala.

Tanto a versão original do QSU quanto a versão breve são instrumentos que avaliam o craving em seu caráter multidimensional e dinâmico. O QSU-B, tendo poucos itens, é uma escala de fácil e rápida aplicação, visto que mantém as medidas psicométricas da versão original, o que corrobora sua efetividade para a avaliação do craving em tabagistas (Cox et al., 2001; Tiffany e Drobes, 1991).

Anton e Drobes (1998) indicam que, muitas vezes na avaliação do craving, não se considera a validade dos instrumentos, nem são observadas as características específicas do craving de acordo com a substância psicoativa a qual se relaciona, havendo, nesses casos, claro prejuízo à fidedignidade de sua mensuração.

Em virtude do número reduzido de instrumentos validados para a avaliação do craving do tabaco no Brasil (Araujo et al., 2006) e da necessidade de instrumentos mais breves para a facilitação de sua aplicação na clínica, este estudo tem como objetivo realizar a validação semântica e psicométrica da versão brasileira do Questionnaire of Smoking Urges-Brief (Cox et al., 2001).

 

Método

Delineamento

Este estudo teve um delineamento experimental, sendo a variável craving manipulada por meio do controle do tempo em abstinência do tabaco.

Sujeitos

A amostra foi por conveniência e composta por 201 sujeitos dos sexos masculino (n = 67) ou feminino (n = 134). A alocação dos participantes nos grupos foi randomizada. Quanto ao perfil desses indivíduos: uma parte era de funcionários de um hospital psiquiátrico (n = 57) e os demais, da população geral (n = 144).

Os participantes preenchiam os critérios para dependência de nicotina pela CID-10 (Organização Mundial da Saúde, 1993), utilizavam o tabaco havia, pelo menos, um ano (M = 21,41 anos; SD = 12,40), tinham, no mínimo, a quinta série do Ensino Fundamental (M = 12,2 anos de estudo; SD = 2,74) e estavam na faixa etária entre os 18 e 65 anos de idade (M = 38,15 anos; SD = 11,93). Eles fumavam, em média, 17,17 cigarros por dia (SD = 11,0), sendo a média de pontos obtida na Escala Fagerström equivalente à 4,14 (SD = 2,58), o que é qualificado por Achutti (2001) como grau leve de tabagismo. Com relação à motivação para interromper o uso do tabaco, 14 sujeitos não pretendiam parar, 133 disseram que o fariam "algum dia", 11, no ano seguinte, 17, no mês seguinte, 9, na semana seguinte e 15 tentariam ao final daquele mesmo dia (n = 199; missing = 2).

Era critério de exclusão depender ou fazer "uso nocivo" de outras substâncias psicoativas de acordo com a CID-10 (Organização Mundial da Saúde, 1993), salvo a cafeína, utilizar algum tipo de psicofármaco, estar abstinente de nicotina havia mais de 24 horas ou estar tentando interromper o uso do tabaco.

 

Instrumentos

O Questionnaire of Smoking Urges-Brief (Cox et al., 2001) – Versão em português (Apêndice) é uma escala para avaliar craving composta por 10 questões afirmativas, diante das quais o indivíduo se posiciona utilizando uma escala likert de 7 pontos que vai de "discordo totalmente" até "concordo totalmente". O QSU-B pode ser analisado por meio do somatório total de pontos, dos pontos das categorias (Tabela 2), e dos pontos dos fatores 1 (questões 1, 3, 7 e 10) e 2 (questões 4, 8 e 9). Os pontos de corte da versão brasileira, obtidos a partir dessa amostra, para o total de pontos da escala, são: de 0 a 13 pontos, craving mínimo; de 14 a 26, leve; de 27 a 42, moderado; e de 43 ou mais pontos, craving intenso. Os pontos de corte obtidos para o fator 1 são: de 0 a 6 pontos, craving mínimo; de 7 a 15, leve; de 16 a 23, moderado; e de 24 ou mais pontos, craving intenso. Para o fator 2: de 0 a 2 pontos, craving mínimo; de 3 a 4, leve; de 5 a 9, moderado; e de 10 ou mais pontos, craving intenso.

 

 

 

 

Ficha com dados sociodemográficos – Utilizada para identificar características da amostra, fatores relacionados ao consumo do tabaco, a motivação para interromper esse uso e critérios de inclusão e exclusão.

Escala Analógico-Visual para avaliar o craving – O participante deveria dar uma nota para o seu craving, entre 0 (não apresenta craving) e 10 (craving muito forte), assinalando esse valor em uma escala de 10 centímetros. A Escala Analógico-Visual para avaliar o craving é amplamente utilizada em pesquisas (Araujo et al., 2006; Franken et al., 2002; Mueller et al., 2001; Dols et al., 2002; Karg, 2002; Singleton et al., 2003; Steuer e Wewers, 1989), sendo importante instrumento na validação convergente com o QSU-B.

Fagerström Test for Nicotine Dependence (FTND) – desenvolvido por Fagerström (1978) e depois readaptado por Healtherton et al. (1991) é um teste que avalia o padrão típico de fumar e classifica a dependência de nicotina em leve, moderada ou severa. Utilizou-se, neste estudo, a versão validada para os tabagistas, no Brasil, por Carmo e Pueyo (2002). Além de definir o perfil da gravidade do tabagismo da amostra, o total de pontos do FTND, a questão 1 ("Quanto tempo você demora para fumar seu primeiro cigarro depois de se levantar pela manhã?") e a 2 ("Para você é difícil abster-se e não fumar naqueles lugares onde está proibido, como, por exemplo, um hospital, biblioteca, igreja, ônibus etc.?") foram utilizadas no estudo correlacional.

Inventário Beck de Depressão (Beck e Steer, 1993) – É uma escala destinada a medir a intensidade dos sintomas de depressão, tanto em pacientes psiquiátricos como na população geral. Seu escore total resulta da soma dos pontos. A versão em português foi validada por Cunha (2001). É formada por 21 itens, cada um com quatro alternativas, entre as quais o sujeito deve escolher as mais aplicáveis ao momento. O escore total resulta da soma dos pontos. Os pontos de corte para pacientes psiquiátricos da versão de Cunha (2001) são: 0 a 11 = mínimo; 12 a 19 = leve; de 20 a 35 = moderado; e de 36 a 63 = grave.

Inventário Beck de Ansiedade (Beck e Steer, 1993) – É um questionário, também validado para o Brasil por Cunha (2001), composto por 21 itens, que tem por objetivo medir a gravidade dos sintomas de ansiedade. O escore total é obtido pelo somatório dos escores de cada item. Os pontos de corte para pacientes psiquiátricos são, segundo Cunha (2001): 0 a 10 = mínimo; 11 a 19 = leve; de 20 a 30 = moderado; e de 31 a 63 = grave.

 

Procedimentos

Validação semântica

Para a tradução e a validação semântica do QSU-B, foram seguidas algumas etapas com base nos estudos de Ciconelli (1997) e Pasquali (1998):

1) O QSU-B foi traduzido da língua inglesa para a língua portuguesa por uma professora de inglês, com graduação em Letras (habilitação para língua inglesa), que conhecia o objetivo da tradução.

2) O instrumento traduzido foi aplicado a 10 sujeitos com o objetivo de avaliar a compreensão das questões e levantar dúvidas quanto ao seu sentido.

3) Realizou-se um brainstorming: 5 sujeitos foram reunidos e deveriam reproduzir verbalmente cada item que compõe o instrumento, sendo questionados, então, quanto à clareza de seu significado.

4) Back-translation: Um nativo de língua inglesa, com fluência na língua portuguesa e desconhecedor do objetivo da tradução, reverteu a primeira tradução do instrumento para o idioma de origem (inglês).

5) A partir do back-translation, o questionário foi novamente traduzido para a língua portuguesa, porém por uma psicóloga brasileira, residente nos Estados Unidos, com fluência na língua inglesa e que tinha conhecimento da finalidade dessa última tradução.

6) Reuniu-se um Comitê de Juízes Especialistas, do qual fizeram parte sete profissionais: cinco especialistas em dependência química e dois com experiência em pesquisa e validação de instrumentos psicológicos. Esses profissionais compararam as versões do instrumento, analisando se as questões da escala estavam, de fato, relacionadas a craving e identificaram os itens das duas versões traduzidas para a língua portuguesa que eram mais adequados ao objetivo do instrumento e à realidade brasileira. Produziu-se, a partir da devolução feita pelos membros do Comitê, a versão em português do instrumento.

7) Estudo piloto – Esta versão foi, nesta etapa, aplicada a 20 sujeitos com as características da amostra pesquisada que teriam de verificar a adequação gramatical e funcional do QSU-B. Após as modificações sugeridas, produziu-se a versão final do instrumento, na qual foram acrescentados os números de 1 a 7 acima dos pontos da escala likert, que visualmente estariam relacionados a esses números na escala original. Durante a validação semântica, o QSU-B apresentou-se, para a amostra brasileira, como sendo uma escala de fácil entendimento, com tempo médio de aplicação de 1 minuto. Na versão final, optou-se por manter as iniciais do nome na língua inglesa (QSU-B), em virtude das divergências quanto às traduções de urge e craving, sendo acrescentado, porém, o complemento "versão brasileira". O termo craving foi traduzido como desejo intenso, e não fissura, em função de esse último ser um termo popular que sofre influências regionais e, por não ser muito comum sua aplicação, segundo os juízes deste estudo, ao se fazer referência ao desejo pelo tabaco.

 

Coleta de dados

Com o término do estudo piloto, excluíram-se os protocolos de pesquisa desta primeira fase da validação, sendo, então, iniciada nova coleta de dados.

Os participantes, nesta etapa seguinte, que preencheram os critérios de inclusão, foram encaminhados para uma entrevista individual de avaliação, quando se completou a ficha com dados sociodemográficos.

A amostra foi randomizada em três subgrupos com o objetivo de manipular o craving: grupo 1, com 0 (zero) minuto em abstinência; grupo 2, com 30 minutos; e grupo 3, com 60 minutos. Essa variação do tempo de consumo do último cigarro também foi o critério utilizado, na validação americana do QSU, como forma de controlar a intensidade do craving.

Os sujeitos que não preencheram nenhum critério de exclusão foram, então, acompanhados para que fumassem, longe da sala de entrevista, tornando possível que se avaliasse o exato momento do consumo do tabaco, sendo, em seguida, aplicados os instrumentos. A ordem de aplicação dos instrumentos de avaliação do craving foi determinada a partir da verificação do grupo do qual cada participante faria parte, sendo esta realizada na fase inicial (grupo 1), intermediária (grupo 2) ou na fase final da aplicação (grupo 3) do protocolo. Como o total de tempo da aplicação dos instrumentos era em torno de 60 minutos, esse controle da ordem de aplicação possibilitou que os sujeitos se mantivessem por todo o período na presença do aplicador.

 

Análise de dados

Os dados foram organizados no Programa Statistical Package for the Social Sciences (SPSS) versão 12.0. Utilizaram-se os seguintes testes estatísticos: testes descritivos (para caracterização da amostra e delimitação dos pontos de corte do QSU-B), o alfa de Cronbach (na avaliação da consistência interna), sendo também utilizados a análise fatorial (para avaliar a distribuição das questões nos fatores da escala) e o coeficiente de correlação linear de Pearson (no estudo correlacional das variáveis e na validade convergente), Teste Qui-Quadrado (para avaliar a associação entre as variáveis categóricas), Teste T de Student (para amostras independentes, na comparação da média de dois grupos), análise de variância (ANOVA) (para comparação entre as médias dos três grupos experimentais) e regressão linear (para identificar o modelo explicativo dos dois fatores). O nível de significância considerado satisfatório foi o de 5%.

 

Resultados

Caracterização da amostra distribuída nos três grupos

A amostra total (n = 201) foi distribuída em: grupo 1 (0 minuto em abstinência), no qual ficaram 69 sujeitos, grupo 2 (30 minutos), com 60 sujeitos, e grupo 3 (60 minutos), que foi composto por 71 sujeitos.

Compararam-se, entre os três grupos, por meio da ANOVA, as médias de variáveis importantes para a caracterização da amostra. Os resultados obtidos podem ser observados na tabela 1 e demonstram não haver diferença significativa entre os três tempos de abstinência com relação às variáveis analisadas (p > 0,05).

Quanto à distribuição dos sexos, no grupo 1, 24 sujeitos eram do sexo masculino e 46, do feminino, no grupo 2, 20 eram do masculino e 40, do feminino e, no grupo 3, 23 eram do masculino e 48, do feminino. Utilizou-se o Teste Qui-Quadrado para verificar se havia associação entre o tempo de abstinência e as variáveis sexo (c2 = 0,057; p = 0,972) e motivação para interromper o uso do tabaco (c2=12,30; p=0,266), não se encontrando associação significativa em nenhum dos casos.

Análise fatorial

Utilizaram-se, com o intuito de comprovar a adequação dos dados do QSU-B para a análise fatorial, o Kaiser-Meyer-Olkin (KMO) e o Teste de Bartlett. Os resultados destes foram, respectivamente, 0,951 e p < 0,05 e comprovaram que a utilização da ANOVA seria adequada para a validação dessa escala. Na tabela 2, estão distribuídas as questões nos fatores e categorias da escala a partir da utilização da rotação Promax.

O critério utilizado para a colocação dos itens nos fatores foi o descrito por Tiffany e Drobes, que consideraram, na validação original, como pertencentes ao fator, itens com carga fatorial igual ou superior a 0,40, cuja carga no outro fator fosse menor que 0,25, devendo, a diferença entre ambas, ser de, pelo menos, 0,20. Os fatores 1 e 2 do QSU-B apresentaram autovalor de 6,85% e 0,992% e variância de 68,54% e 9,92%, respectivamente, sendo o total da variância equivalente a 78,46% e a correlação entre os dois fatores significativa e de alta intensidade (r = 0,636; p = 0,000).

Para avaliar a consistência interna do instrumento pesquisado foram, inicialmente, calculados os valores de alfa de Cronbach no questionário como um todo, em seus dois fatores e em suas categorias. O alfa total foi de 0,85 (10 itens), o do fator 1, 0,95 (4 itens), e o do fator 2, 0,92 (3 itens). Ao serem calculados valores de alfa das categorias, obtiveram-se: 0,92 para Desejo de fumar (3 itens), 0,80 para Antecipação do resultado positivo (2 itens), 0,81 para Alívio dos sintomas de abstinência ou afeto negativo (2 itens) e 0,79 para Intenção de fumar (3 itens).

A regressão linear, com o método stepwise, verificou, entre as quatro categorias do QSU-B, quais eram as variáveis preditoras dos fatores 1 e 2. O modelo que melhor explicou o fator 1 foi o composto por: Intenção de fumar, Antecipação do efeito positivo, Alívio dos sintomas de abstinência ou Afeto negativo e desejo de fumar [R2 = 0,949; f (4,196) = 905,91; p < 0,01], e o que melhor explicou o fator 2 foi o formado por: Alívio dos sintomas de abstinência ou Afeto negativo e Intenção de fumar [R2 = 0,951; f (2,198) = 1918,73; p < 0,01]. Os valores dos coeficientes beta das variáveis componentes desses modelos de cada fator podem ser observados na tabela 3.

 

 

Craving e tempo de abstinência

Foram comparadas, por meio da ANOVA, e apresentadas, na tabela 4, as variações do craving, nos diferentes tempos de abstinência, mensuradas pelo escore total do QSU-B, pelo escore de seus fatores e categorias, bem como pela pontuação na Escala Analógico-Visual.

 

 

Craving e fatores associados

Empregou-se o coeficiente de correlação linear de Pearson no estudo correlacional entre o total de pontos do QSU-B e algumas outras variáveis. Constataram-se correlações positivas de baixa (0,20 < r < 0,40) ou muito baixa (0 < r < 0,20) intensidade com o total de pontos da Fagerström (r = 0,237; p = 0,001), com os sintomas de depressão (r = 0,229; p = 0,001), de ansiedade (r = 0,184; p = 0,011) e com a quantidade de cigarros consumida por dia (r = 0,148; p = 0,036). Não se identificou correlação entre o total do QSU-B e: idade (r = - 0,054; p = 0,450), escolaridade (r = - 0,051; p = 0,476), idade de início do tabagismo (r = 0,009; p = 0,895), tentativas de parar de fumar (r = - 0,057; p = 0,426), número de tratamentos para o tabagismo (r = 0,081; p = 0,254), tempo de consumo de tabaco (r = - 0,047; p = 0,510) e motivação para parar de fumar (r = - 0,114; p = 0,109). Na tabela 5, efetuou-se a comparação das correlações encontradas, mais especificamente com os fatores 1 e 2 do QSU-B.

 

 

Não se observou, segundo o teste t de Student para amostras independentes, diferença significativa quanto ao sexo, tanto no escore total do QSU-B (t = - 1,336; p = 0,183) quanto no fator 1 (t = - 0,998; p = 0,319), no fator 2 (t = - 1,676; p = 0,096) e nas categorias Desejo de fumar (t = - 1,253; p = 0,212), Antecipação do efeito positivo (t = - 1,239; p = 0,217), Alívio dos sintomas de abstinência ou afeto negativo (t = - 1,712; p = 0,089) e Intenção de fumar (t = - 0,985; p = 0,326).

Validade convergente

Na comparação do total de pontos do QSU-B com as demais escalas ou subescalas que avaliam o craving, verificou-se correlação positiva de alta intensidade entre o total de pontos do QSU-B e a Escala Analógico-Visual (r = 0,656; p = 0,000) e correlações positivas e de baixa intensidade com as questões 1 (r = 0,201; p = 0,004) e 2 da Fagerström (r = 0,257; p = 0,000).

 

Discussão

A versão brasileira do QSU-B apresentou excelente consistência interna tanto na escala total com 10 itens como nos fatores 1 e 2 e nas categorias de avaliação. Mesmo as categorias que continham menos questões conseguiram ter seus alfa de Cronbach bem acima de índice de 0,70 definido por Rowland et al. (1991) como sendo capaz de confirmar que os itens de uma escala avaliam de modo consistente o mesmo constructo.

Houve um cuidado para avaliar se não seriam observadas diferenças significativas nos três tempos de abstinência com relação às variáveis que poderiam estar associadas ao craving, como tempo de tabagismo, gravidade da dependência, tentativas de interromper o uso do tabaco e tratamentos prévios para o tabagismo, o que demonstra que essas variáveis não interferiram nos resultados do experimento. Ao compararem grupos, na validação do QSU, utilizando o critério tempo de abstinência, Tiffany e Drobes (1991) também defenderam a importância de que houvesse um cuidado especial quanto à forma dessa distribuição, para que esses grupos não ficassem muito heterogêneos.

Foi possível comprovar a sensibilidade desse instrumento para mensurar as alterações no craving ocorridas em decorrência do tempo de abstinência por intermédio de todas as suas dimensões, porém a escala não foi sensível o suficiente para identificar as mudanças no intervalo de 30 minutos sem fumar. A diferença quanto a esse último período só foi captada quanto à categoria Intenção de fumar. Isto pode ter acontecido em função de a gravidade da dependência de nicotina dos grupos ser leve, o que será mais bem discutido nas limitações deste estudo. A escolha do tempo de abstinência como critério para a manipulação do craving foi feita com base no estudo de Tiffany e Drobes (1991), já que não foram publicados trabalhos com o QSU-B utilizando esse tipo de critério.

Obteve-se, por intermédio do KMO e do teste de Bartlett, segurança para que se pudesse utilizar a análise fatorial na validação da escala, sendo, então, possível ser replicada a mesma análise estatística feita pelos autores tanto da escala completa (Tiffany e Drobes, 1991) como da sua versão abreviada (Cox et al., 2001).

O resultado quanto à divisão das questões nos dois fatores encontrados na versão brasileira foi muito parecido com o observado na análise fatorial de Cox et al. (2001). A única diferença foi que a primeira teve três questões (números 2, 5 e 6) que não tiveram sua carga fatorial, de acordo com os critérios estabelecidos, como pertencentes a um único fator, e, desta forma, optou-se pela não-inclusão dessas questões na soma dos pontos dos fatores 1 e 2, somente no somatório total.

Verificaram-se, pela regressão linear, os modelos que melhor explicariam cada um dos fatores do QSU-B e os resultados demonstraram que, no fator 1, o craving estava relacionado à qualidade de reforço positivo do tabaco e, no fator 2, à qualidade de reforço negativo. O fator 1, inclusive, apresentou um coeficiente beta negativo para a categoria reforçadora negativa Alívio dos sintomas de abstinência ou afeto negativo, o que mostra a relação inversa que existe entre ambos. Por outro lado, os maiores coeficientes beta foram os das categorias Intenção de fumar e Antecipação do efeito positivo, sendo esta última tipicamente reforçadora positiva. O fator 2, porém, teve em seu modelo o Alívio dos sintomas de abstinência ou afeto negativo com alto valor do coeficiente beta, o que reflete a forte participação dessa categoria, reforçadora negativa nesse segundo fator.

Tais resultados do fator 1 como reforçador positivo e do 2 como reforçador negativo não foram idênticos aos descritos por Cox et al. (2001), que tiveram achados mais parecidos com os da validação do QSU (Tiffany e Drobes, 1991), porém assemelharam-se ao que foi verificado por Willer et al. (1995) ao pesquisarem a versão original de 32 questões.

Os fatores 1 e 2, apesar de distintos, estão altamente correlacionados como no estudo de Cox et al. (2001), no entanto essa correlação, sendo menor que 0,80, confirma que esses fatores não avaliam exatamente os mesmos quesitos (Ferrans e Powers, 1992). Ao se analisar a correlação dos fatores do QSU-B com suas categorias, por outro lado, observou-se um resultado interessante que confirma a condição de reforço positivo do fator 1 e de negativo do fator 2: as correlações do primeiro foram positivas e de muito alta intensidade (r > 0,80), com as categorias Desejo de fumar, Antecipação do efeito positivo e Intenção de fumar, sendo de baixa intensidade com a categoria Alívio dos sintomas de abstinência ou afeto negativo. As correlações do fator 2 foram de alta intensidade com todas as categorias, menos com a que se refere a Alívio dos sintomas de abstinência ou afeto negativo, com a qual teve correlação de muito alta intensidade (Bisquerra et al., 2004).

O craving foi correlacionado com a quantidade de cigarros consumida por dia, com a gravidade da dependência do tabaco e com sintomas de depressão e de ansiedade, o que já foi comentado em outros estudos (Cavallo e Pinto, 2001; Delfino et al., 2001, Pomerleau et al., 2001), porém não teve correlação com variáveis como idade, idade de início do uso do tabaco, tempo de consumo e motivação para mudança, o que contrasta com o que alguns autores descreveram (Tiffany e Drobes, 1991; Becona, 2001; Broms et al., 2004; Daughton et al., 1999). Apesar de as médias de pontos das escalas que avaliam ansiedade e depressão não terem sido altas, a presença dessa correlação indica a importância da avaliação da comorbidade psiquiátrica em tabagistas, para que possa haver melhor controle do craving.

O fato de o craving não estar correlacionado com a escolaridade foi importante, na medida em que a média dessa variável, neste estudo, foi alta, o que poderia configurar um viés. Esse resultado, no entanto, foi diverso do identificado por Broms et al. (2004), que avaliaram que um mais alto grau de escolaridade seria, inclusive, um facilitador quando se iniciasse o processo de cessação do uso do tabaco.

Não foi possível, pelos resultados da amostra brasileira, concordar com o que foi publicado por Field e Duka (2004), que observaram que as mulheres tinham um craving mais intenso do que os homens ao serem apresentados estímulos tabaco-relacionados.

Na validação convergente do QSU-B, verificou-se correlação tanto com a Escala Analógico-Visual quanto com as questões 1 e 2 da Fagerström, o que reflete que esse questionário, em sua versão brasileira, tem condições de avaliar o craving. No entanto, é preciso destacar que, em função do QSU-B, ao contrário dos instrumentos utilizados na validação convergente, ao se contemplar uma avaliação multidimensional do craving, os valores das correlações não foram muito altos, chegando mesmo a ser baixos, como no caso das questões de Fagerström que não são utilizadas unicamente com o objetivo de avaliar o craving pelo cigarro.

Alguns autores já haviam defendido a idéia de que as escalas unidimensionais não são capazes de avaliar o craving de uma forma completa, devendo-se, quando possível, optar por escalas multidimensionais, como é o caso tanto do QSU como do QSU-B (Cox et al., 2001; Tiffany e Drobes, 1991; Singleton et al., 2003).

Deve-se observar que a validação brasileira foi realizada com sujeitos com elevado grau de escolaridade e que tinham um grau leve de dependência da nicotina, o que pode ter interferido nos seus resultados. Quanto à gravidade da dependência, pode-se inferir, inclusive, que tenha sido um fator associado ao resultado, demonstrando não haver diferença significativa no craving entre os grupos 1 (0 minuto em abstinência) e 2 (30 minutos em abstinência), na medida em que os sujeitos com dependência mais leve conseguem suportar um intervalo maior entre a utilização de um cigarro e outro.

Deve-se destacar a importância de que sejam construídas e validadas mais escalas para avaliação do craving por substâncias psicoativas, já que estas são instrumentos úteis tanto na pesquisa quanto na prática clínica na área da dependência química.

 

Conclusão

Foi possível demonstrar que a versão brasileira do QSU-B é um instrumento com satisfatórias propriedades psicométricas, tendo condições de avaliar adequadamente o craving de forma multidimensional em indivíduos com dependência do tabaco.

É importante salientar que escalas breves devem ser cada vez mais utilizadas, em virtude da facilidade, rapidez e menor custo de sua aplicação. O QSU-B instrumentaliza, por meio de seus fatores 1 e 2, os terapeutas a direcionarem suas intervenções ao tratarem dependentes de nicotina.

Esse questionário pode auxiliar não só quanto à avaliação da necessidade de uma abordagem farmacológica, mas também em termos da importância de que seja disponibilizado um maior tempo para a utilização das técnicas de manejo de craving na terapia cognitivo-comportamental. Assim, com esses recursos, terapeuta e cliente se sentirão mais fortalecidos ao enfrentarem o constante desafio implicado na manutenção da abstinência do tabaco.

 

Agradecimentos

À Dra. Lisa Cox, da University of Kansas School of Medicine, e ao Dr. Dr. Stephen Tiffany, da Purdue University (EUA), pelas autorizações dadas para a validação do QSU-B no Brasil e publicação da versão brasileira dessa escala, e ao Dr. David Drobes, da Purdue University, pelo auxílio no processo de validação.

 

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Endereço para correspondência:
Renata Brasil Araujo
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Recebido: 18/06/2006
Aceito: 11/09/2006