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Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo)

Print version ISSN 0101-6083On-line version ISSN 1806-938X

Rev. psiquiatr. clín. vol.35 no.4 São Paulo  2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-60832008000400004 

REVISÃO DE LITERATURA

 

Prevalência da depressão gestacional e fatores associados

 

Prevalence of gestacional depression and associated factors

 

 

Priscila Krauss PereiraI; Giovanni Marcos LovisiII

IMestranda do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ)
IIProfessor do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva da UFRJ e da Universidade Federal do Estado do Rio de Janeiro (UNIRIO)

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

CONTEXTO: Depressão é um transtorno mental comum durante a gravidez, associado com diversos fatores de risco. Estudos revelaram relação entre depressão gestacional e efeitos deletérios no desenvolvimento do bebê.
OBJETIVOS: Revisar a prevalência e os fatores de risco para a depressão durante a gravidez.
MÉTODOS: A revisão bibliográfica considerou o período de 1997 a 2007 (Medline, Lilacs e Scielo), usando os descritores: "depression during pregnancy" OU "gestational depression" OU "antenatal depression" E "prevalence" E "risk factors".
RESULTADOS: A prevalência de depressão durante a gravidez nos países em desenvolvimento, incluindo o Brasil, foi mais alta que nos países desenvolvidos, respectivamente, 20% e 15%. Apesar de ser uma importante questão de saúde pública, há poucos estudos sobre o tema no Brasil. Os principais fatores de risco foram: história anterior de depressão, dificuldades financeiras, baixa escolaridade, desemprego, ausência de suporte social, dependência de substâncias e violência doméstica.
CONCLUSÕES: As implicações da nossa revisão para a prática clínica consistem em enfatizar a necessidade de avaliação da depressão e a investigação de vários fatores de risco como parte do cuidado pré-natal por parte de obstetras e outros profissionais da saúde. Além disso, intervenções psicossociais e políticas sociais necessitam ser implementadas nessa população.

Palavras-chave: Depressão, gravidez, prevalência, fatores de risco.


ABSTRACT

BACKGROUND: Depression is a common mental disorder during pregnancy and is associated with several risk factors. Studies have reported an association between gestational depression and deleterious effects to the development of the infant.
OBJECTIVES: To review the prevalence and risk factors for depression during pregnancy.
METHODS: The keywords: "depression during pregnancy" OR "gestational depression" OR "antenatal depression" AND "prevalence" AND "risk factors" were used to search for articles published between 1997 and 2007 in the Medline, Lilacs and Scielo databases.
RESULTS: The prevalence of depression during pregnancy in developing countries, including Brazil, was higher than in developed countries, respectively 20% and 15%. Despite being an important public health issue, there are few studies about this subject in Brazil. The main risk factors were: previous history of depression, financial difficulties, low level of education, unemployment, poor social support, substance dependence and domestic violence.
DISCUSSION: We emphasize the importance of the screening for depression in the context of antenatal care. Obstetricians and other related health care providers must be aware of the various risks factors for depression during pregnancy. In addition, psychosocial interventions and social policies need to be implemented in this population.

Key-words: Depression, pregnancy, prevalence, risk factors.


 

 

Introdução

Ao contrário do que se imagina, o período de gestação nem sempre é marcado por alegrias e realizações. Muitas mulheres experimentam tristeza ou ansiedade nessa fase de suas vidas. A gestação e o puerpério são períodos da vida da mulher que envolvem inúmeras alterações físicas, hormonais, psíquicas e de inserção social, as quais podem refletir diretamente em sua saúde mental1. As mudanças provocadas pela vinda do bebê não se restringem apenas às variáveis psicológicas e bioquímicas, mas também envolvem fatores socioeconômicos, principalmente nas sociedades em que a mulher está inserida no mercado de trabalho, participando do orçamento familiar e cultivando interesses profissionais e sociais diversos2.

A literatura científica indica que o período gravídico-puerperal é a fase de maior prevalência de transtornos mentais na mulher, principalmente no primeiro e no terceiro trimestre de gestação e nos primeiros 30 dias de puerpério3. A intensidade das alterações psíquicas dependerá de fatores orgânicos, familiares, conjugais, sociais, culturais e da personalidade da gestante4. Cerca de um quinto das mulheres no período gestacional e no puerpério apresenta depressão5. Cabe ressaltar que a maioria dessas mulheres não é diagnosticada e tratada adequadamente6.

A depressão é o transtorno mental de maior prevalência durante a gravidez e o período puerperal7 e está associada a fatores de risco, como antecedentes psiquiátricos, dificuldades financeiras, baixa escolaridade, gestação na adolescência, falta de suporte social, eventos estressores e história de violência doméstica. Evidências demonstram que, além de a depressão pré-natal ser mais freqüente, ela é o principal fator de risco para depressão pós-natal, sendo esta, muitas vezes, uma continuação da depressão iniciada na gestação8-17.

Entretanto, a literatura atual sugere que a depressão pré-natal possa estar sendo negligenciada, havendo poucas pesquisas científicas sobre o assunto, mesmo existindo um consenso de que os fatores que afetam o binômio materno-fetal tenham suas origens no período pré-concepcional. Embora a maioria dos estudos seja focada na depressão pós-parto, a depressão durante a gravidez pode ser considerada questão importante para o campo da saúde pública, visto que constitui um forte fator de risco à depressão pós-natal, apontando para a necessidade de intervenções antes do nascimento do bebê, além das novas evidências de que a depressão gestacional possa causar baixo peso ao nascer, prematuridade e afetar o desenvolvimento da criança18,19.

A crença de que as emoções da gestante possam afetar a saúde do bebê é muito antiga, mas somente nas últimas décadas despertou o interesse científico18-27. Sabe-se que o ambiente nutricional, hormonal, metabólico, psicológico e social, vivenciado pela mãe durante a gestação, tem relação com a saúde do recém-nato. A mulher deprimida no período gestacional, em razão dos sintomas depressivos, apresenta menor preocupação com seu estado de saúde, ocasionando, muitas vezes, não-adesão ao pré-natal, além de maior consumo de álcool, tabaco e outras drogas, pessimismo, insônia, falta de apetite, acarretando diminuição da quantidade e qualidade da ingesta alimentar. Além disso, há também um mecanismo biológico, mediador da associação entre o estresse psicossocial materno e o baixo crescimento fetal, já que na mulher com depressão há aumento do cortisol, o que pode levar à prematuridade e ao baixo peso ao nascer28,29.

O nascimento pré-termo e o baixo peso ao nascer são as principais causas de morbi-mortalidade infantil nos países em desenvolvimento. Quadros depressivos não tratados durante a gravidez tendem a diminuir a freqüência nas consultas pré-natais, o que tem sido fortemente associado à mortalidade neonatal30. Estudos realizados em países desenvolvidos fornecem, ainda, evidências de que a depressão materna esteja associada a problemas emocionais, cognitivos e comportamentais de longa duração em crianças31-33.

O objetivo desta revisão é analisar os recentes achados sobre a prevalência da depressão gestacional e os fatores a ela associados, encontrados nos mais diversos estudos, desenvolvidos em diferentes contextos socioeconômicos, visando melhor compreender a dimensão global do fenômeno em questão.

 

Métodos

O presente trabalho consistiu em uma revisão da literatura a respeito dos principais estudos epidemiológicos sobre a prevalência da depressão durante o período gestacional e os fatores de risco relacionados. Para tanto, foram consultadas as bases Medline, Lilacs e Scielo (usando o Bireme), para as publicações em inglês, espanhol e português dos últimos dez anos (de 1997 a julho de 2007), já que estudos anteriores a esse período focavam principalmente a depressão pós-parto. Foram utilizados os seguintes descritores em inglês: "depression during pregnancy" OU "gestational depression" OU "antenatal depression" E "prevalence" E "risk factors". Também foram revisadas as referências bibliográficas dos principais artigos encontrados e livros especializados.

 

Resultados

Os estudos encontrados foram divididos em duas categorias: estudos de países desenvolvidos (Quadro 1) e estudos de países em desenvolvimento, incluindo os estudos nacionais (Quadro 2). Essa divisão foi feita com o objetivo de observar possíveis variações na prevalência da depressão na gravidez e fatores associados, já que há evidências de que a situação econômica desfavorável seja um importante fator de risco ao desenvolvimento de transtornos mentais menores, entre eles a depressão, inclusive durante a gravidez34.

A seleção dos principais estudos, realizados tanto em países desenvolvidos quanto em desenvolvimento, permitiu a análise das variações nas taxas de freqüência da depressão e os fatores relacionados encontrados nos diferentes estudos, além dos principais métodos e instrumentos utilizados na coleta dos dados.

Estudos sobre a prevalência de depressão gestacional em países desenvolvidos

A prevalência de depressão gestacional encontrada nas pesquisas provenientes de países desenvolvidos variou bastante, oscilando de 5% a 30%. Poucos encontraram prevalências abaixo de 10%, sendo mais freqüentes taxas em torno de 10% e 15%. Entre os fatores de risco levantados, estão precedentes psiquiátricos, uso de substâncias, atitude negativa ante a gravidez, falta de suporte social, eventos de vida estressantes e conflitos conjugais (Quadro 1). Esses fatores foram avaliados por meio de entrevistas e questionários não padronizados e algumas escalas, entre elas a35, 36, 37, - IMS38, 39, SSS40, SSQ41 e TWEAK42, esta última usada para mensurar o uso problemático de álcool e o risco de beber durante a gravidez.

Entre os instrumentos utilizados para avaliação da depressão gestacional, mais da metade das pesquisas usou a Edinburgh Postnatal Depression Scale (EPDS)46, que é autopreenchível e avalia a intensidade de sintomas depressivos no período pós-parto, tendo sido validada também para uso durante a gravidez47-49. Entrevistas diagnósticas padronizadas também foram utilizadas, entre elas a (CIS-R)50, a (MINI)51 e a (SCID)52, baseadas em critérios diagnósticos do DSM-III-R e do DSM-IV53,54. Outros instrumentos foram utilizados, como 55 e 56, esta última elaborada pelo National Institute of Mental Health para acessar sintomas depressivos a partir de 20 perguntas autopreenchíveis. O Inventário Beck de Depressão (BDI)57, inventário autopreenchível que mensura a gravidade de sintomas depressivos, assim como a Escala Hospitalar de Ansiedade e Depressão (HAD)58, foram menos usados nesses estudos.

A maioria dos estudos apresentou desenho longitudinal. Grande parte dessas pesquisas foi desenvolvida nos Estados Unidos, na Inglaterra, no Canadá e na Suécia. O tamanho das amostras utilizadas variou bastante. No entanto, muitos estudos utilizaram amostras relativamente grandes, com mais de 1.000 mulheres, e em apenas três estudos foram encontradas amostras com menos de 100 mulheres. Com relação ao local de pesquisa, serviços pré-natais e maternidades foram os mais escolhidos, embora alguns poucos tenham sido realizados na residência das entrevistadas, geralmente por meio de questionários autopreenchíveis enviados por correspondência.

Estudos nacionais e de países em desenvolvimento sobre a prevalência da depressão gestacional

As taxas de prevalência da depressão durante a gravidez encontradas nos estudos de países em desenvolvimento, incluindo os estudos nacionais, estiveram, em sua maioria, por volta de 20%. Entre os fatores de risco encontrados, grande parte deles estava associada à pobreza, como, por exemplo, baixa renda, desemprego, dificuldades financeiras e baixa escolaridade. Ser solteira ou divorciada, ter história de violência, antecedentes psiquiátricos, eventos estressantes e carência de suporte social também foram associados à depressão gestacional (Quadro 2). Para a avaliação desses fatores, a maioria dos estudos utilizou questionários e entrevistas não padronizadas; apenas algumas escalas foram usadas, como 59, para avaliar o suporte social recebido, e o 60, para eventos estressantes durante a gravidez e o puerpério.

Para avaliação da depressão, quase todas as pesquisas encontradas nos países em desenvolvimento utilizaram a EPDS46, e em algumas a confirmação dos casos positivos nessa escala foi feita por meio de entrevistas padronizadas, como a MINI51, que visa o diagnóstico de transtornos mentais do eixo 1 de acordo com os critérios do DSM-IV54, e o (GHQ)63, questionário multidimensional autopreenchível que avalia a presença de transtornos mentais comuns. Em contrapartida, nos estudos nacionais foram mais utilizadas escalas como o BDI57 e a HAD58 e entrevistas diagnósticas como o (CIDI)64, instrumento padronizado da Organização Mundial da Saúde (OMS), a CIS-R50 e o Questionário de Morbidade Psiquiátrica (QMPA)65, que investiga sintomas psiquiátricos atuais.

Estudos com desenho longitudinal foram mais freqüentes nos outros países em desenvolvimento em comparação com as pesquisas nacionais, onde predominou o tipo de estudo seccional. A maioria dos estudos nacionais foi realizada em São Paulo; apenas dois dos estudos encontrados são do Rio de Janeiro. O tamanho amostral dos estudos esteve entre 100 e 1.000 mulheres; apenas algumas poucas pesquisas utilizaram amostras abaixo de 100. Serviços pré-natais e maternidades foram os locais de pesquisa mais freqüentes, tendo somente um estudo nacional sido realizado em residências.

 

Discussão

De modo geral, a média da prevalência de depressão gestacional encontrada em países de baixa renda, inclusive no Brasil, foi de aproximadamente 20%, já nos países desenvolvidos esteve em torno de 10% e 15%, embora alguns estudos encontrassem prevalências semelhantes às dos países em desenvolvimento. Tal fato evidencia a relevância desse transtorno para a saúde pública mundial, visto que uma prevalência de 15% a 20% é significativamente alta e que sua variação parece estar associada a fatores encontrados em contextos menos favorecidos, como pobreza, violência, baixa escolaridade, entre outros34.

Prevalências acima dessa média foram encontradas apenas em alguns poucos estudos, nos quais as amostras eram relativamente pequenas (abaixo de 100) e não randomizadas17,47,66,67. Valores um pouco mais baixos de prevalência da depressão gestacional são encontrados quando se utilizam entrevistas diagnósticas padronizadas, seguindo critérios mais rígidos de diagnóstico do CID-1068 ou DSM-IV54, em comparação com os estudos que utilizaram inventários ou escalas de sintomatologia, como o BDI57 e a HAD,58 visto que a freqüência de sintomas depressivos tende a ser maior do que a prevalência do transtorno na população.

Assim, a prevalência da depressão durante a gravidez, encontrada na maioria dos estudos analisados, é de cerca de 20%4,5,8,11,16,48,66,69-73. Essa prevalência parece ser mais alta no terceiro trimestre de gravidez e relativamente maior nos países de baixa renda. Também tende a aumentar em casos de gravidez de alto risco11,47. Evidências revelam que os sintomas de depressão são tão ou mais comuns e graves durante a gravidez do que no período pós-parto9,74, sendo mais raros casos de suicídio72.

A freqüência de depressão tende a ser mais alta entre as grávidas adolescentes do que em gestantes adultas. A depressão é um transtorno mental freqüente na adolescência, sendo a gravidez um importante fator de risco para o seu desenvolvimento nessa fase da vida. Um estudo revelou que sintomas de ansiedade e depressão são mais freqüentes em adolescentes primigestas em comparação com as adolescentes não grávidas75. Além disso, a gravidez nessa idade está associada a significativos riscos obstétricos e psicossociais, tanto para a mãe quanto para o bebê. Outro estudo, realizado em Campinas, São Paulo, estimou a prevalência de depressão, ansiedade e ideação suicida em adolescentes grávidas72. Os resultados encontrados foram 20,8% de depressão, 23,3% de casos de ansiedade e 16,7% de ideação suicida. Os autores destacam, ainda, que, do total de partos, um quarto é em adolescentes de 10 a 19 anos, sendo a gravidez a primeira causa de internações nessa população, e a segunda correspondente a causas externas, entre elas a tentativa de suicídio.

Uma pesquisa sobre a prevalência da depressão antenatal entre as mulheres chinesas encontrou freqüência de 6,4% de depressão durante a gravidez, menor que a média encontrada em pesquisas nas sociedades ocidentais76. A incidência da depressão gestacional no Japão foi estudada em outra pesquisa que também revelou taxas abaixo do verificado nas mulheres ocidentais, correspondendo a cerca de 5,6%77. Da mesma forma, outro estudo revelou uma prevalência de depressão entre as mulheres maltesas abaixo da média da literatura, de aproximadamente 3,9%78. A explicação para tal fato, destacada nesses estudos, seriam os aspectos culturais específicos desses contextos, nos quais se verifica a presença de forte suporte social oferecido às mulheres durante a gravidez78. Entretanto, na China há também uma tradição de que a mulher grávida deve abster-se de comportamentos e emoções não saudáveis, o que pode favorecer o sub-relato dos sintomas depressivos76.

Vale destacar a falta de estudos sobre incidência da depressão durante a gravidez, já que a maioria é voltada para medidas de prevalência. Apenas um estudo de incidência foi encontrado77. A importância desse tipo de estudo está na identificação de casos novos, que realmente têm início durante o período estudado e que não são, por esse motivo, casos preexistentes, podendo ser verdadeiramente denominados casos de depressão gestacional.

Com relação aos instrumentos utilizados para o diagnóstico de depressão, a maioria dos autores usou a EPDS46 com a finalidade de detectar sintomas depressivos também no período gestacional. Outros utilizaram o Inventário Beckde Depressão - BDI,57 a HAD58, entre outros instrumentos que avaliam apenas a sintomatologia e não fornecem o diagnóstico de depressão. Para esse fim, existem entrevistas diagnósticas padronizadas, mas que não foram tão utilizadas nos estudos revisados, como a CIDI64, a MINI51, a CIS-R50, e a entrevista clínica diagnóstica baseada no DSM-IV54, SCID52.

A maioria dos estudos revisados utilizou instrumentos que forneciam apenas a sintomatologia e não o diagnóstico de depressão4,5,14,16,17,48,66,67,69,70,74,75,79-81 . Cabe ressaltar que vários desses instrumentos são autopreenchíveis, não sendo muito apropriados para contextos em que há baixa escolaridade da população, como no caso dos países em desenvolvimento.

Entre os fatores de risco para o surgimento de quadros depressivos durante a gestação, destacaram-se: antecedentes psiquiátricos, principalmente história pregressa de depressão; fatores relacionados à pobreza, como baixa renda, dificuldades financeiras, baixa escolaridade, desemprego; ausência de suporte social, familiar ou marital, instabilidade nos relacionamentos; eventos de vida estressantes; gravidez não desejada; dependência de álcool, tabaco e outras drogas; e história de violência doméstica. Grande parte das pesquisas encontra todos esses fatores inter-relacionados, em maior ou menor grau, na gênese da depressão durante a gravidez. De modo geral, os fatores de risco associados à depressão gestacional encontrados nos estudos de países em desenvolvimento foram os mesmos encontrados nos países desenvolvidos, com exceção de alguns fatores associados a contextos economicamente desfavoráveis, como baixa escolaridade, desemprego, dificuldades financeiras e violência, que, obviamente, foram predominantes nos estudos em países de baixa renda.

Nas últimas décadas, os estudos epidemiológicos têm contribuído de forma significativa para melhor compreensão dos elos entre fatores do ambiente social e a origem e o curso dos transtornos mentais. Grande parte da produção acadêmica está voltada para o papel dos chamados eventos de vida produtores de estresse (stressful life events) como fatores de risco para ansiedade e depressão82. Eventos estressantes dizem respeito a mudanças na vida que exigem um reajuste, como, por exemplo, morte de um ente querido, conflitos conjugais, perda do emprego, ter sido vítima de assalto. Pesquisas recentes demonstraram a relação entre esses eventos e o desenvolvimento de sintomas depressivos durante a gravidez8,11,67,70,79. O estresse parece estar relacionado à presença de humor deprimido e ansiedade durante a gravidez17.

O suporte social recebido antes e durante a gestação, principalmente o oferecido pelo cônjuge, parece ser determinante para o bem-estar mental da gestante, visto que sua ausência tem sido associada à manifestação de sintomas depressivos na gravidez67,72,78,83-87. A percepção do suporte social recebido pelo marido está relacionada, inclusive, à prevalência de depressão após o parto88. Além disso, problemas no relacionamento conjugal também parecem estar associados à prevalência da depressão durante a gestação8,78,81. Mulheres solteiras ou divorciadas estão entre as que apresentam mais sintomas depressivos nesse período5,11,13,69,72,78,83.

Outro fator que tem impacto direto na saúde materna e da criança e que vem se mostrando crucial no aparecimento de sintomas depressivos durante a gravidez é a violência contra a mulher, seja ela cometida pelo cônjuge, por um familiar, ou mesmo por um desconhecido. Embora não se restrinja a áreas pobres, é nesses ambientes que se encontram as mais altas taxas de violência. No entanto, pobreza e violência são fatores de risco independentes para a depressão gestacional, sugerindo que estratégias preventivas de saúde mental materna devam incluir políticas que visem diminuir a violência e que ofereçam auxílios financeiros às grávidas. A violência doméstica contra a mulher durante a gravidez, sobretudo a cometida pelo parceiro íntimo, tem impactos adversos na saúde mental materna, especialmente no desenvolvimento de transtorno depressivo durante a gravidez11,73,89-93.

Dificuldades financeiras, desemprego e baixa escolaridade também se destacam como fatores de risco à depressão10,69,73,94,95, sendo o nível mais alto de escolaridade um fator de proteção73. A atitude negativa perante a gravidez, muitas vezes indesejada, também apresenta forte relação com a presença de sintomas depressivos durante o período de gestação8,77.

Entre os fatores de risco freqüentemente associados à depressão no período gravídico-puerperal, o que é mais destacado pela maioria dos estudos analisados foram os antecedentes psiquiátricos, principalmente história anterior de depressão10,71,73,78,84,96,97. Entre as mulheres que desenvolvem depressão durante a gravidez, grande parte apresenta precedentes de episódios depressivos10,98. Além disso, problemas com o uso de álcool, tabaco e outras drogas parecem estar relacionados com uma maior freqüência de sintomas emocionais, ansiedade e depressão, na gravidez66,71,80,99.

Para abordar os preditores da depressão, os estudos revisados utilizaram escalas como a 35 e o ,60 para verificar a presença de eventos estressantes; o SSQ,41 para avaliar o suporte social recebido; IMS38 e (AAS)100, para medir a satisfação e a freqüência e tipo de violência sofrida no relacionamento conjugal, respectivamente; e o (SASSI)101, para informações sobre o consumo de álcool e outras drogas, entre diversos outros. No entanto, grande parte dos estudos utilizou apenas perguntas ou questionários não padronizados para avaliar os fatores de risco associados à depressão.

Vários estudos longitudinais estimaram a prevalência da depressão tanto durante a gravidez quanto no puerpério5,8-10,13,14,16,17,67,70,73,74,77-79,81,84 . Em todos esses estudos encontraram-se, para a depressão pré-natal, valores maiores que os achados para a depressão pós-parto, com exceção de apenas um estudo, no qual o valor superou o da depressão gestacional73. Segundo os autores, aspectos culturais da Índia podem estar envolvidos, já que há uma desvalorização quanto ao nascimento de meninas naquele país, sendo o descontentamento com o gênero da criança um forte fator de risco, principalmente após o nascimento, aumentando em três vezes a probabilidade de depressão entre as mães.

Logo, a prevalência da depressão no pós-parto costuma ser menor do que na gravidez, estando geralmente abaixo de 15%10,14,16,67,74,77-79,81,84. O curso da depressão perinatal apresenta uma tendência decrescente na intensidade de seus sintomas do período de gestação para o período após o nascimento do bebê70,84. Além disso, um estudo revelou que, dos 8,7% de casos prevalentes no período pós-natal, apenas 3,9% eram incidentes, ou seja, haviam sido iniciados nesse período e, por essa razão, poderiam ser chamados, de fato, como casos de depressão pós-parto, já que os 4,8% restantes correspondiam aos casos remanescentes do período gestacional78.

 

Conclusão

A maioria dos estudos sobre prevalência de depressão gestacional foi realizada em países desenvolvidos, havendo poucos estudos nos países em desenvolvimento, o que dificulta a aplicação dos achados aos contextos específicos desses países. Em grande parte dos estudos encontraram-se prevalências de depressão gestacional em torno de 20%. Entre os fatores de risco associados à depressão nessa fase da vida, observaram-se com mais freqüência: antecedentes psiquiátricos, principalmente história anterior de depressão; fatores relacionados à pobreza, como baixa renda, dificuldades financeiras, baixa escolaridade, desemprego; carência de suporte social, familiar ou marital, instabilidade nos relacionamentos; eventos de vida estressantes; gravidez não desejada; dependência de álcool, tabaco e outras drogas; e história de violência doméstica.

No Brasil, o número de estudos publicados sobre o assunto ainda é ínfimo, sendo a prevalência também em torno de 20% e os fatores associados, semelhantes aos encontrados nos demais estudos de países em desenvolvimento. Considerando a realidade de saúde pública nacional, o cuidado pré-natal pode ser o único contato que uma mulher em idade reprodutiva tenha com os serviços de saúde, tornando-se crucial para intervenções direcionadas à promoção da saúde da mulher como um todo102. Além disso, o êxito de programas de assistência ao desenvolvimento infantil também parece depender do bem-estar mental das mães23, destacando a necessidade de integração da assistência em saúde mental ao acompanhamento pré-natal. Mesmo para a prevenção da depressão pós-natal, o alvo deve ser o período pré-natal73. Além disso, as evidências de que a depressão durante a gravidez esteja associada aos indicadores de pobreza, sobretudo ao desemprego e à baixa escolaridade, levantam a importância de políticas públicas e programas na área social que invistam em educação e na geração de empregos.

Assim, a depressão, problema de saúde pública mundial, líder entre as causas de anos de vida vividos com alguma incapacidade (YDL) e que atinge cerca de 154 milhões de pessoas no mundo todo, sendo duas vezes mais comum em mulheres (5% a 9%) do que em homens (2% a 3%)103, somada a um outro problema de saúde pública em países de baixa renda como o Brasil, o alto número de gravidezes, principalmente em adolescentes, e às repercussões negativas da depressão materna na saúde do recém-nascido, tornam a questão da depressão gestacional central no desenvolvimento de políticas públicas de saúde materno-infantil.

 

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Endereço para correspondência:
Priscila Krauss Pereira
Rua Alexandre Rosa, 14
21930-160 - Rio de Janeiro, RJ
E-mail: priscilakrauss@ig.com.br

Recebido: 30/10/2007
Aceito: 23/11/2007

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