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Archives of Clinical Psychiatry (São Paulo)

Print version ISSN 0101-6083

Rev. psiquiatr. clín. vol.39 no.1 São Paulo  2012

http://dx.doi.org/10.1590/S0101-60832012000100006 

REVISÃO DA LITERATURA

 

Dependência de jogos eletrônicos: a possibilidade de um novo diagnóstico psiquiátrico

 

Electronic games dependency: the possibility of a new psychiatric diagnosis

 

 

Igor Lins LemosI; Suely de Melo SantanaII

IMestrando em Psicologia da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE)
IIProfessora doutora da Universidade Católica de Pernambuco (Unicap)

Endereço para correspondência

 

 


RESUMO

CONTEXTO: A prática de jogos eletrônicos vem se desconectando do caráter meramente lúdico, podendo seu uso excessivo ser considerado um novo transtorno psiquiátrico.
OBJETIVO: Realizar uma revisão da literatura científica a respeito dessa possível dependência, abordando suas principais características, a prevalência em âmbito mundial e a possibilidade de comorbidades, e avaliar a existência de procedimentos de tratamento baseados na terapia cognitivo-comportamental.
MÉTODO: O estudo foi realizado nos bancos de dados da PubMed, BVS, Lilacs e SciELO, no período de 2001 a junho de 2011.
RESULTADOS: Não há consenso se a dependência de jogos eletrônicos pertence ao grupo do transtorno do controle dos impulsos ou de dependência química. É visto que a prevalência dessa dependência ao redor do mundo tem média de 3%, com predominância do sexo masculino. Foram encontradas comorbidades relacionadas à dependência de jogos eletrônicos. A terapia cognitivo-comportamental já é utilizada como possível tratamento, com resultados eficazes em curto prazo.
CONCLUSÃO: Apesar de a dependência de jogos eletrônicos ainda não possuir um diagnóstico específico, esse novo fenômeno deve ser discutido e aprofundado na literatura científica, buscando-se, paralelamente, um modelo eficiente de tratamento psicoterapêutico e farmacológico.

Palavras-chave: Dependência de internet, dependência de videogames, terapia cognitivo-comportamental.


ABSTRACT

BACKGROUND: The practice of electronic games has been disconnected from a merely playful character, as its excessive use may be considered as a new psychiatric disorder.
OBJECTIVE: To accomplish a review of the scientific literature concerning this possible dependence, addressing its main characteristics, worldwide prevalence and the possibility of comorbidities, and to evaluate the existence of treatment procedures based on cognitive behavioral therapy.
METHOD: The research was conducted for articles published between 2001 and June 2011, using the PubMed, BVS, Lilacs and SciELO databases.
RESULTS: There is no consensus whether the electronic game dependence is affiliated with the impulse control disorder group or chemical dependence. But it is known that the worldwide prevalence of this dependence has an average of 3%, with male predominance, and that there exist comorbidities of electronic game and chemical dependence. The cognitive behavioral therapy is already used as a possible treatment with effective short-term results.
DISCUSSION: Despite dependence on electronic games is not considered as a specific diagnosis, this new phenomenon should be discussed and deepened in the scientific literature, seeking, in parallel, an efficient model of psychotherapeutic and pharmacological treatment.

Keywords: Internet addiction, video game dependency, cognitive behavioral therapy.


 

 

Introdução

Os jogos eletrônicos são caracterizados como uma das formas contemporâneas de desdobramento da cibernética, indústria essa em franca ascensão1. As novas tecnologias e sua notável disseminação acabam por atingir toda a sociedade, de forma direta ou indireta, principalmente as crianças, adolescentes e jovens adultos2. Tal evolução revela uma abrangência na utilização de jogos eletrônicos e estimativas sugerem que cada vez mais pessoas utilizem produtos tecnológicos nos próximos anos3. Concomitantemente, os jogos eletrônicos possibilitam um tipo de intimidade com as máquinas jamais imaginada décadas atrás. Esse movimento caracteriza a cultura do computador nascente, representando, assim, uma nova era4. Os jogos eletrônicos, de caráter on-line ou off-line, podem ser considerados um modelo de mídia comum no século XXI e, com o seu fascínio quase hipnótico, são vistos como o poder dominador da tecnologia5.

Particularmente no Brasil, estudos voltados para o campo dos jogos eletrônicos atrelado aos aspectos da psicopatologia ainda são raros. A maioria quase absoluta de artigos em periódicos nacionais apresenta análises do mundo virtual focalizadas na área da comunicação, educação e informática, em detrimento de uma leitura na área da psiquiatria. Mesmo estudos realizados partindo de um ramo epistemológico voltado aos efeitos da utilização desses artefatos nas interações sociais e no psiquismo apresentam suas controvérsias6,7.

Além das funcionalidades presentes nas novas tecnologias e da possibilidade de imersão em um território virtual por meio dos jogos eletrônicos, característica antes considerada pertencente ao universo lúdico, tem-se observado frequentemente o viés nocivo dessa prática, representada pelo uso patológico de tais artefatos, sugerindo-se, com isso, uma necessidade de atenção voltada a essa nova demanda. É comentado no campo acadêmico que o uso excessivo de internet e de jogos eletrônicos pode se tratar de novos transtornos psiquiátricos8-14. Países como os Estados Unidos, a Austrália e outros da Europa e Ásia vêm incentivando pesquisas nessa área, relatando a existência de uma parcela significativa da população jovem e adulta que apresenta características de uso problemático desses novos recursos eletrônicos, o que vem chamando atenção significativa da mídia15.

Apesar de a proposta do presente artigo estar voltada à dependência de jogos eletrônicos, a literatura científica apresenta um material visivelmente superior de artigos e livros voltados à dependência de internet, que entrou no dicionário médico apenas em 199516. Contudo, a maioria dos jogos eletrônicos contemporâneos utiliza-se da internet (jogos on-line). Com isso, pode-se relacionar a dependência de internet, neste artigo, para ilustrar diversos tópicos da dependência de jogos eletrônicos. Tem-se considerado que tais dependências possam estar ligadas aos transtornos do controle dos impulsos e às chamadas dependências comportamentais. Contudo, em comparação com os estudos já feitos diante de outras psicopatologias em relação a essas, pouco foi realizado17. O que existe de pesquisas nessa área está vinculado principalmente ao jogo patológico, sendo secundário o estudo dos dependentes de internet e ainda mais raro o de dependentes de jogos eletrônicos, seja de característica on-line ou não18.

O usufruto de jogos eletrônicos, vinculado à psicopatologia, pode ser considerado um comportamento desadaptativo quando são apresentados sinais de excesso na utilização de tais tecnologias. Isso ocorre quando o comportamento aditivo afeta o sujeito de forma que ele se encontre incapaz de controlar a frequência e o tempo diante de um comportamento que anteriormente era considerado inofensivo19.

É visto que esse modelo tem sido estudado sob o prisma dos comportamentos aditivos, pertencente ao espectro do transtorno do controle dos impulsos20, tal como o jogo patológico. Porém, o uso excessivo de jogos eletrônicos e internet vem demonstrando similaridades com características de outro grupo, o de dependência química21-24. Isso se deve, principalmente, ao fato de as áreas do cérebro que respondem aos estímulos de jogos eletrônicos serem similares às áreas de pacientes dependentes de substâncias25. É relatado que o uso excessivo desses jogos aumenta a atividade cerebral, particularmente no córtex pré-frontal, semelhante à fase de fissura dos dependentes químicos. Indo mais além, resultados já mostram que usuários dependentes de jogos eletrônicos sofrem alteração no neurotransmissor dopamina e diminuição em hemoglobinas oxigenadas26,27. Com a diminuição dopaminérgica, as reações diante de experiências de sensibilização e reações emocionais e de recompensa são alteradas28.

A dependência de jogos eletrônicos e de internet pode ser vista por meio de uma etiologia multifatorial e multidimensional29, pelo fato de o portador apresentar tanto um distúrbio mental como comportamental. Além disso, possui como pano de fundo a biologia, especialmente características genéticas30, e a vulnerabilidade mental. Contudo, tais dependências não possuem denominações oficiais e ainda não são classificadas como psicopatologias, suspeitando-se, por poucos pesquisadores, ser então uma consequência de outros transtornos psiquiátricos31. Porém, há uma pressão por parte de profissionais da área da saúde para o reconhecimento desses fenômenos como transtornos psiquiátricos32.

Um elemento relevante a ser mencionado se refere à ocorrência de comorbidades nos usuários patológicos de jogos eletrônicos e internet. Há um número crescente de pacientes dependentes associados a depressão33-35, suicídio36-38, transtorno de ansiedade social39, transtorno de ansiedade generalizada40, transtorno obsessivo-compulsivo41 e transtorno de déficit de atenção e hiperatividade (TDAH)42-45. Os pesquisadores acreditam na possibilidade de que os usuários dependentes e com depressão utilizem a tecnologia para aliviar os sintomas depressivos, tendo, por isso, maior chance de serem acometidos por uma dependência tecnológica do que pessoas que não apresentem depressão46,47.

Usuários com a autoestima comprometida também podem estar com maior risco de desenvolver tais dependências48. Isso pode ser devido ao fato de a internet (e jogos on-line com possibilidade de conversação) possibilitar oportunidades de comunicação com menor risco de rejeição comparado aos encontros face a face, implicando um possível efeito potencializador no desenvolvimento e manutenção da psicopatologia. Vale salientar que o tempo gasto na internet para aqueles que apresentam dependência normalmente é utilizado para sites de relacionamentos ou programas de bate-papo49, contudo não é incomum que eles também utilizem a internet para os jogos eletrônicos em rede.

Usuários dependentes de jogos eletrônicos podem apresentar sintomas que são relatados em poucas pesquisas, como a fuga do self50 devida à imersão em um mundo virtual, caracterizando uma rota de fuga da realidade, priorizando relações on-line. Ainda tratando sobre os aspectos cognitivos, é vista também menor eficiência no processamento de informações nos sujeitos dependentes de jogos eletrônicos e internet51. Por fim, já é proposto que a dependência de jogos eletrônicos pode estar ligada a traços de personalidade52-55, o que pode auxiliar na compreensão de comorbidades ou predisposições ao desenvolvimento dessas psicopatologias.

O objetivo deste artigo foi realizar uma revisão da literatura científica a respeito da dependência de jogos eletrônicos e, paralelamente, da dependência de internet, que pode oferecer subsídios para a primeira psicopatologia. Foram abordadas as principais características da dependência de jogos eletrônicos, a prevalência ao redor do mundo e a possibilidade de comorbidades, e avaliada a existência de procedimentos de tratamento baseados na terapia cognitivo-comportamental.

 

Métodos

Foi realizada uma revisão da literatura em bancos de dados da PubMed, BVS, Lilacs e SciELO. Os artigos estão compreendidos entre os anos de 2001 e junho de 2011. Os descritores de assuntos utilizados nas bases de dados em inglês foram: "internet addiction disorder", "cognitive behavioral therapy" e "video game dependency". O uso de descritores simultâneos reduziu significativamente os resultados da pesquisa e, com isso, deu-se preferência à seleção por descritores individuais. Na ausência de descritores específicos (Medical Subject Headings - MeSH), foi optado por utilizar termos próximos aos tópicos de interesse na pesquisa. Na base de dados em português, foram pesquisados os termos: "terapia cognitivo-comportamental", "dependência de internet" e "dependência de videogames".

A revisão incluiu artigos com resumo e/ou corpo textual publicados em inglês e/ou português. Essa primeira opção nos permitiu abranger artigos em outras línguas, comumente o alemão e o chinês. Foram desconsiderados artigos que não apresentaram resumos nos bancos de dados ou que não possuíssem tópicos relevantes ao objetivo do presente artigo. Foi alcançado um total de 858 artigos com a busca nas distintas bases de dados, contudo foram aproveitados apenas 87 artigos.

 

Resultados

A base de dados da PubMed apresentou o maior número de artigos para a presente revisão da literatura, totalizando um número de 79. A BVS apresentou um achado de 34 artigos, contudo 29 deles foram idênticos aos encontrados na PubMed. Os artigos selecionados no banco de dados da Lilacs e do SciELO foram os mesmos, totalizando um número de três materiais científicos, revelando a necessidade de mais pesquisas na América latina e, especialmente, em solo nacional.

Foram adicionados à revisão bibliográfica três artigos que não estão de acordo com os objetivos iniciais. Um deles está fora do período pretendido (é de 1999), porém consta na base da PubMed, já o segundo não está relacionado em nenhuma base de dados selecionada para esse artigo, mas está dentro do período de análise (2001), e o terceiro artigo é relevante por citar os possíveis sintomas de critério diagnóstico para a dependência de jogos eletrônicos. Foram também acrescentadas 11 referências do modelo livro-texto, justificado também pelo aspecto de relevância.

 

Discussão

Ainda não há uma padronização dos sintomas para descrever um sujeito como dependente de jogos eletrônicos, ou seja, um diagnóstico preciso ainda está em construção. Contudo, diversas escalas estão sendo produzidas objetivando tentar dar conta desse novo fenômeno. Atualmente, o inventário de melhor aceitação para a dependência de jogos eletrônicos envolve os seguintes tópicos, nos quais o jogador dependente apresenta dificuldades significativas: saliência, tolerância, modificação do humor, retrocesso, recaída, conflito e problemas na área social56.

Pesquisas ao redor do mundo têm apresentado resultados que variam conforme a localidade em relação ao número de usuários dependentes de artefatos tecnológicos. Uma das possibilidades dessa significativa diferenciação se refere ao emprego de diferentes metodologias e instrumentos que definam o que é um comportamento aditivo para a coleta dessas informações57.

Importantes dados foram revelados em pesquisa feita nos Estados Unidos com 4.028 adolescentes. Tal material incluiu estatísticas referentes ao uso de jogos eletrônicos por gênero atrelado ao comportamento aditivo de videogames. O estudo apresentou um resultado de 4,9% da amostra com jogo excessivo, por meio dos sintomas: dificuldade para diminuir o uso ou para interromper uma sessão de jogo, aumento de tensão apenas dissipada com o comportamento de jogar e a experiência de uma sensação irresistível para jogar. Os meninos possuíram maior ênfase no comportamento dependente (5,8%) do que as meninas (3,0%)58. É sugerido que o sexo masculino possui maior índice e risco de dependência de jogos eletrônicos59.

Diversos estudos em países da Europa trazem amostras que variam na epidemiologia, porém são resultados próximos aos de outras pesquisas também em solo europeu. Um estudo de dois anos na Holanda trouxe resultado de 3% de adolescentes de 13 a 16 anos como dependentes de jogos eletrônicos60, dado idêntico61,62 e/ou semelhante (1,5% a 3.5%)63 a achados na Alemanha. Outros estudos alemães revelaram: 3% de meninos e 0,3% de meninas como dependentes de jogos eletrônicos64; 2,7% da amostra apresentando dependência65 e, por fim, 9,3% dos usuários com uso excessivo de jogos eletrônicos66.

Uma pesquisa conduzida na Noruega com 816 indivíduos, feita por meio de questionários, apresentou um percentual de 0,6% de dependentes de jogos eletrônicos e de 4,1% de usuários com uso problemático67. Outro estudo, no mesmo país, que incluiu 3.405 adultos, revela que 2,2% da amostra joga mais de quatros horas por dia, caracterizando o grupo de risco de dependentes de jogos eletrônicos68. Mais uma pesquisa norueguesa apresentou resultados significativos: em um grupo de 3.237 jogadores entre 12 e 18 anos, 9,82% relataram uso excessivo de jogos eletrônicos e 4,2% preencheram critérios para dependência69.

Dados australianos apontam uma porcentagem de 8% de dependentes para um número de 1.945 usuários70. Entretanto, o questionário foi aplicado on-line em todo o mundo e os participantes eram anônimos, o que pode modificar significativamente o resultado da pesquisa, talvez enviesada por participantes já interessados na temática.

Além da relevante taxa de possíveis dependentes de jogos eletrônicos ao redor do mundo, outra informação vem ganhando atenção da comunidade científica, sendo essa a relação entre jogos eletrônicos, dependência e violência. Autores comentam que é possível o jogador desenvolver comportamentos violentos71-73 ou impulsivos74, mesmo quando o usuário não esteja diante de um jogo com características de violência explícita75,76. Isso se deve, principalmente, àqueles que jogam de forma excessiva, já caracterizando aspectos de dependência. Tais jogadores podem, além disso, sofrer de ataques de epilepsia77, dado esse que chama a atenção dos neurologistas.

Outra influência negativa direta da dependência de jogos eletrônicos ou de seu uso excessivo foi confirmada em um estudo em Singapura. Crianças de 8 a 12 anos que utilizavam jogos eletrônicos com alta frequência apresentaram notas baixas78, revelando problemas estudantis79,80, o que poderá chamar a atenção, além dos profissionais da saúde, de representantes vinculados ao âmbito escolar.

Após revelar números ao redor do mundo e outras características da dependência, ainda há outro aspecto que vem sendo estudado e merece destaque. Tem-se suspeitado que os jogadores considerem que a vida seria frustrante ou com poucas emoções sem o mundo virtual81. Há uma possibilidade de que a sensação de fluxo (do inglês, "flow") que o jogador experimenta contribui para essa conexão tão íntima com os jogos eletrônicos. Durante esse estado de fluxo o jogador não consegue mais prestar atenção em nenhuma outra necessidade, incluindo dor, sono, fome e/ou sede. O usuário distorce a percepção de tempo82 e interromper essa atividade normalmente resulta em conflitos entre o jogador e as figuras sociais83. Essas alterações cognitivas devem ser levadas em consideração caso o usuário entre em psicoterapia, tratamento esse que será descrito agora.

A terapia cognitivo-comportamental (TCC) possui diversos resultados empíricos e efetivos no tratamento dos mais diversos transtornos psiquiátricos. Contudo, ainda há poucas pesquisas que revelem informações sobre a prática de profissionais com pacientes que apresentem sintomatologia referente ao uso inadequado de artefatos tecnológicos84, perfazendo uma carência de resultados amplos de tratamento para esse fenômeno85. A psicoterapia para dependência de internet (e ainda mais rara de jogos eletrônicos) encontra-se em fase prematura86 e consiste em intervenções realizadas por clínicos frequentemente desenvolvidas por tentativa e erro87. Com isso, pesquisas nessa área e o conceito de tratamento ainda estão sendo desenvolvidos88, visto que, como comentado, a sintomatologia ainda é visivelmente relacionada à de outros transtornos psiquiátricos89.

Na base de dados do SciELO, foi encontrado apenas um material que relaciona a TCC à dependência de internet, não perfazendo a necessidade deste artigo, que se refere, prioritariamente, à dependência de jogos eletrônicos. Contudo, os autores apresentam pontos interessantes, que merecem ser comentados: acredita-se que a TCC seja útil para o tratamento de dependentes de internet90 e jogos eletrônicos. É mencionada a importância da entrevista motivacional, tendo em vista que ela é uma técnica eficaz para o tratamento de transtornos de comportamentos de dependência, contudo o trabalho terapêutico também deve estar vinculado aos aspectos cognitivos91.

O modelo cognitivo-comportamental aponta que as cognições e comportamentos relacionados à internet (o mesmo serve para os dependentes de jogos eletrônicos) que levam aos comportamentos desadaptativos são consequências, em vez de causas, de outros problemas psicopatológicos, como a depressão e transtorno de ansiedade social92. Tem-se, com isso, uma visão psicoterapêutica de que é necessário tratar, primariamente, transtornos que possam corroborar, em algum momento da vida do indivíduo, uma comorbidade, nesse caso a dependência de jogos eletrônicos e/ou internet.

Apesar de o modelo terapêutico ainda estar nos primeiros passos em relação ao tratamento de dependentes de tecnologias, já existe um protocolo de terapia em grupo de 18 sessões para esses usuários, seguindo o modelo da TCC93. Esse programa estruturado de psicoterapia pode ser considerado um grande passo no processo de intervenção, ainda que haja poucos dados disponíveis sobre seus resultados.

Um estudo conduzido com 114 pacientes que apresentavam dependência de internet e foram tratados com a TCC em 12 sessões demonstrou resultado satisfatório após seis meses do fim do tratamento94, não havendo, entretanto, dados para dependentes de jogos eletrônicos. A autora comenta a necessidade de pesquisas que atinjam um tempo maior após o tratamento desses usuários para comprovar os resultados em longo prazo. Entretanto, já existe a possibilidade de esse tratamento ser adaptado para os dependentes de jogos eletrônicos.

O mesmo material revela aspectos vinculados à cognição do usuário dependente: são mais preocupados, possuem mais perspectivas negativas do que outros sujeitos e apresentam distorções cognitivas, como a generalização e a catastrofização, ambas contribuindo para o uso compulsivo de tecnologia. É sugerido que haja uma reestruturação cognitiva atacando diretamente as crenças negativas e racionalizações como "apenas mais alguns minutos não será um problema".

Aspectos comportamentais também são apresentados por Young nessa pesquisa. É sugerido que o usuário passe a reaprender como usar a tecnologia de forma necessária a propósitos legítimos. As técnicas que podem ser conduzidas pelo terapeuta incluem o treino de assertividade, dessensibilização, modelagem, métodos de relaxamento e novas habilidades sociais. Acredita-se que tais instrumentos terapêuticos possam ser utilizados para os pacientes dependentes de jogos eletrônicos.

O aspecto da prevenção também é discutido na literatura científica95,96. Já é citado um tipo de programa baseado em técnicas cognitivas e comportamentais com estudantes. O processo dura seis sessões, uma vez por semana, em um tempo de 90 minutos cada. Nela é realizado um processo de psicoeducação em relação ao transtorno, é encorajado um processo de automonitoramento em relação ao uso exacerbado da tecnologia, além de promover mudanças comportamentais e ensinar aos jovens como lidar com o estresse e adotar outras atividades prazerosas97. Tais estratégias de prevenção devem ser aplicadas em colégios e áreas em que a incidência de dependentes de jogos eletrônicos seja mais alta98.

Não apenas o ambiente escolar deve estar atento aos possíveis dependentes de jogos eletrônicos, a família também pode estar vinculada ao caráter de prevenção, apesar de que uma estrutura familiar comprometida pode resultar em uma predisposição para o desenvolvimento dessas psicopatologias99.

Medicamentos específicos para dependência de jogos eletrônicos ainda não são relatados, porém fármacos utilizados para o tratamento de outras psicopatologias do transtorno do controle dos impulsos100 e TDAH101 apresentam resultado satisfatório para os pacientes dependentes de tecnologia.

 

Conclusão

Diversos aspectos dificultam o tratamento para dependentes de jogos eletrônicos. Em primeiro plano há a consideração de se estar ou não diante de um transtorno psiquiátrico específico ou se é uma sintomatologia referente a outras psicopatologias. Secundariamente, a falta de diagnóstico e as diversas escalas existentes, que variam metodologicamente em cada região, dificultam uma sistematização para referência em futuras pesquisas.

A terapia cognitivo-comportamental, além de apresentar resultados satisfatórios para diversos transtornos, passa a ser considerada uma possível linha terapêutica para o tratamento de dependentes de jogos eletrônicos. Contudo, ainda há uma escassez de pesquisas nas abordagens terapêuticas para esse tipo de transtorno e, dificultando ainda mais o acesso a essas informações, ainda se toma como prioridade estudar a dependência de internet em vez da dependência de jogos eletrônicos.

Conclui-se que esse é um campo de amplo horizonte a ser destrinchado e que diversos estudos são necessários para que seja criado um tratamento validado para esse transtorno psiquiátrico contemporâneo. Sugere-se, por fim, a realização de pesquisas voltadas aos jogos eletrônicos e a possibilidade de estarmos diante de uma demanda que utilize cada vez mais essa tecnologia de forma patológica.

Não houve conflito de interesse, nem fonte financiadora para esta revisão da literatura.

 

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Endereço para correspondência:
Igor Lins Lemos
Rua José de Holanda, 580/603, Torre
50710-140 - Recife, PE, Brasil
E-mail: igorlemos87@hotmail.com

Recebido: 9/7/2011
Aceito: 21/9/2011

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