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Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo)

Print version ISSN 0101-6083On-line version ISSN 1806-938X

Rev. psiquiatr. clín. vol.35  suppl.1 São Paulo  2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-60832008000700003 

ARTIGO ORIGINAL

 

Avaliação das atitudes dos estudantes de medicina frente ao abuso de drogas por colegas do meio acadêmico

 

Evaluation of medical students' attitudes towards drug abuse by colleagues in the academic environment

 

 

Elisa Maria de MesquitaI; Alice Jaruche NunesI; Cláudio CohenII

IAcadêmica do Curso de Medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP)
IIProfessor associado do Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho da FMUSP; presidente da Comissão de Bioética do HC-FMUSP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

CONTEXTO: A prevalência do uso de drogas tem aumentado entre os jovens universitários, trazendo preocupação adicional aos estudantes de medicina que irão se deparar com as conseqüências desse problema durante o período de formação e na prática clínica.
OBJETIVOS: Avaliar as atitudes dos estudantes de medicina diante do abuso de drogas por colegas do meio acadêmico, comparando-as quanto às diferentes drogas envolvidas (ilícitas, lícitas e exclusivamente álcool).
MÉTODOS: Três versões de um questionário de auto-administração, aprovado pela Comissão de Ética para Análise de Projetos de Pesquisa, foram distribuídas em igual número para diferentes grupos de estudantes de medicina da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), sendo o enfoque de cada um deles as drogas lícitas, as ilícitas e o álcool.
RESULTADOS: Os resultados mostraram que existe diferença na atitude intervencionista dos estudantes diante do abuso de diferentes drogas. Também houve diferença ao considerarem a participação dos colegas, familiares e profissionais na abordagem do problema e quanto ao plano de tratamento nos casos de abuso.
CONCLUSÕES: Os estudantes são mais tolerantes e consideram-se menos vulneráveis ao abuso do álcool, e, portanto, os prejuízos podem não ser percebidos até que haja uma disfuncionalidade incapacitante no campo pessoal e profissional.

Palavras-chave: Estudantes de medicina, abuso de drogas, ética.


ABSTRACT

BACKGROUND: The prevalence of drug use among young college students is increasing. This gives cause for special concern to medical students who will later confront the consequences of the drug problems both in the classroom as well as in clinical practice.
OBJECTIVES: The purpose of this paper is the evaluation of medical students ' attitudes towards drug abuse in the academic environment; comparing these with respect to different kinds of drugs – illegal, legal, and alcohol exclusively.
METHODS: Three different versions of a self-completed questionnaire (approved by the Ethics Committee for Research Project Evaluation) were ministered to groups of equal numbers of medical students attending the University of Sao Paulo, School of Medicine – FMUSP (Brazil). Each questionnaire focused on illegal drugs, legal drugs, and alcohol.
RESULTS: The results indicated a significant difference in the students ' attitudes regarding intervention for the different types of drug abuse. There was also indication of a difference in the students ' opinions regarding the roles that colleagues, relatives, and health professionals undertake in dealing with these issues, including the respective treatment plans for drug abuse.
CONCLUSIONS: Medical students tend to be more tolerant of alcohol consumption, considering themselves to be less vulnerable to alcohol abuse. Therefore, harmful consequences may not be apparent until an incapacitating level of dysfunction affects the individual on both a personal and professional level.

Key-words: Medical students, drug abuse, ethics.


 

 

Introdução

Contexto

A prevalência do uso de drogas entre os jovens tem aumentado cada vez mais, no Brasil e no mundo (Galduroz et al., 2004; Marques e Cruz, 2000). Esse aumento reflete-se, por exemplo, no meio universitário (Andrade et al., 1997a), trazendo uma preocupação adicional quanto aos estudantes de medicina, que têm a sua formação voltada para a promoção da saúde e, futuramente, serão os responsáveis pela propagação de informações relacionadas aos efeitos das drogas e à dependência química (Gomes, 1996).

Na tentativa de elucidar alguns dos fatores associados ao uso de drogas pelos universitários, observou-se que a prevalência de uso é maior entre os que não possuem uma religião e cujo rendimento familiar é mais alto (Silva et al., 2006).

Quanto às conseqüências da disseminação das drogas no meio acadêmico, algumas estatísticas sugerem que o prejuízo pessoal é maior entre os estudantes que consomem drogas alucinógenas, maconha, solventes e cocaína do que entre aqueles que consomem somente álcool (Cousineau, 1995).

Entretanto, o álcool continua sendo a droga mais consumida entre os jovens, incluindo os estudantes de medicina. A idade de início de uso é cada vez menor, aumentando o risco de dependência no futuro (Pechansky et al., 2004). O uso de álcool está associado a uma série de comportamentos de risco, envolvimento em acidentes e ocorrências violentas, dificuldade de aprendizado, prejuízo no desenvolvimento e estruturação das habilidades cognitivo-comportamentais e emocionais (Pillon et al., 2005). No uso agudo, o álcool tende a comprometer a atenção, a memória, as funções executivas e visuoespaciais. Já no uso crônico altera a memória, o controle dos impulsos, a aprendizagem, a análise e a síntese visuoespacial, a velocidade psicomotora, as funções executivas, a tomada de decisões e pode causar transtornos persistentes de memória e demência alcoólica (Cunha e Novaes, 2004; Newbury-Birch et al., 2000).

Portanto, as atitudes dos estudantes de medicina perante as drogas podem interferir significativamente com o uso dessas substâncias na vida. O maior acesso a medicamentos de uso controlado, a vulnerabilidade psicológica desses estudantes e as situações estressantes às quais estão submetidos podem torná-los mais permissivos ao abuso de drogas (Nogueira-Martins, 2003). Além disso, a percepção sobre a melhora dos pacientes alcoolistas e usuários de outras drogas e o tipo de vínculo com esses pacientes estão relacionados ao uso de álcool na vida (Andrade et al., 1997b).

As drogas e o meio acadêmico

A escola médica é o local onde ocorre a capacitação técnica para o exercício da Medicina e, também, o entendimento do papel social do médico como profissional e cidadão (Kipper e Loch, 2002).

No entanto, nem sempre as habilidades almejadas durante a formação médica estão suficientemente estruturadas diante das situações de grande conflito. O despreparo da maior parte dos estudantes leva à necessidade de orientação e de esclarecimento perante as dificuldades vivenciadas no ambiente acadêmico e hospitalar. Além disso, diversos fatores ligados à rotina dos futuros médicos potencializam o problema:

- Carga horária excessiva de estudo e plantões que favorecem a fadiga e o estresse;

- Falta de tempo para lazer, família, amigos, necessidades pessoais;

- O contato íntimo e freqüente com a dor e o sofrimento;

- Sentimento de solidão, baixa auto-estima, insegurança;

- Confrontar-se com as incertezas e limitações da medicina diante das expectativas dos pacientes de certezas e garantias;

- Imaturidade do estudante de medicina que vive uma "adolescência tardia";

- Maior facilidade de acesso às drogas, entre outros (Nogueira-Martins, 2003).

A fragilização provocada por essas vivências pode desencadear uma conduta desfavorável em situações de conflito (Taquette et al., 2005).

Evidências na literatura mostram que uma parcela da classe médica e dos estudantes de medicina representa um grupo de risco para desenvolvimento de alguns distúrbios psiquiátricos, como a depressão, o suicídio e o uso de drogas (Millan et al., 1999; Nogueira-Martins 1989/1990; Lutsky et al., 1994).

Um estudo prospectivo analisou a infância de 47 médicos (homens), comparada à infância de 79 profissionais não-médicos (homens), de mesmo nível socioeconômico. Ao longo de 30 anos da vida adulta, o uso de drogas foi comparado com o grupo controle (não-médicos). Os resultados revelaram que os médicos, especialmente aqueles com prática clínica, usavam drogas e álcool de forma abusiva em proporção maior do que os controles. O mesmo estudo relata que os médicos apresentaram características de personalidade que são habitualmente relacionadas àquelas encontradas em dependentes de drogas: dependência, pessimismo, passividade, insegurança e sentimentos de inferioridade (Vaillant et al., 1972).

Em 1991, um estudo sobre o uso de drogas por estudantes de 23 escolas médicas norte-americanas constatou que o uso de álcool, tranqüilizantes e psicodélicos, excluindo o LSD, foi maior entre estudantes de medicina do que em outros jovens da mesma faixa etária (Baldwin et al., 1991). No Brasil, estudos similares realizados pelo Grupo de Estudos de Álcool e Drogas (GREA), entre 1991 e 1993, mostraram que o uso de álcool e tranqüilizantes entre estudantes de medicina foi maior do que entre universitários brasileiros. Em relação ao tipo de substância utilizada pelos alunos da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP), os resultados indicam a prevalência em ordem decrescente das seguintes substâncias: álcool (85,5%), tabaco (19,8%), maconha (15,2%), solventes (13,3%) e tranqüilizantes (7,5%). Os autores sugerem ainda que o uso de tranqüilizantes e álcool é maior entre estudantes dos últimos anos do curso (Andrade et al., 1995; Mesquita et al., 1995).

Estudantes e sociedade perante as drogas

Na sociedade, o conhecimento sobre as diferentes drogas sofre influência legal, cultural e econômica, modulando, portanto, a aceitação do uso (Gureje et al., 1996).

Alguns estudos mostraram que estudantes mais jovens tendem a supervalorizar os riscos oferecidos pelas drogas ilícitas como a heroína, em relação aos riscos das drogas lícitas (Donnelly et al., 1992). Ademais, a maior aceitação dos usuários de álcool pelo meio universitário, diferente do que se verifica para outras drogas, acompanha o padrão observado na sociedade em geral (Trice e Beyer, 1997).

Já o estudante de medicina entra em contato com as informações sobre os riscos das drogas, mecanismos de ação e desenvolvimento de dependência durante sua formação. Sendo assim, assume-se que o conhecimento adquirido dimensione de forma consistente os efeitos do abuso e da dependência das diversas drogas. Entretanto, isso nem sempre ocorre e, como conseqüência, uma porcentagem significativa dos estudantes sente-se menos compelida a ajudar pacientes com problemas relacionados ao uso de drogas, além de considerar a autoprescrição de fármacos psicoativos uma prática responsável (Cape et al., 2006).

Como, muitas vezes, as ferramentas para lidar com um repertório cotidiano difícil e desafiador não são ideais, a problemática em relação às drogas tende a ser negligenciada. Contudo, adotar uma conduta eticamente favorável é especialmente relevante para o estudante de medicina, que aprende a ter a defesa da vida como valor primordial (Kipper e Loch, 2002).

Objetivos

O estudo teve dois objetivos principais:

- Avaliar as atitudes dos estudantes de medicina diante do abuso de drogas por colegas do meio acadêmico;

- Comparar a percepção dos entrevistados para as diferentes drogas envolvidas (licitas, ilícitas e exclusivamente álcool).

 

Método

A pesquisa foi realizada por meio de questionários de auto-administração, distribuídos aos estudantes de medicina da FMUSP, do primeiro ao sexto ano.

Três versões do mesmo questionário foram distribuídas em igual número, sendo o enfoque de cada uma delas as drogas lícitas, as ilícitas ou o álcool isoladamente (separado da categoria geral das drogas lícitas).

O questionário, aprovado pela Comissão de Ética para Análise de Projetos de Pesquisa do HC-FMUSP, simula uma situação conflituosa na qual um estudante sabe que outro usa drogas de maneira abusiva.

O uso de drogas é classificado em vários níveis de acordo com a freqüência, quantidade de drogas consumidas e grau de prejuízo físico e mental que estas causam para o indivíduo. O Projeto enfoca o abuso de drogas definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como um padrão mal-adaptado de uso, indicado por: uso contínuo apesar da existência conhecida de problemas sociais, ocupacionais, psicológicos ou físicos, persistentes ou recorrentes, que são causados ou exacerbados pelo uso recorrente em situações nas quais é fisicamente prejudicial (DSM IV TR, 1994)..

O questionário é composto por sete perguntas objetivas. Os estudantes foram informados que as drogas lícitas são as que possuem anuência do Estado para serem comercializadas e consumidas e que algumas dessas drogas com indicações medicamentosas são vendidas de forma controlada, com receitas especiais. Já as drogas ilícitas não podem ser consumidas e comercializadas.

As perguntas 1, 2 e 3 avaliaram as atitudes dos estudantes perante um caso de dependência de drogas em seu meio.

A pergunta 4 referia-se à solução tida como a mais apropriada para um caso de abuso. A pergunta 5 avaliou a influência de valores morais que pudessem conduzir o indivíduo diante da situação. A questão 6 avaliou se os estudantes se consideram grupo de risco para abuso de drogas e desenvolvimento de dependência química. A pergunta 7 buscou avaliar se a influência do meio médico-acadêmico, da família, de fatores genéticos e/ou traços de personalidade eram considerados fatores associados ao abuso de álcool e outras drogas, podendo desencadear dependência.

 

Resultados

Foram abordados 806 alunos entre 1.080 e 557 (69,10%) responderam à pesquisa. Entre estes, 232 (28,78%) sobre as drogas lícitas, 170 (21,09%) sobre o álcool, e 155 (19,23%) sobre as drogas ilícitas. Foi utilizado o teste do qui-quadrado no tratamento dos dados.

Diante dos casos de abuso de álcool, os estudantes tendem a interferir de alguma forma, o mesmo não ocorrendo para os casos de drogas lícitas e ilícitas como mostrado na figura 1 (p = 0,006).

 

 

Além disso, a participação dos colegas e dos familiares na abordagem do problema foi considerada mais apropriada perante o abuso de álcool e drogas lícitas do que perante as drogas ilícitas (p = 0,007 e p = 0,010, respectivamente).

Em contrapartida, a atuação de profissionais especializados em prestar serviço de apoio psicológico foi mais expressiva como forma de interferência entre os respondentes para as drogas ilícitas em relação aos outros dois grupos avaliados (p = 0,047).

A rotina estressante dos estudantes foi tida como o principal fator associado ao desenvolvimento de dependência de qualquer droga. A ocorrência de casos de dependência entre familiares foi apontada como fator mais associado ao desenvolvimento da dependência de álcool do que de outras drogas (p = 0,012).

Quanto à solução tida como mais adequada, o tratamento concomitante às atividades acadêmicas também se destacou nos casos de abuso de álcool e drogas lícitas, em relação às drogas ilícitas (p = 0,019).

O afastamento das atividades acadêmicas com retorno após recuperação foi uma alternativa mais expressiva diante dos casos de abuso de drogas ilícitas em relação às lícitas, como mostrado na figura 2 (p = 0,006).

 

 

Além disso, os estudantes se consideram grupo de risco mais para o desenvolvimento de dependência de outras drogas do que do álcool (p = 0,038).

 

Discussão

Atitudes diante do abuso de drogas por colegas do meio acadêmico

Nos casos de abuso de álcool, os estudantes sentem-se impelidos a interferir de alguma forma, consideram a participação dos colegas e dos familiares apropriada e a ocorrência de casos de dependência entre parentes próximos como fator causal importante e também admitem que o tratamento pode ocorrer paralelamente às atividades acadêmicas. Além disso, consideram-se grupo de risco para a dependência de álcool, mas não com a mesma expressividade verificada para as outras drogas.

Quanto ao abuso de drogas ilícitas, os estudantes tendem a não interferir, consideram apropriada a atuação de profissionais de apoio psicológico e apropriado o afastamento das atividades durante o tratamento, quando comparado com as drogas lícitas e o álcool.

Diante das drogas lícitas ora o padrão de respostas seguiu a mesma tendência observada para o álcool e ora aquela observada para as drogas ilícitas. Esses resultados podem estar relacionados à informação de que as drogas de uso controlado fazem parte do grupo de drogas lícitas. Portanto, nos casos de abuso, essas drogas são, geralmente, obtidas de maneira ilegal.

Os resultados sugerem que há tolerância perante o abuso de álcool em relação às drogas ilícitas em virtude da possível percepção alterada dos riscos deste. Como os estudantes sentem-se menos vulneráveis ao abuso do álcool, os prejuízos decorrentes do abuso podem não ser percebidos até que haja uma disfuncionalidade incapacitante no campo pessoal e profissional. Estar vulnerável é ter a percepção e o comportamento passíveis de serem deteriorados diante das vivências de estresse (Yunes e Szymanski, 2001). Em ambientes com maior prevalência de uso de drogas, os estudantes estão vulneráveis a essa deterioração (Szalay et al., 1996). Dessa forma, verifica-se que a percepção distorcida em relação às drogas deve ser observada no plano social, pragmático e individual, pois a vulnerabilidade não é algo inerente a pessoas ou grupos, mas advém de condições e circunstâncias que podem ser amenizadas e até mesmo revertidas (Ayres, 1996; Paulilo e Jolás, 2000).

Algumas universidades têm abordado o problema mediante programas preventivos de esclarecimento ao longo do curso médico, treinamento para que os estudantes aprendam a lidar com a questão do abuso e dependência de drogas, e, ainda, educação continuada para dar suporte à prática clínica no futuro (Gopalan et al., 1992; Rankin, 1990). Na FMUSP, o Grupo de Apoio Psicológico ao Aluno (Grapal) tem atuado com os alunos desde 1986 na redução da prevalência de diversas psicopatologias (Vaillant et al., 1972).

Entretanto, ainda faltam ações de prevenção e fiscalização do consumo e da propaganda do álcool também na sociedade, o que contribui para a manutenção do problema.

Deve-se considerar que não houve aleatorização da amostra estudada. Os estudantes foram abordados durante Teste do Progresso Unificado. Essa forma de seleção escolhida para evitar dispersão e viabilizar a pesquisa pode ter gerado viés de seleção.

 

Conclusão

Conclui-se que as informações quanto aos riscos do álcool não são incorporadas com eficácia pelos estudantes de medicina ou permanecem sob a influência de fatores como a propaganda industrial e a aceitabilidade sociocultural. Isso, provavelmente, corrobora o fato de que essa droga continua sendo a mais utilizada entre eles, altera a percepção dos estudantes diante dos casos de abuso e a forma como interagem com o problema, pois tendem a ser mais tolerantes, além de se considerarem menos vulneráveis ao álcool.

 

Agradecimento

Este trabalho foi desenvolvido com auxílio do Programa Cremesp de Bolsas para Estudantes de Medicina na Área de Ética Médica.

 

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Endereço para correspondência:
Elisa Maria de Mesquita
Rua Cardeal Arcoverde, 388, apto 21
Pinheiros – 05408-000 – São Paulo, SP
Tel.: (55 11) 3062-9548
E-mail: elisamesquita@yahoo.com.br

Recebido: 26/09/2007
Aceito: 20/02/2008

 

 

Instituição: Departamento de Medicina Legal, Ética Médica e Medicina Social e do Trabalho da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Rua Teodoro Sampaio, 115 – Pinheiros – 05405-000 – São Paulo, SP, Brasil

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