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Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo)

versão impressa ISSN 0101-6083versão On-line ISSN 1806-938X

Rev. psiquiatr. clín. v.35 n.3 São Paulo  2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-60832008000300003 

REVISÃO DA LITERATURA

 

Transtorno afetivo bipolar: carga da doença e custos relacionados

 

Bipolar disorder: burden of disease and related costs

 

 

Anna Maria Niccolai Costa

Diretora médica da Bristol-Myers Squibb e professora do curso de pós-graduação do Departamento de Psiquiatria da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp)

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

CONTEXTO: O transtorno afetivo bipolar (TAB) é uma doença recorrente, crônica e grave. Comorbidades psiquiátricas e físicas, aumento do risco de suicídio, maior utilização de serviços de saúde e prejuízo na esfera social/profissional aumentam significativamente a carga e custos relacionados à doença.
OBJETIVOS:
Revisar aspectos clínicos, de carga da doença e conseqüentes desfechos financeiros do TAB.
MÉTODOS: Pesquisa de base de dados MEDLINE/PubMed utilizando os termos bipolar disorder, epidemiology, burden of disease, comorbidity, cost of illness, outcomes e financial consequences, publicados entre 1980 e 2006.
RESULTADOS: O TAB apresenta alta comorbidade com outros transtornos, o que agrava seu prognóstico e eleva os custos com os serviços de saúde. Os indivíduos com TAB apresentam mais fatores de risco cardiovascular e, conseqüentemente, maior risco de morte por evento cardíaco. O atraso e o erro diagnóstico no TAB elevam consideravelmente a carga e os custos da doença.
CONCLUSÕES: As comorbidades, o risco de suicídio, o prejuízo social/profissional e a baixa adesão ao tratamento contribuem para a alta carga e os custos associados à doença. A pesquisa de comorbidades pode ajudar os médicos a ajustarem suas estratégias de tratamento, considerando cuidadosamente todos os fatores de risco e custos associados, fatores estes que devem ser levados em conta também pelos profissionais que trabalham com gestão de saúde, tanto no setor privado quanto público.

Palavras-chave: Psiquiatria, transtorno bipolar, comorbidade, carga da doença, saúde mental.


ABSTRACT

BACKGROUND: Bipolar disorder (BD) is a recurrent, chronic and severe disease. Mental and physical comorbidities, risk of suicide, health services use and impairment of social and professional domains significantly worsen the burden and increase the costs of illness.
OBJECTIVES:
Review clinical aspects, burden of disease, and consequent financial outcomes of BD.
METHODS: MEDLINE/PubMed database search using the terms bipolar disorder, epidemiology, burden of disease, comorbidity, cost of illness, outcomes e financial consequences, published in MEDLINE from 1980 to 2006.
RESULTS: BD has a high rate of comorbidities, which worsen the prognosis and increase costs with health services. Subjects with BD have more cardiovascular risk factors than the general population, and therefore a higher risk of death by cardiovascular event. Delay of diagnosis and misdiagnosis increase the costs of illness.
DISCUSSION:
Comorbidities, risk of suicide, social and professional impairment and low adherence to treatment increase the cost of illness. The search of comorbidities may help clinicians to adjust treatment strategies, taking into account all associated risk factors and costs, which may be considered also by professionals involved in health care management, either private or public.

Key-words: Psychiatry, bipolar disorder, comorbidity, cost of illness, mental health.


 

 

Introdução

O transtorno afetivo bipolar (TAB) é uma doença recorrente, crônica e grave. Causa impacto significativo na qualidade vida dos pacientes, além de grande carga para família e sociedade em geral.

Evidências epidemiológicas mostram que a prevalência de TAB nos Estados Unidos varia em torno de 0,4% a 1,6%1,2. Entretanto, estudos de screening mostram que tal prevalência deve ser maior, indicando taxas acima de 3,7%3. Em um estudo brasileiro, foi feita a reanálise dos dados do Estudo de Área de Captação Epidemiológica, e a prevalência, ao longo da vida, de subgrupos TAB, incluindo presença de hipomania subsindrômica e sintomas maníacos, foi de 8,3%4.

De acordo com a Organização Mundial da Saúde, o TAB é a sexta causa de incapacidade e a terceira entre as doenças mentais, após depressão unipolar e esquizofrenia, que cursam com maior carga5.

A carga da doença é causada pelas comorbidades psiquiátricas e físicas e pela baixa adesão ao tratamento. Os custos da doença são decorrentes, principalmente, dos custos indiretos da doença. A incapacidade funcional ocasionada pelo TAB é comparável à de muitas doenças crônicas.

O objetivo desta revisão é oferecer uma visão geral da carga e dos custos associados ao TAB, destacando problemas de interesse tanto para a prática clínica como para os que lidam com gestão de saúde nos setores público e privado.

 

Métodos

A busca foi feita no MEDLINE por palavras-chave em inglês, restringindo-se os anos de busca de 1980 a 2006. Não se limitaram o idioma dos artigos nem o tipo de publicação. Utilizaram-se as seguintes palavras-chave: bipolar disorder, epidemiology, burden of disease, comorbidity, cost of illness, outcomes e financial consequences. Foi feita uma pesquisa cruzando-se o termo bipolar disorder com os demais termos mencionados, restringindo os termos ao título e resumo. Encontraram-se 1.013 publicações, sendo 302 revisões. O objetivo da autora não foi fazer uma revisão sistemática, e sim uma revisão simples e de fácil consulta. Dessa forma, os artigos foram selecionados com base na leitura dos resumos e experiência acadêmica e clínica da autora, dando-se preferência à leitura de artigos de revisão e publicações de revistas de maior impacto científico.

 

Resultados

Epidemiologia

O TAB freqüentemente acomete os indivíduos no início de suas vidas profissionais: a idade média de início dos primeiros sintomas de TAB é aos 20 anos de idade, embora 69% dos pacientes não sejam diagnosticados corretamente, sendo a depressão unipolar o erro diagnóstico mais freqüente. Os que são incorretamente diagnosticados acabam por consultar, em média, quatro médicos antes de receber o diagnóstico adequado, e mais de um terço dos pacientes esperam 10 anos ou mais antes de receber o diagnóstico correto6. As conseqüências do diagnóstico incorreto são: menor probabilidade de que esses pacientes sejam tratados com medicações atualmente recomendadas como primeira linha de tratamento; uso mais freqüente de antidepressivos, com seus riscos associados, além de taxas mais altas de suicídio e hospitalização, o que acaba refletindo nos desfechos e nos custos7,8.

A taxa de recorrência dos episódios é superior a 90%9, e 10% a 15% dos pacientes terão mais de dez episódios durante sua existência10. Os episódios recorrentes podem causar deterioração do funcionamento, e o número de episódios pode ter um impacto negativo no prognóstico desses indivíduos11.

Os sintomas depressivos são predominantes12, cerca de 3,5 vezes mais freqüentes que os de mania e 5 vezes mais freqüentes que sintomas mistos ou de ciclagem rápida. O episódio depressivo é também responsável pela maior carga da doença, com 80% dos pacientes exibindo tendência ao suicídio 10. Comparando-se pacientes com TAB e com transtorno depressivo maior (TDM), aproximadamente dois terços dos portadores de TDM apresentam remissão em 10 anos, enquanto menos da metade dos portadores de TAB teve remissão13.

Sintomas cognitivo-comportamentais e prognóstico

A função neurocognitiva de homens com TAB tipo I com condição clínica estável foi comparada à de pacientes com esquizofrenia e sujeitos controles normais, usando uma bateria de testes por Altshuler et al.14. Pacientes com TAB mostraram prejuízos em vários domínios, mas não em todos, e foram menores que os observados em portadores de esquizofrenia. Os prejuízos foram particularmente notáveis no domínio da memória e da função executiva.

Em outro estudo publicado por Torrent et al.15, em que pacientes com TAB dos tipos I e II foram comparados com controles, ambos os grupos (TAB tipos I e II) apresentaram déficits cognitivos significativos, incluindo memória de trabalho e atenção. O grupo com TAB II apresentou um nível intermediário de atuação entre o grupo TAB I e o grupo-controle em memória verbal e funções executivas. Ainda nesse estudo, foram descritos fatores preditivos de baixo funcionamento psicossocial no grupo com TAB do tipo II, sintomas depressivos subclínicos, início precoce da doença e baixo desempenho na função executiva.

O prejuízo cognitivo está associado a um pior desempenho16, como se pode ver nos dados seguintes.

O prejuízo psicossocial em termos de escola e trabalho, atividades sociais e de lazer e vida familiar foi estudado por Hirschfeld17. O autor mostrou que o prejuízo associado à depressão era significativamente maior que o associado à mania nas quatro semanas prévias à pesquisa.

Segundo estudo realizado com 3.059 indivíduos avaliados pelo Mood Disorder Questionnaire, os que eram positivos nesse questionário reportavam significativamente mais dificuldade no trabalho (1,96% vs. 1,46%), interações sociais e de lazer (2,4% vs. 1,87%), interações familiares (2,22% vs. 1,66%) e mais dias de sintomas perturbadores (6,41 vs. 2,62) em relação aos indivíduos que eram negativos18.

A recuperação sindrômica, logo após hospitalização, foi alcançada por 83,7% dos pacientes afetivos psicóticos em 6 meses e por 97,5% em 2 anos, mas somente 30,4% em 6 meses e 37,6% em 2 anos recuperam-se funcionalmente. Apenas 50% dos pacientes com TAB se encontram empregados 6 meses após alta de hospitalização psiquiátrica19. Isto sugere que tais transtornos psicóticos podem levar a um prognóstico funcional grave desde o episódio inicial e a primeira hospitalização.

Suicídio

Aproximadamente 25% dos pacientes tentam suicídio, e os portadores de mania mista parecem apresentar risco maior. A taxa de suicídio é em torno de 15% para os não tratados20. Diversos são os fatores associados a tentativas de suicídio nesses pacientes, entre eles carga genética, curso da doença, gravidade da mania, tentativas de suicídio, início precoce, comorbidades com transtornos do eixo-I como ansiedade, transtornos alimentares e comorbidades do eixo-II, adversidades ocupacionais, financeiras e de cuidado à saúde, tais como dificuldades de acesso ao sistema de saúde, além de fatores sociais, como a morte de entes queridos21.

Comorbidades psiquiátricas

A comorbidade é um dos principais motivos de aumento da carga e custos associados à doença.

O TAB apresenta alta comorbidade com outros transtornos. A prevalência ao longo da vida de comorbidade de TAB e abuso de substâncias é de 42%, com transtornos de ansiedade é de 42% e com transtornos alimentares é de 17%22.

O paciente que tem TAB e abuso de substâncias apresenta características especiais, como maior taxa de estados mistos, ciclagem rápida, recuperação mais lenta, mais hospitalizações, mais tentativas de suicídio e início mais precoce do transtorno23-26.

Em estudo que avaliou 288 pacientes com TAB I e II, observou-se que 42% dos indivíduos diagnosticados com TAB I e II também atingiram critério para transtorno de ansiedade comórbido, incluindo transtorno de pânico e agorafobia (20%) e fobia social (16%)22. Pacientes com TAB e altos escores de ansiedade têm maior probabilidade de desenvolver comportamento suicida (44% vs. 19%), abuso de álcool (28% vs. 6%), ciclotimia (44% vs. 21%) e transtorno de ansiedade (56% vs. 25%)27.

Angst et al.28 reportaram que o transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é significativamente comórbido com TAB I e II. Relativamente poucos estudos foram conduzidos nessa área. Vários estudos encontraram taxas de TAB variando entre 2,7% e 17,7 % nos pacientes com TOC29-31.

Na área de transtornos alimentares, em estudo com 61 adultos com TAB, aproximadamente 13% dos pacientes preencheram critério para transtorno do comer compulsivo32. Em estudo de coorte, indivíduos com hipomania e aqueles com hipomania breve recorrente apresentaram taxas de prevalência ao longo da vida de comer compulsivo mais altas (12,8% e 22,2%, respectivamente) comparadas às dos controles (4,6%)33. No estudo da Stanley Foundation com 288 portadores de TAB I e II, a comorbidade ao longo da vida foi estimada em 5% para TAB I e 12% para TAB II22. O diagnóstico de TAB foi antecedente ao de transtorno alimentar em 13%34.

O TAB na infância é freqüentemente comórbido, com transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH) e transtorno de conduta. As taxas variam de 60% a 90% nos estudos pediátricos35. Num estudo com 104 pacientes pediátricos, 60% alcançaram critério para transtorno de humor36. A população de crianças e adolescentes pode apresentar maior freqüência de estados mistos, tendência ao suicídio e características depressivas, mas menos psicoses, transtorno de pensamento ou abuso de substâncias37.

Já nas populações geriátricas em geral, os pacientes com TAB têm maior sensibilidade à medicação e efeitos adversos, além de grande heterogeneidade nas características da mania, maiores taxas de disfunção cognitiva e demência e maior freqüência de quadros disfóricos e psicose38.

Os transtornos de personalidade (TP) podem complicar o diagnóstico e o curso da doença para o paciente com TAB. A taxa de comorbidade em pacientes com TAB pode ser tão alta quanto 65% em alguns estudos e eles apresentam sintomas residuais mais graves, mesmo durante a remissão19.

Comorbidades físicas

As comorbidades físicas desses pacientes também são muito comuns.

A migrânea em pacientes com TAB é mais freqüente que na população geral. Os indivíduos com mania têm prevalência de 4,7%, e nos pacientes com TAB II a prevalência é de 3,9%. A razão de chances (odds ratio) para mania é de 5,9 e para TAB II é de 4,739.

Associações entre depressão e hipotireoidismo e entre mania e hipertireoidismo são bem descritas na literatura40. Em estudo de coorte prospectivo, observou-se que pacientes hospitalizados com hipotireoidismo apresentam alto risco de reinternações com depressão ou TAB40. O hipotireoidismo subclínico latente parece poder acelerar a ciclagem41. A média de concentração de TSH encontra-se significativamente maior e a média de concentração de T4 livre, significativamente menor em indivíduos com mania mista, em comparação com os indivíduos com mania pura42.

Obesidade e sobrepeso são altamente prevalentes em pacientes com TAB, e ambos estão relacionados a desfechos psiquiátricos e físicos adversos43,44. Apetite e atividade física são afetados por episódios de mania e depressão, por isso o número de episódios da doença e o número de anos desde o início da doença podem ser importantes na prevalência de sobrepeso e obesidade de indivíduos com TAB45. De acordo com um estudo de corte transversal realizado por Elmslie et al., a prevalência de sobrepeso em mulheres com TAB é 1,5 vez maior em relação aos controles, e a prevalência de obesidade é 1,8 vez maior. No sexo masculino, a obesidade, mas não o sobrepeso, é mais comum que nos controles46. Estudo de revisão concluiu que pacientes com TAB podem demonstrar taxas aumentadas de obesidade abdominal, apresentando, assim, maior risco de doença cardiovascular e diabetes47. A farmacoterapia tem impacto importante nesses indivíduos, especialmente nos que são tratados com antipsicóticos e estabilizadores de humor.

Em estudo realizado com 171 pacientes que se inscreveram no Bipolar Disorder Center da Pensilvânia, entre os anos de 2003 e 2004, os autores observaram que 39% apresentavam hipertensão, 30% eram portadores de síndrome metabólica de acordo com o critério do NCEP ATP III (National Cholesterol Education Program Expert Panel on Detection, Evaluation and Treatment of High Blood Cholesterol in Adults), 49% tinham obesidade abdominal, 41% manifestavam hipertrigliceridemia e 23% tinham HDL baixo48. Nesse mesmo estudo observou-se que pacientes com síndrome metabólica tinham maior probabilidade de reportar história de tentativa de suicídio.

Em outro estudo recente, em que dados demográficos, físicos e psiquiátricos de 25.339 pacientes com TAB e de 113.698 controles foram extraídos do Danish Psychiatric Central Research Register, do Danish National Patient Registry, do Danish Civil Registration System e do Danish Causes of Death Registry, verificou-se que a hipertensão em portadores de TAB apresentava razão da taxa de incidência (RTI) de 1,2749.

Cassidy et al.50 reportaram que a prevalência de diabetes mellitus (DM) nos pacientes com TAB hospitalizados era aproximadamente três vezes a da média populacional. Além de a DM estar associada a altos índices de morbidade e mortalidade com conseqüências graves, tais como hiperglicemia associada a cetoacidose diabética e síndrome hiperosmolar não-cetônica e a longo prazo a cegueira, doença cardiovascular, nefropatias, amputação de membros, prejuízo cognitivo e neuropatias autonômicas51,52, a DM também tem implicações clínicas no curso do TAB. Os portadores de TAB com DM apresentam um curso do TAB mais grave e desfechos piores53.

Várias publicações associaram antipsicóticos atípicos a diabetes emergente do tratamento; entre eles, os mais freqüentemente associados são a clozapina e a olanzapina54.

Fatores de risco cardíacos em pacientes com transtorno afetivo bipolar

Como visto anteriormente, os pacientes com TAB apresentam vários fatores de risco cardíacos, acarretando maior mortalidade por doenças cardiovasculares que a população em geral55.

De acordo com um artigo de revisão publicado por Newcomer56, há crescente número de evidências de que os pacientes com transtorno bipolar e esquizofrenia apresentem prevalência aumentada de fatores de risco modificáveis, oferecendo, assim, uma explicação para a aumentada mortalidade cardiovascular nessa população e também uma oportunidade de prevenção.

Pacientes com TAB também têm risco aumentado de infecções virais crônicas, das quais as mais graves são as doenças associadas ao vírus de imunodeficiência humano (HIV) e ao vírus da hepatite C (HCV). A prevalência da hepatite C é mais comum no grupo com TAB que na população geral, como foi observado em estudo feito no Veteran Affairs de Pittsburgh (5,9% vs. 1,1%, respectivamente; p < 0,0001)57. A prevalência da infecção por HIV também foi mais comum no grupo com TAB que na população geral, como se observou no mesmo estudo (0,8% vs. 0,5%, respectivamente; p < 0,0066).

Segundo Perretta et al.58, os traços de comportamento de risco impulsivo pré-mórbido associado aos temperamentos ciclotímicos e hipertímicos podem ter importante papel no uso de agulhas compartilhadas e de sexo desprotegido, causando infecção.

Qualidade de vida, utilização de recursos de saúde e custos envolvidos

Levando em consideração os dados expostos, não é difícil concluir que a qualidade de vida desses pacientes sofra grande impacto. Os pacientes com TAB têm escore significativamente mais baixo na SF-36, quando comparados com a população geral59. Segundo Vojta et al.60, a mania e a hipomania parecem ser síndromes caracterizadas por sensação de bem-estar e qualidade de vida reduzidas, em vez de aumentadas. Além disso, os sintomas depressivos parecem ser o determinante primário de qualidade de vida no TAB, embora outros fatores possam estar associados à depressão e à qualidade de vida reduzida no TAB. Tal achado também foi encontrado por Calabrese et al.61, que verificaram que os sintomas depressivos eram mais freqüentes que os maníacos e causaram maior distúrbio de funcionamento social, familiar e ocupacional. Esse fato também foi averiguado em estudo recente do STEP-BD, no qual os sintomas depressivos foram importante fator preditivo de pior qualidade de vida62.

O impacto do TAB no funcionamento social, ocupacional e familiar também foi examinado em nosso meio, em trabalho realizado por Moreno e Andrade4, no qual foi possível observar que o número de separações, divórcios, problemas acadêmicos e ocupacionais, acidentes e outras doenças clínicas são mais comuns entre os indivíduos acometidos da doença. A conseqüência de tal fato é que indivíduos com TAB tipo 1 procuram duas vezes mais serviços médicos gerais no atendimento primário por qualquer razão, e cinco vezes mais serviços mentais que os controles.

Em estudo realizado por Bryant-Comstock et al.63, os autores verificaram que pacientes com TAB utilizaram 3 a 4 vezes os recursos de atendimento à saúde, em comparação com o grupo de indivíduos sem a doença, durante o período de um ano (US$ 7.663 vs. US$ 1.962). Hospitalizações foram responsáveis pela grande diferença entre os grupos, tendo sido o recurso mais caro (US$ 2.779 vs. US$ 398). Pacientes com depressão bipolar tiveram os custos mais altos de atendimento à saúde.

Em outro estudo realizado por Begley et al.64, o custo ao longo da vida de indivíduos com TAB em 1998 foi estimado em 24 bilhões de dólares. A média do custo por caso variou de US$ 11.720 para indivíduos com um único episódio maníaco a US$ 624.785 para indivíduos não responsivos ou em estado crônico. A maior parte dos custos diretos resultou de gastos médicos excessivos (49%), seguido por custos de cuidados de saúde mental (46%) e custos de tratamento de álcool e drogas (5%).

Dados computadorizados de prescrições e diagnósticos de pacientes ambulatoriais e hospitalizados de um grande plano de saúde nos Estados Unidos foram utilizados para identificar pacientes que recebiam tratamento para ciclotimia, TAB ou transtorno esquizoafetivo. Três grupos selecionados foram pareados por idade e sexo e comparados, consistindo em pacientes gerais ambulatoriais, pacientes tratados para depressão e pacientes tratados para diabetes. A utilização de serviços de saúde e custos para os quatro grupos foi avaliada por um período de 6 meses. A média total de custos para os pacientes com TAB foi significativamente maior que em qualquer outro grupo (média ± DP: US$ 3.416 ± US$ 6.862). Cuidados de saúde mental especializados e serviços de abuso de substâncias contribuíram para 45% do total de custos no TAB (média ± DP: US$ 1.566 ± US$ 3.243), em comparação com 10% no grupo de pacientes com depressão. Entre os pacientes com TAB, 5% tiveram aproximadamente 40% dos custos de serviços especializados de saúde mental e de abuso de substâncias, 90% dos custos de hospitalização especializada em saúde mental e abuso de substâncias e 95% dos custos pagos pelo próprio paciente relacionados à hospitalização65.

Além de toda a problemática descrita, indivíduos com TAB não aderem ao tratamento. A característica do TAB com insight pobre, por exemplo, pode reforçar o impacto da falta de adesão, com taxas de 20% a 60%66-69.

Mais de um terço da população com TAB abandona sua medicação duas ou mais vezes, sem consultar seu psiquiatra, e um em cada dez pacientes com TAB considera parar a medicação alguma vez na sua vida67.

Além disso, pelo menos um terço dos pacientes com TAB falham em tomar mais de 70% da medicação prescrita68. A baixa adesão pode ser a principal causa de recaídas nesses pacientes.

Svarstad et al.70 reportaram que 33% dos indivíduos com TAB foram usuários irregulares de medicação. As taxas de hospitalização foram de 73% para os que foram usuários irregulares, comparados com 31% para os regulares. A média de duração de hospitalização foi mais longa (37 dias) para os usuários irregulares e de 4 dias para os regulares, acarretando diferenças significativas nos custos hospitalares de US$ 9.701 nos usuários irregulares, comparados com US$ 1.657 nos regulares.

Além disso, como comentado, o erro e a demora em se fazer o diagnóstico acabam trazendo conseqüências econômicas importantes. Em estudo realizado por Birnbaum et al.7, observou-se que, dos 9.009 pacientes tratados para depressão com antidepressivos, havia 8.393 pacientes que não eram bipolares (93,1%), 293 pacientes com TAB (3,3%) e 333 pacientes não reconhecidos como bipolares (3,7%). Pacientes que não eram reconhecidos como bipolares incorreram em custos médios mensais significativamente maiores (US$ 1.179) (p < 0,05) nos 12 meses após início do tratamento com antidepressivo, comparados com pacientes reconhecidos como bipolares (US$ 801) e pacientes não bipolares (US$ 585). Os custos indiretos mensais foram significativamente maiores nos pacientes não reconhecidos como bipolares (US$ 570) (p < 0,05) e reconhecidos como bipolares (US$ 514), comparados aos não bipolares, nos 12 meses seguintes ao início do antidepressivo.

As comorbidades físicas e mentais apresentadas anteriormente também são responsáveis pela grande utilização de recursos de altos custos dos pacientes com TAB. Os custos para uma coorte de pacientes com TAB foram significativamente maiores quando comparados aos de pacientes não bipolares para 6 das 17 categorias diagnósticas importantes avaliadas no estudo71.

Pacientes bipolares com diabetes têm custos médicos médios mais altos quando comparados aos que não têm diabetes (US$ 7.956 vs. US$ 3.553), portanto, o cuidado ao se optar por tratamentos efetivos que não aumentem o risco de diabetes é fundamental para a contenção dos custos72.

Além de todos os custos diretos apresentados, os custos indiretos, apesar de avaliação mais difícil, devem também ser considerados. São projetados em 44% dos custos totais ao longo da vida73. Wyatt e Henter74 mostraram uma perda em salários da monta de US$ 12.230 milhões (32,5% de custos indiretos). Clark75 estimou gastos de US$ 9.703 em suporte anual do cuidador na família e de US$ 13.891 em serviços profissionais de cuidadores. E o suicídio parece ser responsável por perda de rendimentos futuros de 6,2% a 20,8%74,76.

 

Discussão

O atraso e o erro no diagnóstico do TAB contribuem para o aumento dos custos e carga da doença. Evidências mostram que a prevalência de TAB é maior do que se pensava, graças ao maior registro de casos leves. Alta taxa de comorbidades, tentativas de suicídio e busca de serviços médicos mostra, entretanto, que esses casos contribuem consideravelmente para os custos sociais do TAB.

Os indivíduos com TAB apresentam mais fatores de risco cardiovascular e, conseqüentemente, maior risco de morte por evento cardíaco. Esses fatores devem ser pesados pelos clínicos em suas decisões terapêuticas, evitando tratamentos que podem piorar fatores de risco modificáveis, como a obesidade.

A escassez de estudos farmacoeconômicos, conduzidos tanto em nosso meio como internacionalmente, dificulta uma revisão sistemática sobre os custos da doença, por isso o objetivo desta revisão é despertar maior interesse por esse importante tópico e, ao mesmo tempo, oferecer dados de importância prática tanto para clínicos como para gestores.

Comentários finais

O TAB é uma das grandes causas de incapacidade, tanto para homens como para mulheres, mundialmente. Os indivíduos com TAB apresentam maior risco de suicídio, alta prevalência de comorbidades mentais e físicas e maior presença de fatores de risco cardiovascular. As comorbidades, o risco de suicídio, o prejuízo social/profissional e a baixa adesão ao tratamento contribuem para a alta carga e os custos associados à doença. O TAB está associado a altas taxas de recorrência e recaída; por isso, a informação de condições gerais médicas pode ajudar os médicos a ajustarem suas estratégias de tratamento, considerando cuidadosamente todos os fatores de carga e custos associados, fatores estes que devem ser considerados também pelos profissionais que trabalham com gestão de saúde, tanto no setor privado quanto no público.

 

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Endereço para correspondência:
Anna Maria Niccolai Costa
Rua Samia Haddad, 150 - ap. 142
05709-050 - São Paulo, SP
E-mail: annamariac@globo.com

Recebido: 16/10/2007
Aceito: 18/12/2007

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