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Revista de Psiquiatria Clínica

Print version ISSN 0101-6083

Rev. psiquiatr. clín. vol.35  suppl.1 São Paulo  2008

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-60832008000700008 

REVISÃO DA LITERATURA

 

Epidemiologia do beber pesado e beber pesado episódico no Brasil: uma revisão sistemática da literatura

 

Epidemiology of heavy drinking and heavy episodic drinking in Brazil: a systematic review of literature

 

 

Camila Magalhães SilveiraI; Clóvis Castanho SilveiraII; Janaina Guzzardi da SilvaIII; Lígia Magalhães SilveiraIII; Arthur Guerra de AndradeIV; Laura Helena Silveira Guerra de AndradeV

IMédica psiquiatra. Doutoranda em Psiquiatria pela Universidade de São Paulo. Médica pesquisadora do Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica (NEP – LIM 23) do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (IPq-HC-FMUSP)
IIAcadêmico do HC-FMUSP
IIIAcadêmica da Faculdade de Psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie
IVProfessor-associado do Departamento de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP); professor titular da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC)
VMédica psiquiatra. Coordenadora do Núcleo de Epidemiologia Psiquiátrica (NEP – LIM 23) do IPq-HC-FMUSP

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

CONTEXTO: O beber pesado episódico (BPE) tem sido fortemente associado a danos e a uma carga social consideráveis.
OBJETIVOS: Este estudo tem como finalidade avaliar o panorama brasileiro a partir de aspectos sociodemográficos, fatores individuais e sociais relacionados ao beber pesado.
MÉTODOS: A busca de artigos científicos foi realizada com base em um programa de computador nos principais bancos de dados científicos.
RESULTADOS: Os homens beberam pesado mais freqüentemente que as mulheres. O beber pesado episódico foi mais prevalente em adolescentes e adultos jovens, e a prevalência tende a diminuir com o aumento da idade. As condições socioeconômicas parecem ter um efeito sobre o beber pesado. O início precoce do beber pesado esteve associado com história de dependência do álcool na vida adulta. O beber pesado episódico esteve associado ao uso concomitante de outras substâncias psicoativas. Os fatores de risco para BPE incluíram atividades sociais e disponibilidade de dinheiro. A pressão dos pares mostrou influenciar mais do que o suporte parental especialmente no final de adolescência. O BP também variou de acordo com a cultura, com mais episódios de BP no Sul em comparação com o Norte do País.
CONCLUSÕES: Uma variedade de aspectos sociodemográficos e individuais associados ao beber pesado foi identificada. Porém, o conhecimento nessa área ainda é muito limitado. Mais pesquisas no Brasil são urgentemente necessárias visto que os resultados provenientes de outras culturas não podem ser generalizados.

Palavras-chave: Álcool, beber pesado episódico, beber pesado, população geral, Brasil.


ABSTRACT

BACKGROUND: Heavy episodic drinking has been shown to be closely associated with considerable damage to and burden on society.
OBJECTIVES: This review aims to give an overview of the Brazilian reality based on socio-demographic aspects, considering individual and social factors related to heavy drinking.
METHODS: A computer-assisted search of relevant articles was conducted in the foremost scientific databases.
RESULTS: Males tended to heavy drinking more frequently than females. Heavy episodic drinking was most prevalent among adolescents and young adults, though this prevalence tended to level off as they age. Socioeconomic conditions appear to have an effect on heavy drinking. The early onset of heavy drinking has been associated with a history of alcohol dependency in the adult phase. Heavy episodic drinking coincided with other psychoactive substance usage. Motives for heavy drinking included both social activities as well as the availability of money. Peer pressure was one of the strongest influencing factors in binge drinking and seemed to outweigh parental influence, particularly from late adolescence onward. Heavy drinking also varied according to both the predominant adult and adolescent drinking culture, with more binge drinking in the southern areas of Brazil as compared with the northern and central regions.
CONCLUSIONS: A myriad of socio-demographical, individual, and social characteristics associated with heavy drinking have been identified. However, knowledge in these areas remain limited, as most research has been conducted on specific groups and situations, in particular, that of North American college students. More research in Brazil is urgently needed, as results from other cultural contexts should not be generalized.

Key-words: Alcohol, heavy episodic drinking, binge drinking, general population, Brazil.


 

 

Introdução

"Beber pesado episódico" (heavy episodic drinking) ou outros padrões de consumo do álcool como "beber pesado" (heavy drinking) ou "beber freqüente" (frequent drinking) expõem o bebedor a situações de risco, tais como danos à saúde física, sexo desprotegido, gravidez indesejada, infarto agudo do miocárdio, overdose alcoólica, quedas, violência (incluindo brigas, violência doméstica e homicídios), acidentes de trânsito, comportamento anti-social (p. ex., na família e trabalho) e dificuldades escolares, tanto em jovens como na população em geral (Brewer e Swahn, 2005; Naimi et al., 2003), aumentando os danos relacionados ao álcool (Wechsler e Nelson, 2001).

Na última década, o beber pesado episódico (BPE) entre estudantes de graduação tornou-se o maior problema de saúde pública em jovens residentes nos Estados Unidos. Aproximadamente metade dos estudantes de graduação norte-americanos refere ser "bebedor freqüente" e aproximadamente 60% desses bebedores, sem idade permitida por lei para beber, tiveram pelo menos um episódio de beber pesado episódico (em torno de cinco doses de bebida alcoólica em uma única ocasião) no último mês (Grunbaum et al., 2004). Entre os adultos norte-americanos, os dados também mostram-se preocupantes; da década de 1980 até o início de 2000, cerca de 30% dos bebedores freqüentes fizeram uso pesado e episódico do álcool no último mês (Serdula et al., 2004). Entre 1993 e 2001, o número de episódios de beber pesado (BP) aumentou em 29%, ou seja, de 1,2 bilhão para 1,5 bilhão (Naimi et al., 2003).

Países europeus e escandinavos apresentaram porcentagens ainda maiores de BPE, embora o conceito de BPE varie entre os estudos, ou seja, de quatro ou mais até dez ou mais doses de álcool consumidas de uma só vez. A diferença nos critérios utilizados pode explicar as variações nas taxas de prevalência, que vão de 92% na Ucrânia a 8,8% em Israel, para os homens, e de 38,6% na Suíça a 3% em Israel, para as mulheres (Wilsnack et al., 2000; Webb et al., 2005).

De acordo com um importante estudo realizado em escolas de 18 países europeus – European Schools Project on Alcohol and other Drugs, ESPAD –, ocorreu um aumento da prevalência de beber pesado episódico, particularmente entre adolescentes de 15 anos de idade entre 1995 e 1999 (Hibell et al., 2000).

O álcool, de modo geral, é responsável por 4% da perda total de anos vividos com incapacitação (disability-adjusted life years – DALYs), e a região da América Latina e Caribe compõe 9,7% dessa estimativa. O álcool também causa mais anos perdidos de vida, por mortes ou prejuízos de diversas naturezas, do que o tabaco e drogas ilícitas (WHO, 2004), gerando custos significativos para a maioria das sociedades em desenvolvimento (Rehm et al., 2006).

A maior parte das evidências científicas em padrões de consumo do álcool provém de pesquisas realizadas em países desenvolvidos e pouco se sabe sobre os países em desenvolvimento, onde a maioria da população mundial reside (WHO, 1999). No Brasil, o consumo per capita de álcool em 2004, incluindo o consumo não registrado, foi de 8,32 litros de álcool puro por adulto (WHO, 2004). Dados de um estudo populacional realizado entre estudantes do ensino fundamental e médio da rede pública de ensino em 27 capitais brasileiras (N= 48.155; faixa etária predominante entre 13 a 15 anos) revelaram que cerca de 11,7% dos entrevistados eram usuários freqüentes de álcool (definido como o uso de seis vezes ou mais no último mês) e que 6,7% faziam uso pesado do álcool (uso de 12 ou mais vezes de álcool nos últimos 30 dias), com predomínio de mulheres nesse padrão de beber (Galduróz et al., 2004).

Esse estudo tem a finalidade de identificar os principais estudos nacionais sobre "beber pesado" e "beber pesado episódico", assim como verificar os conceitos empregados e os principais achados relacionados a esses padrões de beber em nossa população. A identificação das características sociodemográficas, individuais e sociais associadas ao beber pesado é necessária para que sejam desenvolvidas estratégias eficazes para redução desses padrões de beber no Brasil.

 

Método

Definição dos termos beber pesado e beber pesado episódico

Beber pesado episódico (BPE), também considerado binge drinking por muitos autores (Kuntsche et al., 2004), é definido como o consumo de cinco ou mais doses de bebidas alcoólicas em uma única ocasião por homens, ou quatro ou mais doses de bebidas alcoólicas consumidas em uma única ocasião por mulheres, pelo menos uma vez nas últimas duas semanas (Wechsler et al., 1995). Uma dose de bebida alcoólica contém de 8 a 13 gramas de etanol. O critério de BPE do NIAAA (National Institute on Alcohol Abuse and Alcoholism, 2005) é semelhante e definido como o consumo de cinco ou mais doses de bebidas alcoólicas em uma única ocasião por homens ou quatro ou mais doses de bebidas alcoólicas consumidas em uma única ocasião por mulheres, sem levar em conta a freqüência desse padrão de consumo. A definição de BPE foi criada a partir de evidências científicas crescentes de que essas quantidades (5+/4+) aumentam o risco de o indivíduo apresentar problemas relacionados ao uso do álcool (Wechsler e Nelson, 2001).

Gmel et al. (2006) identificaram duas definições principais para o termo binge drinking: (a) a ocasião de beber que leva à intoxicação, freqüentemente medida como tendo mais que x número de doses de bebidas alcoólicas em uma única ocasião, e (b) um padrão de beber pesado que ocorre por um período estendido de tempo e relacionado a definições mais clínicas de abuso ou dependência (WHO, 1992). Neste artigo usamos a primeira definição para binge drinking ou beber pesado episódico como o termo tem sido atualmente indicado por importantes revistas científicas. BPE foi considerado como o consumo de cinco ou mais doses de bebidas alcoólicas para homens e quatro ou mais doses de bebidas alcoólicas para mulheres em uma única ocasião.

O padrão de consumo denominado "beber pesado" (BP) é definido pelo NIAAA como qualquer consumo de bebidas alcoólicas acima do considerado "uso moderado de álcool", que é o consumo de até duas doses de bebida alcoólica por dia para os homens e de até uma dose para mulheres. Beber pesado é, portanto, um conceito mais amplo, ou seja, que engloba o padrão "beber pesado episódico".

 

Procedimento da pesquisa

Foi realizada uma ampla pesquisa da literatura científica a partir de um programa de computador (EndNote-X Library) utilizando as palavras-chave binge drinking, heavy drinking, heavy episodic drinking, excessive drinking, drinking patterns, intoxication ou drunkenness e Brazil. As bases de dados pesquisadas foram PsycInfo, PubMed e Current Contents. Além dessas, foram realizadas pesquisas nas bases de dados Scielo e Bireme a fim de encontrar artigos publicados em português e cujas citações não são referenciadas nos maiores bancos de referências.

Foram excluídos da revisão artigos em animais, estudos puramente metodológicos, assim como artigos que predominantemente mostravam as conseqüências do beber pesado, como gravidez indesejada e acidente vascular cerebral.

Esta revisão pretende oferecer um panorama brasileiro do beber pesado, no entanto, podemos ter falhado em detectar alguns estudos em decorrência da grande variabilidade de definições para o conceito de beber pesado e beber pesado episódico.

 

Dados na população de estudantes dos ensinos fundamental e médio

O Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas(Cebrid) realizou quatro estudos com estudantes dos ensinos fundamental e médio em dez cidades brasileiras nos anos de 1987, 1989, 1993 e 1997. Ao longo dos anos estudados, observou-se aumento significativo quanto ao uso pesado (pelo menos 20 vezes no mês anterior à pesquisa), na maioria das cidades estudadas, mostrando uma tendência da juventude em beber com mais freqüência nos últimos anos. O uso pesado de álcool teve uma tendência a aumentar das classes sociais mais empobrecidas para as classes sociais mais elevadas (4,9% pertenciam à classe D; enquanto 19,8% pertenciam às classes A e B). Além disso, os usuários pesados de álcool relataram também já terem entrado em contato com outras drogas. Dados semelhantes foram encontrados no estudo realizado por Carlini-Marlatt et al. (2003), que comparou estudantes de escolas públicas com estudantes de escolas privadas. A prevalência de BPE foi maior (32,4%) em escolas privadas do que em escolas públicas (21,5%), onde o poder aquisitivo é bem menor. Tanto em escolas públicas quanto em escolas privadas a razão entre meninos e meninas foi de 1,5.

Os principais fatores de risco para o BPE em estudantes foram a disponibilidade de situações e encontros sociais; o trabalho e a não-religiosidade (Carlini-Marlatt et al., 2003; Soldera et al., 2004; Galduróz et al., 2004; Souza et al., 2005). Tais achados sugerem que a religiosidade diminui a exposição dos jovens ao álcool e o trabalho dá suporte financeiro para sair com os pares e para a compra de bebidas alcoólicas. Além desses, o atraso no desempenho escolar ou reprovação e situações familiares ou pessoais desfavoráveis também foram fatores de risco para beber pesado episódico, sugerindo que a vivência de conflitos expõe o jovem ao consumo pesado de álcool (Tavares et al., 2001; Soldera et al., 2004). O uso precoce do álcool, assim como demonstrado em estudos internacionais, é fator de risco para BPE e dependência na vida adulta (Silveira et al., 2007; Vieira et al., 2007; Kuntsche et al., 2004).

Os índices de uso pesado do álcool entre estudantes variaram de 6,7% em estudo realizado em 27 capitais brasileiras em uma amostra de 48.155 estudantes (Galduróz et al., 2004) para 32,4% em outro estudo realizado em escolas de São Paulo (Carlini-Marlatt et al., 2003), refletindo as diferenças das diversas regiões estudadas, amostragem e método empregado.

Assim como dados encontrados em estudos europeus, o beber pesado em estudantes esteve associado ao uso concomitante de drogas ilícitas (Kuntsche et al., 2004).

 

Dados na população de jovens universitários

Em 1994, 922 estudantes da Universidade Federal de Santa Maria (RS) foram entrevistados, dos quais 10% tiveram prevalência positiva para o CAGE (entrevista que mede o consumo problemático de álcool geralmente associado ao padrão "beber pesado" de consumo do álcool) (Saldanha et al., 1994). Estudo recente realizado em uma amostra de 165 estudantes universitários do Rio Grande do Sul relatou prevalência de aproximadamente 68% de BPE com predomínio semanal desse padrão de beber. Os prejuízos mais relatados pela amostra foram: a) perda do controle de beber e b) blackouts (Peuker et al., 2006).

 

Dados na população adulta

Estudos demonstraram que o beber pesado em adultos no Brasil é maior em homens e está associado ao início do uso do álcool antes dos 15 anos, baixa renda e baixo nível educacional, indivíduos não brancos e tabagistas pesados. O beber pesado em mulheres foi prevalente em todas as idades e naquelas não casadas (Moreira et al., 1996; Costa et al., 2004; Almeida-Filho et al., 2004; Primo e Stein, 2004; Silveira et al., 2007). No entanto, os principais estudos nacionais sobre beber pesado adotaram amostras e critérios variados (p. ex., consumo de mais de 30 g de álcool/dia; mais de 20 vezes de uso no último mês) para a definição desse padrão de beber, o que dificulta a comparação entre eles e estudos internacionais.

Bebedores pesados diferem dos bebedores não pesados na população geral tanto para sexo quanto para idade. Na maioria dos estudos brasileiros em que a diferença entre os gêneros foi estudada, mulheres foram mais abstêmias que os homens e a prevalência do "beber não pesado" entre os gêneros foi semelhante (Moreira et al., 1998; Laranjeira et al., 2007; Costa et al., 2004). Os estudos diferem quanto aos resultados do beber pesado, variando de 5,5% a 15,5% entre adultos da comunidade e 5,0% a 36,4% entre estudantes (Moreira et al., 1996; Carlini-Marlatt et al., 2003; Soldera et al., 2004). Além disso, os homens são mais propensos a beber nesse padrão, com uma razão de beber pesado entre homens e mulheres variando de 2/1 a 7/1 (Silveira et al., 2007; Carlini-Marlatt et al., 2003; Almeida-Filho et al., 2004). Esses dados talvez estejam relacionados às diferenças regionais, tais como normas sociais, religião, condições socioeconômicas, políticas de controle e outros fatores.

Algumas pesquisas revelam que condições socioeconômicas têm efeito no "beber pesado". Estudo realizado em Porto Alegre e outro realizado em todo o Estado do Rio Grande do Sul revelaram que o padrão beber pesado (mais de 30 g de álcool por ocasião) era mais comum entre indivíduos de baixo nível educacional e baixa renda (Moreira et al., 1996), ao contrário do estudo realizado em indivíduos residentes em Salvador, que revelou que indivíduos de elevado poder aquisitivo apresentam mais episódios de beber pesado episódico (Almeida-Filho et al., 2004).

A partir da revisão bibliográfica realizada podemos notar que os estudos sobre beber pesado e beber pesado episódico no Brasil ainda são discretos e, da mesma forma como ocorre no mundo, os critérios e as amostras estudadas são variados. Apesar da diferença de critérios adotados entre os estudos e a dificuldade de comparação entre eles, é interessante notar que há um consenso sobre os prejuízos e conseqüências negativas trazidos pelo uso pesado do álcool. Os bebedores pesados de álcool têm elevado risco individual para vários problemas relacionados ao álcool, como hipertensão, envolvimento em acidentes, dispepsia, dano hepático, distúrbio familiar e morte súbita por taquiarritmias, e tornam-se vítimas potenciais para assaltos, abuso sexual, atividade sexual não planejada e violência de modo geral.

 

Conclusões

Os achados desta pesquisa mostram que o BPE é um padrão de consumo do álcool comum em jovens e adultos brasileiros, o que tem implicações muito importantes em termos de saúde pública visto que esse padrão de beber está associado com riscos à saúde e a conseqüências sociais não só ao bebedor quanto àqueles que estão próximos a ele. Mesmo o beber pesado ocasional aumenta o risco de mortalidade por todas as causas (Rehm et al., 2006). Informações sobre a magnitude do problema e características epidemiológicas do beber pesado e BPE são essenciais para que sejam elaboradas intervenções capazes de atingir a população de maior risco. As políticas públicas de saúde devem implementar campanhas voltadas para os problemas decorrentes do uso do álcool, assim como propor ações preventivas.

 

Tabela 1

 

Referências

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Endereço para correspondência:
Camila Magalhães Silveira
Instituto de Psiquiatria da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo
Rua Dr. Ovídio Pires de Campos, 785, 3º andar, ala Norte
05403-010 – São Paulo, SP
Fone/Fax: (11) 3069-6976
E-mail: camilams@usp.br

Recebido: 26/09/2007
Aceito: 20/02/2008